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terça-feira, junho 15, 2021

Plesiopharos moelensis é o novo plesiossauro português e é o mais antigo e completo da Península Ibérica

Plesiopharos moelensis é o novo plesiossauro português e é o mais antigo e completo da Península Ibérica

Foi descoberto um novo género e uma nova espécie de plesiossauro, que viveu há 195 milhões de anos, na região de São Pedro de Moel (Marinha Grande). Este achado é o mais completo e antigo plesiossauro da Península Ibérica pertencendo ao início do Período Jurássico, de há cerca de 195 milhões de anos. Os plesiossauros eram répteis marinhos, da Era dos dinossauros, que tinham de vir à superfície respirar. Os seus membros, braços e pernas, evoluíram para barbatanas. 

A nova espécie portuguesa foi batizada com o nome de Plesiopharos moelensis, que quer dizer “perto do farol de [São Pedro] de Moel”, e também refere a sua afinidade familiar com os plesiossauros. O fóssil do Plesiopharos, agora descrito, é constituído por partes da barbatana do braço e da perna direita, do tórax e do pescoço. Este foi encontrados por dois colecionadores, Victor Teixeira e António Domingos, que doaram o achado ao Museu da Lourinhã. O fóssil foi completamente preparados e estudados no laboratório do Dino Parque por uma equipa de paleontólogos e geólogos ligados ao Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa. A investigação foi coordenada por Simão Mateus e tem como primeiro autor Eduardo Puértolas-Pascual, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.

Plesiopharos moelensis (arte por Simão Mateus)
O exemplo que estes dois colecionadores deram ao doarem este material reveste-se ainda de maior significado quando a costa portuguesa sofre cada vez mais de pilhagens e colheitas descontroladas de fósseis, que ameaçam a preservação do património paleontológico português.

A nova descoberta foi publicada na revista Acta Palaeontologica Polonica de acesso livre e será, em breve, o centro de uma exposição temporária no Dino Parque da Lourinhã.



Plesiopharos moelensis (arte por Simão Mateus)



Puértolas-Pascual, E., Marx, M., Mateus, O., Saleiro, A., Fernandes, A.E., Marinheiro, J., Tomás, C. and Mateus, S. 2021. A new plesiosaur from the Lower Jurassic of Portugal and the early radiation of Plesiosauroidea. Acta Palaeontologica Polonica 66. http://www.app.pan.pl/archive/published/app66/app008152020.pdf 

terça-feira, dezembro 20, 2016

Plesiossauros do Jurássico inferior na Gronelândia

Em 2012 e 2016 recolhemos duas vértebras dorsais e uma costela dorsal do Jurássico inferior numa crista montanhosa na Formação Kap Stewart no Fjord de Carlsberg, na Jameson Land, no leste da Gronelândia, durante a Geocenter Møns Klint Dinosaur Expedition. Os ossos mostram afinidades claras aos plesiossauro: centra anficéficos, com um par de forames nutritivos ventrais, suturas neurocentrais não-fundidas e costelas sem tuberculum. O diâmetro do centra é de 2 cm indicando um indivíduo de pequeno porte. Os plesiossauros são animais essencialmente marinhos e este achado representa os primeiros vertebrados indubitavelmente marinhos nos depósitos mesozóicos da Groenlândia e testemunha os primeiros estágios da abertura do Atlântico Norte ao 44.º de paleolatitude.

Os ossos estão agora em estudo no Museu da Lourinhã e Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL. Este trabalho foi recentemente apresentado por Jesper Milàn na 60th Annual Meeting Palaeontological Association em Lyon, França.

Poster apresentado em congresso sobre plesiossauro da Gronelândia

Milàn, J., Mateus O., Marzola M., & Clemmensen L. B. (2016).  Plesiosaur remains from the Lower Jurassic part of the Kap Steward Formation, Jameson Land, East Greenland – evidence of the earliest marine incursion. 60th Annual Meeting Palaeontological Association. 91-92., Lyon, France: Palaeontological Association 

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Os plesiossauros e o pedomorfismo



Os plesiossauros de Angola continuam a dar que falar. No estudo liderado por Ricardo Araújo, integrado no Projecto PaleoAngola, publicado no Netherlands Journal of Geosciences descrevem-se novos espécimes de plesiossauros elasmossaurídeos do Maastrictiano inferior de Angola. As análises filogenéticas colocam o táxone angolano como um elasmossaurídeo aristonectine e táxone-irmão de um plesiossauro da mesma idade da Nova Zelândia. Comparações também indicam uma estreita relação com uma forma não identificada anteriormente descrito da Patagónia. Todas estas amostras apresentam uma morfologia osteológica externa ostensivamente imatura, mas a análise histológica do material angolano sugere serem adultos com traços pedomórficos. Por extensão, a semelhança do angolano, o material da Nova Zelândia e Patagónia indica que estes espécimes representam táxones com pedomorfismo generalizado.
O pedomorfismo é um fenomeno de desenvolvimento evolutivo com a retenção de características juvenis em estado adulto.


Plesiossauros elasmossaurídeo de Angola (Araújo et al. 2015)

Ref.:
Araújo, R., Polcyn M. J., Lindgren J., Jacobs L. L., Schulp A. S., Mateus O., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–16., 2

Abstract
New elasmosaurid plesiosaur specimens are described from the Early Maastrichtian of Angola. Phylogenetic analyses reconstruct the Angolan taxon as an aristonectine elasmosaurid and the sister taxon of an unnamed form of similar age from New Zealand. Comparisons also indicate a close relationship with an unnamed form previously described from Patagonia. All of these specimens exhibit an ostensibly osteologically immature external morphology, but histological analysis of the Angolan material suggests an adult with paedomorphic traits. By extension, the similarity of the Angolan, New Zealand and Patagonian material indicates that these specimens represent a widespread paedomorphic yet unnamed taxon.

domingo, janeiro 25, 2015

Nova espécie de plesiossauro do Cretácico de Angola

Cardiocorax mukulu é o nome da nova espécie de plesiossauro escavada pelo Projecto PaleoAngola no Namibe, no sul de Angola. O artigo que saiu agora no Netherlands Journal of Geosciences é o resultado da dissertação de Ricardo Araújo (SMU) integrado no Projecto PaleoAngola e contou ainda com a participação de Mike Polcyn, Anne Schulp, Octávio Mateus, Louis Jacobs, Olímpio Gonçalves and Maria Luísa Morais, dos Estados Unidos, Holanda, Portugal e Angola.
Os ossos coracóides desta espécie criam um espaço em forma coração, o que dá o seu nome Cardio + corax, e mukulu significa ancestral/antigo em Bantu.
À semelhança dos outros elasmossauros, o Cardiocorax seria um animal marinho de pescoço longo, piscívoro.





Resumo:
Nós relatamos aqui um novo elasmossaurídeo do Maastrictiano inferior de Bentiaba, do sul de Angola. A análise filogenética coloca o novo taxon como irmão de Styxosaurus snowii, e esse clado como irmão de um clado composto por (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). O novo táxon tem uma lâmina dorsal reduzida da escápula, uma característica única entre elasmossaurídeos, mas convergente com plesiossauros criptoclídeos, e indica um ciclo longitudinal de retração-protracção do membro, em estilo de remar, com a rotação simples na articulação glenoumeral. Análise filogenética morfométrica dos coracóide de 40 táxones de eossauropterígios sugere que houve uma ampla gama de estilos de natação dentro do clado.

Abstract: We report here a new elasmosaurid from the early Maastrichtian at Bentiaba, southern Angola. Phylogenetic analysis places the new taxon as the sister taxon to Styxosaurus snowii, and that clade as the sister of a clade composed of (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). The new taxon has a reduced dorsal blade of the scapula, a feature unique amongst elasmosaurids, but convergent with cryptoclidid plesiosaurs, and indicates a longitudinal protraction-retraction limb cycle rowing style with simple pitch rotation at the glenohumeral articulation. Morphometric phylogenetic analysis of the coracoids of 40 eosauropterygian taxa suggests that there was a broad range of swimming styles within the clade.




Araújo, R., Polcyn M. J., Schulp A. S., Mateus O., Jacobs L. L., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). A new elasmosaurid from the early Maastrichtian of Angola and the implications of girdle morphology on swimming style in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–12., 1
Website  PDF

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domingo, setembro 25, 2011

Mastigação nos plesiossauros, by Ricardo Araújo



Apresentei em conjunto com o meu colega Mike Polcyn um poster em Junho passado na "Sixth Triennial Conference on Secondary Adaptation of Tetrapods to Life in Water". Este estudo teve por base a aplicaçhttp://www.blogger.com/img/blank.gifão de técnicas de engenharia (a minha e a formação de base do Mike) à paleontologia. Este tipo de análise é amplamente aplicado na construção de aviões, na criação de modelos electrónicos, ou até na modelação de transferência de calor, chama-se: Análise de Elementos Finitos. Agora, este tipo de técnica foi aplicada a um crânio de um plesiossauro permitindo determinar a distribuição do stress (forças a uma escala muito pequena) enquanto este animal comia. Os resultados já foram entretanto submetidos a uma revista da especialidade e em breve haverá mais notícias...



Texto de: Ricardo Araújo

terça-feira, abril 12, 2011

Movendo monólitos com raros plesiossauros de Angola





Ontem, um bloco recolhido em 2010 em Angola com mais de uma tonelada foi transportado para os laboratórios da Southern Methodist University (Texas) para ser preparado. Este bloco contem um esqueleto praticamente completo incluindo o crânio de um plesiossauro. Em breve mais novidades sobre o avanço deste incrível achado serão dadas. Todos os fósseis recolhidos no âmbito do Projecto PaleoAngola serão devolvidos a Angola.

Ricardo Araujo

terça-feira, março 01, 2011

Plesiossauros de Angola




A mitologia Angolana inclui bestas marinhas como o Kianda, um monstro que comia pessoas. No entanto, há muitos milhões de anos atrás (aproximadamente 69 milhões de anos) inúmeros répteis marinhos gigantescos cruzaram o mar ao largo da costa de Angola.

Entre os quais se contavam os plesiossauros: os Kianda que existiram mesmo. Nesta altura, porém, não existiam humanos e este tipo de animais alimentava-se somente de peixe e cefalópodes. Alguns plesiossauros tinham longos pescoços, outros pescoços curtos mas cabeças extremamente robustas. Os plesiossauros têm uma história evolutiva extremamente interessante pois são os répteis marinhos mais diversos em número de espécies bem como em termos de longevidade. Existem mais de duas centenas de espécies conhecidas de plesiossauros, e duraram enquanto grupo durante quase todo o Mesozóico. Mais de cento e cinquenta milhões de anos de história evolutiva... Existiram plesiossauros com inúmeros pequenos dentes aguçadíssimos que para se alimentarem de pequenos crustáceos e peixes, existiram plesiossauros com um crânio robusto e dentes poderosos capazes de dilacerar grandes presas. A disparidade morfológica é radicalmente diferente de grupo para grupo. Alguns plesiossauros engoliam pedras, chamados gastrólitos, para servir de lastro e para que o seu corpo adquirisse flutuabilidade neutra... outros tinham adaptações especiais nos ossos do corpo tornando os ossos extremamente densos e, portanto, produzindo o mesmo efeito de flutuabilidade neutra.


Angolan mythology includes stories of a beast named Kianda, a sea monster who ate people. In reality, millions of years ago (~69 ma) numerous giant marine reptiles lived in the sea off the coast of Angola. Among them were animals called plesiosaurs: a sea monster that really did exist. At this point, however, there were no humans and plesiosaurs only fed on fish and cephalopods. Some plesiosaurs had long necks and relatively small heads while others had short necks and extremely robust heads. Plesiosaurs have a long and interesting evolutionary history and are are the most diverse marine reptiles in species number and in terms of longevity. There are over two hundred known species of plesiosaurs, and the group lasted for almost the entire Mesozoic; more than one hundred and fifty million years of evolutionary history ... There were plesiosaurs with numerous small teeth that enabled it to feed on small crustaceans and fish, there were plesiosaurs with a robust skull and powerful teeth that can tear apart very large prey. The morphological disparity is radically different from group to group. Some plesiosaurs swallowed stones, called gastroliths to serve as ballast to acquire neutral buoyancy ... others had special adaptations in the bones of the body making the bones very dense and therefore producing the same effect of neutral buoyancy.



Angola é central para compreender a história evolutiva deste grupo de animais. Neste momento temo-nos concentrado nos últimos capítulos da sua história, mas, felizmente, Angola tem rochas que representam várias idades e que, portanto, permitem aceder a vários outros capítulos da história fascinante destes animais. Até agora já foi descoberto por exemplo o Tuarangisaurus que é um táxone extremamente interessante uma vez que, a confirmar-se a sua natureza ontogenética, apresenta traços claramente que corresponderiam a indivíduos de plesiossauros juvenis. Também numa perspectiva biogeográfica este taxóne parece ser interessante, ocorrendo em três continentes distintos: América do Sul (Argentina), Oceânia (Nova Zelândia) e agora África (Angola; ver resumo em Araújo et al. 2010).

Angola is central to understanding the evolutionary history of this group of animals. Currenty we are concentrating on the final chapters of their history, but fortunately, Angola has older rocks too, and therefore allows access to several other chapters in the history of these fascinating animals. We have thus far discovered a number of forms, including one called Tuarangisaurus. This taxon is very interesting because it appears to conserve morphology that corresponds to juvenile plesiosaurs of other taxa. Also, from a biogeographic perspective, this taxon appears to be restricted to the southern hemisphere, but is widespread, occurring in three different continents: South America (Argentina), Oceania (New Zealand) and now Africa (Angola, see summary in Araújo et al. 2010).

Ver:http://www.paleolabs.org/paleoangola/the-fossils/54-the-fossils/129-plesiossauros

sábado, novembro 06, 2010

Plesiossauro histórico de Portugal é objecto de estudo

Embora discretos e quase desconhecidos no registo fóssil de Portugal, os plesiossauros foram um dos grupos mais bem sucedidos de répteis marinhos do Mesozóico (e não são dinossauros).

Um dos primeiros registo deste fósseis é-nos apresentado por Henri-Émile Sauvage em 1898, a partir de uma colheita feita em Alhadas, perto de Coimbra. Trata-se de um fóssil do Toarciano (183-175 milhões de anos), logo um dos mais antigos vertebrados fósseis de Portugal.

Este espécime, em exposição no Museu Geológico de Lisboa, não era objecto de estudo desde o século XIX e agora é resultado de uma reavaliação assinada por Adam Smith, Ricardo Araújo e Octávio Mateus e apresentada na Society of Vertebrate Paleontology.



Smith, A., Araújo, R., Mateus, O. (2010) A plesiosauroid skull from the Toarcian (Lower Jurassic) of Alhadas, Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, 30(suppl. to 3) 


terça-feira, junho 15, 2010

Following in heroes' footsteps


“The unhappy officer, the revered winner of Chaimite, the celebrated captor of Gungunhana, has just commited suicide” [translated from Portuguese: “O desditoso oficial, o chorado vencedor de Chaimite, o celebrado captor de Gungunhana, tinha acabado de se suicidar”] (Jornal O Século, 1902). It is a condemnation that the history of heroes is tragic: Joaquim Mouzinho de Almeida was an intrepid explorer of Mozambique that captured one of the most redoubtable tribal leaders that fought against Portuguese colonial forces. It will not be like Mouzinho de Almeida that we are going to Mozambique this year, but it is with the exact same spirit of mission and curiosity to understand something else about our own life by capturing a picture of what happened 250 million years ago.



I am Portuguese. My hero is not Livingstone that explored the region of the Great African Lakes; it is Serpa Pinto who honored the Lisbon Administration by going far East away from the Angolan Coast. Without him the Portuguese Overseas African Territory would be small, and, what is nowadays Angola would be only a thin strip of land along the coast. In my language we do not say Lake Malawi; Lake Niassa it is how it is called.

It is interesting that with such legacy the Portuguese people are irredeemably pessimistic and we do not value our national conquests. In the same way Mouzinho de Almeida has fallen into disgrace, what was once called the Portuguese Empire it is now reduced to a 10-million country in the Iberian Peninsula. That is not necessarily bad, it is just not inspiring. To know and value our History it is a good excuse to make good (great!) things as well.

The PaleoAngola project does not have behind the heroes that will write the pages of the History textbooks, but it certainly holds the dream of discovery, the passion of exploration, the fierceness of those who can envision beyond a cloudy sky. Initially a group of four people, that still form the hardcore of the group, acknowledged the great potential for Vertebrate Paleontology along the Angolan coast. They are Louis Jacobs and Mike Polcyn from SMU, Octávio Mateus from Museu da Lourinhã (Portugal) and Anne Schulp from Natuurhistorisch Museum Maastricht (The Netherlands). The omnipresent figure of Paleontology in Portugal, Miguel Telles Antunes, back in the 1960’s had done his PhD on vertebrate material collected from Cabinda (the northernmost Angolan Province) to Cunene (the southernmost river that limits the border with Namibia). Angola at that time was still part of the Portuguese Overseas Territory, whereas most African colonies were already independent. Antunes studies revealed, most importantly, new species of mosasaurs, a type of large marine lizards. However, for nearly half a century, nearly no new work was published. In fact, most of Antunes material was collected during the pioneering geological recognition campaigns in Angola. Thus, excepting in 1961 and 1962 Antunes trips to the coast of Angola, virtually no other vertebrate paleontologists had stepped that country’s soil.

In 2005 what was initially aimed to be a diplomatic trip, Louis Jacobs and Octávio Mateus, travelled to Luanda and decided to visit one of the outcrops just out of curiosity… They just found the first dinosaur from Angola, a new species of turtle and a complete skull of one of Antunes’ species. Not bad for a first try! Evidently giving this success there was subsequent trips in 2006 and 2007. In 2007 more than one ton of fossils were shipped.
Mike, Louis, Octávio, and Anne did not fought against any tenacious tribal leader as Mouzinho de Almeida, but with the same tenacity have just unearthed, pacifically, how life looked like more than 65 million years ago in the South Atlantic... when Africa west coast and South America east coast were much closer, when dinosaurs could not even guess how much a meteorite could harm. Would Caesar ever think that his troops could not hold the Roman Empire together? Would the King D. João V during the construction of the megalomaniac Convento de Mafra in Portugal could ever anticipate the country’s economical collapse? Life oscillates on Earth as did the Great Empires; mosasaurs and dinosaurs are now entombed.

The weight on my shoulders is heavy. The mission that has been appointed to me is to find, excavate and study the remains of marine creatures called plesiosaurs. Plesiosaurs resemble the mythological animal that patrols a lake in Scotland: the Loch Ness Monster.

The intentions of the Portuguese were hampered by the powerful British Empire. Once the Portuguese wished to link coast to coast in Africa (Mozambique to Angola), but those intents were readily frustrated given the British interests in the area. The “Pink Map”, how it was called, was then no more than a mirage. This year on my trip to Africa I will make the Pink Map come true, flying from Luanda to Maputo, linking them by the same paleontological endeavor. In 2009, Rui Castanhinha and I, two just-graduates from Portuguese universities have decided with our own pocket money and savings (and some support from Museu da Lourinhã) revisit a long-lost Mozambican fossil locality in the remote region of Niassa, right along Lake Malawi. After a lot of hand-shaking work and promises of a successful trip we got the administrative support from the Museu Nacional de Geologia de Moçambique and Universidade Eduardo Mondlane. However, that was not enough, the money of our savings together was not even enough to rent a car for one day in Mozambique. On a desperate attempt we decided to call the Ministry of Transports who gave us a contact from an administrative agency from the Niassa Province who could probably support us logistically. We went to Niassa without any prospect that we could actually get to see the geological exposures… But, the Mozambican people demonstrated all their generosity when we came and our trip was a success. We found more than 10 localities with abundant fossil material to be salvaged and a nearly complete skeleton of a minute synapsid (mammal common ancestors). Niassa was shown to us in all its mystery and splendor. Our local guide, Luís Macuango, fought against the colonial Portuguese to conquer the independence and right for self-determination of Mozambique; and our driver, Ângelo Madrugas, has fought on the Mozambican Civil War that opposed the communist party Frelimo and the pro-colonialists Renamo when he was still a child. They formed two generations of warriors, after being themselves heroes, honored us with their help exploring the banks of the Lunho River in Niassa. Luís Macuango is the brother of the highly influential and witch Queen of Muchenga. One night after many frustrated days of slim findings I asked him to pray for us, he just said: “Amanhã vamos andar bem”, which means “Tomorrow we will walk good”. In the next day we hit the jackpot.

Pode tambem ver em Student Adventures.

quinta-feira, abril 29, 2010

Filme "Sea Rex 3D"

Mais um "trailer" de um filme a não perder: Sea Rex 3D. Com plesiossauros, mosassauros e outros aspectos dos mares mesozóicos.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Musculos trigeminais nos repteis: quem se mexe? Musculos ou ossos

E um bocado estranho estar a escrever sobre um topico tao esoterico (ainda por cima sem acentos), mas sinto-me no dever de partilhar com outros aquilo que aprendi. Quando cheguei aqui a SMU (Southern Methodist University) no inicio do semestre o Mike Polcyn (especialista em mosassauros) mostrou-me o holotipo do Libonectes morgani, um cranio perfeitamente intacto de um plesiossauro elasmossaurideo do Cretacico Superior do Texas. Os plesiossauros fazem lembrar as representacoes do monstro de Loch Ness da Escocia. Nao consegui deixar fazer cair o meu queixo... o cranio e simplesmente fantastico. Tendo sido inicialmente estudado por Samuel Welles em 1949(erigindo a especie Elasmosaurus morgani) que depois foi reinterpretado por Carpenter (1997), dando-lhe o presente nome.

Enfim, tirando estes factos e curioso que os plesiossauros tem geralmente uma grande fenestra supratemporal (uma abertura na parte superior do cranio). Os notossauros, 'plesiossauros primitivos', tem uma condicao extrema com a fenestra varias vezes maior que as orbitas. O que e que isto quer dizer?


Se entendermos o espaco criado pela fenestra supratemporal (geralmente designado como camara aductora) como o volume ocupado pelos musculos trigeminais (assim designados por serem enervados pelo nervo trigeminal), significa que os plesiossauros tinham poderosos musculos que fechavam a boca nas suas presas. Isto porque a seccao transversal de um musculo - logo, o seu volume - esta directamente relacionado como a forca que ele produz. Isto e, quanto mais grosso um musculo mais forte ele e.

Acontece que, as areas onde se inserem os musculos trigeminais nos plesiossauros sao em tudo semelhantes a outros repteis. E, os musculos sao essencialmente os mesmos. Sao eles:

- Musculus adductor mandibulae externus
- Musculus pseudotemporalis
- Musculus adductor mandibulae posterior
- Musculus pterygoideus (e o musculo responsavel pelas valentes dentadas dos crocodilos)


Isto e fascinante e reflecte bem um padrao curioso... muitas vezes nao sao os musculos que alteram a sua posicao relativa ao longo da evolucao no sentido de se ajustarem a diferentes funcoes relacionadas com modos especificos de vida (e.g. crocodilo do Nilo, come presas de grandes dimensoes, ou, o gavial que come peixes que se deslocam rapidamente). Mas sim os ossos onde os musculos se inserem que mudam de forma ao longo da evolucao! Isto nao e verdade para todos os musculos e ossos, mas e certamente verdade para os musculos trigeminais maioria dos repteis.

sábado, janeiro 24, 2009

Nova Publicação: Colecção de Fósseis de Vertebrados de Sir Alfred Leeds


A colecção de fósseis de vertebrados que está no National Museum of Ireland é relavante sob o ponto de vista histórico mas também científico. Acontece que no final do século XIX um senhor chamado Alfred Leeds que vivia no Peterborough District começou a acumular uma importantíssima colecção de fósseis de vertebrados a partir do seu barreiro. Durante mais de vinte anos Alfred Leeds (principalmente, se bem que inicialmente ajudado pelo seu irmão Charles) acumulou uma quantidade absolutamente impressionante de fósseis de uma inestimável riqueza científica. Desde plesiossauros, passando por crocodilomorfos, e por peixes gigantes como o Leedsichthys. A colecção em Dublin é uma fracção representativa do que existiu na formação de "Oxford Clay", onde o barreiro se inseria. Por outro lado, a Colecção de Alfred Leeds no National Museum of Ireland é um marco importante na história da própria colecção; assinala o momento em que Alfred Leeds começou a dispersar, vendendo, fósseis por todo o mundo. Hoje em dia a colecção de Alfred Leeds está em Uppsala (Suécia), Estados Unidos, vários museus de Inglaterra, etc. A maior parte dos fósseis estão no Hunterian Museum, mas os melhores espécimes encontram-se no The Natural History Museum, London.

À parte disto, este estudo foi extremamente interessante de se realizar. Não só ficámos a saber um pouco mais sobre uma colecção extremamente rica, mas também tive o prazer de trabalhar com um dos maiores especialistas na história da Colecção: Jeff Liston e com o meu colega e amigo Adam Smith. É um trabalho que merece uma leitura por parte daqueles que se importam com o híbrido que resulta da paleontologia pura e a história!

O artigo pode ser descarregado a partir deste link.

Imagem: à esquerda uma barbatana de Ophthalmosaurus e à esquerda parte de um documento com mais de cem anos desenhado por Alfred Leeds quando havia recolhido o fóssil do seu barreiro.

sábado, novembro 08, 2008

Os plesiossauros, os senhores dos mares mesozóicos

Os plesiossauros são um grupo de répteis marinhos que viveram no era Mesozóica, entre os 220 milhões de anos e os 65 milhões de anos atrás, tendo-se extinto ao mesmo tempo que os dinossauros. 
Plesiosaurus, por Xavier MacPherson (Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros do Museu da Lourinhã)

Apesar do nome também terminar em “ssauros” e de serem contemporâneos dos dinossauros, são apenas primos muitíssimo afastados destes últimos. Além disso, os plesiossauros dominaram os mares, enquanto que os dinossauros dominavam a terra durante o Mesozóico.
Com cauda curta, corpo largo e barbatanas poderosas, os plesiossauros manobravam as barbatanas de forma a nadarem com uma técnica algo semelhante à dos pinguins de hoje,
que parecem voar dentro de água.

Existiram dois grandes grupos de plesiossauros: os pliossauros, com o pescoço curto e cabeça
grande, e os plesiossauróides de pescoço comprido e uma cabeça pequena. A forma que a maioria
das pessoas mais facilmente associa a um plesiossauro é o mitológico monstro de Loch Ness.
É curioso que muitas vezes tenhamos de recorrer a uma figura mitológica de um animal que não existe e nunca existiu, como o deste lago escocês, para explicarmos o que é um plesiossauro, um animal que existiu, de facto, há milhões de anos. 

Os plesiossauróides eram piscívoros, isto é, o seu regime alimentar era essencialmente constituído por peixe. Para caçar o peixe percorriam os oceanos e perseguiam os peixes com o seu enorme pescoço flexível, capturando-os com a boca. Esta estava munida de dentes finos e
recurvados para trás, com fiadas de estrias verticais, de modo a segurar bem os fugidios peixes.

No Cretácico superior (no fim da era Mesozóica) os plesiossauros começaram a ter a companhia de outros gigantes dos oceanos mesozóicos, os mosassauros. Estes répteis eram aparentados aos lagartos monitores, dos quais o actual Dragão de Komodo é um magnífico exemplo.
Locomoviam-se de forma distinta pois usavam o ondular da sua enorme cauda achatada lateralmente para propulsar o corpo estreito, enquanto que as barbatanas eram pequenas e eram utilizadas essencialmente para mudar de direcção. 
Em Portugal há muito poucos vestígios de plesiossauros. 

Para saber mais sobre estes animais pode consultar o resumo sobre os répteis Mesozóicos marinhos (ictiossauros, plesiossauros e mosassauros) de Portugal: 
Short review on the marine reptiles of Portugal: ichthyosaurs, plesiosaurs and mosasaurs. Journal of Vertebrate Paleontology. Journal of Vertebrate Paleontology, 27(suppl. to 3): 57A. 
Também disponível em http://omateus.googlepages.com/JVP07_supplement_to_3.pdf

quinta-feira, novembro 06, 2008

Mosassauros, ictiossauros e plesiossauros

Dinossauros marinhos? Não! Na verdade estes répteis marinhos do mesozóico nem sequer são próximos dos dinossauros.

Plesiosaurus por Xavier MacPherson

Os plesiossauros (acima) são membros dos Sauropterygia viveram durante quase todo o Mesozóico. Usavam sobretudo as barbatana para locomoção.

Os mosassauros (abaixo) são aparentados com os lagartos monitores, dos quais o Varano de Komodo é o mais famoso. Viveram durante o Cretácico Superior. Oscilavam todo o corpo, com auxílio da comprida cauda para propulsão.

 Mosasaurus por Brian Choo

Mosasaur por Hans-Dieter Zeschke


Os ictiossauros (abaixo) viveram durante quase todo o Mesozóico, mas tiveram o seu máximo durante o Jurássico. Usavam a cauda em forma de barbatana para nadarem.

Platypterygius por Brian Choo

As imagens fazem parte do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros organizado pelo Museu da Lourinhã.

Ver também este post: http://lusodinos.blogspot.com/search/label/Ictiossauros


sábado, janeiro 19, 2008

Répteis marinhos de Portugal . SVP 2007.


Clicar na imagem para aumentar.
Aqui vai a referência bibliográfica, resumo e poster sobre os répteis Mesozóicos marinhos (ictiossauros, plesiossauros e mosassauros) de Portugal:
CASTANHINHA, R. & MATEUS, O. 2007. Short review on the marine reptiles of Portugal: ichthyosaurs, plesiosaurs and mosasaurs. Journal of Vertebrate Paleontology. Journal of Vertebrate Paleontology, 27(suppl. to 3): 57A. http://omateus.googlepages.com/JVP07_supplement_to_3.pdf


Publicado simultaneamente em http://www.conjurado.blogspot.com/