sexta-feira, janeiro 17, 2020

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor


Investigador da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Miguel Moreno-Azanza, fez novas novas descobertas de ovos de dinossauros.

Referência:
Choi, S., Moreno‐Azanza, M., Csiki‐Sava, Z., Prondvai, E. and Lee, Y.‐N. (2020), Comparative crystallography suggests maniraptoran theropod affinities for latest Cretaceous European ‘geckoid’ eggshell. Pap Palaeontol. doi:10.1002/spp2.1294 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/spp2.1294

Replicamos aqui a notícia de 16 de Janeiro de 2020, no Observador.

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor

Mais um quebra-cabeças resolvido na paleontologia. Casca de ovo com pelo menos 66 milhões de anos é de dinossauro da família do Velociraptor, vilão em Parque Jurássico. Português ajudou na descoberta.


Nos anos 90, uma equipa de paleontólogos explorou na Europa um estranho fóssil da casca de ovo que pertencia a algum animal que tinha vivido na Terra há entre 66 milhões e 85 milhões de anos. Chamaram-lhe Pseudogeckoolithus, mas ninguém sabia que animal era esse. Algumas características pareciam ser de um antepassado das osgas modernas, mas outras eram mais próximas dos dinossauros predadores. Trinta anos depois, o mistério foi deslindado com a ajuda de um português.

Através de uma nova técnica que permite saber como é que as moléculas e os átomos se organizam dentro de um fóssil, os cientistas descobriram que aquela casca de ovo era de um dinossauro da família do Velociraptor, que talvez conheça por ser o principal vilão do filme Parque Jurássico. Por fora, o ovo até podia parecer de uma osga. Mas era completamente diferente a nível microscópico e estava muito mais próximo das características químicas dos ovos de dinossauro.

A casca destes ovos era muito fina — não ultrapassava os 0,3 milímetros de espessura — tinha canais respiratórios e pequenos botões e nós à superfície. Os ovos de Pseudogeckoolithus eram do mesmo tamanho que os ovos de um corvo, com três a quatro centímetro de diâmetro, mas a mãe devia ter o tamanho de uma galinha.

Tal como o faisão, por exemplo, um tipo de megapode que constrói montes de terra e vegetação para receber as novas crias, também este dinossauro enterrava os ovos nesse tipo de ninhos para os aquecer com a energia libertada durante a fermentação da matéria orgânica. Apesar do aspeto dos ovos ser semelhante ao das osgas atuais, a estrutura cristalina deles prova que eram postos por dinossauros.

Isso mesmo é explicado por Miguel Morena-Azanza, cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e paleontólogo do Museu da Lourinhã que esteve envolvido nesta descoberta. “A identidade enganosa de Pseudogeckoolithus já foi abordada por Nieves López-Martínez e Monique Vianey, que a nomearam nos anos 90. Eles classificaram essa casca de ovo como dinossauro, mas chamaram-na de ‘casca de ovo de pedra parecido com uma osga’, que é o que Pseudogeckoolithus representa. Agora essas novas técnicas permitiram-nos confirmar firmamente a sua observação inicial”, conta.

Isto é importante porque permite saber mais sobre o passado da vida da Terra e sobre como ela evoluiu até aos dias de hoje. Como foram encontrados muitos fósseis de Pseudogeckoolithus no sul da Europa e no norte de África, se estes ovos fossem de osgas isso significaria que, no final do tempo dos dinossauros, já havia nestas regiões lagartos semelhantes às osgas modernas.

Com esta descoberta, essa teoria cai por terra. E outra emerge: afinal, no final do Cretácio, havia muitos pequenos dinossauros predadores e semelhantes a pássaros em toda a Europa. Essa já era uma desconfiança dos paleontólogos, mas não havia certas porque os fósseis desses animais são muito raros. Estas cascas de ovo, no entanto, lançam luz sobre o passado da vida que se desenvolvia no solo que agora pisamos.

terça-feira, dezembro 31, 2019

12 descobertas de 2019 na paleontologia de vertebrados de Portugal

O ano de 2019 foi generoso para a paleontologia de vertebrados de Portugal com uma dúzia de artigos publicados em revistas científicas da especialidade. Neles abordaram-se pegadas de dinossauros terópodes (Belvedere et al., 2019), esqueletos de estegossauros (Costa e Mateus, 2019), terópodes (Malafaia et al. 2019), saurópodes (Mocho et al. 2019) e crocodilomorfos jurássicos (Guillaume et al. 2019, Puértolas-Pascoal et al. 2019), raias miocénicas (Fialho et al., 2019), macacos (Alba et al 2019), coelhos (Davis, 2019) e veados pleistocénicos (Croitor et al., 2019), e até tartarugas para consumo de humanos Neandertais (Nabais e Zilhão, 2019; Nabais et al., 2019).

Os quatro artigos publicados em revistas com mais impacto versaram sobre: 1) o dinossauro Miragaia longicollum na revista PloS One (Costa e Mateus, 2019); 2) novas ocorrências de veado pleistocénicos (Croitor et al., 2019) publicado na Quaternary Science Reviews; e 3) tartarugas em grutas Pleistocénicas (Croitor et al., 2019; Nabais & Zilhão, 2019) também na Quaternary Science Reviews; e 4) e presença do macaco-de-Gibraltar Macaca sylvanus em Portugal, no Journal of Human Evolution (Alba et al., 2019).

Descobriu-se uma nova espécie e género para a ciência: Oceanotitan dantasi Mocho et al. 2019; e reportadas espécies de veados novas para Portugal: Haploidoceros mediterraneus e Praedama cf. savini (Croitor et al., 2019).

Primata Macaca sylvanus cf. pliocena da Gruta da Aroeira (Alba et al., 2019)



Artigos de paleontologia de vertebrados de Portugal publicados em 2019:
  1. Alba, D. M., Daura, J., Sanz, M., Santos, E., Yagüe, A. S., Delson, E., & Zilhao, J. (2019). New macaque remains from the Middle Pleistocene of Gruta da Aroeira (Almonda karst system, Portugal). Journal of Human Evolution 131 (2019) 40e47
  2. Belvedere, M., Castanera D., Meyer C. A., Marty D., Mateus O., Silva B. C., Santos V. F., & Cobos A. (2019). Late Jurassic globetrotters compared: A closer look at large and giant theropod tracks of North Africa and Europe. Journal of African Earth Sciences. 158, 103547.
  3. Costa, F., & Mateus, O. (2019). Dacentrurine stegosaurs (Dinosauria): A new specimen of Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal resolves taxonomical validity and shows the occurrence of the clade in North America. PloS one, 14(11).
  4. Croitor, R., Sanz, M., & Daura, J. (2019). Deer remains from the Middle Pleistocene site of Gruta da Aroeira (Portugal): Iberian faunal endemism and implications for hominin paleobiogeography. Quaternary Science Reviews, 225, 106022.
  5. Davis, S. J. M. (2019). Rabbits and Bergmann’s rule: how cold was Portugal during the last glaciation? Biological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/biolinnean/blz098
  6. Fialho, P., Balbino, A., & Antunes, M. T. (2019). Langhian rays (Chondrichthyes, Batomorphii) from Brielas, Lower Tagus Basin, Portugal. Geologica Acta (ISSN-1695-6133).
  7. Guillaume, A. R., Moreno-Azanza, M., Puértolas-Pascual, E., & Mateus, O. (2019). Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal. Zoological Journal of the Linnean Society.
  8. Malafaia, E., Mocho, P., Escaso, F., Dantas, P., & Ortega, F. (2019). Carcharodontosaurian remains (Dinosauria, Theropoda) from the Upper Jurassic of Portugal. Journal of Paleontology, 93(1), 157-172.
  9. Mocho, P., Royo-Torres, R., & Ortega, F. (2019). A new macronarian sauropod from the Upper Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, e1578782.
  10. Nabais, M., Boneta, I., & Soares, R. (2019). Chelonian use in Portugal: Evidence from Castelo Velho de Safara. Journal of Archaeological Science: Reports, 28, 102054.
  11. Nabais, M., & Zilhão, J. (2019). The consumption of tortoise among Last Interglacial Iberian Neanderthals. Quaternary Science Reviews. doi:10.1016/j.quascirev.2019.03.024
  12. Puértolas-Pascual, E., & Mateus O. (2019). A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. , 10



Cervídeo Haploidoceros mediterraneus da Gruta da Aroeira (Croitor et al 2019)




Além destes trabalhas, foram apresentados numerosos resumos em congressos, teses sobre a paleontologia de vertebrados. Acresce ainda os livros e artigos que mencionam o mesmo tema mas não abordam a fundo a paleontologia nacional. Organizou-se também um congresso PaleoFall 2019.

Tentámos inclui todos os artigos científicos sobre a paleontologia de vertebrados de Portugal. Se souber de algum que não esteja aqui, por favor indique nos comentários ou para omateus@fct.unl.pt.




Testudo hermanni da Gruta da Oliveira (Nabais e Zilhão, 2019)

Pegada de dinossauro na imagen institucional da Lourinhã


O Município da Lourinhã escolheu, entre outros símbolos, pegadas tridáctilas de dinossauro para representar o concelho na sua nova imagem institucional anunciada ontem (30 de dezembro de 2019).



Replicamos aqui a notícia da Lusa disponível no sítio da RTP, mas veja também o sítio do próprio município.


Município da Lourinhã renova imagem institucional para atrair turistas
por Lusa, 30 Dezembro 2019
   
A Câmara da Lourinhã, no distrito de Lisboa, apresenta hoje a sua nova imagem institucional, cerca de 20 anos após a última alteração, para ajudar a captar turistas para o concelho.

"Tornou-se premente a atualização da imagem institucional de forma adequar a estratégia municipal de turismo à forma como comunicamos institucionalmente", justificou o presidente da câmara, João Duarte Carvalho, à agência Lusa.

Para o autarca, a renovação da imagem institucional "permite afirmar o território da Lourinhã como uma marca, com posicionamento estratégico nos mais variados campos e voltada essencialmente para a captação de turismo e investimento".

A nova imagem gráfica institucional inscreve pegadas de dinossauros para assinalar a presença de achados paleontológicos no concelho, o sol e mar, o canhão em alusão à Batalha do Vimeiro de 1808, durante as invasões francesas, e um coração, alusivo ao mito de Pedro e Inês de Castro, associado à localidade do Moledo, enquanto definidores da identidade concelhia.

Os dinossauros vão continuar a ter uma forte presente no logótipo, mas "o objetivo será dar a conhecer aos visitantes e turistas as outras histórias e estórias da Lourinhã", sublinhou João Duarte Carvalho.

Os elementos constantes no logótipo do município vão ao encontro dos cinco eixos estratégicos de desenvolvimento do concelho, previstos na Estratégia para o turismo da Lourinhã 2019-2027, que foi também apresentada.

Além da atração de turistas, é objetivo da estratégia gerar uma consequente resposta por parte dos investidores e operadores do concelho na criação de projetos que contribuam para esse desenvolvimento.

Os eixos de desenvolvimento passam por potenciar o turismo paleontológico, o turismo militar, o mar e a gastronomia a ele associada, os produtos da terra e o mito Pedro e Inês de Castro, de acordo com a estratégia, a que a Lusa teve acesso.

Para a implementação estratégica, é definido um programa de ações, como melhoria dos postos de turismo, formação dos agentes turísticos e de guias, instalação de uma sinalética homogénea nas rotas e espaços de interesse turístico, incentivo à criação de artesanato temático, criação de áudio guias e de rotas alusivos à aguardente, à produção de abóbora, ao mito de Pedro e Inês de Castro e pelas azenhas existentes no concelho.

São propostos encontros, festivais e outras atividades culturais temáticas que ajudem a diversificar a oferta de animação, a organização de provas desportivas, encontros literários, o reforço das marcas "Batalha do Vimeiro 1808 e "Lourinhã, capital da Abóbora", e a criação de um Centro Interpretativo da Aguardente da Lourinhã.

O município pretende tirar partido da proximidade a Lisboa e ao aeroporto da capital para atrair turistas.

A estratégica para a próxima década traça como objetivos aumentar em 4,2% a média de dormidas, em 7% as receitas geradas no concelho, duplicar o nível de habilitações dos agentes turísticos e conseguir ter turistas todo o ano, reduzindo em 4% a sazonalidade.

O município pretende ainda que 90% das empresas turísticas adotem medidas de utilização eficiente de energia e da água e desenvolvam ações de gestão eficiente dos resíduos.

No concelho existem oito unidades de alojamento, das quais apenas duas são hotéis, com uma capacidade total inferior a 400 hóspedes.
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O nosso ano científico de 2019

Nesta altura de fazer o balanço científico do ano de 2019: 8 artigos científicos e capítulos de livros, e 7 resumos em congressos; expedições e escavações em 4 países em continentes distintos (Portugal, Brasil, Angola e Estados Unidos); numerosas palestras; uma tese de doutoramento orientada e defendida (Marco Marzola) e outras 5 em curso; orientação de numerosas teses do Mestrado em Paleontologia da Universidade Nova de Lisboa em associação com a Universidade de Évora; Prémio Alumni Carreira pela Univ. de Évora.
Foi um bom ano de 2019. Venha 2020!



Artigos científicos e capítulos de livros
Guillaume, A. R. D., Moreno-Azanza M., Puértolas-Pascual E., & Mateus O. (2019).  Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal. Zoological Journal of the Linnean Society. , 11 
Puértolas-Pascual, E., & Mateus O. (2019).  A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. , 10 
Park, J. - Y., Lee Y. - N., Currie P. J., Kobayashi Y., Koppelhus E., Barsbold R., Mateus O., Lee S., & Kim S. - H. (2019).  Additional skulls of Talarurus plicatospineus (Dinosauria: Ankylosauridae) and implications for paleobiogeography and paleoecology of armored dinosaurs. Cretaceous Research. 104340.
Hendrickx, C., Mateus O., Araújo R., & Choiniere J. (2019).  The distribution of dental features in non-avian theropod dinosaurs: Taxonomic potential, degree of homoplasy, and major evolutionary trends. Palaeontologia Electronica. 22(3), 1-110.
Mateus, O., Callapez P. M., Polcyn M. J., Schulp A. S., Gonçalves A. O., & Jacobs L. L. (2019).  The Fossil Record of Biodiversity in Angola Through Time: A Paleontological Perspective. (Huntley, Brian J., Russo, Vladimir, Lages, Fernanda, Ferrand, Nuno, Ed.).Biodiversity of Angola: Science & Conservation: A Modern Synthesis. 53–76.: Springer International Publishing 
Belvedere, M., Castanera D., Meyer C. A., Marty D., Mateus O., Silva B. C., Santos V. F., & Cobos A. (2019).  Late Jurassic globetrotters compared: A closer look at large and giant theropod tracks of North Africa and Europe. Journal of African Earth Sciences. 158, 103547. 
Mateus, O., Callapez P. M., Polcyn M. J., Schulp A. S., Gonçalves A. O., & Jacobs L. L. (2019).  O registo fóssil da biodiversidade em Angola ao longo do tempo: uma perspectiva paleontológica. (Huntley B.J., Russo V., Lages F., Ferrand N., Ed.).Biodiversidade de Angola: Ciência e Conservação - Uma Síntese Moderna. 89-116., Porto: Arte & Ciência

Resumos em congressos
Park, J., Lee Y., Currie P. J., Kobayashi Y., Koppelhus E. B., Barsbold R., Lee S., Kim S., & Mateus O. (2019).  Three new skulls of the Late Cretaceous armored dinosaur Talarurus plicatospineus Maleev, 1952. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 165-166.
Russo, J., & Mateus O. (2019).  A new Ankylosaur Dinosaur Skeleton from the Upper Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 184
Guillaume, A. R., Moreno-Azanza M., & Mateus O. (2019).  New lissamphibian material from the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal). Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 112.
Rotatori, F., Moreno-Azanza M., & Mateus O. (2019).  New ornithopod dinosaur remains from the Late Jurassic Lourinhã Formation. 17th Conference of the EAVP. 100., Bruxelles: European Association of Vertebrate Paleontologists
Guillaume, A. R. D., Azanza M. M., & Mateus O. (2019).  Involving the local community in the acquisition of paleontological data- “MicroSaurus” Citizen Science Project. Paleo Fall Meeting 2019. 15., Évora, Portugal
Schulp, A. S., Mateus O., Polcyn M., Gonçalves A., & Jacobs L. L. (2019).  Angola and its role in the paleobiogeography of Gondwana. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 188.
Azanza, M. M., Coimbra R., Puértolas-Pascual E., Russo J., Bauluz B., & Mateus O. (2019).  Crystallography of Lourinhanosaurus eggshells (Dinosauria, Theropoda, Allosauroidea). Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 156-157.
A maioria destes artigos está disponível aqui: https://docentes.fct.unl.pt/omateus/publications

Estes trabalhos são sempre realizados com colaborações científicas nacionais e internacionais, pelo que aproveito para agradecer aos co-autores: Araújo R.; Barsbold R.; Belvedere, M.; Callapez P. M.; Castanera D.; Choiniere J.; Cobos A.;Currie P. J.;Gonçalves A. O.;Guillaume, A. R. D.; Hendrickx, C.; Jacobs L. L.;Jacobs L. L. Costa, F.;Kim S. - H.;Kobayashi Y.; Koppelhus E.; Lee S.; Lee Y. - N.; Marty D.; Meyer C. A.; Moreno-Azanza M.,; Park, J. - Y.; Polcyn M. J.; Puértolas-Pascual, E.; Santos V. F.; Schulp A. S.; e Silva B. C.




quinta-feira, dezembro 12, 2019

Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos na Lourinhã


Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos habitaram a Lourinhã há 150 milhões de anos. Os crocodilomorfos, grupo que inclui os crocodilos actuais e seus ancestrais mais próximos, foram muito abundantes e diversos no final do Jurássico, há 150 milhões de anos atrás. Um novo estudo, focado em minúsculos dentes recolhidos nas falésias da Lourinhã, mostrou que pelo menos cinco espécies coabitaram nas proximidades, num sistema de rios jurássicos da região.


Reconstrução artística dos crocodilomorfos da Lourinhã (arte por Pedro Andrade)
Este trabalho foi agora publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society, parte integrante de uma dissertação de mestrado em Paleontologia por Alexandre Guillaume, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, agora a começar o seu doutoramento com foco em microfósseis (fósseis menores que 5 mm) de vertebrados. Esta tese foi coordenada pelos paleontólogos das mesmas instituições, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos. 
Centenas de quilos de sedimentos jurássicos da Lourinhã Portugal foram peneirados e os fósseis, que podem ser tão pequenos quanto um milímetro, foram triados e incorporados nas colecções do Museu da Lourinhã. De entre os milhares de fósseis encontrados, os pequenos dentes de crocodilomorfos estão entre os elementos mais comuns nesses sedimentos, pertencendo a espécies pequenas e a juvenis de espécies maiores.
Em mais de 120 dentes, colectados entre 2017 e 2018, foi possível distinguir 10 morfologias diferentes, de 5 táxones diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado. O Lusitanisuchus já era conhecido a partir de material fóssil da Mina da Guimarota, em Leira, mas esta é a sua primeira descoberta na Lourinhã. Também é de notar a ausência de dentes pertencentes ao Machimosaurus hugii, um crocodilomorfo marinho cujos dentes provenientes de Lourinhã já foram encontrados e publicados, e ao Lisboasaurus estesi, outro crocodilomorfo da Mina da Guimarota, nas amostras estudadas. Finalmente, o pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam eram jovens ou de espécies pequenas. Contudo, restos esqueléticos precisam ser encontrados para responder a esta pergunta.
Este estudo não aborda apenas a diversidade das faunas jurássicas, mas também explora as suas relações ecológicas. As diferentes morfologias observadas nos dentes permitiram distinguir 4 comportamentos alimentares diferentes: os goniofolídeos alimentavam-se de  presas com concha e moles, como jacarés modernos; os bernissartídeos de animais com conchas, como caracóis ou moluscos; os atoposaurídeos e Lusitanisuchus de pequenos artrópodes, como insetos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios, como os crocodilianos juvenis existentes; e, por último, o crocodilomorfo indeterminado era um predador carnívoro terrestre.
A recolha desses pequenos microfósseis é um trabalho árduo, envolvendo mais de 700 horas de trabalho cuidadoso, realizado pelos autores, mas, principalmente, por voluntários do Museu da Lourinhã e estudantes da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente, um projecto de ciência cidadã, MicroSaurus, treina visitantes do Museu da Lourinhã e do Parque dos Dinossauros da Lourinhã para encontrar esses pequenos, mas valiosos, vestígios do passado.
Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC-CTAPAL-31656-2017 e bolsas de post-doutoramento) e pela bolsa de pesquisa Microsaurus-SuperAnimais 3, financiada pela empresa Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Artigo científico: 
Guillaume, A. R. D., Moreno-Azanza M., Puértolas-Pascual E., & Mateus O. 2019. Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal, Zoological Journal of the Linnean Society, zlz112, https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlz112


Trabalhos de recolha de rocha para obter microfósseis de vertebrados. As rochas são posteriormente lavadas, com crivos.
Lupa binocular no laboratório da Universidade Nova de Lisboa para fotografar os dentes do crocodilomorfos.
Os dentes são separados dos fragmentos de rocha com ajuda de uma lupa e um pincel.
Alexandre Guillaume recolhendo microfósseis durante a ExpoLourinhã em 2019.

terça-feira, dezembro 10, 2019

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros celebra 40 anos

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) celebra 40 anos e reúne paleontólogos e biólogos. É uma área muito rica em fósseis com destaque às pegadas de dinossauros e mamíferos pleistocénicos. Dia 13 de dezembro de 2019, sexta-feira, daremos uma palestra com a síntese dos vertebrados fósseis no PNSAC, com destaque a novos achados e jazidas.

Informação do programa no sítio da Município de Alcanena:
Terá lugar, no próximo dia 13 de dezembro de 2019, sexta-feira, no Centro de Exposições de Mira de Aire (antiga Igreja Matriz) o encerramento das Comemorações do 40º Aniversário do PNSAC – Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, cujo programa é subordinado ao tema “175 Milhões de Anos Depois”.
 

Exemplos dos vertebrados fósseis do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

O programa terá início às 9:00h, com a receção aos participantes, seguindo-se, às 9:30h, a Sessão de Abertura.

Às 9:45h terá início a Sessão de Palestras “175 milhões de anos depois”, com moderação de Maria de Jesus Fernandes, Diretora Regional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade – Lisboa e Vale do Tejo, e contará com as intervenções dos seguintes palestrantes:
- Octávio Mateus (Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa);
- Carlos Neto de Carvalho (Geopark Naturtejo Meseta Meridional – UNESCO Global Geopark);
- Bruno Pereira (GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa);
- Ana Rainho (Centre for Ecology, Evolution and Environmental Change – Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa);
- Miguel Porto (CIBIO – InBIO, Universidade de Évora);
- Ana Sofia Reboleira (University of Copenhagen Natural History Museum of Denmak Zoological Museum).





Após o almoço, os trabalhos reiniciam às 14:30h, com a Mesa Redonda sobre a Gestão de Áreas Protegidas “Os 40 Anos do PNSAC”, com moderação de João Nazário, Diretor do Jornal de Leiria, e que contará com a participação de Fernanda Asseiceira, Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Jorge Vala, Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Ricardo Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Santarém, Maria João Botelho, antiga Diretora do PNSAC, e Sofia CastelBranco da Silveira, antiga Diretora do DGAC-LLO).

Às 16:30h, terá lugar a sessão de encerramento.

Segue-se, às 17:30h, a Apresentação do Livro Comemorativo do 40º Aniversário, que reúne depoimentos de alguns dos intervenientes neste percurso, com Porto de Honra e momento musical.

Às 18:30h, será apresentada a peça de teatro “O Parque”, do Grupo Olaré, Teatro de Serro Ventoso (reportando-se ao ano de 1986 e à instalação da equipa do Parque Natural).

Leopard.png
Crânio de leopardo. Exemplo de vertebrado fóssil do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (Cardoso, J. L., & Regala, F. T. (2006). O Leopardo, Panthera pardus (L., 1758), do Algar da Manga Larga (Planalto de Santo António, Porto de Mós). Comunicações Geológicas, 93, 119–144.)

domingo, dezembro 08, 2019

Metoposaurus algarvensis inspira Geoparque

A descoberta científica do Metoposaurus algarvensis e outros vertebrados triásicos no Algarve levou ao nosso apelo em 15 de Abril de 2018 para a criação e candidatura de um Geoparque da UNESCO e de uma estratégia de desenvolvimento sustentável que isso implica. Em boa hora, os concelhos de Loulé, Silves e Albufeira se uniram e anunciaram agora o Geoparque Algarvensis em que o logótipo é o Metoposaurus algarvensis.
E já tem website: www.geoparquealgarvensis.pt


É fantástico quando as descobertas paleontológicas têm este impacto na sociedade e quando os decisores políticos prestam atenção aos cientistas.

quinta-feira, dezembro 05, 2019

GeoParque Algarvensis

Os concelhos de Loulé, Silves e Albufeira estão a preparar candidatura a GeoParque Mundial da UNESCO com base nas descobertas paleontológicas no Triásico. Dia 7 de Dezembro (próximo sábado) vai haver a conferência Geoparque Algarvensis Desafios e Oportunidades, em Loulé sobre este assunto.

Replicamos aqui a notícia da Sul Informação

Geoparque Algarvensis, o nome que quer «andar na boca de toda a gente»

Candidatura a Geoparque Mundial da UNESCO deverá acontecer em 2021 ou 2022
A descoberta até tem 227 milhões de anos, mas este é um projeto de futuro. O Metoposaurus Algarvensis, cujos fósseis foram encontrados na Jazida da Penina, é o ponto de partida para o projeto aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO que junta Loulé, Silves, Albufeira e a Universidade do Algarve. As três autarquias e a academia assinaram esta segunda-feira, 2 de Dezembro, protocolos de colaboração para uma iniciativa que tem como grande objetivo contrariar o declínio do interior da região, envolvendo as pessoas.
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé acolheu este momento que mais não foi do que a efetivação de dois anos de trabalho, em conjunto.
Dois anos que apenas marcaram o ponto de partida, mas que já foram «essenciais» para começar a preparar a candidatura à UNESCO que deverá ser feita em 2021 ou 2022.
É que este é um projeto bastante ambicioso. A ideia passa por juntar conhecimentos geológicos, históricos ou arqueológicos, tudo numa perspetiva holística, para desenvolver o território do interior dos concelhos de Loulé, Albufeira e Silves.
Promover o desenvolvimento sustentável do território a partir das comunidades e da sua qualidade e modo de vida, assim como da riqueza geológica, tornando a área dos três concelhos num destino sustentável e potencialmente turístico de interesse mundial, através do seu património geológico, é o principal objetivo desta candidatura.

Cristina Veiga-Pires

Cristina Veiga Pires, a coordenadora científica do Geoparque Algarvensis, explicou que a zona delimitada (que incorpora localidades como Paderne, Silves, Messines, Loulé ou Querença) tem «inúmeros geossítios já identificados», como a Jazida da Penina, onde foi encontrado o Metoposaurus Algarvensis, a Mina de Sal-Gema, em Loulé, o Grés de Silves ou os calcários no Escarpão, em Albufeira.
«Já temos uma lista de mais de 25 geossítios a serem documentados. Isto é muito longo, claro, temos de ir ao sítio, ver as acessibilidades. No futuro, haverá uma musealização a ser desenvolvida e daí a necessidade de um tempo largo para preparar tudo. Agora, temos de fazer esta listagem e homogeneizar a informação», disse aos jornalistas.
Será também a partir desses geossítios que se desenvolverá todo o projeto, no qual os percursos pedestres terão um papel importante.
«Os três municípios têm coisas feitas, no património, na cultura, nos percursos pedestres. Se os há, é porque passam em sítios bonitos e se os sítios são bonitos é porque há geologia envolvida», ilustrou.
No fundo, a grande ideia é dar a conhecer o património riquíssimo que há no interior do Algarve e que muitas vezes é esquecido. Com isso, atraem-se pessoas e promove-se a própria economia, como referiu Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé.

Vítor Aleixo

Lembrando o papel fulcral de Octávio Mateus, professor da Universidade de Lisboa que o desafiou a criar este Geoparque, o autarca disse que «rapidamente se apercebeu da oportunidade única que não podia deixar de agarrar».
«Entendi logo que tinha a oportunidade de levar para o interior do Algarve um projeto no qual acredito, que ajudará a contrariar o seu clima de declínio demográfico, económico e até natural», considerou.
Para Vítor Aleixo, este é um projeto «para gerações», com uma «forte matriz identitária» e onde os presidentes das Juntas de Freguesia são «uma peça chave para mobilizar e levar a iniciativa às pessoas».
De resto, os habitantes destes territórios são, no entender do autarca, o «mais importante» de todo o projeto.
«As pessoas vão ser absolutamente determinantes. O Geoparque é um projeto que só será bem sucedido se envolver as pessoas e tem de ser de baixo para cima. É preciso que todos vivam isto, que entendam o que está a acontecer», disse, sem rodeios.

Rosa Palma

Rosa Palma, presidente da Câmara de Silves, defendeu precisamente a mesma ideia.
«Queremos que o património que já lá está ganhe vida, mas, para que isso aconteça, tem de haver pessoas e essas também tem uma história para contar. Por isso, acho importante que não se percam os costumes e tradições e este é um projeto que engloba todos esses saberes», considerou.
A autarca deixou dois desejos bem vincados. «Queremos que as pessoas falem e que esta palavra Algarvensis ande na boca de toda a gente. E mais: queremos que as pessoas sejam contagiadas e reconheçam o seu território – que tenham o sentimento de pertença».
José Carlos Rolo, presidente da Câmara de Albufeira, considerou, por sua vez, que o Geoparque pode ser, para o seu concelho, uma «alternativa ao turismo de massas».

José Carlos Rolo

«Temos de caminhar para aí, para que haja a tal complementaridade ao sol e praia. Já se sabe como funciona a questão da sazonalidade e a formação do Geoparque, com o selo da UNESCO, poderá dar uma mais-valia ao tecido turístico de Albufeira», defendeu.
E com o desenvolvimento do turismo no interior, é a própria economia que floresce e é estimulada. Paulo Águas, reitor da Universidade do Algarve (UAlg), disse, neste sentido, que o projeto do Geoparque «olha para o território numa ótica de preservação e será assim que teremos capacidade para melhorar as condições de vida».
E para o futuro?
Para o próximo ano, está prevista a criação de uma Associação Aspirante Geoparque Algarvensis que junte todas estas entidades. Em paralelo, haverá ações no território, com a população, para dar a conhecer este projeto.
A primeira delas é já este sábado, 7 de Dezembro, a partir das 15h00, na Escola Secundária de Loulé, que irá receber uma conferência com os intervenientes neste projeto, bem como de especialistas nesta matéria – Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e investigador que liderou equipa internacional que escavou a jazida da Penina, onde se descobriu o Metoposaurus Algarvensis, e Artur Sá, da Universidade do Minho.
Ambos irão falar sobre os desafios e oportunidades da candidatura que reúne os três municípios algarvios.
Já às 17h15, será inaugurada a exposição itinerante “Vamos ser Geoparque Algarvensis: O que é isso? – Um território aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO”, realizada no âmbito da candidatura do município de Loulé ao Fundo Ambiental “Educação Ambiental + Sustentável | EducarTe: Educar para o Território”.
O Geoparque Algarvensis já tem um website disponível aqui.

Fotos: Pedro Lemos|Sul Informação

terça-feira, dezembro 03, 2019

Palestra sobre dinossauros no LARC



Palestra sobre dinossauros dia 5 de Dezembro (quinta-feira) pelas 17:45 no Laboratório de Arqueociências (LARC).

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/patrimonio-arqueologico/laboratorio-de-arqueociencias-larc/

(LARC), Calçada do Mirante à Ajuda, 10A, 1300-418, Lisboa, Portugal

quarta-feira, novembro 27, 2019

Identificação de dentes de dinossauros carnívoros

Um novo estudo analisou em detalhe os dentes dos dinossauros carnívoros e permite identificar dentes isolados, algo considerados muito difícil até agora. Este é o resultado da tese de doutoramento de Christophe Hendrickx na Universidade Nova de Lisboa.

Os dentes terópodes isolados são alguns dos fósseis de vertebrados mais comuns no registro fóssil do mesozóico e são continuamente relatados na literatura científica. Métodos quantitativos recentemente desenvolvidos melhoraram nossa capacidade de testar as afinidades de dentes isolados, mas na maioria dos estudos, os dentes são diagnosticados em caracteres qualitativos. Isso pode ser problemático porque a distribuição dos caracteres dentais dos terópodes ainda é pouco documentada e frequentemente restrita a uma linhagem. Para ajudar na identificação de dentes terópodes isolados e para avaliar com mais rigor seu potencial taxonómico e filogenético, Hendrickx et al. (2019) avaliaram as características dentárias de duas maneiras. Analisamos primeiro a distribuição de 34 caracteres dentários qualitativos em uma ampla amostra de taxa. Propriedades funcionais para cada característica dental foram incluídas para avaliar como a similaridade funcional gera homoplasias. Em seguida, compilaram uma matriz quantitativa de dados de 145 caracteres dentários para uma taxa de 97 saurísquios. Este último foi utilizado para avaliar o grau de homoplasia dos caracteres dentários qualitativos, abordar questões de sobre o valor taxonómico e bioestratigráfico dos dentes dos terópodes e explorar as principais tendências evolutivas na dentição dos terópodes.





Em conjuntos reduzidos de dados filogenéticos de Theropoda, os caracteres dentários exibem níveis mais altos de homoplasia do que os caracteres não dentários, mas ainda fornecem informações úteis de agrupamento e otimizam sinapomorfias locais de clados inferiores. Em conjuntos de dados filogenéticos mais amplos, o grau de homoplasia exibido por caracteres dentais e não dentários não é significativamente diferente. Características dentárias nas ornamentações das coroas, textura do esmalte e microestrutura dentária têm significativamente menos homoplasia do que outras características dentárias e podem ser usadas para identificar muitos taxas de terópodes no nível de 'família' ou 'subfamília', e algumas de género ou espécie. Essas características devem, portanto, ser uma prioridade para investigações que procuram classificar dentes isolados.

Estas observações melhoram a utilidade taxonômica dos dentes dos terópodes e, em alguns casos, podem ajudar a tornar os dentes isolados úteis como marcadores bioestratigráficos. Essa lista proposta de características dentárias em terópodes deve, portanto, facilitar futuros estudos sobre a paleontologia sistemática de dentes isolados.

Hendrickx, C., Mateus O., Araújo R., & Choiniere J. (2019).  The distribution of dental features in non-avian theropod dinosaurs: Taxonomic potential, degree of homoplasy, and major evolutionary trends. Palaeontologia Electronica. 22(3), 1-110.
https://palaeo-electronica.org/content/2019/2806-dental-features-in-theropods