| Moreno-Azanza et al., 2017. |
terça-feira, julho 25, 2017
Guegoolithus turolensis e a estrutura conservativa da casca de ovo
segunda-feira, fevereiro 27, 2017
Sobre uma panorâmica de um ecossistema do Cretácico Inferior de Espanha num novo artigo
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| Imagens do artigo por Gasca et al. (2017) |
quarta-feira, agosto 21, 2013
Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro
Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro
terça-feira, agosto 20, 2013
Novas jazidas de ovos de dinossauros carnívoros na Lourinhã
| Estrutura de casca de ovo de dinossauro carnívoro visto a microscópio óptico. |
Ribeiro, V., Mateus O., Holwerda F., Araújo R., & Castanhinha R. (2013). Two new theropod egg sites from the Late Jurassic Lourinhã Formation, Portugal. Historical Biology. (ahead-of-print), 1-12.
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2013.807254#.UhOLTJLFVqI
Resumo:
São descritos dois novos sítios de casca de ovo de dinossauro do Jurássico superior (Kimmeridgiano tardio) , Casal da Rola e Porto das Barcas, ambos perto Lourinhã, Centro-Oeste de Portugal. Casal da Rola produzu ovos com um morfotipo obliquiprismático comparáveis aos de um ninho com os embriões fósseis associados do Paimogo, tentativamente atribuídas ao terópode Lourinhanosaurus antunesi. O Porto das Barcas ovos têm um morfotipo dendrosferulítico com um sistema de poros prolatocanaliculados. Este morfotipo foi reconhecido também em cascas de ovos de um ninho associados a embriões de Torvosaurus de Porto das Barcas. A análise cladística preliminar da morfologia das cascas sugere afinidades a terópodes para os ovos Casal da Rola, mas é incapaz de resolver a posição filogenética dos ovos Porto Das Barcas. As cascas de ovos em ambos os locais são preservados argilitos e siltitos de planícies de inundação. Concreções de carbonato dos depósitos indicam o desenvolvimento de paleossolos.
Abstract:
Two new Late Jurassic (uppermost Late Kimmeridgian) dinosaur eggshell sites are described, Casal da Rola and Porto das Barcas, both near Lourinhã, central-west Portugal. Casal da Rola yields eggshells with an obliquiprismatic morphotype comparable to those from a nest with the associated fossil embryos from Paimogo, tentatively assigned to the theropod Lourinhanosaurus antunesi. The Porto das Barcas eggshells have a dendrospherulitic morphotype with a prolatocanaliculate pore system. This morphotype was also recognised in eggshells from a clutch with associated Torvosaurus embryos at the Porto das Barcas locality. A preliminary cladistic analysis of eggshell morphology suggests theropod affinities for the Casal da Rola eggs, but is unable to resolve the phylogenetic position of the Porto das Barcas eggs. The eggshells at both sites are preserved in distal flood plain mudstones and siltstones. Carbonate concretions within the deposits indicate paleosol development.
quinta-feira, julho 25, 2013
20.º aniversário da descoberta do ninho de Paimogo

O Museu da Lourinhã inaugura no próximo sábado, pelas 11 horas, a exposição temporária que celebra o 20.º aniversário da descoberta do “ninho de Paimogo”.
O GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que fundou e administra aquele Museu, assinala assim um dos achados que mais marcou a história da paleontologia de dinossauros em Portugal.
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Descoberto nas arribas de Paimogo, concelho da Lourinhã, em 1993, o ninho foi escavado e estudado por equipas do GEAL, vindo a comprovar-se que se trata de uma peça de importância mundial, devido à presença de embriões bem conservados e à grande quantidade de ovos que o compunham, elevando-o à categoria de um dos maiores e mais interessantes ninhos fósseis que se conhece.
Entre os elementos que integram a “temporária”, os visitantes podem também observar o “ninho de Porto das Barcas” que, contendo um elevado número de cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, esteve na origem de um importante artigo científico, recentemente publicado na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature.
A exposição abre a 27 de julho e encerra a 15 de setembro. Durante agosto o Museu está aberto todos os dias das 10:00 às 13:00 e das 14:30 às 18:30, com visitas guiadas às 11:00, 15:00 e 17:00 e, durante setembro, de terça a domingo, das 10:00 às 13:00 e das 14:30 às 18:00, com visitas guiadas às 11:00, 15:00.
Fonte: GEAL
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sexta-feira, maio 31, 2013
Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã
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| Maxila de embrião de Torvosaurus (desenho de Simão Mateus) |
Uma equipa de paleontólogos, como o artigo liderado por Ricardo Araújo, descreveu um elevado número de cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, que poderão agora ser observados (em laboratório) no Museu da Lourinhã, fundado e mantido pelo GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que possuía já outros fósseis de Torvossauro.
A publicação deste artigo científico na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature, vem dar reconhecimento à mais importante descoberta, na área da Paleontologia de vertebrados, feita em Portugal na última década (pelo menos desde a publicação do ninho de Paimogo, igualmente originária de investigadores que colaboram com o GEAL – Museu da Lourinhã).
Simultaneamente o Museu da Lourinhã torna-se pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros. Foram utilizadas pela primeira vez diversas técnicas inovadoras para o estudo das cascas de ovos de dinossauro (nomeadamente: PIXE – proton-induced X-ray emission; microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão; e XRD – difração de raios-X).
(Texto adaptado do site do Museu da Lourinhã)
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| Embrião de Torvosaurus (Araújo et al., 2013) |
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| Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013) |
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| Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013) |
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| Ovos e embriões de Torvosaurus e outros dinossauros(Araújo et al., 2013) |
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| Terópode megalossaurídeo cuidando do seu ninho (c) Vladimir Bondar e Museu da Lourinhã |
http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.html
Araújo, R., Castanhinha R., Martins R. M. S., Mateus O., Hendrickx C., Beckmann F., Schell N., & Alves L. C. (2013). Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic Theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports. 3(1924)
domingo, agosto 07, 2011
Época de escavações 2011
Estou em época de escavações, que este ano começou em Maio e se estende até meados de Agosto, procurando dinossauros e outros vertebrados por todo o Mesozóico Português e também com quase um mês de trabalho de campo em Angola.
Em Portugal, o trabalho é focado na Lourinhã, de onde recolhemos mais ovos de dinossauro carnívoro. Em Angola, recolhemos mosassauros, plesiossauros, pterossauros, crocodilos, baleias e... dinossauros, integrado no Projecto PaleoAngola.
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| Pegadas de dinossauro em Angola |
quarta-feira, março 10, 2010
Extraembryonic membranes

While mesoderm differentiates in the embryo other phenomena happen, namely the formation of extraembryonic membranes and neurulation. The formation of the extraembryonic membranes starts when the egg is descending the oviduct with an initial agglomeration of albumen around the egg forming the chalaza. Subsquently air is entrapped (forming the air sac) forming the inner shell membrane. Another external eggshell membrane involves the previous and finally a porous shell is added by the shell gland from the oviduct, forming a rigid calcareous eggshell.
Around the embryo the three germ layers form important protective membranes involving and surrounding it. An involution of the archenteron will form the allantoic membrane, which is composed of endoderm and splanchnic mesoderm. Overfolding of the ectoderm and somatic mesoderm will form the amnion over the embryo. Expansion of the mesoderm and ectoderm towards the side opposite of the embryo will form the extraembryonic portion of coelom.
quarta-feira, março 03, 2010
Embryogenesis
Gametogenesis precedes embryogenesis. Depending whether it is a male or female the formation of the gametes is called spermatogenesis or oogenesis, respectively. In both processes it all starts with the formation of a diploid gamete giving rise through meiosis to a haploid gamete. The formation of spermatocytes starts with an spermatogonia that via duplication, these cells divide via meiosis I and then subsequently divide again in what is called meiosis II, giving rise to four spermatozoa. An analogous process forms the ovum, with duplication and two meiosis, however the byproducts of oogenesis only results in one usable ovum, with the rest being composed of three polar bodies.
Fertilzation happens when the two haploid gametes fuse together, giving rise to a diploid cell that is totipotent, i.e. it is the precursor cell that will give rise to all cells composing an organism. The spermatozoid perforates the corona radiata as well as the primary and secondary egg membrane, which provokes an inflation of the corona radiata that keeps other spermatozoids to get in the ovum. This unicellular body is called zygote and will undergo cleavage. At this point a grey crescent is formed, which defines the animal and vegetal poles of the embryo. The animal pole will become the posterodorsal region of the organism.
As we know, cleavage in deuterostomes (i.e. the most inclusive group containing Echinodermata, Hominidae and their most recent common ancestor) is processed radially. Depending if we have macrolecithal or microlecithal egg (i.e. relative proportion of yolk) cleavage will be meroblastic or holoblastic, respectively. This means that in holoblastic eggs cleavage will occur all the way along the yolked part of the egg; and the opposite situation verified in meroblastic eggs like those of the chick. A special kind of cleavage is seen in placental mammals which is rotational cleavage with a nearly horizontal second cleavage furrow. In the chick the quantity of yolk is so great that the zygote will be pushed to the animal pole forming a cytoplasmic disk that upon continuing division will form the blastodisk (generally called the blastula, blastocyst in placental mammals). The peculiar case of placental mammals reveals an external layer of cells, the trophoblast, that are of maternal origin. This layer prevents the immunological system to recognize the zygote as an foreign cell, since paternal genes also compose it. The trophoblast is an adaptation in Eutheria that allows viviparity. An inner cell mass will keep dividing and it will attach to the trophoblast that will subsequently be incorporated in the walls of the ovary, a process said to be invasive.
The formation of the three main germ layers happens in the course of gastrulation, which is essentially an invagination of the hollow blastula forming a depression called archenteron and the two lips the blastospore, that as we know forms in later development the mouth in deuterosomes. The gastrulation can happen in two main ways by ingression (e.g. in the chick egg) or by involution (e.g. in the amphibian egg. Gastrulation by involution happens follows some specific steps: (i) formation of a cleft that will correspond to the dorsal lip of the gastrula, at this point the outer layer of cells (the ectoderm) and the inner layer of cells (the endoderm) are formed, (ii) further involution (i.e. migration of cells relative to a fixed point) will elongate the archenteron, (iii) chordamesoderm differentiation and epiboly (movement of the ectoderm to envelop the endodermal cells), (iv) as involution goes on the remaining endoderm visibly on the outer surface will become scarcer to the point it forms a yolk plug, (v)a ventral lip is formed and mesoderm starts to differentiate, again as a deuterostome the amphibian egg shows enterocoelic gastulation with outpocketing of the mesoderm, (vi) the next step, neurulation will start to happen.
In chicks due to the macrolecithal condition of the egg, although the process of gastrulation respects the same general principles it is different in some respects. The anatomy of the blastodisk is the following: there is an outer layer called the epiblast, and a lower layer of cells called the hypoblast; the central region is called area pellucida and the outer region area opaca. It all starts with migration of epiblastic cells from the area pellucid outward to lower levels that will form the hypoblast. Then, cells from the area opaca start converging to the upper regions forming a ridge that will give rise to the primitive streak. The primitive streak starts to form when the epiblast cells start to migrate to downwards, the first cells to arrive will form the endoderm, secondly the mesoderm (with the chordamesoderm and paraxial mesoderm) and the superficial cells the ectoderm.
Neurulation is the formation of the neural tube. The neural tube is developmentally derived from the ectoderm and a result of inductive interactions with the chordamesoderm. The chordamesoderm induces the ectoderm which will form the neural plate by means of palisade ectodermic cells, i.e. they undergo a change in volume that result on a rhomboidal to a stretched cell shape. As induction proceeds the neural plate will start to invaginate, which creates the neural crest and the neural groove. The lateral wall of the neural crest will originate the neurogenic placodes and the medial wall the neural crest cells later in development. Invagination of the neural plate will finally reach a point where the two neural crest meet and detach from the remaining ectoderm forming a central tube, later called the neural tube.
At the point that neurulation happens other concomitant processes occur in the embryo, namely: the formation of extraembryonic membranes, and mesoderm differentiation.
Three types of mesoderm are differentiated: the paraxial mesoderm (dermatome, myotome and sclerotome), lateral plate mesoderm (splanchnic and somatic mesoderm) and finally the intermediate mesoderm (nephric ridge and gonadal ridge). Nephric ridge (excretory ducts and kidneys) and gonadal ridge (gonads); lateral plate mesoderm (body cavities).
Especially crucial in amniotic embryos the formation of extraembryonic membranes is a key evolutionary novelty as an adaptation to the terrestrial environment. There are three main membranes that form through different processes: the allantois, the amnion and the extraembryonic coelom. The allantois is formed as an outpocketing of the splanchnic mesoderm and endoderm with a relative motion of the archenteron. The amnion is formed by the somatic mesoderm and ectoderm that fold and then overlap the embryo. The extraembryonic coelom is formed as a progression of the splanchnic mesoderm and ectoderm as well as the somatic mesoderm and endoderm around the yolk. At this point in cleidoid eggs, what happens is that as the embryo goes down the oviduct, albumen (proteins that constitute the egg white are continuously agglomerated around the embryo, further a secondary eggshell membrane is formed and some air is entrapped, and subsequently the shell gland will produce a rigid porous eggshell.
Neural crest cells will migrate to form organ rudiments, by means of fibronectin, which results in the delamination of the epithelial cells (in the form of ectomesenchyme) of the ectoderm near the notochord. Neural crest cells as they reach more ventral parts of the embryo, N-cam starts to be produced and therefore they start to form agglomerate. Neural crest cells form for example the chromatophores in the dermis.
Nevertheless, we have to note that neural crest and neurogenic placodes are very similar embryological compounds although they differentiate in dissimilar products (e.g. neurogenic placodes originate sensory receptors, and neural crest cells originate motor neurons). However they are alike because they migrate, form sensory organs and are ectoderm derivatives.
Organogenesis of the eye is a striking example of a developmental cascade of inductions. What happens is that the neural tube (itself a derivative of the ectoderm by chordamesoderm interaction), is induced by the chordamesoderm and differentiates in the anterior region in the precursors of the tripartite brain. It is the diencephalon by chordamesoderm induction that forms a protrusion called optic vesicle, and nearly reaches the ectoderm. The neural tube optic visicle induces the ectoderm which thickens and forms the lens placode. The lens placode starts to be invaginated to a point that it detaches from the ectoderm and starts differentiating forming the lens visicle, that will further turn into definitive lens . Concomitantly, by chordamesoderm induces the opic vesicle that starts to invaginate and will form the optic cup. The outer layer of the optic cup is ciliated and will become the pigmented retina, the inner layer of the cup will form the neural retina. This way, the ciliated photosensitive layer of ependymal epithelium will be turned to the point where light comes from. The retina is linked to the brain by the optic stalk.
Embryological head organization invertebrates can be summarized by the Goodrich’s diagram that shows a correspondence to the branchiomeres and several structures of vertebrate anatomy. To each branchiomere there is a correspondent somite, nerve and endodermal derivatives. However, the mandibular branchiomere is a special modified anterior one, followed by the hyoidal and glossopharyingeal branchiomeres and a sequence of four vagal branchiomeres. Each branchiomere is bordered by an outpocket: the pharyngeal pouches, of which the spiracle is the most important one.
The role of Hox genes is essential to understand the developmental mechanisms that occur across all Metazoa, because: they are regulatory genes that by means of expression of transcription factors regulate expression of other genes, they are collinear, they play a role in segmentation of the embryo (into different somites, aortic arches, etc.), they are highly conservative genes.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Não há omeletas sem ovos…

Perguntam e com razão: porque quererá alguém dedicar-se ao estudo de ovos de dinossauro? Com cancros cuja cura permanece por desvendar e vacinas por desenvolver, por que iria alguém dedicar parte do seu precioso tempo a cascas de ovo com 150 milhões de anos?
Talvez o estudo da morfologia (ou melhor dizendo, da histostrutura) das cascas de ovo não indiciem por si só a cura para o cancro ou o desenvolvimento de carros mais ecológicos, mas vale por se acrescentar um pouco mais ao saber da Natureza. E isso é sempre meritório. Talvez se achasse irrelevante financiar estudos sobre as rotas de migração das aves, até ao dia em que se descobriu que isso teria qualquer coisa que ver com os padrões de distribuição de casos da gripe das aves. Mas não pretendo aqui justificar a pertinência deste estudo (isso já foi motivo de avaliação pelo júri da Jurassic Foundation).
Se olharmos com atenção para a casca de um ovo antes de fazermos a omeleta, reparamos que a sua superfície não é inteiramente lisa, tem pequenas rugosidades ou
perfurações, que são… poros! Aquando o seu desenvolvimento, o pinto precisa de estabelecer trocas gasosas com o exterior, vendo-se livre dos gases tóxicos (como o dióxido de carbono) e absorvendo oxigénio. Também as cascas de ovo de dinossauros, por exemplo, de há 150 milhões de anos tinham esses poros. Também os dinossauros ainda embriões precisavam de respirar. Na Lourinhã temos a sorte de não só termos uma
diversidade absolutamente inquietante de cascas de ovo em vários locais, como também a existência de embriões. Especialmente os embriões, pela sua raridade, são uma
janela para a compreensão da evolução dos dinossauros. As características anatómicas dos seus restos fossilizados permitem calibrar/polarizar os caracteres morfológicos
que servem de base à compreensão da evolução. Por isso, qualquer vestígio de embrião – em conjugação com material ontogenético mais avançado (ou seja, material
fossilífero de indivíduos mais velhos) – é tão importante e merece a nossa atenção.
Legenda foto: Secção transversal de uma casca de ovo, resultado de investigação em curso.
Foto por: João Pais, Ricardo Araújo e Rui Castanhinha(C)
Este artigo foi publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã nº11.
sexta-feira, outubro 10, 2008
Resultado: omoletes com dentes & ovos estufados com mandíbulas
As duas comunicações por poster que a nossa equipa apresentou no último congresso na Argentina consistiram em:
1) Evolution of the mandibles and teeth in ornithopod dinosaurs - Consiste numa aproximação filogenética, com base na anatomia, à evolução dos dentes e mandíbulas de um grupo particular de dinossauros: os ornitópodes. Eles foram, analogamente, os antílopes das nossas savanas actuais e desenvolveram processos de mastigação extremamente especializados à condição de se ser herbívoro. Foi isso que apresentámos! Existe uma série de implicações interessantes, corolários da nossa aproximação a estes resultados, por exemplo: (i) serão os dentes diagnósticos? I.e., consigo indentificar uma dada espécie com base nos seus dentes?; (ii) Existiram alguns padrões - ao nível morfológico - relativos à especialização destes dinossauros à condição de comer plantas? I.e. como é que a forma das mandíbulas e dentes evoluiu ao longo da história deste grupo de dinossauros?; (iii) Existirão características anatómicas nos dentes e mandíbulas que não sejam definidores de uma dada espécie? I.e., será que vale a pena ter em conta aspectos da anatomia que estejam relacionados com o crescimento ou com a posição de um dado dente na boca?
2) Reptile eggs from Lourinhã Formation, Portugal - Esta comunicação foi o primeiro resultado derivado da bolsa da Jurassic Foundation que obtivemos. Neste estudo caracterizámos as diferentes jazidas que contêm ovos e embriões de dinossauros, e descrevemos a morfologia das cascas de ovo. Cada grupo de dinossauros tem, no geral, características específicas nas cascas de ovo que vistas ao microscópio óptico ou electrónico se revelam. Contudo, existem também características externas como a ornamentação das cascas ou até mesmo a forma e orientação dos poros (sim, porque as cascas de ovo têm poros!).
Imagens (sexta)
Casca de ovo de titanossauro, a Argentina tem destas coisas...
(clicar na foto para aumentar)
Publicado simultaneamente no Conjurado
domingo, outubro 05, 2008
segunda-feira, setembro 15, 2008
Escavações de Verão 2008, na Lourinhã
forma de nidificação, incubação e ecologia. Os paleontólogos esperam que estes achados, raros em Portugal, permitam perceber melhor como os dinossauros cresciam, em que ambientes, e como eram incubados os seus ovos.
A campanha de escavações decorreu ao longo dos meses de Julho e Agosto e o material recolhido é de extrema importância para se compreender o passado dos animais que pisaram, há 150 milhões de anos, aquilo que é hoje o nosso país.
As actividades contaram com a participação de mais de três dezenas de voluntários oriundos de vários países, e foram coordenadas pelos paleontólogos Octávio Mateus, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo. Os trabalhos incluiram escavações, crivagens, preparação e limpeza do material em laboratório e ilustração científica. Para além de ossos de dinossauros adultos foram recolhidos, através de crivagens, partes de crânios de pequenos animais jurássicos tais como crocodilos, anfíbios e pequenos dinossauros.
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Parte dos trabalhos agora realizados enquadram-se no prémio atribuído em Junho deste ano pela instituição norte-americana Jurassic Foundation ao projecto de estudo das jazidas de ovos de dinossauros em Portugal, proposto pelos investigadores atrás mencionados. Um dos objectivos dos estudos do material recolhido é a publicação dos resultados em revistas internacionais da especialidade.
Algum do material recolhido já pode ser visto no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã.
sábado, maio 24, 2008
Jurassic Foundation dá prémio a dois portugueses
Projecto visa estudar ovos de dinossauros
Rui Castanhinha veio da biologia. Ricardo Araújo acabou há pouco engenharia geológica. Mas é à paleontologia - "ciência a meio caminho entre as duas", diz o primeiro - que se dedicam. Agora estão a estudar ninhos de ovos de dinossauros descobertos na região da Lourinhã e foi exactamente com esse projecto (Dinosaur Eggs and Embryos of the Lourinhã Formation, Upper Jurassic, Portugal) que ganharam um prémio da Jurassic Foundation - uma fundação criada com os lucros dos filmes Jurassic Park de Spielberg para apoiar pesquisas de paleontologia em todo o mundo.
quinta-feira, abril 29, 2004
NINHO DE PAIMOGO
Os dinossáurios eram os vertebrados de crescimento mais rápido?
Os dinossauros são os vertebrados com o crescimento mais rápido. Os dinossauros da Lourinhã corroboram com esses dados, conforme demonstrado nos estudos feitos por Ricqlés et al (2001).
RICQLÈS, A. DE; MATEUS, O.; ANTUNES, M. TELLES ; & TAQUET, P. (2001). Histomorphogenesis of embryos of Upper Jurassic Theropods from Lourinhã (Portugal). Comptes rendus de l'Académie des sciences - Série IIa - Sciences de la Terre et des planètes. 332(10): 647-656.
Os ovos depositados na Lourinhã seriam de crocodilo?
Na Lourinhã conhecem-se várias jazidas com ovos de dinossauros, entre as quais se destaca a jazida de Paimogo, como um enorme ninho de dinossauros terópodes. Entre mais de uma centena de ovos de dinossauros descobriram-se três ovos de crocodilo, os mais antigos do mundo. Essa ocorrência permite-nos pensar numa relação de comensalismo entre dinossauros e crocodilos durante o Jurássico.
O ninho de Paimogo é o maior e um dos + antigos ou o + antigo e um dos maiores?
O ninho de Paimogo tem cerca de 120 ovos o que o faz o maior ninho do mundo. Existem ovos ou cascas de ovos mais antigos, mas o ninho de Paimogo é a mais antiga estrutura de nidificação. É o único com embriões na Europa e possui os mais antigos ossos embriões do mundo (150 milhões de anos).
Octávio Mateus
sábado, fevereiro 28, 2004
Paimogo, um ninho de dinossauros
Octávio Mateus
Museu da Lourinhã
omateus@dinocasts.com
www.dinodata.net/lusodinos & www.dinocasts.com
texto publicado em: MATEUS, O. (2003). Paimogo, um ninho de dinossauros. Revista Cais, 79, Set, 2003.
ERA UMA VEZ…
Alguns dinossauros carnívoros fêmeas reuniam-se todos os anos para nidificarem nas areias perto de uma lagoa de águas calmas. Nesse ano, juntaram-se sete fêmeas. A mais jovem tinha seis metros de comprimento, enquanto a mais velha rondava uns possantes oito metros. Após escolherem um sítio perto do que já tinha sido utilizado no ano anterior, a primeira fêmea pôs uma vintena de ovos, muito juntos, cada um com cerca de 12 cm. Os outros dinossauros fêmeas imitaram-na durante o resto do dia, até o ninho ser uma gigantesca concentração de 180 ovos de dinossauro carnívoro.
Estes dinossauros protegiam o ninho contra os comedores de ovos como crocodilos, lagartos e mesmo outros dinossauros. Ainda assim, um crocodilo de médio porte aproxima-se sorrateiramente daquela preciosa pilha de ovos com o cuidado de não ser detectado pelos dinossauros. O seu intuito não era predar o ninho e, rapidamente, deposita os seus próprios ovos no meio dos de dinossauro. Este crocodilo fêmea retira-se assim que termina a sua tarefa, deixando a sua prole bem protegida por um grupo de dinossauros carnívoros.
O tempo passa e, além de um ou outro ovo roubado e comido, os pequenos dinossauros desenvolvem-se depressa no seu líquido amniótico protector. Naquela região eram frequentes fortes aguaceiros mas, naquela altura, chovia mais do que o habitual. A chuva não parava, o lago começou a encher e a transbordar, até que chegou ao precioso ninho dos dinossauros, cobrindo-o com aquela água lamacenta que acabou por asfixiar e matar os pequenos embriões prestes a eclodir.
150 MILHÕES DE ANOS DEPOIS…
Cerca de 150 milhões de anos depois, aquele local, agora conhecido como Paimogo (perto da Lourinhã), é muito diferente. Em 1993, era palco de actividades de prospecção paleontológica por Isabel Mateus, que já conhecia o aspecto das cascas de ovos de dinossauros. Isabel acabava de fazer a maior descoberta da sua vida: um ninho de ovos de dinossauro com ossos de embrião!
O cenário acima descrito é uma interpretação que a equipa de paleontólogos nacionais e estrangeiros sugere para o que aconteceu há cerca de 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Superior, com base nos dados científicos obtidos pelo Museu da Lourinhã em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa, Museu de História Natural de Paris, Universidade de Coimbra, Colégio de França e Instituto Geológico e Mineiro.
A IMPORTÂNCIA DA JAZIDA
A jazida de Paimogo é a mais importante jazida paleontológica do Jurássico português. Trata-se do maior ninho de dinossauro do mundo, o único com embriões na Europa e um dos mais antigos que se conhecem. A revista americana Discover considerou-a uma das 100 descobertas científicas mais importantes de 1997, ano em que foi divulgada. A revista Expresso elegeu o casal Isabel e Horácio Mateus como Figuras do Ano 1997.
A presença de embriões neste ninho, raríssima a nível mundial, permitiu identificar a espécie de dinossauro: um Lourinhanosaurus. Este era conhecido anteriormente a partir de parte de um esqueleto de um indivíduo sub-adulto que, caso estivesse completo, tinha cerca de 4,5 metros de comprimento.
Com mais de 200 ossos de embrião identificados, era possível, pela primeira vez, classificar a espécie de dinossauro a que pertenciam aqueles ovos jurássicos, além de responder a muitas perguntas que os cientistas colocavam sobre o crescimento, reprodução e comportamento de dinossauros.
Os pequenos Lourinhanosaurus atingiriam uma dimensão adulta (talvez com 8 metros) em menos de 10 anos, o que faz dos dinossauros os animais de crescimento mais rápido entre os vertebrados. Pode conhecer-se a idade dos dinossauros contando-se os anéis de crescimento lento dos ossos, num processo análogo àquele utilizado nos troncos de árvores.
Os três ovos de crocodilo depositados neste ninho são os mais antigos que se conhecem e os paleontólogos acreditam que foram aí colocados para beneficiarem da protecção dos dinossauros.
Quanto a esta jazida, há ainda muitas questões sem resposta e a investigação está longe de terminar. Ainda assim, a jazida de Paimogo já é uma referência mundial no que concerne à reprodução de dinossauros.









