sexta-feira, maio 24, 2019

Dois terços dos grandes mamíferos de Portugal extinguiram-se no último milhão de anos




O declínio dos mamíferos no planeta já era conhecido mas um novo estudo da Universidade Nova de Lisboa mostra os números avassaladores em Portugal: quase metade dos mamíferos extinguiram-se e o número chega a dois terços para mamíferos de grande porte.
A biodiversidade actual de mamíferos, é apenas uma fracção do que foi há um milhão de anos atrás. Das 77 espécies de mamíferos fósseis em Portugal apenas 41 (54%) ainda existem hoje no território, tendo 19 espécies desaparecido localmente, como a hiena e 11 extinguiram-se totalmente, como o elefante-antigo, Palaeoloxodon antiquus.
Este é o resultado de um censo e revisão do conhecimento científico sobre os mamíferos fósseis de Portugal que saiu da tese de mestrado em paleontologia na Universidade Nova de Lisboa de Darío Estraviz López que defendeu ontem a sua tese com 19 valores. O registo fóssil dos mamíferos de Portugal é excelente! Muito completo e informativo, sobretudo devido à presença de fósseis em grutas.
Há menos de um milhão de anos existiam espécies ancestrais de  rinocerontes, elefantes, hipopótamos e leopardos em Portugal, todas extintas hoje. Este padrão de extinção dos mamíferos é semelhante ao resto da Europa e um milhão de anos é muito rápido em termos geológicos. Esta extinção coincide com a proliferação de humanos. E embora a causa não seja provada, um fémur de elefante-antigo, presente no Museu Geológico, em Lisboa, mostra a prova do crime: uma marca de um utensílio de pedra, que mostra que, neste caso, a causa da morte daquele elefante em particular é a caça por humanos.
Mediante uma extensiva análise bibliográfica, que compilou 212 trabalhos científicos de 33 jazidas em Portugal continental, que permitiram catalogar fósseis de 174 espécies de répteis, anfíbios, aves e mamíferos terrestres. Estas são algumas das principais conclusões da 25ª tese de Mestrado em Paleontologia, que resulta de uma parceria entre a Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora.

https://sites.fct.unl.pt/paleontology/announcements/dois-tercos-dos-grandes-mamiferos-de-portugal-extinguiram-se-no-ultimo-mi

Idade do gelo por Mauricio Antón (CC SA)

Darío Estraviz e Octávio Mateus no Museu da Lourinhã (public domain)


Tese: Darío Estraviz López "Quaternary fossil vertebrates from continental Portugal: Paleobiodiversity, revision of specimens and new localities". Tese de Mestrado em Paleontologia da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora, defendida a 13 de maio de 2019


Oceanotitan, o novo saurópode da Lourinhã

Seja bem vindo o novo dinossauro saurópode de Portugal, Oceanotitan dantasi, descoberto em Valmitão, na Lourinhã. Replicamos aqui o artigo do Jornal Público sobre este achado.


Novo dinossauro português era um gigante à beira-mar

Nome de novo saurópode remete para o local na costa atlântica onde se encontraram os seus ossos, mas também para a cantora islandesa Björk e o paleontólogo português Pedro Dantas. Apresentemos o Oceanotitan dantasi.

Camarasaurus
Foto
Ilustração do dinossauro Oceanotitan dantasi CARLOS DE MIGUEL CHAVES
Acabámos de saber que o Jurássico Superior português era habitado há cerca de 150 milhões de anos por mais um dinossauro gigante, que tinha como casa a Bacia Lusitaniana​ – uma zona jurássica de águas pouco profundas na faixa Oeste da Península Ibérica, entre o (agora) norte de Aveiro e a península de Setúbal. O dinossauro agora identificado como novo para a ciência por uma equipa luso-espanhola pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros que se distinguem pelas caudas e pelos pescoços muito compridos.
Mas os ossos do Oceanotitan dantasi já foram descobertos há mais de 20 anos, em 1996, nas rochas que afloram na Praia de Valmitão, na vila de Ribamar, concelho da Lourinhã. E quem os descobriu foi José Joaquim dos Santos, um carpinteiro e paleontólogo amador que já encontrou muitos fósseis na região Oeste do país, conhecida pela sua riqueza em fósseis de dinossauro do Jurássico Superior, segundo se explica num comunicado sobre o trabalho.Trata-se não só de uma espécie nova para a ciência, como igualmente de um género novo, segundo o artigo em que é descrito na revista Journal of Vertebrate Paleontology. Eis o Oceanotitan dantasi, o nome científico atribuído ao dinossauro pelos paleontólogos Pedro Mocho (do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras), Rafael Royo-Torres (do Dinópolis – Museu Aragonês de Paleontologia, em Espanha) e Francisco Ortega (do Grupo de Biologia Evolutiva da Faculdade de Ciências da Universidade Nacional de Educação à Distância, em Espanha).
Ao longo de mais de 30 anos, José Joaquim dos Santos foi reunindo uma enorme colecção paleontológica composta por milhares de exemplares de fósseis de vertebrados e invertebrados e que estão depositados na colecção paleontológica da Sociedade de História Natural, em Torres Vedras. “O acervo existente representa agora uma das maiores colecções de vertebrados fósseis do mesozóico português [era geológica ocorrida há 251 milhões a 65 milhões de anos]”, sublinha o comunicado.
PÚBLICO -
Foto
Esqueleto do Oceanotitan dantasi (a vermelho, os ossos encontrados) com a cantora Björk a servir de escala
Ainda que o novo dinossauro seja um saurópode, ele não era tão grande como muitos dos seus congéneres, que podiam atingir dimensões colossais. “Teria aproximadamente dez a 13 metros de comprimento. Era um saurópode de médio tamanho, relativamente mais pequeno do que outras espécies de saurópodes já conhecidas no Jurássico Superior de Portugal, como o Lourinhasaurus, o Lusotitan e o Dinheirosaurus”, diz-nos o paleontólogo Pedro Mocho.

Um museu na Praia de Santa Cruz

Oceanotitan dantasi habitou a Bacia Lusitaniana há 145 a 150 milhões de anos, no Jurássico Superior. Esta bacia formou-se há aproximadamente 150 milhões de anos, quando as massas continentais da Europa e da América do Norte começaram a afastar-se e, no meio, ia nascendo o Atlântico Norte. A Bacia Lusitaniana surgiu então na faixa Oeste da Península Ibérica, numa zona compreendida entre o norte de Aveiro até à península de Setúbal. Eram águas pouco profundas, um ambiente também pantanoso, fluvial e lagunar. Era um ecossistema subtropical, com vegetação exuberante. Havia coníferas, cicas, fetos. “A zona da Lourinhã e de Torres Vedras estava emersa. Tínhamos vegetação, um rio, uma planície, onde o dinossauro podia viver e caminhar. O dinossauro viveu num ambiente terrestre fluvial”, explica Pedro Mocho.
Ora os vestígios desses tempos da Bacia Lusitaniana chegam-nos hoje através de fósseis. O Oceanotitan, que fico aí preservado, significa precisamente, “gigante dos oceanos”.
“Além de fazer alusão ao facto de este exemplar ter sido encontrado em plena costa atlântica, [o nome genérico] pretende ainda fazer uma referência à cantora islandesa Björk e à sua música Oceania que inspirou os autores na atribuição de este nome”, explica o comunicado.
“O [nome] específico dantasi é uma homenagem ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90, então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa e envolvido na escavação de dinossauros como o Dinheirosaurus lourinhanensis.” Hoje, Pedro Dantas é professor numa escola secundária no concelho da Lourinhã, além de colaborar com a Sociedade de História Natural de Torres Vedras.
PÚBLICO -
Foto
Os paleontólogos Pedro Mocho (à esquerda) e Francisco Ortega
Para a equipa que descreve o novo dinossauro, o Oceanotitan dantasi confirma a grande diversidade de saurópodes no Jurássico Superior de Portugal, “rivalizando com a diversidade já reconhecida nas faunas do Jurássico Superior da América do Norte e de África”.
A Sociedade de História Natural de Torres Vedras tem um projecto, em colaboração com a câmara municipal, para abrir um museu paleontológico na Praia de Santa Cruz. Para já, o núcleo provisório deste futuro museu tem a abertura prevista para o Verão. Além de dinossauros, poderão ver-se aí expostos muitos outros fósseis de animais que habitaram a faixa costeira entre Aveiro e o Cabo Espichel. Vamos poder cruzar-nos lá com o Oceanotitan dantasi.

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sexta-feira, maio 10, 2019

Caracteristicas chave dos dinossauros

O que é um dinossauro? É um animal do grupo dos Dinosauria Owen, 1842. Por definição é o último ancestral comum do Triceratops horridus, do Passer domesticus, do Diplodocus carnegii e de todos os seus descendentes (Baron et al, 2017).

Já as características anatómicas que os distinguem dos outros répteis são:

  1. Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal; 
  2. Epipófises presentes; 
  3. Rádio menor que 80% do comprimento do úmero; 
  4. Dígito manual semi-oposição I; 
  5. Dígitos manuais reduzidos IV & V; 
  6. Acetábulo aberto (perfurado).


Características distintivas dos dinossauros.



E estas são as características chave os principais grupos de dinossauros:



Clado
Características chave
Archosauria
Pescoço com curva em forma de S; Tíbias e metatarsos longos;
Fenestra antorbital e mandibular;
Dinosauria
Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal;
Epipófises presentes; Rádio menor que 80% do comprimento do úmero;
Dígito manual semioposição I;
Dígitos manuais reduzidos IV & V; Acetábulo aberto (perfurado)
Ornithischia
Pelvis opistopúbica; Osso predental; Osso palpebral;
Fenestras antorbitais reduzidas ou mesmo fechadas;
Articulações da mandíbula abaixo do nível dos dentes;
Dentes largos em forma de folha com grandes dentículos; 5 ou mais vértebras sacras
Thyreophora
Osteodermes parasagitais com quilha na face dorsal do tronco
Stegosauria
Espigões na cauda e osteoderme axiais como placas largas
Dacentrurinae
Pescoço longo; Placas em pares; Costelas e vértebras cervicais fundidas
Ankylosauria
Membros curtos; Osteodermos abundantes, inclusive no crânio e na mandíbula;
Suturas cranianas obliteradas e anquilosadas
Neornithischia
Camada mais espessa de esmalte assimétrico no interior dos dentes inferiores
Ornithopoda
Púbis longo que se estende além do ílio; Bico córneo; Sem fenestra mandibular
Iguanodontia
Sem dentes pré-maxilares; Coroas dentárias Losangulares; 6 ou mais vértebras sacrais
Ankylopollexia
Polegar suporta espigão cónico
Saurischia
Articulações adicionais (hyposfeno-hipantro) nas vértebras dorsais
Sauropodomorpha
Aumento do tamanho corporal; Diminuição do tamanho do crânio; Pescoço longo
Sauropoda
Narina na superfície dorsal do crânio; Vértebras pré-sacrais com extensos pleurocoels;
12 ou mais cervicais; Redução no número de falanges da mão;
Manus apenas com garra (falange ungeal) no digito I
Eusauropoda
Pescoço alongado: cervicalização da vértebra dorsal e a adição de duas vértebras cervicais
Neosauropoda
Fenestra pré-antorbital; dentes sem dentículos; dois ou menos carpais;
extremidade tibial subcircular; Dentes na frente do focinho;
Narinas colocados dorsalmente; Metacarpo colunar
Diplodocidae
Cauda longa e em chicote; Narina retraída que se uniram acima da órbita;
Crânios longos; Membros anteriores curtos
Macronaria

Narinas grandes; Corpo distais isquiais quase coplanares.
Titanosauriformes
Facetas de desgaste dentário acentuadamente inclinadas em relação ao eixo labio-lingual;
Costelas dorsais anteriores, largas e tabulares;
Vértebras dorsais com lâmina centroparapofisárias posterior
Ornithoscelida
Forame pré-maxilar anterior; Diastema; Crista aguçada na maxila;
Jugal excluído da fenestra antorbital; Quadrado orientado anteroventralmente;
Processos paroccipitais alongados; Forâme na superfície lateral do dentário;
Trocânter anterior expandido e parcialmente separado da diáfise femoral
Theropoda
Mandíbula cinética e flexível; 5 ou mais vértebras sacras; mão:
Dígito V ausente (mão de 4 dedos); Falanges do dígito V do pé ausente;
Pé: Dígito I reduzido e sem contato com a articulação do tornozelo; Clavículas fundidas
Neotheropoda
Fenestra no lacrimal; Dentes pré-maxilares simétricos; Parte anterior expandida do ílio;
Número reduzido de dentes maxilares
Ceratosauria
Púbis e ísquios fundidos ao ílio em adultos
Tetanurae
Dentes posteriores em posição anterior (antes do lacrimal)
Megalosauroidea
Presença de pós-orbital: Processo jugal em forma de U
Coelurosauria
Carpal hemi-circular; Mãos longas e esguias; Protopenas; Esterno ósseo sólido
Maniraptora
Cauda rígida distalmente;
Membros anteriores pelo menos ¾ comprimento da coluna vertebral pré-sacral;
Parte frontal da expansão púbica ausente; comportamento de chocar;
Longas penas nos braços
Aves
Vôo activo; Membro anterior mais longo do que o membro posterior

Baron, Matthew G.; Norman, David B.; Barrett, Paul M. (22 March 2017). "A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution". Nature. 543 (7646): 501–506. Bibcode:2017Natur.543..501B. doi:10.1038/nature21700
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domingo, janeiro 20, 2019

NovaPaleo: novo espaço de investigação paleontológica na Lourinhã


Município da Lourinhã, GEAL - Museu da Lourinhã e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa criam espaço de investigação paleontológica na Lourinhã

O Município da Lourinhã, o GEAL - Museu da Lourinhã e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT - UNL) assinam no dia 21 de janeiro, segunda-feira, um protocolo de cooperação tendo em vista a criação de um espaço de trabalho para promover o desenvolvimento da investigação científica no domínio da paleontologia.

O documento é assinado no Salão Nobre dos Paços do Município, às 12H00, e tem ainda inscrito como objetivos: a valorização e divulgação do património paleontológico da Lourinhã e o apoio na formação de estudantes e jovens investigadores.
Este espaço, designado NovaPaleo, vai ser disponibilizado pelo Município e ficar localizado no 1.º piso do Mercado Municipal da Lourinhã.  O NovaPaleo destina-se à realização de trabalhos de investigação científica paleontológica sobre os materiais paleontológicos do GEAL e da FCT - UNL, bem como de outras possíveis instituições, permitindo assim o estudo comparativo entre matéria oriunda do nosso concelho e de outros pontos do Mundo.

Deste modo, o Município da Lourinhã pretende desenvolver as bases para continuar a receber alunos de paleontologia, garantindo que no território reconhecido por ter um espólio único de fósseis do jurássico, se continue a fazer ciência de excelência.

Fonte: http://www.cm-lourinha.pt/Municipio-da-Lourinha-GEAL-e-Universidade-Nova-criam-espaco-de-investigacao-paleontologica-na-Lourinha

terça-feira, novembro 20, 2018

Alexandre Guillaume e os microvertebrados do Jurássico de Portugal

O estudante Alexandre Guillaume, agora mestre, defendeu sua tese de mestrado em paleontologia no dia 20 de novembro. A sua tese foi de microfósseis de vertebrados do Jurássico Superior da Lourinhã, em resultado de uma pesquisa realizada na Universidade Nova de Lisboa e no Museu da Lourinhã.

O candidato passou com sucesso com a classificação de 19 valores.

Candidato: Alexandre Renaud Daniel Guillaume
Título: ""Microvertebrates of the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal)""
Júri: Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, FCT Nova, Hugues Alexandre Blain, (arguente) Investigador do Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social, Espanha, e Miguel Moreno-Azanza, FCT NOVA
Orientador: Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus (FCT NOVA)
Data: 20 de novembro de 2018

Alexandre Guillaume defendendo a sua dissertação (foto: F. Rotatori)

Mestre André Saleiro e os dinossauros do Wyoming

O estudante André Saleiro, agora mestre, defendeu a sua tese de mestrado em paleontologia, no passado dia 5 de novembro. A sua tese versou sobre as campanhas que têm decorrido no Wyoming (Estados Unidos), para a recolha de materiais fósseis de dinossauros.
Estas expedições foram uma colaboração entre o American Museum of Natural History (Nova Iorque, E. U. A.) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, sendo que algum do material então recolhido foi preparado no Museu da Lourinhã.

A tese teve como título “Upper Jurassic Dinosaur Bonebeds at Ten Sleep, Wyoming: Stratigraphy, preliminary results and field reports of 2016 and 2017”, tendo o agora mestre obtido a classificação de 18 valores.

O júri contou com a presença de Mark Norell (AMNH), Paulo Legoinha (FCT NOVA) e Octávio Mateus (FCT NOVA e orientador).

Parabéns Mestre André!

terça-feira, outubro 30, 2018

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Mark Norell

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Prof. Mark Norell (American Museum of Natural History) dia 5 de Novembro de 2018, segunda-feira, pelas 10:30, no Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia , Universidade Nova de Lisboa, Caparica GPS: 38.6626 ,-9.2054.

Apareça!



Palestra enquadrada nas actividades do Mestrado em Paleontologia da FCT-UNL + UÉvora. Organização: Departamento de Ciências da Terra FCT-UNL


quarta-feira, outubro 17, 2018

Dacentrurinos em Portugal e América do Norte

Miragaia longicollum Mateus et al., 2009 (Jurássico Superior de Portugal) é uma espécie de estegossauro baseado num espécime constituído essencialmente pela parte anterior do esqueleto. Alcovasaurus longispinus Galton e Carpenter, 2016 (Jurássico Superior de Wyoming, EUA) foi definido com base num espécime de estegossauro descrito pela primeira vez em 1914 - mas apenas o fémur, espinhos e as últimas vértebras caudais foram descritos antes de ser destruído numa inundação nos anos 1920s. Na última análise filogenética de Stegosauria, A. longispinus foi encontrado fora de Eurypoda, devido à falta de características conhecidas compartilhadas com outras espécies de estegossauros. Um novo espécime (MG 4863) de Atouguia da Baleia (Portugal), com esqueleto anterior e posterior representativo, foi classificado como M. longicollum, e distingue-se do seu táxon irmão, Dacentrurus armatus Owen, 1875.

Novos dados mostram que o dinossauro Alcovasaurus longispinus é um estegossauro dacentrurino e contribui para a identificação deste grupo.

Miragaia longicollum, illustrado por Eloy Manzanero 

As comparações revelaram quatro características apenas compartilhadas por M. longicollum e A. longispinus (processos transversos presentes em todas as vértebras caudais, corpo vertebral médio e posterior com contorno em forma de maçã, arco neural das vértebras caudais médias e posteriores um terço ou menos da altura e largura do centro, ossificação lateral da borda posterior do centro caudal posterior), sugerindo congenericidade.
Outros três caracteres (centro caudal médio e posterior mais largo que alto, mais alto que longo, com face laterais profundamente côncavas) foram compartilhados por ambos taxa e por D. armatus, portanto, poderiam ser diagnósticos de Dacentrurinae. Estes resultados sugerem que A. longispinus é um estegossauro dacentrurino, resolvendo sua localização filogenética, e é a primeira evidência de Dacentrurinae na América.

Este trabalho foi resultado da tese de Mestrado em Paleontologia de Francisco Costa, sobre o dinossauro Miragaia longicollum e apresentado na XVI Reunião Anual da Associação Europeia de Paleontologistas de Vertebrados, que decorreu na Caparica em Julho passado.


Costa, F., & Mateus O. (2018).  Alcovasaurus longispinus as a dacentrurine stegosaur (Dinosauria) and contributions to the diagnosis of Dacentrurinae. Abstract book of the XVI Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists, Caparica, Portugal. Page 50. June 26th-July 1st, 2018.
Com PDF 

A geologia do Geoparque Oeste - Terras do Jurássico


Desde 2016 que o Museu da Lourinhã e o Fórum Português dos Geoparques da UNESCO têm cooperado e debatido em conjunto, num esforço que culminou na assinatura, em 15 de março de 2018, de um acordo por cinco municípios de Portugal, para a candidatura conjunta ao Geopark UNESCO, como Aspiring Geopark Oeste - Jurassic Land e com a criação da Associação AGEO - Associação Geoparque Oeste.
Estes municípios, Óbidos, Peniche, Bombarral, Lourinhã e Torres Vedras, que compõem o Aspirante Geopark Oeste compreendem uma área de 680 km2 ocupada principalmente por afloramentos Jurássicos (67%), 21% do Cretácico Inferior e 12% de outras unidades do Triásico Superior a Quaternário, num total de 20 unidades ou formações geológicas, muitas delas com nomes após as localidades do Oeste, como a Formação Lourinhã, a Unidade Bombarral ou o Grupo Torres Vedras. Os 61 km de costa atlântica, muitas vezes com praias de areia, são um destino popular para turistas e as extensas e espectaculares exposições geológicas ao longo das arribas, muitas com fósseis de dinossauros que atraem cientistas e o turismo científico de todo o mundo.

A riqueza e diversidade do Aspiring Geopark Oeste pode ser percebida por dez factos e dados geológicos:

  1. mais de 40 geossítios identificados, 
  2. um GSSP (prego dourado), na base do Toarciano, da Ponta do Trovão
  3. mais de 200 sítios fósseis ( vertebrados e invertebrados), 41 deles em bancos de dados internacionais, 
  4. 38 teses de doutoramento sobre a geologia da área, maioritariamente em paleontologia, 
  5. 35 espécies de fósseis com nomes dedicados às localidades do Oeste, como o dinossauro terópode Lourinhanosaurus dedicado à Lourinhã, ou o crinóide “Pentacrinus” penichensis dedicado a Peniche, 
  6. mais de 200 artigos científicos já publicados, inclusive em revistas de alto perfil,
  7. dois museus compreendendo uma significativa componente de exposição em Paleontologia, e pelo menos mais dois espaços estão a ser preparados, 
  8. 15 espécies de dinossauros únicas no mundo, como Lusotitan ou Miragaia
  9. oito mapas geológicos de grande qualidade na escala 1: 50000; e 
  10. uma das localidades jurássicas mais relevantes do globo, com registo estratigráfico fossilífero quase contínuo de afloramentos que compreende todo o Jurássico, e que vão desde o Triásico Superior ao Cretácico Inferior. 



Estes números ilustram bem a importância geológica internacional e o potencial científico do território aspirante a Geopark. A área é muito turística e é o lar de 158 mil habitantes que podem beneficiar da estratégia de sustentabilidade do Geopark.

Esta foi a mensagem e resumo levado ao congresso da 8ª Conferência Internacional sobre Geoparques Globais da UNESCO, nos dias 8 a 14 de setembro de 2018 em Adamello Brenta Geopark, Trentino, Itália. A comunicação foi feita por Bruno Pereira.

Referência:
Mateus, O., Pereira B., Rocha R., & Kullberg J. C. (2018).  Aspiring Geopark Oeste in Portugal: scientific highlights and importance. 8th International Conference on UNESCO Global Geoparks. , 8-14 Sept., Adamello Brenta Geopark, Trentino