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sexta-feira, agosto 08, 2025

Dirossauro (Crocodilomorfo) com 66 Ma descoberto no Namibe, Angola

Dirossauro (Crocodilomorfo) com 66 Ma descoberto no Namibe, Angola

Uma equipa internacional de paleontólogos, e com participação de investigadores da GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra-  FCT  Universidade Nova de Lisboa, Museu da Lourinhã, Università di Pisa, Universidad de Zaragoza, Universidad Complutense de Madrid, Universidade Agostinho Neto (Angola) acaba de descrever um novo fóssil de crocodilomorfo marinho com cerca de 66 Milhões de anos. O artigo faz parte da tese de doutoramento por Arthur Maréchal e com base num fóssil descoberto por Octávio Mateus em junho de 2017 em Bentiaba, província do Namibe, Angola.

O espécime, teria cerca de 5 metros de comprimento, pertence à família Dyrosauridae, um grupo de répteis marinhos de focinho comprido que sobreviveu à extinção em massa que acabou com os dinossauros há 66 milhões de anos. Apesar de viverem sobretudo em águas costeiras, estes predadores eram excelentes nadadores, caçando peixes e outros animais marinhos.

O fóssil — parte posterior do crânio e um dente — foi encontrado numa região já era conhecida pela abundância de fósseis de mosassauros, tartarugas e plesiossauros, mas o registo de crocodilomorfos marinhos em Angola era muito mais escasso.






As análises morfológicas e filogenéticas mostram que o exemplar pertence à subfamília Hyposaurinae, mas não a uma espécie previamente conhecida, apresentando uma combinação única de características. 

Os dirossaurídeos formam um clado extinto de neossuquianos com ampla distribuição temporal e excelente sucesso evolutivo. Estes crocodiliformes longirostrinos são conhecidos desde o Cenomaniano até ao Eocénico e alguns taxónes sobreviveram à crise que ocorreu durante a transição do Cretácico para o Paleogénico. Provavelmente, os dirossaurídeos desenvolveram hábitos de locomoção e alimentação que os favoreceram em relação aos répteis marinhos e de água doce para sobreviver a um dos cinco eventos de extinção em massa do passado geológico.

A ocorrência de restos de dirossaurídeos sugere uma ampla distribuição geográfica, incluindo o Norte de África, América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa. 

Os estudos filogenéticos realizados nas últimas décadas são úteis para compreender melhor a evolução deste clado e o seu padrão de distribuição revelou uma origem no Norte de África e vários padrões de propagação que seguiram.

Muitos vestígios são provenientes da África, em particular de Marrocos, Mali, Tunísia, Sudão, Níger e Angola. Neste artigo, relatamos a ocorrência de um novo vestígio de dirossaurídeo recentemente encontrado no sítio de Bentiaba (Angola), o que aumenta o número de espécimes africanos. 

Além de revelar mais sobre a biodiversidade marinha pré-extinção, este achado coloca Angola no mapa das investigações sobre a evolução e dispersão dos predadores marinhos do Cretácico. O fóssil, identificado como MGUAN-PA548, será integrado nas coleções do Museu de Geologia da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.


Número de géneros de crocodilomorfos e de dirossaurídeos aos longo do tempo gelógico. Note-se que os dirossauros praticamente não foram afetados pela crise que extinguiu os dinossauros não avianos.



Maréchal, A., Rotatori, F.M., Merella, M., Puértolas-Pascual, E., Sequero, C., Pereira, R., Nsungani, P., Mateus, O. (2025). A new Maastrichtian hyposaurine dyrosaurid (Crocodylomorpha) from Namibe province, Angola. Zoological Journal of the Linnean Society, 204(4), zlaf092. https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlaf092



quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Pegadas de dinossauros e mamíferos em Angola


No artigo publicado na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology são apresentadas pegadas de mamíferos, de crocodilomorfos e dinossauros saurópodes do Cretácico inferior de África. As pegadas provêem da mina de diamante da Catoca, na Lunda Sul, em Angola. Os trilhos de mamíferos têm uma morfologia única, atribuída a Catocapes angolanus ichnogen. et ichnosp. Nov. As pegadas com comprimento médio de 2,7 cm e largura de 3,2 cm são as maiores de mamíferos conhecidas do Cretácico Inferior, não existindo do mesmo tamanho no registro fóssil de ossos. As pistas de crocodilomorfos são atribuídas a Angolaichnus adamanticus ichnogen. et ichnosp. nov. Uma pista de dinossauro saurópode de tamanho médio preservou impressões de pele de um animal com uma passada de 1,6 m.



Este trabalho do Projecto PaleoAngola foi assinado por Octávio Mateus, Marco Marzola, Anne S. Schulp, Louis L. Jacobs, Michael J. Polcyn, Vladimir Pervov, António Olímpio Gonçalves, e Maria Luisa Morais.

Referência completa:

Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A.S., Jacobs, L.L., Polcyn, M.J., Pervov, V., Gonçalves, A.O. and Morais, M.L., 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

sexta-feira, novembro 27, 2015

Tartarugas fósseis de Angola


O registro fóssil de tartarugas de Angola era pouco conhecido antes do trabalho de campo realizado pelo Projecto PaleoAngola, com a excepção da pleurodira Taphrosphys congolensis Dollo 1912 recolhido no Eoceno de Lândana (Cabinda).
Mais recentemente, a recolha de Angolachelys mbaxi do Turoniano de Iembe (província do Bengo), representa a primeira eucriptodira marinha de África. O holótipo é baseado em um crânio e fragmentos pós-craniano. Relatamos um novo espécime da localidade tipo com o crânio bem preservado e carapaça e membros mais completos. Os afloramentos de Bentiaba (Namibe) da Formação Mucuio (Campaniano tardio ao início do Maastrictiano) forneceram um rico conjunto de quelónios marinhos, incluindo a enorme Protostega sp. (com úmeros, costais, e plastrão; largura da carapaça estimado em cerca de 2 metros), Toxochelys sp. (periferais e costais) e Euclastes (com base no crânio, mandíbulas, membros e periferais). Os afloramentos do Oligoceno de Lândana (na província de Cabinda) forneceram recentemente um novo crânio de tartaruga criptodira quelonóide.
Reconstituição e crânio de tartaruga Euclastes do Campaniano de Angola (arte por Joana Bruno).


Este trabalho foi apresentado em congresso no SVO (Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology) em Dallas em Outubro passado.

Mateus, O., Jacobs L. L., Polcyn M. J., Myers T. S., & Schulp A. S. (2015). The fossil record of testudines from angola from the turonian to oligocene. Journal of Vertebrate Paleontology- Program and abstracts: p.177., Dallas. PDF
Poster apresentado no SVP.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 a Angola


Este ano (2 a 12 de Agosto de 2015) o Projecto PaleoAngola contou com mais uma expedição de campo. Os trabalhos de campo concentraram-se no N'Zeto (província de Zaire), Barra do Cuanza, Miradouro da Lua e Cabinda.
Todo o esforço foi concentrado em afloramentos do Oligocénico, Miocénico e Pliocénico, com recolha de fósseis de peixes e mamíferos marinhos e com a localização de novas jazidas.
Participaram Louis Jacobs (SMU), Octávio Mateus (FCT-Nova), Cirilo Cauxeiro (UAN), Ana Soraya Marques (UÉ) e Isabel Gria (FCT+UÉ). Como sempre, com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.
Fotografias da visita de campo de 2015: Cirilo Cauxeiro explicando a geologia do Miradouro da Lua (canto superior esquerdo e abaixo); Mateus, Cauxeiro e Jacobs (acima, no centro), Mateus, Soraya Marques, Isabel Gria e Louis Jacobs (canto superior direito).

O Projecto tem agora também uma página Facebook que convidamos a seguir: https://www.facebook.com/paleoangola


segunda-feira, maio 25, 2015

Projecto PaleoAngola faz 10 anos


O Projecto PaleoAngola faz 10 anos e precisamente hoje marca-se os 10 anos da descoberta do Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro de Angola, aos 25 de Maio de 2005, que coincidentemente é o dia de África.
Mosassauro Prognathodon kianda no terreno em 2005
O primeiro encontro dos membros estrangeiros do Projecto PaleoAngola tinha ocorrido antes, em Denver, Colorado, entre Louis Jacobs, Mike Polcyn, Octávio Mateus e Anne Schulp em Novembro de 2004, com a decisão de fazer uma visita preliminar a Angola no ano seguinte. Nessa visita de poucos dias, em Maio de 2005, participaram Louis Jacobs da Southern Methodist University e eu (OM) da FCT-Universidade Nova de Lisboa, com a tentativa de localizar antigas jazida e novos locais, assim como criar e nutrir as importantes parcerias institucionais, nomeadamente  com a Universidade Agostinho Neto (UAG), em Luanda. Munidos da obra de Miguel Telles Antunes (1964), com a descrição detalhada da geologia e paleontologia de vertebrados de Angola, a tarefa era desafiante pois o país tinha mudado muito em 40 anos.
Os contactos iniciais em Luanda foram feitos com Maria Luísa Morais, Professora de Geologia da UAG e partimos para o terreno assim que possível com o destino de revisitar a localidade tipo dos mosassauro Angolasaurus bocagei Antunes 1964 e Tylosaurus iembeensis (Antunes 1964), em Iembe, a norte de Luanda, Província do Bengo. O sítio exacto demorou a localizar nessa viagem de um só dia, mas uma vez feito, a abundância de vestígios de vertebrados era muito evidente. Nesse mesmo dia foi recolhido um crânio de Angolasaurus praticamente completo e muitos outros ossos mosassauros e dentes de tubarões.
Tartaruga Angolachelys mbaxi no terreno em 2005
A saída de campo seguinte já foi mais longa, para o sul do país, pois requereu um voo doméstico para o Namibe e uma longa viagem de carro até Bentiaba. Aí descobrimos de imediato uma enorme quantidade de ossos, sobretudo de mossassauro e plesiossauros.
Os dias passaram e Louis Jacobs teve de regressar aos Estados Unidos. Eu voltei a Bentiaba e foi feita a recolha do crânio de mosassauro que viria a ser o holótipo de Prognathodon kianda Schulp et al. 2008. Voltei a Luanda para voltar aos contactos e conversas institucionais, mas nessa quarta-feira era feriado, Dia de África, e as intituições estavam fechadas. De forma a optimizar o tempo, fui a Iembe de novo à procura de novas localidades. Nesse dia extraordinário foi feito o achado do primeiro dinossauro de Angola, o Angolatitan adamastor Mateus et al. 2011 e da tartaruga marinha Angolachelys mbaxi Mateus et al. 2009 além de numerosos outros ossos. 25 de Maio de 2005 foi um dia em cheio.
Ossos de dinossauro Angolatitan adamastor no
terreno em 25 de Maio de 2005
Desde então o Projecto PaleoAngola contou com muitas parcerias, descobertas e alegrias.


Principais artigo científicos:
Araújo et al. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 93-108.
Jacobs et al. (2006). The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Paleont. Soc. Korea, 22(1).
Jacobs et al (2009). Cretaceous paleogeography, paleoclimatology, and amniote biogeography of the low and mid-latitude South Atlantic Ocean. Bulletin de la Société géologique de France, 180(4), 333-341.
Mateus e al. (2009). The oldest African eucryptodiran turtle from the Cretaceous of Angola. Acta Palaeontologica Polonica, 54(4), 581-588.
Mateus et al  (2011). Angolatitan adamastor, a new sauropod dinosaur and the first record from Angola. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 83(1), 221-233.
Mateus et al. (2012). Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno.
Polcyn et al (2010). The North African Mosasaur Globidens phosphaticus from the Maastrichtian of Angola.Historical Biology, 22(1-3), 175-185.
Polcyn et al. (2014). Physical drivers of mosasaur evolution. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 400, 17-27.
Schulp et al. (2013). Two rare mosasaurs from the Maastrichtian of Angola and the Netherlands. Netherlands Journal of Geosciences, 92(01), 3-10.
Schulp et al. (2008). A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. In Proceedings of the Second Mosasaur Meeting, Fort Hays Studies Special Issue (Vol. 3, pp. 1-12).

Strganac et al. (2015). Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 137-143.



Mosassauro Angolasaurus bocagei no terreno em 2005

Octávio Mateus e Louis Jacobs (Maio de 2005)

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Os plesiossauros e o pedomorfismo



Os plesiossauros de Angola continuam a dar que falar. No estudo liderado por Ricardo Araújo, integrado no Projecto PaleoAngola, publicado no Netherlands Journal of Geosciences descrevem-se novos espécimes de plesiossauros elasmossaurídeos do Maastrictiano inferior de Angola. As análises filogenéticas colocam o táxone angolano como um elasmossaurídeo aristonectine e táxone-irmão de um plesiossauro da mesma idade da Nova Zelândia. Comparações também indicam uma estreita relação com uma forma não identificada anteriormente descrito da Patagónia. Todas estas amostras apresentam uma morfologia osteológica externa ostensivamente imatura, mas a análise histológica do material angolano sugere serem adultos com traços pedomórficos. Por extensão, a semelhança do angolano, o material da Nova Zelândia e Patagónia indica que estes espécimes representam táxones com pedomorfismo generalizado.
O pedomorfismo é um fenomeno de desenvolvimento evolutivo com a retenção de características juvenis em estado adulto.


Plesiossauros elasmossaurídeo de Angola (Araújo et al. 2015)

Ref.:
Araújo, R., Polcyn M. J., Lindgren J., Jacobs L. L., Schulp A. S., Mateus O., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–16., 2

Abstract
New elasmosaurid plesiosaur specimens are described from the Early Maastrichtian of Angola. Phylogenetic analyses reconstruct the Angolan taxon as an aristonectine elasmosaurid and the sister taxon of an unnamed form of similar age from New Zealand. Comparisons also indicate a close relationship with an unnamed form previously described from Patagonia. All of these specimens exhibit an ostensibly osteologically immature external morphology, but histological analysis of the Angolan material suggests an adult with paedomorphic traits. By extension, the similarity of the Angolan, New Zealand and Patagonian material indicates that these specimens represent a widespread paedomorphic yet unnamed taxon.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Isótopos de oxigénio e os mosassauros de Angola


Os isótopos estáveis de oxigénio são excelentes indicadores de paleotemperaturas e por isso são usados como um paleotermómetro. Num novo estudo liderado por Chris Strganac usou precisamente estes isótopos para compreender o paleoambiente em que viveram os mosassauros.

Valores de isótopos estáveis de oxigénio em conchas de bivalves marinhos inoceramídeos recuperados em Bentiaba, Angola, são utilizados como um forma de indicar para paleotemperaturas durante o desenvolvimento da margem africana do Oceano Atlântico Sul durante o Cretácico. Os valores de δ18O derivados de inoceramídeos mostram um aumento a longo prazo a partir de -3,2 ‰ no Turoniano Superior para valores entre -0,8 e -1,8 ‰ no Campaniano Superior. Assumindo um valor δ18O oceânico constante, um aumento ‰ ~ 2 pode refletir uma redução da temperatura do ambiente marinho de baixa profundidade em Bentiaba de aproximadamente 10°C. Em Bentiaba os valores são compensados por cerca de + 1 ‰ a partir de registros publicados para Inoceramus em Walvis Ridge. Esta diferença em valores de δ18O sugere uma diferença de temperatura de ~ 5 ° entre as águas costeiras e mais profundas do offshore de Angola. Temperaturas mais baixas implícitas pela curva de δ18O em Bentiaba coincidem com a distribuição estratigráfica de diversos amniotas marinhos, incluindo mosassauros.

Geologia e geoquímica (curva de isótopos de oxigénio) no Atlântico sul (Strganac et al, 2015).
Referência:
Strganac, C., Jacobs L. L., Polcyn M. J., Ferguson K. M., Mateus O., Gonçalves O. A., Morais M. - L., & da Silva Tavares T.(2015).  Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola.Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–7., 2

Abstract
Stable oxygen isotope values of inoceramid marine bivalve shells recovered from Bentiaba, Angola, are utilised as a proxy for paleotemperatures during the Late Cretaceous development of the African margin of the South Atlantic Ocean. The δ18O values derived from inoceramids show a long-term increase from –3.2‰ in the Late Turonian to values between –0.8 and –1.8‰ in the Late Campanian. Assuming a constant oceanic δ18O value, an ∼2‰ increase may reflect cooling of the shallow marine environment at Bentiaba by approximately 10°. Bentiaba values are offset by about +1‰ from published records for bathyal Inoceramus at Walvis Ridge. This offset in δ18O values suggests a temperature difference of ∼5° between coastal and deeper water offshore Angola. Cooler temperatures implied by the δ18O curve at Bentiaba coincide with the stratigraphic distribution of diverse marine amniotes, including mosasaurs, at Bentiaba.

domingo, janeiro 25, 2015

Nova espécie de plesiossauro do Cretácico de Angola

Cardiocorax mukulu é o nome da nova espécie de plesiossauro escavada pelo Projecto PaleoAngola no Namibe, no sul de Angola. O artigo que saiu agora no Netherlands Journal of Geosciences é o resultado da dissertação de Ricardo Araújo (SMU) integrado no Projecto PaleoAngola e contou ainda com a participação de Mike Polcyn, Anne Schulp, Octávio Mateus, Louis Jacobs, Olímpio Gonçalves and Maria Luísa Morais, dos Estados Unidos, Holanda, Portugal e Angola.
Os ossos coracóides desta espécie criam um espaço em forma coração, o que dá o seu nome Cardio + corax, e mukulu significa ancestral/antigo em Bantu.
À semelhança dos outros elasmossauros, o Cardiocorax seria um animal marinho de pescoço longo, piscívoro.





Resumo:
Nós relatamos aqui um novo elasmossaurídeo do Maastrictiano inferior de Bentiaba, do sul de Angola. A análise filogenética coloca o novo taxon como irmão de Styxosaurus snowii, e esse clado como irmão de um clado composto por (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). O novo táxon tem uma lâmina dorsal reduzida da escápula, uma característica única entre elasmossaurídeos, mas convergente com plesiossauros criptoclídeos, e indica um ciclo longitudinal de retração-protracção do membro, em estilo de remar, com a rotação simples na articulação glenoumeral. Análise filogenética morfométrica dos coracóide de 40 táxones de eossauropterígios sugere que houve uma ampla gama de estilos de natação dentro do clado.

Abstract: We report here a new elasmosaurid from the early Maastrichtian at Bentiaba, southern Angola. Phylogenetic analysis places the new taxon as the sister taxon to Styxosaurus snowii, and that clade as the sister of a clade composed of (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). The new taxon has a reduced dorsal blade of the scapula, a feature unique amongst elasmosaurids, but convergent with cryptoclidid plesiosaurs, and indicates a longitudinal protraction-retraction limb cycle rowing style with simple pitch rotation at the glenohumeral articulation. Morphometric phylogenetic analysis of the coracoids of 40 eosauropterygian taxa suggests that there was a broad range of swimming styles within the clade.




Araújo, R., Polcyn M. J., Schulp A. S., Mateus O., Jacobs L. L., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). A new elasmosaurid from the early Maastrichtian of Angola and the implications of girdle morphology on swimming style in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–12., 1
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sexta-feira, dezembro 26, 2014

Geologia de Bentiaba, Angola

A geologia e a riqueza faunística de Bentiaba em Angola sempre nos causou admiração. Um estudo do Projecto PaleoAngola, agora publicado, explica a geologia e paleoecologia da acumulação de ossos (bonebed) marinha do Cretácico Superior na camada 19 de Bentiaba.
O estudo fez parte da dissertação de doutoramento de Chris Strganac sendo publicado agora no Netherlands Journal of Geosciences.
Bentiaba com riqueza de achados

Resumo:
Esqueleto de Prognathodon com conteúdos estomacais.
A acumulação de ossos (bonebed) na camada 19 em Bentiaba, Angola, é uma concentração única de vertebrados marinhos preservando seis espécies de mosassauros em sedimentos correlacionadas por magneto-estratigrafia ao Chron C32n.1n entre 71,4 e 71,64 Ma. A bonebed formada numa paleolatitude perto de 24 ° S e com uma largura do Atlântico àquela latitude de 2700 km, que é cerca de metade da largura da actual. A localidade encontra-se numa plataforma continental estranhamente estreita perto das falhas transformantes que controlavam o contorno do litoral da África na formação do Oceano Atlântico Sul. Mudanças biostratigráficas através da seção de Bentiaba indicam que a acumulação ocorreu numa faixa de tempo de 240.000 de anos dentro da chron 32n.1n. A fauna ocorre numa unidade de 10 m areia na Formação Mocuio com ossos e esqueletos incompletos concentrados aos 1-2 m mais basais, mas não limitados a estes. O sedimento que cobre os fósseis é uma areia feldspática imatura demonstrado por zircões detríticos derivados das rochas graníticas. As amostras não parecem ter uma forte orientação preferencial e não é concentrada numa linha de costa. Análise de isótopos estáveis de oxigénio de conchas de bivalves associados indica uma temperatura de água de 18,5 ° C. A bonebed é claramente misturada com elementos de dinossauros e pterossauros dispersos num cortejo de fauna marinha. A associação de conteúdos estomacais e marcas de dentes de tubarão na Camada 19 indicam associação biológica devido às atividades de alimentação. A diversidade ecológica de espécies de mosassauros é mostrada pela disparidade de dente e tamanho do corpo e pela análise d13C do esmalte dos dentes, o que indica uma variedade de áreas de alimentação e nichos alimentares. A fauna da camada 19 viveu em latitudes áridas ao longo de um deserto costeiro semelhante ao da Namíbia moderna, numa plataforma continental estreita e tectonicamente controlada, em águas rasas abaixo base de ondas. A área foi usada como uma área de alimentação para diversas espécies, incluindo Globidens phosphaticus, pequenas espécies costeiras, abundante Prognathodon kianda, que alimentava de outros mosassauros na camada 19, e espécies que podem ter sido alimentadores oportunistas na área.


Geological setting and paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola

Abstract:
The Bench 19 Bonebed at Bentiaba, Angola, is a unique concentration of marine vertebrates preserving six species of mosasaurs in sediments best correlated by magnetostratigraphy to chron C32n.1n between 71.4 and 71.64 Ma. The bonebed formed at a paleolatitude near 24°S, with an Atlantic width at that latitude approximating 2700 km, roughly half that of the current width. The locality lies on an uncharacteristically narrow continental shelf near transform faults that controlled the coastal outline of Africa in the formation of the South Atlantic Ocean. Biostratigraphic change through the Bentiaba section indicates that the accumulation occurred in an ecological time dimension within the 240 ky bin delimited by chron 32n.1n. The fauna occurs in a 10 m sand unit in the Mocuio Formation with bones and partial skeletons concentrated in, but not limited to, the basal 1–2 m. The sediment entombing the fossils is an immature feldspathic sand shown by detrital zircon ages to be derived from nearby granitic shield rocks. Specimens do not appear to have a strong preferred orientation and they are not concentrated in a strand line. Stable oxygen isotope analysis of associated bivalve shells indicates a water temperature of 18.5°C. The bonebed is clearly mixed with scattered dinosaur and pterosaur elements in a marine assemblage. Gut contents, scavenging marks and associated shed shark teeth in the Bench 19 Fauna indicate biological association and attrition due to feeding activities. The ecological diversity of mosasaur species is shown by tooth and body-size disparity and by d13C analysis of tooth enamel, which indicate a variety of foraging areas and dietary niches. The Bench 19 Fauna was formed in arid latitudes along a coastal desert similar to that of modern Namibia on a narrow, tectonically controlled continental shelf, in shallow waters below wave base. The area was used as a foraging ground for diverse species, including molluscivorus Globidens phosphaticus, small species expected near the coast, abundant Prognathodon kianda, which fed on other mosasaurs at Bench 19, and species that may have been transient and opportunistic feeders in the area.


Referência:
Strganac, C., Jacobs L., Polcyn M., Mateus O., Myers T., Araújo R., Fergunson K. M., Gonçalves A. O., Morais M. L., Schulp A. S., da Tavares T. S., & Salminen J. (2014). Geological Setting and Paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences. 1-16.
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terça-feira, novembro 11, 2014

Pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes em África

Replicamos aqui a notícia no DN sobre pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes na Catoca, Angola, que teve um enorme impacto mediático (ver links abaixo):

Pegadas de dinossauros em mina de diamantes em Angola

por Filomena Naves06 novembro 2014
Um dos trilhos
Um dos trilhosFotografia © Octávio Mateus
Paleontólogo português Octávio Mateus identificou e recolheu as pegadas. O estudo foi apresentado ontem em Berlim.
Foi uma descoberta inesperada e, diz o paleontólogo Octávio Mateus, "é a primeira do género no mundo, que eu conheça". O achado, um conjunto de pegadas de dois dinossauros, de um mamífero e de um crocodilo, foi feito no fundo da mina de diamantes da Catoca, na Lunda, em Angola, e o seu anúncio ontem, em Berlim, no congresso da Sociedade Internacional de Paleontologia de Vertebrados, gerou "surpresa e interesse", como o investigador português já esperava.
"Esta é uma história científica fascinante", sublinha Octávio Mateus, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa e responsável do Museu da Lourinhã, que integrou a equipa que fez o estudo das pegadas e que esteve ontem na capital alemã a falar disso.
Desde logo, "é surpreendente o local para uma descoberta destas, porque uma mina de diamantes, sendo de origem vulcânica resulta de uma subida muito rápida da rocha incandescente à superfície, o que deveria inviabilizar a existência de marcas de animais", diz Octávio Mateus. "Não podem caminhar sobre lava quente", esclarece. Mas há uma explicação geológica para o mistério.



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Links nos media em português:


em inglês:

http://stateschronicle.com/fossilized-tracks-trio-found-angola-diamond-mine-8905.html



segunda-feira, outubro 27, 2014

Isótopos e a geologia do Namibe, Angola


A geologia e a paleontologia de Angola têm novas datações e novos dados que ajudam a explicar o contexto da riqueza de fósseis do Namibe. Chris Strganac (SMU) que está terminar a sua tese de doutoramento sobre a geologia do Namibe tem abordado particularmente as zonas ricas de fósseis de vertebrados. Os estudos incluem análises a isótopos estáveis de carbono e correlação das suas curvas e métodos de isópotos radioactivos de árgon 40Ar/39Ar. Além de vários pormenores da geologia, estes estudos indicam que os achados eram ligeiramente mais antigos do que se suponha inicialmente.

Estratigrafia de Bentiaba, Angola de onde provém numerosos vertebrados fósseis.



Abstract_
We present the δ13C and paleomagnetic stratigraphy for marine strata at the coast of southern Angola, anchored by an intercalated basalt with a whole rock 40Ar/39Ar radiometric age of 84.6 ± 1.5 Ma, being consistent with both invertebrate and vertebrate biostratigraphy. This is the first African stable carbon isotope record correlated to significant events in the global carbon cycle spanning the Late Cenomanian to Early Maastrichtian. A positive ∼ 3‰ excursion seen in bivalve shells below the basalt indicates the Cenomanian-Turonian Boundary Event at 93.9 Ma, during Oceanic Anoxic Event 2. Additional excursions above the basalt are correlated to patterns globally, including a negative ∼ 3‰ excursion near the top of the section interpreted as part of the Campanian-Maastrichtian Boundary Events. The age of the basalt ties the studied Bentiaba section to a pulse of Late Cretaceous magmatic activity around the South Atlantic and significant tectonic activity, including rotation, of the African continent.


Strganac, C., Salminen J., Jacobs L. L., Ferguson K. M., Polcyn M. J., Mateus O., Schulp A. S., Morais M. L., TS T., & Gonçalves A. O. (2014).  Carbon isotope stratigraphy and 40Ar/39Ar age of the Cretaceous South Atlantic coast, Namibe Basin, Angola. Journal of African Earth Sciences.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jafrearsci.2014.03.003
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quinta-feira, setembro 04, 2014

PaleoAngola 2014

Crocodilo num bloco de arenito.
Voltámos de mais uma expedição em Angola, integrada no Projecto PaleoAngola (www.paleoangola.org).
Participaram Louis Jacobs (SMU) e Octávio Mateus (FCT-UNL e ML), de 23 de Agosto a 1 de Setembro de 2014, com visitas a Cabinda e Kwanza. Recolhemos mamíferos (baleias, proboscídeos e outros), crocodilos, quelónios, tubarões e nautilóides. Além do apoio e participação de sempre da Universidade Agostinho Neto, agradecemos à Esso Angola, Maersk, e ISEM.
Afloramentos espectaculares em Angola, entre o Miradouro da Lua e Barra do Kwanza.



Louis Jacobs e Octávio Mateus