quinta-feira, julho 25, 2013

Expedição PaleoAngola: Blog

Aqui replico o blog da expedição PaleoAngola, disponível em http://www.paleolabs.org/paleoangola/field-blog:

Benguela Area Part 1
Near Benguela, there are extensive outcrops of red beds of silt, mud, and sandstones that are mapped as Albian in age. These red rocks show cross-bedding, bioturbation, and tree trunks that indicate that are terrestrial deposits, and therefore a good candidate for yielding  dinosaur bones. Moreover, we collected a few dinosaur bone fragments from equivalent beds in the Namibe region.


But reality is not always as we wish: a lot of walking... we found no vertebrate fossils. The most significant finding were some beautiful gymnosperm tree trunks.



The Upper Cretaceous marine beds were more productive, and we found many invertebrates, shark teeth, and some marine reptiles pieces, but mostly fragments. These finds are good for building the record, but we keep looking for new localities and fossils that can tell much more about evolution of vertebrates in Angola.

Field Blog 2013 - July 22


Cabinda
On July 16th, Louis Jacobs, Ana Marques, and John Graf flew up to Cabinda. Cabinda is a province to the north separated from the main country by the Republic of Congo.
From July 17th to July 20th, we prospected four beaches which had outcroppings that were of more recent ages. For the last four years, members of Project PaleoAngola have collected samples and measured sections at these localities for the purposes of determining the faunal assemblage of these outcrops and determining the ages of the rocks (something that had not previously been accomplished).
During these four days, we found two new localities that were fossil rich. From these localities, we were able to recover the same types of fossils found at the other localities along with a crocodile genus not described from this area before and an Arsinoitherium tooth.
Arsinoitheres are hippo-like mammals with two large tusks forming a V at the end of their snouts that lived during the Late Eocene and Early Oligocene.

These new fossils will add to the already rich fossil faunal assemblage found in Cabinda and will help narrow down the age of the rocks that they were discovered in.

On July 21st, we flew back to Luanda. On July 22nd, we flew down to Benguela to rejoin Michael and Octavio for the rest of the field season.

Field Blog 2013 - July 18

Malanje Trip

Octávio Mateus and Michael Polcyn drove to the Malange area while Louis Jacobs, John Graf, and Ana Marques went to Cabinda. In Malange (also spelled Malanje) and Lunda Norte provinces are in the north central part of the country and previous reports in Baixa de Cassange have shown a rich fauna of Triassic fossil fishes. These areas haven't been visited by paleontologists since the 1960's so we decided to give it a try.

We arrived to Malange on the evening of the 16th and met with our friend Pedro Vaz Pinto, a biologist that studies the giant sable, the Palanca-Negra-Gigante, the national symbol of Angola.  He has been capturing sables to fit them with radio tracking collars and told us that while they were darting a sable from a helicopter that day, a large male lion tried to take the sable. Fortunately the helicopter scared the lion away and the sable was safely collared. This sighting is extremely significant, being the first large predator in the area since the war ended.

Yesterday (the 17th) we drove to Xá-Muteba (Lunda Norte), the closest town to the Triassic fossil localities. The local authorities alerted us about the possible presence of landmines in the area we wanted to visit, so we met the de-mining team who informed us that the area surrounding the fossiliferous sites has not been completely cleared, so we headed back to Malanje to regroup and plan for the next day.

Today (the 18th) we decide to see the continental Cretaceous formations near Kiwapa Mzoji (former Brito Godins). There are good rock exposures along the  road cuts as the road expansion works progresses. The rocks are a varved mudstone and sandstone with some ripple-marks.... and no fossils. Although we were not able to find any fossils on this leg of the expedition, we did learn a lot about the area, the people and the rocks. In a few years, we expect the mines will be cleared and we will be able to go tot he Triassic localites. Tomorrow, we head back to the coast and plan to base in the port town of Benguela.

Field Blog 2013- July 16

The team met in Luanda on the 12th and after gathering the proper permits, and getting the vehicles and supplies organized, we set out for the localities in the north around the village of Iembe.  This locality has thus far yielded 4 holotypes; Angolasaurus bocagei, Tylosaurus iembeensis,  Angolachelys mbaxi, and Angolatitan adamastor.
Our goals this year for the Iembe locality were threefold. First, we needed to collect fossil molluscs for stable carbon isotope analysis to build a chemostratigraphy of the area which we will compare with the global record to provided better age control for the fossils we have recovered from the site. Second, we needed to revisit previous dig sites to see if any additional material had weathered out of the outcrops, and third, we wanted to prospect for new localities in the area.
We accomplished all of our goals and were especially excited to find a new productive locality to the north of the outcrops that had yielded our previous finds in the area. We found fragmentary material including a disarticulated turtle carpace, plesiosaur limb material, and a disarticulated mosasaur that appears to be Angolasaurus. We collected the plesiosaur limb and Angolasaurus material. Judging from the associated fish and molluscs, we believe this new locality is about the same horizon as the type locality of Angolasaurus and Angolatitan.
We returned to Luanda on the 15th to begin the next leg of the expedition.



segunda-feira, julho 22, 2013

Mestrado em Paleontologia: inscrições abertas

MESTRADO em PALEONTOLOGIA

Candidatura Candidaturas para a 1ª Fase 2013/2014, com ingresso no 1º semestre: de 1 de maio a 31 de agosto de 2013) 
FCT- Universidade Nova de Lisboa:  http://www.fct.unl.pt/candidato/mestrados/mestrado-em-paleontologia
Universidade Évora: http://www.mp.uevora.pt/

Candidatura on-line: https://clip.unl.pt/candidatura/segundo_ciclo (1ª fase: 1 de Maio a 31 de Agosto)

----------------------------------------Destinatários:
1. Candidatos titulares do grau de licenciado, ou equivalente legal de cursos de Biologia, Geologia, Ciências e Engenharia do Ambiente, Engenharia Geológica, Arqueologia, Geografia, Ensino de Biologia e Geologia ou outras áreas afins; 
2. Titulares de um grau académico superior estrangeiro conferido na sequência de um 1º ciclo de estudos organizado de acordo com os princípios do Processo de Bolonha por um Estado aderente a este Processo; 
3. Titulares de um grau académico superior estrangeiro que seja reconhecido como satisfazendo os objetivos do grau licenciado pelo Conselho Científico da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da Universidade de Évora (UE) ou pelo Conselho Científico do Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL); 
4. Detentores de um currículo escolar, científico ou profissional, que seja reconhecido como atestando capacidade para realização deste ciclo de estudos pelo Conselho Científico da ECT da UE ou pelo Conselho Científico da FCT/UNL.
Objectivos:
a) Aprofundar a formação na área da Paleontologia, a fim de adquirir bases sustentáveis para transmissão de conhecimentos relacionados com esta área científica.
b) Adquirir formação científica e técnica no domínio da Paleontologia, permitindo compreender e resolver novos paradigmas em contextos multidisciplinares, nomeadamente para um melhor e mais consciente desempenho de atividades técnicas de classificação e gestão do meio natural, particularmente do Paleontológico, da responsabilidade de entidades públicas (Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e autarquias).
c) Desenvolver capacidades de integração de conhecimentos em situações complexas de âmbito geológico.
d) Desenvolver uma visão crítica sobre o registo fóssil e sua importância para a compreensão dos processos evolutivos.
e) Analisar e discutir os aspectos biológicos dos organismos do passado.
f) Discutir e aplicar teorias, paradigmas e conceitos a fim de obter uma visão global e adequada da História da Terra e da Vida.
g) Adquirir competências e autonomia para a formulação de propostas de projetos científicos a submeter, especialmente, a programas nacionais da responsabilidade da administração central e regional, num país com uma riqueza paleontológica ainda, em boa parte, por explorar.
h) Ganhar competências que permitam continuar a desenvolver e a adquirir formação ao longo da vida nas áreas disciplinares e afins da Paleontologia, com elevado grau de autonomia, nomeadamente a progressão para um 3º ciclo de estudos. 
Saídas Profissionais
  • Empresas do sector Energético (Petróleo, Gás Natural e Carvão)
  • Autarquias e Associações de Municípios
  • Áreas Protegidas
  • Geoparqes
  • Departamentos governamentais
  • Museus
  • Investigação
  • Profissão liberal 
  • Mestrado reconhecido pelo Ministério da Educação para efeitos da aplicação do Artigo 54º do Estatuto da Carreira Docente (DL nº 270/2009 de 30 de Setembro), regulamentado pela portaria nº 344/2008 de 30 de Abril, aos grupos de recrutamento 230 e 520 do 2º ciclo e 3º ciclo de Ensino Básico.
ContactosProfª Ausenda Balbino (acaceres@uevora.pt
Prof. Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt)

quarta-feira, junho 26, 2013

Bartoon: Parque de Dinossauros da Lourinhã

- Vão começar muito em breve as obras do Parque Jurássico da Lourinhã...
... que será o maior parque de dinossauros ao ar livre na Europa.
- Julgo que não haverá dificuldades em povoá-lo. 
Nas Autarquias, no Parlamento... o que não falta aí é bicharada jurássica.

Bartoon de 23.6.2013, por Luís Afonso.

terça-feira, junho 25, 2013

Há 150 anos que se descobrem dinossauros na Lourinhã

Há 150 anos que se descobrem dinossauros na Lourinhã


No passado dia 20 de Junho fez 150 anos sobre a primeira descoberta de um dinossauro em Portugal. Um dente de um dinossauro carnívoro, possivelmente Torvosaurus, descoberto em Porto das Barcas, no concelho da Lourinhã pelo geólogo Carlos Ribeiro, em 1863.
Carlos Ribeiro (1813-1882) foi referido por Lapparent & Zbyszewski (1957: 18), que referem “Coupe du Vale do Portinheiro à Carrasqueira. Cette coupe, faite en 20/6/1863, se place sur la côte entre Praia das Carreiras et Porto de Barcos (Lourinhã). Elle comprend le [sic] succession suivante, observée par Carlos Ribeiro. [...] C.11- Argile micacée gris-verdâtre avec ossements et dents de Dinosauriens, Chéloniens, Poissons et Mollusques divers”. Analisando as figuras 6 e 17 da Estampa XII deparamos com dois dentes de terópode (classificados como Megalosaurus sp. e M. pombali) com a proveniência “Coupe du Vale do Portinheiro à Carrasqueira”, onde Ribeiro trabalhou em 1863. Estes dentes serão, possivelmente, os vestígios colhidos por Carlos Ribeiro e, por conseguinte, os primeiros fósseis de dinossauros reconhecidos em Portugal, em 1863.
Busto do geólogo Carlos Ribeiro (1813-82)  presente no Museu Geológico em Lisboa.
Em Portugal, há evidência de colheitas de fósseis, às vezes trabalhados pelo Homem, desde a Idade do Bronze, mas as primeiras relações documentadas entre o Homem e vestígios de dinossauros remontam à Idade Média. Na jazida da Pedra da Mua (Cabo Espichel) as pistas de dinossauros induziram a lenda da N. Srª da Pedra da Mua. Daí resultou a primeira ilustração de pegadas de dinossauro: na Capela da Memória (em 1410) devido à existência de supostas pegadas de uma mula (mua, em português antigo) um dos dez painéis de azulejos ilustra a Nossa Senhora da Pedra da Mua, em cima de uma mula, deixando um rasto de pegadas.
O primeiro artigo científco sobre fósseis publicado em Portugal deve-se ao Padre Jesuíta João de Loureiro (1717-1791) que tratou de caranguejos fósseis provenientes da Cochinchina (parte do actual Vietname). Loureiro refere os processos de fossilização e propriedades curativas.


Em jeito de provocação: dia 20 de Junho devia ser o Dia Nacional da Paleontologia! :)

Fonte:
Mateus, O.  2005.  Dinossauros do Jurássico Superior de Portugal, com destaque para os saurísquios. Dissertação de Doutoramento,  Universidade Nova de Lisboa. Lisboa. 375 pp.


Referências citadas:
A. F. d.e. Lapparent and G. Zbyszewski. 1957. Les dinosauriens du Portugal. Mémoires des Services Géologiques du Portugal, nouvelle série 2:1-63

quinta-feira, junho 13, 2013

Fitossauro da Gronelândia em exposicão pela primeira vez


Os fitossauros são répteis semelhantes a crocodilos que viveram durante o Triásico. Durante a expedição à Gronelândia no ano passado eu descobri um esqueleto, que vai ser apresentado amanhã pela primeira vez, no museu dinamarquês Moesnsklint Geocenter, em conjunto com muitos outros achados, daquele território: Plateosaurus, temnospôndilos, pegadas, etc.
O blog Lusodinos apresenta, em primeira mão o fitossauro da Gronelândia.

Fitossauro da Gronelândia - Phytosaur from Greenland

Mais ossos continuam a ser preparados em laboratório.

terça-feira, junho 04, 2013

Aulas de Paleontologia de Vertebrados, na Nova

A semana passada foi a minha última aula da Unidade Curricular Paleontologia de Vertebrados deste semestre para o Mestrado em Paleontologia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Aqui fica a foto de grupo para a posteridade.

Simão Mateus, João Russo, Margarida Pereira, João Marinheiro, Octávio Mateus (docente), Rúben Domingos, Diogo Mota. Aula de Paleontologia de Vertebrado 2013. Foto por Emanuel Tschopp.

Anatomia do peixe-lua Mola mola

Muitas vezes os paleontólogos têm de olhar para espécies recentes para compreender a anatomia das espécies fossilizadas. Por isso, hoje estive a dissecar um peixe-lua, Mola mola, pescado ontem (3.6.2013) na nossa costa.
Peixe-lua, Mola mola, anatomia interna. Foto por Octávio Mateus.

Agradecimentos ao João Pedro Correia, que forneceu o espécime, e ao Marco Marzola e Vasco Ribeiro que ajudaram na dissecação.

sexta-feira, maio 31, 2013

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Maxila de embrião de Torvosaurus (desenho de Simão Mateus)
Na Formação da Lourinhã foram descobertos ossos de embriões numa postura de ovos esmagados, numa primeira ocorrência de ovos e embriões de um grupo de dinossauros conhecido como megalossaurídeos, provenientes do Jurássico Superior.
Uma equipa de paleontólogos, como o artigo liderado por Ricardo Araújo, descreveu um elevado número de  cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, que poderão agora ser observados (em laboratório) no Museu da Lourinhã, fundado e mantido pelo GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que possuía já outros fósseis de Torvossauro.
A publicação deste artigo científico na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature, vem dar reconhecimento à mais importante descoberta, na área da Paleontologia de vertebrados, feita em Portugal na última década (pelo menos desde a publicação do ninho de Paimogo, igualmente originária de investigadores que colaboram com o GEAL – Museu da Lourinhã).
Simultaneamente o Museu da Lourinhã torna-se pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros. Foram utilizadas pela primeira vez diversas técnicas inovadoras para o estudo das cascas de ovos de dinossauro (nomeadamente: PIXE – proton-induced X-ray emission; microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão; e XRD – difração de raios-X).
(Texto adaptado do site do Museu da Lourinhã)


Embrião de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Ovos e embriões de Torvosaurus e outros dinossauros(Araújo et al., 2013)

Terópode megalossaurídeo cuidando do seu ninho (c) Vladimir Bondar e Museu da Lourinhã


http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.html

Araújo, R., Castanhinha R., Martins R. M. S., Mateus O., Hendrickx C., Beckmann F., Schell N., & Alves L. C. (2013).  Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic Theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports. 3(1924)

sexta-feira, maio 24, 2013

Paleontólogo Michael Benton, dará palestra na FCT-UNL sobre a árvore de Vida e a origem da biodiversidade


O famoso paleontólogo Michael Benton, dará palestra na FCT-UNL sobre a árvore de Vida e a origem da biodiversidade.


O Prof. Michael Benton da Universidade de Bristol, fará na Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa no próximo dia
27 de Maio (Segunda-feira), pelas 17:00.
uma palestra intitulada:

"The Tree of Life and Origins of Biodiversity



Prof. Michael Benton
Michael J. Benton é um paleontólogo britânico, professor de paleontologia de vertebrados da Universidade de Bristol. Tem trabalhado em macroevolução e paleobiologia, em que se destaca a evolução de répteis, eventos de extinção e mudanças de fauna no registro fóssil, diversificação de vida, e biodiversidade no Triásico e Pérmico.
É autor de dezenas de livros de paleontologia e centenas de artigos científicos o que o torna um dos paleontólogos mais famosos e produtivos da actualidade.

Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa
Auditório da Biblioteca.
27 de Maio (Segunda-feira), pelas 17:00.


Morada:
Auditório da Biblioteca da FCT/UNL
Faculdade de Ciências e Tecnologia / UNL
Campus de Caparica
2829-516 Caparica
Coordenadas GPS 38º 39' 36'' N/ 9º 12' 11'' W
Moderador: Professor Octávio Mateus (Departamento de Ciências da Terra-FCT-UNL)
Palestra integrada no Mestrado em Paleontologia.

quinta-feira, maio 23, 2013

Paleontólogo Michael Benton

O nosso paleontólogo do mês é o Prof. Michael Benton, que estará em breve em Portugal.

Michael J. Benton (n. Abril 1956) é um paleontólogo britânico, membro da Royal Society of Edinburgh, e professor de paleontologia de vertebrados do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bristol. Tem trabalhado em macroevolução e paleobiologia, em que se destaca a evolução de répteis, eventos de extinção e mudanças de fauna no registro fóssil, diversificação de vida, qualidade do registro fóssil, formas de filogenias, extinções em massa, evolução do ecossistema, filogenia de diapsídeos e  arcossauros basais e origem dos dinossauros. 
Ele é o autor de vários livros de texto paleontologia (por exemplo, Paleontologia de Vertebrados) e livros infantis. Ele também é conselheiro  em muitas produções de média, incluindo da BBC Walking with Dinosaurs e foi consultor do programa para Paleoworld no Discovery Science. 
É autor de cerca de 50 livros e centenas de artigos científicos que totalizam cerca de 12.000 citações, e um índice H de 56, um dos maiores entre todos os paleontólogos de vertebrados.
Ele foi condecorado com a Medalha Lyell da Sociedade Geológica de Londres, em 2007, foi um Edward Baixo Distinguido Visiting Scholar na Universidade de Yale em 2009, e atualmente é presidente da  International Paleontological Association.
Prof. Michael Benton (foto daqui)
Exemplo de algumas obras:
Benton, M. J. (2009). Vertebrate palaeontology. Wiley-Blackwell.
Benton, M. J. (1995). Diversification and extinction in the history of life.Science(Washington)268(5207), 52-58.
Benton, M. J., & Donoghue, P. C. (2007). Paleontological evidence to date the tree of life. Molecular biology and evolution24(1), 26-53.

O Prof. Michael Benton visitou o Museu da Lourinhã em 1998. Actualmente, ele e Octávio Mateus co-orientam o paleontólogo português Bruno Pereira, na sua tese sobre Equinodermes do Mesozóico de Portugal, na Universidade de Bristol e Universidade Nova de Lisboa.

Fontes:

quarta-feira, maio 15, 2013

Exposição no Porto "Terra em Transformação - Evolução da Vida na Terra"

A Universidade do Porto está a fazer uma exposição denominada «Terra em Transformação - Evolução da Vida na Terra» na Sala de Exposições Temporárias 345, do Edifício Histórico da Reitoria da Universidade do Porto.

sábado, abril 27, 2013

Horácio Mateus (1950-2013)

Morreu ontem, aos 62 anos de idade, Horácio Mateus, fundador do Museu da Lourinhã.

Nascido na Lourinhã em 1950, Horácio Mateus esteve envolvido, com outros lourinhanenses, na origem do GEAL, Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã. Nesse seio, o Horácio foi, sem dúvida, o principal promotor do que seria a realização mais óbvia desta associação: o Museu, no qual empenhou o seu tempo e devoção e dedicou o seu espírito. 
Apesar de uma criação conjunta e imprescindível de muitos, Horácio Mateus merece o título do Fundador do Museu da Lourinhã.

Com a esposa, Isabel Mateus, foram os descobridores do famoso ninho de dinossauros de Paimogo, com embriões, o que lhes valeu, a nomeação de Figuras Nacionais do Ano em 1997, pela Revista Expresso. Foi um animado museógrafo e co-autor de três artigos científicos. Ocupou o cargo de Conservador do Museu da Lourinhã durante muitos anos. Apesar da visibilidade pública da temática dos dinossauros, a parte etnográfica e arqueológica era a sua grande paixão.

Adeus pai.

sexta-feira, abril 19, 2013

Palestra sobre os dinossauros portugueses, Sábado, 16h


Amanhã, sábado, farei uma palestra sobre os dinossauros portugueses, pelas 16h na Lourinhã. 
Mais informação no site do Museu da Lourinhã reproduzida de seguida:

Decorre no próximo sábado, dia 20, pelas 16:00, no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, uma palestra subordinada ao tema “Dinossauros portugueses”.

Esta palestra insere-se no designado “ciclo de conversas: quando as galinhas tinham dentes e os porcos tiverem asas”, promovida no âmbito da exposição “T rex: quando as galinhas tinham dentes”, patente ao público no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, até ao final do mês de agosto.

A exposição, muito visitada desde outubro passado, resulta da iniciativa do programa Ciência Viva, que convocou a comunidade científica nacional e conta com a colaboração de três museus: “Museu Geológico”, “Museu Nacional de História Natural e de Ciência” e “Museu da Lourinhã”.

Esta inédita mostra da paleontologia portuguesa é complementada pelo ciclo de conversas que vai ocorrendo mensalmente nos locais de referência.


Esta palestra, proferida por Octávio Mateus, aborda a riqueza, a diversidade e alguns aspetos curiosos dos dinossauros portugueses. Desde a descoberta dos primeiros vestígios em Portugal, há 150 anos, a riqueza de espécies de vertebrados fósseis não tem parado de aumentar, com achados que vão desde o Jurássico Inferior, há cerca de 195 milhões de anos (M.a.), até à extinção dos dinossauros não-avianos, no final do Cretácico, há 66 M.a.

Contudo é do Jurássico Superior (150 M.a.) que provem a maioria dos achados. Lourinhanosaurus e Lusotitan, com pescoços e caudas muito compridos, ou Miragaia longicollum, com espigões assustadores, são alguns exemplos de dinossauros encontrados na Região Oeste, para além de ovos e embriões únicos.

A “conversa” será seguida de uma visita ao Museu da Lourinhã e aos seus laboratórios.

O doutor Octávio Mateus colabora com o Museu da Lourinhã desde muito jovem, o que seguramente contribuiu para determinar a sua profissão: paleontólogo especialista em dinossauros.

Tendo realizado o doutoramento sobre os dinossauros de Portugal, com destaque para o Jurássico Superior, é atualmente professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Contam-se por mais de uma centena os artigos e comunicações científicas onde surge como autor ou coautor, tendo descrito mais de uma dezena de novas espécies para a Ciência e participado em múltiplas expedições internacionais, com destaque para Angola, Mongólia, Moçambique e Gronelândia.


sexta-feira, abril 05, 2013

Número de répteis conhecidos Cretácicos de Angola aumentou substancialmente

Um novo artigo mostra a existência de uma elevada diversidade de répteis no Cretácico de Angola, incluindo géneros de tartarugas nunca referenciadas em África e uma falange que parece ser de hadrossauro, o único em África.
O conhecimento dos répteis do Cretácico de Angola expandiu substancialmente nos últimos anos, com o trabalho do Projecto PaleoAngola. Conhecem-se agora 21 taxa do Cretácico, incluindo novas espécies como Prognathodon kiandaAngolatitan adamastor, e Angolachelys mbaxi.


Referência
Mateus, O., Polcyn M. J., Jacobs L. L., Araújo R., Schulp A. S., Marinheiro J., Pereira B., & Vineyard D.
 (2012).  Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno. 71-105., Salas de los Infantes, Burgos.
LINK

Barbatana de plesiossauro


Abstract
Although rich in Cretaceous vertebrate fossils, prior to 2005 the amniote fossil record of Angola was poorly known. Two horizons and localities have yielded the majority of the vertebrate fossils collected thus far; the Turonian Itombe Formation of Iembe in Bengo Province and the Maastrichtian Mocuio Formation of Bentiaba in Namibe Province. Amniotes of the Mesozoic of Angola are currently restricted to the Cretaceous and include eucryptodire turtles, plesiosaurs, mosasaurs, pterosaurs, and dinosaurs. Recent collecting efforts have greatly expanded our knowledge of the amniote fauna of Angola and most of the taxa reported here were unknown prior to 2005.
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Saurópodes podiam ter interclavícula, um osso previamente desconhecido em dinossauros

Novo estudo levanta a possibilidade de os saurópodes terem interclavícula, um osso previamente desconhecido em dinossauros.
O estudo por uma equipa de paleontologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa focou-se nos dinossauros diplodocídeos, em particular no recentemente descrito Kaatedocus., e sugere que a origem da fúrcula ("wish-bone") pode ser uma interclavícula em vez de duas clavículas fundidas.


Referência
Tschopp, E., & Mateus O. (2013).  Clavicles, interclavicles, gastralia, and sternal ribs in sauropod dinosaurs: new reports from Diplodocidae and their morphological, functional and evolutionary implications. Journal of Anatomy. 222,321-340.
LINK

Abstract
Ossified gastralia, clavicles and sternal ribs are known in a variety of reptilians, including dinosaurs. In sauropods, however, the identity of these bones is controversial. The peculiar shapes of these bones complicate their identification, which led to various differing interpretations in the past. Here we describe different elements from the chest region of diplodocids, found near Shell, Wyoming, USA. Five morphotypes are easily distinguishable: (A) elongated, relatively stout, curved elements with a spatulate and a bifurcate end resemble much the previously reported sauropod clavicles, but might actually represent interclavicles; (B) short, L-shaped elements, mostly preserved as a symmetrical pair, probably are the real clavicles, as indicated by new findings in diplodocids; (C) slender, rod-like bones with rugose ends are highly similar to elements identified as sauropod sternal ribs; (D) curved bones with wide, probably medial ends constitute the fourth morphotype, herein interpreted as gastralia; and (E) irregularly shaped elements, often with extended rugosities, are included into the fifth morphotype, tentatively identified as sternal ribs and/or intercostal elements. To our knowledge, the bones previously interpreted as sauropod clavicles were always found as single bones, which sheds doubt on the validity of their identification. Various lines of evidence presented herein suggest they might actually be interclavicles – which are single elements. This would be the first definitive evidence of interclavicles in dinosauromorphs. Previously supposed interclavicles in the early sauropodomorph Massospondylus or the theropods Oviraptor and Velociraptor were later reinterpreted as clavicles or furculae. 
Região do peito de dinossauro saurópode, com presença de clavículas e interclavícula .


Independent from their identification, the existence of the reported bones has both phylogenetic and functional significance. Their presence in non-neosauropod Eusauropoda and Flagellicaudata and probable absence in rebbachisaurs and Titanosauriformes shows a clear character polarity. This implicates that the ossification of these bones can be considered plesiomorphic for Sauropoda. The proposed presence of interclavicles in sauropods may give further support to a recent study, which finds a homology of the avian furcula with the interclavicle to be equally parsimonious to the traditional theory that furcula were formed by the fusion of the clavicles. Functional implications are the stabilizing of the chest region, which coincides with the development of elongated cervical and caudal vertebral columns or the use of the tail as defensive weapon. The loss of ossified chest bones coincides with more widely spaced limbs, and the evolution of a wide-gauge locomotor style.

Descrição de bizarras baleias-de-bico (Odontoceti, Ziphiidae)

Descrição de fósseis de bizarras baleias-de-bico (Odontoceti, Ziphiidae) pescado do fundo do Oceano Atlântico ao largo da Península Ibérica.

Referência:
Bianucci, G., Miján I., Lambert O., Post K., & Mateus O. (2013).  Bizarre fossil beaked whales (Odontoceti, Ziphiidae) fished from the Atlantic Ocean floor off the Iberian Peninsula. Geodiversitas. 35(1), 105-153.LINK


Abstract: 
Forty partial fossil skulls belonging to beaked whales (Cetacea, Odontoceti, Ziphiidae) were collected by trawling and long-line fishing on Neogene (probably Late Early to Middle Miocene) layers of the Atlantic floor off the coasts of Portugal and Spain (Asturias and Galicia). e systematic study of the most diagnostic Iberian specimens, those preserving the rostrum and the dorsal part of the cranium, led to the recognition of two new genera (Globicetus n. gen. and Imocetus n. gen.) and four new species (Choneziphius leidyi n. sp., G. hiberus n. gen., n. sp., I. piscatus n. gen., n. sp., and Tusciziphius atlanticus n. sp.).

Based on the matrix of a previous work, the phylogenetic analysis places all the new taxa in the subfamily Ziphiinae Gray, 1850. More fragmentary specimens are tentatively referred to the genera Caviziphius Bianucci & Post, 2005 and Ziphirostrum du Bus, 1868. Among these new ziphiids, extremely bizarre skull morphologies are observed. In G. hiberus n. gen., n. sp. the proximal portion of the rostrum bears a voluminous premaxillary spheroid. In T. atlanticus n. sp. a medial premaxillary bulge is present on the rostrum; together with asymmetric
rostral maxillary eminences at the rostrum base, this bulge displays various degrees of elevation in different specimens, which may be interpreted as sexual dimorphism. Specimens of I. piscatus n. gen., n. sp. bear two sets of even crests: spur-like rostral maxillary crests and longitudinal maxillary crests laterally bordering a wide and long facial basin. A preliminary macroscopic observation of these elements indicates very dense bones, with a compactness comparable with that of cetacean ear bones. Questioning their function, the high medial rostral elements (the premaxillary spheroid of G. hiberus n. gen., n. sp. and the medial bulge of T. atlanticus n. sp.) remind the huge rostral maxillary crests of adult males of the extant Hyperoodon ampullatus (Forster, 1770). In the latter, the crests are very likely related to head-butting. However, they are made of much more spongy bone than in the fossil taxa studied here, and therefore possibly better mechanically suited for facing impacts. Other interpretations of these unusual bone specializations, related to deep-diving (ballast) and echolocation (sound reflection), fail to explain the diversity of shapes and the hypothetical sexual dimorphism observed in at least part of the taxa. e spur-like rostral maxillary crests and long maxillary crests limiting the large facial basin in I. piscatus n. gen., n. sp. and the excrescences on the maxilla at the rostrum base in Choneziphius spp. are instead interpreted as areas of origin for rostral and facial muscles, acting on the nasal passages, blowhole, and melon. From a palaeobiogeographic point of view, the newly described taxa further emphasize the differences in the North Atlantic (including Iberian Peninsula) and South African Neogene ziphiid faunal lists. Even if the stratigraphic context is poorly understood, leaving open the question of the geological age for most of the dredged specimens, these differences in the composition of cold to temperate northern and southern hemisphere fossil ziphiid faunas may be explained by a warm-water equatorial barrier.

Crânio de Globicetus hiberus

Osteologia do saurópode Lusotitan atalaiensis


O saurópode português Lusotitan atalaiensis é alvo de uma nova re-descrição anatómica, publicada no Zoological Journal of the Linnean Society. 

Mannion, P. D., Upchurch P., Barnes R. N., & Mateus O. (2013).  Osteology of the Late Jurassic Portuguese sauropod dinosaur Lusotitan atalaiensis (Macronaria) and the evolutionary history of basal titanosauriforms. Zoological Journal of the Linnean Society. 1-109. LINK



Abstract Titanosauriforms represent a diverse and globally distributed clade of neosauropod dinosaurs, but their inter-relationships remain poorly understood. Here we redescribe Lusotitan atalaiensis from the Late Jurassic Lourinhã Formation of Portugal, a taxon previously referred to Brachiosaurus. The lectotype includes cervical, dorsal, and caudal vertebrae, and elements from the forelimb, hindlimb, and pelvic girdle. Lusotitan is a valid taxon and can be diagnosed by six autapomorphies, including the presence of elongate postzygapophyses that project well beyond the posterior margin of the neural arch in anterior-to-middle caudal vertebrae. A new phylogenetic analysis, focused on elucidating the evolutionary relationships of basal titanosauriforms, is presented, comprising 63 taxa scored for 279 characters. Many of these characters are heavily revised or novel to our study, and a number of ingroup taxa have never previously been incorporated into a phylogenetic analysis. We treated quantitative characters as discrete and continuous data in two parallel analyses, and explored the effect of implied weighting. Although we recovered monophyletic brachiosaurid and somphospondylan sister clades within Titanosauriformes, their compositions were affected by alternative treatments of quantitative data and, especially, by the weighting of such data. This suggests that the treatment of quantitative data is important and the wrong decisions might lead to incorrect tree topologies. In particular, the diversity of Titanosauria was greatly increased by the use of implied weights. Our results support the generic separation of the contemporaneous taxa Brachiosaurus, Giraffatitan, and Lusotitan, with the latter recovered as either a brachiosaurid or the sister taxon to Titanosauriformes. 



Vértebras caudais de Lusotitan atalaiensis 
Although Janenschia was recovered as a basal macronarian, outside Titanosauria, the sympatric Australodocus provides body fossil evidence for the pre-Cretaceous origin of titanosaurs. We recovered evidence for a sauropod with close affinities to the Chinese taxon Mamenchisaurus in the Late Jurassic Tendaguru beds of Africa, and present new information demonstrating the wider distribution of caudal pneumaticity within Titanosauria. The earliest known titanosauriform body fossils are from the late Oxfordian (Late Jurassic), although trackway evidence indicates a Middle Jurassic origin. Diversity increased throughout the Late Jurassic, and titanosauriforms did not undergo a severe extinction across the Jurassic/Cretaceous boundary, in contrast to diplodocids and non-neosauropods. Titanosauriform diversity increased in the Barremian and Aptian–Albian as a result of radiations of derived somphospondylans and lithostrotians, respectively, but there was a severe drop (up to 40%) in species numbers at, or near, the Albian/Cenomanian boundary, representing a faunal turnover whereby basal titanosauriforms were replaced by derived titanosaurs, although this transition occurred in a spatiotemporally staggered fashion.

quinta-feira, abril 04, 2013

Quatro novas espécies fósseis de baleias-de-bico descobertas no Atlântico



Uma equipa internacional de investigadores, constituída por Giovanni Bianucci (Università di Pisa, Itália), Miján Ismael (Sociedade Galega de Historia Natural, Espanha), Olivier Lambert (Institut Royal des Sciences
Naturelles, Bélgica), Post Klaas (Natuurhistorisch Museum Rotterdam, Holanda) e Octávio Mateus (Museu da Lourinhã, Portugal), acaba de publicar importantes achados na Geodiversitas, revista científica
especializada em Paleontologia. Durante os últimos cinco anos, a equipa estudou fósseis de cetáceos
recuperados, durante a pesca por arrasto, a profundidades que variam entre 500 e 1500 metros, e descreveu quatro novas espécies de baleias-de-bico que viveram em águas atlânticas próximas da Península
Ibérica, provavelmente, entre 20 e 14 milhões de anos atrás, durante o Miocénico.
Pescadores doaram aqueles exemplares ao Museu da Sociedade Galega de História Natural (SGHN) e ao Museu da Lourinhã, para que o seu estudo pudesse ser realizado.

Investigadores que estudaram os cetáceos fósseis: K. Post, G. Bianucci, I. Mijàn, O. Lambert, e O. Mateus (foto: Jornal Alvorada)

Esta descoberta é uma das mais importantes, a nível mundial, dada a sua repercussão no conhecimento da
biologia evolutiva dos cetáceos, à qual se têm dedicado vários cientistas, tal é a relevância deste tema na
Paleontologia. Em 2007, Ismael Miján publicou um relatório preliminar sobre dois crânios doados à SGHN que foram o ponto de partida para a investigação. Durante os últimos cinco anos, a equipa conseguiu examinar mais de 40 crânios pertencentes a coleções oficiais (guardados e, em muitos casos, esquecidos, a maioria deles estão na SGHN e na Lourinhã, cujas coleções de fósseis de baleias-de-bico estão entre as mais importantes do mundo), assim como cerca de uma centena de espécimes de coleções não oficiais, muitas delas correspondentes a espécies desconhecidas para a ciência.
As quatro espécies foram agora designadas como Choneziphius leidyi, Tusciziphius atlanticus, Imocetus
piscatus e Globicetus hiberus. Têm características anatómicas únicas, nunca antes encontradas noutras
espécies de cetáceos, e apresentam claro dimorfismo sexual (diferenças entre machos e fêmeas) nas estruturas ósseas. O Globicetus hiberus, por exemplo, tem na parte frontal do crânio uma grande esfera de muito elevada densidade óssea e de grandes proporções que serviria de proteção contra golpes de cabeça infligidos durante os combates entre machos e, além disso, poderia desempenhar um papel peculiar no seu sistema bioacústico (sonar natural) desconhecido até ao momento.
Dois destes géneros tinham sido já encontrados em costas europeias e na costa leste dos Estados Unidos,
evidenciando que as baleias-de-bico estiveram amplamente distribuídas no Atlântico Norte durante o
Neogénico. Mas, surpreendentemente, nenhum destes zifídeos ibéricos foi encontrado na África do Sul (onde alguns dos investigadores da equipa estudaram uma grande coleção de fósseis de baleias-de-bico) e isso poderia sugerir que as águas quentes equatoriais terão funcionado como barreira natural, separando as duas populações de baleias-de-bico, as de águas frias e as de águas temperadas.
As instituições envolvidas na pesquisa, e especialmente a SGHN e o GEAL – Museu da Lourinhã, valorizam a colaboração dos pescadores que doaram os espécimes, uma atitude generosa e indispensável para a realização do estudo.

Globicetus hiberus (foto por Ismael Mijàn)