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quarta-feira, julho 13, 2016

Apresentações no Encontro de Paleontologia de Vertebrados em Haarlem


O EAVP (European Association of Vertebrate Paleontologists) é uma das maiores associações para paleontólogos de vertebrados da Europa e uma das mais importantes do mundo. O congresso do EAVP é um evento anual que nos permite transmitir a nossa investigação a um público de centenas de especialistas e aficionados. Este ano, realizou-se a XIV edição no Museu Teylers em Haarlem, nos Países Baixos, do dia 6 até ao dia 10 de Julho.
A representação portuguesa incluiu três membros da FCT-Universidade Nova de Lisboa + Museu da Lourinhã.

O Dr. Miguel Moreno-Azanza,  investigador da Universidade Nova de Lisboa, apresentou uma palestra sobre cascas de ovos de tartaruga do Eocénico de Espanha, com 41 milhões de anos. Estas cascas de ovos foram encontradas em uma antiga planície do delta dos Pirinéus Aragoneses, num local com ossos abundantes de sirénios antepassados dos manatins e tartarugas de água doce. Esta colaboração inclui outros investigadores, nomeadamente Ainara Badiola Kortabitarte (Universidad del Pais Vasco/Euskal Herriko Unibertsitatea - Espanha), e Ester Díaz Berenguer, Roi Silva e José Ignacio Canudo, da Universidad de Zaragoza (Espanha).

Por sua vez, o doutorando Marco Marzola, investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), apresentou um trabalho sobre anfíbios e répteis do Tardo Triásico da Gronelândia, com especial destaque para algumas das mais velhas tartarugas do mundo, com uma idade compreendida entre 208 e 209 milhões de anos. O trabalho foi em colaboração com o prof. Octávio Mateus (orientador,  Universidade Nova de Lisboa), o Dr. Oliver Wings (Landesmuseum, Hanôver - Alemanha), a Dra. Nicole Klein (Naturkundemuseum am Löwentor, Estugarda - Alemanha), o Dr. Jesper Milàn (Geomuseum Faxe - Dinamarca) e o prof. Lars B. Clemmensen (coorientador, Universidade de Copenhaga).

A terceira apresentação ficou a cargo do Mestre João Muchagata Duarte, investigador das Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Évora, que apresentou um trabalho sobre estruturas sexuais secundárias reconhidas em crânios de baleias de bico extintas do Neogénico de Portugal, com idades compreendidas entre os 6 e os 20 milhões de anos.  O seu trabalho foi realizado com a colaboração e supervisão do prof. Octávio Mateus e prof.a Ausenda Balbino (Universidade de Évora).
A XV edição do congresso EAVP realizar-se-á em 2017, do dia 31 de Julho até ao dia 4 de Agosto, no Museu de Paleontologia de Munique na Alemanha.
João Muchagata, Marco Marzola e Miguel Moreno-Azanza no XIV EAVP Meeting



Marzola, M., Mateus O., Wings O., Klein N., Mìlan J., & L.B.Clemmensen (2016).  The herpetofauna from the Late Triassic of the Jameson Land Basin (East Greenland): review and updates. XIV EAVP Meeting. 182., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

Muchagata, J., & Mateus O. (2016).  Sexual display and rostral variation in extinct beaked whale, Globicetus hiberus. XIV EAVP Meeting. 136., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

M. Moreno-Azanza, R. Silva, E.D. Berenguer, J.I. Canudo, and A. Badiola . 2016. HIGH CONCENTRATIONS OF TURTLE EGGSHELLS (TESTUDOOLITHIDAE) IN AN EOCENE DELTAIC PLAIN (SOBRARBE DELTAIC COMPLEX, NORTHERN SPAIN). XIV EAVP Meeting. 136., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

domingo, junho 26, 2016

Mestrado em Paleontologia, inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para o Mestrado em Paleontologia numa iniciativa conjunta entre a FCT- Universidade NOVA de Lisboa e a Universidade de Évora.

Esta é a 5ª edição deste mestrado que está a ter grande sucesso e que pretende treinar a nova geração de paleontólogos de Portugal e da Europa.

Aprender sobre paleontologia e fósseis é apaixonante e cativante! É uma disciplina multidisciplinar para uma carreira científica e Portugal é muito rico de fósseis o que oferece dezenas de oportunidades entusiasmantes pela frente. 

Informações e candidaturas (FCT-UNL): http://www.fct.unl.pt/ensino/curso/mestrado-em-paleontologia 



quinta-feira, maio 26, 2016

Vertebrados Fósseis dos Distritos de Leiria e Santarém (Norte) no III Fórum sobre Património


Vertebrados Fósseis dos Distritos de Leiria e Santarém (Norte) serão tema de conversa amanhã no III Fórum sobre Património Natural, Etnográfico e Arqueológico “Na rota dos Mosteiros Património da Humanidade - Alcobaça, Batalha e Tomar: outros patrimónios a salvaguardar”, que se realizará no dia 27 de maio de 2016, no Auditório do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha.



A nossa apresentação será sobre "Vertebrados Fósseis dos Distritos de Leiria e Santarém (Norte)". Uma selecção de um vertebrado fóssil mais interessante ou icónico de cada concelho dos distritos de Leiria e Santarém (norte) permite uma visão geral da riqueza paleontológica da região e do país.

Dos 16 municípios do distrito de Leiria, conhecem-se vertebrados fósseis em doze: Alcobaça, Avaiázere, Batalha, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Peniche, Pombal e Porto de Mós. No norte do distrito de Santarém (acima da latitude 39.4ºN) conhecem-se vertebrados nos concelhos de Ourém, Tomar, Alcanena, Ferreira do Zêzere, Torres Novas.

Palestra "Mosasaurs and the reptile conquest of the sea"

Palestra "Mosasaurs and the reptile conquest of the sea"  por Michael Polcyn (SMU, Dallas, USA)
27 de Maio de 2016 pelas 10:30

Local: Ed. IX, sala 3.34- Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, FCT, Universidade Nova de Lisboa, 2829-526 Caparica


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Artwork by MCDinosaurhunter CC BY-SA 3.0 


Evolução de mosassauros e grandes répteis mesozóicos na sua adaptação ao meio marinhos e implicações anatómicas, ecológicas e evolutivas. 

Enquadrado no Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL+UÉ)

sexta-feira, maio 20, 2016

Baleias-de-bico em nova tese em paleontologia por João Muchagata


A estrutura bizarra no crânio da baleia-de-bico extinta Globicetus hiberus levou à tese por João Muchagata integrado no Mestrado em Paleontologia da FCT-Universidade Nova de Lisboa + Universidade de Évora. Parabéns ao João Muchagata que agora é Mestre com uma classificação de 18 valores.



Data: 18 de Maio de 2016
Mestrado em Paleontologia
Dissertação: "Função, dimorfismo sexual e variação intraespecífica das estruturas rostrais bizarras na baleia-de-bico extinta Globicetus hiberus"
Júri: Doutores Carlos Ribeiro (UÉ), Mário Estevens (CM Almada) e Octávio Mateus (FCT-UNL, orientador).

Defesa de tese de João Muchagata: candidato, júri e orientadores.


Resumo: Zifídeos são odontocetes ecolocalizadores capazes de efetuar mergulhos de grande profundidade. O recentemente nomeado Globicetus hiberus do Plioceno, exibe uma peculiar e grande esfera óssea no rostro, o processo mesorostral da pré-maxila ou MPP. A origem e função do MPP é misterioso, mas algumas hipóteses são abordadas: 1. malformação, doença ou deformidade; 2. lastro; 3. luta intraespecífica; 4. reflexão e orientação do feixe de som; 5. aumento da velocidade das ondas sonoras; 6. barreira sonora; e 7. órgão sexual. Algumas hipóteses são rejeitadas (1, 2, 6), outros podem desempenhar um papel secundário (3, 4, 5) e sugerimos o órgão sexual secundário (7) como a melhor hipótese. O MPP varia de tamanho nos seis espécimes estudados. Durante a vida, o MPP cresce alométricamente nos machos, mas não nas fêmeas, o que sugere que é um caso de dimorfismo sexual. Estas baleias seriam capazes de detetar ossos como imagens ecóicas distintas, portanto, o MPP poderia funcionar como um órgão sexual secundário, a chamado hipótese das “hastes internas”.

quinta-feira, maio 12, 2016

NOVApaleo'16: Programa do simpósio

Decorre amanhã, 13 de Maio de 2016, o Simpósio de Paleontologia NOVApaleo, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, com a seguinte programação:



08:30h – 9:00 Receção dos Participantes
9:00 – 9:15h Sessão de Abertura
9:15h – 10:15 – PALESTRA: Moluscos del Mioceno de Portugal. Paleoecologia e Patrimonio Geologico / Prof. José Angel González-Delgado & Prof. A. M. Martínez-Graña (Univ. Salamanca)
10:15 – 12:45 – Comunicações  (duração 12 min. + 3 min. discussão)
Rúben Domingos, Pedro Callapez, Paulo Legoinha, Pedro Correia, Ausenda Balbino (2016)  - Contributo para o conhecimento paleontológico do Devónico do Anticlinal de Valongo (Portugal)
Catarina Caprichoso, Artur A. Sá, Paulo Legoinha (2016) - The endemic species “Homalonotus mendes-correiai” (Trilobita: Devonian) from São Mamede, Portugal – a revision
Patrícia Rita, M. Reolid, Luís V. Duarte (2016) - Efeitos do EOA-T nas dimensões das carapaças de foraminíferos no perfil de Peniche (Bacia Lusitânica)
Bruno C. Pereira, Pedro Pereira, Carlos Neto Carvalho, Susana Machado, Lia Mergulhão, José Anacleto, Jorge Carvalho (2016) - Echinoderms from Cabeço da Ladeira, Porto de Mós (Portugal): an update
11:15-11:30 cofee-break
Alexandre Guillaume, Francisco Costa, Octávio Mateus (2016) - Stegosaur tracks from the Late Jurassic of Portugal new occurences and perspectives
Miguel Moreno-Azanza, Blanca Bauluz Lázaro, Octavio Mateus, Manuel Tricas (2016) - Sliced eggs: the use of thin sections in the study of eggshells
Simão Mateus, Ausenda Balbino, Paulo Legoinha,Filipe Barata (2016) - Main mesozoic portuguese tetrapod fauna and an exhibition proposal methodology
João Pereira, Pedro Callapez,Paulo Legoinha (2016) - O Cenomaniano Superior de Tentúgal (Coimbra): estratigrafia, microfácies e análise tafonómica de Vascoceras (Cephalopoda, Ammonoidea)
Pedro Oliveira, Lígia Castro, Zélia Pereira, Pedro Callapez (2016) - Contributo para o conhecimento de quistos de dinoflagelados do Cretácico Superior de Portugal: estudo das associações lagunares do Cenomaniano da Nazaré.

Tarde
14:30-15:15 – PALESTRA: Sobre a pesquisa de vertebrados não-marinhos no Miocénico da Bacia do Tejo / Prof. Telles Antunes (UNL e Academia das Ciências de Lisboa)
15:15 – 16:30 – Comunicações  (duração 12 min. + 3 min. discussão)
Pedro R. Fialho, Ausenda Balbino, Miguel Telles Antunes (2016) - Seláceos do Langhiano da Bacia do Baixo Tejo (Brielas, Portugal)
Joana Ferreira, Francisco Sierro, Paulo Legoinha (2016) - Foraminíferos de Montemayor-1 (Huelva, Espanha) e inferência de mudanças climáticas de há 5,6 a 5,5 Ma
João Muchagata, Octávio Mateus (2016) - Tales from the deep: fossil ziphiids from the Atlantic sea floor, Southwest of the Farilhões Islands, Portugal
João Marinheiro, Octávio Mateus, A. Alaoui, F. Amani, M. Nami, C. Ribeiro (2016) - Report on Holocene Cave Fauna from Taghrout, Morocco
Simão Mateus, Ausenda Balbino, Paulo Legoinha, Filipe Barata (2016) - Panorama legal da Paleontologia portuguesa
POSTERS
Joana Damas, Pedro Callapez, Paulo Legoinha (2016) - Sobre o histórico de estudos de equinídeos do Neogénico português
João Barros, Pedro Callapez, Pedro Dinis (2016) - Contribuição para o conhecimento da malacofauna holocénica do litoral de Angola: Moluscos marinhos da restinga de Tômbwa (Namibe)
16: 30 - Sessão de encerramento
Dia 14 de Maio

9.00h -18h – Workshop - Curso ‘R’

quarta-feira, maio 04, 2016

Alberto no Mundo dos Dinossauros


Hoje é lançado um livro infantil sobre dinossauros, o "Alberto no Mundo dos Dinossauros" escrito por Cidália Fernandes e Fedra Santos.
Trata-se um um livro em que a personagem principal, um menino chamado Alberto, vê-se num sonho mergulhado no Mesozóico. O interessante da história é que refere géneros de dinossauros portugueses como o Lusotitan, Supersaurus, Lourinhanosaurus, Miragaia e Torvosaurus, que ocorrem no Jurássico Superior na Formação da Lourinhã. A tartaruga Rosasia soutoi, do Cretácico de Aveiro, também é elencada na história.

É a primeira vez que alguns destes género chegam à cultura e literatura popular (i.e., não-científica) e é sempre um prazer quando a cultura e a ciência se encontram,

Título: Alberto no Mundo dos Dinossauros
Autor(a): Cidália Fernandes
Ilustração: Fedra Santos
N.º de páginas: 37
Formato: 225mm x 225mm
Alberto e um dinossauro, desenhado por Fedra Santos.

ISBN: 978-989-734-084-0
Preço: 9.95€

sexta-feira, abril 29, 2016

Dinossauros num dia pela vida

Dinossauros na luta contra o cancro? Exacto! Num evento para angariação de fundos para a Liga Portuguesa contra o Cancro há uma palestra "Em Busca dos Dinossauros" no próximo Domingo.

A Comunidade da Lourinhã e a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul estão a desenvolver o projeto Um Dia Pela Vida no concelho da Lourinhã, coordenado por uma Comissão Local constituída para o efeito.

Trata-se de um evento desenvolvido no âmbito do programa internacional da American Cancer Society, Relay For Life, e tem como principais objetivos informar e educar a comunidade sobre a prevenção do cancro e angariar fundos para os serviços de apoio ao doente oncológico, investigação oncológica, programas de prevenção e rastreios da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Em resumo, Um Dia Pela Vida incluirá Prevenção, Comunidade, Angariação de fundos e muito divertimento. Representa a esperança de que os que foram levados pelo cancro não serão esquecidos, que aqueles que estão a lutar contra o cancro serão apoiados e que um dia o Cancro será vencido.

É um projeto de comunidade que teve o seu início no dia 16 de março e culmina com uma grande festa de encerramento com a duração de 24 horas, agendada para dia 18 de junho, sendo que nesse dia o ambiente será de festa, com espetáculos, música, jogos e outras atividades paralelas.
No decorrer destes 3 meses de projecto vamos ter dezenas de eventos, tais como, caminhadas, passeios de motos e Bicicletas, festivais de comida, espectáculos, Palestras, etc.

 Neste âmbito a Comissão Local do projeto Um Dia Pela Vida da Lourinhã e a Liga Portuguesa Contra o Cancro, têm o prazer de o convidar para assistir a uma  Palestra denominada "Em busca dos Dinossauros" com o Professor Doutor Octávio Mateus, no dia 1 de maio pelas 16 horas, no auditório da AMAL na Lourinhã.




quinta-feira, abril 14, 2016

Mini-simpósio sobre dinossauros ornitísquios: próxima segunda-feira, 18 de Abril

Na próxima segunda-feira, 18 de Abril decorre um mini-simpósio sobre dinossauros ornitísquios na FCT-UNL com os convidados especiais James Kirkland, paleontólogo do Utah Geological Survey (UGS) e  Mark Loewen professor na Universidade de Utah (UU).

Os dinossauros ornitísquios blindados, os tireóforos, são o foco deste mini-simpósio que decorre no Auditório da Biblioteca no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia, FCT, Universidade Nova de Lisboa, na Caparica, a partir das 15:00 com entrada livre.

Mini-Symposium on Ornithischian Dinosaurs
James Kirkland (UGS): Ankylosaur dinosaurs and Dinosaurs of Utah
Mark Loewen (UU): Ankylosaur Europelta
Octávio Mateus (FCT_UNL): Ornithischians in Portugal

Organizado pelo Departamento de Ciências da Terra da FCT, com apoio do American Corner e do Museu da Lourinhã.

http://www.dct.fct.unl.pt/noticias/2016/04/mini-simposio-sobre-dinossauros-ornitisquios-proxima-segunda-feira-18-de-abril

terça-feira, abril 12, 2016

Diplodocus revalidado com D. carnegii como espécie-tipo

O saurópode Diplodocus é um dos dinossauros mais famosos e populares, sendo alegadamente muito conhecido também do ponto de vista científico. Contudo, o espécime original, o holótipo, no qual se baseou a primeira espécie deste género Diplodocus longus, é um exemplar muito incompleto e pouco distintivo, de tal forma que não se consegue distinguir de outros diplodocídeos. Isto oferece um problema porque significa que a espécie não pode ser considerada válida, e como esta é a espécie-guia para o género Diplodocus, este corre o risco de também não ser válido, e perderíamos assim um dos géneros mais carismáticos e conhecidos de dinossauros.
Esta situação pode ser resolvida sugerindo que a espécie-tipo seja outra espécie Diplodocus que não o D. longus. É precisamente isso que é proposto pelos paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus à Comissão de Nomenclatura Zoológica e à comunidade científica. A escolha alternativa recai sobre o Diplodocus carnegii, um exemplar quase completo e com réplicas em vários museus do mundo.
O propósito da aplicação, nos termos dos artigos 78.1 e 81.1 do código de nomenclatura zoológica, é substituir Diplodocus longus Marsh 1878 como a espécie-tipo do género de dinossauro saurópode Diplodocus pela espécie D. carnegii Hatcher, 1901 que é muito mais completo e conhecido. O estado pouco diagnosticável do holótipo de D. longus (YPM 1920, uma cauda parcial e uma hemapófise) contrasta com o holótipo de D. carnegii CM 84, um exemplar bem conservado e principalmente articulado. Réplicas deste espécime estão em exposição em vários museus pelo mundo (incluindo Paris, Madrid, Londres e Milão), e a espécie já tem sido usado como a principal referência em estudos de anatomia comparada ou filogenia.

Réplica de holótipo de Diplodocus carnegii no MNHN Paris (Photo OM2016) 

Ambas as espécies são do Jurássico Superior das Formação de Morrison nos Estados Unidos. O género Diplodocus é a base para os taxa superiores Diplodocidae Marsh, 1884, Diplodocomorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) e Diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). É também um especificador de pelo menos 10 clados filogenéticos. Com a substituição de D. longus por D. carnegii como espécie-tipo, Diplodocus poderia ser preservado como um nome taxonómico com o conteúdo geralmente aceite. A estabilidade taxonômica do clado  Diplodocoidea e as definições propostas para diversos clados de saurópodes podem ser mantida.


Tschopp, E., Mateus O. (2016).  Diplodocus Marsh, 1878 (Dinosauria, Sauropoda): proposed designation of D. carnegii Hatcher, 1901 as the type species. Bulletin of Zoological Nomenclature. 73(1), 17-24.

Abstract. The purpose of this application, under Articles 78.1 and 81.1 of the Code, is to replace Diplodocus longus Marsh, 1878 as the type species of the sauropod dinosaur genus Diplodocus by the much better represented D. carnegii Hatcher, 1901, due to the undiagnosable state of the holotype of D. longus (YPM 1920, a partial tail and a chevron). The holotype of D. carnegii, CM 84, is a well-preserved and mostly articulated specimen. Casts of it are on display in various museums around the world, and the species has generally been used as the main reference for studies of comparative anatomy or phylogeny of the genus. Both species are known from the Upper Jurassic Morrison Formation of the western United States. The genus Diplodocus is the basis for the family-level taxa diplodocinae Marsh, 1884, diplodocidae Marsh, 1884, dip- lodocimorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) and diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). It is also a specifier of at least 10 phylogenetic clades. With the replace
ment of D. longus by D. carnegii as type species, Diplodocuscould be preserved as a taxonomic name with generally accepted content. Taxonomic stability of the entire clade diplodocoidea, and the proposed definitions of several clades within Sauropoda, could be maintained.


Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal
Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal

Espécimes-tipos: holótipos, parátipos e sintipos na taxonomia

Na sistemática e taxonomia, uma espécie ou um género são conceitos abstractos. Não existe algo tangível e palpável que seja "a espécie". Por outro lado, esse conceito tem como base animais ou plantas individuais que podem ficar conservados em museus ou universidades como espécimes e amostras reais e palpáveis. Os espécimes usados para fins taxonómicos, como a designação de uma nova espécie, são denominados de espécimes-tipo. Todos tipos devem estar num repositório de acesso científico (museu ou universidade) e disponível para estudo por outros investigadores. Existem vários espécimes tipo:

Holótipo: Amostra ou espécime único que serve como referência base da primeira descrição e nomeação de uma espécie de organismo vivo.
Por exemplo, o holótipo do  saurópode diplodocídeo Kaatedocus siberi Tschopp & Mateus 2013 é o espécime SMA 0004 que inclui parte de crânio e vértebras cervicais de um único indivíduo, exposto no Saurier Museum Aathal, na Suíça .
Holótipo de Kaatedocus siberi SMA 0004 por Oliver Demuth, Suíça.

Parátipo: Amostras ou espécimes adicionais (que não o holótipo) que servem como apoio na primeira descrição e nomeação de uma espécie de organismo vivo.
Exemplo: O parátipo do terópode Torvosaurus gurneyi Hendrickx & Mateus 2014 inclui o fémur esquerdo ML632, exposto no Museu da Lourinhã.


Neótipo: Amostra ou espécime de referência para a espécie, mas designado após a descrição original, devido ao holótipo original nunca ter sido designado ou ter sido perdido ou destruído.


Sintipo: Qualquer um dos vários espécimes que está listado numa descrição da espécie onde vários espécimes mas nenhum holótipo foi designado.


Lectótipo: Espécime escolhido para servir como espécime-tipo único selecionado a posteriori a partir de um conjunto de síntipos, quando o holótipo não foi designado.



Emanuel Tschopp & Octávio Mateus (2013) The skull and neck of a new flagellicaudatan sauropod from the Morrison Formation and its implication for the evolution and ontogeny of diplodocid dinosaurs, Journal of Systematic Palaeontology, 11:7, 853-888, DOI: 10.1080/14772019.2012.746589

terça-feira, abril 05, 2016

Palestras sobre dinossauros

Amanhã, quarta-feira, 6 de Abril, temos uma palestra de divulgação sobre dinossauros "Quando os dinossauros dominavam a Península Ibérica" integrado na Expo FCT, pelas 11:30 no Auditório CGD da Universidade Nova de Lisboa, campus da Caparica.




                 Próximas palestras:
8 de Abril, 12:45 - Palestra no Congresso da Ordem dos Biólogos -Universidade de Évora.
18 de Abril, 14:30: Mini-simpósio sobre Dinossauros, Biblioteca da FCT-UNL- Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Com James Kirkland, Mark Loewen, Octávio Mateus, e Miguel Moreno Azanza.
1 de Maio, 16:00: Em Busca dos Dinossauros, Auditório AMAL na Lourinhã (integrado no Dia pela Vida, da Liga contra o Cancro)
13 de Maio: NOVApaleo, simpósio de paleontologia na FCT-UNL.
17 de Maio: Escola Secundária da Lourinhã.
19 de Maio: Algarve no tempo dos dinossauros. Câmara Municipal de Loulé.
20 de Maio: Palestra por Nuno Ferrand, na FCT-UNL.
27 de Maio: III Fórum sobre Património Natural, Etnográfico e Arqueológico. Batalha.

segunda-feira, março 28, 2016

200 anos sobre a vida de Charles Bonnet (1816-1867), fundador da Comissão Geológica

Mapa geográfico do Alentejo e Algarve
por Charles Jonnet 1850
Faz hoje exactamente 200 anos sobre o nascimento de um dos fundadores da geologia Portuguesa, Charles Bonnet (1816-1867).
Charles Jean Baptiste Bonnet (n. Vesoul , França, a 28 de Março de 1816, - m. Loulé, a 8 de Abril de 1867) era filho do sapateiro François Bonnet e de Jeanne Françoise Zominy, doméstica, ambos de origem humilde. Fez os seus estudos em engenharia civil na especialidade de geologia e mineralogia em França. Emigrou para Portugal entre 1844 e 1846.  Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1849.

Foi casado com Octávia Henriqueta Isaura Pernot, e teve um filho, Carlos Octávio Bonnet,
Frontspício de Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province
Viveu na rua de S. Francisco, n. 40-12, em Lisboa, e, depois em Loulé.  Em 1846, Bonnet estava a estudar uma mina de cobre no Algarve. Nessa altura deparou-se com a necessidade de corrigir e melhorar a cartografia geológica da região.  Em 1847, fez a sua segunda viagem ao Algarve, desta vez para percorrer toda a região, procedendo a numerosas observações de carácter topográfico, geográfico e geológico. A partir de 1849 Bonnet dirige a Comissão Geológica do reino, criada no ano anterior, em 1848, por parecer da Academia das Ciências. Essa comissão foi criada para dar “princípio à exploração geológica e mineralógica do Reino” (segundo a Acta da Câmara dos Deputados, de 16 de Abril de 1849), precursora da Comissão organizada na Direcção-Geral dos Trabalhos Geodésicos em 1857. Recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo em 8 de Novembro de 1847. Charles Bonnet fez recolhas de espécimens e dados orográficos, corográficos, botânicos, e geológicos. Recolheu fósseis e amostras de minerais no Algarve. Ofereceu uma colecção de 140 rochas e minerais ao Museu de História Natural da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Relativamente à paleontologia, Bonnet teve um papel secundário, sendo o principal trabalho a cartografia geológica e geográfica. Contudo, refere a existência de amonites e belemnites na Serra de Alfeição, Nexe, perto de Loulé, e conchas miocénicas em Lagos, Vila Nova de Portimão, Ferragudo, Mexilhoeirinha e Albufeira. Cita mesmo a existência de fósseis “Cardium edule” e Mytilus em Albufeira e entre Lagos e Porto de Moz (Bonnet, 1850: p. 142).
Residência de Charles Bonnet, em Loulé.

Jaz em Loulé. Não se conheçem imagens de Charles Bonnet.


Publicou:
Mappa Geographico da Provincia do Alentejo e do Reino do Algarve(ca. 1:800 000, 1851) disponível em http://purl.pt/1968
Bonnet, C. 1850. Mémoire sur le Royaume de l’Algarve (Province du Portugal), contenent la description des montagnes, des sources, des cours d’eau, des villes, etc., du climat, de la végétation, des animaux, de l’industrie, du commerce, etc., ainsi qu’une esquisse historique de cette contrée. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, 2ª série, tomo II.
Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province. Acad. Roy. Scienc. Lisbonne, 186 p.






Fontes e Biografias:
Dias, M.H., Charles Bonnet (1816-1867). Em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p67.html
Mesquita, J.C.V., 1985. Charles Bonnet, a reedição de uma obra e a urgência dum Jardim Botânico em Loulé. Al-Gharbe-Estudos Regionais, 2, pp.33-61.

Não confundir com o homónimo naturalista e filósofo suíço Charles Bonnet (1720-1793).

sexta-feira, março 18, 2016

NOVApaleo - Simpósio de Paleontologia (FCT-Nova, 13 de Maio)

Vai decorrer o simpósio de paleontologia NOVA-Paleo, dia 13 de Maio na FCT-UNL. Este evento destina-se a promover e divulgar a paleontologia feita por estudantes e jovens investigadores estando aberto a todos os interessados.



No decurso da 4ª edição do Mestrado em Paleontologia (NOVA, UÉ), a Comissão de Curso, o Departamento de Ciências da Terra da FCT-NOVA e o Departamento de Geociências da ECT-Universidade de Évora, entenderam oportuno promover o Simpósio NOVApaleo 2016, a realizar nos dias 13 de maio de 2016, com o intuito de reunir jovens investigadores em Paleontologia, partilhar experiências e colocar em destaque a investigação científica que tem vindo a ser desenvolvida em Portugal neste domínio do saber. O evento incluirá duas Conferências por convite e um workshop.

O NOVApaleo 2016 é particularmente destinado à apresentação oral ou em poster de trabalhos resultantes de dissertações de doutoramento e de mestrado ou de trabalhos científicos no âmbito de projetos e bolsas de iniciação à investigação científica, em Paleontologia e áreas afins, incluindo o património paleontológico. Aceitam-se ainda trabalhos sobre paleontologia de estudantes do ensino secundário, devidamente enquadrados pelos seus professores, para apresentação em poster. As línguas de trabalho serão o Português, Espanhol e Inglês.

O dia 14 de Maio conta ainda com um dia de curso workshop sobre o Software R.




sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Evolução dos golfinhos e baleias em palestra a 3 de Março

A evolução dos cetáceos, a partir de mamíferos de hábitos anfíbios pequenos e quadrúpedes até às baleias gigantes de hoje, é das histórias naturais mais fascinantes. Esse será o tema da palestra pelo paleontólogo Olivier Lambert na próxima quinta-feira, 3 de Março, pelas 15:00, na FCT-UNL (Auditório da Biblioteca).



Olivier Lambert
Olivier Lambert é paleontólogo do Instituto Real Belga de Ciências Naturais tendo trabalhado na evolução dos mamíferos marinhos, suas adaptações à vida aquática, diversidade e disparidade, e suas interações com organismos marinhos. A sua pesquisa foca-se em diferentes clados de odontocetes (baleias de dentes) do Oligocénico ao Pliocénico, nomeadamente ao lidar com a sistemática, filogenia, anatomia funcional, paleoecologia, e histologia óssea. Trabalha sobre baleias-de-bico (Ziphiidae), cachalotes (Physeteridae), golfinhos longirostros (Eurhinodelphinidae e Platanistoidea) semelhantes aos do rio Amazonas golfinho e La Plata, delfinóides arcaicos, e taxa extintos parentes da beluga e narval (Monodontidae). Também colabora com colegas para o estudo das baleias de barbas e sirénios (parentes do dugongo moderno e peixe-boi).

Baptizou três géneros de cetáceos fósseis de Portugal TagicetusImocetus, e Globicetus.

Fontes:
https://naturalsciences-be.academia.edu/OlivierLambert
https://www.naturalsciences.be/en/science/do/545/staff/member/328





quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Palestra em Lisboa: O que dinossauros nos dizem sobre evolução?

O que nos ensinam sobre evolução os fósseis de dinossauros e de outros animais? Esta pergunta é o mote da palestra do dia 17 de Março no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.




Quando: Quinta, 17 Março, 2016 - 18:45 a 19:45
Onde: Sala Vandelli | Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Os que os dinossauros e outros fósseis nos podem ensinar sobre evolução?
Octávio Mateus - UNL
Ciclo de conversas "60 Minutos de Ciência"
Num formato informal e descontraído, 60 minutos de Ciência pretende ser um fórum de discussão entre especialistas e cidadãos sobre temas atuais de Ciência. Com lugar na Sala Vandelli do MUHNAC, este programa decorrerá nas terceiras quintas feiras de cada mês, pelas 18h45.