sábado, dezembro 30, 2017

Arte de rua paleontológica

Cada vez mais há uma influencia da paleontologia na arte, e também na Arte de Rua. Desta vez mostramos exemplos na Caparica a cerca de 2 km a oeste do Campus da FCT da Universidade Nova de Lisboa.

Arte de rua, na Caparica, com um Dunkleostes e um Livyatan.
As imagens mostram: um placoderme Dunkleosteus com pinças de sapateira e uma longa cauda, um esqueleto de cachalote Livyatan, um crânio de foca, e um crânio de mosassauro, numa arte assinada por "Kids don't Float" com a data de 2017.


Arte de rua, na Caparica, com um crânio de foca e um crânio de mosassauro.

Como comparação, deixamos aqui algumas imagens que devem ter inspirado este artista anónimo.

Dunkleosteus,  por Dmitry Bogdanov
Livyatan. Fonte: reddit.com
Foca, fonte: skullsite.co.uk
Mosasaurus hoffmani por Lingham-Soliar 1995.


Nova espécie de planta no Carbonífero de Portugal

Nova jazida em Ermesinde dá fósseis de uma nova espécie de feto, num artigo assinado por Pedro Correia, Zbynĕk Šimůnek, Artur A. Sá e Deolinda Flores.

Segundo o artigo que saiu no Geological Journal, a Bacia do Douro é uma das bacias sedimentares continentais mais ricas em florestas fósseis de idade carbonífera em Portugal. A nova localidade de Montes da Costa (Ermesinde) fornece um excelente registo fóssil de macroflora bem conservada e muito diversificada sobretudo de fetos, dos quais é descrita a nova espécie Acitheca murphyi  do Carbonífero.



Reconstituição artística de Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017). 

Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017).



Referência:

Correia P, Šimůnek Z, Sá AA, Flores D. A new Late Pennsylvanian floral assemblage from the Douro Basin, Portugal. Geological Journal. 2017;1–25. https://doi.org/10.1002/gj.3086
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/gj.3086/full

terça-feira, dezembro 26, 2017

Há 300 anos nasceu João de Loureiro, o primeiro paleontólogo Português

Há 300 anos nasceu João de Loureiro (1717, Lisboa - 18 de outubro de 1791) foi missionário e botânico jesuíta português e o primeiro paleontólogo Português.

Fundo esquerda: uma das plantas recolhidas por João de Loureiro;
Direita: Frontispício da obra Flora Cochinchinensis.
Topo  esquerda: Antigo Colégio de Sto. Antão onde João de Loureiro estudou.
Depois de receber a entrada na Ordem dos Jesuítas, João de Loureiro serviu como missionário em Goa, capital da Índia portuguesa (3 anos) e Macau (4 anos). Em 1742 ele viajou para Cochinchina (actual Vietname e Laos), permanecendo lá por 35 anos. Aqui trabalhou como matemático e naturalista, adquirindo conhecimento sobre as propriedades e os usos das plantas medicinais nativas. Em 1777, viajou para Cantão, voltando a Lisboa quatro anos depois. Em 1790, ele publicou um trabalho sobre a flora da Cochinchina intitulado Flora Cochinchinensis.

João de Loureiro tem numerosas espécies "loureiroi" dedicadas a ele, principalmente plantas, mas também um dinossauro, Draconyx loureiroi, porque também foi o primeiro paleontólogo português ao escrever um artigo sobre caranguejos fósseis no artigo "Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal" publicado na Academia de Ciências de Lisboa em 1799.

Na Cochinchina, João de Loureiro era sobretudo missionário que usou a farmacopeia local para aprender sobre botânica e medicina. Entre os muitos espécimes que Loureiro deve ter se reunido com as contribuições locais, havia alguns caranguejos fósseis do rio Soung Muòi Ko (província de Gua'ng binh na Cochinchina), que os locais consideravam terapêuticos como absorventes para a febre, a disenteria, diarréia, tenesmo e útil externamente para inflamações e abscessos. Na época, os fósseis eram uma curiosidade misteriosa ou mal explicada. A maioria dos fósseis foi interpretada como animais ante-diluviários, como alusão ao episódio bíblico mítico. Os caranguejos fósseis chamaram a atenção de João de Loureiro, mas este foi crítico sobre explicações míticas sobre animais "petrificados" relatados por poetas, como é mostrado por suas palavras: "é necessário um pensamento cuidadoso e crítico antes de dar crédito a esses relatórios".
Caranguejos fósseis estudados por João de Loureiro na obra de 1799 (Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal).
Em sua nota póstuma publicada em 1799 pelo título "Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal" da Real Academia de Ciências de Lisboa (Fig. 4 e 5), Loureiro não só reconhece e identifica como caranguejos, mas também entende o papel dos sedimentos e o tempo na formação fóssil. Loureiro refuta a hipótese de uma catástrofe de dilúvio ou uma "água petrificante", entendendo que o processo de fossilização é a associação das propriedades da lama e a longa passagem do tempo. Ele escreve "uma violência, que tira uma vida, e transforma em pedra aquelles viventes, está no lodo" (p. 51) e "a que os vapores d'aquelle-site petrificante tiráraõ a vida, ficando logo cubertos, ou estendidos no lodo, perdem naturalmente com o tempo como partes mais subtís, e volateis" (. 52). Essa nota de dez páginas representa o primeiro artigo científico paleontológico em Portugal (Antunes, 1986) e o primeiro sobre um fóssil do sudeste asiático, tanto quanto sabemos. João de Loureiro é, portanto, considerado o primeiro paleontólogo português, que lhe concedeu a nomeação de uma espécie de dinossauro, Draconyx loureiroi, em 2001 (Mateus e Antunes, 2001).
Os caranguejos fósseis, provavelmente o mesmo que Loureiro se recuperou da Ásia foram encontrados mais tarde na Academia de Ciências de Lisboa (Antunes, 1986; 2000).



Viagem de João de Loureiro entre 1735 e 1782.







quarta-feira, dezembro 20, 2017

Boas festas

Aqui vai o cartão de natal deste ano com votos do blog Lusodinos.




quarta-feira, dezembro 06, 2017

Pegadas da Gronelândia mostram os mais antigos vestígios de saurópodes

A Formação de Fleming Fjord do Triásico Superior do centro-leste da Gronelândia preserva uma fauna fóssil diversificada, incluindo ossos e pegadas. Os trilhos de grandes arcossauros quadrúpedes da região, embora já tenham sido relatados em 1994 e mencionados em publicações subsequentes, são descritos e detalhados com base em dados fotogramétricos recolhidos durante o trabalho de campo da expedição dinamarquesa-alemã-portuguesa em 2012 e publicados agora pela primeira vez na Acta Paleontologica Polonica no artigo que tem Jans Lallensack como primeiro autor.
Dois trilhos podem ser identificados como do icnogénero Eosauropus, enquanto um terceiro pode ser de Evazoum, ambos considerados como representando trilhos de dinossauros sauropodomorfos. Tanto os trilhos de Evazoum como as de Eosauropus são claramente maiores do que era previamente conhecido.
Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)
A postura quadrúpede e a estrutura da pegada  de cinco dedos, semi-digitígrado, com ungueais que se projectam lateralmente indicam que se trata de um sauropodomorfo derivado, mais concretamente um saurópode. Embora a evidência inequívoca de ossos de dinossauros  saurópodes seja do Jurásico inferior, estes trilhos da Gronelândia apontam para uma origem triásica do grupo. Esta é a evidência dos mais antigos saurópodes conhecidos.


Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)


Lallensack, JN, Klein H, Milàn J, Wings O, Mateus O, Clemmensen LB.  2017.  Sauropodomorph dinosaur trackways from the Fleming Fjord Formation of East Greenland: Evidence for Late Triassic sauropods. Acta Palaeontologica Polonica. 62(4):833-843.  PDF

segunda-feira, novembro 27, 2017

Paleontólogo Josef Felix Pompeckj (1867-1930)


Pompeckj.jpg
Josef Felix Pompeckj
Fez em Maio passado 150 anos de aniversário de nascimento do paleontólogo Josef Felix Pompeckj que trabalhou em Portugal e aproveitamos para compilar uma curta biografia.

Josef Felix Pompeckj (10 de maio de 1867 Groß-Köllen, agora Kolno na Polónia † 08 de julho de 1930, Berlim) foi um paleontólogo e geólogo alemão. Estudou geologia e paleontologia na Universidade de Königsberg e recebeu seu doutoramento em 1890 com a tese Die Trilobitenfauna der ost- und westpreußischen Diluvialgeschiebe.  Em Portugal estudou amonites do Jurássico Inferior através de Paul Choffat e Johannes Böhm que estudavam as Camadas de Pereiros com as primeiras publicações em 1897. Trabalhou em Tübingen, Munique e Hohenheim. Em 1903 foi designado professor em Munique e, a partir de 1904, ensinou aulas de geologia e mineralogia na faculdade agrícola de Hohenheim.  Em 1907, mudou-se para a Universidade de Göttingen, onde acabou se tornando professor titular de geologia e paleontologia. A partir de 1913 trabalhou como professor em Tübingen, em 1917 mudou-se para a Universidade de Berlim como sucessor de Wilhelm von Branca. Foi nomeado diretor do Geologisch-Paläontologischen Institut und Museum em Berlim.

Espécies descritas em Portugal:
Arietites (Asteroceras) amblyptychus Pompeckj 1897
Ptycharietites ptychogenos (Pompeckj, 1897)
Ptycharietites (Pompeckioceras) cf. oncocephalus (Pompeckj, 1897)
"Oxynoticeras" choffati Pompeckj, 1906

Pompeckj, J. F. (1897). Neue Ammoniten aus dem unteren Lias von Portugal.Zeitschrift der Deutschen Geologischen Gesellschaft, 636-661.
Pompeckj, J. F. (1898): Notes sur quelques ammonites du Sinémurien du Portugal. Communicações de Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal, 3: 210–238.
Pompeckj, J.F., 1907. Notes sur les Oxynoticeras du Sinémurien supérieur du Portugal et remarques sur le genre Oxynoticeras. Communicações da Commissão do Serviço Geológico de Portugal, 6, pp.214-338.






sexta-feira, novembro 24, 2017

Tese de Mestrado de Francisco Costa conclui que Miragaia longicollum é bem diferente de Dacentrurus

No passado dia 22 decorreram as provas de Mestrado em Paleontologia FCT-UNL + UÉ  de Francisco Costa sobre o dinossauro estegossauro Miragaia longicollum do Jurássico Superior de Portugal, com a descrição e comparações de um novo espécime.
Parabéns aos Francisco que fez uma excelente tese reconhecida com 20 valores!

Francisco Costa
Entre as várias conclusões ficou demonstrado que Miragaia longicollum é um táxone válido e bem diferente de Dacentrurus armatus.

Provas de Mestrado de Francisco João da Costa Pinto
Dissertação: "The stegosaurian dinosaur Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal, with the description and comparisons of a new specimen"
Constituição do Júri:
•  Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, •  Doutora Susannah Maidment, Senior Lecturer in Geology, University of Brighton
•  Orientador Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor
22 de Novembro de 2017

Susannah Maidment, O. Mateus e
Francisco Costa (Foto por F. Rotatori) 

O mais antigo dos crocodilos é Português?


O grupo de crocodilianos Eusuchia é conhecido desde o Cretácico Inferior (Barremiano), sendo Hylaeochampsa da Inglaterra o representante mais antigo deste grupo. No entanto, o registro de eusúquios do Barremiano ao Santoniano é muito escasso em todo o mundo. A diversidade de Eusuchia aumenta notavelmente durante o Campaniano - Maastrictiano com a radiação de Hylaeochampsidae e a primeira aparição de Allodaposuchidae e Gavialoidea na Europa, ou o registro mais antigo de Crocodylia com representantes de Alligatoroidea, Crocodyloidea, Borealosuchidae e Gavialoidea na América do Norte.
No Congresso de Paleontologia de Vertebrados que decorreu em Calgary, Octávio Mateus, Pedro Callapez e Eduardo Puértolas-Pascual apresentaram um novo exemplar de crocodilomorfo eusúquio baseado num crânio e mandíbula (ML1818) do início do Cenomaniano superior do Baixo Mondego (Fm. Tentúgal). O espécime apresenta uma série de caracteres exclusivos como presença de uma pequena fenestra mandibular externa sem participação surangular; aforma da barra postorbital e a forma da margem dorsal da fenestra infratemporal. A análise cladística resultante coloca este espécime na base dos Crocodylia em uma posição mais derivada do que Gavialoidea e como o táxone-irmão do resto dos Crocodylia. Por conseguinte, este espécime português representa o único Eusuchia bem documentado no Cenomaniano da Europa e provavelmente o representante mais antigo da Crocodylia em todo o mundo, ajudando a preencher uma lacuna do registo de Eusuchia e Crocodylia. Além disso, esta descoberta ajuda a esclarecer a radiação de Eusuchia e a origem dos Crocodylia, que provavelmente teria ocorrido na Europa. 
No entanto, devido à natureza fragmentada desses restos, embora a posição dentro de Eusuchia seja indubitavél, a posição filogenética deste espécime dentro de Crocodylia não é muito bem suportada. Assim, a recuperação de novos restos ajudaria a confirmar ou descartar essa hipótese.

Características dos Eusuchia (Mateus et al., 2017)
Mateus, O., Callapez P. M., Puértolas-Pascual E. (2017).  The oldest Crocodylia? a new eusuchian from the Late Cretaceous (Cenomanian) of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts. 2017, 160.  PDF

O potencial geoturístico da Região Oeste

Atualmente, está em discussão a relevância da definição de um novo geoparque na região ocidental do continente português, na denominada "Região Oeste", situada na costa oeste central de Portugal continental, e possui doze municípios, Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. Esta é principalmente uma área rural, mas onde o turismo vem crescendo. O potencial turístico desta região é reforçado com praias de areia branca e surf, atraindo milhares de visitantes e um turismo crescente em História e Natureza.
A área possui duas características geológicas relevantes internacionais. Na Península de Peniche, o estratótipo Pliensbachiano-Toarciano (referência geológica internacional que melhor representa um período de tempo particular da História da Terra). Este site atrai cientistas principalmente nacionais e internacionais, mas há uma crescente consciência de sua importância pelas escolas e pelo público em geral. Os visitantes procuram este site não só pelo seu significado geológico, mas também para observar o registo fóssil marinho e a beleza da paisagem, dentro da Reserva da Biosfera das Berlengas da Unesco. Outro site da UNESCO é Óbidos como Creative City in Literature.
Os fósseis, em particular os achados de dinossauros naquela área, também são relevantes no contexto internacional. Do Jurássico Superior (~ 152 Ma), muitos restos de dinossauros fossilizados foram encontrados nessa área, são importantes não só pela quantidade de ossos encontrados, mas também pelo número significativo de espécies. Várias espécies únicas foram identificadas a partir desses restos, como Lourinhanosaurus antunesi. Esta área de fósseis é uma grande atração local, como parte da coleção do Museu da Lourinhã, que atrai cerca de 24 mil visitantes por ano e um parque temático em construção sobre dinossauros, o Parque dos Dinossauros da Lourinhã. Mais de 200 espécies de fósseis são únicas para o Oeste e foram baptizadas nomeando as localidades. A "Região Oeste" também possui outros sites geológicos de importância regional e local, alguns já no inventário nacional português de geosites: o "Afloramento da Brecha Vulcânica de Papôa" é um local próximo de Peniche, onde é possível observe uma brecha vulcânica cercada por calcários inferiores jurássicos. Esta brecha é o resultado de um canal vulcânico colapsado. Outra área de interesse é a "Corte Geológica da Península de Baleal", ao norte de Peniche, onde é possível observar uma bela sequência de calcário inclinado. A seção denominada "Arribas da Praia do Salgado" é uma boa área para o público observar vários fósseis de animais marinhos, praias fossilizadas e um deslizamento de terra do século XV.
Reconhecemos que muitos outros sites têm grande potencial para serem incluídos na lista de geosites e precisam ser caracterizados.

Referência:
Pereira, B., Mateus O., Kullberg J. C., & Rocha R. (2017).  The geotouristic potential of the Oeste Region of Portugal. 14th European Geoparks Conference | Abstracts Book 167. 167. PDF
Arribas do Oeste. Detalhe no Cabo Carvoeiro Praia do Trovão perto do estratótipo (Foto: O. Mateus)


Estratigrafia da Formação de Morrison em estudo


Um estudo na nossa equipa apresenta uma estratigrafia detalhada da Formação de Morrison, da bacia de Big Horn, em resultado da tese de mestrado de André Saleiro e publicado no congresso de EJIP passado.



Estratigrafia da Formação de Morrison perto de Ten Sleep (Saleiro e Mateus, 2017)

Saleiro, A., & Mateus O. (2017).  Upper Jurassic bonebeds around Ten Sleep, Wyoming, USA: overview and stratigraphy. Abstract book of the XV Encuentro de Jóvenes Investigadores en Paleontología/XV Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia, Lisboa, 428 pp.. 357-361. PDF

150 da publicação de Joaquim Felipe Nery Delgado - Grutas da Cesareda

Domingo, 26 de Novembro de 2017 será honrado Nery Delgado no Espaço do Ó, em Óbidos, com as Jornadas de Arqueologia para comemorar os 150 anos da publicação de Nery Delgado, com o título: "Da Existência do Homem no Nosso Solo em Tempos Mui Remotos Provada pelo Estudo das Cavernas. Notícia ácerca das Grutas da Cesareda", a qual incidiu sobre uma das primeiras escavações arqueológicas em contexto de gruta na Península Ibérica.
Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado (Elvas, 26 de Maio de 1835 — Lisboa, 3 de Agosto de 1908), conhecido como General Nery Delgado, foi um dos pioneiros da geologia em Portugal. 

segunda-feira, novembro 20, 2017

Vinte e cinco anos depois: O segundo aviso

Passados vinte e cinco anos sobre o manifesto "World Scientists' Warning to Humanity", chega-nos agora o "World Scientists' Warning to Humanity: A Second Notice", contando com mais de 15 000 signatários de 184 países.

Expressando uma preocupação alarmante com os danos actuais, iminentes ou potenciais no planeta, envolvendo a destruição da camada do ozono, a redução da disponibilidade hídrica, a perda da floresta e da biodiversidade, as alterações climáticas e o crescimento exponencialmente contínuo da população humana, os signatários de 1992 proclamaram a necessidade urgente de reverter o cenário impactante que já na altura se fazia sentir.
 
Um quarto de século depois, os dados revelam um lento e, na maioria dos casos,  insuficiente progresso na procura e implementação de soluções.

domingo, setembro 03, 2017

VI Simpósio "Dinosaur Eggs and Babies" 2017

A sexta edição do Simpósio Dinosaur Eggs and Babies a decorrer de 3 a 8 de Outubro de 2017, terá lugar no Monte da Caparica, Portugal.

O simpósio sobre ovos e bebés de dinossauros é um dos mais importantes e prestigiados do mundo nos âmbitos da Paleoologia, a ciência dos ovos fósseis, e do desenvolvimento dos dinossauros e ontogenia. Com a primeira edição em 1999, sobre a alçada da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com Museu da Lourinhã, e realizado regularmente a cada três a quatro anos desde então, tem representado um impulso significativo nestes campos.


Para a edição deste ano, o principal tópico de discussão proposto é a formação das cascas de ovo.

O programa científico inclui ainda três sessões plenárias, cada uma delas direccionada para um dos temas nucleares: biomineralização de ovos e ossos, ovos de dinossauros e desenvolvimento de dinossauros.


Mais informações no site da FCT-UNL:

+(351) (212 948 573) ext 10205

Ou nas redes sociais:

Twitter: @VIDinoEggsBabi
Facebook: /VIDinoeggsandBabies/


sábado, agosto 12, 2017

Conferências saem à rua

Conferências de paleontologia do evento Dinossauros saem à Rua, este fim de semana, 12 e 13 de Agosto, organizado pelo Museu da Lourinhã e Câmara Municipal da Lourinhã.


sexta-feira, agosto 04, 2017

Nova espécie extinta de passeriforme descoberta nos Açores

Registos fósseis descobertos na Furna do Calcinhas, na Caldeira da Ilha Graciosa, nos Açores, trazem para a Ciência uma nova espécie de passeriforme, a maior do género, Pyrrhula crassa.

Reconstrução de Phyrrula crassa (à esquerda) e ossos do crânio (à direita). Créditos P. Oliver.

A extinção da referida espécie, segundo os autores do artigo publicado na revista científica Zootaxa, esteve relacionada com a destruição da floresta laurissilva nos Açores e com a introdução de espécies exóticas na ilha, durante a colonização do arquipélago.


Abstract: A new species of extinct bullfinch, Pyrrhula crassa n. sp., is described from bones found in Furna do Calcinhas, a small cave situated at Caldeira, a volcano located in the southeastern portion of the Graciosa Island (Azores archipelago, North Atlantic Ocean). It is the first extinct passerine bird to be described from this archipelago. Both skull and post-cranial bones are larger in the new species than in its relatives, the Eurasian Bullfinch (P. pyrrhula) and the Azores Bullfinch or “Priolo” from São Miguel Island (P. murina), the new species being the largest known in this genus. The morphology of its humerus and the estimated wing length and surface area seem to indicate a flying ability similar to that of the extant P. murina. The possible sources of colonization of the genus into Azores, causes and chronology of extinction of the new species are discussed.

J.C Rando, H. Pieper, Storrs L. Olson, F. Pereira, and J.A. Alcover. A new extinct species of large bullfinch (Aves: Fringillidae: Pyrrhula) from Graciosa Island (Azores, North Atlantic Ocean). Zootaxa, 2017; 4282 (3): 567 DOI: 10.11646/zootaxa.4282.3.9

Sobre o Jurássico de Peniche

O estudo internacional, agora publicado na revista científica Nature Communications e desenvolvido nas arribas calcárias da Península de Peniche e no furo de sondagem Mochras, no País de Gales, revela o fenómeno anóxico marinho e de perturbação do ciclo do dióxido de carbono ocorrido no Toarciano (Jurássico Inferior), há cerca de 182 milhões de anos.
Este evento, que terá durado aproximadamente 1 milhão de anos, foi o desencadeador de um importante fenómeno de extinção, em ambiente marinho, à escala global.
A investigação, baseada no estudo de fragmentos orgânicos de origem continental contidos ao longo da sucessão marinha carbonatada, revela um aumento bastante significativo de materiais carbonosos, provenientes de incêndios naturais, numa posição temporal contemporânea nos dois já referidos locais de estudo, permitindo a datação do fim do evento de anoxia.

Jurassic Palaeo-map of the sample localities and relative site stratigraphies for the Mochras and Peniche sections. Baker et al. (2017).

Esta nova descoberta contribui para a compreensão das interacções entre os diferentes subsistemas terrestres num mundo actual onde as alterações climáticas são bem já sentidas e visíveis.

Abstract: The Toarcian Oceanic Anoxic Event (T-OAE) was characterized by a major disturbance to the global carbon(C)-cycle, and depleted oxygen in Earth’s oceans resulting in marine mass extinction. Numerical models predict that increased organic carbon burial should drive a rise in atmospheric oxygen (pO2) leading to termination of an OAE after ∼1 Myr. Wildfire is highly responsive to changes in pO2 implying that fire-activity should vary across OAEs. Here we test this hypothesis by tracing variations in the abundance of fossil charcoal across the T-OAE. We report a sustained ∼800 kyr enhancement of fire-activity beginning ∼1 Myr after the onset of the T-OAE and peaking during its termination. This major enhancement of fire occurred across the timescale of predicted pO2 variations, and we argue this was primarily driven by increased pO2. Our study provides the first fossil-based evidence suggesting that fire-feedbacks to rising pO2 may have aided in terminating the T-OAE.

quarta-feira, julho 26, 2017

As afinidades europeias das espécies da Gronelândia no final do Triásico estão relacionados com a paleolatitude

Novo estudo mostra que as afinidades europeias das espécies do final do Triásico da Gronelândia estão relacionados com paleolatitude. O estudo foi agora apresentado no 15.º Encontro Anual da Associação Europeia de Paleontólogos Vertebrados (EAVP), em Munique, na Alemanha, por Marco MarzolaOctávio Mateus, Jesper Milàn e Lars B. Clemmensen, numa parceria entre instituições portuguesas (GeoBioTec - Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã) e dinamarquesas (IGN - Department of Geosciences and Natural Resource Management e Geomuseum Faxe).
Marco Marzola na EAVP 2017. Fotografia por Femke Holwerda.

Nuuk, a capital da Gronelândia


A descoberta de Cyclotosaurus naraserluki, um novo temnospôndilo capitossauro do Noriano-Retiano da Formação de Fleming Fjord, levantou questões paleobiogeográficas relativas ao Triásico tardio da Gronelândia. Isto porque este território é, e sempre foi, parte do continente norte-americano, mas todas as espécies de Cyclotosaurus estão restritas à Europa. 
Dos 21 taxa conhecidos do Triásico superior da Gronelândia, 9 são plantas e 12 são vertebrados. Os parentes mais próximos de cada taxóne mostram a seguinte distribuição: 10 da Europa (48%), 1 da Ásia (5%), 1 da América do Norte (5% - Paratypothorax andressorum), 8 cosmopolitas (38%, principalmente plantas) e 1 incerto (5% - Mitredon cromptoni). Estes valores fornecem uma indicação da possível origem paleogeográfica dos taxa do Triásico superior e das regiões mais influentes. 
Apesar da posição geográfica da Gronelândia como parte da placa norte-americana, a sua fauna triásica mostra grande influência europeia. Os fósseis norte-americanos são sobretudo do sul dos EUA, com uma paleolatitude tropical de 5-10º N, enquanto a maioria dos achados europeus são de uma paleolatitude temperada de 34-44º N. A bacia de Jameson Land situava-se a cerca de 44º N durante o Triásico, dentro da faixa das descobertas europeias, mais a norte. A banda árida controlada pela célula de Hadley separava os sites de fósseis norte-americanos e europeus. A dispersão da vida triásica foi, portanto, fortemente influenciada por bandas paleolatitudinais de clima.

38% de aprovação nas Bolsas de Doutoramento FCT em Ciências da Terra

Saíram os resultados das Bolsas de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Para o painel das Ciências da Terra houve 40 candidaturas validadas e 15 bolsas atribuídas o que faz uma taxa de sucesso de 38%, um dos maiores valores de sempre.


terça-feira, julho 25, 2017

Entre 11 e 13 de Agosto, os dinossauros saem à rua



“Dinossauros Saem à Rua”, iniciativa organizada em parceria entre o GEAL – Museu da Lourinhã, a Câmara Municipal da Lourinhã e a União de Freguesias da Lourinhã e Atalaia, é um evento de âmbito cultural e turístico que visa a divulgação da ciência e do conhecimento, designadamente no domínio da Paleontologia, tendo fins pedagógicos e de entretenimento e lazer.


Estão previstas, para os dias 11, 12 e 13 de Agosto, diversas actividades destinadas ao público de todas as idades: ateliers, exposições, jogos e experiências cientificas, animação de rua, street food, conferências e cinema 360º, para citar algumas. 

Mais informações em:

Curso de Desenho de Natureza

O biólogo e ilustrador português Pedro Salgado, vencedor da quinta edição da Illustraciencia – Prémio Internacional de Ilustração Científica, com a ilustração de quatro espécies de peixes do Mediterrânico, leccionará de 28 de Setembro de 2017 a 28 de Junho de 2018, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, o curso livre de Desenho de Natureza.


Já na sua quinta edição, destina-se ao público geral e estudantes de arte ou ciência a partir dos 16 anos, com interesse em desenho de observação e biologia, com ou sem experiência em desenho. O programa curricular genérico inclui ainda diversas saídas de campo e residências artísticas:

1.º trimestre – desenho de campo, desenho científico
Técnicas a P/B tonal (grafite, carvão, aguada monocromática) e linha (contorno, ponteado e linha cruzada). 
Demonstração, experimentação e desenvolvimento de projetos.

2.º trimestre – desenho de campo, desenho científico
Técnicas de cor (aguarela, guache, lápis de cor, técnicas mistas)
Demonstração, experimentação e desenvolvimento de projetos.

3.º trimestre – desenho de campo, desenho científico
Projetos avançados analógicos, tratamento e aplicações digitais 
Demonstração, experimentação e desenvolvimento de projetos.
Construção de portfólio.


Mais informações e inscrições em: