terça-feira, abril 07, 2015

O Brontosaurus está de volta! Paleontólogos da FCT-UNL recuperam um dos nomes mais famosos de dinossauros

O Brontosaurus está de volta!


Paleontólogos de Portugal anunciam que o famoso dinossauro de pescoço longo afinal não era o Apatosaurus


Paleontólogos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Oxford do Reino Unido refizeram a árvore da vida de uma família de grandes dinossauros herbívoros, os diplodocídeos, e obtiveram revelações surpreendentes: um dos nomes mais icónicos de dinossauro, o Brontosaurus, está de volta, baptizam um novo género de dinossauro Galeamopus e reclassificam uma espécie portuguesa como Supersaurus.
Brontosaurus, Credit: Davide Bonadonna, Milan, Italy. Creative commons license CC- BY NC SA.


Embora sendo conhecido como um dos dinossauros mais emblemáticos, o Brontosaurus (o "lagarto trovão") tem sido classificado de forma errada. Desde 1903, que a comunidade científica acreditava que afinal o género Brontosaurus era de facto o Apatosaurus. Agora, um novo estudo exaustivo levado a cabo por paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Roger Benson de Oxford, no Reino Unido, fornece evidências conclusivas de que Brontosaurus é distinto do Apatosaurus e, como tal, pode agora ser reintegrado como um próprio e único género.


O Brontosaurus é um dos mais carismáticos dinossauros de todos os tempos e que tem inspirado gerações de crianças, graças ao seu tamanho e nome sugestivos. No entanto, como todos os paleontólogos sabem, o Brontosaurus era de facto um equívoco devendo ser correctamente referido como Apatosaurus. Pelo menos, isso é o que os cientistas acreditavam desde 1903, quando foi decidido que as diferenças entre o Brontosaurus excelsus e o Apatosaurus eram tão pequenas que era melhor colocar os dois no mesmo género. Como o Apatosaurus foi classificado primeiro, foi o único que foi usado sob as regras da nomenclatura científica.


Brontosaurus em mural em Nova York desenhado por Neave Parker (foto por Octávio Mateus)
Na verdade, é claro, o Brontosaurus nunca desapareceu realmente - ele era simplesmente tratado como uma espécie do género Apatosaurus: Apatosaurus excelsus. Assim, enquanto os cientistas pensavam que o género Brontosaurus era o mesmo que o do Apatosaurus, eles sempre concordaram que as espécies excelsus eram diferentes das outras espécies de Apatosaurus. Agora, os paleontólogos Emanuel Tschopp, Octávio Mateus, e Roger Benson vêm dizer que o Brontosaurus sempre foi um género único. Mas vamos começar do princípio.


A história do Brontosaurus é complexa, e é uma das histórias mais intrigantes da ciência. Na década de 1870, no oeste dos Estados Unidos foram descobertas dezenas de novas espécies fósseis, principalmente dinossauros. Equipas de campo escavaram inúmeros novos esqueletos principalmente para os famosos e influentes paleontólogos Marsh e Cope. Durante esse período, a equipa de Marsh descobriu dois enormes esqueletos parciais de dinossauros de pescoço comprido e enviaram-nos para o Peabody Museum de Yale, em New Haven, onde Marsh trabalhava. Marsh descreveu o primeiro desses esqueletos como sendo o Apatosaurus ajax, o "lagarto enganador", segundo o herói grego Ajax. Dois anos depois, ele deu o nome de Brontosaurus excelsus ao segundo esqueleto, o "lagarto trovão nobre". No entanto, como em nenhum dos esqueletos foram encontrados com um crânio, Marsh reconstrui um para Brontosaurus excelsus. O Brontosaurus era um animal enorme, como o Apatosaurus, e como outro dinossauro de pescoço comprido do oeste dos Estados Unidos, o Camarasaurus. Devido a essa semelhança, parecia lógico nessa altura que o Brontosaurus, tivesse um crânio em forma de caixa semelhante ao do Camarasaurus. No entanto, esta reconstrução foi mais tarde considerada errada.


Pouco depois da morte de Marsh, uma equipa do Museu Field de Chicago encontrou um outro esqueleto semelhante ao Apatosaurus ajax e ao Brontosaurus excelsus. Na verdade, este esqueleto era intermédio quanto à sua forma em muitos aspectos. Desta forma, os paleontólogos pensaram que o Brontosaurus excelsus era realmente tão semelhante ao Apatosaurus ajax que seria mais correto tratá-los como duas espécies diferentes do mesmo género. Esta foi a segunda extinção do Brontosaurus - uma extinção científica: a partir dessa altura, o Brontosaurus excelsus ficou conhecido como Apatosaurus excelsus e o nome Brontosaurus não foi mais considerado cientificamente válido.


O golpe final para o Brontosaurus aconteceu na década de 1970, quando investigadores mostraram que o Apatosaurus não estava relacionado com o Camarasaurus, mas sim com Diplodocus. Como o Diplodocus tinha um crânio delgado, semelhante ao crânio de um cavalo, o Apatosaurus e também o  Brontosaurus deviam de ter tido um crânio mais parecido com o Diplodocus em vez de com o Camarasaurus - e por isso nasceu o mito popular, mas falso, sobre o Brontosaurus ser um Apatosaurus com uma cabeça errada.


Agora, neste novo estudo publicado na revista científica PeerJ, contendo mais de 300 páginas, os cientistas de Portugal e do Reino Unido relatam três conclusões principais: um novo género semelhante ao Diplodocus, que eles chamam de Galeamopus; o género Supersaurus, originário  da América, inclui agora também o género português Dinheirosaurus, proveniente da Lourinhã e em exposição no Museu da Lourinhã; e, mais notavelmente, os cientistas mostraram que o  Brontosaurus era distinto do Apatosaurus e depois de tudo isto - o lagarto trovão está de volta!


Como pode um único estudo derrubar mais de um século de pesquisas? "A nossa pesquisa não teria sido possível com este nível de detalhe há 15 ou mais anos atrás", explica Emanuel Tschopp, um suíço que liderou o estudo, durante o seu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, “na verdade, até muito recentemente, a alegação de que o Brontosaurus era o mesmo que o Apatosaurus com base no conhecimento que tínhamos, era tida como completamente razoável.” Somente com as inúmeras novas descobertas de dinossauros semelhantes ao Apatosaurus e ao Brontosaurus ocorridas nos últimos anos, tornou-se possível realizar uma nova investigação detalhada de quão diferente eles realmente eram.


Em ciência, a distinção entre espécies e géneros não tem regras claras. Será que isso significa que a decisão de ressuscitar o Brontosaurus é apenas uma questão de preferência pessoal? "Nem um pouco", explica Tschopp, "nós tentamos ser o mais objectivos possível sempre que tomamos uma decisão que possa diferenciar espécie de género". Os investigadores aplicaram métodos estatísticos para calcular as diferenças entre outras espécies e géneros de dinossauros diplodocídeos, e foram surpreendidos com o resultado. "As diferenças que encontramos entre o Brontosaurus e o Apatosaurus foram pelo menos tão numerosas como aquelas entre outros géneros intimamente relacionados, e muito mais do que as que normalmente se encontram entre as espécies", explicou Roger Benson, um co-autor da Universidade de Oxford.


Assim sendo, Tschopp e seus colegas concluíram que é agora possível ressuscitar o Brontosaurus como um género distinto do Apatosaurus. "É o exemplo clássico de como a ciência funciona", disse um dos autores, Professor Octávio Mateus, da Universidade Nova e colaborador do Museu da Lourinhã. "Especialmente quando as hipóteses se baseiam em fósseis parciais é possível que novas descobertas derrubem anos de pesquisa."


A ciência é um processo, sempre em movimento na direcção de uma visão mais clara do mundo que nos rodeia. Às vezes, isso também significa que nós temos que recuar um pouco, antes de continuar a avançar. Isso é o que faz com que a curiosidade continue. Por isso, é apropriado dizer-se que o Brontosaurus, que despertou a curiosidade de milhões de pessoas em todo o mundo, agora voltou a fazê-lo novamente.





Citação do artigo: Tschopp, E., Mateus, O. e Benson, R.  (2015), A specimen-level phylogenetic analysis and taxonomic revision of Diplodocidae (Dinosauria, Sauropoda). PeerJ 3:e857; DOI 10.7717/peerj.857








Infografia do estudo do Brontosaurus (PeerJ).
License: CC BY 4.0. Designers: StudioAM



Emanuel Tschopp e Octávio Mateus medindo um fémur de dinossauro saurópode no Museu da Lourinhã.

Emanuel Tschopp e Octávio Mateus junto do dinossauro saurópode Supersaurus lourinhanensis no Museu da Lourinhã



Additional images are available here: http://goo.gl/gPqfpi



Abstract (do artigo):
Os Diplodocidae encontram-se entre os dinossauros saurópodes mais conhecidos. Várias espécies foram descritas no final de 1800 ou no início de 1900 a partir da Formação Morrison da América do Norte. Desde então, numerosos espécimes adicionais foram recuperados nos EUA, Tanzânia, Portugal e Argentina, bem como, possivelmente, em Espanha, Inglaterra, Geórgia, Zimbabwe, e na Ásia. Até o momento, o clado inclui cerca de 12 a 15 espécies nominais, alguns deles com status taxonómico questionável (por exemplo, 'Diplodocus" hayi ou Dyslocosaurus polyonychius) e com idades que vão variando do Jurássico Cretáceo. No entanto, as relações intra-genéricas do icónico, géneros multi-espécies do Apatosaurus e do Diplodocus ainda são pouco conhecidas. A maneira de resolver este problema é através de uma análise filogenética baseada em amostras, o que foi previamente implementado para o Apatosaurus, mas que aqui é realizada pela primeira vez para todo o clado de Diplodocidae. A análise inclui 81 unidades taxonómicas operacionais, das quais 49 pertencem a Diplodocidae. O conjunto de todos os OTUs inclui todos os espécimes com nome anteriormente proposto para pertencerem ao Diplodocidae, ao lado de um conjunto relativamente completo de espécimes já referidos, o que aumenta a quantidade sobreposta de material anatómico.

Grupos não pertencentes ao Diplodocidae foram posteriormente selecionados para testar as afinidades dos potenciais espécimes diplodocídeos, em relação aos quais tinha sido subsequentemente sugerido que pertencessem fora do clado. Os espécimes foram classificados para 477 caracteres morfológicos, que representam uma das mais extensas análises filogenéticas de dinossauros saurópodes. Os estados de caracteres foram desenhados e as tabelas foram dadas, no caso de caracteres numéricos. O cladograma resultante recupera o arranjo clássico das relações dos diplodocídeos. Duas abordagens numéricas foram utilizadas ​​para aumentar a capacidade de reprodução na nossa delimitação taxonómica das espécies e dos géneros. Isso resultou na proposta de que algumas espécies anteriormente incluídas em géneros conhecidos, como Apatosaurus e Diplodocus, são genericamente distintas. É importante destacar que o famoso género Brontosaurus é considerado válido pela nossa abordagem quantitativa. Além disso, o Diplodocus hayi representa um género único, que será aqui designado por Galeamopus gen. nov. Por outro lado, estas abordagens numéricas implicam a sinonimização do Dinheirosaurus a partir do Jurássico Superior de Portugal com o género Supersaurus da Formação Morrison. A nossa utilização de uma abordagem por espécimes, ao invés de uma abordagem baseada em espécies, aumenta o conhecimento da variação intraespecífica e intragenérica em diplodocídeos, e o estudo demonstra como a análise filogenética baseada na espécie é uma ferramenta valiosa na taxonomia de saurópode e, potencialmente, na paleontologia e taxonomia como um todo.

Mais imagens: http://goo.gl/gPqfpi

terça-feira, março 31, 2015

Brontosaurus... um dos dinossauros mais emblemáticos

Brontosaurus é um dos nomes mais emblemáticos de dinossauros, apenas rivalizado pelo Tyrannosaurus rex. Contudo, o Brontosaurus foi tornado sinónimo de Apatosaurus em 1903 e tentativamente olvidado desde então. O Brontosaurus foi tão popular que o nome continuou até hoje na cultura popular.


Mural de Brontosaurus em Nova York (esquina da 13th st. com a 3rd av.). Foto por O Mateus.


Reconstituição histórica de Brontosaurus como um animal semi-aquático (por Charles R Knight, 1897). Esta imagem foi republicada em Portugal por Lapparent e Zbyszewski (1957)

Esqueleto de Brontosaurus excelsus por Othniel C Marsh em 1883 e 1891



"Gertie, the Dinosaur" (1914) inspirado no Brontosaurus foi um dos primeiros desenhos animados.

Marca de chocolates com o esqueleto do Brontosaurus.



sábado, março 28, 2015

Tartaruga Tropidemys em Portugal e pegadas de dinossauros em Cascais


Saíram recentemente dois artigos no Journal of Iberian Geology que tratam de vertebrados fósseis de Portugal: 1) a presença da tartaruga Tropidemys e 2) pegadas de dinossauros em Cascais


A. Pérez-García. 2015. Revision of the British record of Tropidemys (Testudines, Plesiochelyidae) and recognition of its presence in the Late Jurassic of Portugal. Journal of Iberian Geology.

Abstract
The record of coastal marine turtles belonging to Plesiochelyidae is abundant in the Late Jurassic of Portugal. The material analyzed thus far has been attributed to two taxa: Plesiochelys and Craspedochelys. A specimen is presented here that allows extending the known diversity of Portuguese Jurassic turtles. It is attributed to Tropidemys. Although this taxon is relatively well known in the Kimmeridgian record of Switzerland and Germany, no specific allocation performed outside these countries can be, so far, confirmed. The detailed study of the poorly known British taxon “Pelobatochelys” blakii allows its specific validity to be confirmed here, being recognized as a member of Tropidemys. The revision of this species and the analysis of the new Portuguese specimen allow extending the knowledge regarding the genus Tropidemys.


V.F. Santos, P.M. Callapez, D. Castanera, F. Barroso-Barcenilla, N.P.C. Rodrigues, C.A. Cupeto
2015. Dinosaur tracks from the Early Cretaceous (Albian) of Parede (Cascais, Portugal): new contributions for the sauropod palaeobiology of the Iberian Peninsula. Journal of Iberian Geology.

Abstract 
A recently discovered Early Cretaceous (early late Albian) dinosaur tracksite at Parede beach (Cascais, Portugal) reveals evidence of dinoturbation and at least two sauropod trackways. One of these trackways can be classified as narrow-gauge, which represents unique evidence in the Albian of the Iberian Peninsula and provides for the improvement of knowledge of this kind of trackway and its probable trackmaker, in an age when the sauropod record is scarce. These dinosaur tracks are preserved on the upper surface of a marly limestone bed that belongs to the Galé Formation (Água Doce Member, middle to lower upper Albian). The study of thin-sections of the beds C22/24 and C26 in the Parede section has revealed a microfacies composed of foraminifers, radiolarians, ostracods, corals, bivalves, gastropods, and echinoids in a mainly wackestone texture with biomicritic matrix. These assemblages match with the lithofacies, marine molluscs, echinids, and ichnofossils sampled from the section and indicate a shallow marine, inner shelf palaeoenvironment with a shallowing-upward trend. The biofacies and the sequence analysis are compatible with the early late Albian age attributed to the tracksite. These tracks and the moderate dinoturbation index indicate sauropod activity in this palaeoenvironment. Titanosaurs can be dismissed as possible trackmakers on the basis of the narrow-gauge trackway, and probably by the kidney-shaped manus morphology and the pes-dominated configuration of the trackway. Narrow-gauge sauropod trackways have been positively associated with coastal palaeoenvironments, and the Parede tracksite supports this interpretation. In addition, this tracksite adds new data about the presence of sauropod pes-dominated trackways in cohesive substrates. As the Portuguese Cretaceous sauropod osteological remains are very scarce, the Parede tracksite yields new and relevant evidence of these dinosaurs. Furthermore, the Parede tracksite is the youngest evidence of sauropods in the Portuguese record and some of the rare evidence of sauropods in Europe during the Albian. This discovery enhances the palaeobiological data for the Early Cretaceous Sauropoda of the Iberian Peninsula, where the osteological remains of these dinosaurs are relatively scarce in this region of southwestern Europe. Therefore, this occurrence is also of overall interest due to its impact on Cretaceous Sauropoda palaeobiogeography

quinta-feira, março 26, 2015

Metoposaurus algarvensis em artigo científico

O Metoposaurus algarvensis foi alvo de um artigo científico no Journal of Vertebrate Paleontology.

Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Octávio Mateus & J. Sébastien Steyer (2015): A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls, Journal of Vertebrate Paleontology, DOI: 10.1080/02724634.2014.912988 

Abstract: Metoposaurids are a group of temnospondyl amphibians that filled crocodile-like predatory niches in fluvial and lacustrine environments during the Late Triassic. Metoposaurids are common in the Upper Triassic sediments of North Africa, Europe, India, and North America, but many questions about their systematics and phylogeny remain unresolved. We here erect Metoposaurus algarvensis, sp. nov., the first Metoposaurus species from the Iberian Peninsula, based on several new specimens from a Late Triassic bonebed in Algarve, southern Portugal. We describe the cranial and pectoral anatomy of M. algarvensis and compare it with other metoposaurids (particularly other specimens of Metoposaurus from Germany and Poland). We provide a revised diagnosis and species-level taxonomy for the genus Metoposaurus, which is currently represented with certainty by three European species (M. diagnosticus, M. krasiejowensis, M. algarvensis). We also identify cranial characters that differentiate these three species, and may have phylogenetic significance. These include features of the braincase and mandible, which indicate that metoposaurid skulls are more variable than previously thought. The new Portuguese bonebed provides further evidence that metoposaurids congregated in fluvial and lacustrine settings across their geographic range and often succumbed to mass death events. We provide an updated paleogeographic map depicting all known metoposaurid occurrences, which shows that these temnospondyls were globally distributed in low latitudes during the Late Triassic and had a similar, but not identical, paleogeographic range as phytosaurs.

Crânio de Metoposaurus algarvensis em normas dorsais e ventrais.
 
   




quarta-feira, março 25, 2015

Temnospondyl superstar

É sempre interessante ver como os meios de comunicação social reagem a uma notícia sobre um fóssil de anfíbio do Algarve e como o Metoposaurus algarvensis se tornou uma celebridade.

Escavação de Metoposaurus algarvensis.
Aqui segue uma lista de links de notícias nacionais e internacionais, a qual vamos actualizando.

Portugal
http://zap.aeiou.pt/salamandra-pre-historica-gigante-encontrada-no-algarve-63037

International
https://news.google.com/news/story?ncl=dxVy2YsVB51BRrMFjIAWKoJnvUiFM&q=%22metoposaurus+algarvensis%22&lr=English&hl=en&sa=X&ei=hqwRVYXPEcrtUtHPgPAN&ved=0CCgQqgIwAA 

segunda-feira, março 23, 2015

Super salamandra do tempo dos dinossauros em Portugal

Paleontólogos descobrem "super salamandra" do tempo dos dinossauros em Portugal


Uma nova espécie de anfíbio descoberta em Portugal que viveu durante a ascensão dos dinossauros foi um dos maiores predadores da Terra há cerca de 228 milhões de anos, diz um novo estudo agora publicado. A equipa de paleontólogos identificou uma nova espécie de anfíbio que recebe o nome dedicado à região, Metoposaurus algarvensis, depois de escavar os ossos nas rochas de um antigo lago do tempo dos dinossauros, no concelho de Loulé, Algarve. Para o paleontólogo que participou na descoberta e estudo, Octávio Mateus "esta descoberta é o exemplo de um achado de uma época da qual conhecemos muito pouco em Portugal, o Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros".  Além deste paleontólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do colaborador do Museu da Lourinhã, o estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edinburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.


As criaturas assemelham-se a salamandras gigantes algumas com 2 metros de comprimento, que viveram em lagos e rios durante o Período Triásico, de forma semelhante aos crocodilos de hoje, dizem os investigadores. Estes anfíbios primitivos que pareciam salamandras gigantes, eram, contudo, parentes distantes das verdadeiras salamandras actuais. Os metopossauros faziam parte do grupo ancestral do qual anfíbios modernos - tais como sapos e salamandras - evoluíram, diz a equipa.


A descoberta revela que a distribuição geográfica deste grupo de animais era maior do que se pensava. Restos fósseis deste tipo de animais foram encontrados em África, Europa e América do Norte mas as diferenças na estrutura do crânio e mandíbula dos fósseis encontrados em Portugal revelaram que estes pertenciam a uma nova espécie. Esta espécie foi descoberta numa camada repleta de ossos onde dezenas de animais podem ter morrido quando o lago secou.
Apenas uma fração do local - cerca de 4 metros quadrados - foi escavado até agora, e a equipa irá prosseguir o trabalho para descobrir novos fósseis. A maioria deste tipo de grandes anfíbios foi exterminada durante uma extinção em massa que ocorreu há 201 milhões anos atrás, muito antes da morte dos dinossauros. Isto marcou o fim do Período Triásico, quando o supercontinente Pangeia, que incluiu todos os continentes do mundo, se começou a dividir. O estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, foi financiado pela National Science Foundation, Fundação Alemã de Investigação, Jurassic Foundation, CNRS, Columbia University Climate Center e pelo Chevron Student Initiative Fund. Apoio adicional foi fornecido pela Câmara Municipal de Loulé, Câmara Municipal de Silves e Junta de Freguesia de Salir no Algarve. A escavação decorreu com estudantes de paleontologia da FCT- Universidade Nova de Lisboa sendo a preparação laboratorial dos fósseis feita no Museu da Lourinhã.
Dr Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, o primeiro autor do estudo, refere: "Este novo anfíbio parece algo saído de um filme de monstros. Era tão comprido como um pequeno carro e tinha centenas de dentes afiados na sua grande cabeça chata, que se parece com uma tampa de sanita. Este era o tipo de predador feroz que os primeiros dinossauros tinham que enfrentar, muito antes dos dias de glória do T. rex e do Brachiosaurus.”



Metoposaurus algarvensis. Reconstituição por Joana Bruno.
Dois crânios de Metoposaurus algarvensis

Estudo de Metoposaurus algarvensis

Imagens disponíveis aqui: http://goo.gl/eqaQzk





Referência:
Brusatte, S, Butler, R, Mateus, O & Steyer, S. 2015. A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls. Journal of Vertebrate Paleontology

Coming soon...



domingo, março 22, 2015

Master and PhD Programs in Paleontology

Do you want to study PALEONTOLOGY in Portugal? Master and PhD Programs available at Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Master: www.dct.fct.unl.pt/en/msc-paleontology



For Vertebrate Paleontology, one may contact me directly [omateus(a)fct.unl.pt]. We are always looking for bright students!

segunda-feira, março 09, 2015

52 coisas fixes que devia saber sobre paleontologia


Saiu no final de Dezembro o livro com sugestão de 52 coisas que devia saber sobre paleontologia "52 Things You Should Know About Palaeontology" Ed. Agile Libre. na qual temos uma curta contribuição sobre predadores gigantes do Jurássico. Trata-se de um livro de divulgação de ciência com 52 contribuições sobre paleontologia: etologia, evolução, dinossauros, invertebrados, ecologia, etc.

52 Things You Should Know About Palaeontology. : Agile Libre
ed. Alex Cullum e Allard W. Martinius
http://www.amazon.com/Things-Should-Know-About-Palaeontology/dp/0987959441



Mateus, O. (2014).  Gigantic Jurassic predators. 52 Things You Should Know About Palaeontology. 56-57.: Agile Libre  PDF