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sexta-feira, outubro 28, 2011

A filosofia da Aventura, by Ricardo Araújo


Convido os leitores deste blog a lerem aquilo que julgo serem as ideias fundamentais que estão por detrás de uma aventura… Vejam aqui.

domingo, setembro 25, 2011

Mastigação nos plesiossauros, by Ricardo Araújo



Apresentei em conjunto com o meu colega Mike Polcyn um poster em Junho passado na "Sixth Triennial Conference on Secondary Adaptation of Tetrapods to Life in Water". Este estudo teve por base a aplicaçhttp://www.blogger.com/img/blank.gifão de técnicas de engenharia (a minha e a formação de base do Mike) à paleontologia. Este tipo de análise é amplamente aplicado na construção de aviões, na criação de modelos electrónicos, ou até na modelação de transferência de calor, chama-se: Análise de Elementos Finitos. Agora, este tipo de técnica foi aplicada a um crânio de um plesiossauro permitindo determinar a distribuição do stress (forças a uma escala muito pequena) enquanto este animal comia. Os resultados já foram entretanto submetidos a uma revista da especialidade e em breve haverá mais notícias...



Texto de: Ricardo Araújo

domingo, dezembro 13, 2009

Paleontologo orgulhoso (?)

Sento-me, a horas improvaveis, numa cadeira desconfortavel do Shuler Museum e reparo no que tenho em volta. Para alem dos fosseis empilhados em armarios de metal, para alem dos cranios impressionantes de fitossauros, para alem dos esqueletos articulados de criaturas bizarras... vejo discussoes inflamadas sobre os detalhes da Evolucao, vejo ideias e resolucoes interessantes baseadas nos mesmos fosseis bizarros, vejo horas que escoam num domimgo lamacento no topo de uma arriba, vejo os olhos que brilham quando alguem diz no campo "Vejam so o que encontrei!", oico o martelo percurssor do laborioso preparador... e, penso... Caracas, por mais que quisesse nunca conseguiria encontrar uma profissao como esta porra...

Todas as horas que dispendi a tirar fotocopias de artigos obscuros e que nao serviam para nada, que dispendi a encharcar as botas de lama e voltar a casa com meia duzia de pedras no bolso, que dispendi a fritar os olhos a frente do computador aguardando que ele me desse resultados desoladores... todas essas horas, nao as dou a ninguem.

'As vezes ate me custa mesmo perceber como e' que alguem pode gostar de outra coisa senao paleontologia... quem e' que gosta de metalurgia, bolas? De contabilidade? Tenho de me contorcer para compreender isso, sim, eu sei, gostos nao se discutem...

sexta-feira, março 20, 2009

Ode ao Morphbank



Há coisas transversais em toda a ciência, não é só o empirismo, a reproducibilidade, a universalidade e essas coisas... o cientista é também um ser territorial. Quem já não ouviu falar das disputas de autoria de certos teoremas matemáticos? Quem já não ouviu falar do espanto que Darwin sentiu quando recebeu a carta de Wallace, alegando que tinha tido uma ideia semelhante? Na paleontologia passa-se o mesmo... quem descreveu primeiro o espécime, quem teve primeiro uma dada ideia, tudo isso conta; e até certo ponto com uma certa razão de ser. No entanto, há alturas em que isto se torna absolutamente ridículo. Por exemplo, se formos às reservas do Natural History Museum em Londres e se fotografarmos os espécimes temos de previamente assinar uma declaração de forma e não usamos as fotografias para mais nada a não ser uso próprio para fins científicos... Ora, isto tem algum cabimento? Teria se os fósseis ainda não tivessem sido publicados, mas acontece que muitos deles não foram tocados desde quase do tempo de Darwin, ainda nem a Teoria da Relatividade tinha sido inventada, nem a bomba atómica, nem existia Internet, nem computadores sequer. O que acontece actualmente é que o acesso aos espécimes é actualmente extremamente difícil. E depois há outra questão, é que muitas vezes quando os paleontólogos não publicam (ou demoram a publicar - dizem eles) ficam como que detentores dos espécimes e não deixam que ninguém lhes toque... Existe um episódio
engraçado que nos foi contado pelo nosso colega Jesper Milàn: havia um qualquer paleontólogo na Dinamarca que tinha a seu cargo o estudo de uma colecção de peixes. Mas a colecção tardava a ser estudada e o tal senhor mantinha religiosamente guardados os seus peixinhos trancados num armário... ai de alguém que ousasse só pensar em olhar para o armário!! E bom, o tempo foi passando... e passando... até que o homem morreu e os peixinhos nunca viram a luz da ciência porque se mantiveram bem arrumadinhos e empacotadinhos no armário. Como é que isto é possível? Não sei até que ponto o direito ao estudo pode substituir o direito ao conhecimento universal!

Há solução para este problema? Claro que sim. Basta pensarmos um pouquinho para podermos encontrar várias soluções. E parece por demais óbvio, que não devia ser necessário fazer uma longa viagem à China com uma pessada máquina fotográfica e tripé às costas, para podermos ter acesso, a fotografias de qualidade de fósseis que estejam nos museus do Império do Meio. No século das novas tecnologias e da Internet todos nós partinhamos informação e imagens apenas através de um clique. São milhões e milhões os jovens que partilham imagens e textos sobre si mesmos descrevendo os mais ínfimos detalhes pessoais. Quem não conhece os Hi5, os Orkut e os Facebooks por aí fora...?
Naturalmente, surge uma questão, não podemos fazer a mesma coisa com espécimes de animais importantes? E a resposta é um rotundo sim! Não é preciso ser um génio para o fazer, mas a ideia é de facto genial e ao construirmos bancos de dados online com informação morfológica vamos poder trocar dados muito rapidamente e todos os especialistas terão a vida extremamente facilitada. Lembrem-se que quem faz anatomia comparada necessita de, como é óbvio... comparar! A ideia deve ter começado com o bancos de genes online. Ou seja quem mapeava uma parte do genoma de um organismo colocava essa informação (depois de devidamente publicada numa revista da especialidade) online, para todos saberem o que tinha sido descoberto e não perderem tempo a mapear as mesmas partes do genoma dos mesmos organismos... há outras vantagens como permitir que se estudem centenas de genes de centenas de organismos simultâneamente. Já pensaram no poder de análise que conseguimos se todos partinharem os seus resultados? É um pequeno passo para o homem... mas um enorme salto para a Ciência. Nasceu assim o genebank! Nunca, em toda a história do planeta, tivemos tantas mentes brilhantes a fazer ciência e simultâneamente! E ainda por cima com as melhores ferramentas informáticas e tecnológicas de sempre. O meios nunca foram tão poderosos e nunca tivemos tantos humanos a utilizar esses recursos para conhecermos o mundo.

Por isso, apoiamos com total firmeza iniciativas como o Morphbank ou o Morphobank (sic!). Explorem-nos, usem e abusem deles!
E que o conhecimento científico não permaneça arrumadinho em armários, mas sim livre a todos os que o queiram conhecer e estudar. Cresça floresça e caminhe esta nova ferramenta ao dispor dos sábios do nosso tão precioso mundo.

http://www.morphbank.net/

Autoria partilhada do post com: Rui Castanhinha