terça-feira, maio 13, 2014

Zby atlanticus é a nova espécie de dinossauro saurópode de Portugal

Zby atlanticus é a nova espécie de dinossauro saurópode de Portugal


Zby atlanticus é o nome da nova espécie de dinossauro do Jurássico Superior com 150 milhões de anos descoberto na Lourinhã.
Zby atlanticus, ossos recolhidos
Este dinossauro que foi descoberto em 1996  pelo paleontólogo Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e também colaborador do Museu da Lourinhã é agora reconhecido como um novo género e espécie para a Ciência.
Deste dinossauro saurópode foi escavada uma pata dianteira (braço), um dente e um osso da cauda, em 1996, 2000 e 2002, na localidade de Paimogo, a norte da Lourinhã, perto do local de onde também foram escavados ovos. Este é um saurópode de grandes dimensões e se estivesse completo estima-se que teria 18 a 19 metros de comprimento.  
Escavação de Zby atlanticus (Mateus et al., 2014)
O Zby é classificado como parte do grupo dos saurópodes turiassauros, inicialmente descobertos em Espanha ao contrário de outros dinossauros de Portugal que têm afinidades com espécies dos Estados Unidos. Os turiassauros, que foram originários na Ibéria que na altura era uma ilha, eram dinossauros herbívoro de pescoço longo, mas de dentes mais largos que a maioria dos outros saurópodes.
Na primeira identificação destes ossos pensou-se que se tratava de um género existente em Teruel, Espanha, um Turiasaurus, mas agora verifica-se que é uma espécie e um género distinto com base em diferenças anatómicas nos ossos dos membros recebendo, por isso, um novo nome: Zby atlanticus. O nome de género é em honra do paleontólogo Georges Zbyszewski (1909 - 1999) que trabalhou muitos anos em Portugal. Este cientista de origem russa, naturalizado francês, dedicou toda a sua carreira ao estudo da geologia de Portugal e marcou a paleontologia nacional. Foi o autor da importante obra “Os Dinossauros de Portugal”  publicada em 1957 em conjunto com Albert de Lapparent. O nome do dinossauro é o diminutivo pelo qual este cientista era muitas vezes tratado e tem a particularidade de ser um dos nomes mais curtos de dinossauros, com apenas três letras e nenhuma vogal: Zby. O epíteto específico, atlanticus, é devido à localidade de Paimogo que tem uma vista cénica para o Oceano Atlântico e porque foi a formação deste oceano que influenciou a existência de tantos dinossauros em Portugal.
Georges Zbyszewski (1909-1999). Imagem: LNEG

O estudo foi publicado na prestigiada revista científica Journal of Vertebrate Paleontology por Octávio Mateus com os paleontólogos ingleses Philip Mannion e Paul Upchurch, do Imperial College e do University College of London, respectivamente. Os ossos originais estão no Museu da Lourinhã e uma réplica encontra-se na fachada deste museu, o que o torna este espécime muito fotografado.

Recorde-se que em março passado, este paleontólogo anunciou uma outra nova espécie de dinossauro, mas carnívoro, o Torvosaurus gurneyi com Christophe Hendrickx, também da  Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Zby atlanticus, réplica na fachada do Museu da Lourinhã


Referência:

Octávio Mateus, Philip D. Mannion & Paul Upchurch (2014) Zby atlanticus, a new turiasaurian sauropod (Dinosauria, Eusauropoda) from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology 34(3): 618-634  DOI:10.1080/02724634.2013.822875

http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02724634.2013.822875#.U2lVhPldXeI

terça-feira, maio 06, 2014

Estranhas pegadas em 3D das patas de saurópodes

As pegadas são obviamente uma depressão no substrato causada pela compressão do solo devido ao peso de um animal. Portanto é normal que imaginemos pegadas de dinossauros como depressões mais ou menos côncavas na rocha. Contudo, nos terrenos de rochas de ambientes continentais do Jurássico Superior de Portugal nem sempre é assim. As pegadas de dinossauros mais comuns são conservadas como preenchimento arenítico da pegada formando um molde natural do icnito, ou um contra-molde do pé.

Os saurópodes foram os maiores animais que já caminharam sobre a terra, e evoluíram com várias especializações nos seus membros a fim de apoiarem a sua enorme massa corporal. Os membros de saurópodes derivados tornaram-se colunares e seus dedos dos membros anteriores (mãos) simplificaram-se reduzindo o número de falanges e encapsularam-se num tecido para formar um apoio único que suporte o peso.


No Jurássico Superior da Lourinhã, têm sido recolhidas preenchimento de pegadas das patas anteriores preservadas em três-dimensões (Milàn et al., 2005) num formato cilíndrico de arenito que assenta no substrato original que foi pisado: um argilito. Estas pegadas mostram não só a forma, mas também os movimentos reais da pata do saurópode ao fazer a pegada. Num dos caso, aqui figurado, o icnito tem 32 cm de profundidade, numa forma cilíndrica e sem quaisquer impressões de dedos individuais, com exceção do dígito I, o polegar. Vêm-se ainda estrias verticais bem preservadas de pele nas paredes laterais da pegada que mostram que a pata estava coberta de pele áspera, tuberculosa, constituída por escamas. A largura da pegada é consistente de cima a baixo, demonstrando que a pata desceu e subiu verticalmente sem sinais qualquer movimento horizontal. Isto implica que o membro superior teria de dobrar as suas articulações de forma eficiente.


Referência:
Milan, J, Christiansen P, Mateus O. 2005. A three-dimensionally preserved sauropod manus impression from the Upper Jurassic of Portugal: Implications for sauropod manus shape and locomotor mechanics. Kaupia. 14:47-52. PDF

Abstract: Sauropods were the largest animals ever to walk the earth, and evolved several specializations in their limbs in order to support their body mass. Their legs became columnar and their manual digits became reduced and encapsulated in tissue to form a single weight-bearing unit in the derived sauropods. A new three-dimensionally preserved cast of a sauropod manus, found in the Upper Jurassic Lourinhã Formation, Portugal, demonstrates not only the shape, but also the actual movements of the sauropod manus during the stride. The manus cast is 32 cm deep, and show the manus to be hoof-shaped and lacking any impressions of individual digits, except for digit I, the pollex. Well preserved striations from skin on the sides of the cast show that the manus was covered in rough, tubercular skin. The width of the manus cast is consistent from top to bottom, demonstrating that the manus was brought down and lifted vertically before any parasagittal movement of the upper limb took place.

sexta-feira, maio 02, 2014

Sítios para ver dinossauros em Portugal

Em Portugal existem vários sítios para visitar com ossos ou pegadas de dinossauros. Para facilitar o turismo científico, aqui seguem coordenadas geográficas das variadas localidades a visitar;


Jazidas de Pegadas visitáveis em Portugal, com coordenadas GPS

Pedra da Nau, Buarcos: 40.182861, -8.908111
Praia dos Olhos de Água:   39.416171, -9.252589
Serra de Mangues:   39.534409, -9.123377
Praia dos Salgados:   39.539376, -9.121534
Pedreira do Galinha: 39.570423, -8.588761
Vale de Meios: 39.457797, -8.821044
Serrada Pescaria: 39.545212, -9.088333
Serra de Bouro: 39.489556, -9.180975
Salir do Porto: 39.494186, -9.174887
Praia Grande: 38.809739, -9.479955
Cabo Espichel - Pedra da Mua: 38.421483, -9.216838
Lagosteiros: 38.427737, -9.216430
Pedreira do Avelino: 38.454010, -9.123312
Zambujal: 38.456125, -9.121623
Praia da Salema: 37.064332, -8.826848
Mapa de jazidas de dinossauros em Portugal (Antunes & Mateus, 2003)

Mapa de jazidas de dinossauros em Portugal (Lapparent & Zbyszewski, 1957)

Museus 

Museu Geológico, Lisboa
Rua Academia das Ciências 19, Lisboa, Portugal, 38.713215, -9.149867
Museu da Lourinhã
Rua João Luis de Moura 95. 2530-158 Lourinhã, museulourinha.org  39.242002, -9.313247
Museu Nacional de História Natural
Rua da Escola Politécnica 56, 1250-102 Lisboa ,  38.717649, -9.150850


Referências:
Antunes, M. T., & Mateus, O. (2003). Dinosaurs of Portugal. Comptes Rendus Palevol2(1), 77-95.

de Lapparent, A. F., & Zbyszewski, G. (1957). Les dinosauriens du Portugal(No. 2). Direction Générale des Mines et Services Géologiques.

terça-feira, abril 29, 2014

Doutorando Christophe Hendrickx a estudar terópodes

Christophe Hendrickx (FCT-UNL)
Um dos temas de investigação em paleontologia em Portugal tem sido os dinossauros terópodes. Em particular a evolução de dentes e ossos cranianos com dentes tem sido o tema de tese de Christophe Hendrickx. Nascido na Bélgica aos 4 de Maio de 1983, tem uma paixão por dinossauros e paleontologia de vertebrados desde criança. Para realizar seu sonho de se tornar um paleontólogo, ele fez uma licença de geologia da Universidade de Liège (Bélgica) durante 5 anos e mestrado em Paleobiologia da Universidade de Bristol (Inglaterra), antes de encontrar um projeto de pesquisa de doutorado sobre dinossauros na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Seu projeto de pesquisa consiste em compreender a evolução dos dentes e alguns ossos do crânio em dinossauros carnívoros (terópodes), o que o tem feito viajar para Argentina, Estados Unidos e Europa para visitar coleções. Ele participou de várias temporadas de escavação na França, Rússia e Portugal. É o autor do dinossauro Torvosaurus gurneyi.


PHD Topic: Evolution of teeth and feeding-related bones in non-avian theropods (started in 2010)

Website on Spinosauridae (in French): http://spinosauridae.fr.gd/




Hendrickx, C., Araújo, R. and Mateus, O. 2012. The nonavian theropod quadrate: systematic usefulness, major trends and phylogenetic morphometrics analysis. 72nd Annual Meeting Society of Vertebrate Paleontology, Raleigh, USA. (October 17-20, 2012), Program and Abstracts 110.
Christophe Hendrickx e Octávio Mateus (FCT-UNL)
Hendrickx, C. and Buffetaut, E. 2008. Functional interpretation of spinosaurid quadrates (Dinosauria: Theropoda) from the Mid-Cretaceous of Morocco. 56th Annual Symposium of Vertebrate Palaeontology and Comparative Anatomy. Dublin (September 2nd-6th 2008) 25–26.

Os dentes dos dinossauros carnívoros megalossauros

Hendrickx, C., Mateus O. & Araújo R. (2014). The dentition of megalosaurid theropods. Acta Palaeontologica Polonica. in press,
Dente de dinossauro terópode e dentículos (Hendrickx et al., 2014)

Resumo:
Dentes de terópodes são particularmente abundantes no registro fóssil e frequentemente mencionados na literatura. No entanto, a dentição de muitos terópodes não foi descrita de forma abrangente, sendo frequentemente omitindos os detalhes sobre a forma dos dentículos, ornamentação da coroa e textura do esmalte, etc. Esta escassez de informações tem sido particularmente notável em clados basais dos dinossauros terópodes, tornando a identificação dos dentes isolados difícil, e as atribuições taxonómicas incertas. Aqui fornecemos uma descrição detalhada da dentição dos Megalosauridae e uma comparação de dentes superficialmente semelhantes de todos os principais clados de terópodes .
Os dentes de dinossauros megalossaurídeos são caracterizados por uma carina mesial projectada mesiolabialmente em dentes mais mesiais nos dentes laterais, carina mesial terminando acima do cervix, e sulcos interdenticular curtos a bem desenvolvidos entre dentículos distais. A análise discriminada realizada numa base de dados numéricos de dentes de 62 taxa de terópode revela que os dentes de megalosaurídeos são dificilmente distinguíveis de outros clados de terópodes com dentição zifodonte. Este estudo destaca a importância de detalhar descrições anatómicas e fornecendo dados morfométricos adicionais sobre os dentes, com a finalidade de ajudar a identificar os dentes terópodes isolados.

Abstract:
Theropod teeth are particularly abundant in the fossil record and frequently reported in the literature. Yet, the dentition of many theropods has not been described comprehensively, omitting details on the denticle shape, crown ornamentation and enamel texture. This paucity of information has been particularly striking in basal clades, thus making identification of isolated teeth difficult, and taxonomic assignments uncertain. We here provide a detailed description of the dentition of Megalosauridae, and a comparison to and distinction from superficially similar teeth of all major theropod clades.

Megalosaurid dinosaurs are characterized by a mesial carina facing mesiolabially in most mesial teeth, centrally positioned carinae on both most mesial and lateral crowns, a mesial carina terminating above the cervix, and short to well-developed interdenticular sulci between distal denticles. A discriminant analysis performed on a dataset of numerical data collected on the teeth of 62 theropod taxa reveals that megalosaurid teeth are hardly distinguishable from other theropod clades with ziphodont dentition. This study highlights the importance of detailing anatomical descriptions and providing additional morphometric data on teeth with the purpose of helping to identify isolated theropod teeth in the future.

quarta-feira, abril 09, 2014

É bom ter heróis...

Estes são alguns dos meus heróis...

Ilustres cientistas: gigantes da paleontologia e da evolução.

Desafio: ofereço um livro autografado a quem primeiro me indicar o nome destes ilustres cientistas da evolução e da paleontologia aqui representados. Octávio Mateus, 9.4.2014

terça-feira, abril 08, 2014

Os factores físicos que influenciam a evolução dos mosassauros

Apresentamos novos estudo liderado por Michael Polcyn (SMU) sobre a influência de vários factores físicos na evolução dos mosassauros.

Resumo:
Mosassauros são lagartos marinhos com uma história de 32,5 milhões anos desde a sua aparição aos 98 Ma até à sua extinção na fronteira K- Pg (65,5 Ma). Usando uma base de dados de 43 géneros e  94 espécies, comparamos a diversidade e os padrões de disparidade morfológica na mosassauros com o nível do mar, a temperatura da superfície do mar, e as curvas de isótopos de carbono estáveis ​​para o Cretácico Superior para explorar os factores que podem ter influenciado a sua evolução. Não existe nenhum factor único inequivocamente responsável por todas as radiações, diversificação e extinção; no entanto, os padrões mais amplos de diversificação taxonómica e a disparidade morfológica apontam para uma diferenciação de nicho, com cenários "fishing up" sob a influência de pressões seletivas de base ("bottom-up"). A força mais provável na evolução dos mosassauros foi elevada produtividade no Cretácico Superior , impulsionada pelo nível do mar controlado tectonicamente e estratificação oceânica climaticamente controlada e a disponibilidade de nutrientes. Os mosassauros extinguem-se quando a produtividade colapsa no final do Cretácico, coincidindo com impacto do meteorito.

Evolução dos mosassauros (Polcyn et al., 2014).
Abstract:
Zonas de upwelling ao longo do tempo (Polcyn et al 2014)
Mosasaurs are marine squamates with a 32.5 million-year history from their appearance at 98 Ma to their extinction at the K–Pg boundary (65.5 Ma). Using a database of 43 generic and 94 species-level taxa, we compare the taxonomic diversity and patterns of morphological disparity in mosasaurs with sea level, sea surface temperature, and stable carbon isotope curves for the Upper Cretaceous to explore factors that may have influenced their evolution. No single factor unambiguously accounts for all radiations, diversification, and extinctions; however, the broader patterns of taxonomic diversification and morphological disparity point to niche differentiation in a “fishing up” scenario under the influence of “bottom-up” selective pressures. The most likely driving force in mosasaur evolution was high productivity in the Late Cretaceous, driven by tectonically controlled sea levels and climatically controlled ocean stratification and nutrient delivery. When productivity collapsed at the end of the Cretaceous, coincident with bolide impact, mosasaurs became extinct.

Referência:
Polcyn, M. J., Jacobs, L. L., Araújo, R., Schulp, A. S., & Mateus, O. (2013). Physical drivers of mosasaur evolution. Palaeogeogr Palaeoclim Palaeoecol.
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sábado, março 15, 2014

Dinossauros colocam Lourinhã na BBC

Os dinossauros colocam Lourinhã na BBC com o artigo "The Portuguese town where dinosaurs once roamed" assinado pela jornalista da BBC em Lisboa, Alison Roberts, que aqui replicamos:


The Portuguese town where dinosaurs once roamed


Octavio MateusPalaeontologist Octavio Mateus shows a tooth belonging to the newly identified predator

The recent identification in Portugal of what scientists believe to be the largest predator ever to roam the European landmass is just the latest boost for a small town that has become known as "land of the dinosaurs".
It is also the latest chapter in the fairytale story of a local boy who made his first big discovery at the age of nine - of a huge tooth from this same dinosaur - and who today leads the research project whose findings have been making headlines worldwide.
In a laboratory piled high with fossils, Octavio Mateus holds up a tooth the size of a dagger from the newly identified species - just like the one he found as an excited child.
"With this blade-like tooth you can clearly see the serration - this was a fierce predator," he explains. "Compare it with Tyrannosaurus rex, which has teeth like bananas - they are very round in cross-section, adapted to crush through bone - while these were to cut through flesh.

Start Quote

What the museum gives to Lourinha is not only the fossils but their identity: People see in dinosaurs part of themselves”
Octavio MateusPalaeontologist
"This shows different feeding strategies in the evolution of these animals, although they are superficially similar."
Now 38, Octavio is a professor at Lisbon's Universidade Nova (New University), where he teaches the country's first-ever degree in palaeontology.
But he still spends plenty of time here at the museum in Lourinha, 50km (30 miles) north of the capital, that his parents helped found 30 years ago to house rich local ethnographical and archaeological finds.
Jurassic trove
Ironically, the paleontological section was something of an afterthought. Today, hugely expanded, it is the big draw that brings some 25,000 visitors a year to a town with a population of just 7,000.
The truth is that Lourinha has just two claims to fame. The area is one of only three officially recognised producers of brandy (the others being the more famous Cognac and Armagnac, both in France), and its rocks are, thanks to their geology and accessibility - above all in cliffs along the Atlantic coast - a treasure trove of Jurassic-era fossils.
Dinosaur roundabout in LourinhaLourinha proudly lives up to its claim of being the "land of the dinosaurs"
Bakery in Lourinha...with many shops using cartoons of the prehistoric creatures in their logos
Bakery in LourinhaThis bakery even displays a massive fossilised leg bone next to its delicious pastries
As the finds have multiplied and the museum's displays grown, locals have taken ever more pride in their unique heritage.
Lourinha businesses often have the word "dino" in their name, and many logos feature a cartoon version of one of the extinct beasts. In one cafe, a massive fossilised leg bone stands, like a pillar, next to the pastry counter.
Welcome signs at the town entrance inevitably feature a rampant dinosaur, and one roundabout is dominated by large metal silhouettes of three of the beasts. Dinosaur-themed souvenirs abound.
All the fuss is justified. The museum - housed in the old town courthouse - boasts a collection of dinosaur fossils from the Upper Jurassic that is the largest in Iberia and among the most important in the world.
Lou-Octavia Morch, an art student from France who is torn between specialising in archaeological and paleontological drawing, says Lourinha is ideal for either. This is thanks to remains from a necropolis nearby and other ancient sites, as well as the famous fossils.
"It's inspiring for both," she says as she sketches a human skull, as part of her two-month spell at the museum. "It's amazing, full of lots of things to study here. I could stay years."
Dinosaur-related items on display range from complete skeletons to a fossilised nest with dozens of eggs, crushed but still in place, with hundreds of pieces of shell visible as well as the remains of two embryos.
The nest was just one of the many breathtaking finds made by the Mateus family during outings that, for Octavio, began when he was little more than a toddler.
"I was virtually born in a dinosaur's nest," he jokes.
If you want to get children interested in science, it is hard to think of a better way than for them to dig up a dinosaur.
Few can boast of having dug up several - and of going on to identify whole new species.
Family affair
One of the dinosaurs to be found in the museum is the predatorLourinhanosaurus, identified as a new species by Octavio himself while he was still a biology undergraduate.
"This species received the name of the town, which for us is a bit iconic," he stresses.
Simao MateusOctavio Mateus's brother, Simao, organises guided tours in the museum
In the course of his research career, Octavio has not only continued to make major finds in Portugal, but discovered both Angola's and Bulgaria's first dinosaurs.
His latest field trip was to Greenland, as part a team that discovered fossils from two phytosaurs - large reptiles that are similar to crocodiles but from the Triassic era, 200 million years ago.
But the Lourinha museum, in whose lab he spends hours preparing local fossils, is clearly a special place for him.
In its palaeontology section hangs a giant fossilised skull from the dinosaur that - as a result of the study published by Mateus and his collaborator in Lisbon, Christophe Hendrickx - has now been given the name Torvosaurs gurneyi.
Size comparisonThis diagram gives some sense of how big the Torvosaurs gurneyi would have been
That distinguishes it from Torvosaurus tanneri, whose remains are found in rocks of a similar age in North America, known as the Morrison formation.


Both of these theropods - two-legged carnivores - roamed the Earth some 150 million years ago (80 million before T-rex) but, according to the new analysis, had evolved into separate species after the last land bridges between Europe and America disappeared.
Palaeontology in Lourinha remains something of a family affair. Octavio's father Horacio - the driving force in founding the museum - passed away last year, but his brother Simao brims with enthusiasm in guiding visitors around the displays. He recently completed a master's in museology and his sister Marta has also done stints as a volunteer.
Upper-jaw partThe upper-jaw bone, or maxilla, has enabled the scientists to put the dinosaur in context
Simao, who also writes and illustrates children's books about dinosaurs, provided sketches for Octavio's latest research paper.
For the town, these long-extinct beasts have brought fame and a strong sense of community.
"What the museum gives to Lourinha is not only the fossils but their identity," says Octavio. "People see in dinosaurs part of themselves."
The museum is a community venture, with everyone from the director to the secretary working for free, making it largely self-financing. The town council provides one fifth of its budget - clearly a good investment.
"It wouldn't be possible in any other way to have the name of this municipality spread as it is," points out Octavio. "The brandy is considered one of the best in the world, but dinosaurs have a very large impact."



Alison RobertsLou-Octavia Morch says the research is 'amazing'

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quinta-feira, março 13, 2014

Próximas palestras Março e Abril 2014




Este Março e Abril temos três palestras em cidades bem distantes do país:

28 de Março, Sexta-feira, 21:30: Bragança
No Centro Ciência Viva de Bragança: palestra "Um dinossauro e um pastel de nata, por favor!" enquadrada nas conversas Café de Ciência.
3 de Abril, Quinta-feira, 10:00: Évora
Escola Secundária Gabriel Pereira, de Évora

13 de Abril, Domingo, 15:30: Faro
Enquadrado no XVII Encontro Nacional de Estudantes de Biologia (ENEB) a decorrer entre 11 a 15 de Abril de 2014: "Paleobiologia dos dinossauros, com destaque para os exemplos portugueses".

Estas palestras serão proferidas pelo Prof. Octávio Mateus (FCT-UNL)

quarta-feira, março 05, 2014

Nova espécie de dinossauro encontrado em Portugal é o maior predador terrestre da Europa



Uma nova espécie de dinossauro descoberta em Portugal é o maior dinossauro carnívoro do Jurássico e o maior predador terrestre descoberto na Europa. O estudo foi anunciado por paleontólogos da FCT-Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã. Torvosaurus gurneyi, um primo distante do Tyrannosaurus rex, estava no auge da cadeia alimentar na Península Ibérica 150 milhões de anos.


Material pertencente a este dinossauro foi descoberto 70 km ao norte de Lisboa e pensado para ser Torvosaurus tanneri, uma espécie da América do Norte. Primeiro foi encontrado um osso da perna, posteriormente, noutro local, um maxilar superior, dentes, e uma vértebra da cauda por um amador e doado ao Museu da Lourinhã. O dinossauro foi estimado atingir 10 metros de comprimento e peso de 4 a 5 toneladas. "Este não é o maior dinossauro predador pois o Tyrannosaurus , Carcharodontosaurus e Giganotosaurus do Cretácico eram maiore" disse Christophe Hendrickx da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã e primeiro autor do estudo. "Com um crânio de 115 cm, Torvosaurus gurneyi foi, porém, o maior carnívoro terrestre nesta época, o Jurássico, e um predador ativo que caçavam outros grandes dinossauros como evidenciado pelos dentes forma de lâmina até 10 cm".
O novo dinossauro é a segunda espécie de Torvosaurus a ser conhecida e é o equivalente europeu de Torvosaurus tanneri da América do Norte. Ambas as espécies foram descobertos em rochas da mesma idade geológica e viviam em ambientes semelhantes dominados por dinossauros. "A fauna do que é hoje Portugal foi extremamente diversificada no final do Jurássico", disse Octávio Mateus , da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã , e co -autor do estudo . "Esta nova espécie de dinossauro carnívoro vem aumentar um pouco mais a diversidade de dinossauros de Portugal. E mostra que estava em prática um mecanismo de especiação que ocorreu durante o Jurássico, quando o Atlântico já estava bem formado e a Europa era um arquipélago" adianta Mateus.
O nome gurneyi homenageia os ilustradores de dinossauro, nomeadamente o artista James Gurney, criador e ilustrador da série de livros Dinotopia que fascinou Hendrickx : "Sempre admirei a reconstrução deste mundo utópico , onde dinossauros e humanos vivem juntos, ele também é um excelente artista e pedagogo".
Torvosaurus by Scott Hartman

Torvosaurus gurneyi pertence aos terópodes, um grupo de dinossauros bípedes que deram origem às aves. Embriões de dinossauros descritos recentemente de Portugal também são atribuídas às novas espécies de Torvosaurus.
A descrição detalhada, em que a espécie recebe o seu nome científico, foi publicada na revista PLoS ONE.

Torvosaurus gurneyi (arte por Sergey Krasovskiy http://atrox1.deviantart.com/gallery)



Hendrickx, C., Mateus, O. 2014 Torvosaurus gurneyi n. sp., the largest terrestrial predator from Europe, and a proposed terminology of the maxilla anatomy in nonavian theropods. PLOS One.
http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0088905

sábado, março 01, 2014

Sobre o foraminífero Anchispirocyclina lusitanica

 Anchispirocyclina lusitanica (Egger 1902)

A cronologia e estratigrafia do Jurássico superior continental em Portugal é difícil de estudar devido à falta de bons fósseis de idade, indicadores de uma idade que possa ser correlacionada com outras áreas. Um boa excepção, contudo, é um foraminífero chamado Anchispirocyclina lusitanica (Egger, 1902).
Anchispirocyclina lusitanica com indicações originais manuscritas por Paul Choffat (Maync, 1959)

A sua distribuição alargada que inclui a península arabica, Turquia, Norte de África, Balcãs, Suíça, França, Espanha, Cuba, Estados Unidos, Cabo Verde, e Portugal torna esta espécie especialmente útil para correlações ultra-regionais sendo que cronologicamente encontra-se restrita à transição Jurássico-Cretácico (Kimmeridgiano Superior ao Berriasiano), e mais concretamente em Portugal é restrita ao Titoniano Superior a Berriasiano Inferior.

A forma é discoide a reniforme do tamanho de uma moeda de um cêntimo a 5 cêntimos, o que é assinalável para um ser unicelular.
Pode ser encontrada em rochas da transição Jurássico-Cretácico, nomeadamente no Cabo Espichel, e é um excelente indicados que marca o topo da Formação da Lourinhã (Mateus et al., in press).

Este ser unicelular, previamente dentro género Dicyclina e Iberina, estabilizou dentro de Anchispirocyclina. Em Portugal, esta espécie foi estudada por Paul Choffat, Miguel Ramalho (1969), entre outros.

Referências:
Egger, J. G. (1902). Der Bau der Orbitolinen und verwandter Formen. Abhandlungen der mathematischphysikalischen Classe der königlich Bayerischen Akademie der Wissenschaften, 21(3), 577-600.

Ramalho, M. M. (1969). Quelques observations sur les Lituolidae (Foraminifera) du Malm portugais. Bol. Soc. geol. Portugal, 17, 37-50.

Maync, W. (1959). The foraminiferal genera Spirocyclina and Iberina. Micropaleontology, 5(1), 33-68.

Mateus, O, Dinis J, Cunha PP.  In Press.  Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked. Ciências da Terra. special no. VIII