segunda-feira, novembro 22, 2021

Taxonomia dos animais invertebrados



Life 

 Eukaryota (Chatton, 1925) Whittaker & Margulis, 1978

    Amorphea Adl et al., 2012 (=  Unikonta)

     Obazoa Brown, 2013

      Opisthokonta Copeland 1956 

       Holozoa Lang et al., 2002

        Filozoa Shalchian-Tabrizi et al., 2008

  Choanozoa Brunet and King, 2017

    Animalia Linnaeus 1758 (=Metazoa)

     Eumetazoa Buetschli, 1910

      ParaHoxozoa Ryan et al., 2010

       Planulozoa Wallberg et al., 2004

        Bilateria Hatschek, 1888
        Nephrozoa Jondelius et al. , 2002

       Protostomia Grobben, 1908

Deuterostomia Grobben, 1908

Chordata Haeckel, 1874

Vertebrata Lamarck, 1801



Porifera (sponges)

Eumetazoa

   Ctenophora

   ParaHoxozoa

      Placozoa

       Cnidaria (corals)

       Xenacoelomorpha

Nephrozoa

Deuterostomia

Chordata - Vertebrata + Tunicata

Ambulacraria - Echinodermata + Hemichordata

Ecdysozoa

Scalidophora

Panarthropoda: Arthropoda (Arachnomorpha+ Mandibulata) + Onychophora + Tardigrada

Nematoida: Nematoda 

Gnathifera

Rotifera

Chaetognatha

Platytrochozoa

Platyhelminthes

Lophotrochozoa

Mollusca (Gastropoda, Bivalvia, Cephalopoda)

Annelida

Lophophorata: Bryozoa + Brachiopoda

 

sexta-feira, novembro 12, 2021

Ilustração científica com dinossauro do Museu da Lourinhã recebe prémio internacional de arte

Ilustração científica com dinossauro do Museu da Lourinhã recebe prémio internacional de arte

Um dinossauro carnívoro é o tema que venceu o prémio mais importante de ilustração científica por Victor Carvalho do Mestrado em Paleontologia da Universidade Nova de Lisboa.

O paleoartista luso-brasileiro Victor Carvalho, de 34 anos, venceu o prémio Lanzendorf - National Geographic na categoria melhor Ilustração Científica. A premiação que é organizada anualmente pela Society of Vertebrate Paleontology, a mais reconhecida sociedade de paleontologia do mundo, com o contributo da National Geographic, consagra os melhores paleoartistas do mundo.

A paleoarte é a arte de temas paleontológicos baseada em dados científicos, é um ramo do desenho científico que visa produzir interpretações credíveis da vida pré-histórica e dos organismos que dela fazem parte, através do conhecimento de diversas áreas como anatomia, ecologia e etologia, para além do domínio artístico.

Victor Carvalho que é mestre em Desenho pelo Instituto de Belas Artes da Universidade de Lisboa, frequenta o Mestrado de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Évora, já trabalha com a reconstituição de animais extintos há mais de uma década, ao longo da qual já colaborou com investigadores do Museu de História Natural do Rio de Janeiro e o Museu da Lourinhã.

A obra intitulada "Baryonyx revisited" foi o resultado de um ano de trabalho em conjunto com os investigadores da Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus e Darío Estraviz. O título faz referência a uma revisitação à morfologia e à anatomia da espécie Baryonyx walkeri, conhecida pela ciência desde o final da década de 80, da mesma forma que faz uma alusão à revisitação feita recentemente pelos investigadores da Nova ao afloramento onde foi possível recuperar novos fósseis do representante português desta espécie.

É a primeira vez que este prémio vem para Portugal. “Fui como muitas das crianças dos anos 90, que deslumbraram-se ao assistir Jurassic Park nas cadeiras dos cinemas. Entretanto, os anos passaram e a paixão manteve-se” diz Victor Carvalho que participou pela primeira vez neste concurso, tendo sido já convidado para ir em 2022 ao congresso Society of Vertebrate Paleontology em Toronto, Canadá, para levantar o seu prémio.               


https://vertpaleo.org/past-award-winners-and-grant-recipients/ 

https://www.instagram.com/carvalho.paleoart/



domingo, outubro 24, 2021

Evolução das Plantas: livro

O tema da evolução das plantas tem um novo livro com esse título "Evolução das Plantas" por Carlos Aguiar, professor na Escola Superior Agrária de Bragança, que liga a paleontologia, agronomia, biologia, e história da Terra para contar a história natural das plantas de forma magistral.

"Evolução das Plantas" por Carlos Aguiar. colab. Jorge Capelo. - 1ª ed. - Lisboa : Imprensa Nacional : Lisboa Capital Verde Europeia 2020, 2021. - 195 p. : il. ; 31 cm. - ISBN 978-972-27-2883-6. 22.50€

Recomendamos vivamente.






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Pterossauro do Brasil quase completo


Paleontólogos apresentam o mais completo fóssil de pterossauro brasileiro

O animal, encontrado na Chapada do Araripe, preserva a maior parte dos seus ossos e restos de tecidos moles

A Chapada do Araripe, Nordeste do Brasil, é conhecida mundialmente por seus fósseis de pterossauros. Parentes dos dinossauros, estes répteis voadores extintos já povoavam os céus antes do aparecimento das primeiras aves. Dentre os pterossauros do Araripe, os mais estranhos são, provavelmente, os tapejarídeos, animais sem dentes e com gigantescas cristas no topo da cabeça. Ainda assim, até o momento, os tapejarídeos do Araripe eram conhecidos apenas por fragmentos e esqueletos incompletos.

Tudo isso acaba de mudar com a descrição do fóssil mais completo e bem preservado deste grupo de animais. O estudo, alavancado por uma equipa de investigadores de quatro universidades diferentes do Brasil e uma de Portugal, foi publicado na revista científica PLOS ONE nesse 11 de agosto de 2021. O artigo, coordenado por Fabiana Costa (Universidade Federal do ABC), tem como primeiro autor Victor Beccari, da Universidade de São Paulo e da Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal. Além dos dois cientistas, o grupo também conta com pesquisadores da Universidade Federal do Pampa, Universidade Estadual Paulista, Universidade de São Paulo e Museu da Lourinhã (Portugal).

"Até o momento são conhecidos tapejarídeos do Brasil, China, Espanha e Marrocos. São pterossauros sem dentes e costumam ter cristas cefálicas que ocupam até três quartos da superfície do crânio. Apesar de ser conhecido por inúmeros fósseis, espécimes completos são muito raros" conta Victor Beccari. O fóssil, armazenado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, é um desses casos excepcionais.

Proveniente da Formação Crato, este material foi interceptado pela Polícia Federal em 2014 em uma operação que apreendeu mais de 3.000 fósseis que seriam contrabandeados para a Europa, Estados Unidos e outros países do hemisfério norte. Uma vez depositado na USP, parte deste material apreendido, incluindo este pterossauro, encontra-se na exposição "Fósseis do Araripe" do Museu de Geociências desta instituição.  "Apesar desta ter sido uma operação bem sucedida, vale lembrar que perdemos todo ano muito material para o tráfico. Não obstante o conhecido e meritório esforço de instituições públicas nacionais para coibir as ações de traficantes na região, esta ainda é uma prática comum e deve ser combatida", declara Fabiana Costa, que coordenou o estudo do pterossauro a convite da USP.

O esqueleto, provavelmente o mais excepcional já encontrado no Brasil, pertence à espécie Tupandactylus navigans, animal anteriormente conhecido apenas por crânios isolados. O novo bicho possui mais de dois metros e meio de envergadura, e conta com uma crista de cerca de meio metro de altura no topo da cabeça. Ao ser descrito, o pterossauro foi ainda submetido tomografias computadorizadas, o que possibilitou a observação de estruturas ainda enterradas em sedimento.

A partir do estudo de sua anatomia e comparações com outras espécies conhecidas de pterossauros, concluiu-se que este animal teria passado a maior parte do tempo se alimentando em terra firme, não sendo muito bom voador. Os cientistas especulam ainda que tanto sua enorme crista cefálica quanto sua crista dentária (da mandíbula) podem ser características associadas ao dimorfismo sexual (isto é, diferenças entre machos e fêmeas).

"Este fóssil brasileiro é de importância mundial e será visto como a Pedra de Roseta deste tipo de pterossauros, num estudo tem como primeiro autor o Victor Beccari, dos mais brilhantes alunos que saíram do nosso Mestrado em Paleontologia" elogia Octávio Mateus, professor da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã.

 Além de multiplicar nosso conhecimento sobre um grupo tão peculiar, um espécime tão completo reforça a importância do Brasil no cenário mundial para a Paleontologia e renova a discussão sobre tráfico de fósseis e a necessidade do combate ao comércio ilegal destas joias científicas.

 


Nota de Imprensa: plesiossauro descoberto em Angola

Um dos mais completos plesiossauros de África descoberto em Angola



Um dos mais completos plesiossauros de África foi descoberto em Angola por paleontólogos da Universidade NOVA de Lisboa. Este novo estudo publicado na prestigiada revista PlosOne revela o mais completo crânio de plesiossauro de África sub-sahariana, tendo sido descoberto e escavado na província do Namibe, Angola, por Octávio Mateus, em 2017.

O estudo deste réptil marinho com 72 milhões de anos foi o resultado da tese do Mestrado em Paleontologia da Universidade NOVA de Lisboa em associação com a Universidade de Évora, por Miguel Marx.


Além de ser o mais completo plesiossauro de África sub-sahariana o achado é importante porque tem um crânio bem preservado e articulado. Esta é a mais recente descoberta do Projecto PaleoAngola, uma iniciativa científica que já deu a conhecer o primeiro dinossauro de Angola e outros vertebrados fósseis daquele país, numa cooperação que inclui a Universidade Nova de Lisboa, Museu da Lourinhã, Universidade Agostinho Neto em Angola e instituições nos Estados Unidos e Holanda.

Foi classificado como Cardiocorax mukulu, uma espécie que o Projecto PaleoAngola já tinha descoberto em Angola em 2015. Os plesiossauros elasmosaurídeos, semelhantes ao mítico monstro de Loch Ness, podiam atingir 20 metros de comprimento, com cabeças pequenas e pescoços muito longos. 


A natureza tridimensional bem preservada do crânio oferece uma visão rara da anatomia craniana de plesiossauros elasmosaurídeos. O novo espécime de Cardiocorax mukulu foi recuperado em Bentiaba, província do Namibe, em rochas do Cretácico Superior com cerca de 72 milhões de anos. Cardiocorax mukulu representa uma linhagem mais antiga de elasmosaurídeos e que pouco se alterou em dezenas de milhões de anos, o que surpreendeu os paleontólogos. A tomografia computadorizada do crânio revelou que a anatomia craniana desta linhagem pouco evoluiu ao longo dos 22 milhões de anos.

O trabalho de laboratório foi feito na Universidade Nova de Lisboa. O principal autor do estudo, Miguel Marx, que terminou o seu mestrado em Portugal, vai iniciar o seu doutoramento na Universidade de Lund, na Suécia, no final deste mês. Outros co-autores incluem Octávio Mateus da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Louis Jacobs e Michael Polcyn da Southern Methodist University dos Estados Unidos, Anne Schulp do Centro de Biodiversidade Naturalis e da Universidade de Utrecht na Holanda; e Olímpio Gonçalves da Universidade Agostinho Neto em Angola.


Muitos dos fósseis de Angola colhidos por esta equipa estão atualmente em exibição no Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, em Washington, na exposição temporária "Sea Monsters Unearthed". Posteriormente passam por Portugal, antes de regressarem todos definitivamente a Angola. Alguns fósseis desta espécie podem também já ser vistos no Museu da Lourinhã antes de voltarem à sua origem.


Artigo científico:
https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0255773
Marx MP, Mateus O, Polcyn MJ, Schulp AS, Gonçalves AO, et al. (2021) The cranial anatomy and relationships of Cardiocorax mukulu (Plesiosauria: Elasmosauridae) from Bentiaba, Angola. PLOS ONE 16(8): e0255773. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0255773

 



Miguel Marx, autor do estudo, durante o Mestrado em Paleontologia, na Universidade Nova de Lisboa.


Octávio Mateus a escavar o plesiossauro em 2017.


Representação artística por Pedro Andrade.



Elasmosaurus, platyurus, uma espécie parecida ao Cardiocorax  (creative commons, autor: DiBgd).



Crânio de Cardiocorax mukulu

Crânio de Cardiocorax mukulu (por Miguel Marx)


quarta-feira, julho 14, 2021

Nasceu na Lourinhã a Sociedade Portuguesa de Paleontologia

Muitas profissões científicas organizam-se em Associações, Sociedades e Ordens, mas essa situação ainda não tinha ocorrido para a paleontologia de Portugal, algo que ficou resolvido nesta quarta-feira, dia 14 de Julho de 2021, com a criação da SPdP Sociedade Portuguesa de Paleontologia. A paleontologia em Portugal está a crescer de forma significativa sendo uma ciência que agrupa estudiosos e técnicos com diferentes formações e valências: biólogos, geólogos, arqueólogos e museólogos, pelo que se justificava a criação de uma sociedade própria.

A iniciativa partiu do paleontólogo Octávio Mateus da Universidade NOVA de Lisboa, fundador e sócio número 1, e sete outros fundadores de norte a sul do país, presentes ou representados: Artur Sá da UTAD, Zélia Pereira do LNEG, Paulo Fernandes da Universidade do Algarve, Ausenda Balbino da Universidade de Évora, João Zilhão do Uniarq, Bruno Pereira do GeoParque Oeste e Carlos Marques da Silva da Universidade de Lisboa.

A SPdP Sociedade Portuguesa de Paleontologia foi criada numa cerimónia curta mas cheia de simbolismo: assinada no Museu da Lourinhã, rodeada de fósseis de dinossauros, estando na mesa espécimes do gastrópode Tylostoma, o primeiro género batizado com base em exemplares de fósseis portugueses. O evento foi depois brindado com Aguardente da Lourinhã - Edição Jurássica e Tarte D. Isabel. 


O intuito é agora de reunir todos os paleontólogos nacionais, e para o qual já se encontra disponível a proposta de sócio. A sede da SPdP é no Museu da Lourinhã.





Quatro dos fundadores da SPdP presentes: Carlos Marques da Silva, Bruno Pereira, João Zilhão e Octávio Mateus. Este último representou ainda, por procuração, os paleontólogos Artur Sá, Zélia Pereira, Paulo Fernandes e Ausenda Balbino.

O sítio online da SPdP tem o endereço https://sites.google.com/view/spdpaleo


terça-feira, junho 22, 2021

Novos plateossauros da Gronelândia em dissertação no Mestrado em Paleontologia

A dissertação de Mestrado em Paleontologia mostra a existência de uma espécie por descrever de plateossauro no triásico da Gronelândia. No passado 15 de junho de 2021 defendeu a sua tese nas provas de Mestrado em Paleontologia na Universidade NOVA de Lisboa o, agora Mestre, Victor Beccari Dieguez Campo, com a dissertação: “The sauropodomorph dinosaurs from the Late Triassic (Norian) of Jameson Land, East Greenland”. O resultado foi um sucesso de 20 valores!


O Mestrado em Paleontologia é uma associação entre a Universidade NOVA de Lisboa e a Universidade de Évora. https://www.fct.unl.pt/ensino/curso/mestrado-em-paleontologia.

A defesa desta dissertação é brevemente mencionada num artigo da Revista Sábado.


O arguente foi Doutor Oliver Wings, Curator of the Geosciences & Geiseltal Collections, Martin Luther University Halle-Wittenberg (Alemanha), com um juri predidido por Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Profª. Associado com Agregação – FCT/UNL e orientador Doutor Octávio João Madeira Mateus, Prof. Associado com Agregação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa.


Mestre Victor Beccari


terça-feira, junho 15, 2021

Plesiopharos moelensis é o novo plesiossauro português e é o mais antigo e completo da Península Ibérica

Plesiopharos moelensis é o novo plesiossauro português e é o mais antigo e completo da Península Ibérica

Foi descoberto um novo género e uma nova espécie de plesiossauro, que viveu há 195 milhões de anos, na região de São Pedro de Moel (Marinha Grande). Este achado é o mais completo e antigo plesiossauro da Península Ibérica pertencendo ao início do Período Jurássico, de há cerca de 195 milhões de anos. Os plesiossauros eram répteis marinhos, da Era dos dinossauros, que tinham de vir à superfície respirar. Os seus membros, braços e pernas, evoluíram para barbatanas. 

A nova espécie portuguesa foi batizada com o nome de Plesiopharos moelensis, que quer dizer “perto do farol de [São Pedro] de Moel”, e também refere a sua afinidade familiar com os plesiossauros. O fóssil do Plesiopharos, agora descrito, é constituído por partes da barbatana do braço e da perna direita, do tórax e do pescoço. Este foi encontrados por dois colecionadores, Victor Teixeira e António Domingos, que doaram o achado ao Museu da Lourinhã. O fóssil foi completamente preparados e estudados no laboratório do Dino Parque por uma equipa de paleontólogos e geólogos ligados ao Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa. A investigação foi coordenada por Simão Mateus e tem como primeiro autor Eduardo Puértolas-Pascual, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.

Plesiopharos moelensis (arte por Simão Mateus)
O exemplo que estes dois colecionadores deram ao doarem este material reveste-se ainda de maior significado quando a costa portuguesa sofre cada vez mais de pilhagens e colheitas descontroladas de fósseis, que ameaçam a preservação do património paleontológico português.

A nova descoberta foi publicada na revista Acta Palaeontologica Polonica de acesso livre e será, em breve, o centro de uma exposição temporária no Dino Parque da Lourinhã.



Plesiopharos moelensis (arte por Simão Mateus)



Puértolas-Pascual, E., Marx, M., Mateus, O., Saleiro, A., Fernandes, A.E., Marinheiro, J., Tomás, C. and Mateus, S. 2021. A new plesiosaur from the Lower Jurassic of Portugal and the early radiation of Plesiosauroidea. Acta Palaeontologica Polonica 66. http://www.app.pan.pl/archive/published/app66/app008152020.pdf 

domingo, maio 30, 2021

Ave gigante conviveu com os últimos dinossauros na Europa antes da grande extinção no final do Cretácico

Paleontólogos espanhóis e da Universidade NOVA mostram que é a primeira descoberta de um fóssil de ave gigante que conviveu com os últimos dinossauros da Península Ibérica. A nova descoberta reforça a importância dos Pirenéus de Huesca (Espanha) para estudar a biodiversidade do fim dos tempos dos dinossauros


Um novo estudo realizado por um grupo internacional de paleontólogos liderado por membros da Universidade de Zaragoza (Espanha) e com a participação da Universidade NOVA de Lisboa (FCT NOVA) descreve, pela primeira vez, um fóssil de uma ave gigante do Cretácico Superior nos Pirenéus. Pesquisadores de universidades das Ilhas Canárias, Portugal e Argentina têm colaborado no trabalho publicado na prestigiosa revista internacional Journal of Vertebrate Paleontology.

O fóssil é uma vértebra cervical pertencente a uma ave grande, semelhante em tamanho a um casuar (1,5-1,8 m de altura), e que teria um pescoço longo e flexível. O fóssil foi comparado com vértebras de dinossauros terópodes e pássaros atuais e extintos de todo o mundo, após o que sua natureza aviária foi claramente evidenciada, embora mais primitiva do que as aves atuais. Durante o desenvolvimento da investigação, foi realizada uma Microtomografia Axial Computadorizada (micro TAC) da vértebra, no laboratório do Centro Nacional de Investigación de La Evolución Humana (CENIEH, Espanha), para estudar sua estrutura interna. Isso permitiu observar uma estrutura oca com múltiplas cavidades e câmaras, típica de um sistema respiratório de sacos aéreos semelhante ao das aves modernas.

O fóssil foi encontrado em 2009 nos afloramentos de rochas sedimentares continentais da Formação Tremp em Beranuy, na área da Ribagorza. A datação desta área situam essas rochas nos últimos 250.000 anos do Cretáceo, temporariamente muito próximas do limite Cretáceo/Paleogénico e da extinção dos dinossauros.

O achado desta ave é muito relevante para a paleontologia de vertebrados europeus, pois embora a presença de aves de grande porte fosse conhecida no Cretáceo da Europa, nunca havia sido registrada uma tão perto do limite Cretácico/Paleogénico. Esta vértebra, portanto, é a evidência mais moderna de um pássaro mesozóico na Europa, e mostra que pássaros grandes coexistiram com outros dinossauros pouco antes de sua extinção. Isso pressupõe que as comunidades animais continentais no final do Cretácico na Península Ibérica eram mais diversificadas do que se conhecia anteriormente. Futuras descobertas ajudarão a desvendar o papel que esse animal desempenhou nesses ecossistemas e suas relações de parentesco com outras aves.


Link do artigo: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02724634.2021.1900210 




Uma vértebra cervical de avestruz atual (à esquerda) e a vértebra de ave deste novo estudo. Autor: Manuel Pérez Pueyo




Diferentes visões da vértebra. Autor: Manuel Pérez Pueyo







Extensão temporal de diferentes grupos de pássaros gigantes na Europa, mostrando a localização temporal da vértebra (MPZ 2019/264) deste estudo.

Autor: Manuel Pérez Pueyo


 

terça-feira, fevereiro 16, 2021

Morreu Isabel Mateus (1950-2021), fundadora do Museu da Lourinhã e "descobridora de ovos de dinossauro"

Despedimos-nos hoje de Isabel Mateus, fundadora do Museu da Lourinhã e "descobridora de ovos de dinossauro".




Maria Isabel Dias Madeira Mateus, nascida em Paleão, Soure, aos 10 de Março de 1950, mudou-se sozinha com 19 anos para Lisboa, onde ingressou nos serviços administrativos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ao mesmo tempo que completava, em horário noturno, o ensino secundário no Liceu Francês Charles Lepierre. Aí, conheceu Horácio Mateus, por quem se apaixonou. Essa união trouxe-a para a Lourinhã em 1977 e dela nasceram três filhos: Simão, Octávio e Marta.

O interesse pela espeleologia, história e pré-história levou a que a Isabel e o Horácio reunissem um grupo de jovens dedicados a estas matérias que, em 15 de Dezembro de 1981, fundaram o GEAL- Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Em 15 de Julho de 1984, Isabel e o marido, apoiados pelos demais associados do GEAL, fundaram o Museu da Lourinhã. Foi vários anos membro da Direcção do GEAL e agraciada com o título de Sócia Honorária.

Já adulta e com os três filhos, tirou o curso pós-laboral de Arqueologia na Universidade Autónoma de Lisboa (1992). Em 3 de Abril de 1993, descobriu o ninho e embriões de dinossauros carnívoros Lourinhanosaurus em Paimogo, um dos maiores e mais importantes, à data. É autora de três artigos científicos como primeira autora, entre os quais é publicado o ninho de ovos e embriões de dinossauro que tinha descoberto (1997). Este achado foi marcante na história do Museu da Lourinhã, levando o nome da paleontologia da região a patamares internacionais, motivando a Revista Expresso a eleger o casal Isabel e Horácio Mateus como Figuras Nacionais do ano de 1997. Dois anos depois, realizou no Museu de História Natural de Paris formação superior intensiva em palinologia fóssil, área da botânica que estuda pólen e esporos. Mais recentemente, foi autora do livro Podomorfos do Casal da Misericórdia (ed. Museu da Lourinhã, 2020).

Em 1997, escreveu a proposta do “Parque do Saber e do Lazer”, que foi o documento precursor de vinte anos de esforços para a construção de um novo parque ou museu, desejos que culminaram em 2018 na abertura do DinoParque Lourinhã.

Vista por todos como uma mulher entusiasmada e cativante, recebeu a distinção “Prémio de Reconhecimento” em 2017 pela Associação pelo Desenvolvimento da Lourinhã e “Medalha Municipal de Honra” do Município da Lourinhã, em 2018. Em sua homenagem, foi-lhe dedicado o nome da iguaria local com pevides de abóbora, a Tarte D.Isabel (2018), tal como o Laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã também recebeu o seu nome, aquando da reinauguração em 2019.

Em sua casa, no "Casal Mateus", recebeu e hospedou dezenas de voluntários e estudantes que vinham colaborar com o Museu da Lourinhã.


Mulher de grande coração... mas este ao longo da vida deu-lhe problemas cardíacos decorrentes de uma doença de infância marcante, que implicaram duas operações de peito aberto para substituição das válvulas (1997 e 2020). Por fim, estas complicações tolhem-lhe a vida hoje, aos 16 de Fevereiro de 2021, com 70 anos de idade.

Adeus mãe.


segunda-feira, fevereiro 08, 2021

A new albanerpetontid species found in amber!

 Amber secrets reveal a new species!

 

 

Last November, a paper published in the prestigious journal Science described an enigmatic fossil found in the Burmese ambers: a skull completely preserved! Not only is such a finding unique, but the authors used this material, and other previously described, to erect a new species of the mysterious amphibian group Albanerpetontidae: Yaksha perettii. This would be one of the best preserved 3D-skull of this group, and also the second species occurring in Asia. Indeed, the Asian fossil record of these tiny amphibians has been really scarce, with only some unidentified bones from Uzbekistan and a skull from Japan. Aged from early Cenomanian (about 99.6 and 93.5 million years ago), this new species would be contemporaneous of the occurrences found in central Asia.

Figure 1: A new albanerpetontid species sheds light on their peculiar feeding strategy (illustration by Stephanie Abramowicz, from Daza et al., 2020).

Named, after a mythical spirit in Eastern belief and Adolf Peretti (director of the Peretti MuseumFoundation and GemResearch Swisslab, who found the fossil), this new albanerpetontid provided lots of surprises and features that allowed paleontologist to understand better these animals now extinct. This new species is based on three specimens: the holotype (comprised of the skull), another specimen that preserved the post-cranial skeleton, and a paratype comprised of a juvenile with the cranial and post-cranial skeleton, which had been previously described as a stem Chamaeleonidae.

 

With the computed tomography, the authors were able to capture in detail the specimens and describe them, without breaking their protective amber. The holotype is the first fully articulated 3D-skull recovered from this group. It reveals the presence of epipterygoids in contact with the quadrate (making it a core element of the jaw suspension), a complete and fully articulated braincase (rarely found in this group), and, most striking, a long median hyoid entoglossal process with soft tissues attached! More soft tissues have been recovered, confirming the presence of scaly eyelids, claw sheaths and minute body scales.

The specimen exhibits large fenestrae in the roof of the cranial cavity, but this one is not homologous to the supratemporal fenestrae found in amniotes, as only the parietals participate to its structure and it opens in the adductor chamber. Thanks to this specimen, it is now known the orbital in albanerpetontids is framed by the lacrimal, the prefrontal, the frontal, the parietal and the jugal, but not by the maxilla. The holotype also provides the first complete palate, a region of the skull that was never described before. It yields large choanae separated by a narrow vomerine bar and large palatines forming independent structures. The pterygoid shape differs from the one observed in frogs and salamanders: the palatal portion meets the posterior ridge of the vomer and there is not pterygoid flange, the tapering posterior edge meeting with the medial side of the quadrate.

Figure 2: A and B, holotype and paratype of Yaksha perettii in their amber gangue; C to E, high-resolution computed tomography (HRCT) of the holotype with jaws articulated in lateral, dorsal, and ventral views (modified from Daza et al., 2020).

The other specimens confirmed the presence of four-digit manus, with curved ungual phalanges, and the tripartite composition of the pelvic girdle (the first fully articulated pelvis recovered). Most interesting is that albanerpetontids seem to have a pelvis supported by two sacral ribs, where lissamphibians have typically only one. The shape of the iliac blade, similar to that of chameleons would have allowed the legs to be angled ventrally for climbing. It also appears there is ontogenetic variation in the dentition, with juveniles having conical teeth with expanded roots and acute apex, and adults having tubular teeth with a more regular diameter between the root and the apex. The specimens also provided evidence of tooth replacement for the first time, and suggest it would slow with age.

 

With a specimen of that importance and quality, seven diagnostic characters have been used to erect the new species: (1) paired robust premaxillae with a dorsal boss, wide lateral lingual buttress, and elongate vertical suprapalatal pits; (2) posteriorly bifurcate parietals bounding cranial fenestrations anteriorly and medially; (3) triangular frontal with long broad-based internasal process, frontal anteroposterior length equal to maximum anteroposterior length of parietal, prefrontal facets extending posterior to mid-length of frontal, weakly developed mid-ventral crest, and ventrolateral crests that meet in ventral midline; (4) medium-length parietal postorbital processes sculptured in their proximal half; (5) separate prefrontal and lacrimal bones; (6) nasal excluded from narial margin; (7) trifurcate unpaired vomer; dentition showing size heterodonty anteriorly, resulting in sinuous occlusal surface; and (8) small body size.

However, instead of helping to resolve the phylogeny of albanerpetontid, Yaksha only brought more problematic. Indeed, phylogenetic analyses placed the new species as sister taxon of the clade comprised of the Japanese (and much older) Shirerpeton and the clade of Albanerpeton nexuosum and derived Cenozoic Albanerpeton. The main problematic of this configuration is that both Yaksha and Shirerpeton are nested within the genus Albanerpeton as currently defined, which is not allowed in systematics (one genus must only be comprised of species belonging to the same genus). However, these two genera are the only formally named representatives of Albanerpetontidae in Asia, and their diagnostic features distinguish them clearly from other Albanerpeton species. Therefore, this new species support the idea that the genus Albanerpeton require a revision and a subdivision, especially considering its temporal range over 100 Ma, and the authors support the option on restricting Albanerpeton only to the most derived species occurring in the Cenozoic.

Figure 3: Geographical distribution of the type specimens (or the main record in the case of the two forms not formally referred to a specific albanerpetontid) and a proposed dichotomous phylogeny. The red dots correspond to Albanerpeton sensu lato and the green dots to Albanerpeton sensu stricto (from Daza et al., 2020).

Last but not least, the new specimens bring more frustration when the authors try to implement it in different matrices to test the origin of the modern amphibians. Indeed, there is no strict consensus on how lissamphibian would have risen from more ancient groups (and from which group), and this question remains a highly debated topic in paleontology. Albanerpetontids, as considered closely related to lissamphibians, have been seen as a solution, but because of their fragmentary and scarce fossil record, they appear to be more source of the problem. Indeed, their relationship with other lissamphibian appears to be as variable as there are possibilities: as caudate or stem-caudate; as stem-batrachians; as the sister group of Gymnophionomorpha; or as stem-lissamphibians!

And Yaksha did not fall short on its notoriety although it helped to enhance the existing data and character coding. Four matrices were used, and they all produce different results: (1) as sister taxon to Batrachia (frogs and salamanders) within lepospondyls; (2) nested within Lissamphibia, as sister taxon of Eocaecilia (a fossil Gymnophionomorpha) and Caudata, Salentia being sister taxon of the whole clade; (3) as sister taxon of the most inclusive clade comprised of a more traditional topology, with Batrachia and Gymnophiona, and two fossil salamander taxa as stem-Lissamphibia; (4) nested in a clade comprising derived lepospondyls and lissamphibians.

Figure 4: A, Phylogenetic relationships of albanerpetontids with geographical distribution plotted against time; and B to E, Alternative positions recovered for Albanerpetontidae in relation to lissamphibians using different data matrices (modified from Daza et al., 2020).

 

Nevertheless, if phylogenetic analyses were not conclusive, this new species yield enough elements to help paleontologists to understand better the biology of this enigmatic group. As seen before, the entoglossal process of Yaksha has been found embedded in soft tissues, which have been described as remnants of the tongue pad. This peculiar characteristic is now known in chameleons, where hyoid element is attached to the base of the tongue, surrounded by collagenous sheaths and a circular accelerator muscle; and in plethodontid salamanders, in which as the tongue extends, the entire hyoid apparatus is folded into a bundle of cartilaginous rods that is projected out of the mouth again by circular protractor muscles. If the presence of the entoglossal process is first reported with Yaksha, it has been previously interpreted as a cultriform process of the parasphenoid in Celtedens megacephalus.

This new interpretation would suggest that albanerpetontids had a ballistic feeding strategy analogous to the one observed in chameleons or plethodontid salamanders. It would explain the complex and characteristic neck and jaw joints, as the curved ungual, the articulation of the hips, and the position of the orbit. Therefore, long-time thought as salamander-like amphibians, albanerpetontids would look like closer to small lizards living and waiting on trees and using their tongue to capture small invertebrates.

It is still unsure how albanerpetontid would have developed this strategy. Indeed, plethodontid salamanders are lungless, but use the hyoid apparatus for buccal pumping. Free of constrains from breathing, they develop their specialized tongue feeding strategy. However, albanerpetontids are known to be covered by scales, which would seem contradictory with a cutaneous respiration, although caecilians revealed some extent of such exchange. Maybe this constraint would explain the miniature size of albanerpetontids.

 

 

This new discovery enlightens the mysteries surrounding this enigmatic group of amphibians, but also proves more research needs to be done. Hopefully, more well-preserved specimens will be found soon!

 

More details on the original article:

Daza, J. D., E. L. Stanley, A. Bolet, A. M. Bauer, J. S. Arias, A. Čerňanský, J. J. Bevitt, P. Wagner, and S. E. Evans. 2020. Enigmatic amphibians in mid-Cretaceous amber were chameleon-like ballistic feeders. Science 370:687–691.