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sexta-feira, agosto 08, 2025

Dirossauro (Crocodilomorfo) com 66 Ma descoberto no Namibe, Angola

Dirossauro (Crocodilomorfo) com 66 Ma descoberto no Namibe, Angola

Uma equipa internacional de paleontólogos, e com participação de investigadores da GeoBioTec, Departamento de Ciências da Terra-  FCT  Universidade Nova de Lisboa, Museu da Lourinhã, Università di Pisa, Universidad de Zaragoza, Universidad Complutense de Madrid, Universidade Agostinho Neto (Angola) acaba de descrever um novo fóssil de crocodilomorfo marinho com cerca de 66 Milhões de anos. O artigo faz parte da tese de doutoramento por Arthur Maréchal e com base num fóssil descoberto por Octávio Mateus em junho de 2017 em Bentiaba, província do Namibe, Angola.

O espécime, teria cerca de 5 metros de comprimento, pertence à família Dyrosauridae, um grupo de répteis marinhos de focinho comprido que sobreviveu à extinção em massa que acabou com os dinossauros há 66 milhões de anos. Apesar de viverem sobretudo em águas costeiras, estes predadores eram excelentes nadadores, caçando peixes e outros animais marinhos.

O fóssil — parte posterior do crânio e um dente — foi encontrado numa região já era conhecida pela abundância de fósseis de mosassauros, tartarugas e plesiossauros, mas o registo de crocodilomorfos marinhos em Angola era muito mais escasso.






As análises morfológicas e filogenéticas mostram que o exemplar pertence à subfamília Hyposaurinae, mas não a uma espécie previamente conhecida, apresentando uma combinação única de características. 

Os dirossaurídeos formam um clado extinto de neossuquianos com ampla distribuição temporal e excelente sucesso evolutivo. Estes crocodiliformes longirostrinos são conhecidos desde o Cenomaniano até ao Eocénico e alguns taxónes sobreviveram à crise que ocorreu durante a transição do Cretácico para o Paleogénico. Provavelmente, os dirossaurídeos desenvolveram hábitos de locomoção e alimentação que os favoreceram em relação aos répteis marinhos e de água doce para sobreviver a um dos cinco eventos de extinção em massa do passado geológico.

A ocorrência de restos de dirossaurídeos sugere uma ampla distribuição geográfica, incluindo o Norte de África, América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa. 

Os estudos filogenéticos realizados nas últimas décadas são úteis para compreender melhor a evolução deste clado e o seu padrão de distribuição revelou uma origem no Norte de África e vários padrões de propagação que seguiram.

Muitos vestígios são provenientes da África, em particular de Marrocos, Mali, Tunísia, Sudão, Níger e Angola. Neste artigo, relatamos a ocorrência de um novo vestígio de dirossaurídeo recentemente encontrado no sítio de Bentiaba (Angola), o que aumenta o número de espécimes africanos. 

Além de revelar mais sobre a biodiversidade marinha pré-extinção, este achado coloca Angola no mapa das investigações sobre a evolução e dispersão dos predadores marinhos do Cretácico. O fóssil, identificado como MGUAN-PA548, será integrado nas coleções do Museu de Geologia da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.


Número de géneros de crocodilomorfos e de dirossaurídeos aos longo do tempo gelógico. Note-se que os dirossauros praticamente não foram afetados pela crise que extinguiu os dinossauros não avianos.



Maréchal, A., Rotatori, F.M., Merella, M., Puértolas-Pascual, E., Sequero, C., Pereira, R., Nsungani, P., Mateus, O. (2025). A new Maastrichtian hyposaurine dyrosaurid (Crocodylomorpha) from Namibe province, Angola. Zoological Journal of the Linnean Society, 204(4), zlaf092. https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlaf092



quinta-feira, dezembro 12, 2019

Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos na Lourinhã


Cinco espécies diferentes de crocodilomorfos habitaram a Lourinhã há 150 milhões de anos. Os crocodilomorfos, grupo que inclui os crocodilos actuais e seus ancestrais mais próximos, foram muito abundantes e diversos no final do Jurássico, há 150 milhões de anos atrás. Um novo estudo, focado em minúsculos dentes recolhidos nas falésias da Lourinhã, mostrou que pelo menos cinco espécies coabitaram nas proximidades, num sistema de rios jurássicos da região.


Reconstrução artística dos crocodilomorfos da Lourinhã (arte por Pedro Andrade)
Este trabalho foi agora publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society, parte integrante de uma dissertação de mestrado em Paleontologia por Alexandre Guillaume, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, agora a começar o seu doutoramento com foco em microfósseis (fósseis menores que 5 mm) de vertebrados. Esta tese foi coordenada pelos paleontólogos das mesmas instituições, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos. 
Centenas de quilos de sedimentos jurássicos da Lourinhã Portugal foram peneirados e os fósseis, que podem ser tão pequenos quanto um milímetro, foram triados e incorporados nas colecções do Museu da Lourinhã. De entre os milhares de fósseis encontrados, os pequenos dentes de crocodilomorfos estão entre os elementos mais comuns nesses sedimentos, pertencendo a espécies pequenas e a juvenis de espécies maiores.
Em mais de 120 dentes, colectados entre 2017 e 2018, foi possível distinguir 10 morfologias diferentes, de 5 táxones diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado. O Lusitanisuchus já era conhecido a partir de material fóssil da Mina da Guimarota, em Leira, mas esta é a sua primeira descoberta na Lourinhã. Também é de notar a ausência de dentes pertencentes ao Machimosaurus hugii, um crocodilomorfo marinho cujos dentes provenientes de Lourinhã já foram encontrados e publicados, e ao Lisboasaurus estesi, outro crocodilomorfo da Mina da Guimarota, nas amostras estudadas. Finalmente, o pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam eram jovens ou de espécies pequenas. Contudo, restos esqueléticos precisam ser encontrados para responder a esta pergunta.
Este estudo não aborda apenas a diversidade das faunas jurássicas, mas também explora as suas relações ecológicas. As diferentes morfologias observadas nos dentes permitiram distinguir 4 comportamentos alimentares diferentes: os goniofolídeos alimentavam-se de  presas com concha e moles, como jacarés modernos; os bernissartídeos de animais com conchas, como caracóis ou moluscos; os atoposaurídeos e Lusitanisuchus de pequenos artrópodes, como insetos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios, como os crocodilianos juvenis existentes; e, por último, o crocodilomorfo indeterminado era um predador carnívoro terrestre.
A recolha desses pequenos microfósseis é um trabalho árduo, envolvendo mais de 700 horas de trabalho cuidadoso, realizado pelos autores, mas, principalmente, por voluntários do Museu da Lourinhã e estudantes da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente, um projecto de ciência cidadã, MicroSaurus, treina visitantes do Museu da Lourinhã e do Parque dos Dinossauros da Lourinhã para encontrar esses pequenos, mas valiosos, vestígios do passado.
Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC-CTAPAL-31656-2017 e bolsas de post-doutoramento) e pela bolsa de pesquisa Microsaurus-SuperAnimais 3, financiada pela empresa Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Artigo científico: 
Guillaume, A. R. D., Moreno-Azanza M., Puértolas-Pascual E., & Mateus O. 2019. Palaeobiodiversity of crocodylomorphs from the Lourinhã Formation based on the tooth record: insights into the palaeoecology of the Late Jurassic of Portugal, Zoological Journal of the Linnean Society, zlz112, https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlz112


Trabalhos de recolha de rocha para obter microfósseis de vertebrados. As rochas são posteriormente lavadas, com crivos.
Lupa binocular no laboratório da Universidade Nova de Lisboa para fotografar os dentes do crocodilomorfos.
Os dentes são separados dos fragmentos de rocha com ajuda de uma lupa e um pincel.
Alexandre Guillaume recolhendo microfósseis durante a ExpoLourinhã em 2019.

segunda-feira, novembro 04, 2019

Pequeno esqueleto do Jurássico da Lourinhã mostra a evolução da couraça dos crocodilos

Um pequeno antepassado dos crocodilos, com 150 milhões de anos, foi descoberto nas rochas jurássicas da Lourinhã e ajuda a explicar a evolução e origem da couraça óssea que existe na pele destes répteis.

Os paleontólogos Eduardo Puértolas Pascual e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, acabam de anunciar um novo fóssil de crocodilomorfo-anão do Jurássico de Portugal publicado na prestigiada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society. Este trabalho faz parte do trabalho de investigação científica sobre crocodilomorfos de Portugal, que Eduardo Puértolas tem realizado como parte da investigação de pós doutoramento. Os crocodilomorfos são o grupo de répteis que deu origem aos crocodilos modernos e o fóssil, carinhosamente apelidado "crocodilinho", consiste em parte de um esqueleto em conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes, vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores. Em vida, o animal teria menos de um metro.
O "crocodilinho" foi recuperado na Praia de Peralta (Lourinhã, Portugal), em 1999, por  Leandro Pereira um residente do Concelho da Lourinhã à data. Já em 2014 e por mediação de Ana Luz, sua amiga e voluntária no Museu da Lourinhã, Leandro  doou a peça à coleção paleontológica do Museu da Lourinhã.
O fóssil é composto por vários ossos articulados, parcialmente coberto por matriz rochosa. Para facilitar seu estudo, o espécime foi levado para os laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH, Burgos, Espanha), onde foi submetido a uma micro Tomografia Computorizada (micro TC). Esta tecnologia tem sido amplamente utilizada em paleontologia, há vários anos, e permite a obtenção de imagens de seções do objeto, através de raios-X. As imagens obtidas possibilitaram criar modelos 3D, que permitem observar morfologias externas e internas.




Graças a essa técnica, foi possível estudar todos os ossos, incluindo partes não visíveis, e compará-los com outros crocodilomorfos da época. A presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral), e a presença de osteodermes ventrais poligonais, indicam que, muito provavelmente, o "crocodilinho" é um membro da família já conhecida no Jurássico, os Goniopholididae mas não tendo sido possível determinar a que gênero ou espécie em particular o fóssil pertencia ou se corresponde a uma nova espécie.
Este tipo de crocodilomorfos que podem atingir tamanhos até mais de 5 m de comprimento, no entanto, estimou-se que o “Crocodilinho” medisse menos de um metro de comprimento, daí a sua alcunha. Mas será que as pequenas dimensões deste exemplar significam que se tratava de um juvenil, ou de uma espécie estranhamente pequena? É uma questão para já sem resposta. Para a obter, é necessário determinar a idade do indivíduo e esse é um trabalho ainda em curso.


Informação adicional
O fóssil do “Crocodilinho” (ML 2555) foi descoberto em depósitos de origem continental,  do Jurássico Superior, pertencente à Formação da Lourinhã. Esta unidade geológica aflora um pouco por toda a Região Oeste, sendo conhecida mundialmente pela grande quantidade de fósseis de dinossauro nela encontrados. Esta é sem dúvidas uma das regiões mais ricas do mundo em descobertas de Dinossauros e com uma herança de interesse geológico que remonta a mais de 150 milhões de anos.
A família dos Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram principalmente na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e o Cretácico. Embora sua morfologia geral se assemelhe à dos crocodilos atuais, esta linhagem que se separou de jacarés, crocodilos e gaviais no Jurássico, apresentando consideráveis ​​diferenças anatómicas. Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica. Esta armadura dérmica é formada por osteodermes que possuem principalmente três funções: proteção, absorção de calor e estabilidade. A estabilidade é alcançada pelo que é chamado de "sistema de suporte", consistindo num conjunto de vértebras, osteodermes e músculos que, atuando como um todo, conferem estabilidade ao esqueleto do organismo durante a sua locomoção.
A descoberta deste novo espécime, preservado em conexão anatómica e em 3 dimensões, serviu para testar hipóteses anteriores sobre o “sistema de suporte” desta família de répteis. Um esqueleto deste tipo daria a rigidez e estabilidade necessárias para para a locomoção deste grupo de organismos em terra. No entanto, isso significaria que perdesse alguma da flexibilidade lateral durante a natação.
A idade do indivíduo a que pertenceu este fóssil será determinada por estudos dos tecidos ósseos, que irão decorrer dentro em breve. Só assim será possível saber se exemplar pertenceu a uma espécie anã ou se é realmente um indivíduo juvenil de uma espécie maior.


Referência
Puértolas-Pascual, E; Mateus, O. 2019. A three-dimensional skeleton of Goniopholididae from the Late Jurassic of Portugal: implications for the Crocodylomorpha bracing system. Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlz102 


Resumo do artigo em inglês:
We here describe an articulated partial skeleton of a small neosuchian crocodylomorph from the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal). The skeleton corresponds to the posterior region of the trunk and consists of dorsal, ventral and limb osteoderms, dorsal vertebrae, thoracic ribs and part of the left hindlimb. The paravertebral armour is composed of two rows of paired osteoderms with the lateral margins ventrally deflected and an anterior process for a ‘peg and groove’ articulation. We also compare its dermal armour with that of several Jurassic and Cretaceous neosuchian crocodylomorphs, establishing a detailed description of this type of osteoderms.
These features are present in crocodylomorphs with a closed paravertebral armour bracing system. The exceptional 3D conservation of the specimen, and the performance of a micro-CT scan, allowed us to interpret the bracing system of this organism to assess if previous models were accurate. The characters observed in this specimen are congruent with Goniopholididae, a clade of large neosuchians abundant in most semi-aquatic ecosystems from the Jurassic and Early Cretaceous of Laurasia. However, its small size, contrasted with the sizes observed in goniopholidids, left indeterminate whether it could have been a dwarf or juvenile individual. Future histological analyses could shed light on this.


Crocodilomorfo da Lourinhã na capa do Zoological Journal


Nos meios de comunicação social:
https://www.publico.pt/2019/11/04/ciencia/noticia/evoluiu-couraca-crocodilos-fossil-lourinha-pistas-1892480
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/estudo-revela-que-couraca-dos-crocodilos-e-diferente-da-dos-seus-antepassados
https://zap.aeiou.pt/couraca-crocodilos-diferente-antepassados-289684
https://torresvedrasweb.pt/pequeno-esqueleto-do-jurassico-da-lourinha-mostra-a-evolucao-da-couraca-dos-crocodilos/

quarta-feira, maio 30, 2018

A fenestra mandibular e a origem dos crocodilos

Durante o Jurássico não existiam crocodilos, mas sim crocodilomorfos. Uma das diferenças mais evidentes é a abertura mandibular, isto é, uma fenestra que os verdadeiros crocodilos (clade Crocodylia) têm nos ossos da maxila inferior, entre os ossos dental, angular e surangular. O estudo e relevância desta abertura anatómica foi  estudada por Eduardo Puértolas-Pascual, Octávio Mateus e Pedro Callapez num artigo apresentado no último congresso EJIP, que mostra que esta característica é fiável e uma das mais úteis para a distinção entre os verdadeiros crocodilos e os seus parentes crocodilomorfos.

Filogenia dos crocodilomorfos.

Fenestra mandibular em crocodilos (Puértolas-Pascual e al 2018)


Puértolas-Pascual, E., Mateus O., & Callapez P. M. (2018).  Implicaciones de la fenestra mandibular externa en el origen de Crocodylia. EJIP Life finds a way. 14-144.

sexta-feira, novembro 24, 2017

O mais antigo dos crocodilos é Português?


O grupo de crocodilianos Eusuchia é conhecido desde o Cretácico Inferior (Barremiano), sendo Hylaeochampsa da Inglaterra o representante mais antigo deste grupo. No entanto, o registro de eusúquios do Barremiano ao Santoniano é muito escasso em todo o mundo. A diversidade de Eusuchia aumenta notavelmente durante o Campaniano - Maastrictiano com a radiação de Hylaeochampsidae e a primeira aparição de Allodaposuchidae e Gavialoidea na Europa, ou o registro mais antigo de Crocodylia com representantes de Alligatoroidea, Crocodyloidea, Borealosuchidae e Gavialoidea na América do Norte.
No Congresso de Paleontologia de Vertebrados que decorreu em Calgary, Octávio Mateus, Pedro Callapez e Eduardo Puértolas-Pascual apresentaram um novo exemplar de crocodilomorfo eusúquio baseado num crânio e mandíbula (ML1818) do início do Cenomaniano superior do Baixo Mondego (Fm. Tentúgal). O espécime apresenta uma série de caracteres exclusivos como presença de uma pequena fenestra mandibular externa sem participação surangular; aforma da barra postorbital e a forma da margem dorsal da fenestra infratemporal. A análise cladística resultante coloca este espécime na base dos Crocodylia em uma posição mais derivada do que Gavialoidea e como o táxone-irmão do resto dos Crocodylia. Por conseguinte, este espécime português representa o único Eusuchia bem documentado no Cenomaniano da Europa e provavelmente o representante mais antigo da Crocodylia em todo o mundo, ajudando a preencher uma lacuna do registo de Eusuchia e Crocodylia. Além disso, esta descoberta ajuda a esclarecer a radiação de Eusuchia e a origem dos Crocodylia, que provavelmente teria ocorrido na Europa. 
No entanto, devido à natureza fragmentada desses restos, embora a posição dentro de Eusuchia seja indubitavél, a posição filogenética deste espécime dentro de Crocodylia não é muito bem suportada. Assim, a recuperação de novos restos ajudaria a confirmar ou descartar essa hipótese.

Características dos Eusuchia (Mateus et al., 2017)
Mateus, O., Callapez P. M., Puértolas-Pascual E. (2017).  The oldest Crocodylia? a new eusuchian from the Late Cretaceous (Cenomanian) of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 2017, 160.  PDF

quarta-feira, março 08, 2017

Ovos fósseis de Portugal mostram uma evolução muito lenta dos ovos de crocodilo desde o Jurássico


Uma nova pesquisa com ovos fósseis de Portugal com 152 milhões de anos mostrou que se tratam de parentes próximos dos crocodilos e que seu tipo de ovo mudou muito pouco desde então. Os ovos foram encontrados nas rochas do Jurássico Superior nas arribas costeiras do oeste de Portugal.

Os ovos agora descritos foram encontrados em rochas cerca de 152 milhões de anos de idade tornando-os os mais antigos ovos fósseis de crocodilomorfos conhecidos até agora. Os crocodilomorfos são o grupo do antepassado comum a todos os crocodilos. O ovo mais antigo deste tipo que se conhecia até então era do Texas e tinha cerca de 112 milhões de anos. Assim, a nova descoberta de Portugal alarga o conhecimento deste tipo de ovos em cerca de 40 milhões de anos.
Postura de ovos de crocodilomorfo.


Um dos aspectos mais notáveis ​​destes ovos é como são semelhante aos de crocodilos modernos, indicando que a evolução da morfologia do ovo foi muito lenta e que mudou muito pouco nos últimos 152 milhões de anos de história dos crocodilos e dos seus antepassados. Obviamente, há um certo grau de variação entre ovos diferentes, por exemplo, no tamanho do ovo ou mudanças microscópicas na casca do ovo, mas as características morfológicas fundamentais são as mesmas. Os ovos foram considerados ligeiramente diferentes de quaisquer outros ovos previamente descritos, portanto, foram consideradas duas novas oospécies, que são equivalentes a novas espécies, mas apenas aplicadas aos ovos.



De facto, o registo fóssil diz-nos que os crocodilos e seus parentes (formando o grupo maior dos crocodilomorfos) eram muito mais diversos no passado, com diferentes hábitos alimentares, distribuição de nicho ecológico ou morfologia. "Este estudo mostra que os ovos permaneceram praticamente inalterados ao longo da evolução do grupo durante pelo menos os últimos 150 milhões de anos" diz João Russo, o primeiro autor do estudo, que resulta da tese de Mestrado em Paleontologia.

Suchoolithus portucalensis, oogen. and oosp. nov.

A tese, que foi orientada por Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, e co-autor do estudo publicado na revista PLOS ONE, mostrou através de uma análise microscópica detalhada que algumas destas cascas de ovos são quase idênticas aos crocodilos modernos, como o aligator. Além disso, um dos espécimes descritos é um dos melhores exemplos de uma postura não eclodidas e também uma das mais pequenas pois cada ovo é do tamanho de um polegar. Alguns ovos tinham restos de embriões, mas demasiados pequenos e fragmentados para serem identificados com mais detalhe.

A colecção de fósseis do Museu da Lourinhã, em Portugal, já é conhecida pelo extenso e único registo de ossos e ovos de dinossauros do Jurássico Superior, incluindo a presença de ninhos e embriões, mas os ovos de crocodilomorfos do Jurássico eram praticamente desconhecidos até agora.

Referência: Russo, Mateus, Marzola and Balbino. 2017 Two new ootaxa from the Late Jurassic: the oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal. PLOSONE.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Knoetschkesuchus guimarotae é o novo nome do pequeno crocodilomorfo de Portugal

Knoetschkesuchus langenbergensis (Foto: OM)
Da jazida de Oker, Langenberg, na Baixa Saxonia, a norte da Alemanha, foi descrito o pequeno, mas adulto, crocodilomorfo Knoetschkesuchus langenbergensis Schwarz et al 2017 muito próximo do Theriosuchus.

Este atoposaurídeo do Jurássico Superior vem da mesma jazida do saurópode Europasaurus holgeri.

Em Portugal era conhecido o Theriosuchus guimarotae, que agora se verifica ser muito próximo de K. langenbergensis pelo que o trabalho de Daniela Schwarz e colegas permite fazer uma nova combinação taxonómica: Knoetschkesuchus guimarotae para o material português.


Nils Knötschke (foto:OM)


O nome é dedicado a Nils Knötschke do DinoPark de Münchehagen.


Schwarz D, Raddatz M, Wings O (2017) Knoetschkesuchus langenbergensis gen. nov. sp. nov., a new atoposaurid crocodyliform from the Upper Jurassic Langenberg Quarry (Lower Saxony, northwestern Germany), and its relationships to Theriosuchus. PLoS ONE 12(2): e0160617. doi:10.1371/journal.pone.0160617

Comparação entre Knoetschkesuchus langenbergensis da Alemanha e K.guimarotae de Portugal (Schwarz et al 2017)

domingo, maio 17, 2015

Portugal tem os mais antigos ovos de crocodilomorfos do mundo


Novo estudo confirma a existência em Portugal dos mais antigos ovos de crocodilomorfos no mundo. Assinado por João Russo, Octávio Mateus, Ausenda Balbino e Marco Marzola, este artigo é resultado da tese de Mestrado em Paleontologia FCT+UÉ de João Russo sobre ovos de crocodilomorfos, e publicado nas Comunicações Geológicas (saiu para o público esta semana embora a data indicada seja de 2014).

Ovos e cascas de crocodilomorfos de Portugal



Estes ovos das colecções do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova (FCT-UNL), foram recolhidos nos afloramentos do Jurássico Superior (com cerca de 152 milhões de anos).
Apresentam-se cascas de ovos fósseis de Crocodylomorpha da Formação da Lourinhã do Jurássico Superior de Portugal, recolhidas em cinco locais: um ninho de Cambelas com 13 ovos, e três ovos parciais e vários fragmentos de Paimogo N (I), Paimogo S (II), Casal da Rola, e Peralta. Todos os espécimes excepto o ninho foram encontrados em associação com material de ovos de dinossauro. A nossa investigação revela que, numa análise micro- e ultraestrutural, todas as amostras apresentam caracteres típicos consistentes com o morfótipo crocodilóide de casca de ovo, como a forma das unidades de casca, a organização das camadas da casca, e a extinção triangular em blocos observável com nicóis cruzados. Atribuímos este material à oofamília Krokolithidae, sendo os ovos de crocodilomorfos mais antigos conhecidos até agora e também o melhor registo para ovos de crocodilomorfos não crocodilianos. Além disso, o nosso estudo indica que a estrutura básica da casca de ovos crocodilóides se mantém estável pelo menos desde o Jurássico Superior.

Russo, J., Mateus O., Balbino A., & Marzola M. (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 563-566.

Palavras-chave: Cascas de ovo, Crocodilóide, Crocodylomorpha; Jurássico Superior, Krokolithidae.

segunda-feira, abril 13, 2015

Ovos de crocodilomorfos do Jurássico Superior de Portugal, em Tese de Mestrado de João Russo


Ovos de crocodilomorfos estiveram em destaque quando João Russo defendeu esta segunda feira, 13 de Abril de 2015, no Campus da FCT-UNL na Caparica a sua dissertação intitulada "Eggs and eggshells of Crocodylomorpha from the Upper Jurassic of Portugal" como prova final do Mestrado em Paleontologia em associação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia-UNL e Universidade de Évora, sob a orientação de Octávio Mateus e Ausenda Balbino.
Na tese focou-se registo de ovos de crocodilomorfos do Jurássico Superior de Portugal, presentes nas coleções do Museu da Lourinhã e da FCT-UNL. 

O desempenho mereceu a avaliação de 19 valores, por unanimidade do júri, pelo que o agora Mestre João Russo está de parabéns. O júri reconheceu que “a prova foi muito bem apresentada tendo o candidato demonstrado conhecimento profundo do tema tratado, um elevado grau de autonomia na realização do trabalho e muito boa qualidade dos resultados alcançados e descritos na dissertação. Os resultados estão parcialmente publicados pelo candidato como autor e co-autor em publicações científicas indexadas."

Publicações:
Marzola, M., Russo J., & Mateus O. (2015).  Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology. 27(1), 115-133. PDF
Russo et al. (no prelo). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas.

Resumos em congressos:
Marzola, M., Mateus O., Russo J., & Milàn J. (2014).  Comparison of modern and fossil Crocodylomorpha eggs and contribution to the oophylogeny of Amniota. XII Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists. , p. 192, Regione Piemonte: European Association of Vertebrate Palaeontologists. Museo Regionale di Scienze
Russo, J., Mateus O., Marzola M., & Balbino A. (2014).  Eggs and eggshells of crocodylomorpha from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,
José Carlos Brito (arguente), Paulo Legoinha (Presidente do Júri), João Russo (candidato), Octávio Mateus (orientador) e Ausenda Balbino (co-orientadora)

Ficha técnica:
Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL + UÉ)
Provas de Mestrado de João Paulo Vasconcelos Mendes Russo
Dissertação: "Eggs and eggshells of Crocodylomorpha from the Upper Jurassic of Portugal"
Constituição do Júri: 
Presidente
•  Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais
•  Doutor José Carlos Alcobia Regado de Brito, Investigador Principal – CIBIO-InBIO da Universidade do Porto;
•  Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar  da Faculdade de Ciências de Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.


Sobre o Mestrado em Paleontologia: http://www.dct.fct.unl.pt/ensino/mestrado-em-paleontologia 

quarta-feira, outubro 15, 2014

Machimosaurus: o crocodilomorfo de 9 metros do Jurássico de Portugal


Viveu em Portugal há 150 milhões de anos e um novo estudo mostra que Machimosaurus hugii, de nove metros, era o maior crocodilomorfo (grupo que inclui os crocodilos) do Jurássico. O estudo foi liderado por Mark Young da Universidade de Edinburgh, e no qual participou o paleontólogo português Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL.
É apresentado o ponto da situação, o estado da arte, relativamente a este género de crocodilomorfo que era conhecido desde há muito, mas mal compreendido.
Descobre-se com esta investigação que este Machimosaurus evoluiu numa sucessão cronológica, geográfica e de espécies, num processo semelhante ao género Crocodylus actual. Ou seja, cada espécie do género Machimosaurus viveu num território e idade ligeiramente distinta. Em Portugal temos os mais antigos e os maiores espécimes deste género. 
Apresenta-se uma nova "arrumação" taxonómica das espécies conhecidas dentro do género, com novas caracterizações e detalhes, e com isso compreende-se que existiu uma nova espécie a que se dá o nome Machimosaurus buffetauti da França e Alemanha, e confirma-se a validade de outras restantes, nomeadamente M. mosae e M. hugii. 
Embora aparentados, tecnicamente os Machimosaurus não são verdadeiros crocodilos mas são crocodilomorfos, ou seja um grupo que inclui os crocodilos actuais e também espécies mais primitivas.
O estudo é publicado na Royal Society Open Science por paleontólogos de Inglaterra, França, Portugal, Alemanha, Suíça e Brasil, num trabalho que começou há cerca de dois anos.

Ver notícia no Jornal Público. Apesar de relatado noutras notícia de fraco jornalismo, este não é o mais antigo dos crocodilos.



Espécies de Machimosaurus, sendo a maior o M. hugii, de Portugal 

Machimosaurus era um género de crocodilomorfo teleossaurídeo de grande porte, considerado durófago/quelonívoro e que frequentava ecossistemas costeiros marinhos e estuarinos durante o Jurássico. É agora publicada a revisão do género com base em espécimes previamente descritos e a revisão das espécies dentro deste género. Conclui-se que havia três espécies europeias de Machimosaurus a qual acresce um outro táxone, na Etiópia. Esta conclusão é baseada em várias evidências: morfologia craniomandibular, dentária e pós- craniana; diferenças na estimativa do comprimento total do corpo; idade geológica; distribuição geográfica e estilo de vida hipotético. É fornecida uma nova diagnose para a espécie-tipo, Machimosaurus hugii, e restringe-se os espécimes referidos apenas para os do Kimmeridgiano superior–Titoniano inferior da Suíça, Portugal e Espanha. Também se apresenta uma nova diagnose de M. mosae, demonstrando que é um nome válido, restrito ao Kimmeridgiano superior–Titoniano inferior do nordeste da França. Rediagnostica-se e valida- se a espécie M. nowackianus de Harrar, Etiópia. Por fim, estabelece-se uma nova espécie, M. buffetauti, para os exemplares do Kimmeridgiano inferior de França e da Alemanha (e, possivelmente, de Inglaterra e Polónia). Machimosaurus pode ter sido análogo ao género Crocodylus do Pliocénico–Holocénico como um táxone de grande porte adaptado a atravessar barreiras marinhas e com taxa limitados geograficamente.


Dente de Machimosaurus hugii
(espécime Museu da Lourinhã)
Crânio de Machimosaurus buffetauti n. sp.





Abstract
Machimosaurus was a large-bodied genus of teleosaurid crocodylomorph, considered to have been durophagous/ chelonivorous, and which frequented coastal marine/estuarine ecosystems during the Late Jurassic. Here, we revise the genus based on previously described specimens and revise the species within this genus. We conclude that there were three European Machimosaurus species and another taxon in Ethiopia. This conclusion is based on numerous lines of evidence: craniomandibular, dental and postcranial morphologies; differences in estimated total body length; geological age; geographical distribution; and hypothetical lifestyle. We re-diagnose the type species Machimosaurus hugii and limit referred specimens to only those from Upper Kimmeridgian–Lower Tithonian of Switzerland, Portugal and Spain. We also re-diagnose Machimosaurus mosae, demonstrate that it is an available name and restrict the species to the uppermost Kimmeridgian–lowermost Tithonian of northeastern France. We re- diagnose and validate the species Machimosaurus nowackianus from Harrar, Ethiopia. Finally, we establish a new species, Machimosaurus buffetauti, for the Lower Kimmeridgian specimens of France and Germany (and possibly England and Poland). We hypothesize that Machimosaurus may have been analogous to the Pliocene–Holocene genus Crocodylus in having one large-bodied taxon suited to traversing marine barriers and additional, geographically limited taxa across its range.

Young, M. T., Hua S., Steel L., Foffa D., Brusatte S. L., Thüring S., Mateus O., Ignacio-Ruiz Omeñaca J., Lepage Y., Havilk P., & Andrade M. B. (In Press). Revision of the Late Jurassic teleosaurid genus Machimosaurus (Crocodylomorpha, Thalattosuchia). Royal Society Open Science..

quinta-feira, setembro 04, 2014

PaleoAngola 2014

Crocodilo num bloco de arenito.
Voltámos de mais uma expedição em Angola, integrada no Projecto PaleoAngola (www.paleoangola.org).
Participaram Louis Jacobs (SMU) e Octávio Mateus (FCT-UNL e ML), de 23 de Agosto a 1 de Setembro de 2014, com visitas a Cabinda e Kwanza. Recolhemos mamíferos (baleias, proboscídeos e outros), crocodilos, quelónios, tubarões e nautilóides. Além do apoio e participação de sempre da Universidade Agostinho Neto, agradecemos à Esso Angola, Maersk, e ISEM.
Afloramentos espectaculares em Angola, entre o Miradouro da Lua e Barra do Kwanza.



Louis Jacobs e Octávio Mateus







sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Como são os ovos de crocodilos?


Para compreender os fósseis temos frequentemente que recorrer às espécies actuais. Mas se quisermos estudar crocodilos tudo fica mais fácil pois existem 14 espécies actuais. Nos dinossauros não-avianos isso é impossível e usamos os seus "primos", os crocodilos, e os descendentes actuais, as aves. A verdade é que por vezes as espécies actuais também precisam de ser estudadas e isso levou-nos ao estudos de ovos de três espécies de crocodilianos: Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano). Os resultados foram agora publicados na Historical Biology com Marco Marzola e João Russo.

Crocodylus mindorensis. Fonte: wikipedia

Evolução dos ovos (Marzola et al., 2014)

Referência:
Marzola, M., Russo J., & Mateus O. (2014). Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology link

Tradução do resumo:

Identificação e comparação de ovos e estruturas da casca de ovos de crocodilos modernos e fósseis

Cascas de ovos de três espécies de crocodilos actuais Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano) foram preparadas para análises de secção em lâmina delgada e microscopia electrónica e são descritas de forma a melhorar o conhecimento da anatomia e microestrutura de ovos crocodilianos, e a definir novas apomorfias que possam ser utilizadas para identificação. Tanto ovos de crocodilos actuais como fósseis apresentam uma ornamentação externa que varia entre o tipo anastomotuberculado, ramotuberculado, ou o aqui descrito pela primeira vez, rugosocavado. O sistema de poros do tipo angusticaniculado é uma característica partilhada entre cascas de ovos de Crocodilomorfos e alguns grupos de dinossauros e aves. Sinais de incubação de ovos de crocodilos anteriormente descritos foram também observados no único ovo fertilizado e eclodido. A amostra de Paleosuchus palpebrosus apresenta uma morfologia das três camadas da casca e organização únicas, com uma camada média relativamente fina caracterizada por uma microestrutura densa e compacta.

sábado, outubro 23, 2010

Crocodilo Terminonaris do Cretácico afinal apareceu antes do que se pensava e na América do Norte

O género de crocodilo Terminonaris do Cretácico, que se pensava originário da Europa, afinal apareceu antes do que se pensava na América do Norte.

O crocodilo da família Pholidosauridae, denominado Terminonaris robusta, faz parte de uma linhagem cuja origem é controversa. A maioria dos exemplares são da América do Norte (com 83 a 93 Milhões de anos) e um exemplar descoberto na Alemanha, um pouco mais antigo, sugeria uma origem europeia deste género.

Contudo, uma nova descoberta agora anunciada em resultado de uma investigação realizada em parceria entre a Universidade Nova de Lisboa / Museu da Lourinhã e a Southern Methodist University mostra a ocorrência deste crocodilo aos 96 milhões de anos (Cenomaniano médio) no Texas, pelo que se trata da ocorrência mais antiga e mais meridional deste crocodilo. Isto vem mostrar que a sua origem evolutiva  não é na Europa, mas na América do Norte, pelo menos 3 milhões de anos antes, e que a distribuição do género é mais abrangente do que se pensava.

Esta investigação, liderada por Thomas Adams, foi apresentada na 70th Society of Vertebrate Paleontology Meeting, que ocorreu em Pittsburgh no início de Outubro.

Referência:
Adams, T.L., Polcyn, M.J., Mateus, O., Winkler, D.A. & Jacobs, L.L. 2010. New occurrence of the long-snouted crocodyliform, Terminonaris cf. T. robusta, from Woodine Formation (Cenomanian) ot Texas. Journal of Vertebrate Paleontology, 30, 52A.
PDF



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sábado, janeiro 24, 2009

Nova Publicação: Colecção de Fósseis de Vertebrados de Sir Alfred Leeds


A colecção de fósseis de vertebrados que está no National Museum of Ireland é relavante sob o ponto de vista histórico mas também científico. Acontece que no final do século XIX um senhor chamado Alfred Leeds que vivia no Peterborough District começou a acumular uma importantíssima colecção de fósseis de vertebrados a partir do seu barreiro. Durante mais de vinte anos Alfred Leeds (principalmente, se bem que inicialmente ajudado pelo seu irmão Charles) acumulou uma quantidade absolutamente impressionante de fósseis de uma inestimável riqueza científica. Desde plesiossauros, passando por crocodilomorfos, e por peixes gigantes como o Leedsichthys. A colecção em Dublin é uma fracção representativa do que existiu na formação de "Oxford Clay", onde o barreiro se inseria. Por outro lado, a Colecção de Alfred Leeds no National Museum of Ireland é um marco importante na história da própria colecção; assinala o momento em que Alfred Leeds começou a dispersar, vendendo, fósseis por todo o mundo. Hoje em dia a colecção de Alfred Leeds está em Uppsala (Suécia), Estados Unidos, vários museus de Inglaterra, etc. A maior parte dos fósseis estão no Hunterian Museum, mas os melhores espécimes encontram-se no The Natural History Museum, London.

À parte disto, este estudo foi extremamente interessante de se realizar. Não só ficámos a saber um pouco mais sobre uma colecção extremamente rica, mas também tive o prazer de trabalhar com um dos maiores especialistas na história da Colecção: Jeff Liston e com o meu colega e amigo Adam Smith. É um trabalho que merece uma leitura por parte daqueles que se importam com o híbrido que resulta da paleontologia pura e a história!

O artigo pode ser descarregado a partir deste link.

Imagem: à esquerda uma barbatana de Ophthalmosaurus e à esquerda parte de um documento com mais de cem anos desenhado por Alfred Leeds quando havia recolhido o fóssil do seu barreiro.

domingo, novembro 30, 2008

Crocodilo Marinho Jurássico


A Lusa adianta esta notícia sobre um esqueleto de Metriorhynchus:

Paleontologia: Exumação de crocodilo marinho com 150 milhões de anos

Paleontólogos suíços exumaram hoje o esqueleto de um Metriorhynchus, um crocodilo marinho que viveu há 150 milhões de anos e pesava 300 quilos.
Com a ajuda de um camião-grua, os cientistas extraíram o esqueleto de um bloco de três toneladas de sedimentos, de forma a evitar o risco de danificar o fóssil, descoberto na cordilheira suíça do Jura, por ocasião dos trabalhos de construção de uma auto-estrada, anunciou a agência noticiosa suíça ATS.
É o primeiro espécime de "metriorhynchus" descoberto na Suíça. Decorreram seis meses desde a descoberta do fóssil até à sua exumação.
Dotado de patas-barbatana bem como de uma longa cauda curvada na extremidade, este crocodilo carnívoro de alto mar deveria voltar à praia para depositar os seus ovos tal como as tartarugas marinhas.
A região de Ajoie (noroeste da Suíça, cantão de Jura) encontrava-se há 150 milhões de anos rodeada por um mar com temperatura de 25 graus Celsius.
O subsolo desta região revelou por ocasião dos trabalhos da auto-estrada mais de 5.000 pegadas e perto de 400 rastos de dinossauro. Por entre as pegadas, estão identificadas algumas de saurópodes (dinossauros quadrúpedes e herbívoros de cauda e pescoço comprido).


 

Metriorhynchus superciliosus em exposição no Museu de História Natural de Paris (foto por OM, em 2007).

A figura no topo é daqui.