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terça-feira, setembro 22, 2020

Os ovos dos últimos dinossauros de Europa

Uma equipa internacional de paleontólogos portugueses e espanhóis escavou perto dos Pirineus espanhóis uma jazida com 68 milhões de anos que preserva uma grande área de nidificação de dinossauros .


Até agora, os paleontólogos identificaram mais de vinte ovos à superfície mas indica que pode ser mais de uma centena. Os ovos, esféricos e com cerca de 20 centímetros de diâmetro, apresentam um excepcional estado de conservação, e estão agrupados, sugerindo a existência de vários ninhos. Uma análise preliminar indica que eles pertencem aos dinossauros saurópodes titanossauros, herbívoros quadrúpedes com caudas e pescoços longos, que podem chegar a 30 metros de comprimento.


O local foi localizado no início do ano por José Manuel Gasca, paleontólogo espanhol e adepto de corrida todo o terreno  (trail running), durante uma sessão de treino. O Doutor Gasca colabora habitualmente com a equipa da Universidade Nova de Lisboa, onde trabalham dois dos maiores especialistas em ovos de dinossauros da Europa, Octávio Mateus e o Miguel Moreno Azanza. Após uma primeira avaliação no final de janeiro, o sítio foi notificado à Direção-Geral do Património Cultural, que autorizou a presente ação. José Manuel Gasca e Miguel Moreno Azanza, da Universidade Nova de Lisboa e colaborador do Museu de Lourinhã, conduziram as escavações que vão decorrer nos meses de setembro e outubro. Curiosamente, o paleontólogo Moreno-Azanza que desde há 2015 está a trabalhar em Portugal, nasceu apenas 20 quilómetros desta nova jazida. Ele declarou que "depois de viajar o mundo inteiro estudando ovos de dinossauros em cinco continentes, descobri que um dos depósitos mais importantes era nas montanhas, onde brinquei com meus dinossauros de plástico quando criança".


Octávio Mateus, líder da equipa de investigação de vertebrados da Universidade Nova de Lisboa, e pesquisador de ovos de dinossauro há mais de trinta anos, insistiu na importância da descoberta, que comparou com os mundialmente famosos ovos de dinossauro de Portugal, bem mais antigos, com mais do dobro da idade. Como curiosidade passou mais tempo entre a postura dos ovos de Portugal e de Espanha, do que dos ovos espanhóis até hoje. Mateus recalcou que os novos ovos ajudaram a completar os estudos sobre a reprodução dos dinossauros que decorre na Universidade Nova de Lisboa, já que em Portugal, apesar de se conhecerem muitos tipos de ovos, nunca  nunca foram descobertos ovos de titanossauros, o que vem a preencher um vazio  do conhecimento. 


A escavação está a ser efetuada por uma equipa composta por investigadores da Universidade Nova de Lisboa e do Museu de Lourinhã, Portugal, e do Grupo Aragosaurus da Universidade de Saragoça. Está enquadrado no contexto de um projeto de investigação sobre a reprodução de dinossauros financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal, dirigido por Miguel Moreno Azanza e Octávio Mateus.









Lope Ezquerro e Eduardo Puértolas, da FCT-NOVA trabalham na extração de um dos ninhos.


Um ovo de dinossauro na rocha.


Ester Diaz e Raquel Moyá, da Universidade de Saragoça


Um dos primeiros ovos de titanossauro coletados na jazida.

Miguel Moreno Azanza e José Manuel Gasca, diretores da escavação, a estudar um dos ovos de dinossauro.


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sexta-feira, janeiro 17, 2020

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor


Investigador da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Miguel Moreno-Azanza, fez novas novas descobertas de ovos de dinossauros.

Referência:
Choi, S., Moreno‐Azanza, M., Csiki‐Sava, Z., Prondvai, E. and Lee, Y.‐N. (2020), Comparative crystallography suggests maniraptoran theropod affinities for latest Cretaceous European ‘geckoid’ eggshell. Pap Palaeontol. doi:10.1002/spp2.1294 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/spp2.1294

Replicamos aqui a notícia de 16 de Janeiro de 2020, no Observador.

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor

Mais um quebra-cabeças resolvido na paleontologia. Casca de ovo com pelo menos 66 milhões de anos é de dinossauro da família do Velociraptor, vilão em Parque Jurássico. Português ajudou na descoberta.


Nos anos 90, uma equipa de paleontólogos explorou na Europa um estranho fóssil da casca de ovo que pertencia a algum animal que tinha vivido na Terra há entre 66 milhões e 85 milhões de anos. Chamaram-lhe Pseudogeckoolithus, mas ninguém sabia que animal era esse. Algumas características pareciam ser de um antepassado das osgas modernas, mas outras eram mais próximas dos dinossauros predadores. Trinta anos depois, o mistério foi deslindado com a ajuda de um português.

Através de uma nova técnica que permite saber como é que as moléculas e os átomos se organizam dentro de um fóssil, os cientistas descobriram que aquela casca de ovo era de um dinossauro da família do Velociraptor, que talvez conheça por ser o principal vilão do filme Parque Jurássico. Por fora, o ovo até podia parecer de uma osga. Mas era completamente diferente a nível microscópico e estava muito mais próximo das características químicas dos ovos de dinossauro.

A casca destes ovos era muito fina — não ultrapassava os 0,3 milímetros de espessura — tinha canais respiratórios e pequenos botões e nós à superfície. Os ovos de Pseudogeckoolithus eram do mesmo tamanho que os ovos de um corvo, com três a quatro centímetro de diâmetro, mas a mãe devia ter o tamanho de uma galinha.

Tal como o faisão, por exemplo, um tipo de megapode que constrói montes de terra e vegetação para receber as novas crias, também este dinossauro enterrava os ovos nesse tipo de ninhos para os aquecer com a energia libertada durante a fermentação da matéria orgânica. Apesar do aspeto dos ovos ser semelhante ao das osgas atuais, a estrutura cristalina deles prova que eram postos por dinossauros.

Isso mesmo é explicado por Miguel Morena-Azanza, cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e paleontólogo do Museu da Lourinhã que esteve envolvido nesta descoberta. “A identidade enganosa de Pseudogeckoolithus já foi abordada por Nieves López-Martínez e Monique Vianey, que a nomearam nos anos 90. Eles classificaram essa casca de ovo como dinossauro, mas chamaram-na de ‘casca de ovo de pedra parecido com uma osga’, que é o que Pseudogeckoolithus representa. Agora essas novas técnicas permitiram-nos confirmar firmamente a sua observação inicial”, conta.

Isto é importante porque permite saber mais sobre o passado da vida da Terra e sobre como ela evoluiu até aos dias de hoje. Como foram encontrados muitos fósseis de Pseudogeckoolithus no sul da Europa e no norte de África, se estes ovos fossem de osgas isso significaria que, no final do tempo dos dinossauros, já havia nestas regiões lagartos semelhantes às osgas modernas.

Com esta descoberta, essa teoria cai por terra. E outra emerge: afinal, no final do Cretácio, havia muitos pequenos dinossauros predadores e semelhantes a pássaros em toda a Europa. Essa já era uma desconfiança dos paleontólogos, mas não havia certas porque os fósseis desses animais são muito raros. Estas cascas de ovo, no entanto, lançam luz sobre o passado da vida que se desenvolvia no solo que agora pisamos.

segunda-feira, junho 24, 2019

Escavações de dinossauros na Lourinhã: mais um grande ninho de dinossauro carnívoro

Escavações de dinossauros na Lourinhã: mais um grande ninho de dinossauro carnívoro

Terminaram mais uma campanha de escavações de dinossauros na Lourinhã. Este ano focaram-se num grande ninho de dinossauro carnívoro, descoberto na Praia do Caniçal, na Lourinhã, possivelmente de Lourinhanosaurus antunesi. A confirmar-se, este é o quarto ninho desta espécie a enquadrar as coleções do Museu da Lourinhã e a ser encontrado neste concelho. Os restantes, nas localidades de Paimogo, Peralta e Casal da Rola, têm as mesmas características: ovos de cerca de 12 cm numa grande acumulação que pode chegar aos cem ovos, cascas negras de cerca de 1 mm de espessura, com poros que permitem a sua identificação. Com 152 milhões de anos, estes são também os ninhos de dinossauros mais antigos da Europa. Os paleontólogos ainda não sabem a razão para se descobrirem tantos ovos desta espécie na região, mas uma coisa é certa: este parecia ser o local ideal para os Lourinhanosaurus nidificarem.



As escavações organizadas pelo Museu da Lourinhã, contaram com a coordenação científica da Universidade Nova de Lisboa, bem como com o apoio financeiro desta instituição, através do projeto XTaleggs e pelo Dino Parque da Lourinhã, através da contrapartida financeira pelas entradas dos visitantes.



Desta vez, o ninho estava a meio da encosta da arriba costeira, dificultando a sua escavação.  As primeiras cascas de ovo, caídas na base da encosta, foram descobertas em 2017 pelos voluntários Pedro Marrecas, Filipe Vieira e Micael Martinho que informaram os paleontólogos. As escavações foram coordenadas cientificamente pelos paleontólogos Miguel Moreno Azanza e Octávio Mateus, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã. O acesso difícil à sua localização era apenas possível através de cordas, impossibilitando a sua extracção total imediata. Esta tornou-se uma das mais complicadas para os paleontólogos: o ninho era bastante grande, resultando a sua extracção num bloco de cerca de uma tonelada. As escavações que começaram já em 2017 onde o ninho foi sendo recolhido ao longo de três campanhas de verão, tendo finalmente terminado a semana passada.

Os paleontólogos ainda não sabem se os ninhos de Lourinhanosaurus eram comunitários, com várias fêmeas a pôr os ovos no mesmo local, como o elevado número de ovos parece sugerir. A existência de embriões, conhecidos em Paimogo e na Peralta, também ainda não estão confirmados neste novo ninho. As escavações envolveram estudantes e voluntários de dez nacionalidades distintas que aproveitam para aprender técnicas de paleontologia na Lourinhã, orientados pelos profissionais acima referidos e ainda pelo paleontólogo Eduardo Puértolas-Pascual, da mesma equipa. Os ovos estão num enorme bloco de pedra que foi envolvido em gesso e serapilheira para segurar e manter a coesão e retirado com uma máquina com um guindaste de 17 metros que teve de descer para a Praia do Caniçal. As arribas do Concelho da Lourinhã são destino frequente de visitas de campo organizadas pelo Museu da Lourinhã, agora com mais uma história para contar. O bloco com os ovos vai ser preparado no laboratório do Dino Parque da Lourinhã vai ser gradualmente exposto à medida que é escavado, num processo visível para os visitantes. Paralelamente com esta nova descoberta, o Dino Parque prepara-se para realizar uma série de visitas às áreas de diversas descobertas para que os mais curiosos possam conhecer melhor as características geológicas que permitiram estas descobertas na região.





Ver também em:
http://www.alvorada.pt/index.php/lourinha/633-ninho-de-dinossauro-carnivoro-retirado-da-praia-do-canical-pelo-museu-da-lourinha https://nit.pt/out-of-town/back-in-town/foi-descoberto-mais-um-ninho-de-dinossauro-carnivoro-na-lourinha https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/paleontologos-escavam-quarto-ninho-de-dinossauro-na-lourinha--11021405.html https://www.jn.pt/local/noticias/lisboa/lourinha/interior/paleontologos-escavam-quarto-ninho-de-dinossauro-na-lourinha-11021617.html

terça-feira, outubro 30, 2018

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Mark Norell

Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Prof. Mark Norell (American Museum of Natural History) dia 5 de Novembro de 2018, segunda-feira, pelas 10:30, no Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia , Universidade Nova de Lisboa, Caparica GPS: 38.6626 ,-9.2054.

Apareça!



Palestra enquadrada nas actividades do Mestrado em Paleontologia da FCT-UNL + UÉvora. Organização: Departamento de Ciências da Terra FCT-UNL


terça-feira, janeiro 09, 2018

Palinologia e ovos fósseis empatam no Artigo do Ano 2017 da Paleontologia portuguesa

O blog Lusodinos elege, a partir deste ano, os Artigos do Ano da Paleontologia Portuguesa que se destacam pela sua qualidade, importância ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.
Este anos foram 17 artigos escolhidos pelo júri mas houve empate nos mais votados para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa. Os dois artigos empatados foram:

The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal
por
Vânia F. Correia, James B. Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira

Publicado na revista  "Review of Palaeobotany and Palynology"


Two new ootaxa from the late Jurassic: The oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal
por
João Russo, Octávio Mateus, Marco Marzola, e Ausenda Balbino
Publicado na revista "PLOS ONE"

Ambos os artigos já tinha sido alvo de notícias Lusodinos: Correia et al. Palynology e Russo et al. PlosOne.





A lista de todos os artigos selecionados é a seguinte:

1º Lugar (2 artigos ex aequo)
2º Lugar (3 artigos ex aequo)
Restantes artigos seleccionados:

Moreno-Amat, E., Rubiales, J.M., Morales-Molino, C. and García-Amorena, I., 2017. Incorporating plant fossil data into species distribution models is not straightforward: Pitfalls and possible solutions. Quaternary science reviews, 170, pp.56-68.

Salgado, L., Canudo, J.I., Garrido, A.C., Moreno-Azanza, M., Martínez, L.C., Coria, R.A. and Gasca, J.M., 2017. A new primitive Neornithischian dinosaur from the Jurassic of Patagonia with gut contents. Scientific Reports, 7.

Gowland, S., Taylor, A.M. and Martinius, A.W., Integrated sedimentology and ichnology of Late Jurassic fluvial point bars–facies architecture and colonisation styles (Lourinhã Formation, Lusitanian Basin, western Portugal). Sedimentology.

Gasca, J.M., Moreno-Azanza, M., Bádenas, B., Díaz-Martínez, I., Castanera, D., Canudo, J.I. and Aurell, M., 2017. Integrated overview of the vertebrate fossil record of the Ladruñán anticline (Spain): Evidence of a Barremian alluvial-lacustrine system in NE Iberia frequented by dinosaurs. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 472, pp.192-202.

Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A. S., Jacobs, L. L., Polcyn, M. J., Pervov, V., Gonçalves, A. O. and Morais, M. L. 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology 471 (Supplement C): 220–232.

Colmenar, J., Pereira, S., Sá, A.A., da Silva, C.M. and Young, T.P., 2017. The highest-latitude Foliomena Fauna (Upper Ordovician, Portugal) and its palaeogeographical and palaeoecological significance. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 485, pp.774-783.

Malafaia, E., Escaso, F., Mocho, P., Serrano-Martínez, A., Torices, A., Cachão, M. and Ortega, F. 2017. Analysis of diversity, stratigraphic and geographical distribution of isolated theropod teeth from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal. Journal of Iberian Geology 43 (2): 257–291.

Pérez-García, A., Brandão, J.M., Callapez, P.M., Machado, L., Malafaia, E., Ortega, F. and Santos, V.F., 2017. The oldest turtle from Portugal corresponding to the only pre-Kimmeridgian plesiochelyid (basal Eucryptodira) recognized at the generic level. Historical Biology, pp.1-9.

Miguez‐Salas, O., Rodríguez‐Tovar, F.J. and Duarte, L.V., 2017. Selective incidence of the toarcian oceanic anoxic event on macroinvertebrate marine communities: a case from the Lusitanian basin, Portugal. Lethaia.

Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen, 2017, Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal. Grana, ISSN: 0017-3134 (Print) 1651-2049

Mendes, M.M., Barrón, E., Batten, D.J. and Pais, J., 2017. A new species of the spore genus Costatoperforosporites from Early Cretaceous deposits in Portugal and its taxonomic and palaeoenvironmental significance. Grana, pp.1-9.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.













terça-feira, janeiro 02, 2018

Exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros"

Terminou esta semana a exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros" no Museu da Lourinhã. Esta mostra, que esteve patente deste 24 de Junho de 2017 até final de 2017, focava-se nos ovos e embriões de dinossauros e crocodilomorfos em Portugal e Espanha, destacando a unicidade do registo oológico.
Toda a exposição girava em torno de três conceitos principais, que definem os espaços e o discurso:
Os excepcionais embriões jurássicos de Portugal
A rica diversidade do Cretáceo Inferior da Espanha
As abundantes posturas do Cretácico Superior da Catalunha

A exposição coincidiu com a semana de actividades "Dinossauros saem à rua" e com o simpósio de ovos e bebés de dinossauros em Outubro.

A exposição estava localizada na planta superior do Paleontologia do Museu da Lourinhã.
O curador foi Miguel Moreno-Azanza com a participação científica de Àngel Galobart, Albert Sellés, Bernat Vila, Ester Díaz Berenguer e Octávio Mateus. Textos e museologia de Moreno-Azanza, Alexandre Audigane, Ana Luz, Bruno Pereira e João Muchagata.

Aqui fica uma curta reportagem fotográfica da exposição:







domingo, setembro 03, 2017

VI Simpósio "Dinosaur Eggs and Babies" 2017

A sexta edição do Simpósio Dinosaur Eggs and Babies a decorrer de 3 a 8 de Outubro de 2017, terá lugar no Monte da Caparica, Portugal.

O simpósio sobre ovos e bebés de dinossauros é um dos mais importantes e prestigiados do mundo nos âmbitos da Paleoologia, a ciência dos ovos fósseis, e do desenvolvimento dos dinossauros e ontogenia. Com a primeira edição em 1999, sobre a alçada da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com Museu da Lourinhã, e realizado regularmente a cada três a quatro anos desde então, tem representado um impulso significativo nestes campos.


Para a edição deste ano, o principal tópico de discussão proposto é a formação das cascas de ovo.

O programa científico inclui ainda três sessões plenárias, cada uma delas direccionada para um dos temas nucleares: biomineralização de ovos e ossos, ovos de dinossauros e desenvolvimento de dinossauros.


Mais informações no site da FCT-UNL:

+(351) (212 948 573) ext 10205

Ou nas redes sociais:

Twitter: @VIDinoEggsBabi
Facebook: /VIDinoeggsandBabies/


quarta-feira, março 08, 2017

Ovos fósseis de Portugal mostram uma evolução muito lenta dos ovos de crocodilo desde o Jurássico


Uma nova pesquisa com ovos fósseis de Portugal com 152 milhões de anos mostrou que se tratam de parentes próximos dos crocodilos e que seu tipo de ovo mudou muito pouco desde então. Os ovos foram encontrados nas rochas do Jurássico Superior nas arribas costeiras do oeste de Portugal.

Os ovos agora descritos foram encontrados em rochas cerca de 152 milhões de anos de idade tornando-os os mais antigos ovos fósseis de crocodilomorfos conhecidos até agora. Os crocodilomorfos são o grupo do antepassado comum a todos os crocodilos. O ovo mais antigo deste tipo que se conhecia até então era do Texas e tinha cerca de 112 milhões de anos. Assim, a nova descoberta de Portugal alarga o conhecimento deste tipo de ovos em cerca de 40 milhões de anos.
Postura de ovos de crocodilomorfo.


Um dos aspectos mais notáveis ​​destes ovos é como são semelhante aos de crocodilos modernos, indicando que a evolução da morfologia do ovo foi muito lenta e que mudou muito pouco nos últimos 152 milhões de anos de história dos crocodilos e dos seus antepassados. Obviamente, há um certo grau de variação entre ovos diferentes, por exemplo, no tamanho do ovo ou mudanças microscópicas na casca do ovo, mas as características morfológicas fundamentais são as mesmas. Os ovos foram considerados ligeiramente diferentes de quaisquer outros ovos previamente descritos, portanto, foram consideradas duas novas oospécies, que são equivalentes a novas espécies, mas apenas aplicadas aos ovos.



De facto, o registo fóssil diz-nos que os crocodilos e seus parentes (formando o grupo maior dos crocodilomorfos) eram muito mais diversos no passado, com diferentes hábitos alimentares, distribuição de nicho ecológico ou morfologia. "Este estudo mostra que os ovos permaneceram praticamente inalterados ao longo da evolução do grupo durante pelo menos os últimos 150 milhões de anos" diz João Russo, o primeiro autor do estudo, que resulta da tese de Mestrado em Paleontologia.

Suchoolithus portucalensis, oogen. and oosp. nov.

A tese, que foi orientada por Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, e co-autor do estudo publicado na revista PLOS ONE, mostrou através de uma análise microscópica detalhada que algumas destas cascas de ovos são quase idênticas aos crocodilos modernos, como o aligator. Além disso, um dos espécimes descritos é um dos melhores exemplos de uma postura não eclodidas e também uma das mais pequenas pois cada ovo é do tamanho de um polegar. Alguns ovos tinham restos de embriões, mas demasiados pequenos e fragmentados para serem identificados com mais detalhe.

A colecção de fósseis do Museu da Lourinhã, em Portugal, já é conhecida pelo extenso e único registo de ossos e ovos de dinossauros do Jurássico Superior, incluindo a presença de ninhos e embriões, mas os ovos de crocodilomorfos do Jurássico eram praticamente desconhecidos até agora.

Referência: Russo, Mateus, Marzola and Balbino. 2017 Two new ootaxa from the Late Jurassic: the oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal. PLOSONE.

quarta-feira, julho 13, 2016

Apresentações no Encontro de Paleontologia de Vertebrados em Haarlem


O EAVP (European Association of Vertebrate Paleontologists) é uma das maiores associações para paleontólogos de vertebrados da Europa e uma das mais importantes do mundo. O congresso do EAVP é um evento anual que nos permite transmitir a nossa investigação a um público de centenas de especialistas e aficionados. Este ano, realizou-se a XIV edição no Museu Teylers em Haarlem, nos Países Baixos, do dia 6 até ao dia 10 de Julho.
A representação portuguesa incluiu três membros da FCT-Universidade Nova de Lisboa + Museu da Lourinhã.

O Dr. Miguel Moreno-Azanza,  investigador da Universidade Nova de Lisboa, apresentou uma palestra sobre cascas de ovos de tartaruga do Eocénico de Espanha, com 41 milhões de anos. Estas cascas de ovos foram encontradas em uma antiga planície do delta dos Pirinéus Aragoneses, num local com ossos abundantes de sirénios antepassados dos manatins e tartarugas de água doce. Esta colaboração inclui outros investigadores, nomeadamente Ainara Badiola Kortabitarte (Universidad del Pais Vasco/Euskal Herriko Unibertsitatea - Espanha), e Ester Díaz Berenguer, Roi Silva e José Ignacio Canudo, da Universidad de Zaragoza (Espanha).

Por sua vez, o doutorando Marco Marzola, investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), apresentou um trabalho sobre anfíbios e répteis do Tardo Triásico da Gronelândia, com especial destaque para algumas das mais velhas tartarugas do mundo, com uma idade compreendida entre 208 e 209 milhões de anos. O trabalho foi em colaboração com o prof. Octávio Mateus (orientador,  Universidade Nova de Lisboa), o Dr. Oliver Wings (Landesmuseum, Hanôver - Alemanha), a Dra. Nicole Klein (Naturkundemuseum am Löwentor, Estugarda - Alemanha), o Dr. Jesper Milàn (Geomuseum Faxe - Dinamarca) e o prof. Lars B. Clemmensen (coorientador, Universidade de Copenhaga).

A terceira apresentação ficou a cargo do Mestre João Muchagata Duarte, investigador das Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Évora, que apresentou um trabalho sobre estruturas sexuais secundárias reconhidas em crânios de baleias de bico extintas do Neogénico de Portugal, com idades compreendidas entre os 6 e os 20 milhões de anos.  O seu trabalho foi realizado com a colaboração e supervisão do prof. Octávio Mateus e prof.a Ausenda Balbino (Universidade de Évora).
A XV edição do congresso EAVP realizar-se-á em 2017, do dia 31 de Julho até ao dia 4 de Agosto, no Museu de Paleontologia de Munique na Alemanha.
João Muchagata, Marco Marzola e Miguel Moreno-Azanza no XIV EAVP Meeting


Marzola, M., Mateus O., Wings O., Klein N., Mìlan J., & L.B.Clemmensen (2016). The herpetofauna from the Late Triassic of the Jameson Land Basin (East Greenland): review and updates. XIV EAVP Meeting. 182., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

Muchagata, J., & Mateus O. (2016).  Sexual display and rostral variation in extinct beaked whale, Globicetus hiberus. XIV EAVP Meeting. 136., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

M. Moreno-Azanza, R. Silva, E.D. Berenguer, J.I. Canudo, and A. Badiola . 2016. HIGH CONCENTRATIONS OF TURTLE EGGSHELLS (TESTUDOOLITHIDAE) IN AN EOCENE DELTAIC PLAIN (SOBRARBE DELTAIC COMPLEX, NORTHERN SPAIN). XIV EAVP Meeting. 136., Haarlem, The Netherlands: XIV EAVP Meeting, Programme and Abstract Book

domingo, maio 17, 2015

Portugal tem os mais antigos ovos de crocodilomorfos do mundo


Novo estudo confirma a existência em Portugal dos mais antigos ovos de crocodilomorfos no mundo. Assinado por João Russo, Octávio Mateus, Ausenda Balbino e Marco Marzola, este artigo é resultado da tese de Mestrado em Paleontologia FCT+UÉ de João Russo sobre ovos de crocodilomorfos, e publicado nas Comunicações Geológicas (saiu para o público esta semana embora a data indicada seja de 2014).

Ovos e cascas de crocodilomorfos de Portugal



Estes ovos das colecções do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova (FCT-UNL), foram recolhidos nos afloramentos do Jurássico Superior (com cerca de 152 milhões de anos).
Apresentam-se cascas de ovos fósseis de Crocodylomorpha da Formação da Lourinhã do Jurássico Superior de Portugal, recolhidas em cinco locais: um ninho de Cambelas com 13 ovos, e três ovos parciais e vários fragmentos de Paimogo N (I), Paimogo S (II), Casal da Rola, e Peralta. Todos os espécimes excepto o ninho foram encontrados em associação com material de ovos de dinossauro. A nossa investigação revela que, numa análise micro- e ultraestrutural, todas as amostras apresentam caracteres típicos consistentes com o morfótipo crocodilóide de casca de ovo, como a forma das unidades de casca, a organização das camadas da casca, e a extinção triangular em blocos observável com nicóis cruzados. Atribuímos este material à oofamília Krokolithidae, sendo os ovos de crocodilomorfos mais antigos conhecidos até agora e também o melhor registo para ovos de crocodilomorfos não crocodilianos. Além disso, o nosso estudo indica que a estrutura básica da casca de ovos crocodilóides se mantém estável pelo menos desde o Jurássico Superior.

Russo, J., Mateus O., Balbino A., & Marzola M. (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 563-566.

Palavras-chave: Cascas de ovo, Crocodilóide, Crocodylomorpha; Jurássico Superior, Krokolithidae.

segunda-feira, abril 13, 2015

Ovos de crocodilomorfos do Jurássico Superior de Portugal, em Tese de Mestrado de João Russo


Ovos de crocodilomorfos estiveram em destaque quando João Russo defendeu esta segunda feira, 13 de Abril de 2015, no Campus da FCT-UNL na Caparica a sua dissertação intitulada "Eggs and eggshells of Crocodylomorpha from the Upper Jurassic of Portugal" como prova final do Mestrado em Paleontologia em associação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia-UNL e Universidade de Évora, sob a orientação de Octávio Mateus e Ausenda Balbino.
Na tese focou-se registo de ovos de crocodilomorfos do Jurássico Superior de Portugal, presentes nas coleções do Museu da Lourinhã e da FCT-UNL. 

O desempenho mereceu a avaliação de 19 valores, por unanimidade do júri, pelo que o agora Mestre João Russo está de parabéns. O júri reconheceu que “a prova foi muito bem apresentada tendo o candidato demonstrado conhecimento profundo do tema tratado, um elevado grau de autonomia na realização do trabalho e muito boa qualidade dos resultados alcançados e descritos na dissertação. Os resultados estão parcialmente publicados pelo candidato como autor e co-autor em publicações científicas indexadas."

Publicações:
Marzola, M., Russo J., & Mateus O. (2015).  Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology. 27(1), 115-133. PDF
Russo et al. (no prelo). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas.

Resumos em congressos:
Marzola, M., Mateus O., Russo J., & Milàn J. (2014).  Comparison of modern and fossil Crocodylomorpha eggs and contribution to the oophylogeny of Amniota. XII Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists. , p. 192, Regione Piemonte: European Association of Vertebrate Palaeontologists. Museo Regionale di Scienze
Russo, J., Mateus O., Marzola M., & Balbino A. (2014).  Eggs and eggshells of crocodylomorpha from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,
José Carlos Brito (arguente), Paulo Legoinha (Presidente do Júri), João Russo (candidato), Octávio Mateus (orientador) e Ausenda Balbino (co-orientadora)

Ficha técnica:
Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL + UÉ)
Provas de Mestrado de João Paulo Vasconcelos Mendes Russo
Dissertação: "Eggs and eggshells of Crocodylomorpha from the Upper Jurassic of Portugal"
Constituição do Júri: 
Presidente
•  Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais
•  Doutor José Carlos Alcobia Regado de Brito, Investigador Principal – CIBIO-InBIO da Universidade do Porto;
•  Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar  da Faculdade de Ciências de Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.


Sobre o Mestrado em Paleontologia: http://www.dct.fct.unl.pt/ensino/mestrado-em-paleontologia 

domingo, janeiro 25, 2015

Relação entre poros de cascas de ovos e metabolismo dos dinossauros


O metabolismo e paleotemperatura corporal de animais extintos é um dos grandes mistérios na paleontologia. Fizeram-se muitas abordagem usando isótopos, histologia, anatomia comparada, etc. Numa nova abordagem mostra-se que o número, densidade e dimensão dos poros existentes nas cascas de ovos dos diferentes animais está correlacionado com o metabolismos.
No último congresso SVP foi apresentado um trabalho que mostrava exactamente isso. O trabalho foi assinado por Max Stockdale, Mike Benton e Octávio Mateus.





Abstract
The amniote eggshell functions as a respiratory structure adapted for the optimal transmission of respiratory gasses to and from the embryo according to its physiological requirements. Therefore amniotes with higher oxygen requirements, such as those that sustain higher metabolic rates, can be expected to have eggshells that can maintain a greater gas flux to and from the egg. Studies of extant amniotes have found that eggshells of reduced porosity impose a limit on the metabolic rate of the offspring. Here we show a highly significant relationship between metabolic rates and eggshell porosity in extant amniotes that predicts highly endothermic metabolic rates in dinosaurs. This study finds the eggshell porosity of extant endotherms to be significantly higher than that of extant ectotherms. Eggshell porosity values of dinosaurs are found to be significantly higher than that of extant ectotherms, but not extant endotherms. Dinosaur eggshells are commonly preserved in the fossil record, and porosity may be readily identified and measured. This provides a simple tool to identify metabolic rates in extinct egg-laying tetrapods whose eggs possessed a mineralized shell.

Stockdale, M., Benton M., & Mateus O. (2014).  Cracking dinosaur endothermy: paleophysiology unscrambled. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 235-236. PDF

quarta-feira, novembro 05, 2014

74º Congresso da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados: recorde de apresentações portuguesas



Começa hoje, 5 de Novembro de 2014, o 74º Congresso da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados (74th Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology) que é talvez o principal congresso mundial da especialidade. Este ano há 18 comunicações de paleontólogos portugueses ou de instituições portuguesas, o que é um número recorde. A variedade de temas também é impressionante: mamíferos, dinossauros, fitossauros, plesiossauros, crocodilos, etc.

Temos vários dos nossos estudantes do Mestrado de Paleontologia da FCTUNL+UÉ a fazer as suas primeiras apresentações num congresso SVP.

Aqui está a lista das referências:

Jacobs, L., Polcyn M., Mateus O., Scott M., Graf J., Kappelman J., Jacobs B., Schulp A., Morais M., & Goncalves O. (2014).  Cenozoic vertebrates of coastal Angola. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2014. 153

Stockdale, M., Benton M., & Mateus O. (2014).  Cracking dinosaur endothermy: paleophysiology unscrambled. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 235-236.

Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R. (2014).  The distribution of dental features in non-avian theropods and a proposed terminology of theropod teeth. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 146.

Marzola, M., Mateus O., Schulp A., Jacobs L., Polcyn M., & Pervov V. (2014).  Early Cretaceous tracks of a large mammaliamorph, a crocodylomorph, and dinosaurs from an Angolan diamond mine. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2014. 181.

Russo, J., Mateus O., Marzola M., & Balbino A. (2014).  Eggs and eggshells of crocodylomorpha from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 218.

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014).  Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 178.

Mallison, H., Schwarz-Wings D., Tsai H., Holliday C., & Mateus O. (2014).  Fossil longbone cartilage preserved in stegosaurs?. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 176.

Polcyn, M., Jacobs L., Strganac C., Mateus O., Myers S., May S., Araujo R., Schulp A., & Morais M. (2014).  Geology and paleoecology of a marine vertebrate bonebed from the lower Maastrichtian of Angola. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 206.

Hayashi, S., Redelstorff R., Mateus O., Watabe M., & Carpenter K. (2014).  Gigantism of stegosaurian osteoderms. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 145.

Mateus, O., Clemmensen L., Klein N., Wings O., Frobøse N., Milàn J., Adolfssen J., & Estrup E. (2014).  The Late Triassic of Jameson Land revisited: new vertebrate findings and the first phytosaur from Greenland. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 182.

Tschopp, E., Mateus O., Kosma R., Sander M., Joger U., & Wings O. (2014).  A specimen-level cladistic analysis of Camarasaurus (Dinosauria, Sauropoda) and a revision of camarasaurid taxonomy. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 241-242

Malafaia et al. 2014 New cranial remains assigned to Megalosauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Lusitanian Basin (Portugal).Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Araújo e Correia 2014. Soft-tissue anatomy of the plesiosaur pectoral girdle inferred from basal eosauropterygian taxa and the extant phylogenetic bracket. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Araújo et al. 2014 Deep questions, explained easy: the example of the therapsid–mammal transition.
Castanhinha et al 2014. The frontal bone: problems and solutions in amniote skull homology. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Castaninha et al 2014. The Palniassa project: science, education, and outreach from Mozambique. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Delfino et al. 2014. Reappraisal of the morphology and phylogenetic relationships of the alligatoroid crocodilian Diplocynodon Hantoniensis from the Eocene of Hordwell, United Kingdom. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Ferreira-cardoso et al. 2014. The floccular complex: neuroanatomy as a tool to unveil paleoecology. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 


sábado, agosto 02, 2014

Encontro da Associação Europeia de Paleontologia de Vertebrados, em Turim


Decorreu recentemente o encontro da Associação Europeia de Paleontologia de Vertebrados, em Turim, Itália, de 24 a 28 de Junho de 2014: XII Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists.

A paleontologia feita por investigadores com afiliação portuguesa esteve bem representada com cinco comunicações:

Comparison of modern and fossil Crocodylomorpha eggs and contribution to the oophylogeny of Amniota. por Marzola, M., Mateus O., Russo J., & Milàn J. (LINK)

The dentition of megalosaurid theropods, with a proposed terminology on theropod teeth. 
por Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R.. (LINK)

Sauropod body fossils in Europe: overview and current issues. 
por Holwerda, F., Tschopp E., & Mateus O. (LINK)

Coelurosaurian theropods from the Andrés Quarry (Late Jurassic. Lusitanian basin, Portugal). 
por Malafaia et al.

The Forgotten Crocodilians From Monte Bolca: revision of the Turin specimen originally referred to Crocodilus vicetinus Lioy, 1856, 
por Seghetti et al.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Como são os ovos de crocodilos?


Para compreender os fósseis temos frequentemente que recorrer às espécies actuais. Mas se quisermos estudar crocodilos tudo fica mais fácil pois existem 14 espécies actuais. Nos dinossauros não-avianos isso é impossível e usamos os seus "primos", os crocodilos, e os descendentes actuais, as aves. A verdade é que por vezes as espécies actuais também precisam de ser estudadas e isso levou-nos ao estudos de ovos de três espécies de crocodilianos: Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano). Os resultados foram agora publicados na Historical Biology com Marco Marzola e João Russo.

Crocodylus mindorensis. Fonte: wikipedia

Evolução dos ovos (Marzola et al., 2014)

Referência:
Marzola, M., Russo J., & Mateus O. (2014). Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology link

Tradução do resumo:

Identificação e comparação de ovos e estruturas da casca de ovos de crocodilos modernos e fósseis

Cascas de ovos de três espécies de crocodilos actuais Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano) foram preparadas para análises de secção em lâmina delgada e microscopia electrónica e são descritas de forma a melhorar o conhecimento da anatomia e microestrutura de ovos crocodilianos, e a definir novas apomorfias que possam ser utilizadas para identificação. Tanto ovos de crocodilos actuais como fósseis apresentam uma ornamentação externa que varia entre o tipo anastomotuberculado, ramotuberculado, ou o aqui descrito pela primeira vez, rugosocavado. O sistema de poros do tipo angusticaniculado é uma característica partilhada entre cascas de ovos de Crocodilomorfos e alguns grupos de dinossauros e aves. Sinais de incubação de ovos de crocodilos anteriormente descritos foram também observados no único ovo fertilizado e eclodido. A amostra de Paleosuchus palpebrosus apresenta uma morfologia das três camadas da casca e organização únicas, com uma camada média relativamente fina caracterizada por uma microestrutura densa e compacta.