domingo, janeiro 03, 2016

Na Peugada dos Dinossauros levou-nos ao Teatro Dona Maria II

O Teatro Dona Maria II recebeu este último dia 21 de Dezembro a Conferência de Natal da Ciência Viva. As conferências de Natal Ciência Viva são organizadas em parceria com instituições científicas de referência, nacionais e estrangeiras, e inspiradas nas Christmas Lectures do Royal Institution de Londres, criadas em 1825 por Michael Faraday, e destinam-se a públicos de todas as idades.
Um cientista por ano é convidado e este natal o tema foi "Na Peugada dos Dinossauros” com a conferência proferida por Octávio Mateus.

Réplicas e fósseis originais do Museu da Lourinhã, e réplicas de Centro Ciência Viva de Estremoz e FCT NOVA, acompanharam o evento. Pela primeira vez podemos ver o crânio do Torvosaurus, predador de topo do Jurássico, descoberto em Portugal, e do famoso Tyrannosaurus, do Cretácico, lado a lado.


Notícias frescas... da Gronelândia

Três novos artigos científicos dão-nos notícias frescas sobre a paleontologia do Triásico da Gronelândia, resultado da expedição de 2012 e publicadas agora na Geological Society, Special Publications.

Lars Clemmensen e colegas fazem o sumário das descobertas de vertebrados e da geologia.

Resumo:
In Late Triassic (Norian–Rhaetian) times, the Jameson Land Basin lay at 40° N on the northern part of the supercontinent Pangaea. This position placed the basin in a transition zone between the relatively dry interior of the supercontinent and its more humid periphery. Sedimentation in the Jameson Land Basin took place in a lake–mudflat system and was controlled by orbitally forced variations in precipitation. Vertebrate fossils have consistently been found in these lake deposits (Fleming Fjord Formation), and include fishes, dinosaurs, amphibians, turtles, aetosaurs and pterosaurs. Furthermore, the fauna includes mammaliaform teeth and skeletal material. New vertebrate fossils were found during a joint vertebrate palaeontological and sedimentological expedition to Jameson Land in 2012. These new finds include phytosaurs, a second stem testudinatan specimen and new material of sauropodomorph dinosaurs, including osteologically immature individuals. Phytosaurs are a group of predators common in the Late Triassic, but previously unreported from Greenland. The finding includes well-preserved partial skeletons that show the occurrence of four individuals of three size classes. The new finds support a late Norian–early Rhaetian age for the Fleming Fjord Formation, and add new information on the palaeogeographical and palaeolatitudinal distribution of Late Triassic faunal provinces.

Jameson Land, na Gronelândia.

Malmos Klint na Gronbelândia (Clemmensen et al. 2015)

Geologia do Triásico da Gronbelândia (Clemmensen et al. 2015)

Pegadas de sauropodomorfos (Clemmensen et al. 2015)

Clemmensen, L.B., Milàn, J., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J., Frobøse, N., Klein, N., Mateus, O. and Wings, O., 2015. The vertebrate-bearing Late Triassic Fleming Fjord Formation of central East Greenland revisited: stratigraphy, palaeoclimate and new palaeontological data. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-3. PDF


Bitten Hansen et al. (2015) abordam a descoberta de numerosos coprólitos de tubarão e outros animais do Triásico de Kap Stewart, nomeadamente a morfologia, classificação e alimentação.

Resumo:
A large collection of vertebrate coprolites from black lacustrine shales in the Late Triassic (Rhaetian–Sinemurian) Kap Stewart Formation, East Greenland is examined with regard to internal and external morphology, prey inclusions, and possible relationships to the contemporary vertebrate fauna. A number of the coprolites were mineralogically examined by X-ray diffraction (XRD), showing the primary mineral composition to be apatite, clay minerals, carbonates and, occasionally, quartz in the form of secondary mineral grains. The coprolite assemblage shows multiple sizes and morphotypes of coprolites, and different types of prey inclusions, demonstrating that the coprolite assemblage originates from a variety of different producers.

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Localidade com coprólitos de tubarão na Gronelândia (Hansen et al., 2015)

Coprólitos de tubarão da Gronelândia (Hansen et al., 2015)

Coprólitos (Hansen et al., 2015)


Hansen, B.B., Milàn, J., Clemmensen, L.B., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J., Klein, N., Mateus, O. and Wings, O., 2015. Coprolites from the Late Triassic Kap Stewart Formation, Jameson Land, East Greenland: morphology, classification and prey inclusions. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-12. PDF


Hendrik Klein e colegas anunciam a descoberta de pegadas de Brachychirotherium, normalmente atribuídas a arcossauros.

Resumo:
The Ørsted Dal Member of the Upper Triassic Fleming Fjord Formation in East Greenland is well known for its rich vertebrate fauna, represented by numerous specimens of both body and ichnofossils. In particular, the footprints of theropod dinosaurs have been described. Recently, an international expedition discovered several slabs with 100 small chirotheriid pes and manus imprints (pes length 4–4.5 cm) in siliciclastic deposits of this unit. They show strong similarities withBrachychirotherium, a characteristic Upper Triassic ichnogenus with a global distribution. A peculiar feature in the Fleming Fjord specimens is the lack of a fifth digit, even in more deeply impressed imprints. Therefore, the specimens are assigned here tentatively to cf. Brachychirotherium. Possibly, this characteristic is related to the extremely small size and early ontogenetic stage of the trackmaker. The record from Greenland is the first evidence of this morphotype from the Fleming Fjord Formation. Candidate trackmakers are crocodylian stem group archosaurs; however, a distinct correlation with known osteological taxa from this unit is not currently possible. While the occurrence of sauropodomorph plateosaurs in the bone record links the Greenland assemblage more closer to that from the Germanic Basin of central Europe, here the described footprints suggest a Pangaea-wide exchange.
Brachychirotherium (Klein et al. 2015) 

Brachychirotherium (Klein et al. 2015) 



Klein, H., Milàn, J., Clemmensen, L.B., Frobøse, N., Mateus, O., Klein, N., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J. and Wings, O., 2015. Archosaur footprints (cf. Brachychirotherium) with unusual morphology from the Upper Triassic Fleming Fjord Formation (Norian–Rhaetian) of East Greenland. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-1. PDF


#Gronelândia

sábado, janeiro 02, 2016

Palestras sobre a paleontologia do Algarve

A paleontologia do Algarve, sobretudo as recentes descobertas no Triásico do Grés de Silves, o Metoposaurus algarvensis e o fitossauro das jazidas de Loulé, serão o tema de duas palestras no próximo dia 5 de Janeiro de 2016, organizadas pela Associação Arqueológica do Algarve. Dia 5 de Janeiro, terça-feira, pelas 14:30 no Museu de Traje em São Brás, e às 17:45 na Biblioteca Municipal de Lagoa.
Proferidas por Octávio Mateus. As palestras serão em Inglês.

Geologia do Algarve pela Carta Geológica de Portugal. Folha 52-A Portimão.



Para saber mais:




quarta-feira, dezembro 16, 2015

Filhos da Nação (RTP) sobre dinossauros e Projecto PaleoAngola

Dinossauros e Projecto PaleoAngola no programa Filhos da Nação da RTP de dia 1 de Dezembro 2015, aqui com reprodução integral:


Post Scriptum: alguns utilizadores fora de Portugal afirmam não conseguir ver este vídeo pelo que se sugere o recurso a esta ligação https://www.vpnmentor.com/blog/watch-rtp-outside-portugal.


terça-feira, dezembro 15, 2015

Dinossauros portugueses na perspectiva do artista Nobu Tamura

Nobu Tamura é um dos artistas especializado em paleoarte com um portfólio que vale a pena visitar em Blog Spinops onde tem os seguintes dinossauros portugueses: Zby atlanticus, Miragaia longicollum, Torvosaurus gurneyi, e o crocodilomorfo Theriosuchus pusillus.
Zby atlanticus na perspectiva do artista Nobu Tamura.

Os seus trabalhos estão disponíveis para uso não comercial através da licença Creative Commons 3.0 Unported (CC BY-NC-ND 3.0). Desta forma, Tamura fez com que os seus desenhos fossem dos mais usados na internet.

Miragaia longicollum na perspectiva do artista Nobu Tamura.

Theriosuchus na perspectiva do artista Nobu Tamura.
Torvosaurus gurneyi na perspectiva do artista Nobu Tamura.

 E ainda muitos outros dinossauros e fósseis de todo o mundo. Dois exemplos aqui que tiveram participação portuguesa: Kaatedocus e Europasaurus.

Ver mais de N. Tamura:
http://ntamura.deviantart.com/
http://chasmosaurs.blogspot.pt/2011/02/interview-with-paleoartist-nobu-tamura.html




Kaatedocus por Nobu Tamura
(
Creative Commons 3.0 Unported CC BY-NC-ND 3.0).
Europasaurs por Nobu Tamura
(
Creative Commons 3.0 Unported CC BY-NC-ND 3.0).

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Braquiópodes mostram padrões palegeográficos do Jurássico Inferior

Os braquiópodes eram animais comuns nos mares do Jurássico Inferior nos quais se conhecem dezenas de espécies. Um novo estudo vêm esclarecer os padrões paleobiogeográficos da fauna de braquiópodes ibéricos durante o Toarciano sup.-Aaleniano inf. (Jurássico). O artigo é publicado na Paleo3 sendo assinado por Benito Andrade, Luis V. Duarte, Fernando García Joral, Antonio Goy e Maria H. Henriques e Espanha e da Universidade de Coimbra.
Mapa de afloramentos jurássicos (Andrade et al. 2016)


Dois distritos ibéricos foram diferenciados no Toarciano superior e Aaleniano inferior, tendo as faunas de braquiópodes mostrado diferenças na composição e evolução, em que a biogeografia está relacionada a mudanças ambientais e o padrão de paleocorrentes limitado a dispersão das espécies.

Braquiópodes (Andrade et al. 2016)
Referência:
Andrade, B., Duarte, L.V., Joral, F.G., Goy, A. and Henriques, M.H., 2015. Palaeobiogeographic patterns of the brachiopod assemblages of the Iberian Subplate during the Late Toarcian-Early Aalenian (Jurassic).Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.
Mapa de paleocorrentes (Andrade et al. 2016)

Paleolatitude: Ibéria à deriva nunca esteve tão a Norte

Numerosos dados provam a tectónica de placas e mostra a sua influência na paleogeografia e distribuição das espécies. A tectónica de placas fez com que a latitude da Península Ibérica mudasse ao longo do tempo.


Agora há um novo recurso digital, www.paleolatitude.org, precisamente para fornecer a latitude de qualquer local do planeta ao longo dos milhões de anos. Por exemplo, a Lourinhã está hoje está aos 39ºN de latitude, mas há 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Jurássico Superior, o território por onde andavam os Lourinhanosaurus, Miragaia e Lusotitan, estava a 27.8ºN de latitude. Esta latitude hoje é a fronteira entre Marrocos e o Sahara Ocidental, o que explica o ambiente árido descrito por Myers et al. (2012) para a Formação da Lourinhã com temperatura média de 31º C, e precipitação de 1100 mm/ano.

Onde foram recolhidos fitossauros e dinossauros na Gronelândia, hoje aos 72ºN, estava aos 49ºN há 200 milhões de anos, no Triásico, praticamente à latitude de Paris de hoje.

Outra curiosidade é que tanto a Ibéria como a Gronelândia nunca estiveram numa posição tão a norte como agora.

Ref.:
Myers, T.S., Tabor, N.J., Jacobs, L.L. and Mateus, O., 2012. Palaeoclimate of the Late Jurassic of Portugal: comparison with the western United States.Sedimentology59(6), pp.1695-1717.

"Brontosaurus está de volta" entre as 12 melhores histórias científicas de 2015, diz revista Discover

A revista americana Discover releva, todos os anos, as 100 descobertas científicas mais importantes de cada ano. Em 1997, já tinha colocado os ovos e embriões de dinossauro de Paimogo na lista. Importa salientar que estes 100 lugares refletem todos os domínios da ciência.
Este ano salientou o caso da história da recuperação do Brontosaurus  classificando-o como o 12ª "top story" da ciência em 2015. Recorde-se que esta investigação da FCT-Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, liderada por Emanuel Tschopp, teve um enorme impacto nos meios de comunicação social e na ciência.

Brontosaurus por Davide Bonadonna


http://discovermagazine.com/2016/janfeb/12-bully-for-brontosaurus
http://discovermagazine.com/2016/janfeb

O site Altmetric coloca o 55º artigo científico mais influente de 2015 devido a:
65 news outlets
30 blogs
357 tweeters
1 peer review site
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20 Wikipedia pages
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1 Redditor
1 video uploader


Posts relacionados:
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/04/brontosaurus-superstar.html
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/03/brontosaurus-um-dos-dinossauros-mais.html
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/04/o-brontosaurus-esta-de-volta.html

Publicação científica:
Tschopp, E., Mateus, O. and Benson, R.B., 2015. A specimen-level phylogenetic analysis and taxonomic revision of Diplodocidae (Dinosauria, Sauropoda). PeerJ3, p.e857.

John McIntosh (1923-2015)

A Paleontologia de dinossauros perdeu um dos seus dóceis gigantes: John "Jack" McIntosh (1923-2015). A notícia é-nos dada por Dan Chure:

John McIntosh e Diplodocus no Denver Museum of Natural History 2004  (foto: O. Mateus 2004)
Daniel Chure
PASSING OF JACK McINTOSH. It is with deep regret that I report that John S. McIntosh passed away this morning. He was 92 years old at the time of his death. Funeral arrangements have not been announced, He was well known, respected, and loved by many and over the years he helped innumerable paleontologists around the world.
Better known as "Jack", he was a theoretical physicist at Weslyan University (CT) and also for many, many decades the authority on sauropod dinosaurs. As Jack often told the tale, this was the result of, as a senior at Yale University and torn between dinosaur paleontology and physics, he went to Richard S. Lull, the then Yale dinosaur expert. Lull told him there was no future in dinosaur paleontology so he went into physics!

 Sempre alegre e sorridente, foi uma inspiração para todos nós ao dar-nos o exemplo de como ser um excelente cientista e uma pessoa generosa.
Educado em Yale, professor na Weslyan University,  Jack era uma sumidade e um apaixonados em saurópodes sendo um dos autores de um dos livros mais influentes no estudo dos dinossauros: "The Dinosauria". Os seus estudos tiveram implicações em Portugal ao considerar o Apatosaurus alenquerensis como dentro do género Camarasaurus, embora tenha sido considerado Lourinhasaurus alenquerensis mais tarde. Ele financiou os nossos estudos sobre o Europasaurus.
Várias espécies foram-lhe dedicadas,  entre as quais Brontomerus mcintoshi.

Ralph Molnar e John McIntosh a rir em primeiro plano. Octávio Mateus e Robert Bakker em segundo plano (SVP Denver em 2004).


Leia a entrevista cheia de histórias aqui, deste homem que lutou na Segunda Guerra mundial, e que era físico de profissão porque lhe disseram que a paleontologia não tinha futuro (e como estavam errados!).

Selecção das publicações mais relevantes:
  • Berman, D.S. and McIntosh, J.S., 1978. Skull and relationships of the Upper Jurassic sauropod Apatosaurus (Reptilia, Saurischia).
  • Carpenter, K. and McIntosh, J.S., 1994. Upper Jurassic sauropod babies from the Morrison Formation. Dinosaur eggs and babies,265, p.278.
  • McIntosh, J.S., 1990. Sauropoda. The Dinosauria1, pp.345-401.
  • McIntosh, J.S., 2005. The genus Barosaurus Marsh (Sauropoda, Diplodocidae). Thunder Lizards: the Sauropodomorph Dinosaurs. Indiana University Press, Bloomington, Indiana, pp.38-77.
  • Dodson, P., Behrensmeyer, A.K., Bakker, R.T. and McIntosh, J.S., 1980. Taphonomy and paleoecology of the dinosaur beds of the Jurassic Morrison Formation. Paleobiology, pp.208-232.
  • McIntosh, J.S. and Berman, D.S., 1975. Description of the palate and lower jaw of the sauropod dinosaur Diplodocus (Reptilia: Saurischia) with remarks on the nature of the skull of Apatosaurus. Journal of Paleontology, pp.187-199.


Nils Knotschke, John McIntosh e Octávio Mateus (Denver, 2004) ao lado do poster sobre o Europasaurus.

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Conferência de Natal da Ciência Viva "Na Peugada dos dinossauros"

Em 1825, o famoso físico inglês Michael Faraday abre a tradição das conferências de natal "Christmas Lectures" quando era director da Royal Institution. Eram abertas e destinadas a públicos de todas as idades numa altura em que a ciência era muito mais hermética e restrita que hoje. Desde então, estas conferências anuais têm sido o palco de importantes cientistas em que nomes como Richard Dawkins, Sir David Attenborough e Carl Sagan são alguns dos mais sonantes. 
Em Portugal, a Ciência Viva, têm organizado as Conferências de Natal inspiradas nas Christmas Lectures em parceria com instituições científicas de referência, nacionais e estrangeiras. E este ano há dentes e garras num tema jurássico na Conferência de Natal . Venha "Na Peugada dos Dinossauros” no Teatro Dona Maria II, dia 21 de Dezembro de 2015, pelas 19:00.
Entrada gratuita mas é necessária inscrição: http://www.cienciaviva.pt/conferenciadenatal/2015/

Teatro Dona Maria II, em Lisboa (fonte: wikipedia)



terça-feira, dezembro 08, 2015

Darwin, Owen, Huxley, os dinossauros e as mãos das estátuas

Charles Darwin (1809 – 1882) lidou muito com fósseis mas pouco ou nada com dinossauros. Contudo, alguns dos seus colegas trabalharam com este grupo de animais. 
Entre eles, destaca-se Richard Owen (1804 –1892), praticamente arquinimigo de Darwin, mas teve um papel brilhante para a História Natural na criação do Museu de História Natural de Londres. Richard Owen era um brilhante anatomista e também é o autor da palavra dinossauro na versão Dinosauria (latinizado do grego) e dinosaur (inglês), que derivam da conjugação das palavras gregas deinos=terrível + saurus=lagarto. Apesar da etimologia grega, o vocábulo dinossauro entra no Português através da versão inglesa dinosaur, e por isso, na prática, 99% do mundo lusófono usa dinossauro em vez de dinossáurio. Owen conhecia os ossos como ninguém e descreveu numerosos fósseis de dinossauros, entre os quais o estegossauro Dacentrurus armatus que mais tarde foi descrito para Portugal.
Outro contemporâneo de Darwin foi Thomas Huxley (1825 – 1895) que foi dos primeiros a sugerir que as aves descendem de dinossauros, ao analisar os esqueletos de Compsognathus e Archaeopteryx. Ele era um grande divulgador de Ciência, fervoroso defensor da Teoria da Evolução, e criou a palavra "agnóstico". O seu estilo combativo valeu-lhe a alcunha de O Bulldog de Darwin.

As estátuas destes três cientistas estão no Museu de História Natural de Londres e mostram um pormenor interessante e curioso: as suas mãos. Owen, que era excelente anatomista e osteologista, segura um fémur de Moa, numa estátua esteve no topo da escadaria central até à poucos anos, mas foi substituída pela de Darwin e remetida para uma galeria lateral; Darwin era recatado, as suas mãos seguram-se mutuamente; Huxley, combativo, cerra o punho como se estivesse preparado para a luta.


Estátuas de três eminentes cientistas: Richard Owen, Charles Darwin e Thomas Huxley, presentes no Museu de História Natural de Londres. Darwin não estudou dinossauros mas Owen inventou a palavra dinossauro e descrever o Dacentrurus armatus, enquanto Huxley foi dos primeiros a sugerir que as aves descendiam de dinossauros. 

Darwin sempre mostrou interesse por fósseis mas não estudou dinossauros.

terça-feira, dezembro 01, 2015

Dinossauros na identidade local

   Os dinossauros e os fósseis também podem fazer parte da identidade local. Os fósseis são património paleontológico muitas vezes enquadrado dentro do científico, natural e geológico. Também cultural, mas apenas quando são descobertos e divulgados ao público. 
   Os dinossauros nunca conviveram com humanos mas os seus fósseis podem entrar na cultura, folclore e serem parte da identidade local. Isso é bem demonstrado no interessante blog Folklore de los Fósiles Ibéricos, por Heraclio Astudillo-Pombo. 
Em 2003 quando a Lourinhã lança o slogan Lourinhã-Capital do Dinossauros, muitas empresas aderiram ao adoptar um nome ou logotipo paleontológico: Dinokart, DinoPão, DinoRações, Escola de Condução Dinossauro. O logotipo do município integra um Lourinhanosaurus, e as rotundas e calçadas têm motivos de dinossauros.
  Sobretudo, os habitantes do município vêem agora os dinossauros como parte integrante da sua identidade e cultura local.



Vasco Ribeiro, de paleontólogo a candidato a astronauta

Vasco Ribeiro começou cedo na paleontologia de dinossauros. Com tenra idade descobriu um esqueleto de crocodilomorfo, na periferia da vila da Lourinhã, onde vivia. Juntou-se ao GEAL - Museu da Lourinhã e o seu talento para descobrir fósseis depressa se apurou e revelou. Entre outros achados, destaca-se um estegossauro em Vale Pombas, uma cauda de saurópode em Porto das Barcas, um ceratossauro no Valmitão, e pegadas em Porto das Barcas.
Fez investigação científica em ovos de dinossauro, escavou o ninho de Paimogo, estudou a geologia da Formação da Lourinhã, e foi bolseiro de investigação no Projecto Dinoeggs.
Mas a vida dá muitas volta e a sua formação de Engenharia Geológica pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL deu-lhe a garantia de emprego a fazer sondagens geológicas, prospecção geotécnica, acompanhamento de obras, sobretudo na construção de túneis. A fazer precisamente isso, está agora a viver em São Paulo.
Vasco Ribeiro em fato de treino de vôos espaciais.
O espírito engenhoca e inventivo que traz de família com o gosto pela engenharia e pela ciência fizeram-no gostar de mecânica, astronomia e simulador de vôos. Por desenhar modelos de simulador de voo foi convidado para o Projecto Possum, que trabalha em conjunto com a NASA, a desenvolver um simulador para treinar a realização de procedimentos de registos das nuvens.
O Engenheiro Geólogo Vasco Ribeiro, de 44 anos, candidata-se agora a ser o primeiro astronauta português, com as suas raízes são bem mais terrenas, na paleontologia. Felicitamos e desejamos a melhores das sorte e talentos ao Vasco.

O Jornal Público, entre outros, dedicou-lhe recentemente uma notícia "Engenheiro português concorre a vaga de astronauta de programa parceiro da NASA".


Bibliografia paleontológica publicada:

Mateus, I., Mateus, H., Antunes, M. T., Mateus, O., Taquet, P., Ribeiro, V., & Manuppella, G. (1997). Couvée, oeufs et embryons d'un dinosaure théropode du Jurassique supérieur de Lourinhã (Portugal). Comptes Rendus de l'Académie des Sciences-Series IIA-Earth and Planetary Science325(1), 71-78.

Mateus, I., Mateus, H., Antunes, M. T., Mateus, O. , Taquet, P., Ribeiro, V., & Manuppella, G. (1998). Upper Jurassic theropod dinosaur embryos from Lourinhã (Portugal). Upper Jurassic paleoenvironments in Portugal, Mem. Acad. Ciências de Lisboa37.

Antunes, M. T., Taquet, P., & Ribeiro, V. (1998). Upper Jurassic dinosaur and crocodile eggs from Paimogo nesting site (Lourinha-Portugal). Mem. Acad. Ciênc. Lisb37, 83-100.
Femke Holwerda e Vasco Ribeiro junto ao seu poster científico no congresso.

Ribeiro, V., & Mateus, O. (2012, September). Chronology of the Late Jurassic dinosaur faunas, and other reptilian faunas, from Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology32, pp. 161.

Mateus, O., Taquet, P., Antunes, M. T., Mateus, H., & Ribeiro, V. (1998). Theropod dinosaur nest from Lourinhã, Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology18.

Ribeiro, V., Mateus, O., Holwerda, F., Araújo, R., & Castanhinha, R. (2014). Two new theropod egg sites from the Late Jurassic Lourinhã Formation, Portugal. Historical Biology.

Perfil no Google Scholar.

sexta-feira, novembro 27, 2015

Tartarugas fósseis de Angola


O registro fóssil de tartarugas de Angola era pouco conhecido antes do trabalho de campo realizado pelo Projecto PaleoAngola, com a excepção da pleurodira Taphrosphys congolensis Dollo 1912 recolhido no Eoceno de Lândana (Cabinda).
Mais recentemente, a recolha de Angolachelys mbaxi do Turoniano de Iembe (província do Bengo), representa a primeira eucriptodira marinha de África. O holótipo é baseado em um crânio e fragmentos pós-craniano. Relatamos um novo espécime da localidade tipo com o crânio bem preservado e carapaça e membros mais completos. Os afloramentos de Bentiaba (Namibe) da Formação Mucuio (Campaniano tardio ao início do Maastrictiano) forneceram um rico conjunto de quelónios marinhos, incluindo a enorme Protostega sp. (com úmeros, costais, e plastrão; largura da carapaça estimado em cerca de 2 metros), Toxochelys sp. (periferais e costais) e Euclastes (com base no crânio, mandíbulas, membros e periferais). Os afloramentos do Oligoceno de Lândana (na província de Cabinda) forneceram recentemente um novo crânio de tartaruga criptodira quelonóide.
Reconstituição e crânio de tartaruga Euclastes do Campaniano de Angola (arte por Joana Bruno).


Este trabalho foi apresentado em congresso no SVO (Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology) em Dallas em Outubro passado.

Mateus, O., Jacobs L. L., Polcyn M. J., Myers T. S., & Schulp A. S. (2015). The fossil record of testudines from angola from the turonian to oligocene. Journal of Vertebrate Paleontology- Program and abstracts: p.177., Dallas. PDF
Poster apresentado no SVP.

quarta-feira, novembro 25, 2015

Novos governantes na área da Ciência e os sinais positivos


Portugal terá novo governo a partir de amanhã. Esperemos que haja maior apoio para a Ciência. Para já, temos dois bons sinais: 1) a pasta a "ciência e ensino superior" sobe de novo a nível de ministério (em vez de secretaria de estado no governo anterior); 2) querem continuar o excelente legado de Mariano Gago.
O novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior será Manuel Heitor do IST.  A nova secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é a historiadora Maria Fernanda Rollo, Professora Associada na FSCH-Universidade Nova de Lisboa. 
Votos de sucesso para os desafios que tem pela frente.

Replicamos aqui o perfil traçado pelo Jornal Público:

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

O ministro que quer continuar o legado de Mariano Gago

Aos 57 anos, o investigador Manuel Heitor torna-se ministro da Ciência e do Ensino Superior – pasta que conheceu bem como secretário de Estado durante seis anos, entre 2005 e 2011, período em que José Mariano Gago foi o ministro responsável por essas duas áreas nos governos socialistas de José Sócrates.
Professor catedrático, Manuel Heitor era até agora director do Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento (do Instituto Superior Técnico de Lisboa, ou IST), que fundou em 1998. Foi no IST que se licenciou em engenharia mecânica, em 1981. Quatro anos depois, doutorou-se no Imperial College, em Londres, também em engenharia mecânica, a que se seguiu um pós-doutoramento na Universidade da Califórnia em San Diego, em 1986.
Depois da formação e estadia no estrangeiro, desenvolveu a sua carreira académica e de investigação no IST, na área de mecânica de fluidos e combustão experimental. A partir do início da década de 1990 dedicou-se também ao estudo de políticas de ciência, tecnologia e inovação, incluindo políticas e gestão do ensino superior.
Foi pela primeira vez para um governo com o antigo ministro Mariano Gago, como secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Mariano Gago, que morreu em Abril deste ano, já antes disso tinha sido ministro da Ciência, entre 1995 a 2002, nos governos de António Guterres, e foi quem em Portugal deu peso político à investigação científica. Para pôr a ciência na agenda política, Mariano Gago escreveu o livro Manifesto para a Ciência em Portugal, apresentado há 25 anos, em 1990, e que era um programa de governo para esta área.
É a partir deste legado que, ao longo deste ano, Manuel Heitor tem estado envolvido na organização de várias homenagens a Mariano Gago e no lançamento de um novo manifesto para a ciência como um desígnio nacional (“O conhecimento como futuro – Uma nova agenda política para a ciência, a tecnologia e o ensino superior em Portugal”), no qual se defende o aumento do dinheiro do Estado para a investigação.
“Passados 25 anos sobre o Manifesto para a Ciência em Portugal é imperativo reafirmar que a ciência é necessária, para todos; apostando nas pessoas, na sua formação exigente e motivada, prosseguindo o sucesso do desenvolvimento científico e tecnológico; urge, em suma, reclamar a ideia forte de que Portugal é país de ciência (…)”, escreveu num artigo de opinião em Maio no PÚBLICO, em co-autoria com Maria Fernanda Rollo, da Universidade Nova de Lisboa. “Investir na ciência é, como há 25 anos, investir no futuro de Portugal.”
Agora que está à frente da pasta da Ciência, Manuel Heitor vai decidir se vai desfazer muitas das políticas científicas dos últimos quatro anos do Governo Pedro Passos Coelho – a começar pela avaliação muito polémica que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) fez aos centros de investigação do país (o programa eleitoral do PS prometia um novo processo de avaliação) e a acabar nos cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Teresa Firmino
Quanto à Secretária de Estado, replicamos também o perfil traçado pelo Jornal Público:

Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Maria Fernanda Rollo

A historiadora Maria Fernanda Rollo, a nova secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tem um percurso académico e de investigação na área da inovação, engenharia, organização da ciência e economia do século XX português. A sua parceria em vários projectos com o novo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, é já de longa data — por exemplo, foram dois dos responsáveis da exposição Engenho e Obra — História da Engenharia em Portugal no Século XX, no início de 2003 na Cordoaria Nacional, em Lisboa.
Começou por escolher História da Arte na licenciatura, concluída em 1987 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), mas o percurso de Maria Fernanda Rollo, agora com 50 anos, encaminhou-a depois para a história contemporânea. O mestrado, em 1993, foi sobre Portugal e o Plano Marshall, e o mesmo tema voltaria a ser explorado na sua tese de doutoramento, intitulada Portugal e Reconstrução Económica do Pós-Guerra – o Plano Marshall e a Economia Portuguesa dos Anos 50.
Actualmente era presidente do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL, além de professora associada com agregação do Departamento de História da mesma faculdade.
Nos últimos tempos, Maria Fernanda Rollo e Manuel Heitor tinham tomado posições públicas relativas à ciência em Portugal, nomeadamente em artigos de opinião no PÚBLICO e na organização de homenagens a José Mariano Gago (1948-2015), antigo ministro da Ciência entre 1995 a 2002 e 2005 a 2011. E ainda, retomando o livro Manifesto para a Ciência em Portugal, apresentado há 25 anos por Mariano Gago, Maria Fernanda Rollo e Manuel Heitor estão entre os autores que lançaram em Junho deste ano um novo manifesto para a ciência como um desígnio nacional (O conhecimento como futuro – Uma nova agenda política para a ciência, a tecnologia e o ensino superior em Portugal). T.F.
Perfil: 
http://www.ihc.fcsh.unl.pt/pt/ihc/investigadores/item/1067-maria-fernanda-rollo
http://www.fcsh.unl.pt/faculdade/docentes/mffr
https://www.researchgate.net/profile/Maria_Fernanda_Rollo
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Elefantes fósseis de Marrocos em tese de mestrado por João Marinheiro


Elefantes fósseis Elephas recki de Marrocos foram o tema da Tese de Mestrado defendida hoje, 25 de Novembro de 2015, por João Marinheiro integrado no Mestrado em Paleontologia da FCT-Universidade Nova de Lisboa + Universidade de Évora. Parabéns ao João Marinheiro que agora é Mestre com uma classificação de 18 valores aprovada por unanimidade.

Na dissertação é mostrada a mais recente ocorrência de Elephas recki em África numa pequena bacia sedimentar do plistocénica (500.000 a 200.000 anos) no Médio Atlas, em Marrocos, associado a material lítico de H. erectus; a existência de novos fósseis de pegadas e crocodilomorfos do Jurássico médio; e uma gruta com vestígios holocénicos.


João Marinheiro na escavação de duas presas de Elephas recki, em Marrocos.

Ficha Técnica:
Data: 25 de Novembro de 2015
Mestrado em Paleontologia
Provas de Mestrado de João André da Silva Marinheiro
Dissertação: "​Proboscideans and other vertebrates from Anchrif, Morocco"
Constituição do Júri: 
Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Doutora Cleia Detry Cardoso e Cunha, Investigadora Pós-doc do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa;
Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Orientador: Octávio Mateus (FCT-UNL); Co-orientador: Prof. Carlos Ribeiro (UÉ)


Bibliografia já publicada:
Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,178.
Marinheiro, J, Mateus O, Alaoui A, Amani F, Nami M, Ribeiro C. 2014. New Quaternary fossil sites from the Middle Atlas of Morocco. Comunicações Geológicas. 101, Especial I:485-488.
Júri e Candidato: Paulo Legoinha, Octávio Mateus, João Marinheiro e Cleia Detry.

segunda-feira, novembro 16, 2015

Dinossauros bombons


Dinossauros e bombons de chocolate negro e menta com recheio de Aguardente DOC Lourinhã é nova saborosa combinação lançada pela empresa Doce Lourinhã (www.bombons.pt), para a qual tivémos a honra de fazer um prova antecipada e poder escolher o nome do bombom: 'mimossauro'. É mais um exemplo na "Capital dos Dinossauros" em que a sociedade acarinha o trabalho paleontológico.




Agradeçemos à Sílvia Baptista pela criação e imagens.

A Árvore da Vida antes da Origem das Espécies

Sabia que já se desenhavam árvores da vida antes da Origem das Espécies? Quem desenhou uma das primeiras e mais elaboradas árvores dos seres animais foi a canadiana Anna Maria Redfield (1800-1888) que era coleccionadora vigorosa, estudiosa da vida animal, e brilhante ilustradora, mas curiosamente tão esquecida que nem sequer tem uma entrada na wikipédia. Redfield é das primeiras mulheres a desenvolver contributos importantes na sistemática e taxonomia.
Em 1857 é publicada a sua litografia A General View of the Animal Kingdom de 1.56 x 1.56 m pelos editores E.B. & E.C. Kellogg.
O mais impressionante é que esta árvore da vida é de dois anos antes da publicação da Origem das Espécies (1859), por Charles Darwin. Aparentemente Anna Maria Redfield rejeitou a origem evolutiva dos humanos mas também é verdade que nos desenhou ao lados dos demais primatas. Os "Bimana" sendo o grupo dos humanos, distinguindo-os dos "Quadrumana", os outros primatas.

A General View of the Animal Kingdom, 1857, litografia por A.M. Redfield, publicado por E.B. & E.C. Kellogg, Hartford, CT


Existem menos de 60 exemplares conhecidos desta fantástica árvore da vida. Este original aqui apresentado está na Yale University em New Haven, EUA.

Tassy (2011) também refere várias árvores publicadas antes de Darwin, nomeadamente por Lamarck (1809) e Barbançois (1816). Contudo, árvore de Lamarck assemelhava-se mais a um auxílio visual para a chave dictómica. Os detalhes e amplitude da árvore de Redfield é rara até mesmo nos dias de hoje.
Resta-nos questionar porque é que Anna Maria Redfield é tão desconhecida. Gostaríamos de acreditar que ser mulher não era a razão de se manter relativamente ausente dos livros da História da Ciência.


Fonte: http://phylonetworks.blogspot.pt/2015_01_01_archive.html
Tassy, P. (2011). Trees before and after Darwin. Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research, 49(2), 89-101.

terça-feira, novembro 03, 2015

Porque é que Portugal tem tantos dinossauros e outros fósseis?

"Porque é que Portugal tem tantos dinossauros?" é uma pergunta recorrente, tendo sido abordada há poucos dias no jornal i, em colaboração com a Ciência Viva.

"Porque é que Portugal tem tantos dinossauros? A ocorrência dos numerosos fósseis de dinossauros do Jurássico, sobretudo no Oeste de Portugal, tem três razões principais: 1) naquela altura a região era uma área continental com condições de vida, com muita água doce e vegetação, onde os dinossauros nasceram, viveram e morreram; 2) numa bacia sedimentar que estava a afundar e enterrava os restos de animais com a geoquímica certa que permitia fossilizarem, e 3) essas rochas hoje afloram à superfície e estão disponíveis ao achado e recolha. Outras regiões do país não têm vestígios de dinossauros porque não reúnem uma ou mais destas três condições.