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quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Nova espécie de cavalinha fóssil com 303 milhões de anos e nome dedicado a João Pais

Fóssil português de uma nova espécie de planta, semelhante às cavalinhas actuais, e respectiva galha revelam novidades sobre a relação entre plantas e insectos há cerca de 300 milhões de anos.

As cavalinhas são plantas com uma linhagem histórica muito antiga, com registo fóssil desde o Devónico Superior até à actualidade, existindo em abundância em Portugal nos dias de hoje. Num novo artigo liderado por Pedro Correia, é descrita uma nova espécie de cavalinha de São Pedro da Cova do Pensilvânico superior de Portugal que recebeu o nome Annularia paisii dedicada ao paleontólogo João Pais, especialista em plantas fósseis da Universidade Nova de Lisboa.



Annularia paisii Correia et al. (2020) e sua galha induzida por insecto (reconstrução de Andrey Atuchin)

Uma das curiosidades desta espécie é que tinha uma galha, ou seja, uma reacção da planta induzida por insectos, fungos, bactérias, ou outros indutores. As cavalinhas (sensu Equisetopsida ou Sphenopsida) tal como a maioria das plantas reagem a ataques de insectos formando galhas. Os grandes bugalhos das azinheiras são porventura as galhas mais conhecidas em Portugal.

Annularia paisii tinha uma galha, induzida por insetos, até agora desconhecida que também recebe um nome de icnoespécie (Paleogallus carpannularites). Isto mostra a existência de complexas relações insecto-plantas há 303 milhões de anos e reitera a importância do registo fóssil do carbonífero português. Os padrões de herbivoria de insectos e outros artrópodes nas cavalinhas são pouco conhecidas mas foram agora abordados neste novo artigo publicado no International Journal of Plant Sciences em que documentam 315 milhões de anos de relações de herbivoria de cavalinhas por artrópode.


Artigo
Pedro Correia, Arden R. Bashforth, Zbynĕk Šimůnek, Christopher J. Cleal & Artur A. Sá, and Conrad C. Labandeira (2020). The history of herbivory on sphenophytes: a new calamitalean with an insect gall from the Upper Pennsylvanian of Portugal and a review of arthropod herbivory on an ancient lineage. International Journal of Plant Sciences. https://www.journals.uchicago.edu/doi/pdfplus/10.1086/707105

Annularia paisii Correia et al. (2020)
Resumo:
Premise of research. Sphenophytes are a modestly diverse lineage of vascular plants with a persistent record extending from the late Paleozoic to present. However, patterns of arthropod herbivory on sphenophytes are poorly known, attributable to a scattered literature, which we address in this report. Methodology. We document the 315 million-year-long record of sphenophyte– arthropod herbivory by focusing on the bookends, namely the Pennsylvanian and present day. We add to this milieu a gall association on a newly described sphenophyte from the Upper Pennsylvanian of Portugal. Pivotal results. Earliest known sphenophyte herbivory is Early Pennsylvanian, when virtually all interactions involved piercing-and-sucking damage by stylate insect mouthparts and lesions from cutting-and-slicing ovipositors. An exception is a new calamitalean (Annularia paisii sp. nov.) that harbored a new insect-induced gall (Paleogallus carpannularites ichnosp. nov.), similar to a modern fern gall. This discovery suggests that Late Pennsylvanian interactions were more diverse than previously suspected. By the end of the Pennsylvanian, the component community of one whole-plant calamitalean species had 12 damage types (DTs), only one of which was non-puncturing damage. Shifts to external foliage feeding, mining, and galling are evident during the Late Triassic. A Middle Jurassic renewal of interactions was followed by a decrease in documented DTs present in the Cretaceous and Cenozoic. Fifteen modern species of the genus Equisetum, the sole surviving lineage, exhibit four herbivory patterns. First, almost all documented herbivory is confined to the seven species of Equisetum (horsetails), not subgenus Hippochaete (scouring rushes). Second, there are diversification events of four genera of herbivores – a beetle, two sawflies and a fly – on subgenus Equisetum. Third, this arthropod herbivory is approximately evenly split among monophagy, oligophagy, and polyphagy. Fourth, the herbivore component community of Equisetum arvense L. (field horsetail) is diverse, representing ten major feeding modes, comparable to a modern angiosperm species, considerably more than that of Pennsylvanian calamitaleans. Conclusions. Pennsylvanian sphenophytes supported few folivores, followed by a major shift in the modes of sphenophyte herbivory after the Paleozoic. Considerable modern herbivory is localized on E. arvense.

Annularia paisii Correia et al. (2020)

Em 2017, o Professor João Pais já tinha sido honrado com o género Paisia, uma eudicotiledónea do Cretácico Inferior, publicado por Else Marie Friis e colegas.
Ref:
Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen (2018)
Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal,
Grana, 57:1-2, 1-15, DOI: 10.1080/00173134.2017.1310292


quarta-feira, junho 20, 2018

São Pedro da Cova tem nova espécie de feto fóssil


Douropteris alvarezii é o novo género e espécie de pteridófita, feto fóssil, de São Pedro da Cova, conforme o novo artigo assinado por Pedro Correia  Zbynĕk Šimůnek  Christopher Cleal  e Artur Sá.

O artigo "Douropteris alvarezii gen. nov., sp. nov., a new medullosalean pteridosperm from the Late Pennsylvanian of Portugal" foi publicado no Geological Journal.

Este novo género de planta fóssil com cerca de 300 milhões de anos, Douropteris alvarezii vem da Bacia do Douro, o que lhe dá o nome.  Douropteris alvarezii tem uma combinação incomum de características observadas em vários géneros fósseis, e distingue-se sobretudo pelo padrão da nervação das folhas.
O ano passado, Pedro Correia e colegas também já tinham publicado uma outra nova espécie de pteridófita da bacia do Douro.

Douropteris alvarezii  São Pedro da Cova, Douro Basin, Portugal (Correia et al. 2018)


sábado, dezembro 06, 2014

Paleobotânica em Portugal


Ao estudo das plantas fósseis dá-se o nome de Paleobotânica. E o facto talvez desconhecido para muitosé que além de vertebrados e invertebrados, Portugal é extremamente rico em plantas fósseis. Para isso muito têm contribuído os trabalhos de João Pais, Mário Miguel Mendes, Else Marie Friis, Kaj Raunsgaard Pedersen, Peter R. Crane, Carlos Teixeira e muitos outros.

Destacam-se as plantas do Cretácico Inferior da Bacia Lusitânica, que incluem algumas das mais antigas evidências de angiospérmicas e uma espectacular diversidade de formas e táxones.

Feto (Pterodófita) fóssil do Paleozóico de Portugal (ML)
Alguns géneros e espécies na paleobotânica de Portugal
Esta é uma lista, longe de ser ou tentar ser exaustiva, de alguns táxones de plantas fósseis em Portugal: Acrostichopteris, Alethopteris, Alisporites, Annonxylon teixeirae, Araucarites, Asterophyllites, 
Baiera viannaeBicatia costata, Bicatia juncalensi, Biretisporites, Brachyphyllum lusitanicum
Calamites suckowii, Cicatricosisporites, Converrucosisporites, Cordaites, Cupressinocladus micromerum, Cyclopteris, Czekanowskia, 
Densoisporites, Desmiophyllum, Dicksonites, 
Erdtmanispermum juncalenseErdtmanitheca portucalensis, Elatides falcifolia, Equisetites, Equisetum, Frenelopsis, Ginkgo, Gleicheniidites, Ischyosporites teixeirae 
Kraeuselisporites, 
Marchantites archantiaeformis, Mariopteris, Myrica, Monetianthus mirus, 
Neuropteris, Nilsonia, Otozamites, 
Pagiophyllum lusitanicum, Pecopteris, Picea, Pinus fluvimajoricus, Podozamites, Pseudocycas, Pterophyllum, 
Quercus, Raunsgaardispermum lusitanicum
Salix, Schizoneura, Sequoia, Sparganium, Sphenophyllum, Sphenolepis sternbergiana, Sphenolepis choffati, Sphenopteris, Spheripollenites, 
Taeniopteris, Teixeiraea, Toddalia, Todites falciformis
Verrucosisporites, Vitis, Zamites




Referências de alguns artigos científicos:
Friis, E. M., Pedersen, K. R., & Crane, P. R. (2000). Reproductive structure and organization of basal angiosperms from the Early Cretaceous (Barremian or Aptian) of western Portugal. International Journal of Plant Sciences161(S6), S169-S182.
Friis, E. M., Pedersen, K. R., & Crane, P. R. (2004). Araceae from the Early Cretaceous of Portugal: evidence on the emergence of monocotyledons.Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America101(47), 16565-16570.
Rydin, C., Pedersen, K. R., Crane, P. R., & Friis, E. M. (2006). Former diversity of Ephedra (Gnetales): evidence from Early Cretaceous seeds from Portugal and North America. Annals of Botany98(1), 123-140.
Heimhofer, U., Hochuli, P. A., Burla, S., & Weissert, H. (2007). New records of Early Cretaceous angiosperm pollen from Portuguese coastal deposits: Implications for the timing of the early angiosperm radiation. Review of Palaeobotany and Palynology144(1), 39-76.
Mendes, M. M., Friis, E. M., & Pais, J. (2008). < i> Erdtmanispermum juncalense
sp. nov., a new species of the extinct order Erdtmanithecales from the Early Cretaceous (probably Berriasian) of Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology149(1), 50-56.Pais, J. (2009). Évolution de la végétation et du climat pendant le Miocène au Portugal. Ciências da Terra8.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Trilobites de Portugal

Portugal tem um registo formidável de trilobites. Com alguma surpresa encontrei à venda, em Munique, Alemanha, uma revista francesa com um número especial inteiramente dedicado às trilobites do Ordovícico de Portugal.


Fossiles, 2010, hors-série 1
Trilobites de l’Ordovicien du Portugal
escrito por Pierre-Marie Guy
90 páginas

Mais informações aqui.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Conferência Internacional sobre Colecções e museus de Geociências

Conferência Internacional sobre Colecções e museus de Geociências: missão e gestão de 5 e 6 de Junho de 2009 no Auditório do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra.


Conferência Internacional

 

Colecções e museus de Geociências:

missão e gestão

 

5 e 6 de Junho de 2009

 

Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência
Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra

Local: Auditório do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra.

 

As colecções geológicas são uma ferramenta essencial em investigação e divulgação do conhecimento em História da Terra e da Vida. Documentam os processos e fenómenos que decorrem na parte mais superficial do planeta e a evolução da vida e são parte integrante da herança cultural e científica da civilização contemporânea. Servem, também, como meio para um melhor conhecimento da infra-estrutura geológica e da base de recursos geológicos, tendo em vista a sua gestão sustentada. Todavia, muitas delas estão sujeitas a ameaças que decorrem tanto da falta de recursos para o seu estudo, conservação e valorização, como da menor vocação das instituições de tutela para a sua preservação.

Com esta conferência pretende-se caracterizar o “estado da arte” no que respeita à gestão deste tipo de colecções, identificar as suas principais oportunidades e ameaças, bem como criar um fórum permanente de discussão e troca de experiências entre os profissionais envolvidos, tendo em vista, a prazo, o estabelecimento de linhas orientadoras de políticas de gestão a nível nacional.

 

Formato

Palestras por especialistas convidados, comunicações pelos participantes, mesa-redonda final.

 

Temáticas

1 - Museus e colecções geológicas universitárias

2 - Colecções na esfera da Administração Central e Regional do Estado

3 – Museus e colecções de conteúdo geológico na Administração Local

4 – Documentação e conservação de materiais geológicos

5 – Museus, Centros de Ciência/Interpretação e divulgação das Geociências

6 – História das colecções

 

 

Línguas admitidas

Português, espanhol, francês, inglês

 

Apresentações

As comunicações poderão ser apresentadas oralmente ou sob a forma de poster (formato A0, vertical). Os textos, das intervenções, com um máximo de 10 p. A4, Times corpo 12, deverão ter palavras-chave e um resumo, em português e noutra língua oficial.

 

Submissão de resumos: até 30 de Março

 

Os resumos terão uma dimensão máxima de 1 página A4, a TNR 12, 1,5 espaços, sem imagens ou bibliografia.

Os textos aprovados pela Comissão Científica serão reunidos em edição especial.

 

As normas para a formatação dos documentos serão editadas na página electrónica da Conferência.

  

Inscrições

O valor da inscrição garante a participação nas sessões de trabalho, a documentação produzida e a participação em todos os actos sociais.

 

Inscrição:

Normal ……………………………………………..……..… … € 60,00

Membros das instituições apoiantes …….……....€ 50.00

Estudantes de licenciatura………………………….…. € 20.00

 

[Depois de 30 de Março a taxa de inscrição sofre um agravamento de 25%]

 

Os boletins de inscrição acompanhados por comprovativos por via electrónica para o endereço geocoleccoes@gmail.com, ou pelo correio para:

 

 

Conferência Internacional sobre Colecções Geológicas

a/c de Madalena Freire

Universidade de Évora – Colégio António Verney

Rua Romão Ramalho, 59
7002-554 Évora

 

Os pagamentos serão feitos por cheque ou transferência bancária à ordem da Universidade de Évora, para a conta a indicar.

 

Informações:  https://woc.uc.pt/dct

geocoleccoes@gmail.com

mvazfreire@hotmail.com

 

 

Comissão organizadora

José M. Brandão (CEHFC, Universidade de Évora)

Pedro Callapez (FCTUC / Museu Mineralógico da Universidade de Coimbra)

João Paulo Constância (Museu Carlos Machado – R. A. Açores)

Octávio Mateus (Museu da Lourinhã / FCT- Universidade Nova de Lisboa)

Paulo Castro (INETI - I.P.)

 

 

Comissão Científica

António Mouraz Miranda (IST / Museu Décio Thadeu) 
Artur Abreu Sá (UTAD / Projecto Geoparque de Arouca) 
Carlos Cooke (UTAD / Museu de Geologia da UTAD) 
Helder Chaminé (ISEP / Museu de Mineralogia e Geologia do ISEP) 
Helena Couto (F.C.U.P. / Museu Mineralógico e Geológico da U.P.) 
Isabel Rábano (Museo Geominero - IGME) 
João Carlos Brigola (Universidade de Évora / C.E.H.F.C.) 
José Bernardo Brilha (Universidade do Minho / ProGeo) 
Josep Mata-Perelló (Museu Valentí Masachts / U.P.C.) 
Manuel Francisco Pereira (Instituto Superior Técnico / Museu Bensaúde) 
Maria de Fátima Nunes (Univ. de Évora / C.E.H.F.C.) 
Octavio Puche Riart (Museu Histórico Minero Felipe de Borbón / E.T.S.I.M.M.) 
Paulo da Gama Mota (Museu de Ciência da Universidade de Coimbra) 
Pedro Casaleiro (Museu de Ciência da Universidade de Coimbra) 
Rui Dias (Univ. de Évora / C. C. Viva de Estremoz) 
Victor Hugo Forjaz (Univ. dos Açores / OVGA)     

Entidades colaboradoras 

ALT – Sociedade de História Natural

APOM – Assoc. Portuguesa de Museologia

APPBG – Assoc. Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia

Centro de Geofísica da Univ. Coimbra

Comissão Portuguesa do ICOM

Departamento de Ciências da Terra da Univ. de Coimbra

FISDPGYM - Fed. Soc. Iberoamericanas de Defensa del Patrimonio Geológico y Minero

GeoMin – Secção de Minas da Assoc. Portuguesa Património Industrial

Museo Histórico Minero D. Felipe de Borbón y Grecia (Univ. Politécnica de Madrid)

Museo Valentí Masachts (Univ. Politécnica da Catalunha)

Museu Alfredo Bensaúde (IST)

Museu Carlos Machado

Museu da Lourinhã (GEAL)

Museu de Ciência da Univ. de Coimbra

Museu de Geologia da Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro

Museu de Geologia Prof. Décio Thadeu (IST)

Museu de Mineralogia e Geologia do ISEP

Museu de Mineralogia Alfredo Bensaúde (IST)

Museu Mineiro do Lousal

Museu Mineralógico e Geológico da Univ. do Porto

OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores

Parque Paleozóico de Valongo

ProGeo - Portugal

Sociedad Española para la Defensa del Patrimonio Geológico y Minero

  

 

domingo, junho 22, 2008

Clube dos desmembrados

Descobri no outro dia que não são só as serpentes os únicos indivíduos sem membros. Também existem anfíbios (e.g. o género extinto Ophiderpeton e actualmente os Sirenidae) que possuem a mesma condição, e isto surpreendeu-me. Fui investigar mais sobre o caso e fiquei a saber que ao longo da história da vida existiram diversos grupos que perderam ou reduziram à insignificância a função dos membros. Pondo isto noutros termos, a condição “não ter membros” evoluiu independentemente em diversas linhagens de vertebrados… primeiro em anfíbios lepospôndilos do Paleozóico, depois nos microssauros (na verdade não perderam por completo os membros), também em lissanfíbios (e.g. salamandras) e nos Squamata (no qual se incluem as serpentes e lagartos).

Isto levanta inevitavelmente algumas perguntas: porque será vantajoso não ter membros? De que maneira evoluiu esta forma de locomoção tão peculiar? A perda ou redução de membros nos vertebrados está geralmente relacionada com a adpatação a ambientes aquáticos ou subterrâneos… Ambas as hipóteses já foram sugeridas para explicar sob o ponto de vista ecológico a origem das serpentes. Desde alguns crocodilos (mais correctamente Crocodiliformes), e passando pelos mossassauros (répteis do mesmo grupo das serpentes). Contudo, os plesiossauros (o análogo ao monstro de Loch Ness), antes pelo contrário, aumentaram o tamanho relativo dos seus membros… É, ainda assim, espantoso animais com um percurso evolutivo tão diferente acabem por adquirir as mesmas inovações-chave no seu corpo. Existem algumas tendências, não leis, que são válidas para a perda de membros nos Squamata, se não repare-se que: (1) a redução dos membros anteriores (braços) é mais rápida que nos membros posteriores (pernas) - os cetáceos, por exemplo, não são Squamata e a tendência foi precisamente a inversa; (2) a redução dos membros é centrípta (a parte mais distal dos membros desaparece primeiro que a parte proximal, ou dito de outra forma, perde-se primeiro as mãos e depois o braço e ante-braço); (3) para a existência de um membro a cintura escapular ou pélvica tem de existir também (ou seja, os ossos da bacia e - o que corresponde nos humanos - a clavícula e omoplata têm que existir enquanto existirem braços ou pernas); (4) o diâmetro total do corpo tende a diminuir (olhe-se para as serpentes); (5) há uma tendência para o aumento do número de vértebras e repsectivo elongamento do corpo… etc. A isto chama-se evolução convergente! Todos os grupos que perderam por completo os seus membros são regidos por estas leis.

Quando começamos a olhar com atenção para, por exemplo, serpentes primitivas como a Pachyrachis isto começa a fazer mais sentido. A Pachyrachis tem por exemplo vestígios do um sacro (conjunto vértebras características da zona da bacia, intimamente ligadas à locomoção) que as serpentes mais desenvolvidas não têm… E, surpresa das surpresas, tem vestígios de membros… funcionalmente insignificantes. A Pachyrachis entre outros fósseis de serpentes primitivas dá-nos mais um exemplo paleontológico de que a evolução é um facto: as serpentes actuais tiveram um ancestral comum que tinha pernas!

Ironicamente, os ancestrais dos tetrápodes (organismos vertebrados com quatro membros) primitivos ‘esforçaram-se’ tanto por desenvolver membros que lhes permitissem locomoverem-se em terra firme e depois as serpentes fazem-lhes esta desfeita.



Sugestões de leitura:

Caldwell, M. (2003 ) "Without a leg to stand on": on the evolution and development of axial elongation and limblessness in tetrapods. Canadian Journal of Earth Sciences 40: 573–588.

Caldwell, M. & Lee, M. (1997) A snake with legs from the marine Cretaceous of the Middle East. Nature 386: 705-709.