sexta-feira, maio 24, 2019
Dois terços dos grandes mamíferos de Portugal extinguiram-se no último milhão de anos
Oceanotitan, o novo saurópode da Lourinhã
Seja bem vindo o novo dinossauro saurópode de Portugal, Oceanotitan dantasi, descoberto em Valmitão, na Lourinhã. Replicamos aqui o artigo do Jornal Público sobre este achado.
Novo dinossauro português era um gigante à beira-mar
Nome de novo saurópode remete para o local na costa atlântica onde se encontraram os seus ossos, mas também para a cantora islandesa Björk e o paleontólogo português Pedro Dantas. Apresentemos o Oceanotitan dantasi.
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sexta-feira, maio 10, 2019
Caracteristicas chave dos dinossauros
O que é um dinossauro? É um animal do grupo dos Dinosauria Owen, 1842. Por definição é o último ancestral comum do Triceratops horridus, do Passer domesticus, do Diplodocus carnegii e de todos os seus descendentes (Baron et al, 2017).
Já as características anatómicas que os distinguem dos outros répteis são:
- Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal;
- Epipófises presentes;
- Rádio menor que 80% do comprimento do úmero;
- Dígito manual semi-oposição I;
- Dígitos manuais reduzidos IV & V;
- Acetábulo aberto (perfurado).
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| Características distintivas dos dinossauros. |
E estas são as características chave os principais grupos de dinossauros:
Clado
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Características chave
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Archosauria
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Pescoço com curva em forma de S; Tíbias e metatarsos longos;
Fenestra antorbital e mandibular; |
Dinosauria
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Fossa supratemporal em frente à fenestra supratemporal;
Epipófises presentes; Rádio menor que 80% do comprimento do úmero; Dígito manual semioposição I;
Dígitos manuais reduzidos IV & V; Acetábulo aberto (perfurado)
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Ornithischia
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Pelvis opistopúbica; Osso predental; Osso palpebral;
Fenestras antorbitais reduzidas ou mesmo fechadas; Articulações da mandíbula abaixo do nível dos dentes; Dentes largos em forma de folha com grandes dentículos; 5 ou mais vértebras sacras |
Thyreophora
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Osteodermes parasagitais com quilha na face dorsal do tronco
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Stegosauria
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Espigões na cauda e osteoderme axiais como placas largas
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Dacentrurinae
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Pescoço longo; Placas em pares; Costelas e vértebras cervicais fundidas
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Ankylosauria
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Membros curtos; Osteodermos abundantes, inclusive no crânio e na mandíbula;
Suturas cranianas obliteradas e anquilosadas |
Neornithischia
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Camada mais espessa de esmalte assimétrico no interior dos dentes inferiores
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Ornithopoda
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Púbis longo que se estende além do ílio; Bico córneo; Sem fenestra mandibular
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Iguanodontia
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Sem dentes pré-maxilares; Coroas dentárias Losangulares; 6 ou mais vértebras sacrais
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Ankylopollexia
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Polegar suporta espigão cónico
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Saurischia
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Articulações adicionais (hyposfeno-hipantro) nas vértebras dorsais
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Sauropodomorpha
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Aumento do tamanho corporal; Diminuição do tamanho do crânio; Pescoço longo
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Sauropoda
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Narina na superfície dorsal do crânio; Vértebras pré-sacrais com extensos pleurocoels;
12 ou mais cervicais; Redução no número de falanges da mão; Manus apenas com garra (falange ungeal) no digito I |
Eusauropoda
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Pescoço alongado: cervicalização da vértebra dorsal e a adição de duas vértebras cervicais
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Neosauropoda
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Fenestra pré-antorbital; dentes sem dentículos; dois ou menos carpais;
extremidade tibial subcircular; Dentes na frente do focinho; Narinas colocados dorsalmente; Metacarpo colunar |
Diplodocidae
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Cauda longa e em chicote; Narina retraída que se uniram acima da órbita;
Crânios longos; Membros anteriores curtos |
Macronaria
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Narinas grandes; Corpo distais isquiais quase coplanares.
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Titanosauriformes
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Facetas de desgaste dentário acentuadamente inclinadas em relação ao eixo labio-lingual;
Costelas dorsais anteriores, largas e tabulares; Vértebras dorsais com lâmina centroparapofisárias posterior |
Ornithoscelida
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Forame pré-maxilar anterior; Diastema; Crista aguçada na maxila;
Jugal excluído da fenestra antorbital; Quadrado orientado anteroventralmente; Processos paroccipitais alongados; Forâme na superfície lateral do dentário; Trocânter anterior expandido e parcialmente separado da diáfise femoral |
Theropoda
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Mandíbula cinética e flexível; 5 ou mais vértebras sacras; mão:
Dígito V ausente (mão de 4 dedos); Falanges do dígito V do pé ausente; Pé: Dígito I reduzido e sem contato com a articulação do tornozelo; Clavículas fundidas |
Neotheropoda
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Fenestra no lacrimal; Dentes pré-maxilares simétricos; Parte anterior expandida do ílio;
Número reduzido de dentes maxilares |
Ceratosauria
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Púbis e ísquios fundidos ao ílio em adultos
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Tetanurae
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Dentes posteriores em posição anterior (antes do lacrimal)
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Megalosauroidea
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Presença de pós-orbital: Processo jugal em forma de U
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Coelurosauria
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Carpal hemi-circular; Mãos longas e esguias; Protopenas; Esterno ósseo sólido
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Maniraptora
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Cauda rígida distalmente;
Membros anteriores pelo menos ¾ comprimento da coluna vertebral pré-sacral; Parte frontal da expansão púbica ausente; comportamento de chocar; Longas penas nos braços |
Aves
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Vôo activo; Membro anterior mais longo do que o membro posterior
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Baron, Matthew G.; Norman, David B.; Barrett, Paul M. (22 March 2017). "A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution". Nature. 543 (7646): 501–506. Bibcode:2017Natur.543..501B. doi:10.1038/nature21700
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domingo, janeiro 20, 2019
NovaPaleo: novo espaço de investigação paleontológica na Lourinhã
Município da Lourinhã, GEAL - Museu da Lourinhã e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa criam espaço de investigação paleontológica na Lourinhã
O documento é assinado no Salão Nobre dos Paços do Município, às 12H00, e tem ainda inscrito como objetivos: a valorização e divulgação do património paleontológico da Lourinhã e o apoio na formação de estudantes e jovens investigadores.
Este espaço, designado NovaPaleo, vai ser disponibilizado pelo Município e ficar localizado no 1.º piso do Mercado Municipal da Lourinhã. O NovaPaleo destina-se à realização de trabalhos de investigação científica paleontológica sobre os materiais paleontológicos do GEAL e da FCT - UNL, bem como de outras possíveis instituições, permitindo assim o estudo comparativo entre matéria oriunda do nosso concelho e de outros pontos do Mundo.
Deste modo, o Município da Lourinhã pretende desenvolver as bases para continuar a receber alunos de paleontologia, garantindo que no território reconhecido por ter um espólio único de fósseis do jurássico, se continue a fazer ciência de excelência.
Fonte: http://www.cm-lourinha.pt/Municipio-da-Lourinha-GEAL-e-Universidade-Nova-criam-espaco-de-investigacao-paleontologica-na-Lourinha
terça-feira, novembro 20, 2018
Alexandre Guillaume e os microvertebrados do Jurássico de Portugal
O estudante Alexandre Guillaume, agora mestre, defendeu sua tese de mestrado em paleontologia no dia 20 de novembro. A sua tese foi de microfósseis de vertebrados do Jurássico Superior da Lourinhã, em resultado de uma pesquisa realizada na Universidade Nova de Lisboa e no Museu da Lourinhã.
O candidato passou com sucesso com a classificação de 19 valores.
Candidato: Alexandre Renaud Daniel Guillaume
Título: ""Microvertebrates of the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Portugal)""
Júri: Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, FCT Nova, Hugues Alexandre Blain, (arguente) Investigador do Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social, Espanha, e Miguel Moreno-Azanza, FCT NOVA
Orientador: Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus (FCT NOVA)
Data: 20 de novembro de 2018
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| Alexandre Guillaume defendendo a sua dissertação (foto: F. Rotatori) |
Mestre André Saleiro e os dinossauros do Wyoming
O estudante André Saleiro, agora mestre, defendeu a sua tese de mestrado em paleontologia, no passado dia 5 de novembro. A sua tese versou sobre as campanhas que têm decorrido no Wyoming (Estados Unidos), para a recolha de materiais fósseis de dinossauros.
Estas expedições foram uma colaboração entre o American Museum of Natural History (Nova Iorque, E. U. A.) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, sendo que algum do material então recolhido foi preparado no Museu da Lourinhã.
A tese teve como título “Upper Jurassic Dinosaur Bonebeds at Ten Sleep, Wyoming: Stratigraphy, preliminary results and field reports of 2016 and 2017”, tendo o agora mestre obtido a classificação de 18 valores.
O júri contou com a presença de Mark Norell (AMNH), Paulo Legoinha (FCT NOVA) e Octávio Mateus (FCT NOVA e orientador).
Parabéns Mestre André!



terça-feira, outubro 30, 2018
Palestra "Colour in dinosaur eggs" por Mark Norell
quarta-feira, outubro 17, 2018
Dacentrurinos em Portugal e América do Norte
Miragaia longicollum Mateus et al., 2009 (Jurássico Superior de Portugal) é uma espécie de estegossauro baseado num espécime constituído essencialmente pela parte anterior do esqueleto. Alcovasaurus longispinus Galton e Carpenter, 2016 (Jurássico Superior de Wyoming, EUA) foi definido com base num espécime de estegossauro descrito pela primeira vez em 1914 - mas apenas o fémur, espinhos e as últimas vértebras caudais foram descritos antes de ser destruído numa inundação nos anos 1920s. Na última análise filogenética de Stegosauria, A. longispinus foi encontrado fora de Eurypoda, devido à falta de características conhecidas compartilhadas com outras espécies de estegossauros. Um novo espécime (MG 4863) de Atouguia da Baleia (Portugal), com esqueleto anterior e posterior representativo, foi classificado como M. longicollum, e distingue-se do seu táxon irmão, Dacentrurus armatus Owen, 1875.
Novos dados mostram que o dinossauro Alcovasaurus longispinus é um estegossauro dacentrurino e contribui para a identificação deste grupo.
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| Miragaia longicollum, illustrado por Eloy Manzanero |
As comparações revelaram quatro características apenas compartilhadas por M. longicollum e A. longispinus (processos transversos presentes em todas as vértebras caudais, corpo vertebral médio e posterior com contorno em forma de maçã, arco neural das vértebras caudais médias e posteriores um terço ou menos da altura e largura do centro, ossificação lateral da borda posterior do centro caudal posterior), sugerindo congenericidade.
Outros três caracteres (centro caudal médio e posterior mais largo que alto, mais alto que longo, com face laterais profundamente côncavas) foram compartilhados por ambos taxa e por D. armatus, portanto, poderiam ser diagnósticos de Dacentrurinae. Estes resultados sugerem que A. longispinus é um estegossauro dacentrurino, resolvendo sua localização filogenética, e é a primeira evidência de Dacentrurinae na América.
Este trabalho foi resultado da tese de Mestrado em Paleontologia de Francisco Costa, sobre o dinossauro Miragaia longicollum e apresentado na XVI Reunião Anual da Associação Europeia de Paleontologistas de Vertebrados, que decorreu na Caparica em Julho passado.
Costa, F., & Mateus O. (2018). Alcovasaurus longispinus as a dacentrurine stegosaur (Dinosauria) and contributions to the diagnosis of Dacentrurinae. Abstract book of the XVI Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists, Caparica, Portugal. Page 50. June 26th-July 1st, 2018.
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A geologia do Geoparque Oeste - Terras do Jurássico
Desde 2016 que o Museu da Lourinhã e o Fórum Português dos Geoparques da UNESCO têm cooperado e debatido em conjunto, num esforço que culminou na assinatura, em 15 de março de 2018, de um acordo por cinco municípios de Portugal, para a candidatura conjunta ao Geopark UNESCO, como Aspiring Geopark Oeste - Jurassic Land e com a criação da Associação AGEO - Associação Geoparque Oeste.
Estes municípios, Óbidos, Peniche, Bombarral, Lourinhã e Torres Vedras, que compõem o Aspirante Geopark Oeste compreendem uma área de 680 km2 ocupada principalmente por afloramentos Jurássicos (67%), 21% do Cretácico Inferior e 12% de outras unidades do Triásico Superior a Quaternário, num total de 20 unidades ou formações geológicas, muitas delas com nomes após as localidades do Oeste, como a Formação Lourinhã, a Unidade Bombarral ou o Grupo Torres Vedras. Os 61 km de costa atlântica, muitas vezes com praias de areia, são um destino popular para turistas e as extensas e espectaculares exposições geológicas ao longo das arribas, muitas com fósseis de dinossauros que atraem cientistas e o turismo científico de todo o mundo.
A riqueza e diversidade do Aspiring Geopark Oeste pode ser percebida por dez factos e dados geológicos:
- mais de 40 geossítios identificados,
- um GSSP (prego dourado), na base do Toarciano, da Ponta do Trovão
- mais de 200 sítios fósseis ( vertebrados e invertebrados), 41 deles em bancos de dados internacionais,
- 38 teses de doutoramento sobre a geologia da área, maioritariamente em paleontologia,
- 35 espécies de fósseis com nomes dedicados às localidades do Oeste, como o dinossauro terópode Lourinhanosaurus dedicado à Lourinhã, ou o crinóide “Pentacrinus” penichensis dedicado a Peniche,
- mais de 200 artigos científicos já publicados, inclusive em revistas de alto perfil,
- dois museus compreendendo uma significativa componente de exposição em Paleontologia, e pelo menos mais dois espaços estão a ser preparados,
- 15 espécies de dinossauros únicas no mundo, como Lusotitan ou Miragaia,
- oito mapas geológicos de grande qualidade na escala 1: 50000; e
- uma das localidades jurássicas mais relevantes do globo, com registo estratigráfico fossilífero quase contínuo de afloramentos que compreende todo o Jurássico, e que vão desde o Triásico Superior ao Cretácico Inferior.
Estes números ilustram bem a importância geológica internacional e o potencial científico do território aspirante a Geopark. A área é muito turística e é o lar de 158 mil habitantes que podem beneficiar da estratégia de sustentabilidade do Geopark.
Esta foi a mensagem e resumo levado ao congresso da 8ª Conferência Internacional sobre Geoparques Globais da UNESCO, nos dias 8 a 14 de setembro de 2018 em Adamello Brenta Geopark, Trentino, Itália. A comunicação foi feita por Bruno Pereira.
Referência:
Mateus, O., Pereira B., Rocha R., & Kullberg J. C. (2018). Aspiring Geopark Oeste in Portugal: scientific highlights and importance. 8th International Conference on UNESCO Global Geoparks. , 8-14 Sept., Adamello Brenta Geopark, Trentino





