domingo, setembro 06, 2015

Terminologia dentária de dinossauros terópodes

A maioria dos dinossauros carnívoros tinham dentes em forma de faca, serrilhados nas margens, com dentículos em larga medida semelhantes aos de uma faca de cozinha. Os dentes são dos elementos anatómicos mais comuns no registo fóssil porque: são fáceis de identificar, são a estrutura mais dura do corpo, eram numerosos (os répteis, peixes e anfíbios mudam de dentes continuamente ao longo da vida) e resistem facilmente à fossilização. Além disso, os dentes dão-nos pistas sobre a dieta dos animais.
Tudo isto faz com que o dentes sejam muito importantes para o estudo dos dinossauros carnívoros. Contudo, nem sempre a terminologia usada por cada autor e em cada artigo científico é consistente, e por vezes leva a alguma confusão. De forma a mitigar essa questão, Christophe Hendrickx (FCT-Univ. Nova de Lisboa) e colegas apresentam um novo estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, propondo uma norma e padrão para a terminologia dentária em dinossauros carnívoros.

 





Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R. (2015).  A proposed terminology of theropod teeth (Dinosauria, Saurischia). Journal of Vertebrate Paleontology. e982797.  LINK PDF

Resumo original:
Theropod teeth are typically not described in detail, yet these abundant vertebrate fossils are not only frequently reported in the literature, but also preserve extensive anatomical information. Often in descriptions, important characters of the crown and ornamentations are omitted, and in many instances, authors do not include a description of theropod dentition at all. The paucity of information makes identification of isolated teeth difficult and taxonomic assignments uncertain. Therefore, we here propose a standardization of the anatomical and morphometric terms for tooth anatomical subunits, as well as a methodology to describe isolated teeth comprehensively. As a corollary, this study exposes the importance of detailed anatomical descriptions with the utilitarian purpose of clarifying taxonomy and identifying isolated theropod teeth.

Resenha dos estudos de dinossauros terópodes

Foi publicado um apanhado das descobertas e sistemática de dinossauros carnívoros não-avianos, publicado no PalArch’s Journal of Vertebrate Palaeontology sendo um dos estudos que resultam da tese de Christophe Hendrickx (FCT- Univ. Nova de Liboa) sobre terópodes. O artigo profusamente ilustrado (sobretudo por Scott Hartman), dá uma perspectiva histórica, taxonómica e evolutiva dos dinossauros terópodes não-avianos.





 

 

  
Primeiros achados históricde dinossauros carnívoros.



Hendrickx, C., Hartman S. A., & Mateus O. (2015).  An overview of non-avian theropod discoveries and classification. PalArch’s Journal of Vertebrate Palaeontology. 12(1), 1-73. LINK  PDF

Resumo original:
Theropods form a taxonomically and morphologically diverse group of dinosaurs that include extant birds. Inferred relationships between theropod clades are complex and have changed dramatically over the past thirty years with the emergence of cladistic techniques. Here, we present a brief historical perspective of theropod discoveries and classification, as well as an overview on the current systematics of non-avian theropods. The first scientifically recorded theropod remains dating back to the 17th and 18th centuries come from the Middle Jurassic of Oxfordshire and most likely belong to the megalosaurid Megalosaurus. The latter was the first theropod genus to be named in 1824, and subsequent theropod material found before 1850 can all be referred to megalosauroids. In the fifty years from 1856 to 1906, theropod remains were reported from all continents but Antarctica. The clade Theropoda was erected by Othniel Charles Marsh in 1881, and in its current usage corresponds to an intricate ladder-like organization of ‘family’ to ‘superfamily’ level clades. The earliest definitive theropods come from the Carnian of Argentina, and coelophysoids form the first significant theropod radiation from the Late Triassic to their extinction in the Early Jurassic. Most subsequent theropod clades such as ceratosaurs, allosauroids, tyrannosauroids, ornithomimosaurs, therizinosaurs, oviraptorosaurs, dromaeosaurids, and troodontids persisted until the end of the Cretaceous, though the megalosauroid clade did not extend into the Maastrichtian. Current debates are focused on the monophyly of deinonychosaurs, the position of dilophosaurids within coelophysoids, and megaraptorans among neovenatorids. Some recent analyses have suggested a placement of dilophosaurids outside Coelophysoidea, Megaraptora within Tyrannosauroidea, and a paraphyletic Deinonychosauria with troodontids placed more closely to avialans than dromaeosaurids.



segunda-feira, agosto 31, 2015

Vitrais paleontológicos e megafauna brasileira


Vitrais e paleontologia formam uma combinação tão bonita quanto rara. Durante a construção do Grande Hotel de Araxá, em Minas Gerais no Brasil, foram descobertos numerosos vertebrados representantes da megafauna pleistocénica (60 a 55.000 anos) da América do Sul.
Aqui foram recolhidos cavalos Amerhippus neogaeus, preguiça gigante Eremotherium laurillardi, macrauquenídeo Xenorhinotherium bahiense, gonfotério Notiomastodon platensis recolhidos por Llwellyn Ivor Price e Ruben da Silva Santos (Price, 1944) e mais tarde estudados por Simpson e Paula Couto (1957).

Essa jazida formava um barreiro com águas sulfurosas e radioactivas(!) que deram o motivo para um enorme e opulento hotel e termas associadas construídos de 1938 a 1944, que inicialmente estava previsto para albergar um casino antes do jogo ser restrito no Brasil. Por essa razão este luxuoso complexo turístico tem breves alusões a paleontologia de vertebrados. No exterior, perto da fonte, a calçada de estilo português mostra um cavalo, um Xenorhinotherium, uma preguiça e mastodonte. Um expositor apresenta réplicas dos ossos destes animais num recinto forrado a azulejos onde figuram vértebras.

No interior um fabuloso conjunto de vitrais composto de nove painéis de vários metros que contam a história do local. Começa com uma cena pré-histórica com dois Xenorhinotherium, um Toxodon, e três Glyptodon, rodeados de vegetação do Cerrado. O vitral é assinado por Frank Urban. Este é, porventura, um dos poucos e mais impressionantes vitrais paleontológicos da época.

Os ossos originais, sobretudo o material craniano, recolhidos pelo Price estão no Rio de Janeiro. No hotel mantém-se várias caixas com ossos originais, sobretudo pós-craniano, mas não acessíveis ao público.

Vitral paleontológico no Grande Hotel de Araxá (circa 1940-1944) com Toxodon, Xenorhinotherium e Glyptodon.
Na bibliografia aparece com frequência Águas de Araxá, mas esse topónimo não existe, e deveria ser apenas Araxá ou Barreiro.

Pormenores do Grande Hotel de Araxá, no Brasil.

Calçada com megafauna pleistocénica: cavalo, preguiça, macrauquenídeo e gonfotério.



Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Hotel_de_Arax%C3%A1
http://www.abequa.org.br/trabalhos/0018_abequamelo.pdf
http://www.dpnet.com.br/anteriores/1998/03/04/viagem2_1.html

Price LI, 1944. O Depósito de Vertebrados Pleistocênicos de Águas do Araxá (Minas Gerais). An. Acad. Bras. Cienc., 16: 193-196.
Simpson, G. G., & Couto, C. D. P. (1957). The mastodonts of Brazil. Bulletin of the AMNH; v. 112, article 2.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Bolsas FCT de doutoramento Ciências da Terra mantêm descida


A Fundação para a Ciência e Tecnologia, que atribui as bolsas de investigação de Doutoramento e Pós-Doutoramento em Portugal anunciou os resultados do concurso deste ano.
As candidaturas decorreram em Fevereiro tendo sido aprovadas oito bolsas de doutoramento e quinze de pós-doutoramento em 60 candidaturas em cada um dos concursos (120 no total).

Evolução de atribuição de bolsas de doutoramento em Ciências da Terra nos últimos 4 anos.

O resultado demonstra continua a tendência de decréscimo nas bolsas de Ciências da Terra: 16, 5, 9 e 8 bolsas atribuídas de 2012 a 2015.

Em resumo das bolsas 2015:
BD: 60 candidatos (46 candidaturas validadas): 8 candidaturas aprovadas (13%), para 4 universidades
BPD: 60 candidatos: 15 candidaturas aprovadas (25%)
Dados dos anos anteriores (sem contar com recursos) para Bolsas de Doutoramento (BD):
2014: 53 candidaturas, 9 bolsas aprovadas; 17% de aprovação
2013: 41 candidaturas ; 5 bolsas aprovadas*; 12% de aprovação; para 2 universidades
2012: 59 candidaturas, 16 bolsas aprovadas; 27% de aprovação; para 8 universidades 

Escavações paleontológicas no Jurássico da Lourinhã

No final de Junho e início de Julho de 2015 decorreram as escavações paleontológicas no Jurássico Superior da Lourinhã, na clássica Campanha de Verão organizada pelo Museu da Lourinhã, com a participação de docentes do Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa e estudantes do Mestrado em Paleontologia da FCT+UÉ. As actividades decorreram no concelho lourinhanense, sobretudo na costa da Peralta.
Recolheram-se microfósseis, ossos de saurópode e numerosas pegadas, tanto de saurópodes, como de estegossauros e pterossauros.

Preparação de fósseis no Laboratório do Museu da Lourinhã (foto: F. Costa).

Escavação e recolha de pegadas (foto: F. Costa).
Parte da equipa de escavação.

E, como sempre, há muito trabalho a realizar no laboratório, pelo que apelamos à participação de voluntários.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 no Triângulo Mineiro, Brasil

Este ano estamos a participar nos trabalhos de campo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no estado de Minas Gerais, Brasil, a convite do paleontólogo Douglas Riff (UFU).

Prospectámos e escavámos na Formação Adamantina e Formação Marília, membro Echaporã, do Cretácico Superior (Campaniano-Maastrichtiano), onde recolhemos ossos de saurópodes titanossauros, um crânio de crocodilo baurussuquídeo Pissarrachampsa sera e ovos de Bauroolithus.

O bioma desta região é chamado de Cerrado sendo o equivalente sul-americano à savana africana. Vimos arara-canindé, tucano, seriema, maracanã, tamanduá-bandeira, bugio e mais fauna típica deste ecossistema.
Mapa dos locais visitados e escavados (fonte: Google Maps).

Paisagem do Cerrado, perto de Prata (Foto: OM).

Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Campina Verde.
Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Prata, localidade tipo de Maxakalisaurus topai. O Paleontólogo Douglas Riff, está em pé, à esquerda (foto: OM).

Expedição 2015 a Angola


Este ano (2 a 12 de Agosto de 2015) o Projecto PaleoAngola contou com mais uma expedição de campo. Os trabalhos de campo concentraram-se no N'Zeto (província de Zaire), Barra do Cuanza, Miradouro da Lua e Cabinda.
Todo o esforço foi concentrado em afloramentos do Oligocénico, Miocénico e Pliocénico, com recolha de fósseis de peixes e mamíferos marinhos e com a localização de novas jazidas.
Participaram Louis Jacobs (SMU), Octávio Mateus (FCT-Nova), Cirilo Cauxeiro (UAN), Ana Soraya Marques (UÉ) e Isabel Gria (FCT+UÉ). Como sempre, com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.
Fotografias da visita de campo de 2015: Cirilo Cauxeiro explicando a geologia do Miradouro da Lua (canto superior esquerdo e abaixo); Mateus, Cauxeiro e Jacobs (acima, no centro), Mateus, Soraya Marques, Isabel Gria e Louis Jacobs (canto superior direito).

O Projecto tem agora também uma página Facebook que convidamos a seguir: https://www.facebook.com/paleoangola


sábado, julho 11, 2015

8º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros

O vencedor do 8º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (CIID) é Davide Bonadonna. Este concurso, organizado pelo Museu da Lourinhã, visa premiar ilustrações de dinossauros e outros animais extintos e já vai na 8ª edição do concurso, e coincidentemente acumula exactamente 500 obras de numerosos autores dos 6 continentes habitados.
   Já é a segunda vez que o paleoartista italiano Davide Bonadonna ganha o CIID.




1º LugarDavide BonadonnaItáliaThe Kem Kem RiversThe Kem Kem Rivers
2º LugarSergey KrasovskiyUcrâniaEpidexipteryx hui and Nephila jurassicaEpidexipteryx hui and Nephila jurassica
3º LugarBalbino Rosado EscovalPortugalHypsilophodon - SkullHypsilophodon - Skull
Menção HonrosaDavide BonadonnaItáliaLife in the MesozoicLife in the Mesozoic
Menção HonrosaFabio PastoriItáliaCitipati osmolskae with Byronosaurus eggCitipati osmolskae with Byronosaurus egg
Menção HonrosaJoana BrunoPortugalTartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (euclastes)Tartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (euclastes)
Menção HonrosaLuis V. ReyPortugal
Menção HonrosaSergey KrasovskiyUcrâniaTorvosaurus gurneyi


The Kem Kem Rivers por Davide Bonadonna, 1º prémio do 8º CIID.

2º Lugar Sergey Krasovskiy  (Ucrânia) Epidexipteryx hui and Nephila jurassica
3º Lugar Balbino Rosado Escoval Portugal Hypsilophodon - Skull

Menção Honrosa Sergey Krasovskiy  (Ucrânia) Torvosaurus gurneyi

Menção Honrosa Davide Bonadonna Itália Life in the Mesozoic

Menção Honrosa Joana Bruno Portugal Tartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (Euclastes)

Menção Honrosa Luis V. Rey Portugal


Menção Honrosa: Fabio Pastori (Itália): Citipati osmolskae with Byronosaurus egg

Livro "Dinossauros de Portugal & Friends"

Hoje, 11 de Julho, é lançado o livro "Dinossauros de Portugal & Friends" de Simão Mateus, na Junta de Freguesia da Lourinhã, pelas 16:00.

Este é o quarto livro do autor, sempre de carácter de divulgação juvenil. Os dinossauros são um tópico que fascina todas as gerações e condições, sendo esse interesse ainda mais evidente junto de crianças e jovens até aos 14 anos de idade. A verdade é que os dinossauros são um excelente tema-estandarte para a divulgação de ciência pois adquiriram uma capacidade de atração que fazem da paleontologia um excelente tópico que é a porta de entrada para outras disciplinas como a biologia, geologia, ciências naturais, evolução, etc. Os dinossauros são, portanto, verdadeiros embaixadores da ciência.

Este livro de Simão Mateus mostra isso de forma magistral, ilustrando os bons exemplos da paleontologia portuguesa contribuindo para a divulgação de um património de importância global que honra e responsabiliza Portugal. Nesta obra dá-se uma visão cientificamente actualizada de alguns dos mais icónicos dinossauros e outros vertebrados fósseis de Portugal, sobretudo do Jurássico Superior com 150 Milhões de anos. Aqui é contada uma história local com relevância global, numa linguagem simples e acessível falando de dinossauros menos conhecidos como o Lourinhanosaurus ou o Draconyx.

Título: Dinossauros de Portugal & Friends
Autor: Simão Mateus 
Edição de autor
ISBN 978-989-20-5791-0
Tiragem: 1000 exemplares
Data: Julho 2015
A cores, 48 páginas
Preço: 9€


quinta-feira, junho 04, 2015

Abertas Inscrições para Mestrado em Paleontologia


Abertas as inscrições para o MESTRADO EM PALEONTOLOGIA. Para candidatos estrangeiros, foi recentemente criado o estatuto de "ESTUDANTE INTERNACIONAL", ao abrigo do qual estudantes não portugueses poderão candidatar-se a mestrados em Portugal. Estão disponíveis 7 vagas no Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL/UÉ). Candidaturas online: https://clip.unl.pt/candidatura/segundo_ciclo_internacional.

Veja mais informação aqui: http://www.fct.unl.pt/ensino/mestrados   e aqui http://www.studyinportugal.edu.pt/index.php/courses/2nd-cycle.