terça-feira, fevereiro 16, 2021

Morreu Isabel Mateus (1950-2021), fundadora do Museu da Lourinhã e "descobridora de ovos de dinossauro"

Despedimos-nos hoje de Isabel Mateus, fundadora do Museu da Lourinhã e "descobridora de ovos de dinossauro".




Maria Isabel Dias Madeira Mateus, nascida em Paleão, Soure, aos 10 de Março de 1950, mudou-se sozinha com 19 anos para Lisboa, onde ingressou nos serviços administrativos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ao mesmo tempo que completava, em horário noturno, o ensino secundário no Liceu Francês Charles Lepierre. Aí, conheceu Horácio Mateus, por quem se apaixonou. Essa união trouxe-a para a Lourinhã em 1977 e dela nasceram três filhos: Simão, Octávio e Marta.

O interesse pela espeleologia, história e pré-história levou a que a Isabel e o Horácio reunissem um grupo de jovens dedicados a estas matérias que, em 15 de Dezembro de 1981, fundaram o GEAL- Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Em 15 de Julho de 1984, Isabel e o marido, apoiados pelos demais associados do GEAL, fundaram o Museu da Lourinhã. Foi vários anos membro da Direcção do GEAL e agraciada com o título de Sócia Honorária.

Já adulta e com os três filhos, tirou o curso pós-laboral de Arqueologia na Universidade Autónoma de Lisboa (1992). Em 3 de Abril de 1993, descobriu o ninho e embriões de dinossauros carnívoros Lourinhanosaurus em Paimogo, um dos maiores e mais importantes, à data. É autora de três artigos científicos como primeira autora, entre os quais é publicado o ninho de ovos e embriões de dinossauro que tinha descoberto (1997). Este achado foi marcante na história do Museu da Lourinhã, levando o nome da paleontologia da região a patamares internacionais, motivando a Revista Expresso a eleger o casal Isabel e Horácio Mateus como Figuras Nacionais do ano de 1997. Dois anos depois, realizou no Museu de História Natural de Paris formação superior intensiva em palinologia fóssil, área da botânica que estuda pólen e esporos. Mais recentemente, foi autora do livro Podomorfos do Casal da Misericórdia (ed. Museu da Lourinhã, 2020).

Em 1997, escreveu a proposta do “Parque do Saber e do Lazer”, que foi o documento precursor de vinte anos de esforços para a construção de um novo parque ou museu, desejos que culminaram em 2018 na abertura do DinoParque Lourinhã.

Vista por todos como uma mulher entusiasmada e cativante, recebeu a distinção “Prémio de Reconhecimento” em 2017 pela Associação pelo Desenvolvimento da Lourinhã e “Medalha Municipal de Honra” do Município da Lourinhã, em 2018. Em sua homenagem, foi-lhe dedicado o nome da iguaria local com pevides de abóbora, a Tarte D.Isabel (2018), tal como o Laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã também recebeu o seu nome, aquando da reinauguração em 2019.

Em sua casa, no "Casal Mateus", recebeu e hospedou dezenas de voluntários e estudantes que vinham colaborar com o Museu da Lourinhã.


Mulher de grande coração... mas este ao longo da vida deu-lhe problemas cardíacos decorrentes de uma doença de infância marcante, que implicaram duas operações de peito aberto para substituição das válvulas (1997 e 2020). Por fim, estas complicações tolhem-lhe a vida hoje, aos 16 de Fevereiro de 2021, com 70 anos de idade.

Adeus mãe.


segunda-feira, fevereiro 08, 2021

A new albanerpetontid species found in amber!

 Amber secrets reveal a new species!

 

 

Last November, a paper published in the prestigious journal Science described an enigmatic fossil found in the Burmese ambers: a skull completely preserved! Not only is such a finding unique, but the authors used this material, and other previously described, to erect a new species of the mysterious amphibian group Albanerpetontidae: Yaksha perettii. This would be one of the best preserved 3D-skull of this group, and also the second species occurring in Asia. Indeed, the Asian fossil record of these tiny amphibians has been really scarce, with only some unidentified bones from Uzbekistan and a skull from Japan. Aged from early Cenomanian (about 99.6 and 93.5 million years ago), this new species would be contemporaneous of the occurrences found in central Asia.

Figure 1: A new albanerpetontid species sheds light on their peculiar feeding strategy (illustration by Stephanie Abramowicz, from Daza et al., 2020).

Named, after a mythical spirit in Eastern belief and Adolf Peretti (director of the Peretti MuseumFoundation and GemResearch Swisslab, who found the fossil), this new albanerpetontid provided lots of surprises and features that allowed paleontologist to understand better these animals now extinct. This new species is based on three specimens: the holotype (comprised of the skull), another specimen that preserved the post-cranial skeleton, and a paratype comprised of a juvenile with the cranial and post-cranial skeleton, which had been previously described as a stem Chamaeleonidae.

 

With the computed tomography, the authors were able to capture in detail the specimens and describe them, without breaking their protective amber. The holotype is the first fully articulated 3D-skull recovered from this group. It reveals the presence of epipterygoids in contact with the quadrate (making it a core element of the jaw suspension), a complete and fully articulated braincase (rarely found in this group), and, most striking, a long median hyoid entoglossal process with soft tissues attached! More soft tissues have been recovered, confirming the presence of scaly eyelids, claw sheaths and minute body scales.

The specimen exhibits large fenestrae in the roof of the cranial cavity, but this one is not homologous to the supratemporal fenestrae found in amniotes, as only the parietals participate to its structure and it opens in the adductor chamber. Thanks to this specimen, it is now known the orbital in albanerpetontids is framed by the lacrimal, the prefrontal, the frontal, the parietal and the jugal, but not by the maxilla. The holotype also provides the first complete palate, a region of the skull that was never described before. It yields large choanae separated by a narrow vomerine bar and large palatines forming independent structures. The pterygoid shape differs from the one observed in frogs and salamanders: the palatal portion meets the posterior ridge of the vomer and there is not pterygoid flange, the tapering posterior edge meeting with the medial side of the quadrate.

Figure 2: A and B, holotype and paratype of Yaksha perettii in their amber gangue; C to E, high-resolution computed tomography (HRCT) of the holotype with jaws articulated in lateral, dorsal, and ventral views (modified from Daza et al., 2020).

The other specimens confirmed the presence of four-digit manus, with curved ungual phalanges, and the tripartite composition of the pelvic girdle (the first fully articulated pelvis recovered). Most interesting is that albanerpetontids seem to have a pelvis supported by two sacral ribs, where lissamphibians have typically only one. The shape of the iliac blade, similar to that of chameleons would have allowed the legs to be angled ventrally for climbing. It also appears there is ontogenetic variation in the dentition, with juveniles having conical teeth with expanded roots and acute apex, and adults having tubular teeth with a more regular diameter between the root and the apex. The specimens also provided evidence of tooth replacement for the first time, and suggest it would slow with age.

 

With a specimen of that importance and quality, seven diagnostic characters have been used to erect the new species: (1) paired robust premaxillae with a dorsal boss, wide lateral lingual buttress, and elongate vertical suprapalatal pits; (2) posteriorly bifurcate parietals bounding cranial fenestrations anteriorly and medially; (3) triangular frontal with long broad-based internasal process, frontal anteroposterior length equal to maximum anteroposterior length of parietal, prefrontal facets extending posterior to mid-length of frontal, weakly developed mid-ventral crest, and ventrolateral crests that meet in ventral midline; (4) medium-length parietal postorbital processes sculptured in their proximal half; (5) separate prefrontal and lacrimal bones; (6) nasal excluded from narial margin; (7) trifurcate unpaired vomer; dentition showing size heterodonty anteriorly, resulting in sinuous occlusal surface; and (8) small body size.

However, instead of helping to resolve the phylogeny of albanerpetontid, Yaksha only brought more problematic. Indeed, phylogenetic analyses placed the new species as sister taxon of the clade comprised of the Japanese (and much older) Shirerpeton and the clade of Albanerpeton nexuosum and derived Cenozoic Albanerpeton. The main problematic of this configuration is that both Yaksha and Shirerpeton are nested within the genus Albanerpeton as currently defined, which is not allowed in systematics (one genus must only be comprised of species belonging to the same genus). However, these two genera are the only formally named representatives of Albanerpetontidae in Asia, and their diagnostic features distinguish them clearly from other Albanerpeton species. Therefore, this new species support the idea that the genus Albanerpeton require a revision and a subdivision, especially considering its temporal range over 100 Ma, and the authors support the option on restricting Albanerpeton only to the most derived species occurring in the Cenozoic.

Figure 3: Geographical distribution of the type specimens (or the main record in the case of the two forms not formally referred to a specific albanerpetontid) and a proposed dichotomous phylogeny. The red dots correspond to Albanerpeton sensu lato and the green dots to Albanerpeton sensu stricto (from Daza et al., 2020).

Last but not least, the new specimens bring more frustration when the authors try to implement it in different matrices to test the origin of the modern amphibians. Indeed, there is no strict consensus on how lissamphibian would have risen from more ancient groups (and from which group), and this question remains a highly debated topic in paleontology. Albanerpetontids, as considered closely related to lissamphibians, have been seen as a solution, but because of their fragmentary and scarce fossil record, they appear to be more source of the problem. Indeed, their relationship with other lissamphibian appears to be as variable as there are possibilities: as caudate or stem-caudate; as stem-batrachians; as the sister group of Gymnophionomorpha; or as stem-lissamphibians!

And Yaksha did not fall short on its notoriety although it helped to enhance the existing data and character coding. Four matrices were used, and they all produce different results: (1) as sister taxon to Batrachia (frogs and salamanders) within lepospondyls; (2) nested within Lissamphibia, as sister taxon of Eocaecilia (a fossil Gymnophionomorpha) and Caudata, Salentia being sister taxon of the whole clade; (3) as sister taxon of the most inclusive clade comprised of a more traditional topology, with Batrachia and Gymnophiona, and two fossil salamander taxa as stem-Lissamphibia; (4) nested in a clade comprising derived lepospondyls and lissamphibians.

Figure 4: A, Phylogenetic relationships of albanerpetontids with geographical distribution plotted against time; and B to E, Alternative positions recovered for Albanerpetontidae in relation to lissamphibians using different data matrices (modified from Daza et al., 2020).

 

Nevertheless, if phylogenetic analyses were not conclusive, this new species yield enough elements to help paleontologists to understand better the biology of this enigmatic group. As seen before, the entoglossal process of Yaksha has been found embedded in soft tissues, which have been described as remnants of the tongue pad. This peculiar characteristic is now known in chameleons, where hyoid element is attached to the base of the tongue, surrounded by collagenous sheaths and a circular accelerator muscle; and in plethodontid salamanders, in which as the tongue extends, the entire hyoid apparatus is folded into a bundle of cartilaginous rods that is projected out of the mouth again by circular protractor muscles. If the presence of the entoglossal process is first reported with Yaksha, it has been previously interpreted as a cultriform process of the parasphenoid in Celtedens megacephalus.

This new interpretation would suggest that albanerpetontids had a ballistic feeding strategy analogous to the one observed in chameleons or plethodontid salamanders. It would explain the complex and characteristic neck and jaw joints, as the curved ungual, the articulation of the hips, and the position of the orbit. Therefore, long-time thought as salamander-like amphibians, albanerpetontids would look like closer to small lizards living and waiting on trees and using their tongue to capture small invertebrates.

It is still unsure how albanerpetontid would have developed this strategy. Indeed, plethodontid salamanders are lungless, but use the hyoid apparatus for buccal pumping. Free of constrains from breathing, they develop their specialized tongue feeding strategy. However, albanerpetontids are known to be covered by scales, which would seem contradictory with a cutaneous respiration, although caecilians revealed some extent of such exchange. Maybe this constraint would explain the miniature size of albanerpetontids.

 

 

This new discovery enlightens the mysteries surrounding this enigmatic group of amphibians, but also proves more research needs to be done. Hopefully, more well-preserved specimens will be found soon!

 

More details on the original article:

Daza, J. D., E. L. Stanley, A. Bolet, A. M. Bauer, J. S. Arias, A. Čerňanský, J. J. Bevitt, P. Wagner, and S. E. Evans. 2020. Enigmatic amphibians in mid-Cretaceous amber were chameleon-like ballistic feeders. Science 370:687–691.

 

segunda-feira, janeiro 04, 2021

Jurassic West, 2nd Edition

 

The Morrison Formation represents one of the best-known Late Jurassic ecosystem around the world, ranging from the states of Colorado to Montana, including Wyoming and Utah. Its exploration began in the late 1800s and lead to the discovery of many famous fossil dinosaur taxa such as Allosaurus, Stegosaurus and Brachiosaurus. Many of the species discovered in this famous Formation are strictly related to the species found in the Late Jurassic of Portugal.

Recently, the second edition of the book Jurassic West by Dr. John Foster came out. Jurassic West is the most complete, up-to-date compendium on Morrison Formation and Jurassic faunas in general available today, and it is based on research made by Portuguese researchers on Late Jurassic of Portugal.

Here I leave the image of the cover page of the book which is easy to find online:


Cover page of the second edition of Jurassic West

sexta-feira, janeiro 01, 2021

Os lemingues fósseis que (não) existiram em Portugal

Esta é a bizarra história da descrição de lemingues fósseis em Portugal... que afinal não eram.

 Gerald Edwin Hamilton Barrett-Hamilton (n. 1871, m. 17 Janeiro 1914) foi um notável historiador natural britânico / irlandês, co-autor com de A History of British Mammals, que permaneceu "o mais completo, preciso e científico publicação "sobre mamíferos britânicos até os anos 1950. A sua participação na paleontologia portuguesa é acidental e acidentada. O alemão Hans Friedrich Gadow (1855-1928) forneceu-lhe restos de um lemingue mumificado de uma gruta entre a Atouguia das Cabras e a Ota, "Dr. H. Gadow gave an account of the caves which he had explored in the summer of 1886. They were situated in the province of Estremadura, in the low sierra between the villages of Athouguia and Otta, the nearest town being Santarem. The geological formation was hard white-blue limestone of the Rhaetic System. The cases lay only two or three hundred feet above the sea-level, and the particular one which yielded the bones was choked near the entrance the loose dry dust. About a foot below the surface of the dust was found an unpolished flint arrow-head. The cave was absolutely dry, and its horizontal bottom, extending for about 60 feet into the mountain, was covered with about two or three feet of the dust, which contained bows of small Ruminants and of Bear, besides those of the Lemmings. The Lemming-bones were found at the far end of the cave, almost on the top of the dust (Barrett-Hamilton, Proceedings of the Zoological Society of London, 1896, p.306). Nehring (p.293) escreve ainda “These objects were found by Dr. H. Gadow in 1886 at the back of a perfectly dry cave at Athouguia, not far from Santarem. The celebrated explorer wrote to me under the date of the 21st of February, 1899, as follows :--" The cave in question is situated on very hard Jurassic limestone, about 50 to 100 feet above the bottom of a valley watercourse, which is dry, except in winter and in the rainy season : it runs horizontally into the mountain.”


Ossos de lemingue alegadamente de Portugal


Lemingue

Barrett-Hamilton leu na Zoological Society of London (1896 Proceedings' of the Zoological Society of London 304-306) sobre estudou os lemmings mumificados recolhidos por H. Gadow. A espécie foi mais tarde baptizada pelo paleontólogo alemão Alfred Nehring  (1845-1904) como nova variedade Myodes lemmus crassidens.

  O naturalista irlandês Barrett-Hamilton (1871–1914)

Paleontólogo alemão Alfred Nehring  (1845-1904)


Contudo a ocorrência de lemming mumificados em Portugal seria altamente improvável, tanto do ponto de vista zoológico como invulgar no tipo de conservação de espécimes na região. Os lemmings não chegaram tão a sul e em Portugal continental não existem casos de vertebrados mumificados em grutas.


As dúvidas não se fazem chegar pela escrita de Édouard Harlé (1909: p.85; 1919: pp.52 e 81) que afirma que “a determinação não pode deixar dúvidas mas é bem diferente com a proveniência”. Hinton (1926, p. 201) também tece séria dúvidas da proveniência deste material como sendo de Portugal e sugere que tenha havido uma mistura de espécimes feita por Gadow.  One of the collectors of the Geological Survey of Portugal, Ramao de Souza, was sent to Athouguia with instructions to search the caves thoroughly for Lemming remains. No trace of a Lemming was found, and Harlé concludes that the " mummies " described by Barrett-Hamilton certainly did not come from Portugal. (Harlé, Bull. Soc. geol. France, 1909, p. 85, and Commun.  Comm. Serv. Geol. Portugal, 8, 1910-11, pp. 52, 81.)]


Em resumo, Barrett-Hamilton descreve a ocorrência de lemingue mumificado a partir de espécimes que Gadow forneceu e pensava serem de Portugal. Gadow recolheu restos fósseis possivelmente perto de Atouguia das Cabras mas deve ter trocado as amostras. Continua a não existir nenhum registro de lemingues em Portugal.



Cette image sous son passe-partout était dans un cadre de format 19x26cm. le lot de cadres était conservé dans la salle de préhistoire.inscription au dos du cadre : "Edouard HARLE 1850-1922

Paleontólogo Francês Edouard Harlé (1850-1922).

terça-feira, outubro 27, 2020

Livro “A Ascensão e Queda dos Dinossauros” (Lançamento online a 29 Out.)

O livro “A Ascensão e Queda dos Dinossauros” é lançado na sua versão portuguesa no dia 29 de Outubro de 2020,  num lançamento online com o autor Steve Brusatte e o paleontólogo Octávio Mateus, que escreveu o prefácio. Será transmitido em directo pelas 21:00 no Facebook da Contraponto Editores e do Museu da Lourinhã.



A Ascensão e Queda dos Dinossauros” de Steve Brusatte pela Editora Contraponto é a tradução do livro “The Rise and Fall of Dinosaurs”, que percorre de forma informativa, séria e rigorosa, um dos temas científico mais fascinantes, a paleontologia dos dinossauros. O genial estilo de escrita combina a história da ciência e ciência com histórias numa fluidez que nos prende como se um romance ou de uma história de aventuras se tratasse.  Esclarecedor e encantador, este livro é, portanto, acessível àqueles com algum conhecimento de paleobiologia de dinossauros, bem como àqueles que abordam o assunto pela primeira vez. Num estilo de autobiografia científica e com divulgação de ciência, quem mantém o rigor e exigência numa combinação ideal de lazer e conhecimento.

Um dos capítulo é dedicado às descobertas do anfíbio Metoposaurus algarvensis em Portugal pelos paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã.




“A Ascensão e Queda dos Dinossauros” de Steve Brusatte

Prefácio de Octávio Mateus

ISBN: 9789896662226

Edição/reimpressão: 10-2020

Editor: Contraponto Editores

Dimensões: 149 x 234 x 26 mm; Encadernação: Capa mole; Páginas: 400

19.90€

https://www.contrapontoeditores.pt/produtos/ficha/a-ascensao-e-queda-dos-dinossauros/23009706

quinta-feira, setembro 24, 2020

Preparação de fósseis: equipamentos e consumíveis

A preparação laboratorial de fósseis usa uma imensidão de equipamentos e consumíveis mas dois são incontornáveis: 

  1. Resina acrílica consolidante. O nome comercial é Paraloid B-72 e pode ser adquirido aqui: http://www.restaurarconservar.com/epages/298256.sf/en_GB/?ViewObjectPath=%2FShops%2F298256%2FProducts%2F%22Paraloid%20B-72%22
  2. Micromartelo pneumático (airscribe). O mais eficiente é fornecido pela empresa alemã HW.
    1. http://www.hw10.de/alle_werkzeuge/hw60/hw60_01.html
    2. http://www.hw10.de/alle_werkzeuge/hw25/hw25_01.html



terça-feira, setembro 22, 2020

Os ovos dos últimos dinossauros de Europa

Uma equipa internacional de paleontólogos portugueses e espanhóis escavou perto dos Pirineus espanhóis uma jazida com 68 milhões de anos que preserva uma grande área de nidificação de dinossauros .


Até agora, os paleontólogos identificaram mais de vinte ovos à superfície mas indica que pode ser mais de uma centena. Os ovos, esféricos e com cerca de 20 centímetros de diâmetro, apresentam um excepcional estado de conservação, e estão agrupados, sugerindo a existência de vários ninhos. Uma análise preliminar indica que eles pertencem aos dinossauros saurópodes titanossauros, herbívoros quadrúpedes com caudas e pescoços longos, que podem chegar a 30 metros de comprimento.


O local foi localizado no início do ano por José Manuel Gasca, paleontólogo espanhol e adepto de corrida todo o terreno  (trail running), durante uma sessão de treino. O Doutor Gasca colabora habitualmente com a equipa da Universidade Nova de Lisboa, onde trabalham dois dos maiores especialistas em ovos de dinossauros da Europa, Octávio Mateus e o Miguel Moreno Azanza. Após uma primeira avaliação no final de janeiro, o sítio foi notificado à Direção-Geral do Património Cultural, que autorizou a presente ação. José Manuel Gasca e Miguel Moreno Azanza, da Universidade Nova de Lisboa e colaborador do Museu de Lourinhã, conduziram as escavações que vão decorrer nos meses de setembro e outubro. Curiosamente, o paleontólogo Moreno-Azanza que desde há 2015 está a trabalhar em Portugal, nasceu apenas 20 quilómetros desta nova jazida. Ele declarou que "depois de viajar o mundo inteiro estudando ovos de dinossauros em cinco continentes, descobri que um dos depósitos mais importantes era nas montanhas, onde brinquei com meus dinossauros de plástico quando criança".


Octávio Mateus, líder da equipa de investigação de vertebrados da Universidade Nova de Lisboa, e pesquisador de ovos de dinossauro há mais de trinta anos, insistiu na importância da descoberta, que comparou com os mundialmente famosos ovos de dinossauro de Portugal, bem mais antigos, com mais do dobro da idade. Como curiosidade passou mais tempo entre a postura dos ovos de Portugal e de Espanha, do que dos ovos espanhóis até hoje. Mateus recalcou que os novos ovos ajudaram a completar os estudos sobre a reprodução dos dinossauros que decorre na Universidade Nova de Lisboa, já que em Portugal, apesar de se conhecerem muitos tipos de ovos, nunca  nunca foram descobertos ovos de titanossauros, o que vem a preencher um vazio  do conhecimento. 


A escavação está a ser efetuada por uma equipa composta por investigadores da Universidade Nova de Lisboa e do Museu de Lourinhã, Portugal, e do Grupo Aragosaurus da Universidade de Saragoça. Está enquadrado no contexto de um projeto de investigação sobre a reprodução de dinossauros financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal, dirigido por Miguel Moreno Azanza e Octávio Mateus.









Lope Ezquerro e Eduardo Puértolas, da FCT-NOVA trabalham na extração de um dos ninhos.


Um ovo de dinossauro na rocha.


Ester Diaz e Raquel Moyá, da Universidade de Saragoça


Um dos primeiros ovos de titanossauro coletados na jazida.

Miguel Moreno Azanza e José Manuel Gasca, diretores da escavação, a estudar um dos ovos de dinossauro.


.

segunda-feira, setembro 14, 2020

Jurássico do Cabo Carvoeiro, visto de Barco

 Partilhamos aqui algumas fotografias do Jurássico inferior e médio do Cabo Carvoeiro, Peniche, visto de barco, numa viagem organizada pela Associação Arméria. Fotos por Octávio Mateus.


Estratótipo da Ponta do Trovão, Peniche
Estratótipo do Toarciano (andar do Jurássico Inferior) na Ponta do Trovão, Peniche, visto a partir do mar.

Nau dos Corvos


Gruta da Furninha.





Farol do Cabo Carvoeiro (Peniche) parcialmente escondido pelo leixão Nau dos Corvos, com rochas do Jurássico Inferior, visto a partir do mar 


sexta-feira, setembro 04, 2020

Dinossauros do Oeste

Começa amanhã o XL CAP – Curso de Atualização de Professores em Geociências “Por Terras do Jurássico” com um dos dois dias de Webinars (5 e 12 de setembro de 2020).

Estes Webinars, que decorrerão através da plataforma Zoom, constituem Ações de Formação de Curta Duração para pessoal docente.

Destinatários: Docentes dos grupos de recrutamento: 100 (Educação Pré-escolar), 110 (1º Ciclo do Ensino Básico), 230 (Matemática e Ciências da Natureza), 420 (Geografia) e 520 (Biologia e Geologia); Profissionais de Geologia; Outros grupos profissionais; Estudantes; Geoturistas.

Webinar “Por terras do Jurássico I – A Geodiversidade do Aspiring Geoparque Oeste”

Programa (através de Zoom) do dia 5 de Setembro (sábado), disponível aqui, https://xlcap.wordpress.com/webinars, inclui:

09:00 – 09:15 – Sessão de Abertura
09:15 – 09:30 – Apresentação do Curso
09.30 – 10:00 – Apresentação do Geoparque
10.15 – 10:45 – A Geologia da Região Oeste | J. C. Kullberg, FCT-UNL
10:45 – 11:15 – Dinossauros do Oeste | Octávio Mateus, FCT-UNL & ML
11:45 – 12:15 – Jurássico inferior de Peniche – GSSP | Luís Vitor Duarte, UC
12:15 – 12:45 – Paisagens do Oeste | Nuno Pimentel, FCUL
13:00 – Agradecimentos e Fim da Sessão

Iremos abordar as espécies de dinossauros no território do aspirante Geoparque Oeste 

  1. Trimucrodon cuneatus 
  1. Miragaia longicollum 
  1. Eousdryosaurus nanohallucis 
  1. Draconyx loureiroi 
  1. Torvosaurus gurneyi 
  1. Allosaurus europaeus 
  1. Lusovenator santosi 
  1. Lourinhanosaurus antunesi 
  1. Zby atlanticus 
  1. Dinheirosaurus lourinhanensis 
  1. Lusotitan atalaiensis 
  1. Oceanotitan dantasi 




Descritas com holótipo no território

Sem holótipo do território: Phyllodon henkeli, Abelisauridae, Ceratosaurus, ?Dacentrurus armatus, + icnoespécies, + 150 de aves.

Todos os holótipos, excepto T. gurneyi, são provenientes do município da Lourinhã


segunda-feira, agosto 24, 2020

Ankylosauria - Breve história e Classificação dos "Lagartos Fundidos"

Retomamos a temática dos anquilossauros, desta vez abordando a sistemática e uma breve história deste grupo de dinossauros couraçados, introduzido de passagem no post anterior sobre este tema.

Etimologicamente, Ankylosauria deriva do grego antigo “ankúlos”, fusão, aludindo à ossificação extensa e fusão óssea, nomeadamente ao nível do crânio ou da ponta da cauda nalguns taxa, que caracteriza estes dinossauros, e “sauros”, lagarto. Esta característica única e distintiva foi reconhecida formalmente no início do século XX, em 1908, por Barnum Brown, paleóntologo norte-americano ao serviço do American Museum of Natural History (AMNH), em Nova Iorque, ao descrever o Ankylosaurus, agrupando e nomeando a família Ankylosauridae, que Brown considera como um subgrupo dentro dos Stegosauria, que inclui dinossauros como o Stegosaurus ou o português Miragaia longicollum. Apenas em 1923 (Osborn, 1923) é utilizado pela primeira vez o nome Ankylosauria, para o grupo que inclui todos os dinossauros couraçados mais próximos de Ankylosaurus do que Stegosaurus. Ankylosauria e Stegosauria tornam-se assim duas linhagens próximas (em termos evolutivos também designados como grupos irmãos), mas independentes (Fig. 1).


Figura 1: Árvore filogenética dos Thyreophora mostrando as relações evolutivas entre os seus membros, nomeadamente Ankylosauria e Stegosauria. Pereda-Superbiola et al., 2015.


Fósseis de anquilossauros eram já conhecidos antes de Brown e, nalguns casos, revestem-se de importância histórica. O século XIX marca o início da Paleontologia moderna, desde logo com a criação do termo dinossauro por Richard Owen em 1842. Um dos três dinossauros utilizados por Owen para criar os Dinosauria foi um anquilossauro, o Hylaeosaurus armatus Mantell 1833 (Fig. 2), do Cretácico Inferior de Inglaterra. Na América do Norte, o primeiro fóssil de um dinossauro norte-americano formalmente descrito foram dentes de um anquilossauro (Leidy, 1856). De facto, na segunda metade do século XIX são inúmeros os registos de anquilossauros. Alguns exemplos são o Polacanthus foxii (Owen 1865), do Cretácico Inferior de Inglaterra, o Struthiosaurus austriacus Bunzel 1871, do Cretácico Superior da Áustria, o Nodosaurus textilis Marsh 1889, do Cretácico Superior dos EUA, ou mesmo o Sarcolestes leedsi Lydekker 1893, actualmente o anquilossauro mais antigo conhecido, do Jurássico Médio de Inglaterra.

A evolução e cronologia dos Ankylosauria serão abordadas num post futuro, bem como uma visão mais detalhada de alguns deste taxa.


Figura 1: Litografia de Hylaeosaurus armatus, a primeira ilustração científica de um anquilossauro. Mantell, 1833.


A classificação actualmente aceite tem a sua origem durante este período de grande desenvolvimento científico. Othniel Marsh, um dos protagonistas da célebre Guerra dos Ossos que gerou uma onda de novos dinossauros nos fins do séc. XIX, como o Allosaurus, Triceratops, Stegosaurus ou o Diplodocus entre muitos outros, foi o primeiro a tentar estabelecer uma hierarquização para os anquilossauros. Em 1890, cunha o termo Nodosauridae, seguindo a sua descrição do Nodosaurus textilis. Contudo, Marsh apenas classificou como um subgrupo dentro dos Stegosauria. Desde cedo se constatou a proximidade entre anquilossauros e estegossauros, ambos partilhando o desenvolvimento de placas ósseas ao longo do corpo. Isto levou a que, em 1915, Franz Nopcsa, aristocrata húngaro de origem romena e um dos mais prolíficos e importantes paleontólogos do século XX, proponha o nome Thyreophora, ou “portadores de escudo”, para agrupar ambos os grupos de dinossauros (Fig. 1). Só em 1998, contudo, o grupo é definido formalmente como o clado que inclui todos os dinossauros mais próximos de Ankylosaurus, Stegosaurus, do que de Triceratops (Sereno, 1998).

Como já referido anteriormente, em 1923 surge pela primeira vez o nome Ankylosauria, da autoria do norte-americano Henry Fairfield Osborn, embora o primeiro diagnóstico anatómico publicado e proposta de separação entre anquilossauros e estegossauros como grupos distintos surja pela mão de Alfred Sherwood Romer (1927), um dos mais influentes paleontólogos do séc. XX. Depois de um período de alguma estagnação em meados do século passado, seriam precisos 50 anos, e quase 90 desde Marsh, com o extenso trabalho desenvolvido por Walter Coombs (1978), para que se estabelecesse de forma consensual e aprofundada a classificação do grupo, com Nodosauridae e Ankylosauridae como grupos irmãos de anquilossauros e sucessivos ramos (Fig. 1). 20 anos volvidos sobre os trabalhos de Coombs, Paul Sereno (1998) define formalmente Nodosauridae como todos os anquilossauros mais próximos de Panoplosaurus do que de Ankylosaurus, e de forma semelhante, Ankylosauridae como todos os anquilossauros mais próximos de Ankylosaurus do que de Panoplosaurus. Esta classificação, corroborada com observação de espécimes entretanto descobertos e com o advento de métodos filogenéticos, fundamenta-se em diferenças anatómicas observáveis nos diversos fósseis existentes, por exemplo ao nível do crânio (Vickaryous et al., 2004; Arbour & Currie, 2016). Entre outras os anquilossaurídeos exibem uma ornamentação craniana mais rugosa do que os nodossaurídeos, enquanto a margem posterior do crânio relativamente à distância entre as órbitas é mais estreita em nodossaurídeos do que em anquilossaurídeos (Fig. 3). A característica mais conhecida dos anquilossauros, a maça na ponta da cauda, é exclusiva a alguns membros mais derivados dos Ankylosauridae, como o Ankylosaurus.


Figura 3: Crânios de anquilossauros representativos dos dois grupos principais de anquilossauros. Esquerda, Panoplosaurus mirus, um nodossaurídeo, em vista dorsal (topo) e ventral (fundo); direita topo, Saichania chulsanensis, em vista dorsal; direita fundo, Ankylosaurus magniventris, em vista ventral. Escala: 10 cm. Adaptado de Vickaryous et al., 2004.



Estes subgrupos ramificam-se por sua vez em ramos sucessivamente mais derivados. Os Ankylosauridae subdividem-se ainda, de forma geral e na sua maioria, em Ankylosaurinae (todos os anquilossaurídeos mais próximos de Ankylosaurus do que Shamosaurus) e Shamosaurinae (todos os anquilossaurídeos mais próximos de Shamosaurus do que Ankylosaurus) (Arbour & Currie, 2016). Os Nodosauridae subdividem-se por sua vez em Nodosaurinae (todos os nodosaurídeos mais próximos de Panoplosaurus do que Struthiosaurus) e Struthiosaurinae (todos os nodosaurídeos mais próximos de Struthiosaurus do que Panoplosaurus. Várias das ramificações internas a estes continuam por nomear requerendo ainda mais resolução nas análises para se identificarem clados sucessivamente mais derivados. Abaixo apresenta-se a sistemática mais aceite para Ankylosauria.

THYREOPHORA Nopcsa 1915

                        ANKYLOSAURIA Osborn 1923

                                    ANKYLOSAURIDAE Brown 1908

                                               ANKYLOSAURINAE Brown 1908

ANKYLOSAURINI Arbour & Currie 2016

                                               SHAMOSAURINAE Tumanova 1983

                                    NODOSAURIDAE Marsh 1890

                                               NODOSAURINAE Abel 1919

                                               STRUTHIOSAURINAE Kirkland et al. 2013

Muitas questões permaneceram (e permanecem ainda) por responder. Uma das mais prementes prende-se com taxa, alguns deles ainda pouco estudados, na base da separação entre Ankylosauridae e Nodosauridae, e a sua relação evolutiva com ambos os ramos (ver post sobre o Dracopelta zbyszewskii, um anquilossauro do Jurássico Superior português). Alguns destes anquilossauros apresentam características presentes quer em anquilossaurídeos quer em nodossaurídeos, muitas vezes dificultando e ofuscando as definições dos próprios grupos. Esta questão foi reconhecida logo nos inícios do século XX, quando Wieland (1911) salientou a presença de caracteres intermédios em alguns anquilossauros mais derivados, isto é, anquilossaurídeos e nodossaurídeos, e propôs um grupo adicional, os Polacanthidae, assim nomeado devido ao Polacanthus. Este anquilossauro e outros possuíam características que dificultavam a sua definição como membro de um dos dois grandes ramos de anquilossauros, como por exemplo a presença de um escudo sobre a zona pélvica. Em anos posteriores, mais descobertas e estudos mais aprofundados conseguiram resolver questões associadas a alguns espécimes mais incompletos, deixando cair no esquecimento a proposta de Wieland, por outro lado, mais fósseis e a utilização de métodos filogenéticos complementares expuseram uma crescente diversidade de anquilossauros que relançaram a discussão sobre as relações evolutivas de determinados taxa. De tal forma que, em 1998, Kirkland ressuscita a noção de um subgrupo adicional de anquilossauros, mas desta vez como um subgrupo de anquilossaurídeos basais, os Polacanthinae. Este nome tinha sido utilizado por Lapparent e Lavocat (1955), mas para uma subfamília de nodossaurídeos. Carpenter (2001) reconhece também a existência de um grupo de anquilossauros para além dos dois grupos aceites, mas propõe um nível taxonómico equivalente àqueles em vez de subordinado a um deles, recuperando Polacanthidae. A inconstância na classificação destes taxa continua até aos dias de hoje, com trabalhos recentes a resolverem, mas com grande incerteza, a posição de muitos destes anquilossauros basais (Thompson et al., 2012; Arbour & Currie, 2016).

Novos e mais completos espécimes e uma reformulação detalhada das definições anatómicas de cada grupo são fundamentais para que os Ankylosauria estejam mais bem resolvidos, em particular na base do grupo, e para que compreendamos mais sobre a sua evolução como ramo da vida ao longo de mais de 100 milhões de anos.


References:

Abel, O. 1919. Die Stämme der Wirbeltiere. Berlin und Leipzig: Walter de Gruyter. https://doi.org/10.5962/bhl.title.2114

Arbour, V. M., Currie, P. J. 2016. Systematics, phylogeny and palaeobiogeography of the ankylosaurid dinosaurs. Journal of Systematic Palaeontology. 14(5): 385–444.

Brown, B. 1908. The Ankylosauridae, a new family of armored dinosaurs from the Upper Cretaceous. Bulletin of the American Museum of Natural History, 24(12): 187-202. http://digitallibrary.amnh.org/handle/2246/1435

Bunzel, E. 1871. "Die Reptilfauna der Gosaformation in der Neuen Welt bei Wiener-Neustadt"Abhandlungen der Kaiserlich-Königlichen Geologischen Reichsanstalt, 5: 1–18. https://www.zobodat.at/stable/pdf/AbhGeolBA_5_0001-0018.pdf

Carpenter, K. 2001. Phylogenetic analysis of the Ankylosauria. In: K. Carpenter (Ed.), The Armored Dinosaurs. Indiana University Press. pp. 455–484.

Coombs, W. P. 1978. The families of the ornithischian dinosaur order Ankylosauria. Palaeontology, 21(1): 143-170. https://www.palass.org/sites/default/files/media/publications/palaeontology/volume_21/vol21_part1_pp143-170.pdf

Kirkland, J. I. 1998. A polacanthine ankylosaur (Ornithischia: Dinosauria) from the Early Cretaceous (Barremian) of eastern Utah. In: S.G. Lucas, J.I. Kirkland, & J.W. Estep, (Eds), Lower and Middle Cretaceous Terrestrial Ecosystems, New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 14: 271-281.

Kirkland, J. I., Alcalá, L., Loewen, M. A., Espílez, E., Mampel, L., & Wiersma, J. P. 2013. The Basal Nodosaurid Ankylosaur Europelta carbonensis n. gen., n. sp. from the Lower Cretaceous (Lower Albian) Escucha Formation of Northeastern Spain. PLOS ONE, 8(12): e80405. 10.1371/journal.pone.0080405

Lapparent, A. F., & Lavocat, R. 1955. Dinosauriens. In: J. Piveteau (Ed.), Traité de Paléontologie, 5. Masson & Cie, Paris. Pp. 785-962.

Leidy, J. 1856. Notice of remains of extinct reptiles and fishes, discovered by Dr. F. V. Hayden in the Bad Lands of the Judith River, Nebraska Territories. Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia, 8: 72–73.

Lydekker, R. 1893. On the Jaw of a New Carnivorous dinosaur from the Oxford Clay of Peterborough. Quarterly Journal of the Geological Society, 49(1–4): 284–287. 10.1144/gsl.jgs.1893.049.01-04.46

Mantell, G. A. 1833. Observations on the remains of the Iguanodon, and other fossil reptiles, of the strata of Tilgate Forest in Sussex. Proceedings of the Geological Society of London, 1: 410–411.

Marsh, O. C 1889. Notice of gigantic horned Dinosauria from the Cretaceous. American Journal of Science, 38: 173-175.

Marsh, O. C. 1890. Additional characters of the Ceratopsidae with notice of new Cretaceous dinosaurs. American Journal of Science, Third Series, 39: 418–426.

Nopcsa, F. 1915. Die dinosaurier der Siebenbürgischen landesteile UngarnsMitteilungen aus dem Jahrbuche der Kgl. 23: 1–24. https://dinodata.de/dinothek/pdf_d/1915/001_Nopsca_Jahrb_1915_dd.pdf

Osborn, H. F. 1923. Two Lower Cretaceous dinosaurs of Mongolia. American Museum Novitates, 95: 1–10. (1). http://digitallibrary.amnh.org/handle/2246/3267 

Pereda-Suberbiola, X., Díaz-Martínez, I., Salgado, L., & De Valais, S. 2015. Síntesis del registro fósil de dinosaurios tireóforos en Gondwana. In: M. Fernández & Y. Herrera (Eds.) Reptiles Extintos - Volumen en Homenaje a Zulma Gasparini. Publicación Electrónica de la Asociación Paleontológica Argentina, 15(1): 90–107. http://dx.doi.org/10.5710/PEAPA.21.07.2015.101

Romer, A. S. 1927. The pelvic musculature of ornithischian dinosaurs. Acta Zoologica, 8(2-3): 225-275. https://doi.org/10.1111/j.1463-6395.1927.tb00653.x

Sereno, P. 1998. A rationale for phylogenetic definitions, with application to the higher-level taxonomy of Dinosauria. Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie, Abhandlungen, 210 (1): 41–83. 

Thompson, R. S., Parish, J. C., Maidment, S. C. R. & Barrett, P. M. 2012. Phylogeny of the ankylosaurian dinosaurs (Ornithischia: Thyreophora). Journal of Systematic Palaeontology, 10(2): 301-312.

Tumanova, T. A. 1983. The first ankylosaur from the Lower Cretaceous of Mongolia. Trudy Sovmestnoi Sovestsko-Mongol’skoi Paleontologicheskoi Expeditsii, 24: 110-120.

Vickaryous, M. K., Maryańska, T., & Weishampel, D. B. 2004. Ankylosauria. University of California Press. Pp. 363–392. 

Wieland, G. R. 1911. Notes on the armored Dinosauria. The American Journal of Science, Series 4, 31: 112-124.