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sexta-feira, abril 27, 2018

Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO


Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO é a novidade que o Diário de Notícias avança hoje, via LUSA e que replicamos aqui:


Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO

DN
Lourinhã, Lisboa, 27 abr (Lusa)- A região Oeste, das mais ricas do mundo em achados de dinossauros e com património de interesse geológico com mais de 150 milhões de anos, quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO, confirmou à Lusa a Câmara da Lourinhã.

A intenção foi manifestada há duas semanas na reunião do Fórum Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), realizada em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, confirmou o município da Lourinhã, que pretende avançar com uma candidatura em conjunto com os municípios de Torres Vedras, Peniche, Óbidos e Bombarral, da mesma região.

Representantes destas autarquias estiveram em "fóruns da UNESCO de âmbito nacional e internacional, com o objetivo de mostrar a vontade, bem como evidenciar a importância da constituição do Geoparque Oeste, para o território nacional, mas também para o património mundial", e até setembro deverá ser constituída uma entidade de gestão para dar continuidade ao processo.

A existência de património geológico e paleontológico com mais de 150 milhões de anos no território dos cinco concelhos do Oeste é o ponto forte da futura candidatura, que deverá ser formalizada dentro de três ou quatro anos à comissão nacional da UNESCO.

Num artigo científico publicado após a apresentação do tema na Conferência Europeia de Geoparques, realizada em setembro nos Açores, os investigadores Bruno Pereira, Octávio Mateus, José Carlos Kullberg e Rogério Rocha, parte deles ligados ao Museu da Lourinhã e à Universidade Nova de Lisboa, demonstraram que se trata de uma das zonas mais ricas do mundo com achados fósseis do Jurássico Superior, onde foram descobertas 200 novas espécies de vários animais, entre os quais dinossauros.

Também as falésias calcárias da costa de Peniche, do Jurássico, apresentam relevância internacional, sendo de realçar a 'Ponta do Trovão', classificada como geomonumento por ser característica do período Toarciano (183 milhões de anos) e por ali existirem fósseis marinhos.

Bombarral, Lourinhã, Óbidos e Peniche dividem entre si o território do Planalto das Cesaredas, espaço que há 170 a 150 milhões de anos estava submerso pelo mar e onde hoje predominam formações rochosas em calcário do período Jurássico, com 150 milhões de anos.

Mapa antigo da região oeste, em Portugal. Mapa "Portugalliae quae olim Lusitania" de 1584 por Ortelius (1527-1598). Note-se que este mapa tem uma orientação em que o Oeste está no topo. 

No local já foram descobertas 15 novas espécies animais fósseis das 170 ali encontradas, na sua maioria invertebrados marinhos como corais, bivalves ou amonites (parentes das lulas e dos chocos), mas também peixes e ancestrais de crocodilos, que coabitavam com os dinossauros.

O Planalto possui também interesse arqueológico, tendo em conta os vestígios da ocupação humana durante toda a Pré-História, com necrópoles, alguns povoados, como o Castro da Columbeira, e grutas classificadas como sítios arqueológicos do Paleolítico e do Neolítico (de há 12 mil anos).

No Planalto, ocorreu também a Batalha da Roliça, em agosto de 1808, no período das invasões francesas, e este terá sido local dos encontros secretos entre D. Pedro e Inês de Castro.

Óbidos possui também património cultural de interesse e é Cidade Criativa da Literatura.

Estes aspetos têm contribuído para o aumento do turismo histórico e de natureza na região, com concelhos do distrito de Leiria e de Lisboa.

domingo, abril 01, 2018

Há fósseis no seu quintal? Rochas à sua volta e nos mapas geológicos

Existem fósseis no seu quintal? Quer saber a idade das rochas que o rodeiam? Qual o nome da formação geológica no corte de estrada a caminho de casa?
A melhor forma é através da Carta Geológica que são mapas que mostram as rochas de uma determinada área. Em Portugal as cartas geológicas são editadas pelo LNEG-  Laboratório Nacional de Energia e Geologia. Antes da política suicida de acabarmos com muitas instituições, algumas seculares, por termos "institutos a mais" as cartas eram editadas pelo antigo IGM- Instituto Geológico e Mineiro.

Carta Geológica de Portugal à escala 1/1 000 000, edição 2010 (Fonte: LNEG).
Há Cartas Geológicas de Portugal de várias escalas, sendo as principais:
Portugal, na escala de 1:50 000
Portugal, na escala de 1:200 000
Portugal, na escala de 1:500 000
Portugal, na escala de 1:1 000 000
Região Autónoma dos Açores
Região Autónoma da Madeira

As Cartas Geológicas de 1:50.000 cobrem quase todo o país e são as mais detalhadas.

Mas se não tiver acesso às Cartas Geológicas, não se preocupe, pois a maioria a informação e cartografia está disponível online no site GeoPortal do LNEG.

Exemplo de uma carta geológica 1:50000, neste caso a folha 19D. À esquerda estão representadas as áreas já cartografadas a esta escala em Portugal (fonte LNEG)
Segundo o próprio site "O geoPortal do LNEG é uma infra-estrutura de serviços integrados de suporte à gestão e visualização de dados espaciais, que visa disponibilizar, em ambiente web, a informação georreferenciada relacionada com as diferentes actividades do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.".

No site do GeoPortal coloque a coordenada geográfica ou procure no mapa onde está, escolha a carta que precisa (Geológica a 1:50.000 é uma das melhores) e tem aí a sua informação sobre a geologia do seu quintal. O equivalente global desta ferramenta é o OneGeology.

E já agora, se encontrar fósseis de vertebrados, contacte-nos: omateus@fct.unl.pt.


quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Formação da Lourinhã

A unidade geológica conhecida como "Formação da Lourinhã" foi objecto de um artigo científico no último volume da revista Ciências da Terra / Earth Sciences Journal, num trabalho de colaboração entre a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra, como base para a saída de campo do congresso Strati em 2013.

 Interpretação paleogeográfica da Bacia Lusitaniana durante o Titoniano inferior (ilustração de Simão Mateus) (Mateus et al., 2017)





Afloramentos de Kimmeridgiano superior do membro de Porto Novo no Vale das Pombas: A, corpo de arenito do canal fluvial dentro da planície de inundação e depósitos de crevasse-splay; B, escavação de dinossauros saurópode; C, detalhe de um canal de arenito com cama cruzada mostrando uma ampla extensão de paleocorrentes


A Formação da Lourinhã é uma formação geológica do Jurássico Superior, Kimmeridgiano a Titoniano (155 a 145 M.a.), localizado no oeste de Portugal, conhecido pela fauna fóssil rica, sobretudo de dinossauros, mas também de tartarugas, crocodilomorfos, mamíferos, lagartos, etc.

A região Oeste é das áreas mais produtivas para os dinossauros e outros vertebrados do Jurássico  Europa, nomeadamente para a Formação da Lourinhã, que é contemporânea com a Formação de Morrison, no centro-oeste da América do Norte.
A fase de rifting Jurássico da Bacia Lusitânica criou várias sub-bacias separados por falhas principais. Na área ocidental e central da bacia, a estrutura de Caldas da Rainha separa três sub-bacias com diferentes características de subsidência e de enchimento: Consolação para a oeste, Bombarral-Alcobaça ao noroeste e Turcifal com a sudeste. A sucessão do Jurássico Superior à base do Cretácico exposta nas arribas costeiras localizadas entre Nazaré e Santa Cruz pertence à Sub-bacia da Consolação, enquanto que os afloramentos costeiros entre Santa Cruz e Ericeira expõe unidades da Sub-bacia do Turcifal.




Fósseis do afloramento Porto Batel (unidade Consolação): A, tartaruga; B, preenchimento de pegada de dinossauro; C. Fuersichella bicornis (Sharpe, 1850) com padrão de cor (ML1804); D, recife com corais  (Mateus et al., 2017).


Para enquadrar as paragens num contexto coerente, dá-se destaque e detalhe às unidades da área visitada. A estratigrafia do Jurássico Superior da bacia é bastante complexa e não existe nenhuma proposta totalmente aceita na generalidade, sendo, por isso, apresentada uma revisão de litostratigrafia, sedimentologia, idade e interpretações ambientais. Interpretações sobre o paleoclima, paleogeografia e tafonomia contribuem para uma descrição geral do ambiente onde os dinossauros viveram e para a compreensão das condições para a sua fossilização e preservação.

Esta descrição das localidades e horizontes desenrola-se de norte para o sul, incidindo sobre os vertebrados, sedimentologia e estratigrafia. A primeira paragem é no Kimmeridgiano superior da Consolação que mostra um paleoambiente marinho pouco profundo a deltaico da Formação de Alcobaça, na qual assenta a Formação da Lourinhã. Mais a sul, o forte de Paimogo permite uma vista panorâmica sobre a Fm. da Lourinhã: para o norte estão os membros Praia da Amoreira - Porto Novo (planície de aluvião costeira inferior, incluindo a parte distal e sistemas fluviais sinuosos; Kimmeridgian superior) e o Membro Praia Azul para o sul (aluvião e planície costeira, com três níveis de carbonato transgressivo e faunas salobra-marinhas distintas; Kimmeridgiano superior e base do Tithonian). Em Paimogo encontra-se os locais onde ovos de dinossauro terópode e um esqueleto saurópode foram recolhidos. A paragem no Museu da Lourinhã permite visitar uma das mais importantes coleções de vertebrados do Jurássico superior na Europa. A última paragem, no Porto da Calada, aborda a parte superior do Membro da Assenta da Formação da Lourinhã (sistema fluvial com meandros e com intercalações de carbonatos de origem lagunar e marinha rasa; do Titoniano superior à base do Berriasiano) e Formação Porto da Calada (sistema fluvial meandrico com os níveis de finos de carbonatos estuarinos e intertidais; do Berriasiano), incluindo assim o limite Jurássico-Cretácico.


Paimogo, nível com primeira transgressão marinha (Mateus et al., 2017)

Sub-bacias sedimentares da Formação da Lourinhã (Mateus et al. 2017, baseado em Taylor et al., 2013).

Localidades de Paimogo e Caniçal com indicação das transgressões marinhas (Mateus et al. 2017)






Referência completa:
Mateus, O., Dinis J., & Cunha P. P. (2017).  Lourinhã Formation: Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked. Ciências da Terra / Earth Sciences Journal. 19(1), 75-97.  PDF

sexta-feira, agosto 04, 2017

Sobre o Jurássico de Peniche

O estudo internacional, agora publicado na revista científica Nature Communications e desenvolvido nas arribas calcárias da Península de Peniche e no furo de sondagem Mochras, no País de Gales, revela o fenómeno anóxico marinho e de perturbação do ciclo do dióxido de carbono ocorrido no Toarciano (Jurássico Inferior), há cerca de 182 milhões de anos.
Este evento, que terá durado aproximadamente 1 milhão de anos, foi o desencadeador de um importante fenómeno de extinção, em ambiente marinho, à escala global.
A investigação, baseada no estudo de fragmentos orgânicos de origem continental contidos ao longo da sucessão marinha carbonatada, revela um aumento bastante significativo de materiais carbonosos, provenientes de incêndios naturais, numa posição temporal contemporânea nos dois já referidos locais de estudo, permitindo a datação do fim do evento de anoxia.

Jurassic Palaeo-map of the sample localities and relative site stratigraphies for the Mochras and Peniche sections. Baker et al. (2017).

Esta nova descoberta contribui para a compreensão das interacções entre os diferentes subsistemas terrestres num mundo actual onde as alterações climáticas são bem já sentidas e visíveis.

Abstract: The Toarcian Oceanic Anoxic Event (T-OAE) was characterized by a major disturbance to the global carbon(C)-cycle, and depleted oxygen in Earth’s oceans resulting in marine mass extinction. Numerical models predict that increased organic carbon burial should drive a rise in atmospheric oxygen (pO2) leading to termination of an OAE after ∼1 Myr. Wildfire is highly responsive to changes in pO2 implying that fire-activity should vary across OAEs. Here we test this hypothesis by tracing variations in the abundance of fossil charcoal across the T-OAE. We report a sustained ∼800 kyr enhancement of fire-activity beginning ∼1 Myr after the onset of the T-OAE and peaking during its termination. This major enhancement of fire occurred across the timescale of predicted pO2 variations, and we argue this was primarily driven by increased pO2. Our study provides the first fossil-based evidence suggesting that fire-feedbacks to rising pO2 may have aided in terminating the T-OAE.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

I Congresso sobre Planalto das Cesaredas

Decorrerá este ano, entre 31 de Março e 2 de Abril, na Lourinhã (Portugal) o I Congresso sobre o Planalto das Cesaredas.

De organização conjunta entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a Associação dos Amigos do Planalto das Cesaredas, o congresso visa promover o conhecimento científico, nas suas diversas vertentes - Geologia, Geomorfologia, Arqueologia, Espeleologia, Fauna, Flora, Património e Cultura - desta região que abrange os municípios da Lourinhã, Peniche, Bombarral e Óbidos.


Mais informações em:

http://www.dct.fct.unl.pt/congresso-cesaredas
http://www.aaplanaltocesaredas.pt/

quarta-feira, novembro 23, 2016

Palestra sobre uso de isótopos na geologia

Palestra: 
Isótopos radiogénicos e sua aplicação em estudos de proveniência de sedimentos
Por Prof. José Francisco Santos (Universidade de Aveiro)

25 de Novembro de 2016, Sexta-feira, 14:30 no Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Caparica).  Ver como chegar à FCT-UNL 

Domínios de Investigação do palestrante: Petrologia e geoquímica de rochas ígneas e metamórficas. Cadeia Varisca Ibérica. Geologia isotópica. Estudos de proveniência. Geologia do Irão.





Enquadrado nas actividades do Mestrado em Paleontologia da FCT-UNL + UÉvora.
Organização: Departamento de Ciência da Terra FCT-UNL (Prof. O.Mateus)

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Paleolatitude: Ibéria à deriva nunca esteve tão a Norte

Numerosos dados provam a tectónica de placas e mostra a sua influência na paleogeografia e distribuição das espécies. A tectónica de placas fez com que a latitude da Península Ibérica mudasse ao longo do tempo.


Agora há um novo recurso digital, www.paleolatitude.org, precisamente para fornecer a latitude de qualquer local do planeta ao longo dos milhões de anos. Por exemplo, a Lourinhã está hoje está aos 39ºN de latitude, mas há 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Jurássico Superior, o território por onde andavam os Lourinhanosaurus, Miragaia e Lusotitan, estava a 27.8ºN de latitude. Esta latitude hoje é a fronteira entre Marrocos e o Sahara Ocidental, o que explica o ambiente árido descrito por Myers et al. (2012) para a Formação da Lourinhã com temperatura média de 31º C, e precipitação de 1100 mm/ano.

Onde foram recolhidos fitossauros e dinossauros na Gronelândia, hoje aos 72ºN, estava aos 49ºN há 200 milhões de anos, no Triásico, praticamente à latitude de Paris de hoje.

Outra curiosidade é que tanto a Ibéria como a Gronelândia nunca estiveram numa posição tão a norte como agora.

Ref.:
Myers, T.S., Tabor, N.J., Jacobs, L.L. and Mateus, O., 2012. Palaeoclimate of the Late Jurassic of Portugal: comparison with the western United States.Sedimentology59(6), pp.1695-1717.

segunda-feira, setembro 07, 2015

O Baião do Tempo Geológico

A música e paleontologia fazem sempre uma combinação interessante e divertida. Hoje trazemos uma música geológica, nomeadamente um Baião que é um género de música e dança popular do nordeste do Brasil.

O Baião do Tempo Geológico (www.youtube.com/watch?v=QewNyFtz4OM)

Cantada pelo grupo TRIO LOBITA, composta por Marcelo Favoreto temos o que é talvez a mais geológica de todas as músicas: "O Baião do Tempo Geológico" (2015) (Link Youtube).

É uma música engraçada, cantada em Português brasileiro, bem etnográfico com as respectivas caneladas na gramática, mas com uma animada forma de ensinar as divisões do tempo geológico, do Arqueano até ao Holoceno, passando pelas subdivisões do Proterozóico, Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico. Vale bem a pena ouvir.

Logotipo do grupo Trio Lobita, com uma trilobite que lhe dá o nome.
O grupo Trio Lobita tem também outras música de cariz geológico como a Calma Carbonato (2013) e a Triste História do Meandro Abandonado (2013). Na sua página de Facebook, o grupo identifica-se como fazendo "geologic music". A terminologia geológica está em português brasileiro.

Em tempos mostrámos um exemplo de música anglófona com dinossauros, incluindo a música "I'm a Paleontologist" que é popularmente dançada no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, numa cena digna de se ver e apreciar: alguns dos mais reputados paleontólogos do mundo dançando I'm a Paleontologist.


segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Isótopos de oxigénio e os mosassauros de Angola


Os isótopos estáveis de oxigénio são excelentes indicadores de paleotemperaturas e por isso são usados como um paleotermómetro. Num novo estudo liderado por Chris Strganac usou precisamente estes isótopos para compreender o paleoambiente em que viveram os mosassauros.

Valores de isótopos estáveis de oxigénio em conchas de bivalves marinhos inoceramídeos recuperados em Bentiaba, Angola, são utilizados como um forma de indicar para paleotemperaturas durante o desenvolvimento da margem africana do Oceano Atlântico Sul durante o Cretácico. Os valores de δ18O derivados de inoceramídeos mostram um aumento a longo prazo a partir de -3,2 ‰ no Turoniano Superior para valores entre -0,8 e -1,8 ‰ no Campaniano Superior. Assumindo um valor δ18O oceânico constante, um aumento ‰ ~ 2 pode refletir uma redução da temperatura do ambiente marinho de baixa profundidade em Bentiaba de aproximadamente 10°C. Em Bentiaba os valores são compensados por cerca de + 1 ‰ a partir de registros publicados para Inoceramus em Walvis Ridge. Esta diferença em valores de δ18O sugere uma diferença de temperatura de ~ 5 ° entre as águas costeiras e mais profundas do offshore de Angola. Temperaturas mais baixas implícitas pela curva de δ18O em Bentiaba coincidem com a distribuição estratigráfica de diversos amniotas marinhos, incluindo mosassauros.

Geologia e geoquímica (curva de isótopos de oxigénio) no Atlântico sul (Strganac et al, 2015).
Referência:
Strganac, C., Jacobs L. L., Polcyn M. J., Ferguson K. M., Mateus O., Gonçalves O. A., Morais M. - L., & da Silva Tavares T.(2015).  Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola.Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–7., 2

Abstract
Stable oxygen isotope values of inoceramid marine bivalve shells recovered from Bentiaba, Angola, are utilised as a proxy for paleotemperatures during the Late Cretaceous development of the African margin of the South Atlantic Ocean. The δ18O values derived from inoceramids show a long-term increase from –3.2‰ in the Late Turonian to values between –0.8 and –1.8‰ in the Late Campanian. Assuming a constant oceanic δ18O value, an ∼2‰ increase may reflect cooling of the shallow marine environment at Bentiaba by approximately 10°. Bentiaba values are offset by about +1‰ from published records for bathyal Inoceramus at Walvis Ridge. This offset in δ18O values suggests a temperature difference of ∼5° between coastal and deeper water offshore Angola. Cooler temperatures implied by the δ18O curve at Bentiaba coincide with the stratigraphic distribution of diverse marine amniotes, including mosasaurs, at Bentiaba.

domingo, janeiro 18, 2015

Novo livro de estratigrafia: 'STRATI- At the Cutting Edge of Stratigraphy'

Foi lançado recentemente na Universidade Nova de Lisboa o livro "STRATI 2013 - First International Congress on Stratigraphy - At the Cutting Edge of Stratigraphy" publicado pela Springer.

O Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa teve uma participação de peso pois os editores foram Rogério Rocha, João Pais, José Carlos Kullberg e Stanley Finney.

Referência:
Rocha et al. (eds) (2014). STRATI 2013 - First International Congress on Stratigraphy
At the Cutting Edge of Stratigraphy. Springer Geology. ISBN 978-3-319-04363-0 ISBN 978-3-319-04364-7 (eBook). DOI 10.1007/978-3-319-04364-7.
Link para Springer
Capa e página 3 do livro Strati 2013


O livro de 1335 páginas é o resultado do I Congresso Internacional de Estratigrafia, que decorreu em Lisboa em 2013 e torna-se uma referência da estratigrafia mundial. Contém algumas referências a Portugal e dinossauros.Um dos trabalhos é referente à estratigrafia do Porto da Calada com a transição Jurássico/Cretácico em Portugal.

Salminen, J., Dinis J., & Mateus O. (2014). Preliminary Magnetostratigraphy for the Jurassic–Cretaceous Transition in Porto da Calada, Portugal. (Rogério Rocha, João Pais, José Carlos Kullberg, Stanley Finney, Ed.).STRATI 2013 First International Congress on Stratigraphy At the Cutting Edge of Stratigraphy. 873-877., Heidelberg New York Dordrecht London: Springer. PDF LINK 

Porto da Calada com a indicação da transição Jurássico / Cretácico (Mateus et al., in press). 


sexta-feira, dezembro 26, 2014

Geologia de Bentiaba, Angola

A geologia e a riqueza faunística de Bentiaba em Angola sempre nos causou admiração. Um estudo do Projecto PaleoAngola, agora publicado, explica a geologia e paleoecologia da acumulação de ossos (bonebed) marinha do Cretácico Superior na camada 19 de Bentiaba.
O estudo fez parte da dissertação de doutoramento de Chris Strganac sendo publicado agora no Netherlands Journal of Geosciences.
Bentiaba com riqueza de achados

Resumo:
Esqueleto de Prognathodon com conteúdos estomacais.
A acumulação de ossos (bonebed) na camada 19 em Bentiaba, Angola, é uma concentração única de vertebrados marinhos preservando seis espécies de mosassauros em sedimentos correlacionadas por magneto-estratigrafia ao Chron C32n.1n entre 71,4 e 71,64 Ma. A bonebed formada numa paleolatitude perto de 24 ° S e com uma largura do Atlântico àquela latitude de 2700 km, que é cerca de metade da largura da actual. A localidade encontra-se numa plataforma continental estranhamente estreita perto das falhas transformantes que controlavam o contorno do litoral da África na formação do Oceano Atlântico Sul. Mudanças biostratigráficas através da seção de Bentiaba indicam que a acumulação ocorreu numa faixa de tempo de 240.000 de anos dentro da chron 32n.1n. A fauna ocorre numa unidade de 10 m areia na Formação Mocuio com ossos e esqueletos incompletos concentrados aos 1-2 m mais basais, mas não limitados a estes. O sedimento que cobre os fósseis é uma areia feldspática imatura demonstrado por zircões detríticos derivados das rochas graníticas. As amostras não parecem ter uma forte orientação preferencial e não é concentrada numa linha de costa. Análise de isótopos estáveis de oxigénio de conchas de bivalves associados indica uma temperatura de água de 18,5 ° C. A bonebed é claramente misturada com elementos de dinossauros e pterossauros dispersos num cortejo de fauna marinha. A associação de conteúdos estomacais e marcas de dentes de tubarão na Camada 19 indicam associação biológica devido às atividades de alimentação. A diversidade ecológica de espécies de mosassauros é mostrada pela disparidade de dente e tamanho do corpo e pela análise d13C do esmalte dos dentes, o que indica uma variedade de áreas de alimentação e nichos alimentares. A fauna da camada 19 viveu em latitudes áridas ao longo de um deserto costeiro semelhante ao da Namíbia moderna, numa plataforma continental estreita e tectonicamente controlada, em águas rasas abaixo base de ondas. A área foi usada como uma área de alimentação para diversas espécies, incluindo Globidens phosphaticus, pequenas espécies costeiras, abundante Prognathodon kianda, que alimentava de outros mosassauros na camada 19, e espécies que podem ter sido alimentadores oportunistas na área.


Geological setting and paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola

Abstract:
The Bench 19 Bonebed at Bentiaba, Angola, is a unique concentration of marine vertebrates preserving six species of mosasaurs in sediments best correlated by magnetostratigraphy to chron C32n.1n between 71.4 and 71.64 Ma. The bonebed formed at a paleolatitude near 24°S, with an Atlantic width at that latitude approximating 2700 km, roughly half that of the current width. The locality lies on an uncharacteristically narrow continental shelf near transform faults that controlled the coastal outline of Africa in the formation of the South Atlantic Ocean. Biostratigraphic change through the Bentiaba section indicates that the accumulation occurred in an ecological time dimension within the 240 ky bin delimited by chron 32n.1n. The fauna occurs in a 10 m sand unit in the Mocuio Formation with bones and partial skeletons concentrated in, but not limited to, the basal 1–2 m. The sediment entombing the fossils is an immature feldspathic sand shown by detrital zircon ages to be derived from nearby granitic shield rocks. Specimens do not appear to have a strong preferred orientation and they are not concentrated in a strand line. Stable oxygen isotope analysis of associated bivalve shells indicates a water temperature of 18.5°C. The bonebed is clearly mixed with scattered dinosaur and pterosaur elements in a marine assemblage. Gut contents, scavenging marks and associated shed shark teeth in the Bench 19 Fauna indicate biological association and attrition due to feeding activities. The ecological diversity of mosasaur species is shown by tooth and body-size disparity and by d13C analysis of tooth enamel, which indicate a variety of foraging areas and dietary niches. The Bench 19 Fauna was formed in arid latitudes along a coastal desert similar to that of modern Namibia on a narrow, tectonically controlled continental shelf, in shallow waters below wave base. The area was used as a foraging ground for diverse species, including molluscivorus Globidens phosphaticus, small species expected near the coast, abundant Prognathodon kianda, which fed on other mosasaurs at Bench 19, and species that may have been transient and opportunistic feeders in the area.


Referência:
Strganac, C., Jacobs L., Polcyn M., Mateus O., Myers T., Araújo R., Fergunson K. M., Gonçalves A. O., Morais M. L., Schulp A. S., da Tavares T. S., & Salminen J. (2014). Geological Setting and Paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences. 1-16.
PDF

segunda-feira, outubro 27, 2014

Isótopos e a geologia do Namibe, Angola


A geologia e a paleontologia de Angola têm novas datações e novos dados que ajudam a explicar o contexto da riqueza de fósseis do Namibe. Chris Strganac (SMU) que está terminar a sua tese de doutoramento sobre a geologia do Namibe tem abordado particularmente as zonas ricas de fósseis de vertebrados. Os estudos incluem análises a isótopos estáveis de carbono e correlação das suas curvas e métodos de isópotos radioactivos de árgon 40Ar/39Ar. Além de vários pormenores da geologia, estes estudos indicam que os achados eram ligeiramente mais antigos do que se suponha inicialmente.

Estratigrafia de Bentiaba, Angola de onde provém numerosos vertebrados fósseis.



Abstract_
We present the δ13C and paleomagnetic stratigraphy for marine strata at the coast of southern Angola, anchored by an intercalated basalt with a whole rock 40Ar/39Ar radiometric age of 84.6 ± 1.5 Ma, being consistent with both invertebrate and vertebrate biostratigraphy. This is the first African stable carbon isotope record correlated to significant events in the global carbon cycle spanning the Late Cenomanian to Early Maastrichtian. A positive ∼ 3‰ excursion seen in bivalve shells below the basalt indicates the Cenomanian-Turonian Boundary Event at 93.9 Ma, during Oceanic Anoxic Event 2. Additional excursions above the basalt are correlated to patterns globally, including a negative ∼ 3‰ excursion near the top of the section interpreted as part of the Campanian-Maastrichtian Boundary Events. The age of the basalt ties the studied Bentiaba section to a pulse of Late Cretaceous magmatic activity around the South Atlantic and significant tectonic activity, including rotation, of the African continent.


Strganac, C., Salminen J., Jacobs L. L., Ferguson K. M., Polcyn M. J., Mateus O., Schulp A. S., Morais M. L., TS T., & Gonçalves A. O. (2014).  Carbon isotope stratigraphy and 40Ar/39Ar age of the Cretaceous South Atlantic coast, Namibe Basin, Angola. Journal of African Earth Sciences.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jafrearsci.2014.03.003
PDF

terça-feira, agosto 12, 2014

Tectónica de Placas

Abertura do atlântico
(Fonte: Wikipedia, domínio público)
A Tectónica de Placas é uma das teorias mais unificadoras da Geologia moderna mas curiosamente a sua aceitação é relativamente recente, começando a ser frequentemente aceite nos anos 70 e 80 (do séc. XX). Trata-se da teoria que explica a posição dos continentes através da unificação de dois conhecimentos: o movimento da massas continentais (também conhecida por Deriva Continental, proposta por Alfred Wegener em 1912) e a expansão dos fundos oceânicos.
Apesar de ser conhecida como "teoria" hoje está bem comprovada e é factual. A tectónica de placas explica porque é que animais semelhantes aparecem em regiões muito diferentes (como na Índia, Austrália e América do Sul), algo que confundiu os geólogos e paleontólogos, incluindo Charles Darwin durante muitos anos. A tectónica de placas permite redesenhar o globo conforme a sua paleogeografia.



Tipos de limites das placas
(Fonte: Jose F. Vigil, Wikipedia, domínio público)


Mapa publicado em Portugal em 1959 com tentativa de explicar a paleogeografia do Jurássico antes do advento da teoria da tectónica de placas,  (Moore, 1959). Note-se que a Índia, Austrália, África e América do Sul mantêm a posição actual, mas com uma alegada massa continental que as unia. Portugal aparecia associado à América do Norte. Hoje sabe-se que a paleogeografia do Jurássico seria bem diferente.

 Moore, P. 1959. História da Terra. Livraria Civilização ed., Porto, 188 pp.

sábado, agosto 02, 2014

Falsos fósseis: nódulos cerebróide de calcário


Por vezes a geologia faz formas que podem parecer fósseis, como já abordado no post "Concreções... os falsos ovos" deste blog Lusodinos.

Uma estrutura geológica que frequentemente é confundida com fósseis são os chérticos vulgarmente conhecidos por nódulos cerebróides, ou cerebelos. Apesar da superfície "convoluta" que faz lembrar um cérebro, o que lhe justifica o nome, estas rochas são estruturas geológicas calcárias, que não são fósseis nem têm origem biológica. Encontram-se no Jurássico Médio das Serras d'Aire e Candeeiros e Sicó, sendo mesmo usadas como indicador estratigráfico. Ocorrem após a erosão do calcário, ligeiramente mais brando, que circunda estes nódulos.


Chértico, Nódulo cerebróide (espécime FCT-UNL)

Ao contrário das concreções, estes chérticos têm uma estrutura interna por camadas cumulativas, vista em corte, e habitualmente não têm toda a superfície com este aspecto, pois têm um "pé" que os une a outra estrutura.

Este tipo de estruturas são frequentemente chamados de "pseusofósseis" ou falsos-fósseis, pois é frequente confundirem os observadores mais incautos


Mais informações:
http://mesozoico.wordpress.com/2011/05/30/nodulos-de-cherte-estratigrafia-e-genese-de-amostras-do-museu-municipal-de-porto-de-mos

quinta-feira, abril 29, 2010

Tabela crono-estratigráfica portuguesa 2010


A GeoPor acaba de anunciar o trabalho pelos paleontólogos João Pais e Rogério Rocha do CICEGe (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) com o quadro de divisões estratigráficas(tabela crono) e tentativa de uniformização da nomenclatura cronoestratigráfica, usando terminologia portuguesa segundo as convenções internacionais e a cronologia mais recente (GTS 2009).

Indispensável para qualquer paleontólogo!

PDF.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Tabela cronológica 2009


A nova escala temporal (ou cronoestratigráfica) das eras geológicas publicada regularmente pela Geological Society of America já saiu. É um instrumento útil a todos os geólogos.

Cá vai (2009 Geological Time Scale):


E aproveito também para deixar dois outros exemplos curiosos de esquemas cronológicos:


Infelizmente tinha as imagens no meu PC há já algum tempo e não registei a fonte nem autoria. Que me desculpem os autores.


domingo, junho 28, 2009

Investigadores do Museu da Lourinhã em peso em África

Ricardo Araújo e Rui Castanhinha vão para Moçambique; Octávio Mateus para Angola... parece que aprendemos bem a lição de Louis Jacobs no seu livro "In the Quest for African Dinosaurs". De facto, a paleontologia africana é um mundo por descobrir e há mais de meio século que algumas formações não são olhadas com o olho "clínico" de paleontólogos. Alea jacta est! Aqui vamos nós!

segunda-feira, junho 08, 2009

Cadernos do subterrâneo


Não, este artigo não é sobre um dos livros obscuros do Dostoiévski, é sobre uma das mais fantásticas grutas de Portugal. A Gruta do Frade encerra em si uma das mais fantásticas associações de espeleotemas – uma estalactite é um espeleotema, por exemplo. No entanto, uma estalactite é em geral um espeleotema banal. No que a Gruta do Frade é especialista é em surpreender-nos em cada canto recôndito, com formas que lembram vagamente cogumelos, fósforos, cotonetes... mas em calcite. A calcite (carbonato de cálcio) é o principal componente dos calcários que, quando cristalizado secundariamente tende a tomar formas diversas, quando as condições assim o proporcionam. O contexto geológico/estrutural da Gruta do Frade, inserido na cadeia da Arrábida, permitiu que ao longo de 340m se estendesse uma gruta em ambiente controlado – as temperaturas no interior da gruta não oscilam muito além dos 19ºC e a humidade ronda os 97%. Um dos factores que certamente permitiu uma diversidade e concentração de espeleotemas foi a influência da água do mar e das marés, carreando iões usualmente raros em grutas típicas. O processo mais comum de formação das grutas consiste na dissolução dos calcários por águas meteóricas acídicas (i.e. águas da chuva que se combinam com o dióxido de carbono atmosférico), contudo, aliado a este processo, a influência marinha e das marés definem a singularidade da gruta, materializado pelos seus espeleotemas únicos.
Estas grutas têm vindo a ser estudadas, topografadas e inventariadas por vários elementos do NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul), que a descobriram em 1996 ao longo da costa de Sesimbra. Agora, pretendemos sumarizar o conhecimento actual e publicá-lo sob o formato de artigo científico, de modo a dar a conhecer este património espeleológico à comunidade científica. Já anteriormente os aracnídeos haviam sido estudados e também foi publicado um livro que a deu pela primeira vez a conhecer.
Na região da Lourinhã também existem grutas importantes na qual o GEAL participou na sua exploração e recolha de espólio espeleológico. Quer as rochas que compõem a Gruta da Feteira quer as da Gruta do Frade são, geologicamente falando, síncronas (i.e. formaram-se ao mesmo tempo)
Explorar a gruta do Frade é entrar numa paisagem surreal, não tanto ao jeito de Dostoiévski talvez, que era demasiado realista…

Ricardo Araújo & Francisco Rasteiro

Fotos de: Francisco Rasteiro

domingo, maio 17, 2009

Entrevista a Phil Mannion, PhD Student

RA: How can we assess diversity from 65M.y old creatures?

PM: We can do simple things like counting the number of genera or species through time. This gives us a rough idea of fluctuations in diversity. However, this can be affected by various processes in the geological record, so, we need to consider where the amount of terrestrial rock varies through time, for instance. Maybe if we have an increase of rock exposure and an increase in diversity, so that increase cannot be genuine. So we can plot diversity against rock record and various proxies like that. We can also correct phylogenies. We know phylogenies are hypothesis of relationships, so we can use those lineages against time and we get another view and explore taxic diversity.

RA: OK, but that has an underlying assumption which is valid. How can this affect your work?

PM: Yes, a phylogeny is only a hypothesis and there is space for mistake in there. We hope that most of the space is small, so it won’t make much difference. Perhaps if a group is in a completely wrong place we will get very long ghost-lineages and the reason why we haven’t look at any taxon there is not because there is a ghost-lineage, but that we just got things wrong. However if you do things like phylogenetic diversity estimate and you do it to various proxies, such as the rock record, than hopefully you can compare them all and you start seeing certain points where you get the same results again and again.

RA: What are the next steps on your research?

PM: The real next step is to finish my thesis! [laughs] I should finish it in the next four to five months.

RA: No… but I mean in scientific terms?...

PM: Well, yeah… Carry on the diversity work. Trying to resolve where the taxic diversity is genuine or logically predicted from the fluctuations of the rock record. And that is sort of near an end. But I also want to go on broader macroevolutionary questions, look at what happened at the K-T boundary. And also use the methodologies I have used for my PhD to other groups like lissamphibians and sharks.

RA: This is a broad question that I have also made to Paul. What is lacking in the Vertebrate Paleontology community?

PM: mmmhh.. We need sauropods to be feathered! [laughs] I think it is getting better, people are applying better methodologies and using things like statistics… more and more people are getting more rigorous with their analysis. Nevertheless, I think people shoud be more rigorous in terms of ages of formations, there are lots of problems in places in China for example. But I think there is still a lot of scope for many avenues in paleontology…

RA: What is a typical day for you as a paleontologist?

PM: A typical day will, at the moment, largely involves me processing large amounts of data through my database of sauropod occurrences and testing it from various criteria to do things like environmental associations, and gradually – somewhat groovenly – writing up my thesis. When I am not doing something directly related with my thesis I am writing descriptive papers, or sometimes coming to Museums like Lourinhã to study specimens.

quinta-feira, março 19, 2009

Pseudofósseis: Dendrites


A fotografia acima mostra cristais de dendrites em calcário. Embora tenham o aspecto e sejam vulgarmente confundidas com plantas ou fungos, as dendrites não têm qualquer origem biológica e tratam-se de impregnação lenta de cristais de óxidos de manganêse ferro nos interstícios do calcário.
Há dendrites famosas e comuns em calcários litográficos como os de Solnhofen que preservaram famosos fósseis de Archaeopteryx, a primeira ave fóssil. Em Portugal ocorre vulgarmente em pedras de calcário do Jurássico médio.