Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, março 09, 2020

Apenas mudaram 2ºC durante a extinção dos dinossauros (e já subiu 0.6ºC nos últimos 140 anos)

Durante a extinção dos dinossauros a temperatura da Terra mudou apenas 2ºC e nos últimos 140 já mudou cerca de 0.6ºC. Num recente artigo publicado na Science sobre alteração do ecossistema e paleoclimas que resultaram extinção dos dinossauros são discutidas as hipótese do impacto de meteoro e vulcanismo no final do Cretácico e início do Paleogénico, a fronteira K-Pg. Nesse trabalho, assinado por 36 autores (Hull et al. 2020), executaram várias simulações de temperatura com base em diferentes cenários de emissão de gases vulcânicos e comparam com registros de temperatura no evento de extinção. Quando combinados com outras linhas de evidência, esses modelos apoiam uma extinção causada por impacto. No entanto, os gases vulcânicos podem ter desempenhado um papel na formação do surgimento de diferentes espécies após o evento de extinção.

Mas o que é interessante é que a variação de temperatura (delta) no Cretácico/Paleogénico de apenas 2ºC durante 200.000 anos. Pode parecer pouco mas é uma variação que está associada a uma extinção em massa e que arrasou com os dinossauros não avianos.


Temperatura no final do Cretácico e início do Paleogénico. Apenas 2ºC estão associados à extinção dos dinossauros. (Hull et al., 2020)

Variações da temperatura durante Holocénico na Terra em comparação com a média histórica (1961-1990), mostrando um pico moderno que rompeu as linhas de tendência. Fonte: S. Marcott, Science, 2013.
Com dados para os últimos 11.000 anos a temperatura variou cerca de 1ºC. Marcott et al. (2013) mostraram que a temperatura média tem estado a cair nos últimos 7000 anos, mas teve um crescimento abrupto nos últimos dois séculos. Para obter estes valores usaram vários indicadores (proxies), mas temos resgisto de medições directas desde 1880 que indicam que a anomalia de temperatura de cerca de 0.6ºC em apenas 140 anos.
No Cretácico/Paleogénico a variação foi de 2ºC durante 200.000 anos e foi quando os dinossauros se extinguiram, ou seja. muito menos abrupta que a alteração actual.



Anomalia de temperatura (ºC) (fonte: NASA)




Hull, P. M., Bornemann, A., Penman, D. E., Henehan, M. J., Norris, R. D., Wilson, P. A., ... & Bralower, T. J. (2020). On impact and volcanism across the Cretaceous-Paleogene boundary. Science, 367(6475), 266-272.
Marcott, S. A., Shakun, J. D., Clark, P. U., & Mix, A. C. (2013). A reconstruction of regional and global temperature for the past 11,300 years. science, 339(6124), 1198-1201.


quinta-feira, abril 06, 2017

Palinomorfos da Bacia Lusitana e a drástica mudança paleoambiental do Toarciano


Na história geológica da Terra existiram intervalos de tempo, relativamente breves, em que ocorreram episódios de forte redução dos níveis de oxigénio nos oceanos, numa ampla escala geográfica. Estes eventos ficaram impressos no registo geológico e fóssil e, muitos deles, coincidiram com várias extinções em massa, podendo mesmo ter contribuído para a ocorrência das mesmas.


No último artigo publicado na revista científica Review of Palaeobotany and Palynology, a investigadora do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, Vânia F. Correia e restante equipa documentaram os palinomorfos do Jurássico Inferior das áreas da Figueira da Foz e Rabaçal, na parte norte da Bacia Lusitana, e examinaram a sua resposta ao primeiro grande evento anóxico do Mesozóico, associado a uma importante excursão negativa de isótopos de carbono, extinção em massa, transgressão marinha e aquecimento global, ocorrido no Toarciano (Jurássico Inferior).


Secções estudadas, localização e enquadramento geológico in V.F. Correia et al. / Review of Palaeobotany and Palynology 237 (2017) 75–95


Abstract

The lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) successions of the northern Lusitanian Basin in western Portugal were examined for palynomorphs. Two localities, the Maria Pares and the Vale das Fontes sections, were sampled. The sections span the Dactylioceras polymorphum, Hildaites levisoni and Hildoceras bifrons ammonite biozones. The samples produced relatively low diversity dinoflagellate cyst floras which are typical of those from coeval European successions; the most abundant species is Luehndea spinosa. The other forms encountered were Mancodinium semitabulatum, Mendicodinium microscabratum, M. spinosum subsp. spinosum, Mendicodinium sp., Nannoceratopsis ambonis, N. gracilis and N. senex. Dinoflagellate cysts typically dominate throughout the Dactylioceras polymorphum ammonite biozone; their abundance significantly decreased in the overlying Hildaites levisoni and Hildoceras bifrons ammonite biozones. The low diversity Luehndea-Nannoceratopsis dinoflagellate cyst flora of the northern Lusitanian Basin is characteristic of the Sub-Boreal region of Europe. This is a transitional region, intercalated between the Boreal and Tethyan realms. The Toarcian Oceanic Anoxic Event (T-OAE) in the northern Lusitanian Basin is characterised by a sudden decline in palynomorph abundance and diversity, including the virtual absence of acritarchs and dinoflagellate cysts. Following the T-OAE, Mancodinium semitabulatum and Mendicodinium spp. were the only dinoflagellate cysts recorded. This ‘blackout’ of dinoflagellate cysts during the T-OAE, and their partial recovery following the event, shows that dinoflagellate populations were responding to a major palaeoenvironmental change.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Documentário espectacular: HOME

O documentário intitulado "Home" é seguramente o documentário com a melhor fotografia que eu já vi. Tem fantásticas imagens de geologia . Conta-nos sobre a nossa casa, o planeta Terra, mostrando bem o nosso papel no globo.

É um filme a não perder e está integralmente disponível no Youtube em: http://www.youtube.com/watch?v=jqxENMKaeCU (cerca de 1h30min.)

O trailer, de apenas de 2:27 min., dá um resumo:




quarta-feira, dezembro 03, 2008

Documentário (ambiental): A História das Coisas

Este interessante documentário de 20 minutos dá-nos uma interessante perspectiva do valor das coisas.
É um filme de 20 minutos, em inglês, com legendas em Português. E são seguramente 20 minutos muito bem gastos. É essencial ver, reflectir, agir e divulgar!!!



domingo, janeiro 14, 2007

Qual o Habitat dos Dinossauros?

Os dinossauros são um grupo de animais bastante diverso, que inclui desde saurópodes de 40 toneladas até ao Microraptor apenas alguns centímetros (além dos dinossauros avianos, as aves, que têm espécies de dimensões diminutas como o colibri de apenas 2 cm). Logo, o habitat dos dinossauros é igualmente diverso. Perguntar qual é o habitat dos dinossauros é como perguntar qual é o habitat dos mamíferos, ou das aves. Os dinossauros foram muito bem sucedido e ocuparam quase todos os grandes nichos e habitats continentais.
Talvez a pergunta adequada seja qual é era a vegetação predominante durante o mesozóico. Sugiro a observação do mural “The Age of the Reptiles” desenhado por Rudolph Zallinger para o Peabody Museum of Natural History em Yale (EUA) que representa uma imagem panorâmica dos diversos períodos, que tem sido uma inspiração para inúmeros artistas e museus (ver http://www.peabody.yale.edu/explore/reptiles_00.html).