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terça-feira, dezembro 10, 2019

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros celebra 40 anos

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) celebra 40 anos e reúne paleontólogos e biólogos. É uma área muito rica em fósseis com destaque às pegadas de dinossauros e mamíferos pleistocénicos. Dia 13 de dezembro de 2019, sexta-feira, daremos uma palestra com a síntese dos vertebrados fósseis no PNSAC, com destaque a novos achados e jazidas.

Informação do programa no sítio da Município de Alcanena:
Terá lugar, no próximo dia 13 de dezembro de 2019, sexta-feira, no Centro de Exposições de Mira de Aire (antiga Igreja Matriz) o encerramento das Comemorações do 40º Aniversário do PNSAC – Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, cujo programa é subordinado ao tema “175 Milhões de Anos Depois”.
 

Exemplos dos vertebrados fósseis do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

O programa terá início às 9:00h, com a receção aos participantes, seguindo-se, às 9:30h, a Sessão de Abertura.

Às 9:45h terá início a Sessão de Palestras “175 milhões de anos depois”, com moderação de Maria de Jesus Fernandes, Diretora Regional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade – Lisboa e Vale do Tejo, e contará com as intervenções dos seguintes palestrantes:
- Octávio Mateus (Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa);
- Carlos Neto de Carvalho (Geopark Naturtejo Meseta Meridional – UNESCO Global Geopark);
- Bruno Pereira (GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa);
- Ana Rainho (Centre for Ecology, Evolution and Environmental Change – Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa);
- Miguel Porto (CIBIO – InBIO, Universidade de Évora);
- Ana Sofia Reboleira (University of Copenhagen Natural History Museum of Denmak Zoological Museum).





Após o almoço, os trabalhos reiniciam às 14:30h, com a Mesa Redonda sobre a Gestão de Áreas Protegidas “Os 40 Anos do PNSAC”, com moderação de João Nazário, Diretor do Jornal de Leiria, e que contará com a participação de Fernanda Asseiceira, Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Jorge Vala, Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Ricardo Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Santarém, Maria João Botelho, antiga Diretora do PNSAC, e Sofia CastelBranco da Silveira, antiga Diretora do DGAC-LLO).

Às 16:30h, terá lugar a sessão de encerramento.

Segue-se, às 17:30h, a Apresentação do Livro Comemorativo do 40º Aniversário, que reúne depoimentos de alguns dos intervenientes neste percurso, com Porto de Honra e momento musical.

Às 18:30h, será apresentada a peça de teatro “O Parque”, do Grupo Olaré, Teatro de Serro Ventoso (reportando-se ao ano de 1986 e à instalação da equipa do Parque Natural).

Leopard.png
Crânio de leopardo. Exemplo de vertebrado fóssil do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (Cardoso, J. L., & Regala, F. T. (2006). O Leopardo, Panthera pardus (L., 1758), do Algar da Manga Larga (Planalto de Santo António, Porto de Mós). Comunicações Geológicas, 93, 119–144.)

domingo, fevereiro 25, 2018

Extinção no K/Pg (Cretácico -Paleogénico)

Novo estudo aborda a extinção dos vertebrados no K/Pg (Cretácico -Paleogénico) de Espanha, liderado por Eduardo Puértolas-Pascual da Universidade Nova de Lisboa.

Há 66 milhões de anos, um evento alterou o clima, ecossistema e a química das águas e ares a nível global. Muito se debate qual a causa e duas teorias prevalecem: i) intensa actividade vulcânica e ii) impacto de um meteorito. Seja qual for a causa, a consequência foi uma alteração profunda e indelével nos ecossistemas de tal forma que o cortejo de fauna e flora mudou para sempre, numa extinção em massa, deixando para trás o Cretácico (simbolo convencionado: K) e entrando no Paleogénico (Pg). O K/Pg é um momento, uma transição, de duas grandes eras: do Mesozóico para o Cenozóico. Até há poucos anos usava-se o termo Terciário (T), mas foi recentemente substituído por Paleogénico, daí usar-se actualmente K/Pg em vez de K/T.

Um novo estudo liderado por Eduardo Puértolas-Pascual da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, publicado na prestigiada revista Cretaceous Research fornece mais informações sobre a cronoestratigrafia e novos sítios vertebrados do Maastrictiano superior de Huesca (Espanha) e a sua relação com o limite K/Pg.

A Formação de Tremp a sul dos Pirinéus, em Espanha, contêm um dos melhores registros de vertebrados continentais do Cretácico Superior na Europa. Esta área dos Pirenéus é, portanto, um local excepcional para estudar a extinção de vertebrados continentais através do limite K/Pg, sendo um dos poucos lugares na Europa que tem um registro relativamente contínuo que varia desde o Campaniano Superior ao Eoceno inferior. A área de Serraduy tem abundantes restos de vertebrados, destacando-se a presença de dinossauros hadrosaurídeos e crocodilomorfos.

Crocodilomorfos do Cretácico de Tremp: A: dentes de cf. Thoracosaurus. B e C: dentes de Allodaposuchidae. D. vértebra. E: crânio de Agaresuchus subjuniperus. (Puértolas-Pascula et al. (2018)

Cronologia da região estudada por Puértolas-Pascual et al. 2018.


Puértolas-Pascual et al. (2018) apresentam um estudo detalhado estratigráfico, magnetostratigráfico e bioestratigráfico pela primeira vez nesta área, possibilitando a atribuição da maioria dos sites de vertebrados da região de Serraduy, uma idade Maastrichtian terminal. Estes resultados confirmam que os sítios vertebrados de Serraduy estão entre os mais modernos do Cretácico Superior na Europa, sendo muito próximos do limite K / Pg.


 Puértolas-Pascual, E., Arenillas, I., Arz, J.A., Calvín, P., Ezquerro, L., GarcíaVicente, C., Pérez-Pueyo, M., Sánchez-Moreno, E.M., Villalaín, J.J., Canudo, J.I., Chronostratigraphy and new vertebrate sites from the upper Maastrichtian of Huesca (Spain), and their relation with the K/Pg boundary, Cretaceous Research (2018), doi: 10.1016/j.cretres.2018.02.016.

Ver notícia no site do Departamento de Ciências da Terra da FCT NOVA.

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Pinguins em Portugal


A alca-gigante, torda-gigante, arau-gigante ou pinguim Pinguinus impennis era uma ave Alcidae não voadora caçada até à extinção por volta de 1770. Apesar do nome, trata-se de uma ave semelhante à torda-mergulheira (Alca torda) actual, do hemisfério norte e distinta dos pinguins Spheniscidae do hemisfério sul. Contudo, o nome dos pinguins era usado por marinheiros europeus para esta espécie e re-utilizado aquando da sua descoberta das aves semelhantes do hemisfério sul. A tripulação de Francis Drake deu o nome quando viram os Pinguins de Magalhães na terra do Fogo que pensavam ser a alca-gigante (Pengwin).

Em Portugal conhecem-se vestígios desta espécie na Figueira Brava, Porto Santo e Gruta da Forninha, em Peniche (Pimenta et al. 2008, Figueiredo et al., 2018, Mourer-Chauvire e Antunes, 1991, Mourer-Chauvire. 1999).

Saiu agora um artigo sobre as aves plistocénicas da Gruta da Furninha, em Peniche assinado por Silvério Figueiredo que refere a existência desta espécie (Penguin no original) (Figueiredo et al., 2018)



Pinguim (Pinguinus impennis) e ovo em Kelvingrove, Escócia (Foto Mike Pennington CC SA BY)

O local da caverna da Gruta da Furninha é uma cavidade cársica costeira, nas arribas de Peniche, com fósseis do Holoceno incluindo ossos humanos neolíticos; e Pleistoceno tardio, paleolítico.

Referências

  • Figueiredo, S.D., Cunha, P.P., Sousa, F., Pereira, T. and Rosa, M., Pleistocene Birds of Gruta da Furninha (Peniche-Portugal): A Paleontological and Paleoenvironmental Aproach. Journal of Environmental Science and Engineering A 6 (2017) 502-509 doi:10.17265/2162-5298/2017.10.003 
  • C. Mourer-Chauvire and M. T. Antunes. 1991. Presence du grand pingouin, Pinguinus impennis (Aves, Charadriiformes) dans le Pleistocene du Portugal. Geobios 24(2):201-205.
  • C. Mourer-Chauvire. 1999. Influence de l'homme prehistorique sur la repartition de certains oiseaux marins: L'exemple du grand pingouin Pinguinus impennis. 67(4):273-279.
  • Pimenta, C., Figueiredo, S. and Moreno-Garcia, M., 2008. Novo registo de Pinguim (Pinguinus impennis) no Plistocénico de Portugal. Revista Portuguesa de Arqueologia, 11(2), pp.361-370.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

João Pais (1949-2016)

Faleceu esta manhã, dia 19 de Fevereiro de 2016, aos 66 anos, o Prof. João Pais, após complicações renais e cardíacas. A academia portuguesa perdeu uma das suas estrelas mais brilhantes, um excelente paleontólogo e exímio estratígrafo. Além das inquestionáveis qualidades profissionais, era uma pessoa com elevadas qualidades humanas: afável, prestável e sensível.
João José Cardoso Pais (1949-2016) OM

O paleontólogo e estratígrafo, Prof. João José Cardoso Pais nasceu em Cabeção, no concelho de Mora a 14 de Outubro de 1949. Era professor catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa. 

 Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.

1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, com a tese "Contribuição para o conhecimento da Vegetação Miocénica da Parte Ocidental da Bacia do Tejo".
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degóis:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro.
Foto por O.M. 2007
 "João José Cardoso Pais, aposentado desde Maio de 2013. Foi Professor da Universidade Nova de Lisboa. Concluiu a Agregação em 1991. Publicou 100 artigos em revistas especializadas e 60 trabalhos em actas de eventos, possui 16 capítulos de livros e 10 livros publicados. Possui 481 itens de produção técnica. Participou em 46 eventos no estrangeiro e 48 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Entre 2000 e 2015 participou em 4 projectos de investigação, sendo que coordenou 2 destes. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 376 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Cartografia geológica, Engenharia Geológica, Paleoambientes, Paleobotânica, Ecologia, Paleontologia, Arqueobotânica e Arqueozoologia."

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)

E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha

À data de hoje, conta com 1600 citações nos seus 100 trabalhos.

Selecção de obras:
2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003
Vieira, M., Poças, E., Pais, J., Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5
2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.
2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.
Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X
2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.

Links:



Prestamos-lhe a devida homenagem.

Testemunho pessoal: O Prof. João Pais teve uma enorme influência em mim. Ele fez parte do júri do meu doutoramento; foi durante o seu cargo, como Presidente de Departamento de Ciências da Terra na FCT- NOVA que fui integrado neste departamento como professor; e partilhei, até hoje, o gabinete com este grande cientista.

Obrigado Prof. João Pais.

Condolências à família.

OM

segunda-feira, setembro 07, 2015

O Baião do Tempo Geológico

A música e paleontologia fazem sempre uma combinação interessante e divertida. Hoje trazemos uma música geológica, nomeadamente um Baião que é um género de música e dança popular do nordeste do Brasil.

O Baião do Tempo Geológico (www.youtube.com/watch?v=QewNyFtz4OM)

Cantada pelo grupo TRIO LOBITA, composta por Marcelo Favoreto temos o que é talvez a mais geológica de todas as músicas: "O Baião do Tempo Geológico" (2015) (Link Youtube).

É uma música engraçada, cantada em Português brasileiro, bem etnográfico com as respectivas caneladas na gramática, mas com uma animada forma de ensinar as divisões do tempo geológico, do Arqueano até ao Holoceno, passando pelas subdivisões do Proterozóico, Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico. Vale bem a pena ouvir.

Logotipo do grupo Trio Lobita, com uma trilobite que lhe dá o nome.
O grupo Trio Lobita tem também outras música de cariz geológico como a Calma Carbonato (2013) e a Triste História do Meandro Abandonado (2013). Na sua página de Facebook, o grupo identifica-se como fazendo "geologic music". A terminologia geológica está em português brasileiro.

Em tempos mostrámos um exemplo de música anglófona com dinossauros, incluindo a música "I'm a Paleontologist" que é popularmente dançada no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, numa cena digna de se ver e apreciar: alguns dos mais reputados paleontólogos do mundo dançando I'm a Paleontologist.


quinta-feira, maio 14, 2015

Elefantes fósseis de Marrocos escavados por equipa marroquino-portuguesa


No novo volume das Comunicações Geológicas é descrito parte do resultado do trabalho marroquino-português no Médio Atlas, e que foi tema da tese de mestrado de João Marinheiro integrado no Mestrado em Paleontologia FCT-UNL + UÉ. A descoberta mais importante são vários esqueletos de elefante fóssil e extinto, o Elephas recki.


Localização das jazidas e mapa geológico de Anchrif (no fundo à esquerda). Direita: Coluna estratigráfica de Anchrif., Marrocos (Marinheiro et al., 2014)

A riqueza paleontológica do Marrocos é conhecida pelo menos desde o início do século XX. A região do Médio Atlas, mais especificamente a área de Boulemane, foi todavia pouco estudada desde a década de 1960, quando foram descobertos fósseis de vertebrados do Jurássico Médio. Em Setembro de 2013, uma expedição marroquino-portuguesa a Taghrout, Boulemane, fez recolhas numa jazida fossilífera do Plistocénico que foi outrora uma pequena bacia sedimentar de elevada altitude, não cartografada em mapas geológicos anteriores. A escavação recolheu ossos e dentes de mamíferos de grande porte, sendo os achados mais comuns atribuídos a elefantes do género Elephas, tendo sido também recolhidos artiodáctilos, tartarugas e ferramentas acheulenses. Esta jazida representa um novo e importante sítio paleontológico e arqueológico. Além das descobertas em Taghrout, a expedição também recolheu vertebrados quaternários de uma gruta nas proximidades e encontrou novas localidades jurássicas, com ossos de arcossauros e pegadas de dinossauros, em El Mers.


A equipa portuguesa contou com Octávio Mateus. João Marinheiro, João Russo e Marco Marzola, da Universidade Nova (FCT-UNL) e do Museu da Lourinhã.

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). New Quaternary fossil sites from the Middle Atlas of Morocco. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 485-488.

PDF: http://www.lneg.pt/download/9594/96_2911_ART_CG14_ESPECIAL_I.pdf 

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,178.

sexta-feira, novembro 14, 2014

Paleontologia de Angola em Mestrado premiado pela Universidade de Évora



Realizou-se no passado dia 1 de Novembro a sessão comemorativa de mais um aniversário da Universidade de Évora, com a cerimonia de abertura solene do ano lectivo. Esta cerimónia, onde têm lugar os tradicionais discursos da Reitora, do Presidente do Conselho Geral e do Presidente da Associação Académica, é também marcada pela imposição das insígnias aos novos doutores e pela atribuição de bolsas de estudo e prémios de mérito aos alunos com o melhor desempenho académico do ano anterior.

A Joana Bruno, que desenvolveu o seu trabalho final de mestrado em Ilustração Científica no âmbito das actividades do Projecto PaleoAngola, diplomou-se com média final de 19 valores e foi distinguida como a melhor aluna de Mestrado da Universidade de Évora no ano 2013/2014, tendo recebido o prémio de excelência da Universidade de Évora/Novo Banco.

A Joana dedicou o seu trabalho final de mestrado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por Octávio Mateus e Pedro Salgado, foi aprovado com 20 valores em Janeiro passado.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Ilustração Científica de Fósseis de Angola



Joana Bruno
Realizaram-se no passado dia 28 de Janeiro as provas públicas para obtenção do grau de Mestre em Ilustração Científica da estudante Joana Bruno, enquadradas nas actividades do Projecto PaleoAngola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por mim e pelo Mestre Pedro Salgado, foi dedicado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola e foi apoiado por uma das bolsas de mestrado da ANICT. A discussão da tese foi um sucesso, e a candidata, agora Mestre em Ilustração Científica, foi aprovada com 20 valores, vendo o seu trabalho reconhecido mais uma vez perante uma sala cheia. A dissertação foi ainda destacada pelas abordagens inovadoras que contempla, pelo rigor das ilustrações e pela clareza e objectividade da escrita.

A Joana começou o seu percurso pela Ilustração Científica ainda enquanto estudante de Arqueologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Contudo, a dedicação a tempo inteiro à ilustração só chegaria em 2011, com a frequência do curso do IAO sob a orientação do Mestre Pedro Salgado e posterior ingresso no Mestrado em Ilustração Científica do ISEC/UE. O seu trabalho tem sido igualmente reconhecido em Portugal e no estrangeiro. Foi premiada pela Casa das Ciências em 2013 e conta já com várias exposições em território nacional e estrangeiro. Poderá destacar-se a sua participação na XIII edição da bienal Focus on Nature, em Nova Iorque, exposição para a qual foi seleccionada entre cerca de 200 artistas que concorreram de todo o Mundo. Actualmente, além de trabalhar como ilustradora científica, a Joana é também formadora de ilustração na ETIC e editora executiva do Journal of Natural Science Illustration.

Video Reconstructing extinct organisms: fossil turtles from Angola (http://youtu.be/Reog3rnIQQ8)
Parabéns Joana Bruno!

quinta-feira, outubro 03, 2013

João Pais, paleobotânico

O paleontólogo do mês é o Prof. João Pais, que se aposentou recentemente e que publicou agora um artigo sobre a paleo-flora do Cretácico Inferior.

Lígia Castro, João Pais e Octávio Mateus. 2008.


Paleontólogo catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT UNL, o Prof. João José Cardoso Pais nasceu no em Cabeção, Mora a 14 de Outubro de 1949. Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.
1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degois:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro. Foto por O.M. 2007
Publicou 96 artigos em revistas especializadas e 53 trabalhos em actas de eventos, possui 12 capítulos de livros e 9 livros publicados. Possui 478 itens de produção técnica. Participou em 45 eventos no estrangeiro e 46 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 352 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Engenharia Geológica, Paleobotânica, Cartografia geológica, Paleoecologia, Paleontologia, Arqueobotânica, Arqueozoologia e Educação.

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)


E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo 
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha 

Selecção de obras:

2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003

Vieira, M., Poças, E., Pais, J.,  Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5

2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.

2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.

Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X

2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.



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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Candidatura da Arrábida a Património Mundial

Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto


Geologia da Arrábida (fonte: Powerpoint da apresentação por Kullberg et al 2012)
Por Kullberg et al. (2012):
Adaptando os conceitos originais de Paul Choffat - geólogo - e Orlando Ribeiro - geógrafo -a Arrábida pode ser definida como uma pequena cordilheira situado na parte meridional da Península de Setúbal (uma faixa de 6 km com 35 km de extensão), em Portugal, onde afloram em continuidade rochas predominantemente carbonatadas de praticamente todo o Mesozóico. É também local de extrema relevância relativamente à flora e a ecossistemas únicos no Planeta. Para além dos valores naturais, os culturais testemunham uma ocupação desde o Paleolítico Inferior até aos primórdios da nacionalidade, no conturbado início do 2º milénio d.C. com as reconquistas aos muçulmanos. A História e a ocupação do território estão indissociável e harmoniosamente associadas com o meio natural, através das tradições no uso e ocupação das terras e dos próprios credos, lendas e poesia. A Geologia - rochas e processos - e as formas que ela condicionou, estão também na origem de muitos destes valores culturais. Por esta diversidade e quantidade de valores excepcionais, únicos a nível mundial, a Arrábida encontra-se actualmente em processo de pré-candidatura à UNESCO a Património Mundial (Misto) da Humanidade, com base nos critérios culturais (4, 6) e naturais (7, 8, 9 e 10), reunidos através de um suporte de SIG's. A Arrábida está localizada na área mais meridional da Bacia Lusitaniana, a única bacia do Atlântico Norte que expõe à superfície toda a sequência de rifting anterior à oceanização e consequente separação entre as placas da América do Norte a da Eurásia. Mas é na Arrábida que se encontra praticamente toda a sucessão mesozóica em contínuo, devido à inversão tectónica resultante da colisão entre a África e a sub-placa ibérica durante o Cenozóico de que resultou a própria cordilheira actual. Por isso apresenta uma variedade notável de estruturas e litologias únicas ou extremamente raras resultantes dum conjunto de processos geológicos que testemunham, sucessivamente: 
1º) a evolução, desde o Triásico até ao Cretácico inferior, do rift intracontinental relacionado com as primeiras fases de fragmentação da Pangeia; 
2º) vulcanismo em margem passiva, durante o Cretácico terminal; 
3º) diapirismo associado àquele vulcanismo; 
4º) inversão tectónica relacionada com a proximidade do limite convergente entre as placas Africana e Euroasiática, principalmente durante o Cenozóico; 
5º) a consequente formação de relevos na Meseta Ibérica e estruturação de grandes redes de drenagem intracontinentais; 
6º) o modelado recente das formas do terreno, em parte controlado por movimentos de neo-tectónica, e também por variações eustáticas quaternárias, pelo menos nas regiões litorais da MOI. 

Através de ocorrências únicas de que se realçam apenas três, a Geologia está intimamente relacionada com aspectos culturais da região, nomeadamente: 
1- o conjunto de pegadas de dinossauros de Pedra da Mua com a lenda de Nª Senhora do Cabo Espichel; 
2- a Brecha da Arrábida com um dos desenvolvimentos do estilo Manuelino e 
3- a cordilheira da Arrábida no seu todo, mas em particular a Serra do Risco, "a onda da Arrábida" eternizada pela poesia de Sebastião da Gama.



Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012).  Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brasil)

domingo, novembro 30, 2008

Tigres dentes de sabre



Os tigres dentes de sabre eram animais extraordinários que viveram de há 30 milhões de anos até há 10 mil anos atrás. Ao contrário do que se possa pensar, não se trata de um único grupo de felinos, mas sim de três famílias distintas de predadores (incluindo placentários e marsupiais) que convergiram para esta morfologia de enormes caninos.

 
Em Portugal temos pelo alguns vestígios de tigres-dentes-de-sabre:
Homotherium latidens, determinado com base num osso astrágalo da Mealhada (Antunes, 1986; Cardoso, 1996). Antes disso, Roman (1907) identifica o que ele chama de "Machairodus jourdani" em Aveiras de Baixo, o que inclui um espectacular dente actualmente em exposição no Museu Geológico. A espécie Pseudaelurus transitorius também é identificada em Portugal.

Estas fantásticas ilustrações foram desenhadas pelo meu amigo
Mark Hallett (http://www.hallettpaleoart.com). 


ANTUNES M.T. 1986. Acerca de um osso do Plistocénico da Mealhada : presença de um "tigre dente de sabre", Homotherium latidens (OWEN, 1846). Ciências da Terra (UNL), 8 : 43-54.

CARDOSO J.L. 1996. Les grands mammifères du Pléistocéne supérieur du Portugal. Essai de synthése. [The large Upper-Pleistocene mammals in Portugal. A synthetical approache]. GEOBIOS, 29, 2 : 235-250. 

ROMAN, F. 1907 Le Néogène continental dans la Basse Vallée du Tage. Comissão dos Serviços Geológicos de Portugal.