terça-feira, novembro 20, 2018

Alexandre Guillaume e os microvertebrados do Jurássico de Portugal

O estudante Alexandre Guillaume, agora mestre, defendeu sua tese de mestrado em paleontologia no dia 20 de novembro. A sua tese foi de microfósseis de vertebrados do Jurássico Superior da Lourinhã, em resultado de uma pesquisa realizada na Universidade Nova de Lisboa e no Museu da Lourinhã.

O candidato passou com sucesso com a classificação de 19 valores.

Candidato: Alexandre Renaud Daniel Guillaume
Título: ""Microvertebrates of the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal)""
Júri: Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, FCT Nova, Hugues Alexandre Blain, (arguente) Investigador do Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social, Espanha, e Miguel Moreno-Azanza, FCT NOVA
Orientador: Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus (FCT NOVA)
Data: 20 de novembro de 2018

Alexandre Guillaume defendendo a sua dissertação (foto: F. Rotatori)

Mestre André Saleiro e os dinossauros do Wyoming

O estudante André Saleiro, agora mestre, defendeu a sua tese de mestrado em paleontologia, no passado dia 5 de novembro. A sua tese versou sobre as campanhas que têm decorrido no Wyoming (Estados Unidos), para a recolha de materiais fósseis de dinossauros.
Estas expedições foram uma colaboração entre o American Museum of Natural History (Nova Iorque, E. U. A.) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, sendo que algum do material então recolhido foi preparado no Museu da Lourinhã.

A tese teve como título “Upper Jurassic Dinosaur Bonebeds at Ten Sleep, Wyoming: Stratigraphy, preliminary results and field reports of 2016 and 2017”, tendo o agora mestre obtido a classificação de 18 valores.

O júri contou com a presença de Mark Norell (AMNH), Paulo Legoinha (FCT NOVA) e Octávio Mateus (FCT NOVA e orientador).

Parabéns Mestre André!

terça-feira, outubro 30, 2018

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Mark Norell

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Prof. Mark Norell (American Museum of Natural History) dia 5 de Novembro de 2018, segunda-feira, pelas 10:30, no Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia , Universidade Nova de Lisboa, Caparica GPS: 38.6626 ,-9.2054.

Apareça!



Palestra enquadrada nas actividades do Mestrado em Paleontologia da FCT-UNL + UÉvora. Organização: Departamento de Ciências da Terra FCT-UNL


quarta-feira, outubro 17, 2018

Dacentrurinos em Portugal e América do Norte

Miragaia longicollum Mateus et al., 2009 (Jurássico Superior de Portugal) é uma espécie de estegossauro baseado num espécime constituído essencialmente pela parte anterior do esqueleto. Alcovasaurus longispinus Galton e Carpenter, 2016 (Jurássico Superior de Wyoming, EUA) foi definido com base num espécime de estegossauro descrito pela primeira vez em 1914 - mas apenas o fémur, espinhos e as últimas vértebras caudais foram descritos antes de ser destruído numa inundação nos anos 1920s. Na última análise filogenética de Stegosauria, A. longispinus foi encontrado fora de Eurypoda, devido à falta de características conhecidas compartilhadas com outras espécies de estegossauros. Um novo espécime (MG 4863) de Atouguia da Baleia (Portugal), com esqueleto anterior e posterior representativo, foi classificado como M. longicollum, e distingue-se do seu táxon irmão, Dacentrurus armatus Owen, 1875.

Novos dados mostram que o dinossauro Alcovasaurus longispinus é um estegossauro dacentrurino e contribui para a identificação deste grupo.

Miragaia longicollum, illustrado por Eloy Manzanero 

As comparações revelaram quatro características apenas compartilhadas por M. longicollum e A. longispinus (processos transversos presentes em todas as vértebras caudais, corpo vertebral médio e posterior com contorno em forma de maçã, arco neural das vértebras caudais médias e posteriores um terço ou menos da altura e largura do centro, ossificação lateral da borda posterior do centro caudal posterior), sugerindo congenericidade.
Outros três caracteres (centro caudal médio e posterior mais largo que alto, mais alto que longo, com face laterais profundamente côncavas) foram compartilhados por ambos taxa e por D. armatus, portanto, poderiam ser diagnósticos de Dacentrurinae. Estes resultados sugerem que A. longispinus é um estegossauro dacentrurino, resolvendo sua localização filogenética, e é a primeira evidência de Dacentrurinae na América.

Este trabalho foi resultado da tese de Mestrado em Paleontologia de Francisco Costa, sobre o dinossauro Miragaia longicollum e apresentado na XVI Reunião Anual da Associação Europeia de Paleontologistas de Vertebrados, que decorreu na Caparica em Julho passado.


Costa, F., & Mateus O. (2018).  Alcovasaurus longispinus as a dacentrurine stegosaur (Dinosauria) and contributions to the diagnosis of Dacentrurinae. Abstract book of the XVI Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists, Caparica, Portugal. Page 50. June 26th-July 1st, 2018.
Com PDF 

A geologia do Geoparque Oeste - Terras do Jurássico


Desde 2016 que o Museu da Lourinhã e o Fórum Português dos Geoparques da UNESCO têm cooperado e debatido em conjunto, num esforço que culminou na assinatura, em 15 de março de 2018, de um acordo por cinco municípios de Portugal, para a candidatura conjunta ao Geopark UNESCO, como Aspiring Geopark Oeste - Jurassic Land e com a criação da Associação AGEO - Associação Geoparque Oeste.
Estes municípios, Óbidos, Peniche, Bombarral, Lourinhã e Torres Vedras, que compõem o Aspirante Geopark Oeste compreendem uma área de 680 km2 ocupada principalmente por afloramentos Jurássicos (67%), 21% do Cretácico Inferior e 12% de outras unidades do Triásico Superior a Quaternário, num total de 20 unidades ou formações geológicas, muitas delas com nomes após as localidades do Oeste, como a Formação Lourinhã, a Unidade Bombarral ou o Grupo Torres Vedras. Os 61 km de costa atlântica, muitas vezes com praias de areia, são um destino popular para turistas e as extensas e espectaculares exposições geológicas ao longo das arribas, muitas com fósseis de dinossauros que atraem cientistas e o turismo científico de todo o mundo.

A riqueza e diversidade do Aspiring Geopark Oeste pode ser percebida por dez factos e dados geológicos:

  1. mais de 40 geossítios identificados, 
  2. um GSSP (prego dourado), na base do Toarciano, da Ponta do Trovão
  3. mais de 200 sítios fósseis ( vertebrados e invertebrados), 41 deles em bancos de dados internacionais, 
  4. 38 teses de doutoramento sobre a geologia da área, maioritariamente em paleontologia, 
  5. 35 espécies de fósseis com nomes dedicados às localidades do Oeste, como o dinossauro terópode Lourinhanosaurus dedicado à Lourinhã, ou o crinóide “Pentacrinus” penichensis dedicado a Peniche, 
  6. mais de 200 artigos científicos já publicados, inclusive em revistas de alto perfil,
  7. dois museus compreendendo uma significativa componente de exposição em Paleontologia, e pelo menos mais dois espaços estão a ser preparados, 
  8. 15 espécies de dinossauros únicas no mundo, como Lusotitan ou Miragaia
  9. oito mapas geológicos de grande qualidade na escala 1: 50000; e 
  10. uma das localidades jurássicas mais relevantes do globo, com registo estratigráfico fossilífero quase contínuo de afloramentos que compreende todo o Jurássico, e que vão desde o Triásico Superior ao Cretácico Inferior. 



Estes números ilustram bem a importância geológica internacional e o potencial científico do território aspirante a Geopark. A área é muito turística e é o lar de 158 mil habitantes que podem beneficiar da estratégia de sustentabilidade do Geopark.

Esta foi a mensagem e resumo levado ao congresso da 8ª Conferência Internacional sobre Geoparques Globais da UNESCO, nos dias 8 a 14 de setembro de 2018 em Adamello Brenta Geopark, Trentino, Itália. A comunicação foi feita por Bruno Pereira.

Referência:
Mateus, O., Pereira B., Rocha R., & Kullberg J. C. (2018).  Aspiring Geopark Oeste in Portugal: scientific highlights and importance. 8th International Conference on UNESCO Global Geoparks. , 8-14 Sept., Adamello Brenta Geopark, Trentino


sexta-feira, outubro 12, 2018

Paleontólogo Rogério Rocha (1941-2018)

É com tristeza que divulgamos a perda do eminente paleontólogo Rogério Rocha (1941-2018).

Rogério Eduardo Bordalo da Rocha, nasceu em Luanda aos 13 de Julho de 1941. Licenciou-se em Ciências Geológicas (Univ. de Lisboa) em 1964 e foi o primeiro doutorado pela  Fac. de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, com o Doutoramento em Geologia em 1977. Foi assistente na  Univ. de Lisboa, Fac. de Ciências (FC/UL) a partir de 1965 e transitou para a FCT-UNL em 1976. Em 2003 foi Professor Catedrático com Jubilação em 2011.

Prof. Rogério Rocha durante a sessão de abertura do congresso Strati em Lisboa no ano de 2013 (foto: OM)

A sua tese de doutoramento "Estudo estratigráfico e paleontológico do Jurássico do Algarve Ocidental" foi essencial para a compreensão do Jurássico do Algarve.

Foi director do Centro de Estratigrafia e Paleobiologia (CEP/UNL); Director do Centro de Investigação em Geociências Aplicadas (CIGA/UNL) (2000-2, Director Geral do Ensino Superior do Ministério da Educação (ME) (1983-1984); 1º Presidente da Comissão Científica e do Conselho de Departamento de Ciências da Terra (DCT) da FCT/UNL (1993-1994) e Pró-Reitor da Universidade Nova de Lisboa (1997-2003).

Foram-lhe dedicados novos taxa incluindo o de Mortoniceras rochai (Collignon), que é o taxon índice do Horizonte M.rochai, do Albiano sup. da Bacia de Benguela (Angola).


Rogério Rocha (1941-2018) aquando da inauguração da biblioteca com o seu nome, no Departamento de Ciências da Terra da Universidade Nova de Lisboa, em 2018 (foto: OM)

Do ponto de vista científico o Prof. Rogério Rocha focou-se na geologia de bacias sedimentares (Bacias Lusitaniana e do Algarve), com particular incidência sobre a estratigrafia, paleontologia e cartografia geológica de unidades triásicas e jurássicas.

Participou na organização e/ou coordenação de várias reuniões científicas internacionais, de que se destacam o 2nd International Symposium on Jurassic Stratigraphy (Lisboa, 1987), o 6 th Meeting of the European Geological Societies (Lisboa, 1990), o 4th European Palaeontological Association Workshop (Lisboa, 1999), o 1º Congresso do Quaternário dos Países de Línguas Ibéricas (Lisboa, 2001), o Field Trip Meeting do Toarcian Working Group da International Subcommission on Jurassic Stratigraphy (Peniche, 2005); o 1 º e o 2 º Congresso de Geologia dos Países de Língua Portuguesa (CoGePLiP) (Santos, Brasil, 2012; Porto, 2014), o 1 st International Congress on Stratigraphy
(STRATI 2013) (Lisboa, 2013) e todos os Congressos Nacionais de Geologia (desde 1983);

É autor / co-autor de mais de 225 artigos científicos, publicados em revistas nacionais e internacionais, em boa parte indexadas a bases de dados referenciais e de dezenas de comunicações apresentadas em reuniões científicas, nacionais e internacionais. Segundo o Perfil no Google Citation tem 1166 citações e um índice de 14.

É autor / co-autor de 2 géneros e 18 espécies de novos amonóides do Pliensbaquiano e de mais de 30 unidades cronostratigráficas e litostratigráficas do Jurássico e do Cretácico das bacias Lusitaniana e Algarvia.

Responsabilidades nacionais e internacionais
- Presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (1969-1970);
- Membro correspondente da Sous-Commission du Jurassique da Commission de Stratigraphie da Union Internationale des Sciences Géologiques (1971-1980; 1984-2000);
- Presidente da Direcção da Sociedade Geológica de Portugal (1987-2006; 2010-2014); membro da Direcção da Sociedade desde 1979; Presidente da Assembleia Geral da Sociedade (2006-2010; desde 2014);
- 1º Presidente da Direcção da Association of European Geological Societies (AEGS, 1990-1991); membro da Comissão Directiva da AEGS, na qualidade de Conselheiro (desde 1991);
- Fundador e membro do Executive Committee e do Council da European Palaeontological Association (EPA) (desde 1991); membro do Conselho Editorial da revista EUROPAL, da EPA (desde 1992); Vice-Presidente da EPA (1999-2001);
- Membro da Comissão Portuguesa da UNESCO no IGCP (1990);
- Convenor do Toarcian Task Group da Sous-Commission du Jurassique da Commission de Stratigraphie (ICS) da Union Internationale des Sciences Géologiques (IUGS) (desde 2008); nesta qualidade coordenou o grupo de especialistas que apresentou a proposta do GSSP do Toarciano, no corte de Ponta do Trovão (Peniche), aprovado em 2016. O artigo que propõe este estratótipo é:
Rocha, R.B., Mattioli, E., Duarte, L., Pittet, B., Elmi, S., Mouterde, R., Cabral, M.C., Comas-Rengifo, M., Gómez, J., Goy, A. and Hesselbo, S., 2016. Base of the Toarcian stage of the lower Jurassic defined by the global boundary stratotype section and point (GSSP) at the Peniche section (Portugal). Episodes Journal of International Geoscience.

Já este ano, a biblioteca do Departamento de Ciências da Terra da FCT da Universidade Nova de Lisboa  foi baptizada como "Biblioteca Prof. Rogério Rocha".

Faleceu aos 11 de Outubro de 2018 vítima de cancro.

Lamentamos a perda de tão eminente paleontólogo nacional, estimado colega, e muito prestável professor. A geologia portuguesa e o país estão mais pobres após perder um grande homem.


sábado, outubro 06, 2018

Nasceu a AGEO - Associação Geoparque Oeste

No passado dia 27 de setembro, foi registada a AGEO - Associação Geoparque Oeste, tendo como fundadores o Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, a Sociedade de História de Torres Vedras, a Universidade Nova de Lisboa, bem como outros signatários a título individual.
Esta associação de direito privado sem fins lucrativos, será a entidade responsável por dinamizar o processo de desenvolvimento da candidatura do aspiring Geoparque Oeste, a geoparque mundial da UNESCO.
Deste modo, tem como objeto a preservação, conservação, valorização, divulgação e dinamização do património natural e cultural, com especial ênfase no património geológico, numa perspetiva de aprofundamento e divulgação do conhecimento científico, fomentando a educação, o turismo e o desenvolvimento sustentável das populações e do território.

Membros fundadores da AGEO - Associação Geoparque Oeste.

O projeto aspiring Geoparque Oeste, envolve o território dos municípios de Bombarral, Lourinhã, Óbidos, Peniche e Torres Vedras, e conta com a participação ativa do Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, da Sociedade de História Natural de Torres Vedras e da Universidade Nova de Lisboa. Este pretende ser um projeto agregador da identidade destes territórios, sendo que até ao final do ano serão divulgadas as principais iniciativas a implementar em 2019.


sexta-feira, setembro 07, 2018

IV Congresso Ibérico de Paleontologia


Realizar-se-ão de 26 a 29 de Setembro as XXXIV Jornadas de Paleontologia e o IV Congresso Ibérico de Paleontologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal.

O tema em foco em ambos os eventos é "Fósseis e jazidas paleontológicas ibéricas de relevância internacional".



Para mais informações, consulte: https://iberopaleoes.wordpress.com/

quarta-feira, julho 04, 2018

Ictiossauros, placodontes e geologia do Algarve em teses de Paleontologia

Dia 2 de Junho ocorreram duas defesas de tese do Mestrado de Paleontologia, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa:


Provas de Mestrado em Paleontologia:

Hugo Miguel Catarino Campos
Dissertação: "Triassic vertebrates of Algarve: geological settings and the first occurrence of placodonts"
Constituição do Júri:
Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Doutor Paulo Manuel Carvalho Fernandes, Professor Auxiliar da Universidade do Algarve e Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Aprovado por unanimidade com 19 valores.



João Resende Pratas e Sousa
Dissertação: "A review of Ichthyosauria from Portugal"
Constituição do Júri:
Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Doutora Judith Mariana Pardo Pérez, Post-doc Researcher Staatliches Museum -für Naturkunde Stuttgart e Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Aprovado por unanimidade com 17 valores.


Parabéns a ambos!



sábado, junho 23, 2018

1º Congresso Virtual Paleontológico


E se aproveitássemos a tecnologia para fazer um congresso que se realiza online, ou seja em todo o lado e lado algum.

O surgimento de novas aplicações e tecnologias abre uma ampla gama de possibilidades sobre novas formas de comunicação no mundo científico. Cientes disso, temos o prazer de apresentar o 1º Congresso Virtual Paleontológico, cujo objetivo principal é divulgar os mais recentes avanços científicos em paleontologia em todo o mundo de forma rápida, fácil e económica.

Este congresso online é pioneiro em paleontologia, oferecendo um ambiente exclusivamente virtual desenvolvido para pesquisadores de todo o mundo. Comunicações orais e cartazes sobre qualquer campo paleontológico serão apresentados através de uma plataforma online criada ad hoc. A simplicidade desse novo formato permite taxas de registro de baixo custo e economia de despesas de viagem e manutenção.

Caparica acolhe o EAVP2018, um congresso europeu de paleontologia de vertebrados

Começa na segunda-feira, na Caparica, o principal congresso europeu de paleontologia de vertebrados. O EAVP (XVI Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists) organizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade NOVA de Lisboa (UNL), no Campus da Caparica, através das actividades do Departamento de Ciências da Terra (DCT). A FCT-UNL é uma das principais instituições de paleontologia em Portugal e acolhe o Programa de Mestrado em Paleontologia em associação com a Universidade de Évora (Alentejo, Portugal).





O congresso conta com 190 participantes de toda a Europa e alguns do resto dos Estados Unidos e América do Sul.

Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã

Medir o impacto económico da ciência é difícil, e da paleontologia ainda mais. Contudo há notícias entusiasmantes dos efeitos multiplicadores e externalidades que a Paleontologia tem na sociedade.
O SAPO anunciou hoje que o Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã, numa notícia que replicamos aqui:



Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã

23 jun 2018 10:07
MadreMedia / Lusa

O Parque dos Dinossauros da Lourinhã, que recebeu 150 mil visitantes desde que abriu em fevereiro, está a atrair a este concelho do distrito de Lisboa novos investimentos turísticos que totalizam mais de 14 milhões de euros.

“Desde a abertura do Dino Parque que se nota uma maior procura de informação sobre o concelho por parte de investidores nacionais e estrangeiros em diferentes áreas de negócio”, respondeu o município hoje à agência Lusa.

Este ano, dois novos aparthotéis entraram em obra, de acordo com fontes próximas dos promotores, ambos estrangeiros.

As instalações da antiga Escola Agrícola, encerrada em 2009, vão dar lugar a 90 apartamentos turísticos, num investimento de quatro a cinco milhões de euros, enquanto 2,5 milhões de euros, na maioria oriundos da Áustria, estão a ser investidos na requalificação da antiga Estalagem da Praia da Areia Branca, onde vão surgir 41 apartamentos.

Desde 2015, entraram na câmara 11 processos de obras para projetos turísticos, que somam 460 novas camas e um investimento total de mais de cinco milhões de euros, de acordo com dados divulgados à Lusa pela Câmara Municipal.

Desses, nove já obtiveram licenciamento para iniciar as obras e dois estão em fase de licenciamento.

Segundo a autarquia, em fase de intenção de negócio estão investimentos superiores a nove milhões de euros, com um total de 720 camas previstas, tendo sido aprovados os cinco pedidos de informação prévia que entraram nos últimos três anos.

Um deles corresponde ao investimento de quatro milhões de euros num novo hotel na Praia da Areia, com 80 quartos e 160 camas, cujo projeto vai em breve dar entrada na câmara para licenciamento, disse à Lusa fonte próxima do promotor.

Os investimentos vêm aumentar a competitividade turística e aumentar o número de camas num concelho que “não consegue acolher todos aqueles que, em turismo ou em negócio, queiram pernoitar no território”, reconhece a autarquia.

A Lourinhã possui 2.100 camas turísticas, de acordo com o Registo Nacional de Turismo.

Em 2011, o Plano Estratégico da Lourinhã identificou como lacuna a falta de hotéis para aumentar a capacidade de alojamento no concelho, estabelecendo como prioridade a atração desse tipo de investimentos.

Para ir ao encontro dos investidores, o município criou o Gabinete de Apoio ao Empresário da Lourinhã e baixou a derrama para empresas na área do turismo.

A autarquia oferece ainda condições de incubação de projetos na StartUp Lourinhã e está a investir na requalificação urbana da vila e do litoral do concelho.



quarta-feira, junho 20, 2018

Palestra "O Estado da Ciência em Portugal", hoje, com Carlos Fiolhais

Hoje pelas 15:00 (imediatamente a seguir ao jogo Portugal-Marrocos) convidamos para a palestra "O Estado da Ciência em Portugal" Prof. Carlos Fiolhais (Univ. Coimbra), no Auditório da Biblioteca, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Caparica (GPS: 38.6626 ,-9.2054). Palestra promovida pelo Departamento. de Ciências da Terra da FCT-UNL.






São Pedro da Cova tem nova espécie de feto fóssil


Douropteris alvarezii é o novo género e espécie de pteridófita, feto fóssil, de São Pedro da Cova, conforme o novo artigo assinado por Pedro Correia  Zbynĕk Šimůnek  Christopher Cleal  e Artur Sá.

O artigo "Douropteris alvarezii gen. nov., sp. nov., a new medullosalean pteridosperm from the Late Pennsylvanian of Portugal" foi publicado no Geological Journal.

Este novo género de planta fóssil com cerca de 300 milhões de anos, Douropteris alvarezii vem da Bacia do Douro, o que lhe dá o nome.  Douropteris alvarezii tem uma combinação incomum de características observadas em vários géneros fósseis, e distingue-se sobretudo pelo padrão da nervação das folhas.
O ano passado, Pedro Correia e colegas também já tinham publicado uma outra nova espécie de pteridófita da bacia do Douro.

Douropteris alvarezii  São Pedro da Cova, Douro Basin, Portugal (Correia et al. 2018)


quarta-feira, maio 30, 2018

Répteis cretácicos de Angola em exposição no Smithsonian

Répteis marinhos cretácicos de Angola vão ser o foco de uma exposição temporária no National Museum of Natural History do prestigiado Instituto Smithsonian, em Washington, a partir de 9 de Novembro, em resultado da colaboração com o Projecto PaleoAngola.

A exposição denominada “Sea Monsters Unearthed: Life in Angola’s Ancient Seas” vai estar patente durante dois anos, após os quais está disponível para ir para Angola. A exposição teve a colaboração da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e contou com a supervisão científica de Louis Jacobs da Southern Methodist University (SMU) do Texas e do Projecto PaleoAngola.

A exposição terá plesiossauros, mosassauros, tartarugas e outros fósseis do Cretácico de Angola que foram escavados pela equipa PaleoAngola que conta com o português Octávio Mateus, e com a colaboração de vários geólogos angolanos de destaque tais como Olímpio Gonçalves, Maria Luisa Morais e André Buta Neto.

O Museu Nacional de História Natural do Smithsonian é um dos museus de história natural mais visitados do mundo, com aproximadamente 7 milhões de visitantes anuais dos EUA e de todo o mundo.

Angolasaurus e Angolachelys que estarão em expsosição no Smithsonian. Ilustração por Karen Carr.

A fenestra mandibular e a origem dos crocodilos

Durante o Jurássico não existiam crocodilos, mas sim crocodilomorfos. Uma das diferenças mais evidentes é a abertura mandibular, isto é, uma fenestra que os verdadeiros crocodilos (clade Crocodylia) têm nos ossos da maxila inferior, entre os ossos dental, angular e surangular. O estudo e relevância desta abertura anatómica foi  estudada por Eduardo Puértolas-Pascual, Octávio Mateus e Pedro Callapez num artigo apresentado no último congresso EJIP, que mostra que esta característica é fiável e uma das mais úteis para a distinção entre os verdadeiros crocodilos e os seus parentes crocodilomorfos.

Filogenia dos crocodilomorfos.

Fenestra mandibular em crocodilos (Puértolas-Pascual e al 2018)


Puértolas-Pascual, E., Mateus O., & Callapez P. M. (2018).  Implicaciones de la fenestra mandibular externa en el origen de Crocodylia. EJIP Life finds a way. 14-144.

Escavações paleontológicas no Algarve em destaque num novo livro

O novo livro de Steve Brusatte "The Rise and Fall of the Dinosaurs: A New History of a Lost World"  publicado pela William Morrow (New York, 2018) ISBN: 978-0-062490-421 relata a curiosa situação da descoberta do Metoposaurus algarvensis, com concelho de Loulé, em 2009.

O livro foi revisto por Michael Benton aqui.

Frontispício do livro "The Rise and Fall of the Dinosaurs: A New History of a Lost World"
Excerto do livro "The Rise and Fall of the Dinosaurs: A New History of a Lost World" com a fotografia da jazida da Penina, no Algarve

quarta-feira, maio 02, 2018

O Lince-Ibérico no registo fóssil português

O Lince-Ibérico Lynx pardinus, é o mais ameaçado dos felinos em todo o mundo. Já chegou a ser anunciado como extinto em Portugal mas felizmente voltaram a aparecer.
No registo fóssil ou subfóssil português há algumas ocorrências, sobretudo em depósitos de grutas, em várias localidades entre as quais Casa da Moura, Fontainhas, Caldeirão, Escoural, Algar de Cascais, Gruta das Salemas, Lapa da Rainha e Furninha.

Lince-Ibérico Lynx pardinus. Fonte: Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico www.lynxexsitu.es CC SA BY
Um novo estudo dá a conhecer uma nova ocorrência, um úmero direito, para Casais Robusto, concelho de Alcanena num trabalho que se enquadra na tese de mestrado em Paleontologia de Darío Estraviz.

Lynx pardinus, parte distal de úmero direito de Casais Robustos (FCTUNL-VP-713) (Estraviz & Mateus, 2018)

Estraviz, D, Mateus O.  2018.  The quaternary mammals from the caves of Casais Robustos and Cabeço de Morto, Alcanena (Portugal): the case of Lynx pardinus Temminck, 1827. EJIP Life finds a way: 159-162., Gasteiz, Spain

sexta-feira, abril 27, 2018

Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO


Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO é a novidade que o Diário de Notícias avança hoje, via LUSA e que replicamos aqui:


Região Oeste quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO

DN
Lourinhã, Lisboa, 27 abr (Lusa)- A região Oeste, das mais ricas do mundo em achados de dinossauros e com património de interesse geológico com mais de 150 milhões de anos, quer candidatar-se a Geoparque da UNESCO, confirmou à Lusa a Câmara da Lourinhã.

A intenção foi manifestada há duas semanas na reunião do Fórum Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), realizada em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, confirmou o município da Lourinhã, que pretende avançar com uma candidatura em conjunto com os municípios de Torres Vedras, Peniche, Óbidos e Bombarral, da mesma região.

Representantes destas autarquias estiveram em "fóruns da UNESCO de âmbito nacional e internacional, com o objetivo de mostrar a vontade, bem como evidenciar a importância da constituição do Geoparque Oeste, para o território nacional, mas também para o património mundial", e até setembro deverá ser constituída uma entidade de gestão para dar continuidade ao processo.

A existência de património geológico e paleontológico com mais de 150 milhões de anos no território dos cinco concelhos do Oeste é o ponto forte da futura candidatura, que deverá ser formalizada dentro de três ou quatro anos à comissão nacional da UNESCO.

Num artigo científico publicado após a apresentação do tema na Conferência Europeia de Geoparques, realizada em setembro nos Açores, os investigadores Bruno Pereira, Octávio Mateus, José Carlos Kullberg e Rogério Rocha, parte deles ligados ao Museu da Lourinhã e à Universidade Nova de Lisboa, demonstraram que se trata de uma das zonas mais ricas do mundo com achados fósseis do Jurássico Superior, onde foram descobertas 200 novas espécies de vários animais, entre os quais dinossauros.

Também as falésias calcárias da costa de Peniche, do Jurássico, apresentam relevância internacional, sendo de realçar a 'Ponta do Trovão', classificada como geomonumento por ser característica do período Toarciano (183 milhões de anos) e por ali existirem fósseis marinhos.

Bombarral, Lourinhã, Óbidos e Peniche dividem entre si o território do Planalto das Cesaredas, espaço que há 170 a 150 milhões de anos estava submerso pelo mar e onde hoje predominam formações rochosas em calcário do período Jurássico, com 150 milhões de anos.

Mapa antigo da região oeste, em Portugal. Mapa "Portugalliae quae olim Lusitania" de 1584 por Ortelius (1527-1598). Note-se que este mapa tem uma orientação em que o Oeste está no topo. 

No local já foram descobertas 15 novas espécies animais fósseis das 170 ali encontradas, na sua maioria invertebrados marinhos como corais, bivalves ou amonites (parentes das lulas e dos chocos), mas também peixes e ancestrais de crocodilos, que coabitavam com os dinossauros.

O Planalto possui também interesse arqueológico, tendo em conta os vestígios da ocupação humana durante toda a Pré-História, com necrópoles, alguns povoados, como o Castro da Columbeira, e grutas classificadas como sítios arqueológicos do Paleolítico e do Neolítico (de há 12 mil anos).

No Planalto, ocorreu também a Batalha da Roliça, em agosto de 1808, no período das invasões francesas, e este terá sido local dos encontros secretos entre D. Pedro e Inês de Castro.

Óbidos possui também património cultural de interesse e é Cidade Criativa da Literatura.

Estes aspetos têm contribuído para o aumento do turismo histórico e de natureza na região, com concelhos do distrito de Leiria e de Lisboa.

quarta-feira, abril 25, 2018

Fósseis Espectaculares de Portugal, em Beja

A Biblioteca Municipal de Beja "José Saramago" está a organizar um ciclo de conferências de divulgação cientifica "10 temas de ciência do ano 2018" vai ter este fim de semana conferências em que temos todo o gosto em participar com uma palestra sobre Fósseis Espectaculares de Portugal, sábado, 28 de abril, pelas 16:00.





segunda-feira, abril 23, 2018

Colecção de cartões com dinossauros

O Dinoparque Lourinhã e a rede de supermercados Pingo Doce associaram-se para criar uma colecções de cartões de dinossauros, ao jeito das antigas colecções de cromos. Este álbum chamado "Super Animais 3 - Dinossauros" foi um sucesso. Os 108 cartões, em cartão do tamanho de 54 x 80 mm, arrumam-se numa caderneta de 26 páginas e agrupados por: os primeiros dinossauros, os saurópodes, os ornitísquios, os terópodes, os "dinossauros perigosos", os "dinossauros gigantes e miniatura", os "amigos dos dinossauros", esqueletos, ovos e ninhos, e sobreviventes dos dinossauros. Cada cartão aborda um dinossauro ou uma temática e entre eles contam-e alguns portugueses: como o Lourinhasaurus, Miragaia, Allosaurus, Iguanodon, Lourinhanosaurus, Baryonyx, Torvosaurus, Lusotitan e ainda os ovos de dinossauro e crocodilomorfos de Portugal. Além disso, inclui os géneros Angolatitan e Europasaurus que também têm o cunho português.

Algumas das cartas são especiais: têm um código que aciona uma app, outra têm cheiro, outras rugosidade ou brilham no escuro.

A base foi desenvolvida por um consórcio holandês e adaptada para cá pelo Dinoparque Lourinhã. É a primeira vez que existe uma colecção deste tipo com estes dinossauros.

Os cartões só podiam ser obtidos na compra de produtos num supermercado Pingo Doce (4 cartas por cada 10€) numa iniciativa que começou 13 de Março e termina hoje, 23 de Abril de 2018.

Cartões de dinossauros do Pingo Doce
PDF da caderneta completa.

Cartazes publicitários da caderneta à porta do Pingo Doce da Lourinhã.

quarta-feira, abril 18, 2018

Descoberta nova espécie de peixe pulmonado na Gronelândia


Paleontólogos portugueses e mais quatro países anunciam a descoberta de fósseis de uma espécie única e nova de peixe com pulmões em rochas com 210 milhões de anos em área remotas do leste da Gronelândia.

Os peixes pulmonados, ou dipnóicos, são um grupo peculiar de peixes que existiu antes mesmo dos dinossauros e existem seis espécies vivas hoje. “Esse grupo é particularmente interessante porque eles têm pulmões e brânquias, o que ajuda a entender nossa própria evolução dos animais de pernas. Eles pertencem a um grupo mais amplo de peixes que evoluíram com barbatanas semelhantes a membros, que são ancestrais de todos os vertebrados terrestres, incluindo anfíbios, répteis, mamíferos e aves”, afirma Octávio Mateus, da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.



Placas dentária de Ceratodus tunuensis do Triásico da Gronelândia (foto por Octávio Mateus)

Durante as expedições de 2012 e 2016 em Jameson Land, no leste da Gronelândia, from recolhidas algumas fósseis destes peixes, que em vez de numerosos dentes, tinham placas dentárias, que é a parte mais facilmente encontrada no registro fóssil e foi o elemento que permitiu a identificação da espécie. De acordo com Federico Agnolin, do Museu Argentino de Ciências Naturais, “esta espécie distingue-se das demais por robustas placas dentárias com sulcos e diferentes formas de todos os outros peixes pulmonados”.

As placas dentárias são agora reconhecidas como sendo uma nova espécie chamada Ceratodus tunuensis, com o nome alusivo ao leste da Gronelândia. O nome específico tunensis significa "Tunu", palavra inuit para a Gronelândia oriental. "Esta foi a nossa forma de honrar a Gronelândia e a cultura Inuit", disse Lars Clemmensen, da Universidade de Copenhaga. “Quando escolhemos o nome da espécie, inicialmente consideramos usar o nome da povoação mais próxima cujo nome Inuit é Ittoqqortoormiit, mas no final optamos por usar Tunu por ser mais fácil de pronunciar” diz Jesper Milàn do Geomuseum Faxe.

A ocorrência de dipnóicos nessa formação da Gronelândia mostra que esse grupo estava perfeitamente adaptado à água doce. Naquela época, há 210 milhões de anos, essa parte da Gronelândia era 40º e 44º norte em latitude, equivalente ao norte de Portugal e à Espanha hoje.

O estudo é resultado da cooperação de sete autores, da Argentina, Portugal, Dinamarca, Alemanha e Gronelândia. O estudo tem como primeiro autor Federico Agnolin do Museu Argentino de Ciências Naturais e conta ainda com Octávio Mateus e Marco Marzola da Universidade Nova de Lisboa. A lista de autores inclui também Jesper Milàn, Oliver Wings, Jan Schulz Adolfssen e Lars B. Clemmensen. O estudo foi publicado pela prestigiada revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.

Imagens e mais informações disponíveis aqui.

Placas dentária de Ceratodus tunuensis do Triásico da Gronelândia (Agnolin et al., 2018)


Placas dentária de Ceratodus tunuensis do Triásico da Gronelândia (Agnolin et al., 2018)



Ceratodus por Heinrich Harder (1858-1935)



segunda-feira, abril 09, 2018

Descoberta nova espécie de sirénio com patas

Uma nova espécie para a ciência de herbívoro marinho, Sobrarbesiren cardieli, descoberto em Espanha, é o primeiro sirénio quadrúpede conhecido. Este grupo de animais, os sirénios, inclui os manatins e dugongues, também conhecidos por vacas-marinhas, são herbívoros que pastam em pradarias marinhas. Ainda sobrevivem cinco espécies actuais, todas ameaçadas de extinção. Este novo estudo teve a participação de Miguel Moreno-Azanza, da Universidade Nova de Lisboa.

Sobrarbesiren por Rosa Alonso


Investigador da FCT NOVA descobre novo mamífero primitivo


O investigador Miguel Moreno-Azanza, do Departamento de Ciências da Terra da FCT NOVA, e colaborador do Museu da Lourinhã faz parte de uma equipa internacional de Investigadores portugueses e espanhóis, que descobriram e descreveram uma nova espécie de Sirénio, um mamífero marinho primitivo que viveu nas águas de Sobrarbe nos Pirinéus.



Este novo mamífero é o primeiro sirénio com 4 membros da Eurásia e o mais antigo da Europa Ocidental, com cerca de 42 milhões de anos. Os Sirénios são os únicos mamíferos marinhos herbívoros e por isso ganharam a alcunha de “vaca-marinha”. Esta nova “vaca-marinha”, foi encontrada nos Pirinéus espanhóis e foi descrita na revista Scientific Reports. O nome da espécie, Sobrarbesiren cardieli, honra o território de Sobrarbe e o arqueologista amador Jesús Cardiel Lalueza que encontrou o fóssil. Esta descoberta representa um passo chave na evolução dos sirénios.

Sirénio actual (Zoomarine Algarve) Foto. Octávio Mateus CC SA BY
Para mais informação consultar:

Díaz-Berenguer, E., Badiola, A., Moreno-Azanza, M., Canudo, J.I. 2018. First adequately-known quadrupedal sirenian from Eurasia (Eocene, Bay of Biscay, Huesca, northeastern Spain).

Scientific Reports https://www.nature.com/articles/s41598-018-23355-w

domingo, abril 01, 2018

Há fósseis no seu quintal? Rochas à sua volta e nos mapas geológicos

Existem fósseis no seu quintal? Quer saber a idade das rochas que o rodeiam? Qual o nome da formação geológica no corte de estrada a caminho de casa?
A melhor forma é através da Carta Geológica que são mapas que mostram as rochas de uma determinada área. Em Portugal as cartas geológicas são editadas pelo LNEG-  Laboratório Nacional de Energia e Geologia. Antes da política suicida de acabarmos com muitas instituições, algumas seculares, por termos "institutos a mais" as cartas eram editadas pelo antigo IGM- Instituto Geológico e Mineiro.

Carta Geológica de Portugal à escala 1/1 000 000, edição 2010 (Fonte: LNEG).
Há Cartas Geológicas de Portugal de várias escalas, sendo as principais:
Portugal, na escala de 1:50 000
Portugal, na escala de 1:200 000
Portugal, na escala de 1:500 000
Portugal, na escala de 1:1 000 000
Região Autónoma dos Açores
Região Autónoma da Madeira

As Cartas Geológicas de 1:50.000 cobrem quase todo o país e são as mais detalhadas.

Mas se não tiver acesso às Cartas Geológicas, não se preocupe, pois a maioria a informação e cartografia está disponível online no site GeoPortal do LNEG.

Exemplo de uma carta geológica 1:50000, neste caso a folha 19D. À esquerda estão representadas as áreas já cartografadas a esta escala em Portugal (fonte LNEG)
Segundo o próprio site "O geoPortal do LNEG é uma infra-estrutura de serviços integrados de suporte à gestão e visualização de dados espaciais, que visa disponibilizar, em ambiente web, a informação georreferenciada relacionada com as diferentes actividades do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.".

No site do GeoPortal coloque a coordenada geográfica ou procure no mapa onde está, escolha a carta que precisa (Geológica a 1:50.000 é uma das melhores) e tem aí a sua informação sobre a geologia do seu quintal. O equivalente global desta ferramenta é o OneGeology.

E já agora, se encontrar fósseis de vertebrados, contacte-nos: omateus@fct.unl.pt.


sábado, março 31, 2018

Dipnoicos, os peixes com pulmões

Aprendemos desde os tempos de escola que os peixes respiram através de guelras e não com pulmões. Contudo, um grupo especial de peixes aproveitou a sua bexiga natatória para trocas gasosas e com isso criou os pulmões. Os celacantos e os dipnoicos são sarcopterígios com pulmões. Os girinos de anuros e as larvas de salamandras actuais também vivem com os dois sistemas respiratórios.
Os dipnoicos (Dipnoi), também chamados de "peixes pulmonados", apareceram no Devónico e com sobrevivência de seis espécies até aos dias de hoje. O nome Dipnoi, cunhado por  Müller (1844) significa "dois ares", devido à sua respiração através de guelras e pulmões. Os dipnoicos são filogeneticamente mais próximos a um humano que a um peixe como a enguia pois partilham connosco o mesmo ancestral de sarcopterígio com as seguintes características (Ax, 2003):

  1. Barbatana musculares pares (que nós temos em formato de braços e pernas)
  2. Membro com um único elemento esquelético basal (equivalente ao úmero e fémur)
  3. Dentes com esmalte que cobrem todo o dente
  4. Articulação intracraniana, que em nós evoluiu no pescoço
  5. Vena cava posterior (vena cava caudalis).
Cabeça de dipnoico Protopterus dolloi (por Octávio Mateus). O seu aspecto mais semelhante a uma salamandra que a um peixe revela a proximidade filogenética.


Dipnoico (peixe pulmonado) do Congo (Castelnau, 1856).
Os Dipnoi, são únicos e distinguem-se através de características próprias: dentes em forma de placas ósseas, escamas por debaixo da pele, barbatana caudal continua com a dorsal e anal, e narina com abertura na coana dentro da boca.

Dipnoico Protopterus dolloi (foto por Octávio Mateus)

Dipnoico Protopterus dolloi (Domínio público, Smith & Green - Les poissons du bassin du Congo Boulenger, George Albert, 1858-1937)

Características anatómicas dos Dipnoi: placas dentárias, escamas por debaixo da pele, barbatanas pares, e barbatanas da cauda continuas à dorsal e anal.
Há seis espécies actuais, todas gonduânicas, e são frequentes nos registo fóssil, embora não existem nenhum registos de Dipnoi fósseis em Portugal.
No Triásico da Gronelândia recolhemos vestígios (placas dentárias) de dipnoicos.

Referências:
https://en.wikipedia.org/wiki/West_African_lungfish#/media/File:LepidosirenFord.jpg
Author: G.H.Ford - Proceedings of the Zoological Society of London (vol. 1856, plate Reptilia XI)
Public domain
Protopterus dipnoi skeleton Image from page 256 of "A treatise on zoology" (1900) | by Edwin Ray (public domain)
Ax (2003). The Phylogenetic System of the Metazoa

quinta-feira, março 29, 2018

Globicetus hiberus: a bizarra baleia-de-bico com uma esfera na cabeça

Reconstrução do zifídeo fóssil Globicetus hiberus por Ceri Thomas – CC BY NC, disponível em http://alphynix.tumblr.com/image/159422852817
Globicetus hiberus é um cetáceo Ziphiidae  do Mioceno de Portugal e Espanha. O holótipo é um crânio recolhido ao largo das Berlengas.

Os zifídeos (Ziphiidae) são odontocetes com 21 espécies actuais o que faz a segunda família mais numerosa de cetáceos (a seguir aos delfinídeos), apesar de muito raros. Os zifídeo eram o grupo de odontocetes com maior diversidade durante o Miocénico. Possuem dimensões apreciáveis (de 4 a 12,8 metros para a baleia-bicuda-de-baird, para um peso de 1 a 10 toneladas). Podem também ser chamadas de baleias-de-bico ou zífios.

O mais extraordinário no Globicetus é a estrutura esférica, de osso sólido, no crânio que parece ser um órgão sexual secundário tal como a cauda de um pavão ou as hastes de um veado.

O holótipo de Globicetus hiberus está em exposição no Museu da Lourinhã, em Portugal.


Referências
 Bianucci G., Miján I, Lambert O., Post K. & Mateus O. 2013. Bizarre fossil beaked whales (Odontoceti, Ziphiidae) fished from the Atlantic Ocean floor off the Iberian Peninsula. Geodiversitas 35 (1): 105-153.
Muchagata, J., & Mateus O. (2016). Sexual display and rostral variation in extinct beaked whale, Globicetus hiberus. XIV EAVP Meeting. 136., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book