Mostrar mensagens com a etiqueta Escavações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escavações. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, junho 24, 2019

Escavações de dinossauros na Lourinhã: mais um grande ninho de dinossauro carnívoro

Escavações de dinossauros na Lourinhã: mais um grande ninho de dinossauro carnívoro

Terminaram mais uma campanha de escavações de dinossauros na Lourinhã. Este ano focaram-se num grande ninho de dinossauro carnívoro, descoberto na Praia do Caniçal, na Lourinhã, possivelmente de Lourinhanosaurus antunesi. A confirmar-se, este é o quarto ninho desta espécie a enquadrar as coleções do Museu da Lourinhã e a ser encontrado neste concelho. Os restantes, nas localidades de Paimogo, Peralta e Casal da Rola, têm as mesmas características: ovos de cerca de 12 cm numa grande acumulação que pode chegar aos cem ovos, cascas negras de cerca de 1 mm de espessura, com poros que permitem a sua identificação. Com 152 milhões de anos, estes são também os ninhos de dinossauros mais antigos da Europa. Os paleontólogos ainda não sabem a razão para se descobrirem tantos ovos desta espécie na região, mas uma coisa é certa: este parecia ser o local ideal para os Lourinhanosaurus nidificarem.



As escavações organizadas pelo Museu da Lourinhã, contaram com a coordenação científica da Universidade Nova de Lisboa, bem como com o apoio financeiro desta instituição, através do projeto XTaleggs e pelo Dino Parque da Lourinhã, através da contrapartida financeira pelas entradas dos visitantes.



Desta vez, o ninho estava a meio da encosta da arriba costeira, dificultando a sua escavação.  As primeiras cascas de ovo, caídas na base da encosta, foram descobertas em 2017 pelos voluntários Pedro Marrecas, Filipe Vieira e Micael Martinho que informaram os paleontólogos. As escavações foram coordenadas cientificamente pelos paleontólogos Miguel Moreno Azanza e Octávio Mateus, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã. O acesso difícil à sua localização era apenas possível através de cordas, impossibilitando a sua extracção total imediata. Esta tornou-se uma das mais complicadas para os paleontólogos: o ninho era bastante grande, resultando a sua extracção num bloco de cerca de uma tonelada. As escavações que começaram já em 2017 onde o ninho foi sendo recolhido ao longo de três campanhas de verão, tendo finalmente terminado a semana passada.

Os paleontólogos ainda não sabem se os ninhos de Lourinhanosaurus eram comunitários, com várias fêmeas a pôr os ovos no mesmo local, como o elevado número de ovos parece sugerir. A existência de embriões, conhecidos em Paimogo e na Peralta, também ainda não estão confirmados neste novo ninho. As escavações envolveram estudantes e voluntários de dez nacionalidades distintas que aproveitam para aprender técnicas de paleontologia na Lourinhã, orientados pelos profissionais acima referidos e ainda pelo paleontólogo Eduardo Puértolas-Pascual, da mesma equipa. Os ovos estão num enorme bloco de pedra que foi envolvido em gesso e serapilheira para segurar e manter a coesão e retirado com uma máquina com um guindaste de 17 metros que teve de descer para a Praia do Caniçal. As arribas do Concelho da Lourinhã são destino frequente de visitas de campo organizadas pelo Museu da Lourinhã, agora com mais uma história para contar. O bloco com os ovos vai ser preparado no laboratório do Dino Parque da Lourinhã vai ser gradualmente exposto à medida que é escavado, num processo visível para os visitantes. Paralelamente com esta nova descoberta, o Dino Parque prepara-se para realizar uma série de visitas às áreas de diversas descobertas para que os mais curiosos possam conhecer melhor as características geológicas que permitiram estas descobertas na região.





Ver também em:
http://www.alvorada.pt/index.php/lourinha/633-ninho-de-dinossauro-carnivoro-retirado-da-praia-do-canical-pelo-museu-da-lourinha https://nit.pt/out-of-town/back-in-town/foi-descoberto-mais-um-ninho-de-dinossauro-carnivoro-na-lourinha https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/paleontologos-escavam-quarto-ninho-de-dinossauro-na-lourinha--11021405.html https://www.jn.pt/local/noticias/lisboa/lourinha/interior/paleontologos-escavam-quarto-ninho-de-dinossauro-na-lourinha-11021617.html

segunda-feira, julho 03, 2017

Anfíbio e réptil do Triásico expostos no Museu Nacional de Arqueologia

Está patente, desde o passado dia 21 de Junho, na galeria poente do Museu Nacional de Arqueologia, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a exposição monográfica "Loulé. Territórios, Memórias e Identidades".

Fachada da entrada da exposição. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

A exposição é uma iniciativa conjunta dos Museus Nacional de Arqueologia e Municipal de Loulé e reúne um acervo com mais de 500 bens culturais que testemunham os últimos sete milénios de história do maior e mais povoado concelho do Algarve, Loulé. Os bens culturais provêm de 13 instituições distintas, entre as quais se destacam o Museu Municipal de Loulé e o Museu Monográfico do Cerro da Villa, o Museu Nacional de Arqueologia, o Arquivo Municipal de Loulé, a UNIARQ – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os Museus Municipais de Faro, da Figueira da Foz, de Arqueologia de Albufeira e de Silves, a Universidade do Algarve, a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, o Museu da Lourinhã e a Imprensa Nacional Casa da Moeda.
A mostra divide-se em vários núcleos que revelam os achados paleontológicos e arqueológicos que melhor testemunham a história do concelho de Loulé. 
O ponto de partida da exposição é dedicado ao apontamento "Loulé há mais de 220 milhões de anos" onde se destacam os achados paleontológicos, com 227 milhões de anos, realizados por uma equipa internacional de investigadores, liderada pelo paleontólogo e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, Octávio Mateus. 
Acompanhados por ilustrações de Joana Bruno, alguns dos resultados de seis anos de escavações paleontológicas, um crânio e uma mandíbula de Metopossaurus algarvensis e uma mandíbula e dentes de fitossauro, anfíbio e réptil do Triásico respectivamente, compõem este primeiro momento expositivo.
Núcleo expositivo dedicado aos achados paleontológicos da região de Loulé. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Metopossaurus algarvensis. Ilustração por Joana Bruno. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Crânio e mandíbula de Metopossaurus algarvensis. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Fitossauro. Ilustração por Joana Bruno. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Mandíbula e dentes de fitossauro. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Seguem-se outros testemunhos importantes para o concelho, divididos em três secções: a secção Territórios, que apresenta o concelho na sua diversidade geomorfológica - o litoral, a serra e o barrocal, a secção Memórias, que expõe, por ordem cronológica, sete núcleos arqueológicos onde figuram, a título exemplificativo, a escrita do sudoeste e as mais antigas actas conhecidas em Portugal , e a secção Identidades, onde são revelados os rostos de achadores, cuidadores e doadores de bens culturais de Loulé. 
A exposição, comissariada por Victor S. Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa, Helena Catarino, da Universidade de Coimbra e Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve, estará aberta ao público até 30 de Dezembro de 2018.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 no Triângulo Mineiro, Brasil

Este ano estamos a participar nos trabalhos de campo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no estado de Minas Gerais, Brasil, a convite do paleontólogo Douglas Riff (UFU).

Prospectámos e escavámos na Formação Adamantina e Formação Marília, membro Echaporã, do Cretácico Superior (Campaniano-Maastrichtiano), onde recolhemos ossos de saurópodes titanossauros, um crânio de crocodilo baurussuquídeo Pissarrachampsa sera e ovos de Bauroolithus.

O bioma desta região é chamado de Cerrado sendo o equivalente sul-americano à savana africana. Vimos arara-canindé, tucano, seriema, maracanã, tamanduá-bandeira, bugio e mais fauna típica deste ecossistema.
Mapa dos locais visitados e escavados (fonte: Google Maps).

Paisagem do Cerrado, perto de Prata (Foto: OM).

Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Campina Verde.
Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Prata, localidade tipo de Maxakalisaurus topai. O Paleontólogo Douglas Riff, está em pé, à esquerda (foto: OM).

domingo, agosto 07, 2011

Época de escavações 2011

Estou em época de escavações, que este ano começou em Maio e se estende até meados de Agosto, procurando dinossauros e outros vertebrados por todo o Mesozóico Português  e também com quase um mês de trabalho de campo em Angola.
 Em Portugal, o trabalho é focado na Lourinhã, de onde recolhemos mais ovos de dinossauro carnívoro. Em Angola, recolhemos mosassauros, plesiossauros, pterossauros, crocodilos, baleias e... dinossauros, integrado no Projecto PaleoAngola.

Pegadas de dinossauro em Angola