sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Evolução dos golfinhos e baleias em palestra a 3 de Março

A evolução dos cetáceos, a partir de mamíferos de hábitos anfíbios pequenos e quadrúpedes até às baleias gigantes de hoje, é das histórias naturais mais fascinantes. Esse será o tema da palestra pelo paleontólogo Olivier Lambert na próxima quinta-feira, 3 de Março, pelas 15:00, na FCT-UNL (Auditório da Biblioteca).



Olivier Lambert
Olivier Lambert é paleontólogo do Instituto Real Belga de Ciências Naturais tendo trabalhado na evolução dos mamíferos marinhos, suas adaptações à vida aquática, diversidade e disparidade, e suas interações com organismos marinhos. A sua pesquisa foca-se em diferentes clados de odontocetes (baleias de dentes) do Oligocénico ao Pliocénico, nomeadamente ao lidar com a sistemática, filogenia, anatomia funcional, paleoecologia, e histologia óssea. Trabalha sobre baleias-de-bico (Ziphiidae), cachalotes (Physeteridae), golfinhos longirostros (Eurhinodelphinidae e Platanistoidea) semelhantes aos do rio Amazonas golfinho e La Plata, delfinóides arcaicos, e taxa extintos parentes da beluga e narval (Monodontidae). Também colabora com colegas para o estudo das baleias de barbas e sirénios (parentes do dugongo moderno e peixe-boi).

Baptizou três géneros de cetáceos fósseis de Portugal TagicetusImocetus, e Globicetus.

Fontes:
https://naturalsciences-be.academia.edu/OlivierLambert
https://www.naturalsciences.be/en/science/do/545/staff/member/328





quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Palestra em Lisboa: O que dinossauros nos dizem sobre evolução?

O que nos ensinam sobre evolução os fósseis de dinossauros e de outros animais? Esta pergunta é o mote da palestra do dia 17 de Março no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.




Quando: Quinta, 17 Março, 2016 - 18:45 a 19:45
Onde: Sala Vandelli | Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Os que os dinossauros e outros fósseis nos podem ensinar sobre evolução?
Octávio Mateus - UNL
Ciclo de conversas "60 Minutos de Ciência"
Num formato informal e descontraído, 60 minutos de Ciência pretende ser um fórum de discussão entre especialistas e cidadãos sobre temas atuais de Ciência. Com lugar na Sala Vandelli do MUHNAC, este programa decorrerá nas terceiras quintas feiras de cada mês, pelas 18h45.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

João Pais (1949-2016)

Faleceu esta manhã, dia 19 de Fevereiro de 2016, aos 66 anos, o Prof. João Pais, após complicações renais e cardíacas. A academia portuguesa perdeu uma das suas estrelas mais brilhantes, um excelente paleontólogo e exímio estratígrafo. Além das inquestionáveis qualidades profissionais, era uma pessoa com elevadas qualidades humanas: afável, prestável e sensível.
João José Cardoso Pais (1949-2016) OM

O paleontólogo e estratígrafo, Prof. João José Cardoso Pais nasceu em Cabeção, no concelho de Mora a 14 de Outubro de 1949. Era professor catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa. 

 Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.

1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, com a tese "Contribuição para o conhecimento da Vegetação Miocénica da Parte Ocidental da Bacia do Tejo".
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degóis:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro.
Foto por O.M. 2007
 "João José Cardoso Pais, aposentado desde Maio de 2013. Foi Professor da Universidade Nova de Lisboa. Concluiu a Agregação em 1991. Publicou 100 artigos em revistas especializadas e 60 trabalhos em actas de eventos, possui 16 capítulos de livros e 10 livros publicados. Possui 481 itens de produção técnica. Participou em 46 eventos no estrangeiro e 48 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Entre 2000 e 2015 participou em 4 projectos de investigação, sendo que coordenou 2 destes. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 376 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Cartografia geológica, Engenharia Geológica, Paleoambientes, Paleobotânica, Ecologia, Paleontologia, Arqueobotânica e Arqueozoologia."

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)

E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha

À data de hoje, conta com 1600 citações nos seus 100 trabalhos.

Selecção de obras:
2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003
Vieira, M., Poças, E., Pais, J., Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5
2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.
2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.
Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X
2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.

Links:



Prestamos-lhe a devida homenagem.

Testemunho pessoal: O Prof. João Pais teve uma enorme influência em mim. Ele fez parte do júri do meu doutoramento; foi durante o seu cargo, como Presidente de Departamento de Ciências da Terra na FCT- NOVA que fui integrado neste departamento como professor; e partilhei, até hoje, o gabinete com este grande cientista.

Obrigado Prof. João Pais.

Condolências à família.

OM

terça-feira, janeiro 26, 2016

Curso de filogenia para paleontologia (Março na FCT-NOVA)

"Filogenia para Paleontologia" é o curso/formação de introdução à análise filogenética com base em parcimónia para estudos de paleontologia e de morfologia ministrado no fim de semana de 12 e 13 de Março pela Universidade Nova de Lisboa (link) e aberto a todos os interessados. 

Segue aqui os detalhes do curso:

Training course: Phylogeny for Paleontology (March 12-13, 2016)

This is a two day introductory course on parsimony-based phylogenetic analysis in paleontology and morphological studies, for students and proffesionals, to be held at the Departamento de Ciências da Terra, Universidade de Nova Lisboa.
Aim of the course: Phylogenetic analyses are a key tool for paleontologists. The aim of this course is to provide the participants the basic skills need to perform a morphological phylogenetic analysis and publish their  results. The basics of parsimony analysis and character optimisation will be covered.
Target public and credits: Open to anyone but targeted to students and professionals in evolutionary biology and paleontology. Diploma will be provided by FCT-UNL. This training can be included as supplement to the graduation or master diploma (accreditation still pending).
Instructors: Miguel Moreno Azanza and Octávio Mateus (FCT- University NOVA of Lisbon)
Requirements: All participants are required to bring their own laptop. Windows strongly recommended (MacOS versions of the software available but without user interface).
Dates and contents: The course will have three sessions, each with theoretical and practical lessons, plus and an additional optional workshop session to provide assistance with the attendees’ datasets. Total Hours of Training: 16h.
1st Day (March 12th)
Session 1: Introduction to cladistic analysis using parsimony-based methods.
Introduction to systematics, basic concepts, how to build a matrix and best practices.
Session 2: Introduction to parsimony-based software.
Introduction to TNT: Editing your matrix. Basic Searches. Consensus trees. Branch support. Getting trees ready to publish.
2nd day (March 13th)
Session 3: Intermediate-level use of parsimony-based software.
Continuous characters and mixed matrices. Weighting characters. New technology searchers.  Constrained searches. Basic scripts. Other stuff TNT can do.
Session 4: Workshop: bring your matrix to the lab (optional).
Participants will be allowed to bring their matrices to the lab, to be examined in a collaborative approach by the class.
Language: English (translation into Portuguese is available if necessary)
Place: Departamento de Ciências da Terra, Building IX, Universidade Nova de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal
GPS Coordinates: 38.660734, -9.207075
Registration fees: Non student: 150 euros. Students of Universidade Nova de Lisboa (Mestrado de Paleontologia and others): free. Other student: 30 euros. (student card is required). Payment is done at the beginning of the course.  

Registration: Send an email to: Miguel Moreno-Azanza (mmazanza@fct.unl.pt) including your name, email, professional situation, institution and where you learn about this course, until March, 1st.
Questions can be addressed to: mmazanza@fct.unl.pt

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Equinodermes do Mesozóico de Portugal em doutoramento por Bruno Pereira

Os equinodermes são um grupo fascinante, com enorme expressão actual e milhares de fósseis conhecidos. Actualmente incluem os ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, ofiuróides, holotúrias e crinóides. Os equinodermes do Mesozóico de Portugal têm sido pouco abordados desde do trabalho de Perceval de Loriol no século XIX e precisamente por isso é que Bruno Pereira decidiu dedicar-se a eles.
Bruno Pereira segurando a sua tese de doutoramento
de 726 páginas.
Bruno Miguel Claro Pereira, de 31 anos, é licenciado em Geologia e tese de Mestrado sobre Ossículos de Equinodermes do Miocénico da Península de Setúbal (UL em 2010). É autor de uma dezena de títulos, tal como a diversidade de ouriços do mar na Bacia Lusitânica já abordados neste blog e têm trabalhado na defesa dos equinodermes do Cabeço da Ladeira. É voluntário do Museu da Lourinhã desde 2004, colaborador do centro de investigação GeoBioTec (FCT-UNL), participou numa das expedições científicas PaleoAngola ao Namibe.

A sua investigação levou-o a fazer o doutoramento pela Universidade de Bristol sob orientação principal de Michael Benton co-orientado por Andrew Smith, Marcello Ruta e Octávio Mateus, com o título Portuguese Mesozoic echinoderms: systematics, stratigraphy, palaeoecology and palaeobiogeography numa enorme tese de mais de 726 páginas onde trata as 249 espécies de equinodermes no Mesozóico de Portugal.


O Bruno fez as suas provas de Doutoramento em Bristol, dia 14 de Janeiro de 2016, pelo que está de parabéns!

Links:
Página Bruno Pereira na Univ- Bristol.
Bruno Pereira no ResearchGate.

Algumas publicações:
Equinodermes do Cabeço da Ladeira: um caso de preservação do património geológico
B. Pereira · S. Machado · J. M. F. Carvalho · L. Mergulhão · P. Pereira · M. Duarte · J. Anacleto
Comunicações Geológicas 05/2015; 101 (2014)(Especial III):1339-1343.

Mesozoic echinoid diversity in Portugal: Investigating fossil record quality and environmental constraints on a regional scale
Bruno Claro Pereira · Michael J. Benton · Marcello Ruta · Octávio Mateus
Palaeogeography Palaeoclimatology Palaeoecology 02/2015; 424

A new echinoderm Lagerstätten in Portugal: preliminary results
Bruno Claro Pereira · Pedro Pereira · Susana Machado · Jorge Carvalho · Lia Mergulhão
4th International Palaeontological Congress, Mendoza, Argentina; 09/2014

Estrela do Mar no Mesozóico de Portugal.
Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles
Octavio Mateus · Michael J. Polcyn · L. L. Jacobs · Ricardo Araújo · A. S. Schulp · João Marinheiro · Bruno Claro Pereira · D. Vineyard

Exceptional Tortonian Echinoderm Palaeodiversity at Lagoa de Albufeira (Setúbal Peninsula, Portugal).
Bruno Pereira · Pedro Pereira · Mário Cachão
7th European Conference on Echinoderms, Göttingen; 10/2010






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domingo, janeiro 10, 2016

Cinco novas espécies de frangos-de-água fósseis da Madeira e Açores


Os Frangos-de-água são aves aquáticas do género Rallus com numerosas espécies e distribuição alargada. Um novo estudo publica agora a existência de cinco novas espécies provenientes de fósseis da Madeira e Açores:
Rallus lowei n. sp., viveu na Ilha da Madeira 
Rallus adolfocaesaris n. sp.,  em Porto Santo,
Rallus montivagorum n. sp, Ilha do Pico, Açores
Rallus carvaoensis n. sp. em São Miguel
Rallus minutus n. sp.de São Jorge
Da Terceira vem ainda um espécime fabuloso articulado e praticamente mumificado.
O artigo é assinado por Josep Antoni Alcover , Harald Pieper , Fernando Pereira e Juan Carlos Rando e foi publicado na revista Zootaxa.


Espécime de Rallus sp. do Algar do Carvão, Terceira.  

Alcover, Josep A., Harald Pieper, Fernando Pereira & Juan C. Rando. 2015. Five New Extinct Species of Rails (Aves: Gruiformes: Rallidae) from the Macaronesian Islands (North Atlantic Ocean). Zootaxa.  4057(2): 151–200. DOI: 10.11646/zootaxa.4057.2.1
http://www.mapress.com/zootaxa/2015/f/z04057p190f.pdf

Resumo: São descritas como novas para a ciência cinco espécies de Frangos-de-água recentemente extintas da Macaronésia. Todas estas espécies são mais pequenas do que o seu presumível antepassado o Frango-de-água Europeu Rallus aquaticus. Duas destas espécies novas ocorrem no arquipélago da Madeira. Rallus lowei n. sp., viveu na Ilha da Madeira sendo de todas as cinco espécies aqui descritas a mais robusta, tratando-se de uma espécie sem capacidade de voo com tarsometatarso curto e robusto e asas reduzidas. Rallus adolfocaesaris n. sp., viveu em Porto Santo, também sem capacidade de voo é uma espécie mais pequena do que a espécie da Madeira. Seis ilhas dos Açores foram até agora investigadas em termos paleontológicos e em todas elas encontrámos fósseis de Frangos-de-água. Em três das ilhas encontrámos material suficiente para uma descrição adequada das suas espécies de Frango-de-água actualmente extinctos. Rallus montivagorum n. sp., com reduzida capacidade de voo, mais pequeno que Rallus aquaticus, viveu na ilha do Pico. Rallus carvaoensis n. sp., foi uma espécie pequena sem capacidade de voo com pernas curtas e grossas e um bico aparentemente mais curto do que em Rallus aquaticus, viveu em São Miguel. Rallus minutus n. sp., uma espécie muito pequena (tamanho parecido com Atlantisia rogersi) também sem capacidade de voo e com tarsometatarso curto e robusto, viveu em São Jorge. O material encontrado nas ilhas Terceira, Graciosa e Santa Maria foi insuficiente para a descrição das suas espécies. Em adição, descrevomos um fossil notável de um Rallus encontrado no Algar do Carvão na ilha Terceira.

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Espinossauros de Marrocos: estudo confirma a existência de duas espécies


O dinossauro predador Spinosaurus engolia peixes como os actuais pelicanos fazem. Esta é uma das conclusões de um estudo pela Universidade Nova de Lisboa. Ossos da mandíbula destes grandes dinossauros se alimentam de peixes conhecidos como espinossauros mostram que mandíbula destes animais abria lateralmente para melhor abranger a presa, de acordo com um artigo publicado na revista PLOS ONE, por Christophe Hendrickx e Octávio Mateus da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, e Eric Buffetaut, de CNRS de Paris.
Two spinosaur species feeding of fish in the Kem Kem environment of Southeastern Morocco around 100 million years ago. Artwork by Sergey Krasovskiy (http://atrox1.deviantart.com/gallery/), advised by Christophe Hendrickx, Serjoscha Evers, Andrea Cau and Scott Hartman.
O estudo revela que o alargamento lateral da mandíbula inferior foi possível em Spinosaurus graças a uma articulação solta e móvel entre as partes esquerda e direita da mandíbula. "Os Spinosaurus eram animais piscívoros muito estranhos com um crânio semelhante ao de um crocodilo com um focinho longo e estreito e dentes cónicos", explicou Octávio Mateus. "Evidências diretas indicam que estes dinossauros eram comedores de peixe, e nosso estudo mostra, pela primeira vez, que eles eram capazes de engolir grandes presas, de uma forma semelhante como nossos pelicanos que vivem", acrescentou Hendrickx.
Os cientistas dizem que os ossos de vários crânios também mostram a presença de duas espécies de espinossauros no Cretácico de Marrocos, há cerca de cem milhões de anos atrás. A primeira espécie foi identificada pelos paleontólogos como Spinosaurus aegyptiacus, um dinossauro semi-aquático e um dos maiores predadores terrestres. "Esta linhagem de dinossauros predadores que levou ao Spinosaurus pode ser rastreada até ao período Jurássico, tendo, gradualmente, adaptado-se a um novo estilo de vida semi-aquático", disse Eric Buffetaut, um co-autor da publicação do CNRS em França.

Spinosaurus foi recentemente considerado como um animal quadrúpede com ossos densos e pernas curtas adaptadas à natação, com base em novos materiais fósseis da mesma região de Marrocos. Hendrickx e colegas, no entanto, mostram a presença de mais de uma espécie de espinossauros nesses depósitos e lançam dúvidas sobre a precisão da reconstrução de um Spinosaurus quadrúpede de pernas curtas, o que pode ter sido baseada em elementos de vários animais distintos. "Só a descoberta de fósseis adicionais de Marrocos poderá confirmar a nossa hipótese de a presença de mais de uma espécie de espinossauros no Cretácico Superior do Norte de África", concluiu Hendrickx.


Morphology of the upper jaw bone belonging to two species of spinosaurs. Reconstruction by Christophe Hendrickx.


Publication reference: Hendrickx, C., Mateus, O. and Buffetaut, E. 2016. Morphofunctional analysis of the quadrate of Spinosauridae (Dinosauria: Theropoda) and the presence of Spinosaurus and a second spinosaurine taxon in the Cenomanian of North Africa. PLOS ONE.
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0144695


Supplementary information, including illustrations, are available at https://drive.google.com/open?id=0B2-1jKWHZywJeVZ5RjR2MVBFMXM

The Belgian paleontologist Dr. Christophe Hendrickx, leading author of the study. Photo taken by Octávio Mateus.



segunda-feira, janeiro 04, 2016

24.599 visitaram o Museu da Lourinhã em 2015


O Museu da Lourinhã tem um registo impecável dos seus visitantes, tendo recebido 24.599 entradas em 2015. É de salientar esse número como também a transparência na divulgação detalhada dos números de 2015, apenas 4 dias após o ano terminar. Observa-se uma tendência de crescimento ligeiro (foi o segundo melhor ano de sempre) e os meses mais visitados são de Julho e Agosto.
Gráfico de visitantes anuais o Museu da Lourinhã.

Nem todos os museus divulgam os seus dados reais e detalhados dos visitantes. Contudo, o site PorData fornece-nos algumas comparações interessantes com valores desde os anos 1960 (até 2014). Uma observação rápida permite dizer que os visitantes a Museus e equipamentos similares têm aumentado, mesmo quando comparados os visitantes por cada 1000 habitantes. Contudo, o número de visitantes aos museus do Estado tutelados pela Direcção-Geral do Património Cultural têm-se mantido estável desde 1992 (apesar do ligeiro decréscimo dos últimos 5 anos).




domingo, janeiro 03, 2016

Na Peugada dos Dinossauros levou-nos ao Teatro Dona Maria II

O Teatro Dona Maria II recebeu este último dia 21 de Dezembro a Conferência de Natal da Ciência Viva. As conferências de Natal Ciência Viva são organizadas em parceria com instituições científicas de referência, nacionais e estrangeiras, e inspiradas nas Christmas Lectures do Royal Institution de Londres, criadas em 1825 por Michael Faraday, e destinam-se a públicos de todas as idades.
Um cientista por ano é convidado e este natal o tema foi "Na Peugada dos Dinossauros” com a conferência proferida por Octávio Mateus.

Réplicas e fósseis originais do Museu da Lourinhã, e réplicas de Centro Ciência Viva de Estremoz e FCT NOVA, acompanharam o evento. Pela primeira vez podemos ver o crânio do Torvosaurus, predador de topo do Jurássico, descoberto em Portugal, e do famoso Tyrannosaurus, do Cretácico, lado a lado.


Notícias frescas... da Gronelândia

Três novos artigos científicos dão-nos notícias frescas sobre a paleontologia do Triásico da Gronelândia, resultado da expedição de 2012 e publicadas agora na Geological Society, Special Publications.

Lars Clemmensen e colegas fazem o sumário das descobertas de vertebrados e da geologia.

Resumo:
In Late Triassic (Norian–Rhaetian) times, the Jameson Land Basin lay at 40° N on the northern part of the supercontinent Pangaea. This position placed the basin in a transition zone between the relatively dry interior of the supercontinent and its more humid periphery. Sedimentation in the Jameson Land Basin took place in a lake–mudflat system and was controlled by orbitally forced variations in precipitation. Vertebrate fossils have consistently been found in these lake deposits (Fleming Fjord Formation), and include fishes, dinosaurs, amphibians, turtles, aetosaurs and pterosaurs. Furthermore, the fauna includes mammaliaform teeth and skeletal material. New vertebrate fossils were found during a joint vertebrate palaeontological and sedimentological expedition to Jameson Land in 2012. These new finds include phytosaurs, a second stem testudinatan specimen and new material of sauropodomorph dinosaurs, including osteologically immature individuals. Phytosaurs are a group of predators common in the Late Triassic, but previously unreported from Greenland. The finding includes well-preserved partial skeletons that show the occurrence of four individuals of three size classes. The new finds support a late Norian–early Rhaetian age for the Fleming Fjord Formation, and add new information on the palaeogeographical and palaeolatitudinal distribution of Late Triassic faunal provinces.

Jameson Land, na Gronelândia.

Malmos Klint na Gronbelândia (Clemmensen et al. 2015)

Geologia do Triásico da Gronbelândia (Clemmensen et al. 2015)

Pegadas de sauropodomorfos (Clemmensen et al. 2015)

Clemmensen, L.B., Milàn, J., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J., Frobøse, N., Klein, N., Mateus, O. and Wings, O., 2015. The vertebrate-bearing Late Triassic Fleming Fjord Formation of central East Greenland revisited: stratigraphy, palaeoclimate and new palaeontological data. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-3. PDF


Bitten Hansen et al. (2015) abordam a descoberta de numerosos coprólitos de tubarão e outros animais do Triásico de Kap Stewart, nomeadamente a morfologia, classificação e alimentação.

Resumo:
A large collection of vertebrate coprolites from black lacustrine shales in the Late Triassic (Rhaetian–Sinemurian) Kap Stewart Formation, East Greenland is examined with regard to internal and external morphology, prey inclusions, and possible relationships to the contemporary vertebrate fauna. A number of the coprolites were mineralogically examined by X-ray diffraction (XRD), showing the primary mineral composition to be apatite, clay minerals, carbonates and, occasionally, quartz in the form of secondary mineral grains. The coprolite assemblage shows multiple sizes and morphotypes of coprolites, and different types of prey inclusions, demonstrating that the coprolite assemblage originates from a variety of different producers.

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Localidade com coprólitos de tubarão na Gronelândia (Hansen et al., 2015)

Coprólitos de tubarão da Gronelândia (Hansen et al., 2015)

Coprólitos (Hansen et al., 2015)


Hansen, B.B., Milàn, J., Clemmensen, L.B., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J., Klein, N., Mateus, O. and Wings, O., 2015. Coprolites from the Late Triassic Kap Stewart Formation, Jameson Land, East Greenland: morphology, classification and prey inclusions. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-12. PDF


Hendrik Klein e colegas anunciam a descoberta de pegadas de Brachychirotherium, normalmente atribuídas a arcossauros.

Resumo:
The Ørsted Dal Member of the Upper Triassic Fleming Fjord Formation in East Greenland is well known for its rich vertebrate fauna, represented by numerous specimens of both body and ichnofossils. In particular, the footprints of theropod dinosaurs have been described. Recently, an international expedition discovered several slabs with 100 small chirotheriid pes and manus imprints (pes length 4–4.5 cm) in siliciclastic deposits of this unit. They show strong similarities withBrachychirotherium, a characteristic Upper Triassic ichnogenus with a global distribution. A peculiar feature in the Fleming Fjord specimens is the lack of a fifth digit, even in more deeply impressed imprints. Therefore, the specimens are assigned here tentatively to cf. Brachychirotherium. Possibly, this characteristic is related to the extremely small size and early ontogenetic stage of the trackmaker. The record from Greenland is the first evidence of this morphotype from the Fleming Fjord Formation. Candidate trackmakers are crocodylian stem group archosaurs; however, a distinct correlation with known osteological taxa from this unit is not currently possible. While the occurrence of sauropodomorph plateosaurs in the bone record links the Greenland assemblage more closer to that from the Germanic Basin of central Europe, here the described footprints suggest a Pangaea-wide exchange.
Brachychirotherium (Klein et al. 2015) 

Brachychirotherium (Klein et al. 2015) 



Klein, H., Milàn, J., Clemmensen, L.B., Frobøse, N., Mateus, O., Klein, N., Adolfssen, J.S., Estrup, E.J. and Wings, O., 2015. Archosaur footprints (cf. Brachychirotherium) with unusual morphology from the Upper Triassic Fleming Fjord Formation (Norian–Rhaetian) of East Greenland. Geological Society, London, Special Publications434, pp.SP434-1. PDF


#Gronelândia

sábado, janeiro 02, 2016

Palestras sobre a paleontologia do Algarve

A paleontologia do Algarve, sobretudo as recentes descobertas no Triásico do Grés de Silves, o Metoposaurus algarvensis e o fitossauro das jazidas de Loulé, serão o tema de duas palestras no próximo dia 5 de Janeiro de 2016, organizadas pela Associação Arqueológica do Algarve. Dia 5 de Janeiro, terça-feira, pelas 14:30 no Museu de Traje em São Brás, e às 17:45 na Biblioteca Municipal de Lagoa.
Proferidas por Octávio Mateus. As palestras serão em Inglês.

Geologia do Algarve pela Carta Geológica de Portugal. Folha 52-A Portimão.



Para saber mais:




quarta-feira, dezembro 16, 2015

Filhos da Nação (RTP) sobre dinossauros e Projecto PaleoAngola

Dinossauros e Projecto PaleoAngola no programa Filhos da Nação da RTP de dia 1 de Dezembro 2015, aqui com reprodução integral:


Post Scriptum: alguns utilizadores fora de Portugal afirmam não conseguir ver este vídeo pelo que se sugere o recurso a esta ligação https://www.vpnmentor.com/blog/watch-rtp-outside-portugal.


terça-feira, dezembro 15, 2015

Dinossauros portugueses na perspectiva do artista Nobu Tamura

Nobu Tamura é um dos artistas especializado em paleoarte com um portfólio que vale a pena visitar em Blog Spinops onde tem os seguintes dinossauros portugueses: Zby atlanticus, Miragaia longicollum, Torvosaurus gurneyi, e o crocodilomorfo Theriosuchus pusillus.
Zby atlanticus na perspectiva do artista Nobu Tamura.

Os seus trabalhos estão disponíveis para uso não comercial através da licença Creative Commons 3.0 Unported (CC BY-NC-ND 3.0). Desta forma, Tamura fez com que os seus desenhos fossem dos mais usados na internet.

Miragaia longicollum na perspectiva do artista Nobu Tamura.

Theriosuchus na perspectiva do artista Nobu Tamura.
Torvosaurus gurneyi na perspectiva do artista Nobu Tamura.

 E ainda muitos outros dinossauros e fósseis de todo o mundo. Dois exemplos aqui que tiveram participação portuguesa: Kaatedocus e Europasaurus.

Ver mais de N. Tamura:
http://ntamura.deviantart.com/
http://chasmosaurs.blogspot.pt/2011/02/interview-with-paleoartist-nobu-tamura.html




Kaatedocus por Nobu Tamura
(
Creative Commons 3.0 Unported CC BY-NC-ND 3.0).
Europasaurs por Nobu Tamura
(
Creative Commons 3.0 Unported CC BY-NC-ND 3.0).

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Braquiópodes mostram padrões palegeográficos do Jurássico Inferior

Os braquiópodes eram animais comuns nos mares do Jurássico Inferior nos quais se conhecem dezenas de espécies. Um novo estudo vêm esclarecer os padrões paleobiogeográficos da fauna de braquiópodes ibéricos durante o Toarciano sup.-Aaleniano inf. (Jurássico). O artigo é publicado na Paleo3 sendo assinado por Benito Andrade, Luis V. Duarte, Fernando García Joral, Antonio Goy e Maria H. Henriques e Espanha e da Universidade de Coimbra.
Mapa de afloramentos jurássicos (Andrade et al. 2016)


Dois distritos ibéricos foram diferenciados no Toarciano superior e Aaleniano inferior, tendo as faunas de braquiópodes mostrado diferenças na composição e evolução, em que a biogeografia está relacionada a mudanças ambientais e o padrão de paleocorrentes limitado a dispersão das espécies.

Braquiópodes (Andrade et al. 2016)
Referência:
Andrade, B., Duarte, L.V., Joral, F.G., Goy, A. and Henriques, M.H., 2015. Palaeobiogeographic patterns of the brachiopod assemblages of the Iberian Subplate during the Late Toarcian-Early Aalenian (Jurassic).Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.
Mapa de paleocorrentes (Andrade et al. 2016)

Paleolatitude: Ibéria à deriva nunca esteve tão a Norte

Numerosos dados provam a tectónica de placas e mostra a sua influência na paleogeografia e distribuição das espécies. A tectónica de placas fez com que a latitude da Península Ibérica mudasse ao longo do tempo.


Agora há um novo recurso digital, www.paleolatitude.org, precisamente para fornecer a latitude de qualquer local do planeta ao longo dos milhões de anos. Por exemplo, a Lourinhã está hoje está aos 39ºN de latitude, mas há 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Jurássico Superior, o território por onde andavam os Lourinhanosaurus, Miragaia e Lusotitan, estava a 27.8ºN de latitude. Esta latitude hoje é a fronteira entre Marrocos e o Sahara Ocidental, o que explica o ambiente árido descrito por Myers et al. (2012) para a Formação da Lourinhã com temperatura média de 31º C, e precipitação de 1100 mm/ano.

Onde foram recolhidos fitossauros e dinossauros na Gronelândia, hoje aos 72ºN, estava aos 49ºN há 200 milhões de anos, no Triásico, praticamente à latitude de Paris de hoje.

Outra curiosidade é que tanto a Ibéria como a Gronelândia nunca estiveram numa posição tão a norte como agora.

Ref.:
Myers, T.S., Tabor, N.J., Jacobs, L.L. and Mateus, O., 2012. Palaeoclimate of the Late Jurassic of Portugal: comparison with the western United States.Sedimentology59(6), pp.1695-1717.