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segunda-feira, setembro 07, 2015

O Baião do Tempo Geológico

A música e paleontologia fazem sempre uma combinação interessante e divertida. Hoje trazemos uma música geológica, nomeadamente um Baião que é um género de música e dança popular do nordeste do Brasil.

O Baião do Tempo Geológico (www.youtube.com/watch?v=QewNyFtz4OM)

Cantada pelo grupo TRIO LOBITA, composta por Marcelo Favoreto temos o que é talvez a mais geológica de todas as músicas: "O Baião do Tempo Geológico" (2015) (Link Youtube).

É uma música engraçada, cantada em Português brasileiro, bem etnográfico com as respectivas caneladas na gramática, mas com uma animada forma de ensinar as divisões do tempo geológico, do Arqueano até ao Holoceno, passando pelas subdivisões do Proterozóico, Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico. Vale bem a pena ouvir.

Logotipo do grupo Trio Lobita, com uma trilobite que lhe dá o nome.
O grupo Trio Lobita tem também outras música de cariz geológico como a Calma Carbonato (2013) e a Triste História do Meandro Abandonado (2013). Na sua página de Facebook, o grupo identifica-se como fazendo "geologic music". A terminologia geológica está em português brasileiro.

Em tempos mostrámos um exemplo de música anglófona com dinossauros, incluindo a música "I'm a Paleontologist" que é popularmente dançada no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, numa cena digna de se ver e apreciar: alguns dos mais reputados paleontólogos do mundo dançando I'm a Paleontologist.


segunda-feira, agosto 31, 2015

Vitrais paleontológicos e megafauna brasileira


Vitrais e paleontologia formam uma combinação tão bonita quanto rara. Durante a construção do Grande Hotel de Araxá, em Minas Gerais no Brasil, foram descobertos numerosos vertebrados representantes da megafauna pleistocénica (60 a 55.000 anos) da América do Sul.
Aqui foram recolhidos cavalos Amerhippus neogaeus, preguiça gigante Eremotherium laurillardi, macrauquenídeo Xenorhinotherium bahiense, gonfotério Notiomastodon platensis recolhidos por Llwellyn Ivor Price e Ruben da Silva Santos (Price, 1944) e mais tarde estudados por Simpson e Paula Couto (1957).

Essa jazida formava um barreiro com águas sulfurosas e radioactivas(!) que deram o motivo para um enorme e opulento hotel e termas associadas construídos de 1938 a 1944, que inicialmente estava previsto para albergar um casino antes do jogo ser restrito no Brasil. Por essa razão este luxuoso complexo turístico tem breves alusões a paleontologia de vertebrados. No exterior, perto da fonte, a calçada de estilo português mostra um cavalo, um Xenorhinotherium, uma preguiça e mastodonte. Um expositor apresenta réplicas dos ossos destes animais num recinto forrado a azulejos onde figuram vértebras.

No interior um fabuloso conjunto de vitrais composto de nove painéis de vários metros que contam a história do local. Começa com uma cena pré-histórica com dois Xenorhinotherium, um Toxodon, e três Glyptodon, rodeados de vegetação do Cerrado. O vitral é assinado por Frank Urban. Este é, porventura, um dos poucos e mais impressionantes vitrais paleontológicos da época.

Os ossos originais, sobretudo o material craniano, recolhidos pelo Price estão no Rio de Janeiro. No hotel mantém-se várias caixas com ossos originais, sobretudo pós-craniano, mas não acessíveis ao público.

Vitral paleontológico no Grande Hotel de Araxá (circa 1940-1944) com Toxodon, Xenorhinotherium e Glyptodon.
Na bibliografia aparece com frequência Águas de Araxá, mas esse topónimo não existe, e deveria ser apenas Araxá ou Barreiro.

Pormenores do Grande Hotel de Araxá, no Brasil.

Calçada com megafauna pleistocénica: cavalo, preguiça, macrauquenídeo e gonfotério.



Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Hotel_de_Arax%C3%A1
http://www.abequa.org.br/trabalhos/0018_abequamelo.pdf
http://www.dpnet.com.br/anteriores/1998/03/04/viagem2_1.html

Price LI, 1944. O Depósito de Vertebrados Pleistocênicos de Águas do Araxá (Minas Gerais). An. Acad. Bras. Cienc., 16: 193-196.
Simpson, G. G., & Couto, C. D. P. (1957). The mastodonts of Brazil. Bulletin of the AMNH; v. 112, article 2.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 no Triângulo Mineiro, Brasil

Este ano estamos a participar nos trabalhos de campo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no estado de Minas Gerais, Brasil, a convite do paleontólogo Douglas Riff (UFU).

Prospectámos e escavámos na Formação Adamantina e Formação Marília, membro Echaporã, do Cretácico Superior (Campaniano-Maastrichtiano), onde recolhemos ossos de saurópodes titanossauros, um crânio de crocodilo baurussuquídeo Pissarrachampsa sera e ovos de Bauroolithus.

O bioma desta região é chamado de Cerrado sendo o equivalente sul-americano à savana africana. Vimos arara-canindé, tucano, seriema, maracanã, tamanduá-bandeira, bugio e mais fauna típica deste ecossistema.
Mapa dos locais visitados e escavados (fonte: Google Maps).

Paisagem do Cerrado, perto de Prata (Foto: OM).

Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Campina Verde.
Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Prata, localidade tipo de Maxakalisaurus topai. O Paleontólogo Douglas Riff, está em pé, à esquerda (foto: OM).