sexta-feira, outubro 11, 2013

O estranho mundo da Welwitschia mirabilis, a planta do tempo do dinossauros

Welwitschia mirabilis de dimensões enormes, em Angola
Uma das principais curiosidades do Deserto do Namibe, no sul de Angola e norte da Namíbia, é a ocorrência de uma estranha planta chamada Welwitschia mirabilis. Trata-se de uma espécie relíquia do tempo dos dinossauros, e é única do teu tipo. É uma planta gnetófita sem verdadeiras flores, mas com um sistema vascular semelhante ao das angiospérmicas.

As welwitschias são conhecidas no registo fóssil do Cretácico Inferior do Brasil, ou seja antes da separação entre a América do Sul e África (que se deu completamente apenas no Cretácico superior). A Welwitschia é por isso um excelente exemplo de uma espécie-relíquia e argumento a favor tectónica de placas. Isto também mostra quão antigo é o deserto do Namibe, pelo menos desde o Cretácico superior, qual como tem vindo a ser demostrado pela nossa investigação em Angola.

Welwitschia mirabilis em estádio de crescimento inicial, em Angola
Na mitologia de Angola estas plantas são por vezes retratadas como carnívoras, o que obviamente não é verdade. Isso não impediu que marca de água tónica e de sapatos que usem o nome comercial Welwitschia.

Cada Welwitschia tem apenas duas única folhas e podem atingir vários metros de diâmetro. São dioicas (indivíduos do sexo feminino ou masculino, separadamente) .

O nome da planta foi dado em honra do botânico austríaco Friedrich Welwitsch que trabalhava para Portugal.



 

Fotos: O. Mateus

quinta-feira, outubro 10, 2013

Filme Discovery sobre dinossauros da Lourinhã


Vídeo do filme Discovery sobre dinossauros da Lourinhã: Dinotasia: Rivals.
Disponível em YouTube.




quinta-feira, outubro 03, 2013

João Pais, paleobotânico

O paleontólogo do mês é o Prof. João Pais, que se aposentou recentemente e que publicou agora um artigo sobre a paleo-flora do Cretácico Inferior.

Lígia Castro, João Pais e Octávio Mateus. 2008.


Paleontólogo catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT UNL, o Prof. João José Cardoso Pais nasceu no em Cabeção, Mora a 14 de Outubro de 1949. Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.
1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degois:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro. Foto por O.M. 2007
Publicou 96 artigos em revistas especializadas e 53 trabalhos em actas de eventos, possui 12 capítulos de livros e 9 livros publicados. Possui 478 itens de produção técnica. Participou em 45 eventos no estrangeiro e 46 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 352 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Engenharia Geológica, Paleobotânica, Cartografia geológica, Paleoecologia, Paleontologia, Arqueobotânica, Arqueozoologia e Educação.

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)


E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo 
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha 

Selecção de obras:

2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003

Vieira, M., Poças, E., Pais, J.,  Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5

2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.

2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.

Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X

2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.



Links:

Concreções... os falsos ovos


Com frequência, as concreções são confundidas com ovos de dinossauros, com ossos ou mesmo com plantas fósseis.

Uma concreção é uma rocha sedimentar formada pela precipitação de cimento mineral, normalmente calcário, dentro dos espaços entre os grãos de sedimentos. As concreções são frequentemente esféricas ou ovais embora também ocorrer formas irregulares, sobretudo como preenchimento de bioturbação.
Como a concreção é frequentemente mais dura que o sedimento em redor, a erosão diferencial faz com que, por vezes, resulte em esferas quase perfeitas que se destacam dos sedimentos.

Por vezes o processo que leva à concreção é induzido pela existência de uma matéria estranhas no seu centro, em ambientes com muito calcário disponível.
Devido à variedade de formas incomuns, tamanhos e composições, concreções foram erradamente interpretadas como ovos de dinossauro, animais e fósseis vegetais (chamados pseudofósseis ou falsos-fósseis). 
Se descobriu algo semelhante e quiser ter a certeza poderá deitar-lhe uma gotas de ácido clorídrico (também conhecido por ácido muriático e 'água forte', usado amiúde como produto de limpeza). Se reagir, isto é se produzir efervescência abundante, trata-se possivelmente de uma concreção.

Link wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Concretion


Reportagem Ciência Viva sobre o "Lisbon Evolution Day"

Reportagem Ciência Viva sobre o "Lisbon Evolution Day"

quarta-feira, outubro 02, 2013

TEDxFCTUNL disponível em Live Stream


Dia 4 de Outubro, sexta-feira,  realiza-se a 2.ª edição das TEDxFCTUNL.
As TEDxFCTUNL promovem a partilha de conhecimento e experiências inspiradores, de oradores de diferentes áreas profissionais e científicas.
Todos os que não podem assistir a este evento ao vivo, poderão acompanhá-lo por Live Stream com o apoio do Laboratório de E-Learning em: http://elearning.fct.unl.pt/webcast-tedxfctunl.html 
Acompanhe-nos em mais um dia memorável!


8:30 Receção aos Participantes
09:00 Abertura
09:10 José Alberto Carvalho
09:30 Octávio Mateus
09:50 Júlia Seixas
10:10 João Pedro Frias
10:30 Isabel Canha
10:50 Pausa para café e convívio
11:20 Miguel Fonseca
11:35 Filme
11:50 Esther Mucznik
12:10 Virginia Staab
12:30 Filme
12:50 Beto Betuk e Armindo Neves
13:10 Almoço e Convívio
14:30 Filme
14:45 Richard Zimler
15:05 António Moita Maçanita
15:25 Palmira Fontes da Costa
15:45 Rodrigo Rodrigues
15:55 Filme
16:10 Pausa para café e convívio
16:40 Nicolau Santos
17:10 Mónica Cid
17:30 Pedro Miguel Pedrosa
17:40 Filme
17:55 Adam Vucetic e Marcela Manso - Tango
18:10 Fecho
18:30 Aula de Tango | Grande Auditório




Veja aqui como chegar à FCT-UNL ou veja no Google Maps.




segunda-feira, setembro 30, 2013

Vertebrados Terrestres do Triásico de Portugal


O Triásico superior (cerca de 237-201.5 milhões de anos atrás) era um intervalo de transição na evolução dos ecossistemas terrestres, durante o qual os clados "modernos", como arcossauros e mamíferos foram irradiando enquanto os grupos "arcaicos", como os anfíbios temnospôndilos e sinapsídeos basais permaneceram abundantes. Pouco se sabe sobre os vertebrados terrestres (não marinhos) no Triásico da Península Ibérica. A Bacia do Algarve, no sul de Portugal, é uma bacia de rift formadoa durante a separação da Pangeia, que é preenchido com siliciclásticos marinhos, terrestres e lacustres da Formação de Grés de Silves, intercalados com basaltos CAMP que marcam a extinção final do Triásico (datado de ~ 198-201,5 Ma). Desde 2009, nosso projeto de campo no Algarve descobriu numerosos espécimes de vertebrados no Grés de Silves, incluindo uma camada de ossos monodominante contendo centenas de espécimes de metopossauros, um grupo peculiar de temnospôndilos que preencheu os nichos predatórias semelhantes ao dos crocodilos em ambientes lacustres e fluviais. Estas amostras parecem pertencer a uma nova espécie de Metoposaurus, semelhante ao M. diagnosticus e M. krasiejowensis da Europa central, mas possuindo várias autapomorfias no crânio e maxilar inferior.
Preparação laboratorial de Metoposaurus
Nós também descobrimos uma mandíbula de um fitossauro, o primeiro espécime desses arcossauriformes longirostro semi-aquáticos da Península Ibérica. Estes taxa são características de uma idade Carniano Noriano e indicam que aquela parte do Grés de Silves é Triássico Superior. Além disso fornece mais provas de que metoposaurídeos e fitossauros foram simpátricos em baixas palaeolatitudes durante este tempo.

Ref:
Brusatte, S. L., Butler R. J., Mateus O., Steyer J. S., & Whiteside J. H. (2013). Terrestrial vertebrates from the Late Triassic of Portugal: new records of temnospondyls and archosauriforms from a Pangaean rift sequence.61st Symposium on Vertebrate Palaeontology and Comparative Anatomy. 15-16., Edinburgh
PDF

quinta-feira, setembro 12, 2013

Estudante de paleontologia Emanuel Tschopp


A Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Univ. Nova, conta, desde há cerca de três anos, com um bolseiro de doutoramento a estudar dinossauros saurópodes, o suíço Emanuel Tschopp. Divulgamos assim o perfil de um estudante internacional de paleontologia radicado em Portugal e a viver na Lourinhã.

Emanuel Tschopp realizou o seu mestrado em paleontologia em 2008 na Universidade de Zurique, na Suíça. Em 2010, ele começou o seu doutoramento no Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Portugal, sob a supervisão do Prof Octávio Mateus. Seus principais interesses investigação são a filogenia e evolução dos dinossauros saurópodes, em particular das faunas do Jurássico Superior  da Formação de Morrison nos EUA e da Lourinhã em Portugal, onde também participou de várias campanhas de escavação.
E. Tschopp e O. Mateus descreveram recentemente uma nova espécie de saurópode, Kaatedocus siberi, e postulam sobre a existência do osso interclavícula em saurópodes que previamente se pensava ser ausente em dinossauros.
Os projetos em curso são a análise filogenética dos saurópodes diplodocídeos baseada em espécimes, uma revisão de Camarasaurus, e uma análise morfométrica 3D da coluna vertebral de saurópodes.


Tema de tese: Evolução dos dinossauros saurópodes diplodocídeos com ênfase em amostras de Howe Ranch (Wyoming, EUA)


Obras publicadas:

Tschopp, E., & Dzemski, G. (2012). 3-dimensional reproduction techniques to preserve and spread paleontological material–a case study with a diplodocid sauropod neck. Journal of Paleontological Techniques, 10, 1-8.

Tschopp, E., & Mateus, O. (2012). The skull and neck of a new flagellicaudatan sauropod from the Morrison Formation and its implication for the evolution and ontogeny of diplodocid dinosaurs. Journal of Systematic Palaeontology, (ahead-of-print), 1-36.

Tschopp, E., & Mateus, O. (2012). A sternal plate of a large-sized sauropod dinosaur from the Late Jurassic of Portugal. Fundamental, 20, 263-266.

Christiansen, N. A., & Tschopp, E. (2010). Exceptional stegosaur integument impressions from the Upper Jurassic Morrison Formation of Wyoming. Swiss Journal of Geosciences, 103(2), 163-171.

Tschopp, E., & Mateus, O. (2013). Clavicles, interclavicles, gastralia, and sternal ribs in sauropod dinosaurs: new reports from Diplodocidae and their morphological, functional and evolutionary implications. Journal of anatomy.

Tschopp, E., Russo, J., & Dzemski, G. (2013). Retrodeformation as a test for the validity of phylogenetic characters: an example from diplodocid sauropod vertebrae. Palaeontologia Electronica, 1998, 16.


terça-feira, setembro 10, 2013

Mestrado em Paleontologia: 2ª fase de candidatura

Última oportunidade para inscrição no Mestrado de Paleontologia após a 1ª fase de candidatura bem sucedida.

Como é um mestrado partilhado entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA e a Universidade de Évora, as candidaturas podem ser feitas em dois locais:

No passado 5 de Setembro este mesmo mestrado foi mencionado no Portugal em Directo, na RTP,  http://www.rtp.pt/play/p47/e127786/portugal-em-direto (às 18:07, 1ª parte, e 18:48, na 2ª parte)

segunda-feira, setembro 09, 2013

Vídeo das escavações na Gronelândia

Em Julho de 2012 participámos numa expedição internacional à Gronelândia onde descobri um fitossauro do Triásico. Aqui vai um excerto to vídeo da escavação, filmado por Dr. O. Wings.

domingo, setembro 08, 2013

Dinossauros na TEDx na FCT-UNL

Dia 4 de Outubro os dinossauros também estarão na TEDx na FCT-UNL ! TED, Technology, Education and Design, reúne algumas das mais fascinantes palestras: inspiradoras, fascinantes e informativas. Valem a pena ver em www.ted.com.


Links úteis:
www.tedxfctunl.com
www.ted.com
www.fct.unl.pt

PaleoAngola na Geological Society of America

O nosso trabalho do Projecto PaleoAngola, que em Portugal envolve a Faculdade de Ciências e Tecnologia e o Museu da Lourinhã, está em força no congresso de geologia dos Estados Unidos, GSA, Geological Society of America - Annual Meeting, a decorrer de 20 a 27 de Outubro em Denver, Colorado. Apresentamos as seguintes três comunicações científicas sobre os vertebrados fósseis de Angola:

Vista panorâmica de Bentiaba.


A marine vertebrate assemblage from the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola
A single, geographically and temporally restricted horizon, Bench 19, at the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola, preserves a dense concentration of skeletons and isolated elements representing sharks, rays, bony fish, three species of turtles, two species of plesiosaurs, and at least seven species of mosasaurs. Nearly all of the amniote specimens show evidence of scavenging by sharks. 

Polcyn, M. J., Jacobs L. L., Mateus O., Schulp A. S., Strganac C., Araújo R., Graf J. F., Vineyard D., & Myers T. S. (2013).  A marine vertebrate assemblage from the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7,


Cabinda revisited: age and environment of new Cenozoic vertebrate fossils from northern Angola
In the early 20th century, Belgian naturalists reported Paleocene and Eocene sharks, the bothremydid pleurodiran turtleTaphosphrys (formerly Bantuchelys), and a neosuchian and the dyrosaurid crocodyliform Congosaurus from coastal outcrops near Landana in the northern province of Cabinda, Angola. In 1935, rare and fragmentary mammals were reported from strata at Malembo Point, south of Landana, and originally considered to be Miocene in age. 

Jacobs, L. L., Myers T. S., Gonçalves A. O., Graf J. F., Jacobs B. F., Kappelman J. W., Mateus O., Polcyn M. J., Rasbury E. T., & Vineyard D. P.(2013).  Cabinda revisited: age and environment of new Cenozoic vertebrate fossils from northern Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7.


Late Cretaceous marine reptiles and cooling at the South Atlantic coast inferred through stable oxygen isotopes of Inoceramus from the Namibe Basin, Angola

Strganac, C., Jacobs L. L., Ferguson K. M., Polcyn M. J., Mateus O., Schulp A. S., & Morais M. L. (2013).  Late Cretaceous marine reptiles and cooling at the South Atlantic coast inferred through stable oxygen isotopes of Inoceramus from the Namibe Basin, Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7.

The opening of the South Atlantic Ocean enhanced global ocean circulation and contributed to the transition from warmer temperatures during the middle Cretaceous to cooler climates characterizing much of the Cenozoic. We present δ18O values derived from bivalve shells to elucidate nearshore temperature change in southern Angola during the Late Cretaceous development of the South Atlantic Ocean. Inoceramus and other bivalve shells were recovered from marine sediments at Bentiaba, Angola, that overlie non-marine redbeds deposited during the initial rifting of Africa and South America. The section is anchored by a radiometric age of 84.6 Ma on an intercalated basalt and the δ13C stratigraphy derived from shells is correlated to global carbon isotope events from the Late Cenomanian to Early Maastrichtian. The δ18O stratigraphy derived from shells indicate an overall increase from -4.5‰ in the Late Cenomanian to -1.2‰ in the Late Campanian, which is a similar trend observed in oxygen isotopes in foraminifera globally. Assuming a constant oceanic δ18O value, the change in oxygen isotopes reflects cooling of ~15° for the shallow marine environment at Bentiaba. Early to Late Campanian inoceramids yield the highest δ18O values, between -1‰ to -2‰, and are offset by about +1‰ from published records for benthic foraminifera and bathyal Inoceramus at Walvis Ridge. This offset in δ18O values indicate a temperature difference of ~5° between coastal and deeper water offshore Angola prior to the latest Campanian. The stratigraphic distribution of marine reptile fossils coincides with cooler temperatures at Bentiaba implied by more positive δ18O values derived from bivalves. A diverse marine reptile fauna has been recovered from Bench 19 that was deposited at the Campanian-Maastrichtian Boundary during a time of increased global ocean connectivity and circulation of cooler productive high latitudinal waters. This pattern aligns with the larger context of the mosasaur record, which indicates productivity driven evolution accompanied by an increase in size disparity, in diversity, and in niche differentiation.


O Projecto PaleoAngola envolve várias instituições científicas entre as quais:
  • Southern Methodist University, Dallas, EUA
  • Depart. de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa,
  • Natuurhistorisch Museum Maastricht, Maastricht, Netherlands, 
  • Faculdade de Ciências, Universidade Agostinho Neto,Angola
  • Museu da Lourinhã

Estes e outros artigos sobre Angola estão disponíveis aqui.

sábado, setembro 07, 2013

Strati 2013- fotos da saída de campo

Decorreu em Lisboa em Julho passado, o Strati 2013, o 1º Congresso Internacional de Estratigrafia, e organizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova. Teve a representação de mais de quatro dezenas de países que apresentação cerca de 300 comunicações científicas. Um sucesso!

O congresso tinha várias visitas de estudo (fieldtrips) e a mais orientada para os dinossauros era a "Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked" organizada por Octávio Mateus (FCT-UNL), Jorge Dinis (FCT-UC) e Pedro Proença e Cunha (FCT-UC).

Referência bibliográfica:
Mateus, O., Dinis, J, & Cunha P. P. (2013). Upper Jurassic to Lowermost Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal - landscapes where dinosaurs walked. Ciências da Terra. special no. VIII,


Fotografia de grupo










Imagens por O. Mateus, Valentina Mantsurova, e Hernitz-Kučenjak Morana.

sexta-feira, setembro 06, 2013

Reportagem SIC sobre terópode articulado

Vídeo da reportagem SIC de 5.9.2013 sobre terópode articulado descoberto no Jurássico Superior da Lourinhã


.


quinta-feira, setembro 05, 2013

Fotos da campanha de verão... recolhendo uma pegada gigante

Estas são algumas imagens da campanha de paleontologia de Verão, na Lourinhã.


Recolhendo uma pegada gigante.


terça-feira, setembro 03, 2013

Os crustáceos do Mesozóico de Portugal




Nem só de dinossauros vive o Homem... e amiúde aparecem uns quantos invertebrados interessantes. Por isso, juntamente com Carlos Neto de Carvalho, do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional e Adiël Klompmaker, da Universidade da Florida, fizemos a resenha do que se conhece se crustáceos do Jurássico e Cretácico de Portugal, que foi apresentada no congresso da especialidade "5th Symposium on Mesozoic and Cenozoic Decapod Crustaceans".

Glyphea sp., um dos crustáceos semelhante a lagosta, do Jurássico Superior de Portugal.
Referência:
Mateus, O., Neto de Carvalho C., & Klompmaker A. A. (2013). Decapod crustacean body and ichnofossils from the Mesozoic of Portugal. 5th Symposium on Mesozoic and Cenozoic Decapod Crustaceans. , 25–27 June 2013, Warszawa: Polish Geological Institute − National Research Institute & AGH University of Science and Technology
PDF aqui.

Abstract:
The decapod crustaceans body fossils from the Mesozoic of Portugal are restricted to the Oxfordian-Kimmeridgian and Lower Cretaceous deposits from the Lusitanian Basin. At least the following genera are known: Longodromites, Pithonoton, Eodromites, Magila, Meyeria, Mecochirus, and Glyphea. Wehner (1988: p. 132) listed three crabs from the mid-Oxfordian Cabaços Formation? (Torres Vedras): the longodromitid Longodromites excisus (von Meyer, 1857), and goniodromitid including Pithonoton marginatum (von Meyer, 1842) and Eodromites grandis (von Meyer, 1857). The axiid shrimp Magila sp. was reported by Werner (1986) from the Thracia-Corbulomima assemblage (Early Kimmeridgian) at Consolação (Peniche municipality). Three lobster genera are known: Mecochirus Germar, 1827 (Mecochiridae) is reported from the Kimmeridgian Alcobaça Formation at Barrio (F.T. Fürsich, 1999 in http://paleodb.org); Meyeria rapax (Harbourt, 1905) is known from the Barremian Boca do Chapim Formation (Neto de Carvalho et al., 2007); and Glyphea von Meyer, 1835 (Glypheidae) is here documented from Kimmeridgian sediments from Praia dos Salgados (collected by OM, 2000). In these specimens (FCT-UNL 703; fig. 1), the branchiocardiac and postcervical grooves are similar to Glyphea spp. as in Amati et al. (2004), Feldmann and Maxwell (1999), and Feldmann and De Saint Laurent (2002). Additionally, several indeterminate decapods from the Kimmeridgian of São Martinho do Porto are reported here (collected by OM, 2000).
Besides body fossils, the Mesozoic of Portugal has yielded several ichnotaxa produced by crustaceans including burrows and fecal pellets (or microcoprolites). Fürsich (1981) recognized the presence of several ichnotaxa in the Late Jurassic of the Lusitanian Basin, namely: Diplocraterion habichi (Lisson, 1904), D. parallelum Torell, 1870 (both perhaps produced by shrimp), Ophiomorpha isp. (?shrimp), Psilonichnus tubiformis Fürsich, 1981 (crab), Rhizocorallium irregulare Mayer, 1954 (?crustacean), and Thalassinoides suevicus (Rieth, 1932) (lobster). All represent burrow structures. Neto de Carvalho et al. (2010) unequivocally showed that the lobster Meyeria rapax was the producer of the burrow Thalassinoides suevicus and provided an overview of Lower Jurassic–Upper Cretaceous ichnofossils from Portugal (Lusitanian Basin) and added the crustacean burrows Asterosoma ludwigae Schlirf, 2000, (?decapod, see also Neto de Carvalho and Rodrigues, 2007) Macanopsis plataniformis Muñiz and Mayoral, 2001 (crab), and Rhizocorallium jenense Zenker, 1836 (?crustacean). The oldest burrows are known from the Sinemurian extending to the Cenomanian (Rhizocorallium and Thalassinoides). In addition to burrows, crustacean microcoprolites are also known. Ramalho (1971) recognized Favreina cf. F. salevensis (later identified as Favreina guinchoensis Brönniman, 1976) from the Late Jurassic, and also found some Favreina coprolites from the Valanginian of Portugal. Leinfelder in Schweigert et al. (1997) reported on the microcoprolites Petalina hexalunulata Leinfelder, 1997 and Favreina prusensis (Paréjas, 1948) from the Kimmeridgian Ota Limestone. Favreina is known from the Sinemurian to the base of the Valanginian in Portugal.
Decapod trace fossils are preserved commonly in environments where body fossils may be found, but are usually rare. Therefore, a combined study involving both body and trace fossils provide a more thorough assessment of the evolutionary and biogeographic history of decapods.

Novo fóssil de dinossauro carnívoro descoberto na Lourinhã


Museu da Lourinhã descobre novo fóssil de dinossauro carnívoro e termina agosto com uma mão cheia de novos achados de dinossauros.

Terminou na semana passada mais uma campanha de verão do GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã – que tradicionalmente concentra as suas escavações nesta altura do ano, nos afloramentos do Jurássico Superior da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos.
Este ano, os resultados incluíram pegadas e ossos, com destaque para um dinossauro carnívoro de pequeno porte, com menos de dois metros de comprimento. Este esqueleto de dinossauro não está completo, mas está muito bem conservado e articulado (com os ossos na posição anatómica, tal como em vida), o que é muito raro. A análise preliminar indica que poderá tratar-se de um representante de um grupo de dinossauros carnívoros raros em Portugal, os celurossauros.
A campanha, que contou com escavação, prospeção, e trabalho de laboratório, foi coordenada pelo paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e reuniu cerca de uma dezena de voluntários que colaboram regularmente com o GEAL – Museu da Lourinhã.
Foram recolhidas pegadas de dinossauros saurópodes, ornitópodes e de pterossauros. Uma das pegadas de saurópode, com 120 cm de comprimento, é uma das maiores que se conhecem. Também se descobriram pequenos fósseis, dos quais se destaca a mandíbula de um mamífero, o que é igualmente raro.
O material recolhido está agora no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã e vai necessitar de preparação e estudo até se compreender exatamente as espécies a que pertencem os fósseis agora recolhidos e a importância dos mesmos. O GEAL recebe voluntários que queiram ajudar na preparação laboratorial de fósseis.







quarta-feira, agosto 21, 2013

Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro

Notícia do Jornal Público de 27 de Julho sobre a exposição temporária de ovos de dinossauro:


Museu da Lourinhã assinala 20.º aniversário da descoberta de ovos de dinossauro

Um dos achados mais importantes do país.

Um dos achados na Lourinhã DANIEL ROCHA

O Museu da Lourinhã inaugura este sábado uma mostra temporária que assinala os 20 anos da descoberta do “ninho [de dinossauros] de Paimogo”, considerado um dos achados paleontológicos mais importantes do país.
“Ovos, ossos e dentes de embrião” são alguns dos achados que, entre este sábado e 15 de Setembro, podem ser vistos no Museu da Lourinhã, assinalando “um dos achados mais importantes da história da paleontologia em Portugal”, disse à Lusa Hernani Mergulhão, presidente do GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã.

O “ninho de Paimogo” foi descoberto em 1993 nas arribas com o mesmo nome, no concelho da Lourinhã, e mantém-se ainda hoje “como um dos mais interessantes ninhos fósseis conhecidos e estudados cientificamente”, acrescentou o mesmo responsável.

O ninho foi escavado e estudado por equipas do GEAL, revelando-se “de importância mundial”, devido à presença de “embriões bem conservados e à grande quantidade de ovos”.

Da mostra fazem igualmente parte vestígios do “ninho de Porto das Barcas”, outras das descobertas estudadas pelos investigadores do GEAL que tornaram o Museu da Lourinhã “pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros”.

Avanços que, sublinhou Hernâni Mergulhão, permitiram aos investigadores “romper alguns mitos que havia e revelar novos conhecimentos sobre a estrutura dos ovos de dinossauro”, entretanto publicados pela revistaScientific Reports.

Sem fugir ao rigor científico, mas também sem descurar a “vertente lúdica” a exposição comemorativa dos 20 anos da descoberta do ninho é complementada com elementos documentais que explicam as características e forma de vida das respectivas espécies.

A expectativa dos organizadores é que a mostra “atraia um grande número de visitantes”, dado ocorrer nos meses de Verão e tendo em conta que no mês de Agosto do ano passado foi batido o recorde dos cinco mil visitantes.

A exposição pode ser visitada todos os dias do mês de Agosto, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30, com visitas guiadas às 11h00, 15h00 e 17h00. Durante o mês de Setembro, estará patente de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00, com visitas guiadas às 11h00, 15h00.

terça-feira, agosto 20, 2013

Novas jazidas de ovos de dinossauros carnívoros na Lourinhã

Novas jazidas de ovos de dinossauros carnívoros no Jurássico Superior da Lourinhã!

Estrutura de casca de ovo de dinossauro carnívoro visto a microscópio óptico.

Ribeiro, V., Mateus O., Holwerda F., Araújo R., & Castanhinha R. (2013).  Two new theropod egg sites from the Late Jurassic Lourinhã Formation, PortugalHistorical Biology. (ahead-of-print), 1-12.
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2013.807254#.UhOLTJLFVqI
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Resumo:
São descritos dois novos sítios de casca de ovo de dinossauro do Jurássico superior (Kimmeridgiano tardio) , Casal da Rola e Porto das Barcas, ambos perto Lourinhã, Centro-Oeste de Portugal. Casal da Rola produzu ovos com um morfotipo obliquiprismático comparáveis ​​aos de um ninho com os embriões fósseis associados do Paimogo, tentativamente atribuídas ao terópode Lourinhanosaurus antunesi. O Porto das Barcas ovos têm um morfotipo dendrosferulítico com um sistema de poros prolatocanaliculados. Este morfotipo foi reconhecido também em cascas de ovos de um ninho associados a embriões de Torvosaurus de Porto das Barcas. A análise cladística preliminar da morfologia das cascas sugere afinidades a terópodes para os ovos Casal da Rola, mas é incapaz de resolver a posição filogenética dos ovos Porto Das Barcas. As cascas de ovos em ambos os locais são preservados argilitos e siltitos de planícies de inundação. Concreções de carbonato dos depósitos indicam o desenvolvimento de paleossolos.

Abstract:
Two new Late Jurassic (uppermost Late Kimmeridgian) dinosaur eggshell sites are described, Casal da Rola and Porto das Barcas, both near Lourinhã, central-west Portugal. Casal da Rola yields eggshells with an obliquiprismatic morphotype comparable to those from a nest with the associated fossil embryos from Paimogo, tentatively assigned to the theropod Lourinhanosaurus antunesi. The Porto das Barcas eggshells have a dendrospherulitic morphotype with a prolatocanaliculate pore system. This morphotype was also recognised in eggshells from a clutch with associated Torvosaurus embryos at the Porto das Barcas locality. A preliminary cladistic analysis of eggshell morphology suggests theropod affinities for the Casal da Rola eggs, but is unable to resolve the phylogenetic position of the Porto das Barcas eggs. The eggshells at both sites are preserved in distal flood plain mudstones and siltstones. Carbonate concretions within the deposits indicate paleosol development.