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segunda-feira, setembro 14, 2020

Jurássico do Cabo Carvoeiro, visto de Barco

 Partilhamos aqui algumas fotografias do Jurássico inferior e médio do Cabo Carvoeiro, Peniche, visto de barco, numa viagem organizada pela Associação Arméria. Fotos por Octávio Mateus.


Estratótipo da Ponta do Trovão, Peniche
Estratótipo do Toarciano (andar do Jurássico Inferior) na Ponta do Trovão, Peniche, visto a partir do mar.

Nau dos Corvos


Gruta da Furninha.





Farol do Cabo Carvoeiro (Peniche) parcialmente escondido pelo leixão Nau dos Corvos, com rochas do Jurássico Inferior, visto a partir do mar 


sexta-feira, agosto 04, 2017

Sobre o Jurássico de Peniche

O estudo internacional, agora publicado na revista científica Nature Communications e desenvolvido nas arribas calcárias da Península de Peniche e no furo de sondagem Mochras, no País de Gales, revela o fenómeno anóxico marinho e de perturbação do ciclo do dióxido de carbono ocorrido no Toarciano (Jurássico Inferior), há cerca de 182 milhões de anos.
Este evento, que terá durado aproximadamente 1 milhão de anos, foi o desencadeador de um importante fenómeno de extinção, em ambiente marinho, à escala global.
A investigação, baseada no estudo de fragmentos orgânicos de origem continental contidos ao longo da sucessão marinha carbonatada, revela um aumento bastante significativo de materiais carbonosos, provenientes de incêndios naturais, numa posição temporal contemporânea nos dois já referidos locais de estudo, permitindo a datação do fim do evento de anoxia.

Jurassic Palaeo-map of the sample localities and relative site stratigraphies for the Mochras and Peniche sections. Baker et al. (2017).

Esta nova descoberta contribui para a compreensão das interacções entre os diferentes subsistemas terrestres num mundo actual onde as alterações climáticas são bem já sentidas e visíveis.

Abstract: The Toarcian Oceanic Anoxic Event (T-OAE) was characterized by a major disturbance to the global carbon(C)-cycle, and depleted oxygen in Earth’s oceans resulting in marine mass extinction. Numerical models predict that increased organic carbon burial should drive a rise in atmospheric oxygen (pO2) leading to termination of an OAE after ∼1 Myr. Wildfire is highly responsive to changes in pO2 implying that fire-activity should vary across OAEs. Here we test this hypothesis by tracing variations in the abundance of fossil charcoal across the T-OAE. We report a sustained ∼800 kyr enhancement of fire-activity beginning ∼1 Myr after the onset of the T-OAE and peaking during its termination. This major enhancement of fire occurred across the timescale of predicted pO2 variations, and we argue this was primarily driven by increased pO2. Our study provides the first fossil-based evidence suggesting that fire-feedbacks to rising pO2 may have aided in terminating the T-OAE.

quinta-feira, abril 06, 2017

Palinomorfos da Bacia Lusitana e a drástica mudança paleoambiental do Toarciano


Na história geológica da Terra existiram intervalos de tempo, relativamente breves, em que ocorreram episódios de forte redução dos níveis de oxigénio nos oceanos, numa ampla escala geográfica. Estes eventos ficaram impressos no registo geológico e fóssil e, muitos deles, coincidiram com várias extinções em massa, podendo mesmo ter contribuído para a ocorrência das mesmas.


No último artigo publicado na revista científica Review of Palaeobotany and Palynology, a investigadora do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, Vânia F. Correia e restante equipa documentaram os palinomorfos do Jurássico Inferior das áreas da Figueira da Foz e Rabaçal, na parte norte da Bacia Lusitana, e examinaram a sua resposta ao primeiro grande evento anóxico do Mesozóico, associado a uma importante excursão negativa de isótopos de carbono, extinção em massa, transgressão marinha e aquecimento global, ocorrido no Toarciano (Jurássico Inferior).


Secções estudadas, localização e enquadramento geológico in V.F. Correia et al. / Review of Palaeobotany and Palynology 237 (2017) 75–95


Abstract

The lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) successions of the northern Lusitanian Basin in western Portugal were examined for palynomorphs. Two localities, the Maria Pares and the Vale das Fontes sections, were sampled. The sections span the Dactylioceras polymorphum, Hildaites levisoni and Hildoceras bifrons ammonite biozones. The samples produced relatively low diversity dinoflagellate cyst floras which are typical of those from coeval European successions; the most abundant species is Luehndea spinosa. The other forms encountered were Mancodinium semitabulatum, Mendicodinium microscabratum, M. spinosum subsp. spinosum, Mendicodinium sp., Nannoceratopsis ambonis, N. gracilis and N. senex. Dinoflagellate cysts typically dominate throughout the Dactylioceras polymorphum ammonite biozone; their abundance significantly decreased in the overlying Hildaites levisoni and Hildoceras bifrons ammonite biozones. The low diversity Luehndea-Nannoceratopsis dinoflagellate cyst flora of the northern Lusitanian Basin is characteristic of the Sub-Boreal region of Europe. This is a transitional region, intercalated between the Boreal and Tethyan realms. The Toarcian Oceanic Anoxic Event (T-OAE) in the northern Lusitanian Basin is characterised by a sudden decline in palynomorph abundance and diversity, including the virtual absence of acritarchs and dinoflagellate cysts. Following the T-OAE, Mancodinium semitabulatum and Mendicodinium spp. were the only dinoflagellate cysts recorded. This ‘blackout’ of dinoflagellate cysts during the T-OAE, and their partial recovery following the event, shows that dinoflagellate populations were responding to a major palaeoenvironmental change.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Novo dinossauro encontrado com conteúdo estomacal preservado

Miguel Moreno-Azanza, investigador da FCT – Universidade Nova de Lisboa e colaborador do Museu da Lourinhã, integra uma equipa multi-disciplinar de investigadores de Saragoça (Espanha) e Portugal, que descreve agora um novo dinossauro encontrado com conteúdo estomacal preservado

O estudo hoje publicado na revista Scientific Reports descreve o novo dinossauro ornitísquio, Isaberrysaura mollensis gen. et sp. nov., no Jurássico de Neuquén, na Argentina. A pesquisa multidisciplinar, liderada pelo Professor Leonardo Salgado, foi realizada por paleontólogos da Universidade de Río Negro-Conicet, Universidade da Prata, Museu Olsacher de Zapala e Museu de Huincul (Argentina) e da Universidade de Saragoça (Espanha), contando com a colaboração de Miguel Moreno-Azanza, pós-doutorado no Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia e membro no grupo de investigação GeoBioTec (FTC-UNL).

O espécime agora descrito traz importantes implicações para a evolução e paleobiologia deste grupo de dinossauros herbívoros, os ornitísquios. Em primeiro lugar, foi recuperado num ambiente marinho inesperado, apesar de ser um animal claramente terrestre, o que revela que a carcaça foi transportada da costa para ambientes marinhos profundos, onde foi encontrada juntamente com restos de répteis marinhos. Em segundo lugar, apresenta centenas de sementes mineralizadas, na área onde as entranhas estão localizadas, de pelo menos duas espécies diferentes de plantas, incluindo Cycadales. Isto evidencia que Cycas era um importante elemento da dieta destes dinossauros desde o início da evolução deste grupo e suporta estudos prévios de coevolução entre plantas e dinossauros herbívoros.
Finalmente, a posição filogenética de Isaberrysaura fornece evidências de que a linhagem que dá origem ao bem sucedido grupo de dinossauros herbívoros, os ornitópodes, ocupava já terrenos da Gonduana desde o Jurássico Inferior, redesenhando a evolução e dispersão deste grupo.

O nome atribuído, Isaberrysaura, é em homenagem a Isabel Valdibia, paleontóloga amadora argentina que encontrou os primeiros restos desses dinossauros e os doou ao Museu Olsacher de Zapala (Argentina), onde podem ser visitados a partir de hoje.


Isaberrysaura mollensis


Salgado, L., Canudo, J.I., Garrido, A.M., Moreno-Azanza, M., Martínez, L.C.A., Coria, R.M., Gasca J.M. 2017. A new primitive Neornithischian dinosaur from the Jurassic of Patagonia with gut contents. Scientific Reports,