segunda-feira, junho 17, 2019

Lista de dinossauros de Portugal

Lista de dinossauros de Portugal


Ornithischia
Trimucrodon cuneatus Thulborn, 1973
Taveirosaurus costai Antunes & Sigogneau-Russell, 1991
Miragaia longicollum Mateus et al., 2009
?Dacentrurus armatus Owen, 1875
Stegosaurus sp.
Dracopelta zbyszewskii Galton, 1980
Lusitanosaurus liasicus Lapparent & Zbyszewski, 1957
Alocodon kuehnei Thulborn, 1973
Phyllodon henkeli Thulborn, 1973
Eousdryosaurus nanohallucis Escaso et al., 2014
Draconyx loureiroi Mateus & Antunes, 2001
cf. Iguanodon sp.

Sauropoda
Zby atlanticus Mateus et al., 2014
Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte & Mateus, 1999
Lourinhasaurus alenquerensis (Lapparent & Zbyszewski, 1957)
Lusotitan atalaiensis (Lapparent & Zbyszewski, 1957)
Oceanotitan dantasi Mocho et al. 2019

Theropoda
Abelisauridae ind.
Ceratosaurus nasicornis Marsh, 1884
Torvosaurus gurneyi Hendrickx and Mateus, 2014
Baryonyx walkeri Charig & Milner, 1986
Carcharodontosauria indet.
Allosaurus europaeus Mateus et al., 2006
?Allosaurus fragilis Marsh, 1877
Lourinhanosaurus antunesi Mateus, 1997
Aviatyrannis jurassica Rauhut, 2003
cf. Compsognathus sp.
cf. Paronychodon sp.
cf. Dromaeosaurus sp.
Richardostesia cf. gilmorei Currie, 1990
Euronychodon portucalensis Antunes & Sigogneau-Russell, 1991

Parada dos dinossauros terópodes (por Pedro Andrade).

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Quantos dinossauros existiram?

Quantos dinossauros existiram? Parece uma pergunta simples mas a resposta é bem mais complicada. Já foram reconhecidas cerca de 1500 espécies de dinossauros mesozoicos e actualmente existem cerca de 10.000 espécies de aves, que são dinossauros. Portanto podemos afirmar, com toda a segurança que existem e existiram pelo menos 11.500 espécies de dinossauros, entre os actuais e extintos.

Filogenia dos dinossauros. Ilustração por Gabriel Ugueto.
Mas o registo fóssil é muito incompleto e de certeza que existiram dinossauros que não ainda identificámos e muitos que nunca iremos conhecer.

Num artigo publicado em 2016, o número estimado de espécies de dinossauros mesozoicos foi estimado em 1 543 a 2 468, o que parece um número ridiculamente baixo.

Os nossos dados apontam que o registo de tetrápodes fósseis quaternários (excluindo o registo de grutas) em Portugal representam apenas cerca de 10% da fauna actual. O registo fóssil no Mesozoico nunca será melhor ao do quaternário devido ao tempo que passou e seus efeitos da diagénese, tafononia e disponibilidade de afloramentos.
Se considerarmos que as 1500 espécies conhecidas de dinossauros representam 10% do registo fóssil, temos uma estimativa de mais de 15.000 espécies de dinossauros que terão existido durante o mesozoico.
É interessante, mas mesmo assim parece pouco.





Portugal é o 16º país com mais cientistas por habitante

Portugal tem 3799 investigadores por cada milhão de habitantes, o que o faz o 16º país com mais investigadores por habitante, à frente de países como a Alemanha, China, França, Holanda e Espanha. Em primeiro lugar estão a Finlândia, Islândia, Singapura, Dinamarca e Japão.


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PosiçãoPaísInvestigadores por milhão de habitantes
1Finland7707
2Iceland7315
3Singapore6088
4Denmark5670
5Japan5573
6Norway5468
7Sweden5239
8Luxembourg4748
9United States of America4663
10Republic of Korea4627
11New Zealand4365
12UK4269
13Canada4260
14Australia4224
15Austria4123
16Portugal3799
17Germany3532
18France3496
19Slovenia3490
20Switzerland3436
21Belgium3435
22Russian Federation3191
23Ireland3090
24Netherlands3089
25Jordan3030
26Estonia2966
27Spain2944
28Czech Republic2886
29China2650
30Lithuania2547

Fonte: http://data.uis.unesco.org/Index.aspx?DataSetCode=SCN_DS&lang=en  + http://chartsbin.com/view/1124?fbclid=IwAR1KnVsgAN5YKP72f4sAWovLEcZQIdeilaiFShrhjKcH5L5gpwb69orol3E

sexta-feira, maio 24, 2019

Dois terços dos grandes mamíferos de Portugal extinguiram-se no último milhão de anos




O declínio dos mamíferos no planeta já era conhecido mas um novo estudo da Universidade Nova de Lisboa mostra os números avassaladores em Portugal: quase metade dos mamíferos extinguiram-se e o número chega a dois terços para mamíferos de grande porte.
A biodiversidade actual de mamíferos, é apenas uma fracção do que foi há um milhão de anos atrás. Das 77 espécies de mamíferos fósseis em Portugal apenas 41 (54%) ainda existem hoje no território, tendo 19 espécies desaparecido localmente, como a hiena e 11 extinguiram-se totalmente, como o elefante-antigo, Palaeoloxodon antiquus.
Este é o resultado de um censo e revisão do conhecimento científico sobre os mamíferos fósseis de Portugal que saiu da tese de mestrado em paleontologia na Universidade Nova de Lisboa de Darío Estraviz López que defendeu ontem a sua tese com 19 valores. O registo fóssil dos mamíferos de Portugal é excelente! Muito completo e informativo, sobretudo devido à presença de fósseis em grutas.
Há menos de um milhão de anos existiam espécies ancestrais de  rinocerontes, elefantes, hipopótamos e leopardos em Portugal, todas extintas hoje. Este padrão de extinção dos mamíferos é semelhante ao resto da Europa e um milhão de anos é muito rápido em termos geológicos. Esta extinção coincide com a proliferação de humanos. E embora a causa não seja provada, um fémur de elefante-antigo, presente no Museu Geológico, em Lisboa, mostra a prova do crime: uma marca de um utensílio de pedra, que mostra que, neste caso, a causa da morte daquele elefante em particular é a caça por humanos.
Mediante uma extensiva análise bibliográfica, que compilou 212 trabalhos científicos de 33 jazidas em Portugal continental, que permitiram catalogar fósseis de 174 espécies de répteis, anfíbios, aves e mamíferos terrestres. Estas são algumas das principais conclusões da 25ª tese de Mestrado em Paleontologia, que resulta de uma parceria entre a Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora.

https://sites.fct.unl.pt/paleontology/announcements/dois-tercos-dos-grandes-mamiferos-de-portugal-extinguiram-se-no-ultimo-mi

Idade do gelo por Mauricio Antón (CC SA)

Darío Estraviz e Octávio Mateus no Museu da Lourinhã (public domain)


Tese: Darío Estraviz López "Quaternary fossil vertebrates from continental Portugal: Paleobiodiversity, revision of specimens and new localities". Tese de Mestrado em Paleontologia da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora, defendida a 13 de maio de 2019


Oceanotitan, o novo saurópode da Lourinhã

Seja bem vindo o novo dinossauro saurópode de Portugal, Oceanotitan dantasi, descoberto em Valmitão, na Lourinhã. Replicamos aqui o artigo do Jornal Público sobre este achado.


Novo dinossauro português era um gigante à beira-mar

Nome de novo saurópode remete para o local na costa atlântica onde se encontraram os seus ossos, mas também para a cantora islandesa Björk e o paleontólogo português Pedro Dantas. Apresentemos o Oceanotitan dantasi.

Camarasaurus
Foto
Ilustração do dinossauro Oceanotitan dantasi CARLOS DE MIGUEL CHAVES
Acabámos de saber que o Jurássico Superior português era habitado há cerca de 150 milhões de anos por mais um dinossauro gigante, que tinha como casa a Bacia Lusitaniana​ – uma zona jurássica de águas pouco profundas na faixa Oeste da Península Ibérica, entre o (agora) norte de Aveiro e a península de Setúbal. O dinossauro agora identificado como novo para a ciência por uma equipa luso-espanhola pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros que se distinguem pelas caudas e pelos pescoços muito compridos.
Mas os ossos do Oceanotitan dantasi já foram descobertos há mais de 20 anos, em 1996, nas rochas que afloram na Praia de Valmitão, na vila de Ribamar, concelho da Lourinhã. E quem os descobriu foi José Joaquim dos Santos, um carpinteiro e paleontólogo amador que já encontrou muitos fósseis na região Oeste do país, conhecida pela sua riqueza em fósseis de dinossauro do Jurássico Superior, segundo se explica num comunicado sobre o trabalho.Trata-se não só de uma espécie nova para a ciência, como igualmente de um género novo, segundo o artigo em que é descrito na revista Journal of Vertebrate Paleontology. Eis o Oceanotitan dantasi, o nome científico atribuído ao dinossauro pelos paleontólogos Pedro Mocho (do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras), Rafael Royo-Torres (do Dinópolis – Museu Aragonês de Paleontologia, em Espanha) e Francisco Ortega (do Grupo de Biologia Evolutiva da Faculdade de Ciências da Universidade Nacional de Educação à Distância, em Espanha).
Ao longo de mais de 30 anos, José Joaquim dos Santos foi reunindo uma enorme colecção paleontológica composta por milhares de exemplares de fósseis de vertebrados e invertebrados e que estão depositados na colecção paleontológica da Sociedade de História Natural, em Torres Vedras. “O acervo existente representa agora uma das maiores colecções de vertebrados fósseis do mesozóico português [era geológica ocorrida há 251 milhões a 65 milhões de anos]”, sublinha o comunicado.
PÚBLICO -
Foto
Esqueleto do Oceanotitan dantasi (a vermelho, os ossos encontrados) com a cantora Björk a servir de escala
Ainda que o novo dinossauro seja um saurópode, ele não era tão grande como muitos dos seus congéneres, que podiam atingir dimensões colossais. “Teria aproximadamente dez a 13 metros de comprimento. Era um saurópode de médio tamanho, relativamente mais pequeno do que outras espécies de saurópodes já conhecidas no Jurássico Superior de Portugal, como o Lourinhasaurus, o Lusotitan e o Dinheirosaurus”, diz-nos o paleontólogo Pedro Mocho.

Um museu na Praia de Santa Cruz

Oceanotitan dantasi habitou a Bacia Lusitaniana há 145 a 150 milhões de anos, no Jurássico Superior. Esta bacia formou-se há aproximadamente 150 milhões de anos, quando as massas continentais da Europa e da América do Norte começaram a afastar-se e, no meio, ia nascendo o Atlântico Norte. A Bacia Lusitaniana surgiu então na faixa Oeste da Península Ibérica, numa zona compreendida entre o norte de Aveiro até à península de Setúbal. Eram águas pouco profundas, um ambiente também pantanoso, fluvial e lagunar. Era um ecossistema subtropical, com vegetação exuberante. Havia coníferas, cicas, fetos. “A zona da Lourinhã e de Torres Vedras estava emersa. Tínhamos vegetação, um rio, uma planície, onde o dinossauro podia viver e caminhar. O dinossauro viveu num ambiente terrestre fluvial”, explica Pedro Mocho.
Ora os vestígios desses tempos da Bacia Lusitaniana chegam-nos hoje através de fósseis. O Oceanotitan, que fico aí preservado, significa precisamente, “gigante dos oceanos”.
“Além de fazer alusão ao facto de este exemplar ter sido encontrado em plena costa atlântica, [o nome genérico] pretende ainda fazer uma referência à cantora islandesa Björk e à sua música Oceania que inspirou os autores na atribuição de este nome”, explica o comunicado.
“O [nome] específico dantasi é uma homenagem ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90, então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa e envolvido na escavação de dinossauros como o Dinheirosaurus lourinhanensis.” Hoje, Pedro Dantas é professor numa escola secundária no concelho da Lourinhã, além de colaborar com a Sociedade de História Natural de Torres Vedras.
PÚBLICO -
Foto
Os paleontólogos Pedro Mocho (à esquerda) e Francisco Ortega
Para a equipa que descreve o novo dinossauro, o Oceanotitan dantasi confirma a grande diversidade de saurópodes no Jurássico Superior de Portugal, “rivalizando com a diversidade já reconhecida nas faunas do Jurássico Superior da América do Norte e de África”.
A Sociedade de História Natural de Torres Vedras tem um projecto, em colaboração com a câmara municipal, para abrir um museu paleontológico na Praia de Santa Cruz. Para já, o núcleo provisório deste futuro museu tem a abertura prevista para o Verão. Além de dinossauros, poderão ver-se aí expostos muitos outros fósseis de animais que habitaram a faixa costeira entre Aveiro e o Cabo Espichel. Vamos poder cruzar-nos lá com o Oceanotitan dantasi.

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sexta-feira, maio 10, 2019

Caracteristicas chave dos dinossauros

O que é um dinossauro? É um animal do grupo dos Dinosauria Owen, 1842. Por definição é o último ancestral comum do Triceratops horridus, do Passer domesticus, do Diplodocus carnegii e de todos os seus descendentes (Baron et al, 2017).

Já as características anatómicas que os distinguem dos outros répteis são:

  1. Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal; 
  2. Epipófises presentes; 
  3. Rádio menor que 80% do comprimento do úmero; 
  4. Dígito manual semi-oposição I; 
  5. Dígitos manuais reduzidos IV & V; 
  6. Acetábulo aberto (perfurado).


Características distintivas dos dinossauros.



E estas são as características chave os principais grupos de dinossauros:



Clado
Características chave
Archosauria
Pescoço com curva em forma de S; Tíbias e metatarsos longos;
Fenestra antorbital e mandibular;
Dinosauria
Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal;
Epipófises presentes; Rádio menor que 80% do comprimento do úmero;
Dígito manual semioposição I;
Dígitos manuais reduzidos IV & V; Acetábulo aberto (perfurado)
Ornithischia
Pelvis opistopúbica; Osso predental; Osso palpebral;
Fenestras antorbitais reduzidas ou mesmo fechadas;
Articulações da mandíbula abaixo do nível dos dentes;
Dentes largos em forma de folha com grandes dentículos; 5 ou mais vértebras sacras
Thyreophora
Osteodermes parasagitais com quilha na face dorsal do tronco
Stegosauria
Espigões na cauda e osteoderme axiais como placas largas
Dacentrurinae
Pescoço longo; Placas em pares; Costelas e vértebras cervicais fundidas
Ankylosauria
Membros curtos; Osteodermos abundantes, inclusive no crânio e na mandíbula;
Suturas cranianas obliteradas e anquilosadas
Neornithischia
Camada mais espessa de esmalte assimétrico no interior dos dentes inferiores
Ornithopoda
Púbis longo que se estende além do ílio; Bico córneo; Sem fenestra mandibular
Iguanodontia
Sem dentes pré-maxilares; Coroas dentárias Losangulares; 6 ou mais vértebras sacrais
Ankylopollexia
Polegar suporta espigão cónico
Saurischia
Articulações adicionais (hyposfeno-hipantro) nas vértebras dorsais
Sauropodomorpha
Aumento do tamanho corporal; Diminuição do tamanho do crânio; Pescoço longo
Sauropoda
Narina na superfície dorsal do crânio; Vértebras pré-sacrais com extensos pleurocoels;
12 ou mais cervicais; Redução no número de falanges da mão;
Manus apenas com garra (falange ungeal) no digito I
Eusauropoda
Pescoço alongado: cervicalização da vértebra dorsal e a adição de duas vértebras cervicais
Neosauropoda
Fenestra pré-antorbital; dentes sem dentículos; dois ou menos carpais;
extremidade tibial subcircular; Dentes na frente do focinho;
Narinas colocados dorsalmente; Metacarpo colunar
Diplodocidae
Cauda longa e em chicote; Narina retraída que se uniram acima da órbita;
Crânios longos; Membros anteriores curtos
Macronaria

Narinas grandes; Corpo distais isquiais quase coplanares.
Titanosauriformes
Facetas de desgaste dentário acentuadamente inclinadas em relação ao eixo labio-lingual;
Costelas dorsais anteriores, largas e tabulares;
Vértebras dorsais com lâmina centroparapofisárias posterior
Ornithoscelida
Forame pré-maxilar anterior; Diastema; Crista aguçada na maxila;
Jugal excluído da fenestra antorbital; Quadrado orientado anteroventralmente;
Processos paroccipitais alongados; Forâme na superfície lateral do dentário;
Trocânter anterior expandido e parcialmente separado da diáfise femoral
Theropoda
Mandíbula cinética e flexível; 5 ou mais vértebras sacras; mão:
Dígito V ausente (mão de 4 dedos); Falanges do dígito V do pé ausente;
Pé: Dígito I reduzido e sem contato com a articulação do tornozelo; Clavículas fundidas
Neotheropoda
Fenestra no lacrimal; Dentes pré-maxilares simétricos; Parte anterior expandida do ílio;
Número reduzido de dentes maxilares
Ceratosauria
Púbis e ísquios fundidos ao ílio em adultos
Tetanurae
Dentes posteriores em posição anterior (antes do lacrimal)
Megalosauroidea
Presença de pós-orbital: Processo jugal em forma de U
Coelurosauria
Carpal hemi-circular; Mãos longas e esguias; Protopenas; Esterno ósseo sólido
Maniraptora
Cauda rígida distalmente;
Membros anteriores pelo menos ¾ comprimento da coluna vertebral pré-sacral;
Parte frontal da expansão púbica ausente; comportamento de chocar;
Longas penas nos braços
Aves
Vôo activo; Membro anterior mais longo do que o membro posterior

Baron, Matthew G.; Norman, David B.; Barrett, Paul M. (22 March 2017). "A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution". Nature. 543 (7646): 501–506. Bibcode:2017Natur.543..501B. doi:10.1038/nature21700
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