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terça-feira, julho 25, 2017

Guegoolithus turolensis e a estrutura conservativa da casca de ovo


Foi recentemente publicado na revista científica Journal of Iberian Geology, o artigo The conservative structure of the ornithopod eggshell: electron backscatter diffraction characterization of Guegoolithus turolensis from the Early Cretaceous of Spain, dos investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, e da Universidade de Zaragoza, Blanca Bauluz e José Ignacio Canudo.
A ooespécie em análise, Guegoolitus turolensis, da família Spheroolithidae, do Cretácico Inferior de Espanha, foi primeiramente descrita no Barremiano da Bacia Ibérica e posteriormente identificada no Valanginiano-Hauteriviano da Formação de Cameros, dois achados separados espacialmente por uma centena de quilómetros e temporalmente por mais de dez milhões de anos.

Moreno-Azanza et al., 2017.

Estudos levados a cabo por este grupo de investigadores permitiram identificar não só diferenças pouco significativas entre os espécimes destas duas ocorrências (separadas por dez milhões de anos), interpretadas como sendo derivadas do facto de serem ovos de postura pertencentes a duas espécies diferentes, mas também semelhanças cristalográficas importantes com as cascas de ovos de Maiasaura do Cretácico Superior da América do Norte.
A análise das semelhanças e diferenças cristalográficas e estruturais encontradas sugere que as propriedades físicas das cascas de ovos desta espécie de dinossauros ornitópodes se mantiveram invariáveis durante, pelo menos, oitenta milhões de anos, implicando comportamentos de reprodução, nidificação e incubação semelhantes nesta linhagem de dinossauros ornitísquios. 




segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Sobre uma panorâmica de um ecossistema do Cretácico Inferior de Espanha num novo artigo


Imagens do artigo por Gasca et al. (2017)
O estudo agora publicado na revista Palaeo3 por uma equipa de investigadores de Portugal, Espanha, Argentina e da Alemanha, da qual faz parte Miguel Moreno-Azanza, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA) e colaborador do Museu da Lourinhã, revela a preservação de diferentes tipos de dinossauros e outros restos fósseis de vertebrados (ossos, cascas de ovo e pegadas) do Barremiano (Cretácico Inferior) da Formação de Mirambel (Bacia do Maestrazgo, Cadeia Ibérica, NE de Espanha).
Só dentro desta unidade, na área de Ladruñán, na província de Teruel, foram reconhecidos 31 locais contendo fósseis de variados vertebrados e trilhos de dinossauros.

O registro de dinossauros identificado inclui ornitópodes, terópodes e saurópodes; os trilhos permitem concluir que estes frequentavam zonas costeiras de lagos, planícies aluviais e cursos fluviais. Os fragmentos de cascas de ovos são frequentes em toda a unidade, mas são claramente mais comuns em depósitos lacustres. 



O resumo, em inglês, é o seguinte:
The Barremian Mirambel Formation (Maestrazgo Basin, Iberian Chain, NE Spain) preserves different types of dinosaur and other vertebrate fossils (skeletal, eggshell and ichnological remains). A total of 31 vertebrate fossil sites and tracksites have been recognized within this unit in the Ladruñán area (Teruel province). Detailed stratigraphic, sedimentological and micropalaeontological analyses have also been performed in the unit. A vertical sedimentary trend from alluvial-dominated facies (meandering river and related overbank areas) to palustrine-lacustrine facies and back has been defined for the Mirambel Formation in this area. The depositional system was located close to the coastline, as indicated by sporadic marine input in the lower part of the unit.
Most fossil remains were recovered by surface collection as well as by the usual techniques used for macrovertebrate excavations. The dinosaur record identified comprises ornithopods, theropods and sauropods. Four distinct track-bearing horizons have been identified. The heterolithic nature and aggradation characteristic of the Mirambel Formation are favourable factors for track formation and preservation. The dinosaur tracks consist of convex hyporeliefs or concave epireliefs that record the trackmakers as they frequented lakeshores, alluvial floodplains and fluvial courses. Macrovertebrate bonebeds occur in alluvial settings (poorly-drained floodplains and “ponds”). Microvertebrate concentrations are located in shallow lacustrine deposits. Isolated skeletal elements can be found in a great variety of deposits. Attritional accumulation in a low-energy depositional context is the general pattern of origin for the bone-bearing fossil sites of the Mirambel Formation. As regards the genetic framework, the resulting skeletal assemblages are predominantly the result of physical factors, with sedimentology as a key factor, rather than biological phenomena. Eggshell fragments are frequent throughout the unit but are clearly more common in palustrine-lacustrine deposits. These can be taken to be parautochthonous bioclasts from nearby areas and might be indicative of the preferential affinity of the egg-layers for wetlands and lakeshores.


A referência completa do artigo é:
Gasca, J. M., Moreno-Azanza, M., Bádenas, B., Díaz-Martínez, I., Castanera, D. , Canudo, J. I., Aurell, M. 2017. Integrated overview of the vertebrate fossil record of the Ladruñán anticline (Spain): Evidence of a Barremian alluvial-lacustrine system in NE Iberia frequented by dinosaursPalaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, Volume 472: 192-202 

quarta-feira, agosto 21, 2013

Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro

Notícia do Jornal Público de 27 de Julho sobre a exposição temporária de ovos de dinossauro:


Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro

Um dos achados mais importantes do país.

Um dos achados na Lourinhã DANIEL ROCHA

O Museu da Lourinhã inaugura este sábado uma mostra temporária que assinala os 20 anos da descoberta do “ninho [de dinossauros] de Paimogo”, considerado um dos achados paleontológicos mais importantes do país.
“Ovos, ossos e dentes de embrião” são alguns dos achados que, entre este sábado e 15 de Setembro, podem ser vistos no Museu da Lourinhã, assinalando “um dos achados mais importantes da história da paleontologia em Portugal”, disse à Lusa Hernani Mergulhão, presidente do GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã.

O “ninho de Paimogo” foi descoberto em 1993 nas arribas com o mesmo nome, no concelho da Lourinhã, e mantém-se ainda hoje “como um dos mais interessantes ninhos fósseis conhecidos e estudados cientificamente”, acrescentou o mesmo responsável.

O ninho foi escavado e estudado por equipas do GEAL, revelando-se “de importância mundial”, devido à presença de “embriões bem conservados e à grande quantidade de ovos”.

Da mostra fazem igualmente parte vestígios do “ninho de Porto das Barcas”, outras das descobertas estudadas pelos investigadores do GEAL que tornaram o Museu da Lourinhã “pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros”.

Avanços que, sublinhou Hernâni Mergulhão, permitiram aos investigadores “romper alguns mitos que havia e revelar novos conhecimentos sobre a estrutura dos ovos de dinossauro”, entretanto publicados pela revistaScientific Reports.

Sem fugir ao rigor científico, mas também sem descurar a “vertente lúdica” a exposição comemorativa dos 20 anos da descoberta do ninho é complementada com elementos documentais que explicam as características e forma de vida das respectivas espécies.

A expectativa dos organizadores é que a mostra “atraia um grande número de visitantes”, dado ocorrer nos meses de Verão e tendo em conta que no mês de Agosto do ano passado foi batido o recorde dos cinco mil visitantes.

A exposição pode ser visitada todos os dias do mês de Agosto, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30, com visitas guiadas às 11h00, 15h00 e 17h00. Durante o mês de Setembro, estará patente de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00, com visitas guiadas às 11h00, 15h00.

terça-feira, agosto 20, 2013

Novas jazidas de ovos de dinossauros carnívoros na Lourinhã

Novas jazidas de ovos de dinossauros carnívoros no Jurássico Superior da Lourinhã!

Estrutura de casca de ovo de dinossauro carnívoro visto a microscópio óptico.

Ribeiro, V., Mateus O., Holwerda F., Araújo R., & Castanhinha R. (2013).  Two new theropod egg sites from the Late Jurassic Lourinhã Formation, PortugalHistorical Biology. (ahead-of-print), 1-12.
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2013.807254#.UhOLTJLFVqI
PDF

Resumo:
São descritos dois novos sítios de casca de ovo de dinossauro do Jurássico superior (Kimmeridgiano tardio) , Casal da Rola e Porto das Barcas, ambos perto Lourinhã, Centro-Oeste de Portugal. Casal da Rola produzu ovos com um morfotipo obliquiprismático comparáveis ​​aos de um ninho com os embriões fósseis associados do Paimogo, tentativamente atribuídas ao terópode Lourinhanosaurus antunesi. O Porto das Barcas ovos têm um morfotipo dendrosferulítico com um sistema de poros prolatocanaliculados. Este morfotipo foi reconhecido também em cascas de ovos de um ninho associados a embriões de Torvosaurus de Porto das Barcas. A análise cladística preliminar da morfologia das cascas sugere afinidades a terópodes para os ovos Casal da Rola, mas é incapaz de resolver a posição filogenética dos ovos Porto Das Barcas. As cascas de ovos em ambos os locais são preservados argilitos e siltitos de planícies de inundação. Concreções de carbonato dos depósitos indicam o desenvolvimento de paleossolos.

Abstract:
Two new Late Jurassic (uppermost Late Kimmeridgian) dinosaur eggshell sites are described, Casal da Rola and Porto das Barcas, both near Lourinhã, central-west Portugal. Casal da Rola yields eggshells with an obliquiprismatic morphotype comparable to those from a nest with the associated fossil embryos from Paimogo, tentatively assigned to the theropod Lourinhanosaurus antunesi. The Porto das Barcas eggshells have a dendrospherulitic morphotype with a prolatocanaliculate pore system. This morphotype was also recognised in eggshells from a clutch with associated Torvosaurus embryos at the Porto das Barcas locality. A preliminary cladistic analysis of eggshell morphology suggests theropod affinities for the Casal da Rola eggs, but is unable to resolve the phylogenetic position of the Porto das Barcas eggs. The eggshells at both sites are preserved in distal flood plain mudstones and siltstones. Carbonate concretions within the deposits indicate paleosol development.

quinta-feira, julho 25, 2013

20.º aniversário da descoberta do ninho de Paimogo






O Museu da Lourinhã inaugura no próximo sábado, pelas 11 horas, a exposição temporária que celebra o 20.º aniversário da descoberta do “ninho de Paimogo”.
O GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que fundou e administra aquele Museu, assinala assim um dos achados que mais marcou a história da paleontologia de dinossauros em Portugal.
Descoberto nas arribas de Paimogo, concelho da Lourinhã, em 1993, o ninho foi escavado e estudado por equipas do GEAL, vindo a comprovar-se que se trata de uma peça de importância mundial, devido à presença de embriões bem conservados e à grande quantidade de ovos que o compunham, elevando-o à categoria de um dos maiores e mais interessantes ninhos fósseis que se conhece.
Entre os elementos que integram a “temporária”, os visitantes podem também observar o “ninho de Porto das Barcas” que, contendo um elevado número de cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, esteve na origem de um importante artigo científico, recentemente publicado na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature.
A exposição abre a 27 de julho e encerra a 15 de setembro. Durante agosto o Museu está aberto todos os dias das 10:00 às 13:00 e das 14:30 às 18:30, com visitas guiadas às 11:00, 15:00 e 17:00 e, durante setembro, de terça a domingo, das 10:00 às 13:00 e das 14:30 às 18:00, com visitas guiadas às 11:00, 15:00. 

Fonte: GEAL 

sexta-feira, maio 31, 2013

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Maxila de embrião de Torvosaurus (desenho de Simão Mateus)
Na Formação da Lourinhã foram descobertos ossos de embriões numa postura de ovos esmagados, numa primeira ocorrência de ovos e embriões de um grupo de dinossauros conhecido como megalossaurídeos, provenientes do Jurássico Superior.
Uma equipa de paleontólogos, como o artigo liderado por Ricardo Araújo, descreveu um elevado número de  cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, que poderão agora ser observados (em laboratório) no Museu da Lourinhã, fundado e mantido pelo GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que possuía já outros fósseis de Torvossauro.
A publicação deste artigo científico na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature, vem dar reconhecimento à mais importante descoberta, na área da Paleontologia de vertebrados, feita em Portugal na última década (pelo menos desde a publicação do ninho de Paimogo, igualmente originária de investigadores que colaboram com o GEAL – Museu da Lourinhã).
Simultaneamente o Museu da Lourinhã torna-se pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros. Foram utilizadas pela primeira vez diversas técnicas inovadoras para o estudo das cascas de ovos de dinossauro (nomeadamente: PIXE – proton-induced X-ray emission; microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão; e XRD – difração de raios-X).
(Texto adaptado do site do Museu da Lourinhã)


Embrião de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Ovos e embriões de Torvosaurus e outros dinossauros(Araújo et al., 2013)

Terópode megalossaurídeo cuidando do seu ninho (c) Vladimir Bondar e Museu da Lourinhã


http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.html

Araújo, R., Castanhinha R., Martins R. M. S., Mateus O., Hendrickx C., Beckmann F., Schell N., & Alves L. C. (2013).  Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic Theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports. 3(1924)

domingo, agosto 07, 2011

Época de escavações 2011

Estou em época de escavações, que este ano começou em Maio e se estende até meados de Agosto, procurando dinossauros e outros vertebrados por todo o Mesozóico Português  e também com quase um mês de trabalho de campo em Angola.
 Em Portugal, o trabalho é focado na Lourinhã, de onde recolhemos mais ovos de dinossauro carnívoro. Em Angola, recolhemos mosassauros, plesiossauros, pterossauros, crocodilos, baleias e... dinossauros, integrado no Projecto PaleoAngola.

Pegadas de dinossauro em Angola

quarta-feira, março 10, 2010

Extraembryonic membranes


While mesoderm differentiates in the embryo other phenomena happen, namely the formation of extraembryonic membranes and neurulation. The formation of the extraembryonic membranes starts when the egg is descending the oviduct with an initial agglomeration of albumen around the egg forming the chalaza. Subsquently air is entrapped (forming the air sac) forming the inner shell membrane. Another external eggshell membrane involves the previous and finally a porous shell is added by the shell gland from the oviduct, forming a rigid calcareous eggshell.
Around the embryo the three germ layers form important protective membranes involving and surrounding it. An involution of the archenteron will form the allantoic membrane, which is composed of endoderm and splanchnic mesoderm. Overfolding of the ectoderm and somatic mesoderm will form the amnion over the embryo. Expansion of the mesoderm and ectoderm towards the side opposite of the embryo will form the extraembryonic portion of coelom.

quarta-feira, março 03, 2010

Embryogenesis

Gametogenesis precedes embryogenesis. Depending whether it is a male or female the formation of the gametes is called spermatogenesis or oogenesis, respectively. In both processes it all starts with the formation of a diploid gamete giving rise through meiosis to a haploid gamete. The formation of spermatocytes starts with an spermatogonia that via duplication, these cells divide via meiosis I and then subsequently divide again in what is called meiosis II, giving rise to four spermatozoa. An analogous process forms the ovum, with duplication and two meiosis, however the byproducts of oogenesis only results in one usable ovum, with the rest being composed of three polar bodies.
Fertilzation happens when the two haploid gametes fuse together, giving rise to a diploid cell that is totipotent, i.e. it is the precursor cell that will give rise to all cells composing an organism. The spermatozoid perforates the corona radiata as well as the primary and secondary egg membrane, which provokes an inflation of the corona radiata that keeps other spermatozoids to get in the ovum. This unicellular body is called zygote and will undergo cleavage. At this point a grey crescent is formed, which defines the animal and vegetal poles of the embryo. The animal pole will become the posterodorsal region of the organism.
As we know, cleavage in deuterostomes (i.e. the most inclusive group containing Echinodermata, Hominidae and their most recent common ancestor) is processed radially. Depending if we have macrolecithal or microlecithal egg (i.e. relative proportion of yolk) cleavage will be meroblastic or holoblastic, respectively. This means that in holoblastic eggs cleavage will occur all the way along the yolked part of the egg; and the opposite situation verified in meroblastic eggs like those of the chick. A special kind of cleavage is seen in placental mammals which is rotational cleavage with a nearly horizontal second cleavage furrow. In the chick the quantity of yolk is so great that the zygote will be pushed to the animal pole forming a cytoplasmic disk that upon continuing division will form the blastodisk (generally called the blastula, blastocyst in placental mammals). The peculiar case of placental mammals reveals an external layer of cells, the trophoblast, that are of maternal origin. This layer prevents the immunological system to recognize the zygote as an foreign cell, since paternal genes also compose it. The trophoblast is an adaptation in Eutheria that allows viviparity. An inner cell mass will keep dividing and it will attach to the trophoblast that will subsequently be incorporated in the walls of the ovary, a process said to be invasive.
The formation of the three main germ layers happens in the course of gastrulation, which is essentially an invagination of the hollow blastula forming a depression called archenteron and the two lips the blastospore, that as we know forms in later development the mouth in deuterosomes. The gastrulation can happen in two main ways by ingression (e.g. in the chick egg) or by involution (e.g. in the amphibian egg. Gastrulation by involution happens follows some specific steps: (i) formation of a cleft that will correspond to the dorsal lip of the gastrula, at this point the outer layer of cells (the ectoderm) and the inner layer of cells (the endoderm) are formed, (ii) further involution (i.e. migration of cells relative to a fixed point) will elongate the archenteron, (iii) chordamesoderm differentiation and epiboly (movement of the ectoderm to envelop the endodermal cells), (iv) as involution goes on the remaining endoderm visibly on the outer surface will become scarcer to the point it forms a yolk plug, (v)a ventral lip is formed and mesoderm starts to differentiate, again as a deuterostome the amphibian egg shows enterocoelic gastulation with outpocketing of the mesoderm, (vi) the next step, neurulation will start to happen.
In chicks due to the macrolecithal condition of the egg, although the process of gastrulation respects the same general principles it is different in some respects. The anatomy of the blastodisk is the following: there is an outer layer called the epiblast, and a lower layer of cells called the hypoblast; the central region is called area pellucida and the outer region area opaca. It all starts with migration of epiblastic cells from the area pellucid outward to lower levels that will form the hypoblast. Then, cells from the area opaca start converging to the upper regions forming a ridge that will give rise to the primitive streak. The primitive streak starts to form when the epiblast cells start to migrate to downwards, the first cells to arrive will form the endoderm, secondly the mesoderm (with the chordamesoderm and paraxial mesoderm) and the superficial cells the ectoderm.
Neurulation is the formation of the neural tube. The neural tube is developmentally derived from the ectoderm and a result of inductive interactions with the chordamesoderm. The chordamesoderm induces the ectoderm which will form the neural plate by means of palisade ectodermic cells, i.e. they undergo a change in volume that result on a rhomboidal to a stretched cell shape. As induction proceeds the neural plate will start to invaginate, which creates the neural crest and the neural groove. The lateral wall of the neural crest will originate the neurogenic placodes and the medial wall the neural crest cells later in development. Invagination of the neural plate will finally reach a point where the two neural crest meet and detach from the remaining ectoderm forming a central tube, later called the neural tube.
At the point that neurulation happens other concomitant processes occur in the embryo, namely: the formation of extraembryonic membranes, and mesoderm differentiation.
Three types of mesoderm are differentiated: the paraxial mesoderm (dermatome, myotome and sclerotome), lateral plate mesoderm (splanchnic and somatic mesoderm) and finally the intermediate mesoderm (nephric ridge and gonadal ridge). Nephric ridge (excretory ducts and kidneys) and gonadal ridge (gonads); lateral plate mesoderm (body cavities).
Especially crucial in amniotic embryos the formation of extraembryonic membranes is a key evolutionary novelty as an adaptation to the terrestrial environment. There are three main membranes that form through different processes: the allantois, the amnion and the extraembryonic coelom. The allantois is formed as an outpocketing of the splanchnic mesoderm and endoderm with a relative motion of the archenteron. The amnion is formed by the somatic mesoderm and ectoderm that fold and then overlap the embryo. The extraembryonic coelom is formed as a progression of the splanchnic mesoderm and ectoderm as well as the somatic mesoderm and endoderm around the yolk. At this point in cleidoid eggs, what happens is that as the embryo goes down the oviduct, albumen (proteins that constitute the egg white are continuously agglomerated around the embryo, further a secondary eggshell membrane is formed and some air is entrapped, and subsequently the shell gland will produce a rigid porous eggshell.
Neural crest cells will migrate to form organ rudiments, by means of fibronectin, which results in the delamination of the epithelial cells (in the form of ectomesenchyme) of the ectoderm near the notochord. Neural crest cells as they reach more ventral parts of the embryo, N-cam starts to be produced and therefore they start to form agglomerate. Neural crest cells form for example the chromatophores in the dermis.
Nevertheless, we have to note that neural crest and neurogenic placodes are very similar embryological compounds although they differentiate in dissimilar products (e.g. neurogenic placodes originate sensory receptors, and neural crest cells originate motor neurons). However they are alike because they migrate, form sensory organs and are ectoderm derivatives.
Organogenesis of the eye is a striking example of a developmental cascade of inductions. What happens is that the neural tube (itself a derivative of the ectoderm by chordamesoderm interaction), is induced by the chordamesoderm and differentiates in the anterior region in the precursors of the tripartite brain. It is the diencephalon by chordamesoderm induction that forms a protrusion called optic vesicle, and nearly reaches the ectoderm. The neural tube optic visicle induces the ectoderm which thickens and forms the lens placode. The lens placode starts to be invaginated to a point that it detaches from the ectoderm and starts differentiating forming the lens visicle, that will further turn into definitive lens . Concomitantly, by chordamesoderm induces the opic vesicle that starts to invaginate and will form the optic cup. The outer layer of the optic cup is ciliated and will become the pigmented retina, the inner layer of the cup will form the neural retina. This way, the ciliated photosensitive layer of ependymal epithelium will be turned to the point where light comes from. The retina is linked to the brain by the optic stalk.
Embryological head organization invertebrates can be summarized by the Goodrich’s diagram that shows a correspondence to the branchiomeres and several structures of vertebrate anatomy. To each branchiomere there is a correspondent somite, nerve and endodermal derivatives. However, the mandibular branchiomere is a special modified anterior one, followed by the hyoidal and glossopharyingeal branchiomeres and a sequence of four vagal branchiomeres. Each branchiomere is bordered by an outpocket: the pharyngeal pouches, of which the spiracle is the most important one.
The role of Hox genes is essential to understand the developmental mechanisms that occur across all Metazoa, because: they are regulatory genes that by means of expression of transcription factors regulate expression of other genes, they are collinear, they play a role in segmentation of the embryo (into different somites, aortic arches, etc.), they are highly conservative genes.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Não há omeletas sem ovos…


Perguntam e com razão: porque quererá alguém dedicar-se ao estudo de ovos de dinossauro? Com cancros cuja cura permanece por desvendar e vacinas por desenvolver, por que iria alguém dedicar parte do seu precioso tempo a cascas de ovo com 150 milhões de anos?
Talvez o estudo da morfologia (ou melhor dizendo, da histostrutura) das cascas de ovo não indiciem por si só a cura para o cancro ou o desenvolvimento de carros mais ecológicos, mas vale por se acrescentar um pouco mais ao saber da Natureza. E isso é sempre meritório. Talvez se achasse irrelevante financiar estudos sobre as rotas de migração das aves, até ao dia em que se descobriu que isso teria qualquer coisa que ver com os padrões de distribuição de casos da gripe das aves. Mas não pretendo aqui justificar a pertinência deste estudo (isso já foi motivo de avaliação pelo júri da Jurassic Foundation).
Se olharmos com atenção para a casca de um ovo antes de fazermos a omeleta, reparamos que a sua superfície não é inteiramente lisa, tem pequenas rugosidades ou
perfurações, que são… poros! Aquando o seu desenvolvimento, o pinto precisa de estabelecer trocas gasosas com o exterior, vendo-se livre dos gases tóxicos (como o dióxido de carbono) e absorvendo oxigénio. Também as cascas de ovo de dinossauros, por exemplo, de há 150 milhões de anos tinham esses poros. Também os dinossauros ainda embriões precisavam de respirar. Na Lourinhã temos a sorte de não só termos uma
diversidade absolutamente inquietante de cascas de ovo em vários locais, como também a existência de embriões. Especialmente os embriões, pela sua raridade, são uma
janela para a compreensão da evolução dos dinossauros. As características anatómicas dos seus restos fossilizados permitem calibrar/polarizar os caracteres morfológicos
que servem de base à compreensão da evolução. Por isso, qualquer vestígio de embrião – em conjugação com material ontogenético mais avançado (ou seja, material
fossilífero de indivíduos mais velhos) – é tão importante e merece a nossa atenção.

Legenda foto: Secção transversal de uma casca de ovo, resultado de investigação em curso.
Foto por: João Pais, Ricardo Araújo e Rui Castanhinha(C)

Este artigo foi publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã nº11.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Resultado: omoletes com dentes & ovos estufados com mandíbulas

As duas comunicações por poster que a nossa equipa apresentou no último congresso na Argentina consistiram em:

1) Evolution of the mandibles and teeth in ornithopod dinosaurs - Consiste numa aproximação filogenética, com base na anatomia, à evolução dos dentes e mandíbulas de um grupo particular de dinossauros: os ornitópodes. Eles foram, analogamente, os antílopes das nossas savanas actuais e desenvolveram processos de mastigação extremamente especializados à condição de se ser herbívoro. Foi isso que apresentámos! Existe uma série de implicações interessantes, corolários da nossa aproximação a estes resultados, por exemplo: (i) serão os dentes diagnósticos? I.e., consigo indentificar uma dada espécie com base nos seus dentes?; (ii) Existiram alguns padrões - ao nível morfológico - relativos à especialização destes dinossauros à condição de comer plantas? I.e. como é que a forma das mandíbulas e dentes evoluiu ao longo da história deste grupo de dinossauros?; (iii) Existirão características anatómicas nos dentes e mandíbulas que não sejam definidores de uma dada espécie? I.e., será que vale a pena ter em conta aspectos da anatomia que estejam relacionados com o crescimento ou com a posição de um dado dente na boca?



2) Reptile eggs from Lourinhã Formation, Portugal - Esta comunicação foi o primeiro resultado derivado da bolsa da Jurassic Foundation que obtivemos. Neste estudo caracterizámos as diferentes jazidas que contêm ovos e embriões de dinossauros, e descrevemos a morfologia das cascas de ovo. Cada grupo de dinossauros tem, no geral, características específicas nas cascas de ovo que vistas ao microscópio óptico ou electrónico se revelam. Contudo, existem também características externas como a ornamentação das cascas ou até mesmo a forma e orientação dos poros (sim, porque as cascas de ovo têm poros!).

Imagens (sexta)

Casca de ovo de titanossauro, a Argentina tem destas coisas...



















(clicar na foto para aumentar)




Publicado simultaneamente no Conjurado

domingo, outubro 05, 2008

Imagens

Durante uma semana, publicarei diariamente uma imagem que me tenha marcado nesta última viagem pela Patagónia.




















Ovo de dinossauro saurópode, Cretácico da Argentina.




Publicado simultaneamente no Conjurado

segunda-feira, setembro 15, 2008

Escavações de Verão 2008, na Lourinhã

Museu da Lourinhã faz novas descobertas de dinossauros.

O Museu da Lourinhã anunciou o resultado de mais uma campanha de escavações de Verão nas arribas da Lourinhã. Os paleontólogos do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa encontraram novos ossos de embriões de dinossauros, ninhos com ovos e ossos de dinossauros. As descobertas de embriões de dinossauro carnívoro da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos, são as mais antigas de que há registo até hoje, pertencendo ao Jurássico Superior. Embora ovos e embriões do dinossauro Lourinhanosaurus já tivessem sido descobertos na Lourinhã, os investigadores querem determinar se os ovos agora descobertos são da mesma espécie e se partilham as mesmas características, nomeadamente a
forma de nidificação, incubação e ecologia. Os paleontólogos esperam que estes achados, raros em Portugal, permitam perceber melhor como os dinossauros cresciam, em que ambientes, e como eram incubados os seus ovos.

A campanha de escavações decorreu ao longo dos meses de Julho e Agosto e o material recolhido é de extrema importância para se compreender o passado dos animais que pisaram, há 150 milhões de anos, aquilo que é hoje o nosso país.
As actividades contaram com a participação de mais de três dezenas de voluntários oriundos de vários países, e foram coordenadas pelos paleontólogos Octávio Mateus, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo. Os trabalhos incluiram escavações, crivagens, preparação e limpeza do material em laboratório e ilustração científica. Para além de ossos de dinossauros adultos foram recolhidos, através de crivagens, partes de crânios de pequenos animais jurássicos tais como crocodilos, anfíbios e pequenos dinossauros.
A foto mostra a fotografia de grupo "insano" deste ano.

Parte dos trabalhos agora realizados enquadram-se no prémio atribuído em Junho deste ano pela instituição norte-americana Jurassic Foundation ao projecto de estudo das jazidas de ovos de dinossauros em Portugal, proposto pelos investigadores atrás mencionados. Um dos objectivos dos estudos do material recolhido é a publicação dos resultados em revistas internacionais da especialidade.

Algum do material recolhido já pode ser visto no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã.

sábado, maio 24, 2008

Jurassic Foundation dá prémio a dois portugueses





Reposição integral da notícia por FILOMENA NAVES em Diário de Notícias (http://dn.sapo.pt/2008/05/24/ciencia/jurassic_foundation_premio_a_dois_po.html)

Projecto visa estudar ovos de dinossauros
Rui Castanhinha veio da biologia. Ricardo Araújo acabou há pouco engenharia geológica. Mas é à paleontologia - "ciência a meio caminho entre as duas", diz o primeiro - que se dedicam. Agora estão a estudar ninhos de ovos de dinossauros descobertos na região da Lourinhã e foi exactamente com esse projecto (Dinosaur Eggs and Embryos of the Lourinhã Formation, Upper Jurassic, Portugal) que ganharam um prémio da Jurassic Foundation - uma fundação criada com os lucros dos filmes Jurassic Park de Spielberg para apoiar pesquisas de paleontologia em todo o mundo.


A par da satisfação do reconhecimento internacional, os 2100 dólares (cerca de 1900 euros) do prémio "são um estímulo para avançarmos com a investigação", explicou ao DN Rui Castanhinha.


O arranque do trabalho de campo que ainda há a fazer está agendado para a próxima semana. "Vamos escavar mais ovos e recolher mais fragmentos de cascas, porque sabemos que eles estão lá", adianta o mesmo jovem investigador que, aos 25 anos (Ricardo Araújo é ainda mais novo, tem apenas 22), não é nenhum principiante nestas lides.


Tanto Rui Castanhinha como Ricardo Araújo já desenvolvem há pelo menos três anos trabalho de investigação em paleontologia, em regime de voluntariado, no Museu da Lourinhã, sob a orientação do paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova.


O projecto apoiado pela Jurassic Foundation não é de agora. "Já o tínhamos submetido à FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia, o principal organismo financiador da investigação em Portugal], em 2006, mas foi chumbado", conta Rui Castanhinha, sublinhando a satisfação de o prémio ser "um reconhecimento internacional da importância deste estudo".


Com 150 milhões de anos, "estes são os ovos de carnívoros mais antigos do mundo, não os estudar seria pecado mortal", diz o investigador.


O material que os dois vão analisar (sob a orientação de Octávio Mateus), além do que conseguirem escavar durante os próximos meses, inclui cinco ninhos de ovos de dinossauro encontrados em 1998 em Paimogo, cinco quilómetros a norte da Lourinhã, e um outro descoberto em 2007, em Porto das Barcas (na mesma região) que ainda não está sequer descrito. E há muita informação - sobre as espécies em causa, a sua reprodução, desenvolvimento embrionário, etc. - que o estudo pode arrancar aos fósseis.


Encontrar ninhos de ovos de dinossauros, muitos deles intactos, com os pequenos embriões lá dentro e ossinhos minúsculos todos muito bem definidos, não é exactamente comum. Na região da Lourinhã, porém, há vários sítios onde existem estes fósseis e ao logo de toda costa, naquela zona, podem encontrar-se com alguma facilidade fragmentos de ovos daquela época remota e daqueles animais extintos há 65 milhões de anos. Fazer esta investigação poderá ajudar a esclarecer também porque razão aquela zona tem esta riqueza.


Um dos ninhos de Paimogo, que já está estudado e que pode ser visto na exposição do Museu da Lourinhã, já contou a sua história: uma cheia matou a ninhada. Mas, com os outros, o que aconteceu? Dentro de um ano, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo poderão ter uma resposta.

quinta-feira, abril 29, 2004

NINHO DE PAIMOGO

Os dinossáurios eram os vertebrados de crescimento mais rápido?

Os dinossauros são os vertebrados com o crescimento mais rápido. Os dinossauros da Lourinhã corroboram com esses dados, conforme demonstrado nos estudos feitos por Ricqlés et al (2001).
RICQLÈS, A. DE; MATEUS, O.; ANTUNES, M. TELLES ; & TAQUET, P. (2001). Histomorphogenesis of embryos of Upper Jurassic Theropods from Lourinhã (Portugal). Comptes rendus de l'Académie des sciences - Série IIa - Sciences de la Terre et des planètes. 332(10): 647-656.


Os ovos depositados na Lourinhã seriam de crocodilo?

Na Lourinhã conhecem-se várias jazidas com ovos de dinossauros, entre as quais se destaca a jazida de Paimogo, como um enorme ninho de dinossauros terópodes. Entre mais de uma centena de ovos de dinossauros descobriram-se três ovos de crocodilo, os mais antigos do mundo. Essa ocorrência permite-nos pensar numa relação de comensalismo entre dinossauros e crocodilos durante o Jurássico.

O ninho de Paimogo é o maior e um dos + antigos ou o + antigo e um dos maiores?
O ninho de Paimogo tem cerca de 120 ovos o que o faz o maior ninho do mundo. Existem ovos ou cascas de ovos mais antigos, mas o ninho de Paimogo é a mais antiga estrutura de nidificação. É o único com embriões na Europa e possui os mais antigos ossos embriões do mundo (150 milhões de anos).

Octávio Mateus

sábado, fevereiro 28, 2004

Paimogo, um ninho de dinossauros

Octávio Mateus
Museu da Lourinhã
omateus@dinocasts.com
www.dinodata.net/lusodinos & www.dinocasts.com

texto publicado em: MATEUS, O. (2003). Paimogo, um ninho de dinossauros. Revista Cais, 79, Set, 2003.

ERA UMA VEZ…
Alguns dinossauros carnívoros fêmeas reuniam-se todos os anos para nidificarem nas areias perto de uma lagoa de águas calmas. Nesse ano, juntaram-se sete fêmeas. A mais jovem tinha seis metros de comprimento, enquanto a mais velha rondava uns possantes oito metros. Após escolherem um sítio perto do que já tinha sido utilizado no ano anterior, a primeira fêmea pôs uma vintena de ovos, muito juntos, cada um com cerca de 12 cm. Os outros dinossauros fêmeas imitaram-na durante o resto do dia, até o ninho ser uma gigantesca concentração de 180 ovos de dinossauro carnívoro.
Estes dinossauros protegiam o ninho contra os comedores de ovos como crocodilos, lagartos e mesmo outros dinossauros. Ainda assim, um crocodilo de médio porte aproxima-se sorrateiramente daquela preciosa pilha de ovos com o cuidado de não ser detectado pelos dinossauros. O seu intuito não era predar o ninho e, rapidamente, deposita os seus próprios ovos no meio dos de dinossauro. Este crocodilo fêmea retira-se assim que termina a sua tarefa, deixando a sua prole bem protegida por um grupo de dinossauros carnívoros.
O tempo passa e, além de um ou outro ovo roubado e comido, os pequenos dinossauros desenvolvem-se depressa no seu líquido amniótico protector. Naquela região eram frequentes fortes aguaceiros mas, naquela altura, chovia mais do que o habitual. A chuva não parava, o lago começou a encher e a transbordar, até que chegou ao precioso ninho dos dinossauros, cobrindo-o com aquela água lamacenta que acabou por asfixiar e matar os pequenos embriões prestes a eclodir.

150 MILHÕES DE ANOS DEPOIS…
Cerca de 150 milhões de anos depois, aquele local, agora conhecido como Paimogo (perto da Lourinhã), é muito diferente. Em 1993, era palco de actividades de prospecção paleontológica por Isabel Mateus, que já conhecia o aspecto das cascas de ovos de dinossauros. Isabel acabava de fazer a maior descoberta da sua vida: um ninho de ovos de dinossauro com ossos de embrião!

O cenário acima descrito é uma interpretação que a equipa de paleontólogos nacionais e estrangeiros sugere para o que aconteceu há cerca de 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Superior, com base nos dados científicos obtidos pelo Museu da Lourinhã em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa, Museu de História Natural de Paris, Universidade de Coimbra, Colégio de França e Instituto Geológico e Mineiro.

A IMPORTÂNCIA DA JAZIDA
A jazida de Paimogo é a mais importante jazida paleontológica do Jurássico português. Trata-se do maior ninho de dinossauro do mundo, o único com embriões na Europa e um dos mais antigos que se conhecem. A revista americana Discover considerou-a uma das 100 descobertas científicas mais importantes de 1997, ano em que foi divulgada. A revista Expresso elegeu o casal Isabel e Horácio Mateus como Figuras do Ano 1997.

A presença de embriões neste ninho, raríssima a nível mundial, permitiu identificar a espécie de dinossauro: um Lourinhanosaurus. Este era conhecido anteriormente a partir de parte de um esqueleto de um indivíduo sub-adulto que, caso estivesse completo, tinha cerca de 4,5 metros de comprimento.
Com mais de 200 ossos de embrião identificados, era possível, pela primeira vez, classificar a espécie de dinossauro a que pertenciam aqueles ovos jurássicos, além de responder a muitas perguntas que os cientistas colocavam sobre o crescimento, reprodução e comportamento de dinossauros.
Os pequenos Lourinhanosaurus atingiriam uma dimensão adulta (talvez com 8 metros) em menos de 10 anos, o que faz dos dinossauros os animais de crescimento mais rápido entre os vertebrados. Pode conhecer-se a idade dos dinossauros contando-se os anéis de crescimento lento dos ossos, num processo análogo àquele utilizado nos troncos de árvores.

Os três ovos de crocodilo depositados neste ninho são os mais antigos que se conhecem e os paleontólogos acreditam que foram aí colocados para beneficiarem da protecção dos dinossauros.

Quanto a esta jazida, há ainda muitas questões sem resposta e a investigação está longe de terminar. Ainda assim, a jazida de Paimogo já é uma referência mundial no que concerne à reprodução de dinossauros.