sábado, janeiro 12, 2008

Dinossauros, Insectos e Fotografias

O jornal Público adiantou hoje, na sua página online http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316121 uma notícia intitulada “Estudo: insectos foram responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros” assinada pela jornalista Sofia da Palma Rodrigues.


Público Online



O resultado do livro “What Bugged the Dinosaurs? Insects, Disease and Death in the Cretaceous”, de George e Roberta Poinar, é o motivo da notícia. Mas atribuir aos insectos a causa principal da extinção dos dinossauros no final do Cretácico não faz sentido por várias razões:

1) As explicações biológicas como causa principal da extinção são pouco plausíveis pois os organismos evoluíam, adaptar-se-iam e nunca ocorreria uma extinção tão drástica. A causa principal tem de ser abiótica e não biótica.

2) Na extinção de há 65 milhões de anos extinguiram-se milhares de espécies de vários grupos de animais terrestres (como os dinossauros) e marinhos (como as amonites, plesiossauros, mosassauros, etc.). Os insectos nunca dominaram os mares mas muitos grupos de animais marinhos extinguiram-se, logo os insectos estão ilibados de uma grande extinção em massa. A principal causa de extinção deve ser comum aos mares e terra. O que não significa que os insectos não tenham contribuído para uma extinção, que porventura já estava a ocorrer por outras causas. O paleontólogo Mário Cachão aborda, e bem, esta questão. Contudo, achei curioso o título de especialidade com que a jornalista o apresenta. Ela aparentemente não conhece o panorama científico nessa área.
3) Os insectos são vectores de doenças e não é de estranhar que também o eram durante todo o Mesozóico. Mas porque é que só no final do Cretácico é que as doenças conseguiram extinguir todo um grupo extremamente bem sucedido? E, para mais, seria estranho que os dinossauros não-avianos fossem todos aniquilados e que a mesma doença os atingisse ao mesmo tempo. Quem propõe tais hipóteses devia estudar mais sobre biologia, evolução e dinâmica parasita-parasitado para compreender a improbabilidade de isso acontecer.

Ainda não li a fonte e pode ser que o livro tenha bons argumentos, mas para já parece-me muito pouco plausível que os insectos tenham sido relevantes para a extinção do final do Cretácico.

A fotografia que acompanha a notícia é a de um esqueleto de Lourinhanosaurus. Embora tenha indicada “DR” no canto (que deduzo que signifique "Direitos Reservados"), a fotografia é de minha autoria! Fotografei-a numa exposição no Japão em Julho de 2006. Eu não me importo que o Público utilize uma fotografia de minha autoria, mas respeite o autor e indique quem realmente a fotografou (ou que indique fonte: site ou instituição).


Lourinhanosaurus (fotografia de Octávio Mateus)

O comentário seguinte é relativo às opiniões dos leitores e, sobre isso, a jornalista não tem qualquer responsabilidade. Entre os ditos comentários dos leitores, é caricato (para não dizer perigoso) o do Sr. Jeremias V., de Mafra, que defende o ensino do criacionismo nas escolas portuguesas. A Razão e a Ciência são possivelmente as maiores conquistas da nossa civilização. Não as estraguemos ao ensinar mitos e explicações sobrenaturais!

1 comentário:

Alexandra disse...

também não consigo imaginar a extinção dos dinos devido à febre amarela, à febre do nilo ou à dengue porém, para alguns jornalistas, o que importa é o impacto e vai dai, não vale a pena questionar-se porque se foi algum estrangeiro que disse é porque é bom.acho que foi um abuso dos direitos de autor utilizar uma foto sem a devida autorização(podia ter aproveitado e até se informava melhor e com um especialista na matéria).
quanto ao criacionismo..ainda não terminei de ler o livro no qual teve uma participação.um abraço.lex