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sexta-feira, maio 15, 2020

Jurassic ornithopods track back: insights from the ichnological record of the Lusitanian Basin

In the precedent post we presented evidence that suggested that ornithopod dinosaurs in Portugal during the Late Jurassic were more diverse than we previosly thought.  We also some found some intriguing evidence that some specimens were resembling Early Cretaceous species more than their coeval Jurassic relatives.

 Another line of evidence supporting this interpretation comes from the rich ichnological record  of the Lusitanian Basin. Alongside with body fossils, tracks are a pretty common findings in the Upper Jurassic exposures of the Lusitanian Basin. 
Tracks do not just give an idea about which kind of animals roamed Portugal 150 millions of year ago, but also give information about their behaviour and iteractions. 

Castenera and colleagues (2020) examined several  footprints housed in the collections of Sociedade de Historia Natural (SHN), proceeding from the upper Kimmeridgian and lower Tithonian outcrops around the areas of  Torres Vedras and Lourinhã municipalities. They found out a rich assemblage of footprints, representing small sized ornithopod/neornithischians and larger iguanodontians. Among the others, they recovered a morphotype (Iguanodontipodidae) which was previously unknown in the Jurassic but it becomes suddenly common in the Cretaceous. Iguanodontipodidae is a morphotype relatable with large sized iguanodontians which were roaming Europe in the Early Cretaceous. Although it is not possible to link these new findings directly to the body fossil evidence collected so far, this is another piece of the puzzle which help to clarify the radiation of Iguanodontia.



Tracks of Iguanodontipodidae, from Castanera et al., 2020


References 



quarta-feira, abril 08, 2020

Dracopelta zbyszewskii, o dragão couraçado português


No seguimento do post do passado dia 28 de Fevereiro, venho agora abordar com um pouco mais de detalhe o único anquilossauro português conhecido, o Dracopelta zbyszewskii Galton 1980. Este dinossauro tem uma história interessante e até algo confusa, começando desde logo pela sua proveniência, como veremos adiante.

Em 1980, o paleontólogo britânico Peter Galton, durante uma visita aos Serviços Geológicos de Portugal, é recebido por Georges Zbyszewskii, geólogo francês de origem russa estabelecido em Portugal, responsável pela cartografia geológica de Portugal e um dos mais prolíficos geólogos e paleontólogos do século XX em Portugal, que o encoraja a estudar, entre outros, fósseis de um dinossauro couraçado que se encontravam nas colecções dos Serviços Geológicos (actualmente o Laboratório Nacional de Energia e Geologia), que seria baptizado nesse mesmo ano como Dracopelta zbyszewskii. O nome científico é uma composição de “draco", do Latim "dragão", "pelta", do Latim "escudo", alusivo um pequeno escudo utilizado por soldados da Grécia Antiga, e "zbyszewskii", em homenagem a Georges Zbyszewskii, que foi também o responsável pela escavação, recolha e preparação do espécime (Galton, 1980; Pereda-Superbiola et al., 2005).
Peter Galton. Fonte: Octávio Mateus.

Georges Zbyszewski. Fonte: LNEG.

Apesar de descrito em 1980, o espécime foi descoberto, segundo Pereda-Superbiola et al. (2005), algures entre o fim de 1963 e o início de 1964, durante a construção de uma estrada, próximo de Ribamar (Galton, 1980). Na verdade, a descoberta terá ocorrido uns anos antes, por volta de 1958/59, já que, segundo Manupella (Mateus, 2005, verbatim Junho de 2002), em 1962 o espécime já estaria a ser preparado. No entanto, a localização exacta da descoberta foi alvo de debate durante décadas. Isto deveu-se ao facto de existirem duas povoações denominadas Ribamar na Região Oeste, separadas por cerca de 25 quilómetros, uma no concelho de Mafra e outra no concelho da Lourinhã. A descrição inicial de Galton identifica a localização de proveniência do espécime (designada como localidade tipo) apenas como Ribamar na Costa Oeste, de rochas do Kimmeridgiano (Jurássico Superior). Apenas em 2005, com o trabalho de Pereda-Superbiola et al., é clarificada a localização precisa, como sendo perto da Praia do Sul, Assenta, Torres Vedras, e, como tal, mais próxima de Ribamar da Ericeira, Mafra, contrariamente ao que era assumido por Galton, que apontava Ribamar da Lourinhã, mais a Norte, como a localização do espécime. Uma das razões para esta confusão é a presença das mesmas rochas em ambos os locais, especificamente rochas da Formação da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos. Recentemente, com trabalho de reconhecimento no terreno e tendo por base a informação já conhecida, foi possível redescobrir e revisitar a localidade original do espécime, hoje limitada a um pequeno afloramento na beira de uma estrada na zona da Assenta, Torres Vedras.

Mapa geológico regional com a localização do holótipo do D. zbyszewskii (Pereda-Superbiola et al., 2005).
A idade é um dos aspectos mais fascinantes deste anquilossauro. A sua ocorrência em rochas do Jurássico Superior, mais precisamente do topo da Formação da Lourinhã, e, portanto, do Titoniano superior, é extremamente rara a nível mundial para este grupo de dinossauros, conhecendo-se apenas mais dois taxa para esta altura, ambos dos Estados Unidos da América, da Formação de Morrison, contemporânea e equivalente geológico à Formação da Lourinhã (Mateus, 2006; Mateus et al., 2017), o Mymoorapelta maysi Kirkland & Carpenter 1994 e Gargoyleosaurus parkinorum Carpenter, Miles & Cloward 1998, o que levanta diversas questões paleobiogeográficas, nomeadamente a relação filogenética entre as formas norte-americanas e o D. zbyszewskii, e por sua vez, com outros anquilossauros mais tardios. 

Até recentemente (ver post), o holótipo (espécime de referência para uma dada espécie) de D. zbyszewskii era o anquilossauro mais completo da Europa para o Jurássico. Consiste num tórax parcial e articulado, composto por 13 vértebras dorsais e costelas associadas, bem como armadura dérmica ou osteodermes (Galton, 1980). A anatomia das vértebras e das costelas e principalmente a presença de 5 tipos diferentes de osteodermes (desde pequenas placas isoladas do tamanho de uma moeda a grandes placas laterais semi-triangulares) ao longo do tórax foram caracteres suficientes para concluir de que se tratava de um dinossauro novo até então desconhecido em Portugal e a classificação como um anquilossauro, um grupo cujo membro mais conhecido é o Ankylosaurus, do Cretácico Superior da América do Norte, caracterizado por uma armadura óssea que cobria todo o corpo e pela presença de uma maça na ponta da cauda.
Holótipo de Dracopelta zbyzewskii em exposição no Museu Geológico, em Lisboa. Foto: João Russo.

Em 2005, material adicional é descrito, desta vez um autopódio incompleto, isto é, a extremidade de um membro, com três dedos (II, III e IV) e três metapódios (correspondente a metacarpos ou metatarsos). Estes autores identificaram este material como uma possível mão direita, com base no número e anatomia das falanges presentes nos dedos, e confirmam o diagnóstico de Galton, 25 anos antes.
Autopódio de D. zbyszewskii (possível mão direita), em vista ventral. Da esquerda para a direita: dígitos II, III, e IV. Modificado de Pereda-Superbiola et al., 2005.

O aspecto mais fascinante e ao mesmo tempo mais desafiante deste dinossauro é a sua classificação taxonómica incerta e o seu posicionamento filogenético problemático relativamente a outros anquilossauros. Diversos autores consideraram-no ou como um nodosaurídeo (Nodosauridae é um dos principais ramos de anquilossauros, sem maça na cauda) (Galton, 1980, 1983; Vickaryous et al., 2004), como um polacantídeo incertae sedis, isto é, um polacantídeo de posicionamento incerto (Polacanthidae é um hipotético agrupamento de anquilossauros, adicionalmente aos consensuais Nodosauridae e Ankylosauridae; esta temática será abordada num post futuro), um Ankylosauria incertae sedis (Vickaryous et al., 2004; Pereda-Superbiola et al., 2005) ou mesmo nomen dubium, ou seja, o próprio nome científico é de atribuição duvidosa e, como tal, posto em causa (Carpenter, 2001).

Este problema filogenético levanta questões também do ponto de vista evolutivo, desconhecendo-se a relação com os anquilossauros mais derivados que prosperaram durante o Cretácico e entre as formas mais basais do grupo. O estudo detalhado em curso deste dinossauro, e de um novo esqueleto, mais completo e articulado, certamente ajudará a responder a estas questões e clarificar a evolução dos anquilossauros



Carpenter, K., Miles, C., and K. Cloward. 1998. Skull of a Jurassic ankylosaur (Dinosauria). Nature, 393: 782-783. https://www.nature.com/articles/31684

Carpenter, K. 2001. Phylogenetic analysis of the Ankylosauria; 455-483 in K. Carpenter (Ed.), The Armored Dinosaurs; Indiana University Press, Bloomington & Indianapolis, USA.

Galton, P. M. 1980. Partial skeleton of Dracopelta zbyszewskii n. gen. and n. sp., an ankylosaurian dinosaur from the Upper Jurassic of Portugal. Geobios 13: 825-837. https://doi.org/10.1016/S0016-6995(80)80081-7

Galton, P. M. 1983. Armored dinosaurs (Ornitischia: Ankylosauria) from the Middle and Upper Jurassic of Europe. Palaeontographica A, 182: 1-25.

Kirkland, J. I., and K. Carpenter. 1994. North America's first pre-Cretaceous ankylosaur (Dinosauria) from the Upper Jurassic Morrison Formation of Western Colorado. Brigham Young University Geology Studies, 40: 25-42. http://www.dinochecker.com/papers/Mymoorapelta-north-americas-first-pre-cretaceous-ankylosaur_Kirkland_et_al_1994.pdf

Pereda-Superbiola, X., Dantas, P., Galton, P. M., and J. L. Sanz. 2005. Autopodium of the holotype of Dracopelta zbyszewskii (Dinosauria, Ankylosauria) and its type horizon and locality (Upper Jurassic: Tithonian, western Portugal). Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie-Abhandlungen, 235(2): 175-196. https://www.schweizerbart.de/papers/njgpa/detail/235/82943/Autopodium_of_the_holotype_of_Dracopelta_zbyszewskii_Dinosauria_Ankylosauria_and_its_type_horizon_and_locality_Upper_Jurassic_Tithonian_western_Portugal

Vickaryous, M. K., Maryańska, T., & Weishampel, D. B. 2004. Ankylosauria. In: Weishampel, D. B., Dodson, P., & Osmólska, H., (eds.). The Dinosauria (Second Edition). University of California Press: Berkeley, 363-392.

sábado, abril 04, 2020

Old bones and new insights

Revealing the evolutionary history of Ornithopoda in Portugal


When it comes to dinosaurs, general public has in mind fearsome creatures like Tyrannosaurus rex or gargantuan long-necked animals like Brachiosaurus. The more experts will probably think of also about weird-looking creatures, like Stegosaurus or Ankylosaurus. Not many, or hardly anyone indeed, will think as first of the small and swift Hypsilophodon foxii or Dryosaurus altus. These animals are not remarkable in terms of size or any other feature, but they belong to a group of dinosaurs which is extremely successful in terms of number of species and temporal span. This group is called Ornithopoda, and comprises some famous dinosaurs such as the tube-crested Parasaurolophus walkeri or the spiked- thumb Iguanodon bernissartensis. These animals started off in the Middle Jurassic as small cursorial animals, and during their evolutionary history progressively increased in size. By the end of the Cretaceous, the group of ornithopods known as Hadrosauridae or duck-billed dinosaurs became an abundant component of the ecosystems and reached tremendous sizes. The Asian species Shantungosaurus giganteus for instance, with its 12 mts in length, could rival T. rex and other large carnivorous dinosaurs!



The diversity of sizes withitn the group Ornithopoda. Artwork from John Conway. Source: Wikipedia. 

But how these small and rare animals became so successful?

Trying to answer this question is the main focus of my PhD project, and among others, I am using Portuguese fossil record to solve this riddle. Recently, we managed to add another piece to this puzzle. The clues come from the Upper Jurassic Lourinhã Formation, outcropping around Lourinhã municipality. Studying the specimens collected by Lourinhã Museum in over 20 years of field-work, I and my co-authors managed to address the diversity of these animal. We studied isolated and fragmentary material, which is usually overlooked but can bear important scientific information.
We identified a quite diverse assemblage of species: some were small dog-sized animals; others were larger, reaching the size of a horse or more. In particular, some exceptionally large specimens caught our attention. Beside the size, we noted some features which closely resemble more species dated to Early Cretaceous than their coeval Late Jurassic relatives. This suggests that Europe may have had key-role in the evolutionary history of this group. To validate this hypothesis, we need to look at their extensive fossil record in its entirety, to find other clues.


The diversity of ornithopod dinosaurs recovered from the Upper Jurassic Lourinhã Formation. In this past ecosystem we identified large species resemble Early Cretaceous species (left) and smaller species (right) which are represented by juveniles. Artwork from Fabio Manucci, used with permission.  CC BY-NC

Further, these remains also allowed us to investigate the biology of Late Jurassic ornithopods. We noted that many of the specimens representing the smaller species in the collections of Lourinhã Museum were juveniles. This may indicate that these animals spent most of their lives in a ‘teenaging’ state, in which they underwent to very fast growth-rate not reaching a fully mature condition. This phenomenon is seen some closely related species. 
Many others questions are left open, which deserve further research in the near future. These are just the first steps of what is promising to be an exciting journey.




Bibliography

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Anquilossauro português é o mais completo do Jurássico

Anquilossauro português é o mais completo do Jurássico


No passado mês de Outubro, tivemos o privilégio de participar no mais importante congresso internacional de Paleontologia de Vertebrados, organizado pela Society of Vertebrate Paleontology, e que, em 2019, decorreu em Brisbane, na Austrália. Estes eventos são sempre uma excelente oportunidade de apresentação dos últimos avanços científicos nesta área e troca de ideias entre pares, bem como possíveis colaborações com colegas de todo o mundo. Além disso, é sempre um prazer rever amigos de longa data e iniciar novas amizades.

A estadia durou três semanas e foi muito produtiva, desde logo pela divulgação dos primeiros resultados do nosso trabalho que tem vindo a ser desenvolvido durante um projecto de doutoramento que se foca num espécime de dinossauro anquilossauro do Jurássico Superior, descoberto em 2012 nas arribas costeiras de Mafra (resumo disponível aqui). Foi também possível aceder às colecções do Museu de Queensland, em Brisbane, e do Museu Australiano, em Sydney, de modo a observar exemplares de anquilossauros australianos, estes do Cretácico Inferior, nomeadamente o anquilossauro mais completo do Hemisfério Sul e o mais primitivo (Arbour e Currie, 2016), o Kunbarrasaurus ieversi Leahey et al. 2015. Esta investigação foi ainda distinguida com uma bolsa de viagem para estudantes oferecida pela SVP, a Jackson School of Geosciences Student Member Travel Grant, que permitiu a deslocação à Austrália.

Esquerda: o estudante de doutoramento da FCT-NOVA João Russo posa junto ao poster com os primeiros resultados do novo exemplar (foto: Alexandre Guillaume); Direita: observação de espécimes de anquilossauro nas reservas do Museu de Queensland (foto: Kristen Spring).
Estes dinossauros são extremamente raros a nível mundial no Jurássico Superior, existindo não mais que uma mão cheia de exemplares, praticamente todos dos EUA. Em Portugal já era conhecido um exemplar deste grupo, que pode ser visitado no Museu Geológico, em Lisboa, e que em 1980 (Galton) recebeu o nome científico de Dracopelta zbyszewskii ("draco", do Latim "dragão"; "pelta", do Latim "escudo", alusivo um pequeno escudo utilizado por soldados da Grécia Antiga; "zbyszewskii" homenageia Georges Zbyszewskii, um dos mais prolíficos e importantes geólogos e paleontólogos durante o século XX em Portugal). 

O novo espécime, que faz parte das colecções da FCT-NOVA, é o segundo de anquilossauro para Portugal e encontra-se articulado, preservando pelo menos metade do esqueleto. Uma ocorrência como esta é extremamente rara e requereu um intenso trabalho de preparação laboratorial de modo a revelar tudo o que se esconde debaixo da matriz rochosa, que ainda decorre no laboratório do Museu da Lourinhã, um processo que contou também com a colaboração dos laboratórios da FCT-NOVA e do Parque dos Dinossauros da Lourinhã. E os primeiros resultados são extraordinários. O esqueleto está mais completo do que inicialmente se pensara, com a maior parte do esqueleto axial articulado, faltando apenas parte da cauda. Acresce ainda ossos dos membros, nomeadamente ambos os fémures e o úmero direito, bem como parte das cinturas pélvica e escapular (leia-se, ílio e escápulocoracóides, respectivamente). Mas, provavelmente, o elemento mais importante é a presença do crânio praticamente completo, algo único no registo fóssil português para dinossauros. Crânios deste tipo de dinossauros para o Jurássico são extremamente raros, conhecendo-se apenas outro, nos EUA. A nossa investigação conclui assim que se trata do mais completo esqueleto de anquilossauro da Europa e, para o Jurássico, do mais completo até agora conhecido no mundo. É também o dinossauro mais completo de Portugal. Desconhece-se ainda com exactidão, contudo, se este será um segundo espécime de Dracopelta zbyszewskii, ou uma nova espécie para a Ciência.

Representação aproximada do esqueleto (FCT-UNL 702) com os ossos conhecidos até agora a vermelho. Adaptado de Scott Hartman, 2011.
Este dinossauro apresenta um conjunto de características que o tornam muito importante para compreensão da evolução deste grupo de dinossauros, na medida em que as análises preliminares efectuadas indicam uma posição na árvore filogenética deste grupo muito próxima da divisão entre os dois principais ramos de anquilossauros, os anquilosaurídeos (caracterizados pela moca na cauda, como por exemplo o Ankylosaurus) e os nodosaurídeos (caracterizados por grandes espinhos laterais e sem moca na cauda, tais como o Nodosaurus ou o Polacanthus). De realçar as importantes implicações que a descrição deste dinossauro poderá vir a ter também na dispersão global dos anquilossauros e o papel central da Ibéria durante o Jurássico Superior.

Abaixo transcreve-se o resumo apresentado no congresso:


"Ankylosaurs are very rare in Upper Jurassic and their record is restricted to five genera. Among them, is the poorly known incertae sedis Dracopelta zbyszewskii from the Upper Tithonian of Portugal.
Here we present a new specimen recovered in the coastal cliffs near the beach of Porto da Calada, about 40 km North of Lisbon, in a light gray, fine to medium grained sandstone, close to the top of the Lourinhã formation, Upper Tithonian. It consists of a nearly complete skull, with maxillary teeth, at least eleven articulated dorsal vertebrae with proximal half of ribs, ten articulated anterior caudals, mostly complete and articulated synsacrum, several fragments of disarticulated and broken ribs, both femora articulated in the acetabulum, partial ilia with attached pelvic shield, right humerus missing the proximal end, partial right scapulocoracoid, over 180 osteoderms (lateral, caudal and dorsal, most in situ) of various size (0.5-18 cm), at least 40 ossified tendons mostly attached to the vertebrae, and partial pelvic shield. This specimen (FCT-UNL 702), still under preparation, is one of the most complete Jurassic ankylosaurs.
Many of the ankylosaurian traits are present: medially inset maxillary tooth row; dorsal expanded proximal T-shaped ribs; posteriormost dorsal vertebrae fused to form a rod; horizontal hypertrophied preacetabular process, showing attachment scar of a posterior dorsal rib; robust humerus with deltopectoral crest extending mid shaft; distally positioned ridge-shaped fourth trochanter; extensive dermal armor (scutes, lateral plates and pelvic shield); and large hollow-based lateral plates.
The femoral head is separated from greater trochanter by a distinct slope which is diagnostic of Nodosauridae, but contrary to these, the posterior width of the skull is twice the width across the orbits. The phylogenetic position of the Portuguese specimen is not yet fully understood, but likely close to the split between the two major clades: Nodosauridae and Ankylosauridae. Also, it is still unclear if this is a second specimen of the sympatric and coeval
D. zbyszewskii."

Referências:



Arbour, V. M., and Currie, P. J. 2016. Systematics, phylogeny and palaeobiogeography of the ankylosaurid dinosaurs, Journal of Systematic Palaeontology, 14(5), 385-444. https://doi.org/10.1080/14772019.2015.1059985 


Galton, P. M. 1980. Partial skeleton of Dracopelta zbyszewskii n. gen. and n. sp., an ankylosaurian dinosaur from the Upper Jurassic of Portugal. Geobios, 13(3), 451-457. https://doi.org/10.1016/S0016-6995(80)80081-7

Leahey, L. G., Molnar, R. E., Carpenter, K., Witmer, L. M., and Salisbury, S. M. 2015. Cranial osteology of the ankylosaurian dinosaur formerly known as Minmi sp. (Ornithischia: Thyreophora) from the Lower Cretaceous Allaru Mudstone of Richmond, Queensland, Australia. PeerJ 3:e1475.https://peerj.com/articles/1475/


quinta-feira, dezembro 12, 2019

Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos na Lourinhã


Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos habitaram a Lourinhã há 150 milhões de anos. Os crocodilomorfos, grupo que inclui os crocodilos actuais e seus ancestrais mais próximos, foram muito abundantes e diversos no final do Jurássico, há 150 milhões de anos atrás. Um novo estudo, focado em minúsculos dentes recolhidos nas falésias da Lourinhã, mostrou que pelo menos cinco espécies coabitaram nas proximidades, num sistema de rios jurássicos da região.


Reconstrução artística dos crocodilomorfos da Lourinhã (arte por Pedro Andrade)
Este trabalho foi agora publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society, parte integrante de uma dissertação de mestrado em Paleontologia por Alexandre Guillaume, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, agora a começar o seu doutoramento com foco em microfósseis (fósseis menores que 5 mm) de vertebrados. Esta tese foi coordenada pelos paleontólogos das mesmas instituições, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos. 
Centenas de quilos de sedimentos jurássicos da Lourinhã Portugal foram peneirados e os fósseis, que podem ser tão pequenos quanto um milímetro, foram triados e incorporados nas colecções do Museu da Lourinhã. De entre os milhares de fósseis encontrados, os pequenos dentes de crocodilomorfos estão entre os elementos mais comuns nesses sedimentos, pertencendo a espécies pequenas e a juvenis de espécies maiores.
Em mais de 120 dentes, colectados entre 2017 e 2018, foi possível distinguir 10 morfologias diferentes, de 5 táxones diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado. O Lusitanisuchus já era conhecido a partir de material fóssil da Mina da Guimarota, em Leira, mas esta é a sua primeira descoberta na Lourinhã. Também é de notar a ausência de dentes pertencentes ao Machimosaurus hugii, um crocodilomorfo marinho cujos dentes provenientes de Lourinhã já foram encontrados e publicados, e ao Lisboasaurus estesi, outro crocodilomorfo da Mina da Guimarota, nas amostras estudadas. Finalmente, o pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam eram jovens ou de espécies pequenas. Contudo, restos esqueléticos precisam ser encontrados para responder a esta pergunta.
Este estudo não aborda apenas a diversidade das faunas jurássicas, mas também explora as suas relações ecológicas. As diferentes morfologias observadas nos dentes permitiram distinguir 4 comportamentos alimentares diferentes: os goniofolídeos alimentavam-se de  presas com concha e moles, como jacarés modernos; os bernissartídeos de animais com conchas, como caracóis ou moluscos; os atoposaurídeos e Lusitanisuchus de pequenos artrópodes, como insetos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios, como os crocodilianos juvenis existentes; e, por último, o crocodilomorfo indeterminado era um predador carnívoro terrestre.
A recolha desses pequenos microfósseis é um trabalho árduo, envolvendo mais de 700 horas de trabalho cuidadoso, realizado pelos autores, mas, principalmente, por voluntários do Museu da Lourinhã e estudantes da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente, um projecto de ciência cidadã, MicroSaurus, treina visitantes do Museu da Lourinhã e do Parque dos Dinossauros da Lourinhã para encontrar esses pequenos, mas valiosos, vestígios do passado.
Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC-CTAPAL-31656-2017 e bolsas de post-doutoramento) e pela bolsa de pesquisa Microsaurus-SuperAnimais 3, financiada pela empresa Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Artigo científico: 
Guillaume, A. R. D., Moreno-Azanza M., Puértolas-Pascual E., & Mateus O. 2019. Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal, Zoological Journal of the Linnean Society, zlz112, https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlz112


Trabalhos de recolha de rocha para obter microfósseis de vertebrados. As rochas são posteriormente lavadas, com crivos.
Lupa binocular no laboratório da Universidade Nova de Lisboa para fotografar os dentes do crocodilomorfos.
Os dentes são separados dos fragmentos de rocha com ajuda de uma lupa e um pincel.
Alexandre Guillaume recolhendo microfósseis durante a ExpoLourinhã em 2019.

segunda-feira, novembro 04, 2019

Pequeno esqueleto do Jurássico da Lourinhã mostra a evolução da couraça dos crocodilos

Um pequeno antepassado dos crocodilos, com 150 milhões de anos, foi descoberto nas rochas jurássicas da Lourinhã e ajuda a explicar a evolução e origem da couraça óssea que existe na pele destes répteis.

Os paleontólogos Eduardo Puértolas Pascual e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, acabam de anunciar um novo fóssil de crocodilomorfo-anão do Jurássico de Portugal publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society. Este trabalho faz parte do trabalho de investigação científica sobre crocodilomorfos de Portugal, que Eduardo Puértolas tem realizado como parte da investigação de pós doutoramento. Os crocodilomorfos são o grupo de répteis que deu origem aos crocodilos modernos e o fóssil, carinhosamente apelidado "crocodilinho", consiste em parte de um esqueleto em conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes, vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores. Em vida, o animal teria menos de um metro.
O "crocodilinho" foi recuperado na Praia de Peralta (Lourinhã, Portugal), em 1999, por  Leandro Pereira um residente do Concelho da Lourinhã à data. Já em 2014 e por mediação de Ana Luz, sua amiga e voluntária no Museu da Lourinhã, Leandro  doou a peça à coleção paleontológica do Museu da Lourinhã.
O fóssil é composto por vários ossos articulados, parcialmente coberto por matriz rochosa. Para facilitar seu estudo, o espécime foi levado para os laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH, Burgos, Espanha), onde foi submetido a uma micro Tomografia Computorizada (micro TC). Esta tecnologia tem sido amplamente utilizada em paleontologia, há vários anos, e permite a obtenção de imagens de seções do objeto, através de raios-X. As imagens obtidas possibilitaram criar modelos 3D, que permitem observar morfologias externas e internas.




Graças a essa técnica, foi possível estudar todos os ossos, incluindo partes não visíveis, e compará-los com outros crocodilomorfos da época. A presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral), e a presença de osteodermes ventrais poligonais, indicam que, muito provavelmente, o "crocodilinho" é um membro da família já conhecida no Jurássico, os Goniopholididae mas não tendo sido possível determinar a que gênero ou espécie em particular o fóssil pertencia ou se corresponde a uma nova espécie.
Este tipo de crocodilomorfos que podem atingir tamanhos até mais de 5 m de comprimento, no entanto, estimou-se que o “Crocodilinho” medisse menos de um metro de comprimento, daí a sua alcunha. Mas será que as pequenas dimensões deste exemplar significam que se tratava de um juvenil, ou de uma espécie estranhamente pequena? É uma questão para já sem resposta. Para a obter, é necessário determinar a idade do indivíduo e esse é um trabalho ainda em curso.


Informação adicional
O fóssil do “Crocodilinho” (ML 2555) foi descoberto em depósitos de origem continental,  do Jurássico Superior, pertencente à Formação da Lourinhã. Esta unidade geológica aflora um pouco por toda a Região Oeste, sendo conhecida mundialmente pela grande quantidade de fósseis de dinossauro nela encontrados. Esta é sem dúvidas uma das regiões mais ricas do mundo em descobertas de Dinossauros e com uma herança de interesse geológico que remonta a mais de 150 milhões de anos.
A família dos Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram principalmente na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e o Cretácico. Embora sua morfologia geral se assemelhe à dos crocodilos atuais, esta linhagem que se separou de jacarés, crocodilos e gaviais no Jurássico, apresentando consideráveis ​​diferenças anatómicas. Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica. Esta armadura dérmica é formada por osteodermes que possuem principalmente três funções: proteção, absorção de calor e estabilidade. A estabilidade é alcançada pelo que é chamado de "sistema de suporte", consistindo num conjunto de vértebras, osteodermes e músculos que, atuando como um todo, conferem estabilidade ao esqueleto do organismo durante a sua locomoção.
A descoberta deste novo espécime, preservado em conexão anatómica e em 3 dimensões, serviu para testar hipóteses anteriores sobre o “sistema de suporte” desta família de répteis. Um esqueleto deste tipo daria a rigidez e estabilidade necessárias para para a locomoção deste grupo de organismos em terra. No entanto, isso significaria que perdesse alguma da flexibilidade lateral durante a natação.
A idade do indivíduo a que pertenceu este fóssil será determinada por estudos dos tecidos ósseos, que irão decorrer dentro em breve. Só assim será possível saber se exemplar pertenceu a uma espécie anã ou se é realmente um indivíduo juvenil de uma espécie maior.


Referência
Puértolas-Pascual, E; Mateus, O. 2019. A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlz102 


Resumo do artigo em inglês:
We here describe an articulated partial skeleton of a small neosuchian crocodylomorph from the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal). The skeleton corresponds to the posterior region of the trunk and consists of dorsal, ventral and limb osteoderms, dorsal vertebrae, thoracic ribs and part of the left hindlimb. The paravertebral armour is composed of two rows of paired osteoderms with the lateral margins ventrally deflected and an anterior process for a ‘peg and groove’ articulation. We also compare its dermal armour with that of several Jurassic and Cretaceous neosuchian crocodylomorphs, establishing a detailed description of this type of osteoderms.
These features are present in crocodylomorphs with a closed paravertebral armour bracing system. The exceptional 3D conservation of the specimen, and the performance of a micro-CT scan, allowed us to interpret the bracing system of this organism to assess if previous models were accurate. The characters observed in this specimen are congruent with Goniopholididae, a clade of large neosuchians abundant in most semi-aquatic ecosystems from the Jurassic and Early Cretaceous of Laurasia. However, its small size, contrasted with the sizes observed in goniopholidids, left indeterminate whether it could have been a dwarf or juvenile individual. Future histological analyses could shed light on this.


Crocodilomorfo da Lourinhã na capa do Zoological Journal


Nos meios de comunicação social:
https://www.publico.pt/2019/11/04/ciencia/noticia/evoluiu-couraca-crocodilos-fossil-lourinha-pistas-1892480
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/estudo-revela-que-couraca-dos-crocodilos-e-diferente-da-dos-seus-antepassados
https://zap.aeiou.pt/couraca-crocodilos-diferente-antepassados-289684
https://torresvedrasweb.pt/pequeno-esqueleto-do-jurassico-da-lourinha-mostra-a-evolucao-da-couraca-dos-crocodilos/

sábado, julho 27, 2019

Pegadas de dinossauros carnívoros gigantes e dispersão entre África e Europa

As pegadas de dinossauros carnívoros mostra que existiam dois gigantes e dispersão entre África e Europa durante o Jurássico Superior


Trilhos e pegadas de dinossauro terópodes do jurássico superior são muito comuns no Norte da África e na Europa. Dois icnotaxa recentemente descritos, Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, do Kimmeridgiano da Suíça mostram a coexistência de dois predadores no mesmo paleoambiente e pegadas semelhantes podem ser encontradas na Península Ibérica e do Marrocos.

No artigo Late Jurassic globetrotters compared: A closer look at large and giant theropod tracks of North Africa and Europe publicado no Journal of African Earth Sciences foram exploradas ainda mais as semelhanças entre os ichnotaxa suíços e as outros trilhos da Alemanha (Kimmeridgiano), Espanha (Titoniano-Berriasiano), Marrocos (Kimmeridgiano) e Portugal (Oxfordiano-Titoniano) através de novas comparações de dados tridimensionais. Este artigo liderado por Matteo Belvedere e que contou com a participação de paleontólogos da Suíça, Espanha e Portugal: Diego Castanera, Christian A.Meyer, Daniel Marty, Octávio Mateus, Bruno Camilo Silva, Vanda F. Santos, e Alberto Cobos. A icnologia digital permitiu a comparação 3D de trilhos de diferentes caminhos e paleoambientes e as revisões icnotaxonómicas beneficiam com a icnologia digital. Os espécimes foram agrupados em dois morfotipos: 1) grande e grácil (30 <Comprimento do Pé <50cm) e 2) gigante e robusto (FL> 50cm).

As análises mostram uma grande sobreposição morfológica entre estes dois morfotipos e os icnotaxa suíços (Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, respectivamente), mesmo com diferenças no ambiente sedimentar e na idade. Ou seja, as análises mostram que havia dois tipos de predadores de topo nesses paleoambientes. Isto sugere uma ocorrência generalizada de icnotaxa semelhante ao longo da margem ocidental de Tétis durante o Jurássico Superior. Os novos dados suportam a hipótese de uma troca de fauna Gondwana-Laurásia durante o Jurássico Médio ou início do Jurássico, e a presença de rotas migratórias ao redor do Tétis. A dispersão de fauna entre o Gondwana e a Laurásia são prováveis, mas as rotas não são evidentes.

As pegadas Jurabrontes curtedulensis são possivelmente feitas pelo terópode Torvosaurus gurneyi.


quarta-feira, abril 05, 2017

Conferência "Reptilian record from the Late Jurassic of the Lusitanian Basin. An update"

A conferência inaugural do XV Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia (EJIP) ficará a cargo do Dr. Francisco Ortega, do Grupo de Biología Evolutiva de la Universidad Nacional de Educación a Distancia. 
Biólogo pela Universidad de Salamanca e Doutor em Paleontologia pela Universidad Autónoma de Madrid, centra o seu campo de investigação na história evolutiva de reptéis mesozóicos.
Tendo por título "Reptilian record from the Late Jurassic of the Lusitanian Basin. An update", a conferência focar-se-á nos registos fósseis de vertebrados do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica.

Para mais informações e acesso ao programa completo, consulte a página do EJIP.

terça-feira, abril 04, 2017

Dentes de Saurópodes do Jurássico Superior de Portugal revelam alta diversidade taxonómica


O investigador português Pedro Mocho, actualmente investigador no Natural History Museum of Los Angeles County, nos Estados Unidos da América, com a colaboração do Grupo de Biología Evolutiva-UNED (Espanha), Sociedade de História Natural de Torres Vedras (Portugal), Instituto Don Luiz (Portugal), FCPTDinópolis (Espanha) e Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Portugal), publicaram um estudo na revista científica Papers in Palaeontology acerca da diversidade encontrada na morfologia dos dentes de saurópodes da Península Ibérica.


A equipa de paleontólogos reconheceu, baseando-se na forma geral e em alguns caracteres microscópicos da superfície, quatro tipos de dentes associados a diferentes tipos de saurópodes. Esta ampla diversidade de morfologias está de acordo com a palaeobiodiversidade conhecida da fauna portuguesa de saurópodes do Jurásico Superior e sugere uma extensa partição de nicho para estes dinossauros e correspondente alta diversidade taxonómica.



Abstract

The Upper Jurassic of the Lusitanian Basin has yielded an important fossil record of sauropods, but little information is available about the tooth morphotypes represented in this region. A large sample of teeth, both unpublished and published, is described and discussed here. Four main tooth morphologies are identified: spatulate, heart-shaped, pencil-shaped, and compressed cone-chisel-shaped. Heart-shaped teeth are considered to be exclusive to a non-neosauropod eusauropod, tentatively referred to Turiasauria. The spatulate teeth can be attributed to members of the Macronaria; they have a complex cingulum, more than one lingual facet and a labial ridge. The compressed cone-chisel-shaped teeth are also attributed to macronarians and the presence of an axially twisted apex through an arc of 30°–45° suggests putative affinities with Europasaurus and basal titanosauriforms. The variability observed in the overall morphology and wrinkling pattern of the compressed cone-chisel-shaped teeth may be due to factors related to the tooth position or to the ontogeny of individuals. Finally, pencil-shaped teeth with high slenderness index values, oval and apically located wear facets, subcylindrical crowns and lacking carinae, are tentatively assigned to Diplodocoidea. The diversity of tooth morphologies is in accordance with the known palaeobiodiversity of the Portuguese Late Jurassic sauropod fauna, which is composed of non-neosauropod eusauropods (turiasaurs), diplodocoids (diplodocids) and macronarians (camarasaurids and probably brachiosaurids). The Late Jurassic sauropod fossil record of the Iberian Peninsula presents the broadest tooth morphospace range in the world from this period, suggesting a wide niche partition for sauropods, and corresponding high taxonomic diversity.

terça-feira, novembro 03, 2015

Porque é que Portugal tem tantos dinossauros e outros fósseis?

"Porque é que Portugal tem tantos dinossauros?" é uma pergunta recorrente, tendo sido abordada há poucos dias no jornal i, em colaboração com a Ciência Viva.

"Porque é que Portugal tem tantos dinossauros? A ocorrência dos numerosos fósseis de dinossauros do Jurássico, sobretudo no Oeste de Portugal, tem três razões principais: 1) naquela altura a região era uma área continental com condições de vida, com muita água doce e vegetação, onde os dinossauros nasceram, viveram e morreram; 2) numa bacia sedimentar que estava a afundar e enterrava os restos de animais com a geoquímica certa que permitia fossilizarem, e 3) essas rochas hoje afloram à superfície e estão disponíveis ao achado e recolha. Outras regiões do país não têm vestígios de dinossauros porque não reúnem uma ou mais destas três condições.


terça-feira, agosto 12, 2014

Tectónica de Placas

Abertura do atlântico
(Fonte: Wikipedia, domínio público)
A Tectónica de Placas é uma das teorias mais unificadoras da Geologia moderna mas curiosamente a sua aceitação é relativamente recente, começando a ser frequentemente aceite nos anos 70 e 80 (do séc. XX). Trata-se da teoria que explica a posição dos continentes através da unificação de dois conhecimentos: o movimento da massas continentais (também conhecida por Deriva Continental, proposta por Alfred Wegener em 1912) e a expansão dos fundos oceânicos.
Apesar de ser conhecida como "teoria" hoje está bem comprovada e é factual. A tectónica de placas explica porque é que animais semelhantes aparecem em regiões muito diferentes (como na Índia, Austrália e América do Sul), algo que confundiu os geólogos e paleontólogos, incluindo Charles Darwin durante muitos anos. A tectónica de placas permite redesenhar o globo conforme a sua paleogeografia.



Tipos de limites das placas
(Fonte: Jose F. Vigil, Wikipedia, domínio público)


Mapa publicado em Portugal em 1959 com tentativa de explicar a paleogeografia do Jurássico antes do advento da teoria da tectónica de placas,  (Moore, 1959). Note-se que a Índia, Austrália, África e América do Sul mantêm a posição actual, mas com uma alegada massa continental que as unia. Portugal aparecia associado à América do Norte. Hoje sabe-se que a paleogeografia do Jurássico seria bem diferente.

 Moore, P. 1959. História da Terra. Livraria Civilização ed., Porto, 188 pp.

sábado, março 01, 2014

Sobre o foraminífero Anchispirocyclina lusitanica

 Anchispirocyclina lusitanica (Egger 1902)

A cronologia e estratigrafia do Jurássico superior continental em Portugal é difícil de estudar devido à falta de bons fósseis de idade, indicadores de uma idade que possa ser correlacionada com outras áreas. Um boa excepção, contudo, é um foraminífero chamado Anchispirocyclina lusitanica (Egger, 1902).
Anchispirocyclina lusitanica com indicações originais manuscritas por Paul Choffat (Maync, 1959)

A sua distribuição alargada que inclui a península arabica, Turquia, Norte de África, Balcãs, Suíça, França, Espanha, Cuba, Estados Unidos, Cabo Verde, e Portugal torna esta espécie especialmente útil para correlações ultra-regionais sendo que cronologicamente encontra-se restrita à transição Jurássico-Cretácico (Kimmeridgiano Superior ao Berriasiano), e mais concretamente em Portugal é restrita ao Titoniano Superior a Berriasiano Inferior.

A forma é discoide a reniforme do tamanho de uma moeda de um cêntimo a 5 cêntimos, o que é assinalável para um ser unicelular.
Pode ser encontrada em rochas da transição Jurássico-Cretácico, nomeadamente no Cabo Espichel, e é um excelente indicados que marca o topo da Formação da Lourinhã (Mateus et al., in press).

Este ser unicelular, previamente dentro género Dicyclina e Iberina, estabilizou dentro de Anchispirocyclina. Em Portugal, esta espécie foi estudada por Paul Choffat, Miguel Ramalho (1969), entre outros.

Referências:
Egger, J. G. (1902). Der Bau der Orbitolinen und verwandter Formen. Abhandlungen der mathematischphysikalischen Classe der königlich Bayerischen Akademie der Wissenschaften, 21(3), 577-600.

Ramalho, M. M. (1969). Quelques observations sur les Lituolidae (Foraminifera) du Malm portugais. Bol. Soc. geol. Portugal, 17, 37-50.

Maync, W. (1959). The foraminiferal genera Spirocyclina and Iberina. Micropaleontology, 5(1), 33-68.

Mateus, O, Dinis J, Cunha PP.  In Press.  Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked. Ciências da Terra. special no. VIII