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sexta-feira, setembro 04, 2020

Dinossauros do Oeste

Começa amanhã o XL CAP – Curso de Atualização de Professores em Geociências “Por Terras do Jurássico” com um dos dois dias de Webinars (5 e 12 de setembro de 2020).

Estes Webinars, que decorrerão através da plataforma Zoom, constituem Ações de Formação de Curta Duração para pessoal docente.

Destinatários: Docentes dos grupos de recrutamento: 100 (Educação Pré-escolar), 110 (1º Ciclo do Ensino Básico), 230 (Matemática e Ciências da Natureza), 420 (Geografia) e 520 (Biologia e Geologia); Profissionais de Geologia; Outros grupos profissionais; Estudantes; Geoturistas.

Webinar “Por terras do Jurássico I – A Geodiversidade do Aspiring Geoparque Oeste”

Programa (através de Zoom) do dia 5 de Setembro (sábado), disponível aqui, https://xlcap.wordpress.com/webinars, inclui:

09:00 – 09:15 – Sessão de Abertura
09:15 – 09:30 – Apresentação do Curso
09.30 – 10:00 – Apresentação do Geoparque
10.15 – 10:45 – A Geologia da Região Oeste | J. C. Kullberg, FCT-UNL
10:45 – 11:15 – Dinossauros do Oeste | Octávio Mateus, FCT-UNL & ML
11:45 – 12:15 – Jurássico inferior de Peniche – GSSP | Luís Vitor Duarte, UC
12:15 – 12:45 – Paisagens do Oeste | Nuno Pimentel, FCUL
13:00 – Agradecimentos e Fim da Sessão

Iremos abordar as espécies de dinossauros no território do aspirante Geoparque Oeste 

  1. Trimucrodon cuneatus 
  1. Miragaia longicollum 
  1. Eousdryosaurus nanohallucis 
  1. Draconyx loureiroi 
  1. Torvosaurus gurneyi 
  1. Allosaurus europaeus 
  1. Lusovenator santosi 
  1. Lourinhanosaurus antunesi 
  1. Zby atlanticus 
  1. Dinheirosaurus lourinhanensis 
  1. Lusotitan atalaiensis 
  1. Oceanotitan dantasi 




Descritas com holótipo no território

Sem holótipo do território: Phyllodon henkeli, Abelisauridae, Ceratosaurus, ?Dacentrurus armatus, + icnoespécies, + 150 de aves.

Todos os holótipos, excepto T. gurneyi, são provenientes do município da Lourinhã


terça-feira, dezembro 31, 2019

Pegada de dinossauro na imagen institucional da Lourinhã


O Município da Lourinhã escolheu, entre outros símbolos, pegadas tridáctilas de dinossauro para representar o concelho na sua nova imagem institucional anunciada ontem (30 de dezembro de 2019).



Replicamos aqui a notícia da Lusa disponível no sítio da RTP, mas veja também o sítio do próprio município.


Município da Lourinhã renova imagem institucional para atrair turistas
por Lusa, 30 Dezembro 2019
   
A Câmara da Lourinhã, no distrito de Lisboa, apresenta hoje a sua nova imagem institucional, cerca de 20 anos após a última alteração, para ajudar a captar turistas para o concelho.

"Tornou-se premente a atualização da imagem institucional de forma adequar a estratégia municipal de turismo à forma como comunicamos institucionalmente", justificou o presidente da câmara, João Duarte Carvalho, à agência Lusa.

Para o autarca, a renovação da imagem institucional "permite afirmar o território da Lourinhã como uma marca, com posicionamento estratégico nos mais variados campos e voltada essencialmente para a captação de turismo e investimento".

A nova imagem gráfica institucional inscreve pegadas de dinossauros para assinalar a presença de achados paleontológicos no concelho, o sol e mar, o canhão em alusão à Batalha do Vimeiro de 1808, durante as invasões francesas, e um coração, alusivo ao mito de Pedro e Inês de Castro, associado à localidade do Moledo, enquanto definidores da identidade concelhia.

Os dinossauros vão continuar a ter uma forte presente no logótipo, mas "o objetivo será dar a conhecer aos visitantes e turistas as outras histórias e estórias da Lourinhã", sublinhou João Duarte Carvalho.

Os elementos constantes no logótipo do município vão ao encontro dos cinco eixos estratégicos de desenvolvimento do concelho, previstos na Estratégia para o turismo da Lourinhã 2019-2027, que foi também apresentada.

Além da atração de turistas, é objetivo da estratégia gerar uma consequente resposta por parte dos investidores e operadores do concelho na criação de projetos que contribuam para esse desenvolvimento.

Os eixos de desenvolvimento passam por potenciar o turismo paleontológico, o turismo militar, o mar e a gastronomia a ele associada, os produtos da terra e o mito Pedro e Inês de Castro, de acordo com a estratégia, a que a Lusa teve acesso.

Para a implementação estratégica, é definido um programa de ações, como melhoria dos postos de turismo, formação dos agentes turísticos e de guias, instalação de uma sinalética homogénea nas rotas e espaços de interesse turístico, incentivo à criação de artesanato temático, criação de áudio guias e de rotas alusivos à aguardente, à produção de abóbora, ao mito de Pedro e Inês de Castro e pelas azenhas existentes no concelho.

São propostos encontros, festivais e outras atividades culturais temáticas que ajudem a diversificar a oferta de animação, a organização de provas desportivas, encontros literários, o reforço das marcas "Batalha do Vimeiro 1808 e "Lourinhã, capital da Abóbora", e a criação de um Centro Interpretativo da Aguardente da Lourinhã.

O município pretende tirar partido da proximidade a Lisboa e ao aeroporto da capital para atrair turistas.

A estratégica para a próxima década traça como objetivos aumentar em 4,2% a média de dormidas, em 7% as receitas geradas no concelho, duplicar o nível de habilitações dos agentes turísticos e conseguir ter turistas todo o ano, reduzindo em 4% a sazonalidade.

O município pretende ainda que 90% das empresas turísticas adotem medidas de utilização eficiente de energia e da água e desenvolvam ações de gestão eficiente dos resíduos.

No concelho existem oito unidades de alojamento, das quais apenas duas são hotéis, com uma capacidade total inferior a 400 hóspedes.
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quinta-feira, dezembro 12, 2019

Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos na Lourinhã


Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos habitaram a Lourinhã há 150 milhões de anos. Os crocodilomorfos, grupo que inclui os crocodilos actuais e seus ancestrais mais próximos, foram muito abundantes e diversos no final do Jurássico, há 150 milhões de anos atrás. Um novo estudo, focado em minúsculos dentes recolhidos nas falésias da Lourinhã, mostrou que pelo menos cinco espécies coabitaram nas proximidades, num sistema de rios jurássicos da região.


Reconstrução artística dos crocodilomorfos da Lourinhã (arte por Pedro Andrade)
Este trabalho foi agora publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society, parte integrante de uma dissertação de mestrado em Paleontologia por Alexandre Guillaume, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, agora a começar o seu doutoramento com foco em microfósseis (fósseis menores que 5 mm) de vertebrados. Esta tese foi coordenada pelos paleontólogos das mesmas instituições, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos. 
Centenas de quilos de sedimentos jurássicos da Lourinhã Portugal foram peneirados e os fósseis, que podem ser tão pequenos quanto um milímetro, foram triados e incorporados nas colecções do Museu da Lourinhã. De entre os milhares de fósseis encontrados, os pequenos dentes de crocodilomorfos estão entre os elementos mais comuns nesses sedimentos, pertencendo a espécies pequenas e a juvenis de espécies maiores.
Em mais de 120 dentes, colectados entre 2017 e 2018, foi possível distinguir 10 morfologias diferentes, de 5 táxones diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado. O Lusitanisuchus já era conhecido a partir de material fóssil da Mina da Guimarota, em Leira, mas esta é a sua primeira descoberta na Lourinhã. Também é de notar a ausência de dentes pertencentes ao Machimosaurus hugii, um crocodilomorfo marinho cujos dentes provenientes de Lourinhã já foram encontrados e publicados, e ao Lisboasaurus estesi, outro crocodilomorfo da Mina da Guimarota, nas amostras estudadas. Finalmente, o pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam eram jovens ou de espécies pequenas. Contudo, restos esqueléticos precisam ser encontrados para responder a esta pergunta.
Este estudo não aborda apenas a diversidade das faunas jurássicas, mas também explora as suas relações ecológicas. As diferentes morfologias observadas nos dentes permitiram distinguir 4 comportamentos alimentares diferentes: os goniofolídeos alimentavam-se de  presas com concha e moles, como jacarés modernos; os bernissartídeos de animais com conchas, como caracóis ou moluscos; os atoposaurídeos e Lusitanisuchus de pequenos artrópodes, como insetos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios, como os crocodilianos juvenis existentes; e, por último, o crocodilomorfo indeterminado era um predador carnívoro terrestre.
A recolha desses pequenos microfósseis é um trabalho árduo, envolvendo mais de 700 horas de trabalho cuidadoso, realizado pelos autores, mas, principalmente, por voluntários do Museu da Lourinhã e estudantes da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente, um projecto de ciência cidadã, MicroSaurus, treina visitantes do Museu da Lourinhã e do Parque dos Dinossauros da Lourinhã para encontrar esses pequenos, mas valiosos, vestígios do passado.
Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC-CTAPAL-31656-2017 e bolsas de post-doutoramento) e pela bolsa de pesquisa Microsaurus-SuperAnimais 3, financiada pela empresa Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Artigo científico: 
Guillaume, A. R. D., Moreno-Azanza M., Puértolas-Pascual E., & Mateus O. 2019. Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal, Zoological Journal of the Linnean Society, zlz112, https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlz112


Trabalhos de recolha de rocha para obter microfósseis de vertebrados. As rochas são posteriormente lavadas, com crivos.
Lupa binocular no laboratório da Universidade Nova de Lisboa para fotografar os dentes do crocodilomorfos.
Os dentes são separados dos fragmentos de rocha com ajuda de uma lupa e um pincel.
Alexandre Guillaume recolhendo microfósseis durante a ExpoLourinhã em 2019.

quarta-feira, novembro 13, 2019

Novo esqueleto de dinossauro Miragaia dá novas pistas sobre a evolução dos estegossauros e resolve antigos mistérios na paleontologia



Um esqueleto quase completo de dinossauro descoberto há 60 anos na Atouguia da Baleia, concelho de Peniche, resolve dois mistérios sobre dinossauros estegossauros: Miragaia é um género válido, e uma espécie descoberta muito antes na América do Norte é na realidade mais aparentada a espécies europeias.
Francisco Costa e Octávio Mateus, paleontólogos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e colaboradores do Museu da Lourinhã, descreveram na prestigiosa revista científica PLOS ONE um novo espécime, excepcionalmente completo do dinossauro estegossauro Miragaia longicollum, do Jurássico Superior de Atouguia da Baleia em Peniche, Portugal. 
Este espécime recentemente descrito, propriedade do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), é o estegossauro mais completo descoberto na Europa e o dinossauro mais completo descrito de Portugal. Este é revelador quanto a várias partes do corpo de esqueleto da espécie previamente desconhecidos, especialmente da metade traseira do esqueleto, ajudando a resolver muitos dos seus mistérios científicos. 
Este novo esqueleto foi encontrado em 1959 por Georges Zbyszewski, enquanto realizava levantamentos de geocartografia para os Serviços Geológicos de Portugal, e desde então ficou guardado em reserva no LNEG, até que em 2015 Francisco Costa começou a o estudar como o tópico principal de tese de Mestrado em Paleontologia, sob coordenação de Octávio Mateus. Durante este estudo, este esqueleto com 152 milhões de anos foi completamente preparado no LNEG, onde Francisco Costa beneficiou duma bolsa de investigação financiada pelo LNEG para desenvolver este projecto.
Estegossauros são dos dinossauros mais icónicos, melhor conhecidos pelo género Stegosaurus, mas os seus fósseis são dos mais raros mundialmente, fazendo deste grupo um dos mais misteriosos entre dinossauros. "Em Portugal e Espanha, no entanto, a situação é diferente: estegossauros da pequena subfamília Dacentruriane são alguns dos dinossauros mais comuns e com mais distribuição", afirmou Francisco Costa. Esta subfamília foi descoberta na Inglaterra na década de 1870, com parte do esqueleto traseiro dum dinossauro chamado Dacentrurus armatus. Na década de 1990, a metade frontal dum esqueleto foi encontrada na Lourinhã, em Portugal, que levou em 2009 ao baptizmo da nova espécie de estegossauro Miragaia longicollum. Dado que estes, os espécimes de referência de ambas estas espécies, estão apenas parcialmente completos, com material de possível comparação limitado, isto levou os paleontólogos a regularmente discutirem a validade de M. longicollum como espécie e a classificação dos variados dacentrurinos conhecidos na Europa. Dacentrurus era conhecido pelos membros posteriores e cauda, enquanto que Miragaia era conhecido pelo pescoço, cabeça e membros anteriores. As duas espécies não podiam ser comparadas adequadamente até hoje.
Para resolver esta situação, o espécime recentemente descrito, o dacentrurino mais completo conhecido, tem servido de "Pedra de Rosetta" dado que ele inclui tanto esqueleto frontal como traseiro. Este permitiu confirmar que Miragaia longicollum é uma espécie válida e distinta, baseado em 29 características morfológicas distintas.
Este espécime também permitiu uma descoberta adicional inesperada, resolvendo um enigma com mais de um século de idade sobre um dos estegossauros mais misteriosos: Alcovasaurus longispinus do Jurássico Superior do Wyoming (EUA), conhecido pelos seus espinhos caudais excecionalmente longos. Só um espécime foi encontrado, em 1908, que foi destruído por uma inundação na década de 1920, só sobrevivendo algumas ilustrações dos seus ossos fósseis. A posição deste animal na árvore da vida manteve-se um mistério desde então, até que várias características osteológicas partilhadas com o espécime português, principalmente na cauda, revelaram que esta espécie americana é de origem europeia e com parentesco próximo de Miragaia longicollum. Isto permitiu reclassificar a espécie e com a nova combinação Miragaia longispinus, dados os fortes indícios que ela pertence ao género Miragaia. Isto comprova a presença de um novo grupo de dinossauros na América do Norte. 
O estegossauro de Atouguia da Baleia estará em breve exposto em posição de vida no Museu Geológico do LNEG (Lisboa), como resultado dum projecto do LNEG em parte financiado pelo Parque dos Dinossauros da Lourinhã. O estudo deste espécime e de outros estegossauros europeus continuará na investigação de doutoramento por Francisco Costa, sob coordenação de Octávio Mateus. 
"MG 4863 é um adição de valor inestimável ao registo fóssil português, contribuindo largamente para melhor compreender tanto Dacentrurinae como estegossauros num todo, os paleoecossistemas do Jurássico Superior na Europa e trocas através do proto-Oceano Atlântico Norte com a América do Norte", afirma Octávio Mateus, um dos autores que baptizou e primeiro descreveu o dinossauro Miragaia.
Como é um estegossauro dacentrurino? Os estegossauros são dos animais pré-históricos mais icónicos, facilmente reconhecidos entre outros dinossauros herbívoros quadrúpedes pela fileira dupla de placas e espinhos que os adornam desde a pequena cabeça até à ponta da cauda. Estegossauros dacentrurinos são, mesmo entre estegossauros, particularmente enigmáticos e únicos, evidenciando os espécimes de Miragaia pescoços excepcionalmente compridos, espinhos caudais de lâmina dupla com recorde de comprimento, músculos dos braços particularmente vastos e caudas especializadas com grandes espinhos.

O artigo completo pode ser acedido em Open access aqui:
Costa, F. & Mateus, O. (2019). Dacentrurine stegosaurs (Dinosauria): a new specimen of Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal resolves taxonomical validity and shows the occurrence of the clade in North America. PLOS ONE https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0224263

Figura 1. Miragaia MG 4863 de Atouguia da Baleia

Figura 2. Reconstrução esquelética de Miragaia MG 4863, com um homem de 1.8m de altura para escala

Figura 3. Miragaia MG 4863 no início do estudo em setembro de 2015 (esquerda), e em março de 2016 após alguma preparação laboratorial para remoção de sedimento (direita)

Figura 4. Os dois autores do artigo científico, Octávio Mateus (esquerda) e Francisco Costa (direita), trabalhando com o crânio de Miragaia
Figure 5. Francisco Costa a estudar o espécime de referência de Miragaia longicollum no Museu da Lourinhã

Figure 6. Preparação laboratorial de uma vertebra dorsal de Miragaia MG 4863 
Figure 7. Vértebras do pescoço de Miragaia MG 4863, como guardadas em reserva no LNEG no início do estudo 
Figure 8. Vértebras caudais de Miragaia MG 4863

Figure 9. Reconstrução esquelética de Miragaia MG 4863 com alguns dos elementos fósseis mais relevantes


Actualização
Impacto nos meios de comunicação sociais:
https://www.alvorada.pt/novo/index.php/12-sociedade/818-esqueleto-de-dinossauro-de-atouguia-da-baleia-resolve-antigos-misterios-na-paleontologia
https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/dinossauro-descoberto-em-peniche-da-novas-pistas-sobre-os-estegossauros
https://blogs.scientificamerican.com/laelaps/old-stegosaur-alters-history-of-armored-dinosaurs
https://observador.pt/2019/11/14/investigadores-portugueses-revelam-importancia-de-dinossauro-guardado-ha-60-anos-o-mais-completo-estegossauro-da-europa/
https://www.noticiasaominuto.com/pais/1358007/paleontologos-reclassificam-dinossauro-com-base-em-especie-portuguesa
https://observador.pt/2019/11/13/paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa/
https://sicnoticias.pt/mundo/2019-11-13-Paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa
https://www.tsf.pt/portugal/cultura/paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa-11511573.html

segunda-feira, novembro 04, 2019

Pequeno esqueleto do Jurássico da Lourinhã mostra a evolução da couraça dos crocodilos

Um pequeno antepassado dos crocodilos, com 150 milhões de anos, foi descoberto nas rochas jurássicas da Lourinhã e ajuda a explicar a evolução e origem da couraça óssea que existe na pele destes répteis.

Os paleontólogos Eduardo Puértolas Pascual e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, acabam de anunciar um novo fóssil de crocodilomorfo-anão do Jurássico de Portugal publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society. Este trabalho faz parte do trabalho de investigação científica sobre crocodilomorfos de Portugal, que Eduardo Puértolas tem realizado como parte da investigação de pós doutoramento. Os crocodilomorfos são o grupo de répteis que deu origem aos crocodilos modernos e o fóssil, carinhosamente apelidado "crocodilinho", consiste em parte de um esqueleto em conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes, vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores. Em vida, o animal teria menos de um metro.
O "crocodilinho" foi recuperado na Praia de Peralta (Lourinhã, Portugal), em 1999, por  Leandro Pereira um residente do Concelho da Lourinhã à data. Já em 2014 e por mediação de Ana Luz, sua amiga e voluntária no Museu da Lourinhã, Leandro  doou a peça à coleção paleontológica do Museu da Lourinhã.
O fóssil é composto por vários ossos articulados, parcialmente coberto por matriz rochosa. Para facilitar seu estudo, o espécime foi levado para os laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH, Burgos, Espanha), onde foi submetido a uma micro Tomografia Computorizada (micro TC). Esta tecnologia tem sido amplamente utilizada em paleontologia, há vários anos, e permite a obtenção de imagens de seções do objeto, através de raios-X. As imagens obtidas possibilitaram criar modelos 3D, que permitem observar morfologias externas e internas.




Graças a essa técnica, foi possível estudar todos os ossos, incluindo partes não visíveis, e compará-los com outros crocodilomorfos da época. A presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral), e a presença de osteodermes ventrais poligonais, indicam que, muito provavelmente, o "crocodilinho" é um membro da família já conhecida no Jurássico, os Goniopholididae mas não tendo sido possível determinar a que gênero ou espécie em particular o fóssil pertencia ou se corresponde a uma nova espécie.
Este tipo de crocodilomorfos que podem atingir tamanhos até mais de 5 m de comprimento, no entanto, estimou-se que o “Crocodilinho” medisse menos de um metro de comprimento, daí a sua alcunha. Mas será que as pequenas dimensões deste exemplar significam que se tratava de um juvenil, ou de uma espécie estranhamente pequena? É uma questão para já sem resposta. Para a obter, é necessário determinar a idade do indivíduo e esse é um trabalho ainda em curso.


Informação adicional
O fóssil do “Crocodilinho” (ML 2555) foi descoberto em depósitos de origem continental,  do Jurássico Superior, pertencente à Formação da Lourinhã. Esta unidade geológica aflora um pouco por toda a Região Oeste, sendo conhecida mundialmente pela grande quantidade de fósseis de dinossauro nela encontrados. Esta é sem dúvidas uma das regiões mais ricas do mundo em descobertas de Dinossauros e com uma herança de interesse geológico que remonta a mais de 150 milhões de anos.
A família dos Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram principalmente na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e o Cretácico. Embora sua morfologia geral se assemelhe à dos crocodilos atuais, esta linhagem que se separou de jacarés, crocodilos e gaviais no Jurássico, apresentando consideráveis ​​diferenças anatómicas. Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica. Esta armadura dérmica é formada por osteodermes que possuem principalmente três funções: proteção, absorção de calor e estabilidade. A estabilidade é alcançada pelo que é chamado de "sistema de suporte", consistindo num conjunto de vértebras, osteodermes e músculos que, atuando como um todo, conferem estabilidade ao esqueleto do organismo durante a sua locomoção.
A descoberta deste novo espécime, preservado em conexão anatómica e em 3 dimensões, serviu para testar hipóteses anteriores sobre o “sistema de suporte” desta família de répteis. Um esqueleto deste tipo daria a rigidez e estabilidade necessárias para para a locomoção deste grupo de organismos em terra. No entanto, isso significaria que perdesse alguma da flexibilidade lateral durante a natação.
A idade do indivíduo a que pertenceu este fóssil será determinada por estudos dos tecidos ósseos, que irão decorrer dentro em breve. Só assim será possível saber se exemplar pertenceu a uma espécie anã ou se é realmente um indivíduo juvenil de uma espécie maior.


Referência
Puértolas-Pascual, E; Mateus, O. 2019. A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlz102 


Resumo do artigo em inglês:
We here describe an articulated partial skeleton of a small neosuchian crocodylomorph from the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal). The skeleton corresponds to the posterior region of the trunk and consists of dorsal, ventral and limb osteoderms, dorsal vertebrae, thoracic ribs and part of the left hindlimb. The paravertebral armour is composed of two rows of paired osteoderms with the lateral margins ventrally deflected and an anterior process for a ‘peg and groove’ articulation. We also compare its dermal armour with that of several Jurassic and Cretaceous neosuchian crocodylomorphs, establishing a detailed description of this type of osteoderms.
These features are present in crocodylomorphs with a closed paravertebral armour bracing system. The exceptional 3D conservation of the specimen, and the performance of a micro-CT scan, allowed us to interpret the bracing system of this organism to assess if previous models were accurate. The characters observed in this specimen are congruent with Goniopholididae, a clade of large neosuchians abundant in most semi-aquatic ecosystems from the Jurassic and Early Cretaceous of Laurasia. However, its small size, contrasted with the sizes observed in goniopholidids, left indeterminate whether it could have been a dwarf or juvenile individual. Future histological analyses could shed light on this.


Crocodilomorfo da Lourinhã na capa do Zoological Journal


Nos meios de comunicação social:
https://www.publico.pt/2019/11/04/ciencia/noticia/evoluiu-couraca-crocodilos-fossil-lourinha-pistas-1892480
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/estudo-revela-que-couraca-dos-crocodilos-e-diferente-da-dos-seus-antepassados
https://zap.aeiou.pt/couraca-crocodilos-diferente-antepassados-289684
https://torresvedrasweb.pt/pequeno-esqueleto-do-jurassico-da-lourinha-mostra-a-evolucao-da-couraca-dos-crocodilos/

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Formação da Lourinhã

A unidade geológica conhecida como "Formação da Lourinhã" foi objecto de um artigo científico no último volume da revista Ciências da Terra / Earth Sciences Journal, num trabalho de colaboração entre a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra, como base para a saída de campo do congresso Strati em 2013.

 Interpretação paleogeográfica da Bacia Lusitaniana durante o Titoniano inferior (ilustração de Simão Mateus) (Mateus et al., 2017)





Afloramentos de Kimmeridgiano superior do membro de Porto Novo no Vale das Pombas: A, corpo de arenito do canal fluvial dentro da planície de inundação e depósitos de crevasse-splay; B, escavação de dinossauros saurópode; C, detalhe de um canal de arenito com cama cruzada mostrando uma ampla extensão de paleocorrentes


A Formação da Lourinhã é uma formação geológica do Jurássico Superior, Kimmeridgiano a Titoniano (155 a 145 M.a.), localizado no oeste de Portugal, conhecido pela fauna fóssil rica, sobretudo de dinossauros, mas também de tartarugas, crocodilomorfos, mamíferos, lagartos, etc.

A região Oeste é das áreas mais produtivas para os dinossauros e outros vertebrados do Jurássico  Europa, nomeadamente para a Formação da Lourinhã, que é contemporânea com a Formação de Morrison, no centro-oeste da América do Norte.
A fase de rifting Jurássico da Bacia Lusitânica criou várias sub-bacias separados por falhas principais. Na área ocidental e central da bacia, a estrutura de Caldas da Rainha separa três sub-bacias com diferentes características de subsidência e de enchimento: Consolação para a oeste, Bombarral-Alcobaça ao noroeste e Turcifal com a sudeste. A sucessão do Jurássico Superior à base do Cretácico exposta nas arribas costeiras localizadas entre Nazaré e Santa Cruz pertence à Sub-bacia da Consolação, enquanto que os afloramentos costeiros entre Santa Cruz e Ericeira expõe unidades da Sub-bacia do Turcifal.




Fósseis do afloramento Porto Batel (unidade Consolação): A, tartaruga; B, preenchimento de pegada de dinossauro; C. Fuersichella bicornis (Sharpe, 1850) com padrão de cor (ML1804); D, recife com corais  (Mateus et al., 2017).


Para enquadrar as paragens num contexto coerente, dá-se destaque e detalhe às unidades da área visitada. A estratigrafia do Jurássico Superior da bacia é bastante complexa e não existe nenhuma proposta totalmente aceita na generalidade, sendo, por isso, apresentada uma revisão de litostratigrafia, sedimentologia, idade e interpretações ambientais. Interpretações sobre o paleoclima, paleogeografia e tafonomia contribuem para uma descrição geral do ambiente onde os dinossauros viveram e para a compreensão das condições para a sua fossilização e preservação.

Esta descrição das localidades e horizontes desenrola-se de norte para o sul, incidindo sobre os vertebrados, sedimentologia e estratigrafia. A primeira paragem é no Kimmeridgiano superior da Consolação que mostra um paleoambiente marinho pouco profundo a deltaico da Formação de Alcobaça, na qual assenta a Formação da Lourinhã. Mais a sul, o forte de Paimogo permite uma vista panorâmica sobre a Fm. da Lourinhã: para o norte estão os membros Praia da Amoreira - Porto Novo (planície de aluvião costeira inferior, incluindo a parte distal e sistemas fluviais sinuosos; Kimmeridgian superior) e o Membro Praia Azul para o sul (aluvião e planície costeira, com três níveis de carbonato transgressivo e faunas salobra-marinhas distintas; Kimmeridgiano superior e base do Tithonian). Em Paimogo encontra-se os locais onde ovos de dinossauro terópode e um esqueleto saurópode foram recolhidos. A paragem no Museu da Lourinhã permite visitar uma das mais importantes coleções de vertebrados do Jurássico superior na Europa. A última paragem, no Porto da Calada, aborda a parte superior do Membro da Assenta da Formação da Lourinhã (sistema fluvial com meandros e com intercalações de carbonatos de origem lagunar e marinha rasa; do Titoniano superior à base do Berriasiano) e Formação Porto da Calada (sistema fluvial meandrico com os níveis de finos de carbonatos estuarinos e intertidais; do Berriasiano), incluindo assim o limite Jurássico-Cretácico.


Paimogo, nível com primeira transgressão marinha (Mateus et al., 2017)

Sub-bacias sedimentares da Formação da Lourinhã (Mateus et al. 2017, baseado em Taylor et al., 2013).

Localidades de Paimogo e Caniçal com indicação das transgressões marinhas (Mateus et al. 2017)






Referência completa:
Mateus, O., Dinis J., & Cunha P. P. (2017).  Lourinhã Formation: Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked. Ciências da Terra / Earth Sciences Journal. 19(1), 75-97.  PDF

terça-feira, julho 25, 2017

Entre 11 e 13 de Agosto, os dinossauros saem à rua



“Dinossauros Saem à Rua”, iniciativa organizada em parceria entre o GEAL – Museu da Lourinhã, a Câmara Municipal da Lourinhã e a União de Freguesias da Lourinhã e Atalaia, é um evento de âmbito cultural e turístico que visa a divulgação da ciência e do conhecimento, designadamente no domínio da Paleontologia, tendo fins pedagógicos e de entretenimento e lazer.


Estão previstas, para os dias 11, 12 e 13 de Agosto, diversas actividades destinadas ao público de todas as idades: ateliers, exposições, jogos e experiências cientificas, animação de rua, street food, conferências e cinema 360º, para citar algumas. 

Mais informações em:

segunda-feira, novembro 16, 2015

Dinossauros bombons


Dinossauros e bombons de chocolate negro e menta com recheio de Aguardente DOC Lourinhã é nova saborosa combinação lançada pela empresa Doce Lourinhã (www.bombons.pt), para a qual tivémos a honra de fazer um prova antecipada e poder escolher o nome do bombom: 'mimossauro'. É mais um exemplo na "Capital dos Dinossauros" em que a sociedade acarinha o trabalho paleontológico.




Agradeçemos à Sílvia Baptista pela criação e imagens.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Escavações paleontológicas no Jurássico da Lourinhã

No final de Junho e início de Julho de 2015 decorreram as escavações paleontológicas no Jurássico Superior da Lourinhã, na clássica Campanha de Verão organizada pelo Museu da Lourinhã, com a participação de docentes do Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa e estudantes do Mestrado em Paleontologia da FCT+UÉ. As actividades decorreram no concelho lourinhanense, sobretudo na costa da Peralta.
Recolheram-se microfósseis, ossos de saurópode e numerosas pegadas, tanto de saurópodes, como de estegossauros e pterossauros.

Preparação de fósseis no Laboratório do Museu da Lourinhã (foto: F. Costa).

Escavação e recolha de pegadas (foto: F. Costa).
Parte da equipa de escavação.

E, como sempre, há muito trabalho a realizar no laboratório, pelo que apelamos à participação de voluntários.

sábado, março 15, 2014

Dinossauros colocam Lourinhã na BBC

Os dinossauros colocam Lourinhã na BBC com o artigo "The Portuguese town where dinosaurs once roamed" assinado pela jornalista da BBC em Lisboa, Alison Roberts, que aqui replicamos:


The Portuguese town where dinosaurs once roamed


Octavio MateusPalaeontologist Octavio Mateus shows a tooth belonging to the newly identified predator

The recent identification in Portugal of what scientists believe to be the largest predator ever to roam the European landmass is just the latest boost for a small town that has become known as "land of the dinosaurs".
It is also the latest chapter in the fairytale story of a local boy who made his first big discovery at the age of nine - of a huge tooth from this same dinosaur - and who today leads the research project whose findings have been making headlines worldwide.
In a laboratory piled high with fossils, Octavio Mateus holds up a tooth the size of a dagger from the newly identified species - just like the one he found as an excited child.
"With this blade-like tooth you can clearly see the serration - this was a fierce predator," he explains. "Compare it with Tyrannosaurus rex, which has teeth like bananas - they are very round in cross-section, adapted to crush through bone - while these were to cut through flesh.

Start Quote

What the museum gives to Lourinha is not only the fossils but their identity: People see in dinosaurs part of themselves”
Octavio MateusPalaeontologist
"This shows different feeding strategies in the evolution of these animals, although they are superficially similar."
Now 38, Octavio is a professor at Lisbon's Universidade Nova (New University), where he teaches the country's first-ever degree in palaeontology.
But he still spends plenty of time here at the museum in Lourinha, 50km (30 miles) north of the capital, that his parents helped found 30 years ago to house rich local ethnographical and archaeological finds.
Jurassic trove
Ironically, the paleontological section was something of an afterthought. Today, hugely expanded, it is the big draw that brings some 25,000 visitors a year to a town with a population of just 7,000.
The truth is that Lourinha has just two claims to fame. The area is one of only three officially recognised producers of brandy (the others being the more famous Cognac and Armagnac, both in France), and its rocks are, thanks to their geology and accessibility - above all in cliffs along the Atlantic coast - a treasure trove of Jurassic-era fossils.
Dinosaur roundabout in LourinhaLourinha proudly lives up to its claim of being the "land of the dinosaurs"
Bakery in Lourinha...with many shops using cartoons of the prehistoric creatures in their logos
Bakery in LourinhaThis bakery even displays a massive fossilised leg bone next to its delicious pastries
As the finds have multiplied and the museum's displays grown, locals have taken ever more pride in their unique heritage.
Lourinha businesses often have the word "dino" in their name, and many logos feature a cartoon version of one of the extinct beasts. In one cafe, a massive fossilised leg bone stands, like a pillar, next to the pastry counter.
Welcome signs at the town entrance inevitably feature a rampant dinosaur, and one roundabout is dominated by large metal silhouettes of three of the beasts. Dinosaur-themed souvenirs abound.
All the fuss is justified. The museum - housed in the old town courthouse - boasts a collection of dinosaur fossils from the Upper Jurassic that is the largest in Iberia and among the most important in the world.
Lou-Octavia Morch, an art student from France who is torn between specialising in archaeological and paleontological drawing, says Lourinha is ideal for either. This is thanks to remains from a necropolis nearby and other ancient sites, as well as the famous fossils.
"It's inspiring for both," she says as she sketches a human skull, as part of her two-month spell at the museum. "It's amazing, full of lots of things to study here. I could stay years."
Dinosaur-related items on display range from complete skeletons to a fossilised nest with dozens of eggs, crushed but still in place, with hundreds of pieces of shell visible as well as the remains of two embryos.
The nest was just one of the many breathtaking finds made by the Mateus family during outings that, for Octavio, began when he was little more than a toddler.
"I was virtually born in a dinosaur's nest," he jokes.
If you want to get children interested in science, it is hard to think of a better way than for them to dig up a dinosaur.
Few can boast of having dug up several - and of going on to identify whole new species.
Family affair
One of the dinosaurs to be found in the museum is the predatorLourinhanosaurus, identified as a new species by Octavio himself while he was still a biology undergraduate.
"This species received the name of the town, which for us is a bit iconic," he stresses.
Simao MateusOctavio Mateus's brother, Simao, organises guided tours in the museum
In the course of his research career, Octavio has not only continued to make major finds in Portugal, but discovered both Angola's and Bulgaria's first dinosaurs.
His latest field trip was to Greenland, as part a team that discovered fossils from two phytosaurs - large reptiles that are similar to crocodiles but from the Triassic era, 200 million years ago.
But the Lourinha museum, in whose lab he spends hours preparing local fossils, is clearly a special place for him.
In its palaeontology section hangs a giant fossilised skull from the dinosaur that - as a result of the study published by Mateus and his collaborator in Lisbon, Christophe Hendrickx - has now been given the name Torvosaurs gurneyi.
Size comparisonThis diagram gives some sense of how big the Torvosaurs gurneyi would have been
That distinguishes it from Torvosaurus tanneri, whose remains are found in rocks of a similar age in North America, known as the Morrison formation.


Both of these theropods - two-legged carnivores - roamed the Earth some 150 million years ago (80 million before T-rex) but, according to the new analysis, had evolved into separate species after the last land bridges between Europe and America disappeared.
Palaeontology in Lourinha remains something of a family affair. Octavio's father Horacio - the driving force in founding the museum - passed away last year, but his brother Simao brims with enthusiasm in guiding visitors around the displays. He recently completed a master's in museology and his sister Marta has also done stints as a volunteer.
Upper-jaw partThe upper-jaw bone, or maxilla, has enabled the scientists to put the dinosaur in context
Simao, who also writes and illustrates children's books about dinosaurs, provided sketches for Octavio's latest research paper.
For the town, these long-extinct beasts have brought fame and a strong sense of community.
"What the museum gives to Lourinha is not only the fossils but their identity," says Octavio. "People see in dinosaurs part of themselves."
The museum is a community venture, with everyone from the director to the secretary working for free, making it largely self-financing. The town council provides one fifth of its budget - clearly a good investment.
"It wouldn't be possible in any other way to have the name of this municipality spread as it is," points out Octavio. "The brandy is considered one of the best in the world, but dinosaurs have a very large impact."



Alison RobertsLou-Octavia Morch says the research is 'amazing'

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