sexta-feira, novembro 16, 2007

Lista de dinossauros de Portugal

Seque-se a lista actualizada dos dinossauros conhecidos em Portugal até à data:

Jurássico inferior (200 a 175 Milhões de anos)
Lusitanosaurus liasicus Lapparent e Zbyszewski, 1951

Jurássico Médio (175-161 Milhões de anos)
Sauropoda indet.
Theropoda indet.

Jurássico Superior (161 a 145 Milhões de anos)
aff. Dryosaurus sp
aff. Paronychodon sp.
Allosaurus europaeus Mateus et al. 2006
Alocodon kuehnei Thulborn, 1973
?Apatosaurus sp.
Aviatyrannis jurassica Rauhut , 2003
Ceratosaurus dentisulcatus Madsen & Welles
cf. Archaeopteryx sp.
Cf. Compsognathus sp.
Dacentrurus armatus (Owen, 1875)
Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus, 1999
Draconyx loureiroi Mateus & Antunes, 2001
Dracopelta zbyszewskii Galton, 1980
Hypsilophodon sp.
Lourinhanosaurus antunesi Mateus, 1998
Lourinhasaurus alenquerensis (Lapparent e Zbyszewski, 1957)
Lusotitan atalaiensis (Lapparent e Zbyszewski, 1957)
Phyllodon henkeli Thulborn, 1973
Stegosaurus cf. ungulatus Marsh 1879
Torvosaurus cf. tanneri Galton & Jensen
Trimucrodon cuneatus Thulborn, 1973

Cretácico Inferior (145 a 99 Milhões de anos)
Baryonyx walkeri Charig & Milner 1986
cf. Camptosaurus
Cf. Pleurocoelus sp.
Diplodocidae indet.
Iguanodon sp.

Cretácico Superior (99 a 65 milhões de anos)
Euronychodon portucalensis Antunes e Sigogneau-Russell, 1991
Taveirosaurus costai Antunes e Sigogneau-Russell, 1991


Octávio Mateus

quinta-feira, outubro 25, 2007

O uso da Tomografia Computorizada na Paleontologia

Recentemente perguntaram-me:

"Como é que conseguem usar aparelhos actuais para fazer TAC's a fósseis? Como é que, com essas tecnologias conseguem reconstituir o passado?" (Ana Meirinho)

A TAC (Tomografia Axial Computorizada) é um método de raios X tridimensional que permite observar o interior de um dado objecto ou corpo. Tem sido desenvolvido e vulgarizado sobretudo para fins médicos, na detecção e diagnose de inúmeras doenças. A aplicação também se estende à paleontologia e outras ciências quando se procura conhecer o interior de um fóssil ou outro objecto. Nesse caso designa-se apenas Tomografia Computorizada (TC) pois o epíteto “axial” refere-se ao áxis, ou eixo, do corpo humano, o que nem sempre se aplica num fóssil. Na paleontologia o processo é o método é semelhante ao usado em TAC em seres humanos para fins médicos, com a diferença do ajuste para densidade e detalhe necessária nos fósseis. A TC é a forma mais prática e não destrutiva, de mostrar o interior dos crânios, vértebras, ovos e de outros fósseis, o que contribuiu para uma melhor compreensão dos mesmos.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Portefólio da expedição à Mongólia

Portefólio da Mongólia:

Expedição à Mongólia







RELATOS DE UMA EXPEDIÇÃO INTERNACIONAL EM BUSCA DE DINOSSAUROS NO DESERTO DE GOBI (MONGÓLIA)

Octávio Mateus
Paleontólogo
Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã





Fase I da expedição: em Shine Us Khuduk, Deserto de Gobi (sudeste da Mongólia)

Era o 3º dia de escavação, a 23 de Agosto de 2007, e os grãos de areia bombardeava-nos a 90 km/h como micro-projécteis, acertando na pele exposta como se de pequenas agulhas se tratassem. Enfrentávamos uma forte tempestade de areia, que tornava mais difícil a concretização do nosso principal objectivo: escavar dinossauros encontrados pela nossa expedição paleontológica.

Apesar da tempestade de areia que durou todo o dia, a escavação dos dinossauros continuou, uma vez que tínhamos de aproveitar todos os momentos de uma expedição científica de apenas 34 dias na Mongólia.
O Deserto de Gobi está longe de ser um deserto quente. Neste momento estamos na estação “confortável”, que se estende de Julho a Setembro. A partir de Outubro a temperatura desce drasticamente e o Inverno castiga com temperaturas médias de 20 graus negativos caindo, ocasionalmente, até aos 50º negativos. Na nossa expedição, em momentos e locais diferentes, registámos temperaturas extremas de 52° centígrados, a nível do solo, e temperaturas abaixo de zero, durante a noite.

O Deserto de Gobi é um dos maiores do mundo e engloba parte da Mongólia e da China. Apesar do seu epíteto e de ser um lugar inóspito, avistam-se ao longe manadas de cavalos selvagens, uma ou outra manada de camelos ou, mais raramente, gazelas à procura dos arbustos ou outra vegetação que resista ao vento cortante e às temperaturas extremas.
A Mongólia tem uma densidade populacional de 1,7 habitantes/km², o que é o mesmo que o concelho de Lisboa ter apenas 144 habitantes. É um país de gente forte e resistente, tradicionalmente nómadas, de tez escura, faces bem asiáticas, de olhos rasgados, cuja língua é remotamente semelhante ao turco. A presença soviética, entre 1924 e 1990, teve uma profunda influência no país, como nos testemunha a escrita cirílica (o alfabeto russo), o caminho de ferro que liga Moscovo a Pequim, e até mesmo o nome da capital, Ulan Bator, imposto pelos soviéticos e que significa, literalmente, “herói vermelho”.

A nossa expedição chama-se “Korea-Mongolia International Dinosaur Project” e integra uma equipa multicultural, composta por cientistas coreanos, canadianos, mongóis … e um português como parte do contingente norte-americano! (Tanto quanto sei, serei o primeiro português a escavar dinossauros no deserto de Gobi e devo-o à cooperação de longa data que mantenho com o prestigiado paleontólogo Louis Jacobs, da universidade SMU, sediada no Texas). São 13 cientistas doutorados, especializados em paleontologia ou sedimentologia, incluindo alguns dos mais proeminentes paleontólogos de dinossauros, como o canadiano Philip Currie, da Universidade de Alberta. Além disso, havia ainda um grupo de guias e auxiliares mongóis que tratavam de toda a logística e condução.
A expedição, financiada pela cidade sul-coreana de Hwaseong, tinha dois principais objectivos: conhecer mais dados sobre o período Cretácico (144 a 65 milhões de anos) e descobrir novos esqueletos de dinossauros. Fomos bem sucedidos!


Cada dia era uma aventura surpreendente, sempre com novas descobertas ou peripécias imprevistas. À noite, reunidos na tenda maior, de tipo militar, mostrávamos e catalogávamos as descobertas do dia, identificávamos os ossos mais intrigantes ou discutíamos questões científicas que se iam levantando e que nos assolavam.
Pessoalmente, eu tinha dois grandes objectivos: aprender mais sobre os dinossauros da Mongólia e descobrir novos esqueletos, nomeadamente, de dinossauros saurópodes e de terizinossauros. Os primeiros são os clássicos gigantes de pescoço comprido, que podiam atingir 30 toneladas de peso e aos quais tenho dedicado parte da minha carreira. Os saurópodes são pouco conhecidos na Mongólia, logo, qualquer nova descoberta tinha o potencial de vir a ser importante. Quanto aos outros, os terizinossauros, tenho uma curiosidade natural sobre eles, pois são um dos tipos de dinossauros mais estranhos que jamais existiram. Embora dentro do grupo dos dinossauros carnívoros bípedes (os terópodes), tal como o Tyrannosaurus rex ou o Allosaurus, estes raros terizinossauros são invulgarmente enigmáticos e bizarros. Numa abordagem completamente não científica, alguém poderia descrevê-los como um cruzamento entre um T.rex, um urso e um peru, com enormes garras nas patas dianteiras. Quando o primeiro terizinossauro foi descoberto, os ossos eram tão estranhos que os paleontólogos julgaram tratar-se de uma tartaruga gigante. A forma dos dentes e do crânio leva alguns paleontólogos a pensar que seriam herbívoros, enquanto outros sugerem que as enormes garras, que atingiam quase um metro de comprimento nalgumas espécies, serviam para desfazer termiteiras, e interpretam este animal como um insectívoro. Outros, ainda, crêem que os terizinossauros se alimentavam de peixe ao longo dos rios e lagos. A verdade é que sabemos muito pouco sobre estes estranhos animais. Conhece-se a morfologia de alguns ossos, a idade geológica em que viveram, mas desconhece-se o habitat, alimentação, comportamento, reprodução e muito mais. Por isso, qualquer novo achado poderá, potencialmente, trazer alguma luz sobre os terizinossauros.
Quando o paleontólogo coreano, e principal organizador da expedição, Yuong-Nam Lee trouxe um fémur (um osso da coxa), descoberto naquele dia, ninguém conseguiu compreender de que dinossauro se tratava. A morfologia era diferente de tudo aquilo a que estávamos habituados, o que me levou a pensar que poderia ser de um tão desejado terizinossauro. Assim era. E parece ter pormenores inteiramente novos, pelo que pode ser de uma nova espécie, desconhecida até à data, ou de uma espécie já descrita cujo fémur não conhecíamos. Esta abordagem verificou-se eficaz: cada vez que encontrávamos um osso de dinossauro terópode diferente daquilo a que estávamos habituados, verificávamos tratar-se, em alguns dos casos, de terizinossauros. Eu descobri partes do crânio, vértebras e ossos dos membros. O sedimentólogo canadiano David Eberth descobriu uma jazida com parte de um esqueleto. Recolhemos alguns dos ossos, incluindo partes da enorme garra, mas outros ficaram no terreno porque não tivemos tempo para escavar tudo. Voltaremos para o ano. Entretanto temos achados suficientes para contribuirmos para o conhecimento destes animais e para fazermos bons estudos científicos. Eu estava contente: novos ossos e partes de esqueletos de terizinossauros, saurópodes e de muitos outros dinossauros. A Mongólia é um El Dorado da Paleontologia.

Pessoalmente, gosto de estudar dinossauros saurópodes. Os ossos e pegadas mostram que estes enormes animais de pescoço comprido estavam longe de serem lentos e pachorrentos. O seu tamanho levou-os a evoluir para um gigantismo que deixa os paleontólogos perplexos. Como se alimentavam? Como se mexiam? Como se reproduziam? Como evoluíram? São questões das quais temos apenas alguns vislumbres de respostas. Fazer paleontologia e tentar aprender sobre épocas passadas é como tentar completar um enorme puzzle com apenas algumas peças. Cada osso e cada dinossauro é uma nova pista para a resolução deste enigma gigantesco.
Na minha carreira tenho estudado saurópodes de Portugal, da Alemanha, dos Estados Unidos, do Laos, de Angola e agora da Mongólia. Mesmo onde os fósseis destes animais são raros (ou mesmo desconhecidos), eu acabei por descobri-los ou estar envolvido no seu estudo. Parece que os saurópodes me perseguem, assim como eu os persigo a eles. Por isso, quando o promissor paleontólogo japonês Yoshitsugu Kobayashi, da Universidade de Hokkaido, descobriu um dinossauro saurópode, eu não poderia ficar mais radiante. Sobretudo porque os saurópodes são quase desconhecidos naquela parte do Deserto de Gobi. Por serem tão grandes, é extremamente raro fossilizarem esqueletos completos, logo os paleontólogos ficam contentes quando exumam algumas vértebras e ossos longos. Mas à medida que os dias passavam e a escavação prosseguia, mais e mais ossos viam a luz do dia, após terem permanecido enterrados durante cerca de 100 milhões de anos. Acabámos por recolher um dos esqueletos mais completos de um saurópode da Mongólia, inclusivamente com ossos do crânio, o que ainda é mais raro. Os ossos relembram uma espécie que os paleontólogos americanos recolheram recentemente e denominaram Erketu ellisoni, mas alguns pormenores sugerem que se poderá tratar de uma nova espécie. É decerto prematuro tirar conclusões e muito mais trabalho se avista à nossa frente.

Fase II da expedição: de Shine Us Khuduk até Khermeen Tsav (oeste de Gobi)




Ao mudarmos de local de acampamento, do leste de Gobi para o oeste, aventurámo-nos novamente pelo deserto, onde peripécias e imprevistos podem ocorrer a qualquer momento. A nossa caravana de seis viaturas fez uma travessia lenta, de seis dias, pois sofriam constantes avarias e tinham frequentemente pneus furados. Dois lentos e antigos camiões soviéticos traziam todo o equipamento e víveres necessários às duras condições no deserto: várias toneladas de água em garrafas de litro e meio, um pequeno atrelado com água para uso não alimentar, comida para toda a equipa, tendas, gerador, e até um frigorífico mantinha as provisões frescas necessárias durante todo um mês.
As raras estradas existentes no deserto são, na verdade, caminhos e trilhos de terra, mas o seu uso contínuo dá-lhes o epíteto de “estrada nacional”, com direito a numeração e a figurar na maioria dos mapas da Mongólia, até mesmo na escada de 1:2.000.000. Alguns caminhos agrícolas de terra batida, em Portugal, são tão bons ou melhores do que as estradas no deserto de Gobi, às quais faltam sinais de trânsito, limites ou asfalto.
Khermeen Tsav, o segundo local de acampamento e escavações, é o local mais remoto onde eu já alguma vez estive, mas com uma das mais espectaculares paisagens que podemos imaginar. Magníficos canyons de cor avermelhada estendem-se a perder de vista e todos aqueles afloramentos de rocha são um convite à descoberta de dinossauros. A 54 quilómetros de distância encontrava-se o primeiro ser humano, que habitava numa ger, uma tenda circular tradicional, e a primeira povoação era uma pequena cidade que estava a cerca de 150 km. A comunicação com o mundo exterior fazia-se através de emissores-satélite: por um telefone que funcionava de forma muito irregular e através da Internet, que nos permitia trocar uns parcos megabytes por semana.

Os achados acumulavam-se todos os dias. Eu descobri uma bone-bed, termo usado pelos paleontólogos para designar uma camada repleta de ossos, com pelo menos 8 indivíduos de anquilossauros, um dinossauro herbívoro couraçado, e de onde recolhemos três crânios completos. A grande quantidade de ossos fez-nos deixar muitos deles no terreno.
Não se descobriram apenas ossos nesta viagem: identificámos dezenas de pegadas e recolhemos ovos, cascas de ovo e vários ninhos, entre os quais um ninho de dinossauro carnívoro Oviraptor, com ossos de embrião, achado pelo nosso colega japonês Kobayashi. Encontrámos e recolhemos, ainda, ossos de Tarbosaurus (o “primo asiático” do Tyrannosaurus rex), anquilossauros, protoceratops, ornitomimossauros (incluindo um bebé), e muitos outros achados que requerem agora um estudo atento.
No regresso a Ulan Bator demorámos três dias de penosa viagem. Volto a Portugal com fantásticos projectos científicos e uma experiência magnífica para contar.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Mongólia:Paleontólogo português segue o rastro do «verdadeiro» Indiana Jones










O paleontólogo Octávio Mateus estará a partir do dia 20 no deserto de Gobi, na Mongólia, e vai tornar-se o primeiro português a seguir as pistas de Roy Chapman Andrews, tido como o verdadeiro Indiana Jones



Integrado numa equipa de 15 especialistas norte-americanos, japoneses, sul-coreanos, canadianos e mongóis, o investigador do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa será o único representante europeu na missão que vai durar 34 dias.Depois de ter participado em várias expedições em África, Laos, Cambodja, Brasil ou Estados Unidos, o investigador desloca-se pela primeira vez à Mongólia, um dos cinco «Grandes» países quanto à existência de fósseis de dinossauros. Este top é ainda composto pelos Estados Unidos, Argentina, China e Canadá. A Mongólia é uma das áreas mais ricas do mundo em vestígios de dinossauros do Cretácico, período que terminou há aproximadamente 65 milhões de anos, mas em comparação com o período Jurássico, com cerca de 150 milhões de anos, fica atrás de Portugal. «Queremos encontrar novos esqueletos de espécies conhecidas, mas melhor seria encontrar uma nova espécie. Tenho esperança em encontrar um esqueleto relativamente completo e uma novidade, mas é sempre promissor trabalhar num deserto muito rico em fósseis», disse Octávio Mateus à agência Lusa.No local onde foi descoberto o velociraptor, também conhecido como ladrão veloz e uma das «estrelas» do livro e filme Parque Jurássico, o português indica como exemplo de descoberta interessante um carnívoro.O convite para a expedição ao deserto de Gobi - onde a temperatura média anual é de -2,5 graus a +2,8 graus e os valores extremos chegaram a 38 e -43 graus numa região e 33,9 e -47°graus numa outra - aconteceu devido à colaboração de alguns anos do investigador português com a Universidade Metodista do Sul, localizada em Dallas (Texas, Estados Unidos).«Esta é uma oportunidade de vida que tinha de aceitar. Também será uma honra apoiar um país como a Mongólia, assim como será uma aventura estar num local muito difícil de trabalhar», resumiu o paleontólogo, que já participou na identificação de sete novas espécies.Para explicar a sua paixão por dinossauros, este português socorre-se de um provérbio que envolve outro tipo de animal: «filho de peixe sabe nadar».A sua família está desde sempre ligada ao Museu da Lourinhã e o gosto pelos assuntos de história natural levaram-no, há pelo menos 20 anos, a integrar escavações e a seguir a carreira profissional de paleontólogo. Quanto ao «verdadeiro» Indiana Jones, Roy Chapman Andrews, foi investigador do Museu de História Natural de Nova Iorque, onde começou em 1906 como varredor e assistente no departamento de taxidermia. Em 1934 chegou a director da instituição.O investigador ficou conhecido com as expedições que levou a cabo no deserto de Gobi, entre 1922 e 1930, onde descobriu por exemplo os primeiros ninhos de ovos de dinossauros.


Lusa/SOL http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=49200

quinta-feira, abril 12, 2007

Lourinhanosaurus, o dinossauro da Lourinhã


Por Doutor Octávio Mateus
Investigador da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã
omateus @ museulourinha . org


O Lourinhanosaurus é um dos dinossauros que viveu durante o Jurássico superior, há 150 milhões de anos, no território que hoje chamamos Portugal, mais concretamente na Lourinhã. O nome completo deste dinossauro é Lourinhanosaurus antunesi e é uma espécie única no mundo e apenas conhecida na Lourinhã, sendo o seu nome dedicado à vila. Embora latinizado, conforme as regras de zoologia, o nome significa literalmente “lagarto da Lourinhã, dedicado a [Miguel Telles] Antunes”. Este investigador é paleontólogo da Universidade Nova de Lisboa e Academia de Ciências de Lisboa e um dos mais prestigiados paleontólogos europeus. Além disso, é membro do Conselho Científico do GEAL há já quase dez anos.

O esqueleto de Lourinhanosaurus foi recolhido perto da Peralta nos anos oitenta pelo agricultor Luís Mateus que honrosamente o doou ao Museu da Lourinhã, prestando assim um importante contributo à Ciência. Em 1997, estudei este dinossauro como tema de investigação da minha licenciatura, uma série de características únicas levaram à conclusão que se tratava de uma nova espécie de dinossauro, podendo assim ser baptizado com um novo nome.

Nunca se recolheu todo o esqueleto de Lourinhanosaurus antunesi, mas sabemos que teria 4,5 metros de comprimento e cerca de 160 Kg de peso. Os estudos dos tecidos dos ossos sugerem que este dinossauro carnívoro era ainda jovem e possivelmente atingiria os 9 metros de comprimento.

O esqueleto do Lourinhanosaurus está no Museu da Lourinhã mas a sua réplica já esteve numa exposição temporária no Japão.

Embora fosse carnívoro, do grupo dos terópodes, este dinossauro tem uma característica típica de herbívoros: entre as costelas do Lourinhanosaurus descobriram-se gastrólitos, pedras estomacais que auxiliavam a moer os alimentos, e entre eles, quatro garras de um pequeno dinossauro herbívoro, a sua última refeição.

Também se conhecem ovos e embriões desta espécie, provenientes de um dos maiores e mais antigos ninhos de dinossauro do mundo: o ninho de dinossauro descoberto em Paimogo.
A presença de embriões neste ninho, raríssima a nível mundial, permitiu identificar a espécie de dinossauro: um Lourinhanosaurus. O ninho de Paimogo, em exposição no Museu da Lourinhã, foi considerado pela revista norte-americana Discovery uma das 100 descobertas científicas mais importantes no ano de 1997.

Com mais de 200 ossos de embrião identificados, era possível, pela primeira vez, classificar a espécie de dinossauro a que pertenciam aqueles ovos jurássicos, além de responder a muitas perguntas que os cientistas colocavam sobre o crescimento, reprodução e comportamento de dinossauros. Os mais de 100 ovos sugerem que várias fêmeas do Lourinhanosaurus ponham todos os ovos no mesmo ninho comunitário, num comportamento semelhante ao que as avestruzes fazem actualmente.

Os pequenos Lourinhanosaurus atingiriam uma dimensão adulta (talvez com 8 metros) em menos de 10 anos, o que faz dos dinossauros os animais de crescimento mais rápido entre os vertebrados. Pode conhecer-se a idade dos dinossauros contando-se os anéis de crescimento lento dos ossos, num processo análogo àquele utilizado nos troncos de árvores.

sexta-feira, março 09, 2007

Exposição de dinossauros no Entroncamento


O Museu da Lourinhã e a Câmara Municipal do Entroncamento têm patente, desde hoje, dia 10 de Março de 2007, a exposição “No Tempo d…Os Dinossauros” no Centro Cultural do Entroncamento.

Nesta exposição de dinossauros o visitante pode observar réplicas do crânio de do dinossauro herbívoro Triceratops, um esqueleto do dinossauro carnívoro Deinonychus, crânio do novo dinossauro anão Europasaurus, um modelo do herbívoro de espinhos Dacentrurus, entre outros itens paleontológicos.

A exposição pode ser visitada nos dias úteis entre as 15h30m e as 17h30m ou aos fim-de-semanas das 15h às 18h, até dia 25 de Março. Abrirá ainda em horário de expediente para as Escolas, mediante marcação prévia. A entrada é gratuita.

Ao trazer à cidade esta exposição itinerante do Museu da Lourinhã, a Autarquia procura proporcionar a divulgação da ciência e dos dinossauros, dentro de portas, mantendo a proposta do projecto DEVIR, na dinamização do Centro Cultural. Por outro lado, faz parte da estratégia de divulgação da paleontologia pelo Museu da Lourinhã