quarta-feira, outubro 21, 2009
Os Eurodeputados que temos! Demita-se Sr. Mário David
domingo, março 29, 2009
"O ateísmo é o flagelo do género humano"
Decorreu, de forma muito interessante, o debate “ Darwin: o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade,
Teve como participantes/oradores o Professor
O
Entre elas: “O ateísmo é irracional, prejudicial ao homem, prejudicial à sociedade, o flagelo do género humano”, “faz das pessoas animais ferozes”, até “canibais” e ainda “Duvidar é uma demência”.
Apesar destas provocações carregadas de ódio pelos ateus, ninguém no debate (excepto eu) pediu explicações. Isto mostra a postura da nossa sociedade relativamente ao meio clerical em que podemos criticar todos excepto os clérigos.
Todos criticariam se fosse um político a dizer isto da oposição, um cientista a dizer de um colega, ou qualquer outra pessoa que proferisse tais palavras. Mas não se critica por ser um padre a tratar de religião. Porquê? Ninguém está acima da crítica, seja ele cientista, político, ou claro, clérigo. Mostra quão real é o cartoon que foi motivo de post no dia anterior.
Acabei por fazer-lhe 4 perguntas: 1) Como é que Voltaire tinha criticado Darwin se viveu um século antes?; 2) Que enunciasse um estudo científico que punha em causa a evolução darwiniana; 3) que justificasse a frase “duvidar é uma demência”; e 4) que enunciasse as provas de existência de deus (referidas na entrevista no Jornal Voz da Verdade). A sua resposta cingiu-se a um mero “É preciso termos mais tolerância”. Ainda bem que é o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” ...
segunda-feira, março 09, 2009
À conversa com...
Vale a pena ver as declarações de um padre católico sobre a Evolução.
Num ano em que se discute tanto a teoria proposta por Darwin e Wallace em 1958, não poderia estar mais de acordo com todas as frase proferidas por este Jesuíta.
Uma lição de humildade e sabedoria comum à ciência e ao cristianismo.
Enormes são as críticas que se podem fazer, mas neste aspecto, somos usualmente muito ignorantes sobre a posição da Igreja. O resultado é, normalmente, colocar todos os religiosos no mesmo saco. Infelizmente somos assim...
Por favor, não percam o resto da entrevista que está disponível no youtube!
Publicado simultaneamente no Conjurado
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Ciência vs. crenças mitológicas
Fico arrepiado cada vez que vou a uma livraria e vejo uma quantidade bem superior de livros respeitante crenças em mitos e seres sobrenaturais do que livros científicos.
Porquê acreditar, sem evidências, na mitologia ancestral como astrologia, tarots e a seres sobrenaturais como fadas, fantasmas, dragões e deuses?
Incrivelmente, no século XXI, uma esmagadora maioria da população ainda acredita em mitologias que não são suportadas por qualquer evidência, não estão provadas cientificamente, e que muito provavelmente não são reais, tais como actividades de astrologia, tarots e magias ou seres sobrenaturais como fadas, fantasmas, unicórnios, anjos, espíritos, dragões e deuses, sejam eles Thor, Zeus, Alá, ou o deus católico!
Criacionismo versus Evolução
Fé versus Razão? Religião versus Ciência?
Acordámos, de repente, para um problema que é bem maior do que pensávamos: o criacionismo está entre nós e parece estar a ganhar força.
Mas o que significa isto? É uma luta entre ignorância e Razão? Religião e Ciência?
A diferença entre estas duas vertentes é enorme: a Ciência baseia-se em evidências lógicas, sem certezas categóricas; a Fé e a Religião baseiam-se em certezas categóricas sem evidências lógicas.
A Ciência reconhece-se como um processo construtivo em que não existem verdades dogmáticas pré-definidas, sejam elas a Evolução ou outra qualquer vertente científica: existem deduções com base em evidências lógicas. Se novos dados mostrarem que as teorias estavam erradas, então a Ciência adapta-se porque o objectivo final é compreender a realidade. Doa a quem doer.
A Religião tem como base a fé axiomática, gozando ainda de um respeito absoluto e de um estatuto alegadamente inquestionável e intocável, enquanto ser ateu (ou seja, usar apenas a Razão) é muitas vezes visto como algo menor, indigno e sinal de uma pessoa com falta de ética e moralidade.
Sobre este assunto, sugiro a leitura dos excelentes livros de Richard Dawkins, nomeadamente o novo livro “God Delusion” (que ainda não chegou a Portugal).
O criacionismo em Portugal
O novo instituto dedicado ao criacionismo bíblico e contra a evolução das espécies (www.dinoasis.com) é um relevante revés para a Razão, Ciência e Evolucionismo em Portugal e na Europa.
Mas há ainda um livro, escrito por um português, cheio de visões distorcidas sobre evolução e favorável ao criacionismo: “Questionar e Evolução” por Américo J. Marcelino, um Juiz Desembargador do Tribunal de Relação de Lisboa (Roma ed., 2003; 172 pp.).
Tem frases arrepiantes como: “o problema da vida é, fundamentalmente, um problema religioso, ou, se se preferir, um problema filosófico. A ciência não está em condições de adiantar rigorosamente nada sobre o essencial da sua problemática (p.42)”. Na verdade, todo o livro é um homenagem à ignorância relativa à Ciência e evolução. O preâmbulo é escrito pelo político Marcelo Rebelo de Sousa!
Qual o nosso papel?
Qual deve ser o nosso papel como cientistas? Ignorar e fazer o nosso trabalho cada vez melhor? Ou temos a responsabilidade de esclarecer o público e evitar que uma falsa ciência seja tida como Ciência? Edmund Burke dizia que "The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing".
Pessoalmente, eu tenho a política do “live and let live”, em que cada um é livre de acreditar na religião que quiser e em todas as outras crenças sobrenaturais que desejar. Mas sinto obrigação de intervir no momento em que a escola pública comece a ensinar criacionismo.
Nós, paleontólogos, geólogos e biólogos temos o dever de ensinar a evolução. Eu percebo agora que não basta fazer bem o nosso trabalho como cientistas, é preciso dedicar parte desse tempo a ensinar a evitar os erros e omissões das hipóteses criacionistas: nos museus, nas escolas, nas universidades e nos jornais locais. Temos de ensinar a argumentar e, sobretudo, a pensarem através da razão e da evidência lógica.
O criacionismo nas escolas públicas portuguesas
O artigo do Público era claro ao dizer que os criacionistas querem que se ensine o criacionismo nas escolas! Gostaria de pensar que estamos longe dessa realidade…
O ensino do criacionismo nas escolas públicas portuguesas está longe de ser uma realidade? Espero que sim, mas enquanto se criam museus e institutos e enquanto eminentes políticos como Marcelo Rebelo de Sousa dão o apoio à causa criacionista, nós não podemos ficar descansados. Como paleontólogo e devoto adepto da evolução e da Ciência, não posso deixar de ficar deveras perturbado.
Apenas uma teoria?
Os criacionistas reforçam o termo “Teoria” quando se referem à evolução. Existem milhões de evidências a favor da evolução e esta já passou a prova do tempo e dos testes científicos. A evolução não é apenas uma teoria, a evidência a suportá-la é esmagadora. Infelizmente, a ignorância a suportar o criacionismo também é esmagadora.