sábado, fevereiro 10, 2018

O Museu da Lourinhã mudou e agora conta a história do Atlântico




O Jornal Público divulgou a nova exposição do Museu da Lourinhã, num excelente trabalho jornalístico por Teresa Serafim e Nuno Ferreira Santos, que aqui replicamos:

O Museu da Lourinhã mudou e agora conta a história do Atlântico


Tem novas peças para mostrar ao público desde o início de Fevereiro, todas contribuem para percebermos melhor como aconteceu a abertura do Atlântico.

TERESA SERAFIM
9 de Fevereiro de 2018, 7:45





Octávio Mateus com os ovos de dinossauro encontrados em 1987

Foto
Octávio Mateus com os ovos de dinossauro encontrados em 1987 NUNO FERREIRA SANTOS
Bem-vindos ao Dino Parque: aqui estão os dinossauros que já viveram em Portugal
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Testemunho da extinção dos dinossauros
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O sítio é o mesmo. Não há como confundir o Museu da Lourinhã mesmo no centro da vila. Afinal, era lá que estavam muitos fósseis de dinossauros da Lourinhã. Mas as aparências iludem e há uma nova história a ser contada. Com a abertura do Dino Parque – Parque dos Dinossauros da Lourinhã, muitos dos fósseis “migraram” para lá. Portanto, no museu na vila o percurso é outro desde 3 de Fevereiro: conta agora como aconteceu a abertura do Atlântico. Há também fósseis e réplicas que vamos poder observar pela primeira vez no museu.
Este edifício não foi construído para ser um museu. Em tempos, foi um tribunal. Como ficou livre, um grupo de amadores que fazia espeleologia, entre os quais o paleontólogo amador Horácio Mateus, ocupou-o. Acabou por abrir em 1984 pelas mãos da associação Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Ao todo, tem três colecções: a de paleontologia, arqueologia e a de etnografia. Por ano, tem cerca de 25 mil visitantes.





Agora houve mudanças e o museu tem outra narrativa. “O que é que temos para mostrar que não sejam os dinossauros da Lourinhã? Pensámos na abertura do Atlântico. Toda a investigação que fazemos pelo mundo fora tem uma história transversal: a abertura do Atlântico. Até os próprios dinossauros da Lourinhã estão relacionados com isso”, conta-nos o paleontólogo Octávio Mateus sobre a escolha da nova história. É ele quem nos vai guiar por uma viagem com milhões de anos. É a nova viagem do museu.
Antes da história propriamente dita, são mencionadas (e explicadas) na exposição duas teorias: a da tectónica de placas e a teoria darwiniana da evolução das espécies. Vamos precisar delas para perceber melhor a abertura do Atlântico. Iniciemos então a viagem e comecemos no Triásico, período geológico entre há 250 e 200 milhões de anos. “O Atlântico começou a abrir-se durante o Triásico na nossa costa portuguesa até à Gronelândia”, relata Octávio Mateus. O supercontinente Pangeia começou a rasgar-se e a criar bacias sedimentares. É nestas bacias que vamos encontrar fósseis. Aliás, foi no Triásico que surgiram os dinossauros.
Nas expedições científicas na Gronelândia e no Algarve, lideradas por Octávio Mateus, descobriram-se alguns desses fósseis. Alguns podem ser vistos pela primeira vez no museu. Há o fóssil de uma mandíbula do Metoposaurus algarvensis (um anfíbio gigante que podia atingir os dois metros e faz lembrar uma salamandra), que foi encontrada no Algarve. Há ainda o crânio original de um prossaurópode, um antepassado dos dinossauros saurópodes, assim como ossos de um fitossauro, ambos da Gronelândia.
Passemos para o Jurássico, entre há 200 milhões e 145 milhões de anos. “No Jurássico Inferior e Médio era notório que em Portugal tínhamos um mar profundo. Basicamente, todos os sedimentos que temos do Jurássico Inferior e Médio eram marinhos”, continua a explicar. Portanto, na exposição temos ictiossauros e plesiossauros.





Mas o paleontólogo guarda o melhor para o Jurássico Superior, quando o Atlântico ainda não era um oceano, havia uma série de ilhas e o que é agora Portugal e a Terra Nova já se separavam. No museu já estiveram expostos os ovos de Lourinhanosaurus antunesi encontrados na praia de Paimogo em 1993, cuja descoberta foi revelada ao mundo em 1997 e fez sensação. Agora está exposto pela primeira vez um outro bloco de ovos de Lourinhanosaurus antunesi encontrados nas arribas da praia da Peralta, também na Lourinhã, em 1987. “Temos mais de uma centena deles”, diz com entusiasmo o paleontólogo. “Estes estão mais bem preservados [do que os anunciados em 1997].” Nestes ovos não há embriões.
No Cretácico há mais surpresas trazidas pelo projecto Paleoangola, em Octávio Mateus participa. Mas, antes, o paleontólogo adianta que neste período (entre há 145 milhões e 65 milhões de anos) houve dois grandes eventos: passou a haver um fundo oceânico, ou seja, nasceu o oceano Atlântico; e a abertura do Atlântico Sul, com a separação entre a América do Norte, a América do Sul e África. Depois, lá nos mostra peças de Angola expostas pela primeira vez no museu: há uma réplica de um crânio do mosassauro Angolasaurus bocagei, um grande predador marinho contemporâneo dos dinossauros; uma amonite; e vértebras e costelas do plesiossauro Cardiocorax.




Por fim (nesta história), há 65 milhões de anos (no Cretácico) deu-se a extinção de grande parte dos dinossauros. E o museu tem agora uma secção de estratos de transição desde o Cretácico até ao Paleogénico (entre há 65 milhões e 23 milhões de anos). “Temos aqui uma rocha que testemunha a extinção dos dinossauros. Esta também é a primeira vez que a expomos.” A peça geológica é de Stevns Klint, na Dinamarca, e foi oferecida ao museu por um coleccionador dinamarquês. Esse foi um dos locais em que o geólogo Walter Alvarez encontrou irídio (elemento químico presente nos meteoritos) e assim pôde apoiar a sua hipótese de que os dinossauros se tinham extinguido devido à queda de um meteorito no Iucatão, no Golfo do México. Há ainda outra hipótese que diz que a extinção dos dinossauros foi causada pela erupção de um megavulcão no Decão (Índia). “Independentemente da causa, esta rocha testemunha esse momento”, salienta Octávio Mateus.
Por enquanto, termina aqui esta viagem, mas já há planos para que continue em breve: haverá ainda a história de outros tempos mais recentes. O trabalho de investigação no museu também continua. Numa sala onde estão estudantes, vê-se um placard com vários artigos científicos de 2017, como o dos ovos de crocodilos mais antigos do mundo. Outra das actividades do museu é o voluntariado. Micael Martinho, de 21 anos, é um dos voluntários e trabalha atentamente no Laboratório de Paleontologia do museu repleto de fósseis. Frequenta o 12.º ano e também ele, um dia, quer ser paleontólogo. Nos últimos tempos, até já descobriu um fóssil e contribuiu para este extenso património de dinossauros
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sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Abriu o Dinoparque Lourinhã

Abriu ao público hoje, dia 9 de Fevereiro de 2018 o Dinoparque Lourinhã, que teve a inauguração formal ontem. É por isso um dia histórico para a paleontologia de Portugal.



Dinoparque Lourinhã. Entrada



Um dos modelos a caminho do Dinoparque.


Aspecto da sala de paleontologia no Dinoparque.

Inauguração



Afonso, o primeiro visitante oficial do Dinoparque, com o seu pai.

Equipa envolvida no Dinoparque.

Equipa do Museu da Lourinhã

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Jogos de tabuleiro sobre Paleontologia


Os jogos de tabuleiros e cartas estão a ganhar grande popularidade. Há para todos os gostos, dificuldades, estratégias e temas. Obviamente o tema da paleontologia, dinossauros e evolução não escapa a esta tendência.

Na área da Paleontologia, Dinossauros e Evolução existem alguns jogos interessante nomeadamente na categoria de Gestão de Mão (Hand Management) em que são jogos com cartões que recompensam os jogadores por jogar cartas em certas sequências ou grupos. A sequência / agrupamento ideal pode variar, dependendo da posição da placa, dos cartões mantidos e dos cartões jogados pelos adversários. Gerindo as suas mão significa obter o máximo valor de cartões disponíveis em determinadas circunstâncias. Os cartões muitas vezes têm múltiplos usos no jogo, ofuscando ainda mais uma sequência "óptima".

Alguns dos jogos de tabuleiros e cartas sobre paleontologia

Segundo a Wikipédia, as principais categorias dos jogos e tabuleiro são: jogos de estratégia abstractos, jogo de alinhamento, jogos de leilão, Variantes do xadrez, jogos de configuração, Jogos de conexão, jogos cooperativos, jogos de conta e captura, jogos de cruz e círculo, jogos de dedução, jogo de destreza, Jogos de simulação de economia, jogos educacionais, jogos de eliminação, jogos de fantasia, jogos de adivinhação, e jogos de regra oculta.

Deixamos aqui alguns exemplos de jogos dedicados a paleontologia, dinossauro e evolução:

BONE WARS: The Game of Ruthless Paleontology (2005)
The Great Dinosaur Rush (2016)
Dominant Species (2010), tabuleiro com peças
Dominant Species: The Card Game (2012)
Evolution: The Origin of Species (2010)
Terra Evolution (2011). Este tem o mais alto “overall ranking” 13,260 no site da especialidade boardgamegeek.com.
Evo (2011)
Dinosaur Island (2017)
DinoGenics (2018)
Evolution (2014)
Go Extinct! (2014)
Trias (2002)
Bios Megafauna (2nd edition) (2017) Este é o que tem melhores ratings médios (8.4) no site especializado.
Primordial Soup (1997)
A.D.A.P.T. (2016)
Raptor (2015)

Resumindo, o mundo dos jogos está pujante e abrange também a paleontologia e os dinossauros, por vezes usado mesmo para fins académicos. Obrigado ao Miguel Moreno Azanza e ao Marco Marzola pelas sugestões.



quinta-feira, janeiro 11, 2018

Nova espécie de peixe jurássico de Portugal

Guimarotaichthys problematicus é o novo género e espécie de peixe fóssil do jurássico de Portugal, nomeadamente do Kimmeridgiano da Mina da Guimarota. Apesar de ser reconhecer que se trata de uma nova espécie de peixe Osteichthyes não-teleósteo, a sua posição filogenética não é bem conhecida, o que justifica o nome problematicus.

Otólitos de Guimarotaichthys problematicus (Schwarzhans, 2018). 

Esta nova espécie é baseada em otólitos que são pequenas concreções de carbonato de cálcio presentes dentro de câmaras no aparelho vestibular do ouvido interno dos peixes e que têm a função de controlar a posição do corpo do animal, ou seja, manter o equilíbrio postural.

Relação filogenética do peixes ósseos e comparação dos seus otólitos (Schwarzhans, 2018)

O artigo é publicado por Werner Schwarzhans de Hamburgo com a afiliação institucional ligada ao Museu de História Natural da Dinamarca. O holótipo, espécime de referência, é SMF PO.91821 presente em Senckenberg Museum (Frankfurt am Main, Alemanha) e desconhecemos quando está previsto o seu retorno a Portugal.

Artigo:
Schwarzhans, W., 2018. A review of Jurassic and Early Cretaceous otoliths and the development of early morphological diversity in otoliths. Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie-Abhandlungen, 287(1), pp.75-121.http://www.ingentaconnect.com/content/schweiz/njbgeol/2018/00000287/00000001/art00005

terça-feira, janeiro 09, 2018

Paleontólogo João Russo

O primeiro autor de um dos artigos do ano de 2017 é João Russo.

João Paulo Vasconcelos Mendes Russo, nasceu em Lisboa em 2 de Fevereiro de 1986. Fez a licenciatura em Geologia na Universidade de Lisboa (2010) e Mestrado em Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa em associação com a Universidade de Évora com a tese dedicada a “Eggs and eggshells of Crocodylomorpha of the Late Jurassic of Portugal”, defendida com 19 valores.
João Russo. Foto por O.Mateus
Desde 2010 que é voluntário no Museu da Lourinhã desde a preparação laboratorial a montagem de exposições. Ao mesmo tempo, desenvolveu trabalhos de digitalização 3D, que culminou com trabalho em espécimes do Sauriermuseum Aathal em Fevereiro de 2012 e a presença na conferência Digital Fossil em Setembro do mesmo ano realizada em Berlim, como co-autor de uma comunicação. Participou no congresso Strati como voluntário do pessoal de apoio e como bolseiro no Projecto DinoEggs. Participou em escavações e expedições no Wyoming, Marrocos, Algarve e Lourinhã.

Actualmente está a começar o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com o título “Evolution of nodosaurid dinosaurs and description of a new skeleton from the Late Jurassic of Portugal” sob a orientação de Octávio Mateus.
Segundo o Google Scholar João Russo tem 41 citações e um índice h de 3. Ele tem sido alvo de algumas notícias no blog Lusodinos e pode também seguir no Research Gate.

Publicações:
Marzola, M., J Russo, O Mateus (2015) Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology 27 (1), 115-133.
Russo, J. O Mateus, M Marzola, A Balbino (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas 101 (Especial I), 563-566
Tschopp, E., J Russo, G Dzemski (2013). Retrodeformation as a test for the validity of phylogenetic characters: an example from diplodocid sauropod vertebrae. Palaeontologia Electronica 1998, 16 1 2013
Santos, OF dos, J Russo, M Mendes, N Pimentel, RP dos Reis. (2010). Modeling of Cretaceous uplift and erosion events in the Lusitanian Basin (Portugal). CM 2010-Abstracts 3

Palinologia e ovos fósseis empatam no Artigo do Ano 2017 da Paleontologia portuguesa

O blog Lusodinos elege, a partir deste ano, os Artigos do Ano da Paleontologia Portuguesa que se destacam pela sua qualidade, importância ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.
Este anos foram 17 artigos escolhidos pelo júri mas houve empate nos mais votados para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa. Os dois artigos empatados foram:

The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal
por
Vânia F. Correia, James B. Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira

Publicado na revista  "Review of Palaeobotany and Palynology"


Two new ootaxa from the late Jurassic: The oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal
por
João Russo, Octávio Mateus, Marco Marzola, e Ausenda Balbino
Publicado na revista "PLOS ONE"

Ambos os artigos já tinha sido alvo de notícias Lusodinos: Correia et al. Palynology e Russo et al. PlosOne.





A lista de todos os artigos selecionados é a seguinte:

1º Lugar (2 artigos ex aequo)
2º Lugar (3 artigos ex aequo)
Restantes artigos seleccionados:

Moreno-Amat, E., Rubiales, J.M., Morales-Molino, C. and García-Amorena, I., 2017. Incorporating plant fossil data into species distribution models is not straightforward: Pitfalls and possible solutions. Quaternary science reviews, 170, pp.56-68.

Salgado, L., Canudo, J.I., Garrido, A.C., Moreno-Azanza, M., Martínez, L.C., Coria, R.A. and Gasca, J.M., 2017. A new primitive Neornithischian dinosaur from the Jurassic of Patagonia with gut contents. Scientific Reports, 7.

Gowland, S., Taylor, A.M. and Martinius, A.W., Integrated sedimentology and ichnology of Late Jurassic fluvial point bars–facies architecture and colonisation styles (Lourinhã Formation, Lusitanian Basin, western Portugal). Sedimentology.

Gasca, J.M., Moreno-Azanza, M., Bádenas, B., Díaz-Martínez, I., Castanera, D., Canudo, J.I. and Aurell, M., 2017. Integrated overview of the vertebrate fossil record of the Ladruñán anticline (Spain): Evidence of a Barremian alluvial-lacustrine system in NE Iberia frequented by dinosaurs. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 472, pp.192-202.

Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A. S., Jacobs, L. L., Polcyn, M. J., Pervov, V., Gonçalves, A. O. and Morais, M. L. 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology 471 (Supplement C): 220–232.

Colmenar, J., Pereira, S., Sá, A.A., da Silva, C.M. and Young, T.P., 2017. The highest-latitude Foliomena Fauna (Upper Ordovician, Portugal) and its palaeogeographical and palaeoecological significance. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 485, pp.774-783.

Malafaia, E., Escaso, F., Mocho, P., Serrano-Martínez, A., Torices, A., Cachão, M. and Ortega, F. 2017. Analysis of diversity, stratigraphic and geographical distribution of isolated theropod teeth from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal. Journal of Iberian Geology 43 (2): 257–291.

Pérez-García, A., Brandão, J.M., Callapez, P.M., Machado, L., Malafaia, E., Ortega, F. and Santos, V.F., 2017. The oldest turtle from Portugal corresponding to the only pre-Kimmeridgian plesiochelyid (basal Eucryptodira) recognized at the generic level. Historical Biology, pp.1-9.

Miguez‐Salas, O., Rodríguez‐Tovar, F.J. and Duarte, L.V., 2017. Selective incidence of the toarcian oceanic anoxic event on macroinvertebrate marine communities: a case from the Lusitanian basin, Portugal. Lethaia.

Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen, 2017, Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal. Grana, ISSN: 0017-3134 (Print) 1651-2049

Mendes, M.M., Barrón, E., Batten, D.J. and Pais, J., 2017. A new species of the spore genus Costatoperforosporites from Early Cretaceous deposits in Portugal and its taxonomic and palaeoenvironmental significance. Grana, pp.1-9.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.













Paleontóloga Vânia Correia

A primeira autora de um dos artigo do ano de 2017 é Vânia Correia sendo acompanhada no artigo por James B.Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira.



Vânia Dinora Pereira Fraguito Correia, nascida a 12 de Julho de 1983 em Vila Real, é licenciada em Biologia e mestre em Recursos Geológicos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) após estudar na Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real. Trabalhou na Associação Geoparque Arouca e Universidade de Pisa. Actualmente é aluna de Doutoramento (3º Ciclo em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente) na Universidade do Algarve, com a bolsa FCT SFRH/BD/93950/2013, desenvolvendo o tema: "Jurassic dinoflagellate cyst biostratigraphy of the Lusitanian Basin, west-central Portugal, and its relevance to the opening of the North Atlantic and petroleum geology".
O seu orientador principal é Prof. Paulo Fernandes (Universidade do Algarve) e os Co-orientadores são Zélia Pereira (LNEG, Laboratório de Palinologia) e James Riding (British Geological Survey).
A Vânia faz a sua investigação no CIMA – Centro de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Algarve e no LNEG, S. Mamede de Infesta.

A Vânia e os demais investigadores já mencionados são autores de dois artigos publicados este ano, ambos nomeados para Artigo do Ano.

Correia, V.F., Riding, J.B., Fernandes, P., Duarte, L.V. and Pereira, Z., 2017. The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology, 237, pp.75-95.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.

Podemos ainda adiantar que a dissertação de doutoramento está prestes a ser entregue para avaliação e desde já felicitamos a Vânia e os restantes autores.


OM20180108

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa

O blog Lusodinos decidiu eleger, a partir deste ano, os artigos da paleontologia portuguesa que mais se destacaram. O objectivo é seleccionar os artigos de cada ano que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.

Pedimos a oito paleontólogos doutorados, quatro portugueses e outros quatro estrangeiros mas com alguma ligação a Portugal, que indicassem os três artigos que se destacaram em 2017. O resultado foi uma lista de artigos escolhidos por este júri. Destes, o(s) mais votado(s) para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa serão anunciado amanhã.



Regulamento "Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa"

  1. Objectivo: seleccionar os artigos de cada ano sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa, que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência.
  2. Cada jurado selecciona os 3 melhores artigos com o critério do ponto 1. Os jurados não podem votar artigos da sua (co)autoria, mas podem votar em artigos de outros membros do júri.
  3. O júri é composto por: Bruno Pereira, Christophe Hendrickx, Eduardo Puértolas, Emanuel Tschopp, Lígia Castro, Miguel Moreno Azanza, Octávio Mateus e Rogério Rocha
  4. O resultado são os artigos mais votados, podendo haver empates. O resultado é anunciado no blog Lusodinos.
  5. Tendencialmente, um dos autores do artigo mais votado de cada ano, será convidado a integrar o júri do ano seguinte.
  6. Não existe prémio pecuniário.

DinoParque Lourinhã pronto para abrir em Fevereiro

O DinoParque Lourinhã é o maior empreendimento turístico com foco na paleontologia em Portugal e um dos maiores da Europa.  Está previsto abrir portas a 9 de Fevereiro de 2018.


Modelo de Lourinhanosaurus antunesi no DinoParque Lourinhã.

Como nasce o projecto de criar um novo museu e parque de dinossauros da Lourinhã?
A vontade de capitalizar a atenção e importância trazida pelos achados de dinossauros, a falta de espaço no Museu da Lourinhã levou às primeiras propostas pela equipa do Museu da Lourinhã em 1997 de um novo museu, na altura com o título “Parque do Saber e do Lazer”. A falta de financiamento dificultou sempre a concretização desse sonho que era partilhado pelo Museu da Lourinhã e pela Câmara Municipal. A ideia e o conceito evoluíram para o Museu do Jurássico, com uma arquitectura arrojada na periferia da Vila da Lourinhã e uma forte vertente museológica e científica de cariz mais público e depois para o Mundo Jurássico, com uma vertente em que misturava o aspecto lúdico e museológico. A falta de financiamento acabou por impedir a concretização.
Em 2011 começam conversações com parceiros alemães que fazem a gestão do DinoPark Münchehagen. Pondera-se uma localização mais periférica e uma participação mais empresarial, com os fósseis originais de dinossauros que continuam como parte integrante do acervo do Museu da Lourinhã. O conceito evolui até ao que é hoje o Parque dos Dinossauros da Lourinhã, inaugurado em Fevereiro de 2018.



terça-feira, janeiro 02, 2018

Revista "Ciências da Terra" renovada

Saiu o novo volume da revista "Ciências da Terra", o número 19, que vem com "cara lavada", novo estilo, nova página de internet e agora com o nome "Ciências da Terra – Earth Sciences Journal", completamente de acesso livre online e gratuito para os leitores e autores.

A revista científica "Ciências da Terra"  celebrou 40 anos de existência em 2016. O primeiro número, intitulado Dinossáurios Eocretácicos dos Lagosteiros, foi escrito pelo fundador da revista, Prof. Dr. Miguel Telles Antunes. Durante 40 anos publicou artigos sobretudo nas áreas de Estratigrafia e Paleontologia. Este volume teve o corpo editorial composto por José Carlos Kullberg, Rogério Rocha e João Pais.



Além de obituários, os novos artigos são:

  1. Stratigraphy, sedimentary patterns, and reservoir characteristics of Jurassic carbonate successions in the Lusitanian Basin.  A. C. Azerêdo, L. V. Duarte
  2. The Lower Jurassic at Peniche (Lusitanian Basin): recent advances in Stratigraphy and Sedimentary Geology. Por L. V. Duarte, E. Mattioli, R. B. Rocha, R. L. Silva
  3. The Lourinhã Formation: the Upper Jurassic to lower most Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal – landscapes where dinosaurs walked. Por O. Mateus, J. Dinis, P. P. Cunha
  4. Stratigraphy and sequence correlations in the Lower Cretaceous around Lisbon. Por J. Rey, P. S. Caetano
  5. The tectono-stratigraphic evolution of an Atlantic-type basin: an example from the Arrábida sector of the Lusitanian Basin. Por J. C. Kullberg, M. C. Kullberg











Exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros"

Terminou esta semana a exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros" no Museu da Lourinhã. Esta mostra, que esteve patente deste 24 de Junho de 2017 até final de 2017, focava-se nos ovos e embriões de dinossauros e crocodilomorfos em Portugal e Espanha, destacando a unicidade do registo oológico.
Toda a exposição girava em torno de três conceitos principais, que definem os espaços e o discurso:
Os excepcionais embriões jurássicos de Portugal
A rica diversidade do Cretáceo Inferior da Espanha
As abundantes posturas do Cretácico Superior da Catalunha

A exposição coincidiu com a semana de actividades "Dinossauros saem à rua" e com o simpósio de ovos e bebés de dinossauros em Outubro.

A exposição estava localizada na planta superior do Paleontologia do Museu da Lourinhã.
O curador foi Miguel Moreno-Azanza com a participação científica de Àngel Galobart, Albert Sellés, Bernat Vila, Ester Díaz Berenguer e Octávio Mateus. Textos e museologia de Moreno-Azanza, Alexandre Audigane, Ana Luz, Bruno Pereira e João Muchagata.

Aqui fica uma curta reportagem fotográfica da exposição:







segunda-feira, janeiro 01, 2018

2018 vai ser ano de congressos de paleontologia em Portugal


Ainda não sabemos que descobertas científicas nos esperam para 2018. Nem que novos fósseis e novos conceitos paleontológicos serão revelados em 2018. Mas sabemos desde já que será um ano bem preenchido de congressos paleontológicos em Portugal, com três bons exemplos:

European Association of Vertebrate Paleontology Annual Meeting
Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa, Portugal. 26 de Junho a 1 de Julho.



II Congresso Internacional “As Aves: evolução, paleontologia, arqueozoologia, artes e ambientes
Biblioteca Nacional, Lisboa, Portugal. 29 de Maio a 1 de Junho



XXXIV Jornadas de Paleontologia da Sociedad Española de Paleontología & V Congresso Ibérico de Paleontologia
Vila Real, 26 a 29 de setembro.


Destacamos ainda:
27th Colloquium of African Geology (27 CAG), Universidade de Aveiro  21 a 28 Julho 2018

 X Congresso Nacional de Geologia, Açores, 7 a 16 de Julho de 2018