Mostrar mensagens com a etiqueta Paper. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paper. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, abril 22, 2009

Onde estão os fósseis de Alfred Leeds?


Findava o século XIX e, certamente, um dos mais acesos tópicos de discussão no meio científico era a Paleontologia, essa nova ciência. Nesta altura ainda estava muita coisa por descobrir na paleontologia dos vertebrados: já se conheciam vários espécimes de Archaeopteryx (o ‘elo perdido’ entre as aves e os répteis). Já então se conhecia o Megalosaurus (o primeiro dinossauro, que foi assim chamado antes de o termo Dinosauria ter sido cunhado por Owen). Foi precisamente em Novembro de 1892, que Alfred Leeds, um reputado coleccionador privado de fósseis vende uma parte da sua colecção ao National Museum of Ireland – Natural History. Esta compra compreendia plesiossauros, ictiossauros e crocodilomorfos da 'Oxford Clay’ Jurássico Médio), que custaram ao Museu setenta libras. Relembro que uns anos antes se dera a venda do ‘London specimen’ (o primeiro Archaeopteryx a ser descoberto em Solhofen, Alemanha) que foi vendido por setecentas libras ao, então, British Museum of Natural History, batendo valores recordes para a venda de um pedaço de rocha ... ou, se calhar, um pouco mais do que isso. Alfred Leeds explorava, à altura, um barreiro em Peterborough, Inglaterra, mas acontece que nesse barreiro também abundavam os fósseis. Durante os vinte anos em que o barreiro foi explorado, foram concomitantemente retirados imensos fósseis, que vão desde o Leedsichthys aos tais plesiossauros da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha … e crocodilomorfos de que falei. Infelizmente esta venda ao National Museum of Ireland foi o derradeiro evento que levaria à completa dispersão da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha …

Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã.

sábado, janeiro 24, 2009

Nova Publicação: Colecção de Fósseis de Vertebrados de Sir Alfred Leeds


A colecção de fósseis de vertebrados que está no National Museum of Ireland é relavante sob o ponto de vista histórico mas também científico. Acontece que no final do século XIX um senhor chamado Alfred Leeds que vivia no Peterborough District começou a acumular uma importantíssima colecção de fósseis de vertebrados a partir do seu barreiro. Durante mais de vinte anos Alfred Leeds (principalmente, se bem que inicialmente ajudado pelo seu irmão Charles) acumulou uma quantidade absolutamente impressionante de fósseis de uma inestimável riqueza científica. Desde plesiossauros, passando por crocodilomorfos, e por peixes gigantes como o Leedsichthys. A colecção em Dublin é uma fracção representativa do que existiu na formação de "Oxford Clay", onde o barreiro se inseria. Por outro lado, a Colecção de Alfred Leeds no National Museum of Ireland é um marco importante na história da própria colecção; assinala o momento em que Alfred Leeds começou a dispersar, vendendo, fósseis por todo o mundo. Hoje em dia a colecção de Alfred Leeds está em Uppsala (Suécia), Estados Unidos, vários museus de Inglaterra, etc. A maior parte dos fósseis estão no Hunterian Museum, mas os melhores espécimes encontram-se no The Natural History Museum, London.

À parte disto, este estudo foi extremamente interessante de se realizar. Não só ficámos a saber um pouco mais sobre uma colecção extremamente rica, mas também tive o prazer de trabalhar com um dos maiores especialistas na história da Colecção: Jeff Liston e com o meu colega e amigo Adam Smith. É um trabalho que merece uma leitura por parte daqueles que se importam com o híbrido que resulta da paleontologia pura e a história!

O artigo pode ser descarregado a partir deste link.

Imagem: à esquerda uma barbatana de Ophthalmosaurus e à esquerda parte de um documento com mais de cem anos desenhado por Alfred Leeds quando havia recolhido o fóssil do seu barreiro.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Pegadas da Lourinhã sugerem maior flexibilidade de dinossauros saurópodes

O estudo hoje apresentado por mim e pelo colega Jesper Milàn da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, sugere, a partir de pegadas de dinossauros saurópodes da Lourinhã, que estes dinossauros tinham maior flexibilidade dos membros anteriores (braços) do que se pensava.

Os resultados são apresentados no congresso 52th Paleontological Association Annual Meeting que decorre de 18 a 21 de Dezembro de 2008 em Glasgow, Escócia.


Título: Sauropod forelimb flexibility deduced from deep manus tracks
Resumo em inglês:
  Sauropods are often considered to have very limited mobility and reduced limb flexibility, mainly due to their giant size and consequent weight. 
        In Lourinhã Formation, in central west Portugal, deep vertical natural cast of manus tracks are often preserved as the infills of the original track (see an example in Milàn et al., 2005). This manus tracks are vertical walled, with marks of the striations of the skin scales, showing that the movement of the sauropod manus into the mud is totally vertical with no horizontal component of the stride movement. Some track are up to 66 cm deep, which is equivalent to the height of whole manus, and means that sauropods could lift the anterior feet in a complete vertical manner. Such movement is only possible if there is a mobility at elbow and shoulder articulations in a higher degree that previously thought for sauropods. Our vision of sauropod limbs as inflexible columns has to be updated to more dynamic limbs and body.


domingo, novembro 02, 2008

Fósseis da Lourinhã integram estudo sobre os ossos de defesa dos dinossauros couraçados

Dinossauros da Lourinhã integram estudo sobre os ossos de defesa dos estegossauros e anquilossauros

O estudo realizado por investigadores de instituições de quatro países, entre as quais o Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa, analisou a microestrutura dos ossos de anquilossauros e estegossauros, que são do grupo dos dinossauros couraçados, os tireóforos. Estes animais tinham o corpo com placas e espinhos que serviam para sua protecção. Este estudo, liderado pelo japonês Shoji Hayashi da Universidade de Hokkaido, foi apresentado no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados no final de Outubro e vem precisamente abordar a histologia (estudo dos tecidos) e estrutura destas placas e espinhos.

Esqueleto do dinossauro estegossauro que foi usado nas investigações.

 

Para tal, ossos do dinossauro Dacentrurus, em exposição no Museu da Lourinhã, foram analisados numa tomografia computorizada e feitos pequenos cortes nos ossos, para se estudar a estrutura interna através de lâminas delgadas dos ossos observadas a microscópio.

Os resultados indicam ainda que os anquilossauros e os estegossauros usaram diferentes estratégias evolutivas para desenvolver armas defensivas.

Os espinhos dérmicos dos anquilossauros e estegossauros são semelhantes na forma geral, mas as suas características estruturais e histológicos são diferentes por possuírem estruturas peculiares de fibras de colagénio nos anquilossauros e fortes espinhos compactos nos estegossauros, o que lhes fornecia suficiente resistência para usá-los como armas defensivas. O colagénio é uma proteína de importância fundamental na constituição dos tecidos, sendo responsável por grande parte de suas propriedades físicas.

 

Além das instituições portuguesas, contou com a participação da Universidade de Hokkaido, no Japão, Museu de História Natural de Denver, nos EUA, Laboratórios Hayashibara, no Japão, e Academia de Ciências da Mongólia.



Microestrutura dos ossos de anquilossauro. 

 

Referência:

Hayashi, S., K. Carpenter, M. Watabe, O. Mateus, and R. Barsbold. 2008. Defensive weapons of thyreophoran dinosaurs:    histological comparisons and structural differences in spikes and clubs of ankylosaurs and stegosaurs. Journal of Vertebrate Paleontology 28 (3, Supplement): 89A-09A. 

Resumo em PDF 

domingo, outubro 26, 2008

Nova publicação: guilhos e cimento expansivo


Como escavar dinossauros quando se têm várias toneladas de rochas por cima da camada fossilífera? É a esta pergunta que o mais recente artigo de Octávio Mateus e Ricardo Araújo pretende responder. Este artigo foi publicado no Journal of Paleontological Techniques, este é uma revista de rês nacional com peer-review e com ISSN. Queremos também apelar à colaboração de todos aqueles que tenham ideias ou técnicas que julguem relvantes o suficiente para dar a conhecer ao mundo da paleontologia.

Aqui fica o resumo do artigo que pode ser descarregado aqui:

Duas técnicas (guilhos e agentes demolidores) revelaram-se eficientes para remover grandes blocos em escavações paleontológicas difíceis. Em determinadas condições – em que factores de segurança, questões burocráticas, condições de terreno e propriedades da rocha são problemáticas – os métodos tradicionais para demolir grandes massas de rocha (e.g. retro-escavadoras ou explosivos) não podem ser aplicados. Após se perfurarem buracos equidistantes, os guilhos e os agentes demolidores expansivos não só são soluções baratas, rápidas e seguras, como também permite uma remoção precisa de blocos com, pelo menos, nove toneladas. O guilho é uma ferramenta constituída por três partes que quando incrustada linearmente e em orifícios equidistantes na rocha permite uma factura precisa.