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domingo, junho 01, 2008

Feiras de fósseis?

Será que promover feiras de fósseis será a forma certa de proteger o património?

Em Portugal várias instituições de ensino, investigação e museologia têm o hábito de promover feiras de fósseis e minerais (veja aqui um exemplo numa escola secundária).

Será esta a melhor forma de protegermos o nosso património? Será que as instituições públicas não deviam repudiar o comércio de fósseis em vez do promover?

No meio da arqueologia, por exemplo, é impensável (e obviamente proibido) os museus, universidades e escolas promoverem a venda de machados neolíticos ou vestígios humanos. Então, porque é que na geologia as instituições congéneres o fazem com ovos de dinossauro, amonites raras, e outros fósseis?

Será que o dinheiro que estas instituições recebem nestas feiras compensa este fomento ao comércio de fósseis e subsequente exploração comercial de jazidas porventura cientificamente importantes?

Pessoalmente, fico seriamente preocupado quando vejo fósseis de dinossauros da Lourinhã (ou qualquer outros fósseis de vertebrados portugueses) à venda em stands de vendas de fósseis.

Compreendo que existam empresas comerciais que o façam… mas as universidades?
Este é um tema em que a situação portuguesa sempre me deixou perplexo e não vejo os nossos colegas geólogos, biólogos e paleontólogos a debaterem.

4 comentários:

Bruno Pereira disse...

Eu penso que esta actividade pode ser mantida.
Contudo acho que pode e deve ser melhorada no sentido da preservação. Ou seja, penso que se deve desenvolver ao mesmo tempo acções sobre o público que frequenta este tipo de feiras no sentido de sensibilizar para a não colecta de material geológico e paleontológico.
Acho que este tipo de inciativas pode e deve ter o intuito de alertar as pessoas para o mundo da Geologia e Paleontologia. Deverá é ter também uma componente pedagógica.

Alexandra disse...

Dr. Octávio Mateus, achei deveras interessante o seu tema e não pude deixar de postar aqui um comentário.estive este sábado numa dessas feiras na Reitoria da Faculdade do Porto, organizada pela Faculdade de Ciências da UP.concordo consigo plenamente e acredite que em alguns momentos me passou pela cabeça a imagem bíblica de Cristo a expulsar os vendedores do Templo.
durante uma interesante discussão com um geólogo que vendia fosseis por ele apanhados, chegamos à eterna questão de que os museus tb compram e vendem fosseis. quando lhe respondi que teriamos que analisar a questão por um prisma diferente, respondeu k não, pois ele estava apenas a financiar o seu próprio mestrado, para futuramente vir a contribuir com algo mais para a ciência deste país.
algo aprendi porém, é que muito de falso anda por aí. os fosseis marroquinos ganharam má fama devido às falsificações, as pessoas compram pk é moda e se há mercado...
também tem razão quando diz k a comunidade científica não quer saber...é tipicamente portugês.é a lei do "deixa andar" que depois logo se vê. Não faço parte dessa classe e de ciência pouco percebo, mas é bom que haja meia dúzia de atentos, e acima de tudo que haja informação.
se existe uma "cartilha dos direitos dos monumentos", porque não uma cartilha dos direitos do património geológico e paleontológico? uma ideia a pensar, não?

El CAS y Silvia Mielgo Gallego disse...

Siempre hay gente que no entiende que el patrimonio pertenece a todos y por ello su lugar son las instituciones que lo estudian, lo conservan y lo exponen para todos. Siempre hay gente que comercia con lo público. Totalmente de acuerdo que es necesario un componente educativo, creo que quien compra restos fósiles o arqueológicos a esa baja escala (otro asunto es lo que ocurre con las casas de pujas tipo Christies)no piensan que estén alimentando el pillaje y el expolio.

Elizabete disse...

Excelente abordagem a um tema pertinente: o que se deve e não se deve vender? Na minha opinião pode ser vendido aquilo que integra valor e que é criado para corresponder a várias necessidades humanas, logo produtos da criação do homem, serviços ou ideias que permitam a sua manutenção e evolução enquanto espécie. O fins não devem justificar os meios. Defendo que a solução está na Sustentabilidade e na transmissão dos valores que irão seguramente contribuir para um mundo melhor. Queria ainda acrescentar, fósseis ou outro qualquer vestígio deixado por espécies extintas são parte da história deste Planeta que todos queremos manter e que todos devemos preservar...vender partes da sua história só me parece adequado quando se trata de algo recriado pelo homem, vendam-se livros, dvd's, entradas em Exposições e Museus, etc para que outros possam conhecer e admirar beneficiando destas criações e iniciativas humanas...mas deixem-se fósseis e outros vestígios da natureza e da história fora de qualquer circuito comercial generalizado que corresponda só à necessidades de alguns. É preferível envolver empresas e organismos no financiamento de programas e projectos que se constituem como acções com impacto na evolução da sociedade, como é o caso da Educação para o Empreendedorismo, para a Saúde, para o Ambiente.e para a Cidadania po exemplo. É uma questão de consciência e de responsabilidade social que deve ser transmitida de uma forma coerente e pedagógica desde a infância, sem dúvida alguma. A questão colocada é muito pertinente e fez-me pensar... Aproveitei para partilhar, obrigada