quinta-feira, novembro 14, 2019

Laboratório do Museu da Lourinhã re-inaugurado

O Laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã vai ser re-inaugurado após intervenções de melhoramento, e abre com um novo nome: "Laboratório Isabel Mateus".

Replicamos aqui a comunicação do GEAL-Museu da Lourinhã no Facebook sobre este assunto:
No próximo dia 15 de novembro, sexta-feira, pelas 17H00, vamos inaugurar o novo laboratório de conservação e restauro do Museu da Lourinhã, agora nomeado “Laboratório Isabel Mateus”.
Aproveitamos também este momento, para proceder à assinatura dos protocolos entre o GEAL e os investigadores responsáveis pelos projetos aprovados no âmbito do Programa de Incentivo à Investigação Horácio Mateus.

A atual denominação do laboratório constitui uma forma de homenagem a uma das associadas fundadoras do GEAL e cofundador do Museu e, ainda, uma das impulsionadoras do trabalho científico e laboratorial no Museu da Lourinhã, Isabel Mateus.

O PIIHM tem por objetivo apoiar projetos de investigação e estudos avançados nos domínios das Ciências Naturais e Sociais, nomeadamente Antropologia, Arqueologia, Geologia e/ou Paleontologia e História Local, com incidência no Concelho da Lourinhã. Este ano, foram considerados apenas projetos nos domínios da Geologia e/ou Paleontologia.

A reestruturação do laboratório e o PIIHM tiveram o apoio financeiro da empresa PDL - Parque dos Dinossauros da Lourinhã, no âmbito do protocolo de cooperação celebrado entre a PDL, o Município da Lourinhã e o GEAL, destinado ao desenvolvimento do trabalho científico, no concelho da Lourinhã.

Isabel Mateus no Museu da Lourinhã, em 2014 (Foto: D. Serrette)

quarta-feira, novembro 13, 2019

Novo esqueleto de dinossauro Miragaia dá novas pistas sobre a evolução dos estegossauros e resolve antigos mistérios na paleontologia



Um esqueleto quase completo de dinossauro descoberto há 60 anos na Atouguia da Baleia, concelho de Peniche, resolve dois mistérios sobre dinossauros estegossauros: Miragaia é um género válido, e uma espécie descoberta muito antes na América do Norte é na realidade mais aparentada a espécies europeias.
Francisco Costa e Octávio Mateus, paleontólogos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e colaboradores do Museu da Lourinhã, descreveram na prestigiosa revista científica PLOS ONE um novo espécime, excepcionalmente completo do dinossauro estegossauro Miragaia longicollum, do Jurássico Superior de Atouguia da Baleia em Peniche, Portugal. 
Este espécime recentemente descrito, propriedade do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), é o estegossauro mais completo descoberto na Europa e o dinossauro mais completo descrito de Portugal. Este é revelador quanto a várias partes do corpo de esqueleto da espécie previamente desconhecidos, especialmente da metade traseira do esqueleto, ajudando a resolver muitos dos seus mistérios científicos. 
Este novo esqueleto foi encontrado em 1959 por Georges Zbyszewski, enquanto realizava levantamentos de geocartografia para os Serviços Geológicos de Portugal, e desde então ficou guardado em reserva no LNEG, até que em 2015 Francisco Costa começou a o estudar como o tópico principal de tese de Mestrado em Paleontologia, sob coordenação de Octávio Mateus. Durante este estudo, este esqueleto com 152 milhões de anos foi completamente preparado no LNEG, onde Francisco Costa beneficiou duma bolsa de investigação financiada pelo LNEG para desenvolver este projecto.
Estegossauros são dos dinossauros mais icónicos, melhor conhecidos pelo género Stegosaurus, mas os seus fósseis são dos mais raros mundialmente, fazendo deste grupo um dos mais misteriosos entre dinossauros. "Em Portugal e Espanha, no entanto, a situação é diferente: estegossauros da pequena subfamília Dacentruriane são alguns dos dinossauros mais comuns e com mais distribuição", afirmou Francisco Costa. Esta subfamília foi descoberta na Inglaterra na década de 1870, com parte do esqueleto traseiro dum dinossauro chamado Dacentrurus armatus. Na década de 1990, a metade frontal dum esqueleto foi encontrada na Lourinhã, em Portugal, que levou em 2009 ao baptizmo da nova espécie de estegossauro Miragaia longicollum. Dado que estes, os espécimes de referência de ambas estas espécies, estão apenas parcialmente completos, com material de possível comparação limitado, isto levou os paleontólogos a regularmente discutirem a validade de M. longicollum como espécie e a classificação dos variados dacentrurinos conhecidos na Europa. Dacentrurus era conhecido pelos membros posteriores e cauda, enquanto que Miragaia era conhecido pelo pescoço, cabeça e membros anteriores. As duas espécies não podiam ser comparadas adequadamente até hoje.
Para resolver esta situação, o espécime recentemente descrito, o dacentrurino mais completo conhecido, tem servido de "Pedra de Rosetta" dado que ele inclui tanto esqueleto frontal como traseiro. Este permitiu confirmar que Miragaia longicollum é uma espécie válida e distinta, baseado em 29 características morfológicas distintas.
Este espécime também permitiu uma descoberta adicional inesperada, resolvendo um enigma com mais de um século de idade sobre um dos estegossauros mais misteriosos: Alcovasaurus longispinus do Jurássico Superior do Wyoming (EUA), conhecido pelos seus espinhos caudais excecionalmente longos. Só um espécime foi encontrado, em 1908, que foi destruído por uma inundação na década de 1920, só sobrevivendo algumas ilustrações dos seus ossos fósseis. A posição deste animal na árvore da vida manteve-se um mistério desde então, até que várias características osteológicas partilhadas com o espécime português, principalmente na cauda, revelaram que esta espécie americana é de origem europeia e com parentesco próximo de Miragaia longicollum. Isto permitiu reclassificar a espécie e com a nova combinação Miragaia longispinus, dados os fortes indícios que ela pertence ao género Miragaia. Isto comprova a presença de um novo grupo de dinossauros na América do Norte. 
O estegossauro de Atouguia da Baleia estará em breve exposto em posição de vida no Museu Geológico do LNEG (Lisboa), como resultado dum projecto do LNEG em parte financiado pelo Parque dos Dinossauros da Lourinhã. O estudo deste espécime e de outros estegossauros europeus continuará na investigação de doutoramento por Francisco Costa, sob coordenação de Octávio Mateus. 
"MG 4863 é um adição de valor inestimável ao registo fóssil português, contribuindo largamente para melhor compreender tanto Dacentrurinae como estegossauros num todo, os paleoecossistemas do Jurássico Superior na Europa e trocas através do proto-Oceano Atlântico Norte com a América do Norte", afirma Octávio Mateus, um dos autores que baptizou e primeiro descreveu o dinossauro Miragaia.
Como é um estegossauro dacentrurino? Os estegossauros são dos animais pré-históricos mais icónicos, facilmente reconhecidos entre outros dinossauros herbívoros quadrúpedes pela fileira dupla de placas e espinhos que os adornam desde a pequena cabeça até à ponta da cauda. Estegossauros dacentrurinos são, mesmo entre estegossauros, particularmente enigmáticos e únicos, evidenciando os espécimes de Miragaia pescoços excepcionalmente compridos, espinhos caudais de lâmina dupla com recorde de comprimento, músculos dos braços particularmente vastos e caudas especializadas com grandes espinhos.

O artigo completo pode ser acedido em Open access aqui:
Costa, F. & Mateus, O. (2019). Dacentrurine stegosaurs (Dinosauria): a new specimen of Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal resolves taxonomical validity and shows the occurrence of the clade in North America. PLOS ONE https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0224263

Figura 1. Miragaia MG 4863 de Atouguia da Baleia

Figura 2. Reconstrução esquelética de Miragaia MG 4863, com um homem de 1.8m de altura para escala

Figura 3. Miragaia MG 4863 no início do estudo em setembro de 2015 (esquerda), e em março de 2016 após alguma preparação laboratorial para remoção de sedimento (direita)

Figura 4. Os dois autores do artigo científico, Octávio Mateus (esquerda) e Francisco Costa (direita), trabalhando com o crânio de Miragaia
Figure 5. Francisco Costa a estudar o espécime de referência de Miragaia longicollum no Museu da Lourinhã

Figure 6. Preparação laboratorial de uma vertebra dorsal de Miragaia MG 4863 
Figure 7. Vértebras do pescoço de Miragaia MG 4863, como guardadas em reserva no LNEG no início do estudo 
Figure 8. Vértebras caudais de Miragaia MG 4863

Figure 9. Reconstrução esquelética de Miragaia MG 4863 com alguns dos elementos fósseis mais relevantes


Actualização
Impacto nos meios de comunicação sociais:
https://www.alvorada.pt/novo/index.php/12-sociedade/818-esqueleto-de-dinossauro-de-atouguia-da-baleia-resolve-antigos-misterios-na-paleontologia
https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/dinossauro-descoberto-em-peniche-da-novas-pistas-sobre-os-estegossauros
https://blogs.scientificamerican.com/laelaps/old-stegosaur-alters-history-of-armored-dinosaurs
https://observador.pt/2019/11/14/investigadores-portugueses-revelam-importancia-de-dinossauro-guardado-ha-60-anos-o-mais-completo-estegossauro-da-europa/
https://www.noticiasaominuto.com/pais/1358007/paleontologos-reclassificam-dinossauro-com-base-em-especie-portuguesa
https://observador.pt/2019/11/13/paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa/
https://sicnoticias.pt/mundo/2019-11-13-Paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa
https://www.tsf.pt/portugal/cultura/paleontologos-reclassificam-dinossauro-americano-com-base-em-especie-portuguesa-11511573.html

terça-feira, novembro 05, 2019

Novo edifício da Câmara de Valongo representa uma trilobite

O novo edifício a construir da Câmara de Valongo representa uma trilobite, segundo o conteúdo patrocinado do Jornal de Notícias anunciado ontem, 4 de Novembro de 2019.

É fantástico ver a paleontologia a inspirar a arquitectura e a contribuir para a sociedade desta forma.

Imagem: JN

Livro «À Descoberta dos Fósseis em Portugal»

Há um novo livro sobre fósseis de Portugal, «À Descoberta dos Fósseis em Portugal», escrito por Manuel Lima e edição do próprio.


O livro tem "Breves referências a alguns dos mais interessantes registos fossilíferos encontrados no nosso país  |  A vida durante as Eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica | 542 milhões de anos de Geistória".


Trata-se de uma publicação, com 248 páginas e ilustrada com 440 fotografias a cores, do autores ou copiadas de numerosos sites de Internet, incluindo o blog Lusodinos, organizado por:

  • Alguns conceitos relativos à paleontologia e à geistória
  • A Evolução da Vida
    • Era Paleozóica ou "Era das Trilobites"
    • Era Mesozóica ou "Era dos Répteis"
    • Era Cenozóica ou "Era dos Mamíferos"
    • Museus portuguesescom exposições de fósseis e paleontologia
    • Bibliografia

O autor é licenciado em Educação no Instituto Piaget e professor aposentado do ensino secundário.

Título: À Descoberta dos Fósseis em Portugal
Autor: Manuel Lima
Edição: Manuel Lima
Outubro de 2019. 248 páginas.
1000 exemplares; Dep. Legal nº 460547/19; Sem ISBN



segunda-feira, novembro 04, 2019

Pequeno esqueleto do Jurássico da Lourinhã mostra a evolução da couraça dos crocodilos

Um pequeno antepassado dos crocodilos, com 150 milhões de anos, foi descoberto nas rochas jurássicas da Lourinhã e ajuda a explicar a evolução e origem da couraça óssea que existe na pele destes répteis.

Os paleontólogos Eduardo Puértolas Pascual e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, acabam de anunciar um novo fóssil de crocodilomorfo-anão do Jurássico de Portugal publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society. Este trabalho faz parte do trabalho de investigação científica sobre crocodilomorfos de Portugal, que Eduardo Puértolas tem realizado como parte da investigação de pós doutoramento. Os crocodilomorfos são o grupo de répteis que deu origem aos crocodilos modernos e o fóssil, carinhosamente apelidado "crocodilinho", consiste em parte de um esqueleto em conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes, vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores. Em vida, o animal teria menos de um metro.
O "crocodilinho" foi recuperado na Praia de Peralta (Lourinhã, Portugal), em 1999, por  Leandro Pereira um residente do Concelho da Lourinhã à data. Já em 2014 e por mediação de Ana Luz, sua amiga e voluntária no Museu da Lourinhã, Leandro  doou a peça à coleção paleontológica do Museu da Lourinhã.
O fóssil é composto por vários ossos articulados, parcialmente coberto por matriz rochosa. Para facilitar seu estudo, o espécime foi levado para os laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH, Burgos, Espanha), onde foi submetido a uma micro Tomografia Computorizada (micro TC). Esta tecnologia tem sido amplamente utilizada em paleontologia, há vários anos, e permite a obtenção de imagens de seções do objeto, através de raios-X. As imagens obtidas possibilitaram criar modelos 3D, que permitem observar morfologias externas e internas.




Graças a essa técnica, foi possível estudar todos os ossos, incluindo partes não visíveis, e compará-los com outros crocodilomorfos da época. A presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral), e a presença de osteodermes ventrais poligonais, indicam que, muito provavelmente, o "crocodilinho" é um membro da família já conhecida no Jurássico, os Goniopholididae mas não tendo sido possível determinar a que gênero ou espécie em particular o fóssil pertencia ou se corresponde a uma nova espécie.
Este tipo de crocodilomorfos que podem atingir tamanhos até mais de 5 m de comprimento, no entanto, estimou-se que o “Crocodilinho” medisse menos de um metro de comprimento, daí a sua alcunha. Mas será que as pequenas dimensões deste exemplar significam que se tratava de um juvenil, ou de uma espécie estranhamente pequena? É uma questão para já sem resposta. Para a obter, é necessário determinar a idade do indivíduo e esse é um trabalho ainda em curso.


Informação adicional
O fóssil do “Crocodilinho” (ML 2555) foi descoberto em depósitos de origem continental,  do Jurássico Superior, pertencente à Formação da Lourinhã. Esta unidade geológica aflora um pouco por toda a Região Oeste, sendo conhecida mundialmente pela grande quantidade de fósseis de dinossauro nela encontrados. Esta é sem dúvidas uma das regiões mais ricas do mundo em descobertas de Dinossauros e com uma herança de interesse geológico que remonta a mais de 150 milhões de anos.
A família dos Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram principalmente na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e o Cretácico. Embora sua morfologia geral se assemelhe à dos crocodilos atuais, esta linhagem que se separou de jacarés, crocodilos e gaviais no Jurássico, apresentando consideráveis ​​diferenças anatómicas. Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica. Esta armadura dérmica é formada por osteodermes que possuem principalmente três funções: proteção, absorção de calor e estabilidade. A estabilidade é alcançada pelo que é chamado de "sistema de suporte", consistindo num conjunto de vértebras, osteodermes e músculos que, atuando como um todo, conferem estabilidade ao esqueleto do organismo durante a sua locomoção.
A descoberta deste novo espécime, preservado em conexão anatómica e em 3 dimensões, serviu para testar hipóteses anteriores sobre o “sistema de suporte” desta família de répteis. Um esqueleto deste tipo daria a rigidez e estabilidade necessárias para para a locomoção deste grupo de organismos em terra. No entanto, isso significaria que perdesse alguma da flexibilidade lateral durante a natação.
A idade do indivíduo a que pertenceu este fóssil será determinada por estudos dos tecidos ósseos, que irão decorrer dentro em breve. Só assim será possível saber se exemplar pertenceu a uma espécie anã ou se é realmente um indivíduo juvenil de uma espécie maior.


Referência
Puértolas-Pascual, E; Mateus, O. 2019. A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlz102 


Resumo do artigo em inglês:
We here describe an articulated partial skeleton of a small neosuchian crocodylomorph from the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal). The skeleton corresponds to the posterior region of the trunk and consists of dorsal, ventral and limb osteoderms, dorsal vertebrae, thoracic ribs and part of the left hindlimb. The paravertebral armour is composed of two rows of paired osteoderms with the lateral margins ventrally deflected and an anterior process for a ‘peg and groove’ articulation. We also compare its dermal armour with that of several Jurassic and Cretaceous neosuchian crocodylomorphs, establishing a detailed description of this type of osteoderms.
These features are present in crocodylomorphs with a closed paravertebral armour bracing system. The exceptional 3D conservation of the specimen, and the performance of a micro-CT scan, allowed us to interpret the bracing system of this organism to assess if previous models were accurate. The characters observed in this specimen are congruent with Goniopholididae, a clade of large neosuchians abundant in most semi-aquatic ecosystems from the Jurassic and Early Cretaceous of Laurasia. However, its small size, contrasted with the sizes observed in goniopholidids, left indeterminate whether it could have been a dwarf or juvenile individual. Future histological analyses could shed light on this.

Nos meios de comunicação social:
https://www.publico.pt/2019/11/04/ciencia/noticia/evoluiu-couraca-crocodilos-fossil-lourinha-pistas-1892480
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/estudo-revela-que-couraca-dos-crocodilos-e-diferente-da-dos-seus-antepassados
https://zap.aeiou.pt/couraca-crocodilos-diferente-antepassados-289684
https://torresvedrasweb.pt/pequeno-esqueleto-do-jurassico-da-lourinha-mostra-a-evolucao-da-couraca-dos-crocodilos/

sábado, setembro 28, 2019

iNaturalist, a app que faltava para os naturalistas

iNaturalist é um app e site de internet que estava a fazer falta entre os naturalistas, as pessoas que observam e estudam a natureza, sejam amadores ou profissionais. Ainda não dá para paleontologia mas para todos os que adoram identificar e observar vida selvagem, este site é app agora disponíveis são extraordinários.

iNaturalist, www.inaturalist.org,  é um projecto científico e de ciência cidadã e uma rede social que conecta  naturalistas, cientistas e biólogos com o objetivo de construir e mapear a biodiversidade em todo o globo partilhando observações. As observações podem ser acrescentadas através da página web ou desde uma aplicação móvel. Permite identificar e arquivar todo o tipo de vida selvagem actual.

Em Portugal, estão associados. ao site biodiversity4all.org, que teve apoio da FCT, Fundação para a Ciência e Tecnologia.

A grande vantagem é que cada observação está associado a um excelente identificador de espécies suportado por um poderoso motor de inteligência artificial que depois pode ser validada pela comunidade.





PaleoFall 2019

Está a decorrer a conferência PaleoFall Meeting que começou na Universidade de Évora.


Replicamos aqui a notícia que saiu no Diário Campanário disponível aqui:
https://www.radiocampanario.com/ultimas/regional/novos-horizontes-da-paleontologia-em-debate-na-universidade-de-evora

O Paleo Fall Meeting 2019 está a decorrer até dia 28 de setembro no Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora (UÉ), congresso na área da Paleontologia que conta com uma exposição de fósseis portugueses.
Organizado por alumni do Mestrado em Paleontologia, curso em Associação entre a UÉ e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), o evento pretende chamar a atenção de estudantes, investigadores e potenciais interessados para esta Ciência e promover o diálogo multidisciplinar.
As mais de duas décadas de experiência nos ensinos e na investigação nas áreas da Biologia e da Geologia “levou, em boa hora, a que a Universidade de Évora tomasse a iniciativa de criar o primeiro Mestrado em associação com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa na área da Paleontologia” sublinhou Ana Costa Freitas, Reitora da UÉ.
“E os resultados são evidentes”, considerou ainda a Reitora da UÉ a propósito do Mestrado, referindo, a título, os resultados descritos na dissertação da autoria de Dário Estraviz López, sob orientação do Professor Octávio Mateus, distinguido este ano com o Prémio Carreira Alumni UÉvora. O estudo refere que “dois terços dos mamíferos de grande porte do nosso país e cerca de metade de todos os mamíferos extinguiu-se no último milhão de anos”; que das “77 espécies de mamíferos fósseis em Portugal apenas 41 ainda existem hoje no nosso território” ou que a “biodiversidade actual de mamíferos é apenas uma fracção do que foi há um milhão de anos”.  
Miguel Telles Antunes, paleontólogo, Professor aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa proferiu a conferência inaugural do encontro, que contou, entre outros, com a presença de Ismal de Souza Carvalho, Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que apresentou a Coleção de Macrofósseis dessa Universidade, constituída por um acervo com cerca de 30.000 exemplares, considerado um dos maiores registos documentais fósseis das bacias sedimentares do território brasileiro, que envolve materiais que abrangem o Proterozoico e todo o Fanerozoico.
A exposição de fósseis portugueses está patente ao público na sala 124 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora até ao final do dia de hoje, 27 de setembro.

quarta-feira, setembro 18, 2019

Tese sobre vertebrados fósseis da Gronelândia defendida na Univ. Nova de Lisboa

O (agora) Doutor Marco Marzola defendeu ontem (17.9.2019) a sua tese de Doutoramento em Geologia sobre vertebrados fósseis da Gronelândia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, numa titulação conjunta com a Universidade de Copenhaga.
A tese, aprovada por unanimidade, inclui uma ampla abordagem taxonómica: peixes pulmonados, anfíbios e répteis, e demonstrou um excelente conhecimento de anatomia. A tese é acompanhada por quatro artigos científicos e cinco apresentações em congressos internacionais.


Nesta tese, o candidato nomeou três novas espécies do Triásico da Gronelândia, e duas outras estão em preparação. A tese, mostrou ainda a afinidade europeia das espécies da Gronelândia.

    


Júri:
Fernando Lidon (FCT-UNL)
Josep Fortuny Terricabres (Ins. Catalan Paleontologia)
Stephen Gatesy (Univ. Brown)
Christian J. Bjerrum (Univ. Copenhaga)
Miguel Moreno-Azanza (FCT-UNL)
Octávio Mateus (FCT-UNL)

Título: The Late Triassic vertebrate fauna of the Jameson Land Basin, East Greenland: description, phylogeny, and paleoenvironmental implications

Orientadores: Octávio Mateus e Lars Clemmensen.

Parabéns Doutor Marzola!

sexta-feira, agosto 09, 2019

Dinossauros da Transilvânia

Um dos países da Europa mais interessantes para escavar dinossauros é a Roménia, sobretudo na Transilvânia território que viu nascer o Barão Nopcsa e as famosas lendas do Drácula. A Roménia de hoje é um país em plena mudança, em crescimento económico, em limpeza e melhoramento geral com claro apoio da União Europeia. Faz lembrar Portugal há cerca de vinte anos atrás. As pessoas são muito simpáticas e prestáveis. Além dos romenos, convivem vários grupos étnicos, sobretudo romenos de origem húngara (6.5%), e romenos de etnia cigana (3%).

Percurso pela Roménia



Balaur bondoc, um dos mais espectaculares fósseis da Roménia

Nopcsa

Franz Nopcsa von Felső-Szilvás (1877 - 1933), também conhecido por Barão Nopcsa, foi um paleontólogo da Transilvânia de origem húngara de famílias poderosas. Paleontólogo excepcional, de carácter excêntrico cuja vida daria um filme de espionagem, intriga, drama, guerra e ciência. Figura incontrolável na paleontologia romena.
Em termos paleontológicos e de dinossauros, a Roménia é conhecida pelas descobertas do Barão Franz Nopcsa, cuja vida está sumarizada no livro Rise and Fall of Dinosaurs de Steve Brusatte. Nopcsa debruçou-se sobre os dinossauros de Hațeg de estrutura anã. Ver a sua entrada na Wikipédia.
Barão Nopcsa

Hațeg

A paleo-ilha Hațeg (lê-se Hatseg) no que hoje é parte da Transilvânia, na Roménia, era uma grande ilha no mar de Tétis que existia durante o Cretácico Superior. Fósseis Maastrichtianos de dinossauros de pequeno porte foram encontrados nas rochas da ilha, que foi formada principalmente pela elevação durante a orogenia alpina, causada pela colisão das placas africana e eurasiática.

Logo do Geoparque Hateg

O paleontólogo Franz Nopcsa teorizou que "recursos limitados" encontrados na ilha têm um efeito de "reduzir o tamanho dos animais" ao longo das gerações, produzindo uma forma localizada de nanismo. A teoria de nanismo insular de Nopcsa foi mais tarde demonstrada noutro local com o saurópode Europasaurus holgeri.

Fauna fóssil

Na Transilvânia conhece-se ainda o terópode dromeossauro Balaur com duas garras alteadas e as seguintes espécies ou géneros:
  • Testudinata: Pleurosternon, Kallokibotion bajazidi, Muehlbachia. 
  • Lepidosauria: Beckesius nopcsai, Bicuspidon hatzegiensis, Barbateius vremiri, Madtsoidea
  • Loricata: Musturzabalsuchus, Theriosuchus sympiestodon, Doratodon, Acynodon, Allodaposuchus precedens, Aprosuchus girai
  • Ornithischia: Struthiosaurus transilvanicus, Rhabdodon priscus, Zalmoxes robustus, Telmatosaurus transylvanicus.
  • Mammalia: Barbatodon, Kogaionon ungureanui, Litovoi tholocephalos.
  • Pterosauria: Hatzegopteryx thambema, Eurazhdarcho langendorfensis.
  • Sauropods: Magyarosaurus dacus, Paludititan nalatzensis.
  • Theropoda: Elopteryx nopcsai, "Megalosaurus hungaricus", Balaur bondoc, Bradycneme draculae, Paranychodon, Richardoestesia, Heptasteornis.
  • Amphibia: Albanerpeton, Paralatonia transylvanica, Hatzegobatrachus grigorescui.
  • Actinopterygii: Lepisosteus, Atractosteus, Acipenser.

Cascas de ovos descobertos em Boița.

10 sítios de interesse paleontológico a visitar

1. Hațeg: Centro de interpretação do Geopark Hațeg (Geoparcul Dinozaurilor „Țara Hațegului”). Tem ovos de dinossauros em exposição. É onde trabalham Alexandru Andrășanu (coordenador, www.hateggeoparc.ro) e o casal Dan Horatio Popa e Adina Popa que fizeram a sua formação na Universidade do Minho, em Braga.


Ovos de dinossauro em Hateg
Adina e Dan Horatio Popa


2. Sânpetru. House Dwarf Dinosaurs. Centro de interpretação do Geopark Hațeg. Tem ossos de Zalmoxes e saurópode em exposição.


3. Valea Dinozaurilor. Jazida com Zalmoxes e Hatzegopteryx https://maps.app.goo.gl/M7S4LLzpBRjY682w7


Vale dos dinossauros

4. Boița. Jazida com ovos.
Boița




Boița

5. Rio Barbat (perto de Pui), jazida com ossos de dinossauros e mamíferos GPS:45.510, 23.094



Rio Barbat (perto de Pui).

6. Sălașu de Sus, povoação com uma óptima reconstrução de Magyarosaurus dacus no centro da praça.



Modelo de Magyarosaurus dacus.



7. Deva: Museum of Dacian and Roman Civilisation. www.mcdr.ro. Com numerosos fósseis incluindo Rhabdodon priscus, Zalmoxes robustus, Telmatosaurus transylvanicus. Tem também uma exposição sobre a cultura Romana Dácia, com uma fabulosa forma para fundição de bronze com a alusão a vários animais, incluindo leopardo, leão, rinoceronte, elefante e hipopótamo (https://skfb.ly/6HTuW).








8. Cluj Napoca: a. EME, Transylvanian Museum Society, onde está o holótipo de Balaur bondoc e trabalha o paleontólogo Mátyás Vremir.
b. UBB, Babeș-Bolyai University, Department of Geology-Palaeontology. Onde estão numerosos fósseis incluindo Theriosuchus.

9. Bucareste: a. National Museum of Natural History "Grigore Antipa" é um surpreendente museu com paleontologia, antropologia, anatomia comparada, entomologia e numerosos dioramas com a fauna das várias regiões climáticas. A peça central é o impressionante holótipo do Deinotherium. Tem ainda esqueletos de moa e dodo.
b. Universidade de Bucareste tem o primeiro laboratório de paleontologia do país, com numerosos fósseis, mas sem área expositiva. É onde trabalha o paleontólogo Zoltán Csiki-Sava

Com o paleontólogo Zoltán Csiki-Sava







Holótipo de Deinotherium, Museu Antipa, em Bucareste




Esqueleto de equidna, Bucareste.




Esqueletos de moa e dodo.


10. Râşnov: Dino Park Râşnov, parque semelhante ao DinoParque Lourinhã.


E o Drácula?

Transilvânia é uma região famosa devido à história do Drácula, um romance de ficção gótica publicado em 1897, escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula. Nunca um romance influenciou tanto a visão externa de uma região, de tal forma que as palavras Transilvânia e Drácula são quase indissociáveis. A história é obviamente ficção, mas inspirada na mitologia local e nas lendas de Vlad III, o empalador, o cruel vovoide (príncipe) da Valáquia do século XV, filho de Vlad II da ordem do dragão, em romeno Dracul, e que chegou a assinar como Dracula, no qual Bram Stoker se inspirou para o seu famoso romance, e que, por sua vez, influenciou tantos filmes e histórias da cultura popular. Uma longa lista de filmes coloca Drácula como uma das personagens mais representadas na história do cinema.

A volta pela Roménia não estaria completa sem visitar o castelo do Vlad em Bran, a casa onde nasceu em Sighișoara, e claro, ler o livro Drácula, que agora é de domínio público. A mais antiga versão portuguesa que consegui descobrir é de 1953 segundo a Biblioteca Nacional. Vale a pena ler.

Retrato do cruel Vlad III, o Empalador

Castelo de Bran, onde viveu Vlad



E ainda... um banho em Constanta no Mar Negro, de noite!


Octávio Mateus 20190809

sábado, julho 27, 2019

Pegadas de dinossauros carnívoros gigantes e dispersão entre África e Europa

As pegadas de dinossauros carnívoros mostra que existiam dois gigantes e dispersão entre África e Europa durante o Jurássico Superior


Trilhos e pegadas de dinossauro terópodes do jurássico superior são muito comuns no Norte da África e na Europa. Dois icnotaxa recentemente descritos, Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, do Kimmeridgiano da Suíça mostram a coexistência de dois predadores no mesmo paleoambiente e pegadas semelhantes podem ser encontradas na Península Ibérica e do Marrocos.

No artigo Late Jurassic globetrotters compared: A closer look at large and giant theropod tracks of North Africa and Europe publicado no Journal of African Earth Sciences foram exploradas ainda mais as semelhanças entre os ichnotaxa suíços e as outros trilhos da Alemanha (Kimmeridgiano), Espanha (Titoniano-Berriasiano), Marrocos (Kimmeridgiano) e Portugal (Oxfordiano-Titoniano) através de novas comparações de dados tridimensionais. Este artigo liderado por Matteo Belvedere e que contou com a participação de paleontólogos da Suíça, Espanha e Portugal: Diego Castanera, Christian A.Meyer, Daniel Marty, Octávio Mateus, Bruno Camilo Silva, Vanda F. Santos, e Alberto Cobos. A icnologia digital permitiu a comparação 3D de trilhos de diferentes caminhos e paleoambientes e as revisões icnotaxonómicas beneficiam com a icnologia digital. Os espécimes foram agrupados em dois morfotipos: 1) grande e grácil (30 <Comprimento do Pé <50cm) e 2) gigante e robusto (FL> 50cm).

As análises mostram uma grande sobreposição morfológica entre estes dois morfotipos e os icnotaxa suíços (Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, respectivamente), mesmo com diferenças no ambiente sedimentar e na idade. Ou seja, as análises mostram que havia dois tipos de predadores de topo nesses paleoambientes. Isto sugere uma ocorrência generalizada de icnotaxa semelhante ao longo da margem ocidental de Tétis durante o Jurássico Superior. Os novos dados suportam a hipótese de uma troca de fauna Gondwana-Laurásia durante o Jurássico Médio ou início do Jurássico, e a presença de rotas migratórias ao redor do Tétis. A dispersão de fauna entre o Gondwana e a Laurásia são prováveis, mas as rotas não são evidentes.

As pegadas Jurabrontes curtedulensis são possivelmente feitas pelo terópode Torvosaurus gurneyi.


domingo, julho 21, 2019

A vida de Charles Darwin em Banda Desenhada


A vida de Charles Darwin (1809- 1882) é agora retratada numa banda desenhada em dois volumes de óptima qualidade e que recomendamos. Os autores são o explorador suíço Christian Clot, da Societé des Explorateurs Français e o ilustrador italiano Fabio Bono. A editora é a Gradiva. O primeiro volume, lançado em Janeiro de 2019, aborda as viagens no Beagle enquanto que o segundo volume aborda os dilemas de Darwin, as reacções ao livro e o confronto com o capitão Fitzroy, tendo sido publicado em Maio de 2019. 







Darwin. 1. A Bordo do Beagle
Edição Janeiro 2019
Colecção Fora de Colecção
ISBN 978-989-616-869-8
Páginas 60
Capa Capa dura
Dimensões 23,4x31

Darwin (vol. 2). A Origem das Espécies
Edição Maio 2019
ISBN 978-989-616-899-5
Páginas 56
€14,85 cada um