| João Russo. Foto por O.Mateus |
terça-feira, janeiro 09, 2018
Paleontólogo João Russo
Palinologia e ovos fósseis empatam no Artigo do Ano 2017 da Paleontologia portuguesa
- Correia, V.F., Riding, J.B., Fernandes, P., Duarte, L.V. and Pereira, Z., 2017. The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology, 237, pp.75-95.
- Russo, J., Mateus, O., Marzola, M. and Balbino, A. 2017. Two new ootaxa from the late Jurassic: The oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal. PLOS ONE 12 (3): e0171919.
Salgado, L., Canudo, J.I., Garrido, A.C., Moreno-Azanza, M., Martínez, L.C., Coria, R.A. and Gasca, J.M., 2017. A new primitive Neornithischian dinosaur from the Jurassic of Patagonia with gut contents. Scientific Reports, 7.
Gowland, S., Taylor, A.M. and Martinius, A.W., Integrated sedimentology and ichnology of Late Jurassic fluvial point bars–facies architecture and colonisation styles (Lourinhã Formation, Lusitanian Basin, western Portugal). Sedimentology.
Gasca, J.M., Moreno-Azanza, M., Bádenas, B., Díaz-Martínez, I., Castanera, D., Canudo, J.I. and Aurell, M., 2017. Integrated overview of the vertebrate fossil record of the Ladruñán anticline (Spain): Evidence of a Barremian alluvial-lacustrine system in NE Iberia frequented by dinosaurs. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 472, pp.192-202.
Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A. S., Jacobs, L. L., Polcyn, M. J., Pervov, V., Gonçalves, A. O. and Morais, M. L. 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology 471 (Supplement C): 220–232.
Colmenar, J., Pereira, S., Sá, A.A., da Silva, C.M. and Young, T.P., 2017. The highest-latitude Foliomena Fauna (Upper Ordovician, Portugal) and its palaeogeographical and palaeoecological significance. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 485, pp.774-783.
Malafaia, E., Escaso, F., Mocho, P., Serrano-Martínez, A., Torices, A., Cachão, M. and Ortega, F. 2017. Analysis of diversity, stratigraphic and geographical distribution of isolated theropod teeth from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal. Journal of Iberian Geology 43 (2): 257–291.
Pérez-García, A., Brandão, J.M., Callapez, P.M., Machado, L., Malafaia, E., Ortega, F. and Santos, V.F., 2017. The oldest turtle from Portugal corresponding to the only pre-Kimmeridgian plesiochelyid (basal Eucryptodira) recognized at the generic level. Historical Biology, pp.1-9.
Miguez‐Salas, O., Rodríguez‐Tovar, F.J. and Duarte, L.V., 2017. Selective incidence of the toarcian oceanic anoxic event on macroinvertebrate marine communities: a case from the Lusitanian basin, Portugal. Lethaia.
Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen, 2017, Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal. Grana, ISSN: 0017-3134 (Print) 1651-2049
Mendes, M.M., Barrón, E., Batten, D.J. and Pais, J., 2017. A new species of the spore genus Costatoperforosporites from Early Cretaceous deposits in Portugal and its taxonomic and palaeoenvironmental significance. Grana, pp.1-9.
Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.
Paleontóloga Vânia Correia
A primeira autora de um dos artigo do ano de 2017 é Vânia Correia sendo acompanhada no artigo por James B.Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira.
Correia, V.F., Riding, J.B., Fernandes, P., Duarte, L.V. and Pereira, Z., 2017. The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology, 237, pp.75-95.
Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.
Podemos ainda adiantar que a dissertação de doutoramento está prestes a ser entregue para avaliação e desde já felicitamos a Vânia e os restantes autores.
OM20180108
segunda-feira, janeiro 08, 2018
Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa
O blog Lusodinos decidiu eleger, a partir deste ano, os artigos da paleontologia portuguesa que mais se destacaram. O objectivo é seleccionar os artigos de cada ano que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.
Pedimos a oito paleontólogos doutorados, quatro portugueses e outros quatro estrangeiros mas com alguma ligação a Portugal, que indicassem os três artigos que se destacaram em 2017. O resultado foi uma lista de artigos escolhidos por este júri. Destes, o(s) mais votado(s) para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa serão anunciado amanhã.
Regulamento "Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa"
- Objectivo: seleccionar os artigos de cada ano sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa, que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência.
- Cada jurado selecciona os 3 melhores artigos com o critério do ponto 1. Os jurados não podem votar artigos da sua (co)autoria, mas podem votar em artigos de outros membros do júri.
- O júri é composto por: Bruno Pereira, Christophe Hendrickx, Eduardo Puértolas, Emanuel Tschopp, Lígia Castro, Miguel Moreno Azanza, Octávio Mateus e Rogério Rocha
- O resultado são os artigos mais votados, podendo haver empates. O resultado é anunciado no blog Lusodinos.
- Tendencialmente, um dos autores do artigo mais votado de cada ano, será convidado a integrar o júri do ano seguinte.
- Não existe prémio pecuniário.
DinoParque Lourinhã pronto para abrir em Fevereiro
| Modelo de Lourinhanosaurus antunesi no DinoParque Lourinhã. |
Como nasce o projecto de criar um novo museu e parque de dinossauros da Lourinhã?
A vontade de capitalizar a atenção e importância trazida pelos achados de dinossauros, a falta de espaço no Museu da Lourinhã levou às primeiras propostas pela equipa do Museu da Lourinhã em 1997 de um novo museu, na altura com o título “Parque do Saber e do Lazer”. A falta de financiamento dificultou sempre a concretização desse sonho que era partilhado pelo Museu da Lourinhã e pela Câmara Municipal. A ideia e o conceito evoluíram para o Museu do Jurássico, com uma arquitectura arrojada na periferia da Vila da Lourinhã e uma forte vertente museológica e científica de cariz mais público e depois para o Mundo Jurássico, com uma vertente em que misturava o aspecto lúdico e museológico. A falta de financiamento acabou por impedir a concretização.
Em 2011 começam conversações com parceiros alemães que fazem a gestão do DinoPark Münchehagen. Pondera-se uma localização mais periférica e uma participação mais empresarial, com os fósseis originais de dinossauros que continuam como parte integrante do acervo do Museu da Lourinhã. O conceito evolui até ao que é hoje o Parque dos Dinossauros da Lourinhã, inaugurado em Fevereiro de 2018.
terça-feira, janeiro 02, 2018
Revista "Ciências da Terra" renovada
Saiu o novo volume da revista "Ciências da Terra", o número 19, que vem com "cara lavada", novo estilo, nova página de internet e agora com o nome "Ciências da Terra – Earth Sciences Journal", completamente de acesso livre online e gratuito para os leitores e autores.
A revista científica "Ciências da Terra" celebrou 40 anos de existência em 2016. O primeiro número, intitulado Dinossáurios Eocretácicos dos Lagosteiros, foi escrito pelo fundador da revista, Prof. Dr. Miguel Telles Antunes. Durante 40 anos publicou artigos sobretudo nas áreas de Estratigrafia e Paleontologia. Este volume teve o corpo editorial composto por José Carlos Kullberg, Rogério Rocha e João Pais.
Além de obituários, os novos artigos são:
- Stratigraphy, sedimentary patterns, and reservoir characteristics of Jurassic carbonate successions in the Lusitanian Basin. A. C. Azerêdo, L. V. Duarte
- The Lower Jurassic at Peniche (Lusitanian Basin): recent advances in Stratigraphy and Sedimentary Geology. Por L. V. Duarte, E. Mattioli, R. B. Rocha, R. L. Silva
- The Lourinhã Formation: the Upper Jurassic to lower most Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal – landscapes where dinosaurs walked. Por O. Mateus, J. Dinis, P. P. Cunha
- Stratigraphy and sequence correlations in the Lower Cretaceous around Lisbon. Por J. Rey, P. S. Caetano
- The tectono-stratigraphic evolution of an Atlantic-type basin: an example from the Arrábida sector of the Lusitanian Basin. Por J. C. Kullberg, M. C. Kullberg
Exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros"
Terminou esta semana a exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros" no Museu da Lourinhã. Esta mostra, que esteve patente deste 24 de Junho de 2017 até final de 2017, focava-se nos ovos e embriões de dinossauros e crocodilomorfos em Portugal e Espanha, destacando a unicidade do registo oológico.
Toda a exposição girava em torno de três conceitos principais, que definem os espaços e o discurso:
Os excepcionais embriões jurássicos de Portugal
A rica diversidade do Cretáceo Inferior da Espanha
As abundantes posturas do Cretácico Superior da Catalunha
A exposição coincidiu com a semana de actividades "Dinossauros saem à rua" e com o simpósio de ovos e bebés de dinossauros em Outubro.
A exposição estava localizada na planta superior do Paleontologia do Museu da Lourinhã.
O curador foi Miguel Moreno-Azanza com a participação científica de Àngel Galobart, Albert Sellés, Bernat Vila, Ester Díaz Berenguer e Octávio Mateus. Textos e museologia de Moreno-Azanza, Alexandre Audigane, Ana Luz, Bruno Pereira e João Muchagata.
Aqui fica uma curta reportagem fotográfica da exposição:
segunda-feira, janeiro 01, 2018
2018 vai ser ano de congressos de paleontologia em Portugal
Ainda não sabemos que descobertas científicas nos esperam para 2018. Nem que novos fósseis e novos conceitos paleontológicos serão revelados em 2018. Mas sabemos desde já que será um ano bem preenchido de congressos paleontológicos em Portugal, com três bons exemplos:
European Association of Vertebrate Paleontology Annual Meeting
Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa, Portugal. 26 de Junho a 1 de Julho.
II Congresso Internacional “As Aves: evolução, paleontologia, arqueozoologia, artes e ambientes
Biblioteca Nacional, Lisboa, Portugal. 29 de Maio a 1 de Junho
XXXIV Jornadas de Paleontologia da Sociedad Española de Paleontología & V Congresso Ibérico de Paleontologia
Vila Real, 26 a 29 de setembro.
Destacamos ainda:
27th Colloquium of African Geology (27 CAG), Universidade de Aveiro 21 a 28 Julho 2018
X Congresso Nacional de Geologia, Açores, 7 a 16 de Julho de 2018
sábado, dezembro 30, 2017
Arte de rua paleontológica
Cada vez mais há uma influencia da paleontologia na arte, e também na Arte de Rua. Desta vez mostramos exemplos na Caparica a cerca de 2 km a oeste do Campus da FCT da Universidade Nova de Lisboa.
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| Arte de rua, na Caparica, com um Dunkleostes e um Livyatan. |
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| Arte de rua, na Caparica, com um crânio de foca e um crânio de mosassauro. |
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| Dunkleosteus, por Dmitry Bogdanov Livyatan. Fonte: reddit.com Foca, fonte: skullsite.co.uk Mosasaurus hoffmani por Lingham-Soliar 1995. |
Nova espécie de planta no Carbonífero de Portugal
Nova jazida em Ermesinde dá fósseis de uma nova espécie de feto, num artigo assinado por Pedro Correia, Zbynĕk Šimůnek, Artur A. Sá e Deolinda Flores.
Segundo o artigo que saiu no Geological Journal, a Bacia do Douro é uma das bacias sedimentares continentais mais ricas em florestas fósseis de idade carbonífera em Portugal. A nova localidade de Montes da Costa (Ermesinde) fornece um excelente registo fóssil de macroflora bem conservada e muito diversificada sobretudo de fetos, dos quais é descrita a nova espécie Acitheca murphyi do Carbonífero.
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| Reconstituição artística de Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017). |
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| Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017). |
Referência:
Correia P, Šimůnek Z, Sá AA, Flores D. A new Late Pennsylvanian floral assemblage from the Douro Basin, Portugal. Geological Journal. 2017;1–25. https://doi.org/10.1002/gj.3086
terça-feira, dezembro 26, 2017
Há 300 anos nasceu João de Loureiro, o primeiro paleontólogo Português
| Fundo esquerda: uma das plantas recolhidas por João de Loureiro; Direita: Frontispício da obra Flora Cochinchinensis. Topo esquerda: Antigo Colégio de Sto. Antão onde João de Loureiro estudou. |
João de Loureiro tem numerosas espécies "loureiroi" dedicadas a ele, principalmente plantas, mas também um dinossauro, Draconyx loureiroi, porque também foi o primeiro paleontólogo português ao escrever um artigo sobre caranguejos fósseis no artigo "Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal" publicado na Academia de Ciências de Lisboa em 1799.
| Caranguejos fósseis estudados por João de Loureiro na obra de 1799 (Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal). |
Os caranguejos fósseis, provavelmente o mesmo que Loureiro se recuperou da Ásia foram encontrados mais tarde na Academia de Ciências de Lisboa (Antunes, 1986; 2000).
| Viagem de João de Loureiro entre 1735 e 1782. |
quarta-feira, dezembro 20, 2017
quarta-feira, dezembro 06, 2017
Pegadas da Gronelândia mostram os mais antigos vestígios de saurópodes
Dois trilhos podem ser identificados como do icnogénero Eosauropus, enquanto um terceiro pode ser de Evazoum, ambos considerados como representando trilhos de dinossauros sauropodomorfos. Tanto os trilhos de Evazoum como as de Eosauropus são claramente maiores do que era previamente conhecido.
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| Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017) |
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| Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017) |
segunda-feira, novembro 27, 2017
Paleontólogo Josef Felix Pompeckj (1867-1930)
| Josef Felix Pompeckj |
sexta-feira, novembro 24, 2017
Tese de Mestrado de Francisco Costa conclui que Miragaia longicollum é bem diferente de Dacentrurus
Parabéns aos Francisco que fez uma excelente tese reconhecida com 20 valores!
| Francisco Costa |
Provas de Mestrado de Francisco João da Costa Pinto
Dissertação: "The stegosaurian dinosaur Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal, with the description and comparisons of a new specimen"
Constituição do Júri:
• Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, • Doutora Susannah Maidment, Senior Lecturer in Geology, University of Brighton
• Orientador Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor
22 de Novembro de 2017
O mais antigo dos crocodilos é Português?
O grupo de crocodilianos Eusuchia é conhecido desde o Cretácico Inferior (Barremiano), sendo Hylaeochampsa da Inglaterra o representante mais antigo deste grupo. No entanto, o registro de eusúquios do Barremiano ao Santoniano é muito escasso em todo o mundo. A diversidade de Eusuchia aumenta notavelmente durante o Campaniano - Maastrictiano com a radiação de Hylaeochampsidae e a primeira aparição de Allodaposuchidae e Gavialoidea na Europa, ou o registro mais antigo de Crocodylia com representantes de Alligatoroidea, Crocodyloidea, Borealosuchidae e Gavialoidea na América do Norte. No Congresso de Paleontologia de Vertebrados que decorreu em Calgary, Octávio Mateus, Pedro Callapez e Eduardo Puértolas-Pascual apresentaram um novo exemplar de crocodilomorfo eusúquio baseado num crânio e mandíbula (ML1818) do início do Cenomaniano superior do Baixo Mondego (Fm. Tentúgal). O espécime apresenta uma série de caracteres exclusivos como presença de uma pequena fenestra mandibular externa sem participação surangular; aforma da barra postorbital e a forma da margem dorsal da fenestra infratemporal. A análise cladística resultante coloca este espécime na base dos Crocodylia em uma posição mais derivada do que Gavialoidea e como o táxone-irmão do resto dos Crocodylia. Por conseguinte, este espécime português representa o único Eusuchia bem documentado no Cenomaniano da Europa e provavelmente o representante mais antigo da Crocodylia em todo o mundo, ajudando a preencher uma lacuna do registo de Eusuchia e Crocodylia. Além disso, esta descoberta ajuda a esclarecer a radiação de Eusuchia e a origem dos Crocodylia, que provavelmente teria ocorrido na Europa.
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| Características dos Eusuchia (Mateus et al., 2017) |
O potencial geoturístico da Região Oeste
A área possui duas características geológicas relevantes internacionais. Na Península de Peniche, o estratótipo Pliensbachiano-Toarciano (referência geológica internacional que melhor representa um período de tempo particular da História da Terra). Este site atrai cientistas principalmente nacionais e internacionais, mas há uma crescente consciência de sua importância pelas escolas e pelo público em geral. Os visitantes procuram este site não só pelo seu significado geológico, mas também para observar o registo fóssil marinho e a beleza da paisagem, dentro da Reserva da Biosfera das Berlengas da Unesco. Outro site da UNESCO é Óbidos como Creative City in Literature.
Os fósseis, em particular os achados de dinossauros naquela área, também são relevantes no contexto internacional. Do Jurássico Superior (~ 152 Ma), muitos restos de dinossauros fossilizados foram encontrados nessa área, são importantes não só pela quantidade de ossos encontrados, mas também pelo número significativo de espécies. Várias espécies únicas foram identificadas a partir desses restos, como Lourinhanosaurus antunesi. Esta área de fósseis é uma grande atração local, como parte da coleção do Museu da Lourinhã, que atrai cerca de 24 mil visitantes por ano e um parque temático em construção sobre dinossauros, o Parque dos Dinossauros da Lourinhã. Mais de 200 espécies de fósseis são únicas para o Oeste e foram baptizadas nomeando as localidades. A "Região Oeste" também possui outros sites geológicos de importância regional e local, alguns já no inventário nacional português de geosites: o "Afloramento da Brecha Vulcânica de Papôa" é um local próximo de Peniche, onde é possível observe uma brecha vulcânica cercada por calcários inferiores jurássicos. Esta brecha é o resultado de um canal vulcânico colapsado. Outra área de interesse é a "Corte Geológica da Península de Baleal", ao norte de Peniche, onde é possível observar uma bela sequência de calcário inclinado. A seção denominada "Arribas da Praia do Salgado" é uma boa área para o público observar vários fósseis de animais marinhos, praias fossilizadas e um deslizamento de terra do século XV.
Reconhecemos que muitos outros sites têm grande potencial para serem incluídos na lista de geosites e precisam ser caracterizados.
Referência:
Pereira, B., Mateus O., Kullberg J. C., & Rocha R. (2017). The geotouristic potential of the Oeste Region of Portugal. 14th European Geoparks Conference | Abstracts Book 167. 167. PDF
| Arribas do Oeste. Detalhe no Cabo Carvoeiro Praia do Trovão perto do estratótipo (Foto: O. Mateus) |
Estratigrafia da Formação de Morrison em estudo
Um estudo na nossa equipa apresenta uma estratigrafia detalhada da Formação de Morrison, da bacia de Big Horn, em resultado da tese de mestrado de André Saleiro e publicado no congresso de EJIP passado.
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| Estratigrafia da Formação de Morrison perto de Ten Sleep (Saleiro e Mateus, 2017) |
150 da publicação de Joaquim Felipe Nery Delgado - Grutas da Cesareda
Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado (Elvas, 26 de Maio de 1835 — Lisboa, 3 de Agosto de 1908), conhecido como General Nery Delgado, foi um dos pioneiros da geologia em Portugal.





















