sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Como são os ovos de crocodilos?


Para compreender os fósseis temos frequentemente que recorrer às espécies actuais. Mas se quisermos estudar crocodilos tudo fica mais fácil pois existem 14 espécies actuais. Nos dinossauros não-avianos isso é impossível e usamos os seus "primos", os crocodilos, e os descendentes actuais, as aves. A verdade é que por vezes as espécies actuais também precisam de ser estudadas e isso levou-nos ao estudos de ovos de três espécies de crocodilianos: Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano). Os resultados foram agora publicados na Historical Biology com Marco Marzola e João Russo.

Crocodylus mindorensis. Fonte: wikipedia

Evolução dos ovos (Marzola et al., 2014)

Referência:
Marzola, M., Russo J., & Mateus O. (2014). Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology link

Tradução do resumo:

Identificação e comparação de ovos e estruturas da casca de ovos de crocodilos modernos e fósseis

Cascas de ovos de três espécies de crocodilos actuais Crocodylus mindorensis (Crocodilo-filipino), Paleosuchus palpebrosus (Caimão-anão-de-Cuvier), e Alligator mississipiensis (Aligátor-americano) foram preparadas para análises de secção em lâmina delgada e microscopia electrónica e são descritas de forma a melhorar o conhecimento da anatomia e microestrutura de ovos crocodilianos, e a definir novas apomorfias que possam ser utilizadas para identificação. Tanto ovos de crocodilos actuais como fósseis apresentam uma ornamentação externa que varia entre o tipo anastomotuberculado, ramotuberculado, ou o aqui descrito pela primeira vez, rugosocavado. O sistema de poros do tipo angusticaniculado é uma característica partilhada entre cascas de ovos de Crocodilomorfos e alguns grupos de dinossauros e aves. Sinais de incubação de ovos de crocodilos anteriormente descritos foram também observados no único ovo fertilizado e eclodido. A amostra de Paleosuchus palpebrosus apresenta uma morfologia das três camadas da casca e organização únicas, com uma camada média relativamente fina caracterizada por uma microestrutura densa e compacta.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Pegada gigante de dinossauro carnívoro

Durante o Jurássico Superior, há cerca de 150 milhões de anos, existiam dinossauros carnívoros gigantescos, o que é visível pelos ossos e por pegadas. Na costa da Lourinhã foi recolhida uma pegada com 96 cm de comprimento total, o que é quase da dimensão da pegadas equivalentes conhecidas de Tyranossaurus, mas neste caso devem ter sido feitas por Torvosaurus, pois este era o maior terópode do Jurássico.


Pegada de Torvosaurus, em exposição no Museu da Lourinhã




Ref: Mateus, O., & Milan J. (2010).  A diverse Upper Jurassic dinosaur ichnofauna from central-west Portugal. Lethaia. 43, 245–257. link

sábado, fevereiro 15, 2014

Novo doutorado sobre dinossauros saurópodes: Emanuel Tschopp

Temos mais um Doutoramento em Portugal sobre dinossauros, desta vez pelo Emanuel Tschopp, de nacionalidade suíça e até agora a estudar na FCT-UNL para o doutoramento.
Decorreram ontem (14.Fev.2014) as provas de Doutoramento em Geologia com a dissertação: "Evolution of Diplodocid Sauropod Dinosaurs with Emphasis on Specimens from Howe Ranch, Wyoming (USA)". O candidato apresentou uma excelente tese, mostrou que dominava os assuntos e defendendo-os de forma informada e muito capaz.

Membros do Juri e Doutorado: João Pais, Octávio Mateus, Emanuel Tschopp, Maria Paula Diogo, Paul Upchurch, Fidel Fernández-Baldor, Rogério Rocha


Resumo:
 Os Diplodocidae estão entre os dinossauros saurópodes mais conhecidos. Várias espécies foram descritas no final do século XIX ou início de XX. Desde então, numerosos outros  espécimes foram recuperados nos EUA, Tanzânia, Portugal, bem como, possivelmente de Espanha, Inglaterra e Ásia. Até à data, o clado inclui 12 a 15 espécies diferentes, algumas delas com estatuto taxonómico questionável como, por exemplo, 'Diplodocus' hayi ou Dyslocosaurus polyonychius.
No entanto, as relações intragenéricas de géneros multi-específicos e icónicos como Apatosaurus e Diplodocus ainda são pouco conhecidos. A maneira de resolver este desafio é uma análise filogenética baseada em espécimes, o que foi feito para Apatosaurus, mas aqui é realizada pela primeira vez para todo o clado Diplodocidae. Novo material de diferentes localidades e níveis estratigráficos (em Howe Ranch, Shell, Wyoming, EUA) aumenta o conhecimento sobre a evolução dos Diplodocidae. Três novos espécimes são aqui descritos, aumentando consideravelmente o nosso conhecimento da anatomia do grupo.

Os novos espécimes (SMA 0004, SMA 0011 e SMA 0087) representam duas, possivelmente três novas espécies de diplodocídeos, e compreendem material ósseo de todas as partes do esqueleto, incluindo dois crânios quase completos, bem como membros anteriores e posteriores bastante completos, o que é geralmente raro em diplodocídeos. Desta forma, os espécimes permitem um aumento considerável da sobreposição anatómica entre holótipos que amiúde são incompletos, o que permite obter resultados significativos nesta análise filogenética com base em espécimes. Além disso, são identificados os ossos clavícula e interclavícula, sendo este último aqui reportado pela primeira vez em dinossauros. A sua presença parece restrita aos primeiros saurópodes, Flagellicaudata e Macronaria basais, e pode por isso ser um caso de retenção de plesiomorfia, com a perda destes ossos como sinapomorfia dos Titanosauriformes e possivelmente Rebbachisauridae. Os novos espécimes permitem testar anteriores hipóteses filogenéticas dos diplodocídeos. Com esse objectivo, todos os espécimes-tipo previamente propostos como diplodocídeos foram incluído no estudo, assim como outros espécimes relativamente completos de forma a aumentar a sobreposição anatómica entre eles. Espécimes ulteriormente sugeridos como saurópodes não-diplodocídeos, foram incluídos como grupos externos. A análise filogenética resultante inclui, assim, 76 unidades taxonómicas operacionais, 45 das quais pertencem a Diplodocidae.

Cada espécime foi codificado para 477 caracteres morfológicos, o que representa uma das mais extensas análises filogenéticas de dinossauros saurópodes. O cladograma resultante recupera o arranjo clássico das relações filogenéticas dos diplodocídeos. Foi realizada uma abordagem numérica para reduzir a subjetividade na decisão de separação específica ou genérica, para as espécies que historicamente têm sido incluídas em géneros conhecidos, como Apatosaurus ou Diplodocus, tendo algumas resultado serem genericamente diferente. Desse modo, o famoso género Brontosaurus é ressuscitado, e as evidências sugerem, ainda que também Elosaurus parvus (anteriormente designados Apatosaurus) ou 'Diplodocus' hayi representam géneros únicos. O estudo aumenta o conhecimento sobre a variação individual, e ajuda a decidir como classificar géneros multi-específicos. Este tipo de análise filogenética baseada em espécimes provou ser uma ferramenta valiosa para validar espécies históricas em saurópodes, e na paleontologia como um todo.

Palavras-chave: Dinossauros saurópodes, Diplodocidae , filogenia baseada em espécimes, Formação Morrison, Howe Quarry, Kaatedocus, espécie, taxonomia.

Constituição do Júri: 
Presidente
•  Doutora Maria Paula Pires dos Santos Diogo, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais• Doutor Rogério Eduardo Bordalo da Rocha, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;
•  Doutor João José Cardoso Pais, Professor Catedrático Aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;
•  Doutor Louis L. Jacobs, Full Professor “Southern Methodist University (SMU) - USA;
•  Doutor Paul Upchurch, Reader in Palaeobioligy “University College of London – UK”;
•  Doutor Fidel Torcida Fernández-Baldor, Researcher, Director, “Museo de Dinosaurios” – Burgos, Espanha;
•  Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Parabéns Emanuel!

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

NOVA entre as 50 melhores universidades do mundo com menos de 50 anos



A Universidade NOVA de Lisboa integra o grupo das 50 melhores universidades do mundo com menos de 50 anos, segundo avaliação  publicada pelo QS Top 50 Under 50 2013-14 (www.topuniversities.com), sendo a única universidade portuguesa a figurar nesta selecção. 
São quatro indicadores mais importantes: prestígio interpares, reputação junto das entidades empregadoras, número de citações obtidos pelas publicações científicas e, finalmente, internacionalização do corpo docente e dos estudantes.  


Mais uma razão para trabalharmos para ter um Mestrado em Paleontologia de qualidade!


Fontes: links op. cit.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Ilustração Científica de Fósseis de Angola



Joana Bruno
Realizaram-se no passado dia 28 de Janeiro as provas públicas para obtenção do grau de Mestre em Ilustração Científica da estudante Joana Bruno, enquadradas nas actividades do Projecto PaleoAngola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por mim e pelo Mestre Pedro Salgado, foi dedicado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola e foi apoiado por uma das bolsas de mestrado da ANICT. A discussão da tese foi um sucesso, e a candidata, agora Mestre em Ilustração Científica, foi aprovada com 20 valores, vendo o seu trabalho reconhecido mais uma vez perante uma sala cheia. A dissertação foi ainda destacada pelas abordagens inovadoras que contempla, pelo rigor das ilustrações e pela clareza e objectividade da escrita.

A Joana começou o seu percurso pela Ilustração Científica ainda enquanto estudante de Arqueologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Contudo, a dedicação a tempo inteiro à ilustração só chegaria em 2011, com a frequência do curso do IAO sob a orientação do Mestre Pedro Salgado e posterior ingresso no Mestrado em Ilustração Científica do ISEC/UE. O seu trabalho tem sido igualmente reconhecido em Portugal e no estrangeiro. Foi premiada pela Casa das Ciências em 2013 e conta já com várias exposições em território nacional e estrangeiro. Poderá destacar-se a sua participação na XIII edição da bienal Focus on Nature, em Nova Iorque, exposição para a qual foi seleccionada entre cerca de 200 artistas que concorreram de todo o Mundo. Actualmente, além de trabalhar como ilustradora científica, a Joana é também formadora de ilustração na ETIC e editora executiva do Journal of Natural Science Illustration.

Video Reconstructing extinct organisms: fossil turtles from Angola (http://youtu.be/Reog3rnIQQ8)
Parabéns Joana Bruno!

Dinossauros saurópodes em doutoramento de Emanuel Tschopp (FCT-UNL)

Decorrem na próxima sexta-feira, dia 14 de Fevereiro, pelas 15:30, as provas de Doutoramento em Geologia do candidato Emanuel Tschopp sobre a evolução de dinossauros saurópodes. Tschopp irá apresentar a sua dissertação intitulada "The evolution of diplodocid sauropod dinosaurs, with emphasis on specimens from Howe Ranch (Wyoming, USA)" [A evolução dos dinossauros saurópodes diplodocídeos, com ênfase em espécimes de Howe Ranch (Wyoming, EUA)], realizada sob a orientação do Prof. Octávio Mateus (FCT-UNL).
 As provas decorrerão na Sala de Actos (Ed. IV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Na imagem vê-se a reconstrução artística do dinossauro Kaatedocus siberi Tschopp e Mateus 2012, espécie descrita como nova, no resultado dos estudos de doutoramento, e aqui representada pelo artista Davide Bonadonna.


sábado, janeiro 25, 2014

Ainda sobre as bolsas FCT em Geociências

Bolsas de Doutoramento e Pós-Doutoramento em Geociências, por Universidade, em 2012 e 2013 (ver texto)

Não é conhecido publicamente para onde vai cada uma das bolsas de doutoramento e pós-doutoramento atribuídas cada ano nas candidaturas individuais, mas uma busca na internet permite compreender qual a candidatura mais provável para cada candidato tendo em conta o seu currículo e formação anterior. Os gráficos mostram uma distribuição equilibrada em 2012 e uma concentração numa instituição em 2013, como resultado da estratégia escolhida pelo actual governo na distribuição de bolsas. Ainda está por explicar como é que esta situação vem melhorar a qualidade da investigação em Geociências em Portugal.

Dados das bolsas individuais em Geociências em 2012 e 2013:
2012: 59 candidaturas, 16 bolsas aprovadas; 27% de aprovação; para 8 universidades 
2013: 41 candidaturas ; 5 bolsas aprovadas*; 12% de aprovação; para 2 universidades

*: a este número acrescem 8 bolsas do Programa Doutoral.
Total em 2013: 13 bolsas em Geociências, o que é um decréscimo quase 20% (três bolsas) de 2012 para 2013.

Outras estatísticas interessantes:
34º lugar: Paleontologia em Portugal no ranking mundial: (Fonte: scimagojr)
34º lugar: Geociências em Portugal no ranking mundial: (Fonte: scimagojr)
33º lugar: Ciência em Portugal no ranking mundial: (Fonte: scimagojr)
43º lugar: Portugal em ranking de Desenvolvimento Humano: (Fonte: ONU)
Posição de Portugal em índices de qualidade e satisfação nos seus representantes eleitos: desconhecido

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Sobre as bolsas FCT em Geociências

O recente concurso a bolsas de Doutoramento e Pós-Doutoramento da FCT tem sido alvo de muitas críticas. 
A área das Geociências recebeu 41 candidaturas, só sendo admitidas cinco bolsas o que parece algo manifestamente insuficiente para uma área científica como esta.

O processo da atribuição das bolsas nas Geociências é também agora alvo de notícias, que a TSF avançou hoje:
"Na área das Geociências, um dos avaliadores demitiu-se (no fim de novembro) a meio do processo, já depois de várias reuniões entre os membros do júri. À TSF, Rui Pena dos Reis, professor catedrático do Departamento de Ciências da Terra de Coimbra, explica que o coordenador, com o acordo da FCT, alterou, a meio do jogo, alguns critérios de avaliação definidos de início e que orientaram os candidatos. Do outro lado, o coordenador do painel de avaliação da área das Geociências, Fernando Ornelas, nega qualquer irregularidade e garante apenas cumprir as regras do FCT." (TSF, 24.1.2014)

O júri para o painel de Geociências foi assim composto por:
Fernando Manuel Ornelas Guerreiro Marques (coordenador; da Univ. Lisboa)
Ana Paula Ribeiro Ramos Pereira (Univ. Lisboa)
Fernando Monteiro Santos (Univ. Lisboa)  
Alfredo Rocha (Univ. Aveiro)
Ana Maria Guedes Almeida e Silva (Univ. Évora)
Fátima Abrantes (LNEG)
Fernando Manuel Pereira de Noronha (Univ. Porto)

Seria bom que houvesse mais transparência para sabermos para onde segue cada bolsa atribuída. A julgar pelos currículos online dos candidatos, quatro bolsas das cinco atribuídas parecem ser candidatos da mesma universidade, assim como nove dos onze primeiros classificados.

Parece haver, por isso, uma disparidade que merece ser assinalada, sobretudo porque a instituição mais beneficiada é a mesma do coordenador e de três dos sete membros do painel de avaliação em Geociências. Não está em causa a integridade de júri, mas como diz o provérbio, "À mulher de César não basta sê-lo. Tem de parecê-lo!" e teria sido bom que a distribuição fosse mais nacional e sem favorecer a instituição mais representada no júri.
Esta mesmo universidade já tem um programa doutoral da qual irá beneficiar de 32 bolsas de doutoramento (distribuídas por 4 anos). O resultado final faz com que uma única universidade receba todas as bolsas em Geociências, excepto uma. Esta estratégia parece desadequada numa área científica com um forte cariz local, e que vem marcar uma tendência de favorecer o gigantismo das universidades e dificultar as demais.

Ver também o post seguinte Ainda sobre as bolsas fct em geociências

O concurso tem critérios alegadamente muito objectivos e determinados de forma matemática. Os orientadores também são classificados pelo seu CV. No meu caso pessoal, a minha classificação era diferente para dois candidatos distintos, o que mostra que há espaço para a subjectividade.

Sobre o desinvestimento na Ciência
O Ministro da Educação e Ciência apenas continua a afirmar que não há desinvestimento na Ciência, mas Portugal ainda está bem abaixo da média europeia no investimento em I&D por percentagem do PIB: 1,5%  contra 2,07% da média europeia.

Investimento em I&D por percentagem do PIB. Média europeia: 2,07% ; Portugal: 1,5% do PIB. Fonte: Eurostat Pordata.
    Para dificultar ainda mais, recentemente, um ministro veio a público manifestar-se contra as bolsas científicas longe da vida real. Nós, cientistas, também estamos contra os políticos que estão longe da vida real. A investigação fundamental ("longe da vida real") é a mesma que permite os grandes passos científicos, e Portugal não se pode dar ao luxo de não apostar na investigação científica e educação dos Portugueses.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Santa Claws wishes...


sábado, dezembro 14, 2013

Walking with Dinosaurs 3D

Hoje estreou o filme a três dimensões Walking with Dinosaurs 3D, traduzida em Português para "O Tempo dos Dinossauros - O filme 3D". Este filme é uma sequência do enorme sucesso da série Walking with Dinosaurs, da qual resultaram séries, documentários, livros, exposições e até performances realistas. Parte de um dos documentários da série de 1999 e 2000 foi filmada em Portugal.




Este filme tem a espectacularidade dos filmes da BBC, sendo a personagem principal um pequeno Pachyrhinosaurus que cresce e se torna um macho dominante na manada, salvando-a. A estória que se passa no Alaska inclui igualmente os Gorgosaurus, Ankylosaurus, Alexornis, Alphadon entre outros, o que permite localizar temporalmente aos 70 Milhões de anos. O filme teve o conselho científico de Philip Currie, Tony Fiorillo, entre outros.

As personagem falam e têm emoções humanas. Inicialmente os produtores pretendiam mostrar apenas o desenrolar dos acontecimentos, sem os dinossauros a falarem, mas testes com audiência real parecem ter mostrado que a versão dos dinossauros falantes era comercialmente mais bem sucedida.

As imagens espectaculares e realistas das animações computorizadas são de excelente qualidade, o que contrasta com toda a estória que é um enorme lugar-comum, já visto em numerosos outros filmes do mesmo tipo.
Na versão portuguesa dobrada o texto era vulgar, frequentemente estava a mais, e tentava replicar a linguagem juvenil por vezes desajustada, apesar de enquadrada numa estória moralista "politicamente correcta".

Quando a BBC filmou os dinossauros de Portugal- Walking with Dinosaurs: Ballad of Big Al

Estreou hoje o filme Walking with Dinosaurs - Film 3D mas em 2000 participámos no filme documentário da BBC "Walking with Dinosaurs", no episódio "Ballad of Big Al" devido à descoberta de ovos e embriões de Lourinhanosaurus em Paimogo, Lourinhã, que são comparados com o Allosaurus.
A série esteve classificada como um dos 100 Greatest British Television Programmes e agora, em 2013, aparece em filme 3D.

Este é o link do Youtube para o excerto: http://youtu.be/cubdagTiRHE

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Hwaseong Dinosaur Symposium

Começa hoje o Hwaseong International Dinosaur Expedition Symposium, na cidade Hwaseong, na Coreia do Sul, com a nossa participação em resultado da participação nas expedições na Mongólia.
Tarbosaurus and Tarchia

O programa é o seguinte:


Special Session Ⅰ : Dinosaurs and MusemsGrand Ballroom
Dr. Yuong-Nam Lee(Introduction of the Hwaseong symposium and guests)
Dr. Richen Barsbold(On some genera of the Mongolian dinosaurs)
Prof. Philip Currie
(Articulated tyrannosaurid (Dinosauria) skeletons from the Nemegt Formation of Mongolia)
Prof. Louis Jacobs (African dinosaurs and museums)
15:00~15:10Coffee Break
(Moderator: Prof. Yoshitugu Kobayashi)
2F Foyer
15:10~15:30Dr. Anthony Fiorillo 
(A paleontologist’s perspective on the new Perot Museum of
Nature and Science, Dallas, Texas, U.S.A.: connecting research
with exhibit development and design)
Grand Ballroom
15:30~15:50Prof. Yoshitsugu Kobayashi 
(Japanese dinosaurs and Hokkaido University Museum)
15:50~16:10Prof. Junchang Lu
(Recent advances on the study of pterosaurs from China)
16:10~16:20Coffee Break2F Foyer
16:20~16:40Dr. Paulina Carabajal 
(Argentinian dinosaurs and “Carmen Funes” museum: a “brainy”
point of view)
Grand Ballroom
16:40~17:00Dr. Octavio Mateus
(Crocodylomorphs from the Mesozoic of Portugal and a new skull
of eusuchian from the Late Cretaceous)

09:20~10:30Special Session Ⅱ : Mongolian Expedition
(Moderator: Dr. Yuong-Nam Lee)
Grand Ballroom
09:20~09:40Dr. Mike Norell(20 years of Ukhaa Tolgod)
09:40~10:00Dr. Shinobu Ishigaki
(History and major discoveries of Hayashibara Museum of Natural
Sciences-Mongolian Paleontological Center Joint Paleontological
Expedition)
10:00~10:20YN Lee (Korea-Mongolia International Dinosaur Expedition)
10:20~10:30Coffee Break2F Foyer
10:30~12:00Scientific SessionⅠ : Dinosaurs
(Moderator: Dr. Michael Ryan)
Grand Ballroom
10:30~10:45Dr. Khishigjaw Tsogtbaatar
(New hadrosauroid from the Djadokhta Formation in Mongolia)
10:45~11:00Dr. Michael Ryan
(New data on the “Dragon’s Tomb” Saurolophus bonebed, Nemegt Formation (Late Cretaceous), Mongolia)
11:00~11:15Dr. Derek Larson
(Disparity of small theropod teeth through space and time in the Late retaceous of western North America)
11:15~11:30Dr. Victoria Arbour
(A review of the ankylosaurid dinosaurs from the Late Cretaceous Djadokhta, Baruungoyot, and Nemegt formations of Mongolia)
11:30~11:45Dr. Hang-jae Lee
(Theropod trackways occurred with ornithomimid skeletons from the Nemegt Formation (Maastrichtian) at Bugiin Tsav, Mongolia)
11:45~13:15LunchBlue Shppire
13:15~14:45Scientific SessionⅡ : Paleoenvironment
(Moderator: Prof. Namsoo Kim)
Grand Ballroom
13:15~13:30Dr. David Eberth
(Stratigraphy of the Baruungoyot-Nemegt succession (Upper Cretaceous) in the Nemegt Basin, southern Mongolia)
13:30~13:45Dr. Dale Winkler
(An unusual vertebrate assemblage at Ulan Khushu, Nemegt
Formation (Late Cretaceous), Mongolia)
13:45~14:00Dr. Eva Koppelhus
(Palynomorphs from a footprint site in the Nemegt Formation
(Maastrichtian) at Bugiin Tsav, Mongolia)
14:00~14:15Prof. Namsoo Kim
(Sedimentary faceis associations of the Upper Cretaceous deposits
in Gobi Desert, Mongolia)
14:15~14:30Dr. John Graf
(Diagenetic history of Khermeen Tsav based on the isotopic record
of dinosaur eggshell and pedogenic carbonates)
14:30~14:45Coffee Break2F Foyer
14:45~18:00Scientific SessionⅢ : Dinosaurs and others
(Moderator: Dr. Michael Polcyn)
Grand Ballroom
14:45~15:00Prof. Thomas Adams
(Small crocodyliforms from the Lower Cretaceous (Late Aptian-Early
Albian) of north-central Texas and their phylogenetic relationships
to the Late Cretaceous Asian Paralligatoridae)
15:00~15:15Prof. Martin Kundrat
(X-ray synchrotron microtomography: applications in dinosaur
paleobiology)
15:15~15:30Prof. Bonnie Jacobs (Flowering plant origins in Asia)
15:30~15:45Dr. Scott Persons (The evolution, function, and possible sexual dimorphism of
oviraptorosaur tails)
15:45~16:00Coffee Break
16:00~16:15Dr. Robin Sissons
(Hesperornithid tibiotarsus from Khermeen Tsav (Nemegt
Formation), Mongolia)
16:15~16:30Dr. Phillip Bell
(The smallest-known Tarbosaurus: implications for tyrannosaur
ecology in the Nemegt Formation, Mongolia)
16:30~16:45Dr. Michael Polcyn
(Taxon inclusion in phylogenetic analyses of Mongolian
anguimorph squamates)

.

sexta-feira, novembro 22, 2013

segunda-feira, novembro 04, 2013

Ilustrações de dinossauro Kaatedocus vencem prestigiado prémio

O dinossauro Kaatedocus siberi que descrevemos em Dezembro de 2012 foi objecto do magnífico trabalho de ilustração pelo artista italiano Davide Bonadonna e agora reconhecido com o prémio Lazendorf PaleoArt Prize da prestigiada Society of Vertebrate Paleontology, em duas categorias: duas dimensões e ilustração científica. Foi a primeira vez que o mesmo artista ganha duas categorias em simultâneo. Parabéns Davide!

Ilustração do crânio de Kaatedocus siberi, ilustrado por Davide Bonadonna, vencedor do prémio Lazendorf Science Illustration Award.

Jazida de Kaatedocus siberi, ilustrado por Davide Bonadonna, vencedor do prémio Lazendorf 2D PaleoArt Award.

Além disso, este dinossauro começa a ser tema por outros artistas, como Nabu Tamura.
Kaatedocus siberi interpretado por Nabu Tamura (http://spinops.blogspot.pt/2012/12/kaatedocus-sileri.html)



terça-feira, outubro 29, 2013

Nascimento e morte do Allosaurus

Há novos estudos sobre o nascimento e morte do dinossauro carnívoro Allosaurus, com resultados que nós participamos e apresentamos no importante congresso Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology que está a decorrer Los Angeles de 30 de Outubro a 2 de Novembro de 2013


Allosaurus no SaurierMuseum Aathal (fonte)
Embriões e nascimento
Os embriões de dinossauros carnívoros são bem conhecidos no Jurássico de Portugal, mas até agora não havia embriões inequívocos no Jurássico dos Estados Unidos, apesar de alguns relatos admitirem a ocorrência. O estudo é liderado por Mattew Carrano e com a participação de Octávio Mateus, enquadrado no projecto Dinoeggs.

Resumo:
Apesar de mais de um século de recolhas, resultando num dos mais estudados registos fósseis de vertebrados em qualquer lugar do mundo, a Formação de Morrison do Jurássico Superior produziu surpreendentemente poucos exemplos de ovos de dinossauro associados com restos embrionários . Ainda mais intrigante, nenhum deles parece pertencer ao terópode Allosaurus, um dos táxones mais comum e melhor compreendido de dinossauro daquela formação. Apresentamos um ninho de dinossauro de Fox Mesa, Wyoming, que produziu abundantes cascas Prismatoolithidae e ossos embrionários (ou perinatos) de Allosaurus. Isto representa a primeira descoberta deste tipo para terópodes no Jurássico da América do Norte. O ninho contém alguns conjuntos de casca de ovo elipsóide que sugerem um tamanho de ovo de cerca de 8 x 6,5 cm. Estudo da morfologia da casca do ovo e da microestrutura confirma que um único tipo de ovo que é indistinguível da Prismatoolithus coloradensis.
Todos os materiais embrionários identificáveis ​​pertencem a terópodes, e dois espécimes de premaxila mostram a cinco alvéolos, diagnóstico para Allosaurus entre os terópodes de Morrison. Isto confirma a origem teropodiana de ovos Prismatoolithus e implica Allosaurus como o táxon que produziu estes ovos. Como resultado, agora é possível atribuir várias descobertas anteriores de ovos de dinossauro e potenciais ninhos para Allosaurus , incluindo o ovo isolado de Cleveland -Lloyd . Esta descoberta
põe também em causa as atribuições anteriores de ovos Prismatoolithus para ornitópodes. Ovos de  Prismatoolithus também estão associados ao terópode Lourinhanosaurus do Jurássico Superior de Portugal, juntamente com embriões maiores e que exibem quatro alvéolos pré-maxilar .

Referência:
Carrano, M., Mateus O., & Mitchell J. (2013). First definitive association between embryonic Allosaurus bones and prismatoolithus eggs in the Morrison Formation (Upper Jurassic, Wyoming, Usa). Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2013. 101. ISSN: 1937-2809   PDF



Patologias e morte

Trabalho liderado por Serjoscha Evers com a participação de Octávio Mateus.

Adultos terópodes de grande porte são frequentemente encontrados com inúmeras patologias. Um grande, quase completo, adulto de Allosaurus (Sauriermuseum Aathal [ SMA ] 0005 ) de Howe Quary, Wyoming, da Formação Morrison (Kimmeridgian inferior-Tithoniano superior) mostra uma série de patologias. Ossos patológicos incluem a escápula esquerda , várias costelas dorsais esquerdas, o ísquio direito , e uma falange pedal esquerda.

Uma fractura completa, transversal , ocorre na parte proximal da escápula esquerda. O fragmento distal é deslocado e distorcidas em relação ao fragmento proximal . A


O ísquio direito sofreu uma fratura completa, oblíqua . Tecido ósseo áspero abrange a fratura de um lado completamente , enquanto o outro não mostra nenhum sinal de crescimento reativa.

A falange pedal tem uma hiperostose nos lados dorsal e lateral da sua extremidade proximal , formando um calo ovóide , ao contrário dos grandes exostoses irregulares em falanges de outros espécimes de Allosaurus, incluindo o espécime MOR 693 (Museum of the Rockies). A superfície óssea é áspera e não tem lesões indicativas de infecções. Isto indica a reabsorção óssea num estádio avançado da cicatrização de ferimentos.

Todas as patologias mostram sinais de cicatrização, o que sugere que nenhum deles causados ​​directamente a morte do indivíduo. Este espécime volta a mostrar que os terópodes de grande porte têm lesões traumáticas frequentes durante a vida, o que é uma indicação de um estilo de vida ativo como um predador.

Evers, S., Foth C., Rauhut O., Pabst B., & Mateus O. (2013). Traumatic pathologies in the postcranium of an adult Allosaurus specimen from the Morrison Formation of the Howe Quarry, Wyoming, U.S.A. . Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2013. 124. ISSN: 1937-2809    PDF


quarta-feira, outubro 16, 2013

Evolução e dinossauros no Porto


Crânio de Triceratops na Universidade do Porto (Foto: Univ. Porto)

A Universidade do Porto tem, desde Maio, alguns dinossauros no âmbito da exposição “Terra em Transformação”. Em Novembro, o Edifício da Reitoria da Universidade do Porto vai também receber um ciclo de palestras sobre evolução com o nome "Histórias da Terra e da Vida: do Big Bang ao Homem".

Programa:

19 novembro – 21.30h
Big Bang - a origem do universo – Orfeu Bertolami
Sistema solar e planetas – Nuno Santos

23 novembro – 15.00h
Um olhar sobre a Terra – Frederico Borges
Evolução da Vida: dos estromatólitos às trilobites – Helena Couto

30 novembro – 15.00h
Evolução das plantas ao longo da história da Terra– João Pais
Evolução dos Dinossauros e outros vertebrados – Octávio Mateus

12 dezembro - 21.30h
Origem das espécies – António Amorim
A origem do homem do ponto de vista da Arqueologia– João Pedro Ribeiro

O geólogo Jorge Dinis


Jorge Dinis no Cabo Espichel (Agosto 2012)
O paleontólogo que honramos este mês na rúbrica Paleontólogos é o Prof. Jorge Dinis, da Universidade de Coimbra, que se encontra neste preciso momento a lutar pela vida após um acidente de viação que o deixou em coma profundo desde 30 de Setembro.

Jorge Manuel Leitão Dinis é Licenciado em Geologia (Ramo Científico) na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em 1986, com 15 valores.
Frequentou em 1993 dois módulos do Mestrado em Geologia do Subsolo organizado pela Universidade Complutense de Madrid e pela Universidade Politécnica de Madrid:
Em Fevereiro de 2000 apresentou na Universidade de Coimbra a Tese de Doutoramento em Geologia, especialidade de Estratigrafia e Paleontologia, intitulada “Estratigrafia e sedimentologia da Formação de Figueira da Foz - Aptiano a Cenomaniano do sector norte da Bacia Lusitânica”, Aprovada por Unanimidade, com Distinção e Louvor.
Desde 13/12/84, e durante os anos lectivos de 1984/85 e 1985/86 exerceu, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, as funções de Monitor do grupo de Mineralogia e Geologia, lugar que ocupou até à altura em que passou a exercer as funções de Assistente Estagiário.
Em 4 de Dezembro de 1986 foi contratado como Assistente Estagiário, além do quadro, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Tendo apresentado Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica em 15 e 16 de Outubro de 1990, foi aprovado com a classificação de "Muito Bom", passando assim à categoria de Assistente.
Após a aprovação nas provas de Doutoramento, é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra desde Fevereiro de 2000.
Obteve Nomeação Definitiva na mesma categoria e mesma instituição em 28 de Setembro de 2005, com efeitos desde 18 de Fevereiro de 2006.

  1. É atualmente investigador no centro de investigação do IMAR-CMA Instituto do Mar. Apesar de o seu perfil ser mais ligado à geologia sedimentar, ele tem contribuído para a Paleontologia através de contribuições em estudos de paleobotânica, invertebrados e vertebrados.

    Os seus interesses incluem: Sedimentologia de sistemas clásticos: continentais, estuarinos e costeiros. Estratigrafia e ambientes deposicionais do Cretácico inferior. Jurássico Superior e Holocénico do centro oeste de Portugal. Gestão e ordenamento das áreas costeiras. Preservação e valorização do Património Geológico. Geomorfologia do Quaternário.
    Correlações estratigráficas, interpretação paleoambiental e cronostratigrafia do Cretácico inferior e do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica.

    Eu (O. Mateus) e o Jorge Dinis temos dois trabalhos em conjunto: um sobre a Formação da Lourinhã, como resultado da visita de estudo do congresso Strati 2013 com o Prof. Pedro Proença e Cunha, e outro trabalho sobre a transição Jurássico/Cretácico em Portugal. Essa experiência permitiu-me ir para o campo várias vezes com ele e posso relatar que é um grande geólogo e amigo: erudito, trabalhador, inteligente e divertido. Desejamos ao nosso amigo e colega Jorge Dinis as rápidas melhoras e a nossa solidariedade à família.

    Jorge Dinis, à direita, numa explicação de campo a sul da Praia da Consolação (Junho 2013)



    Bibliografia seleccionada:

    • Heimhofer, U., Hochuli, P. A., Burla, S., Dinis, J. M. L., Weissert, H. (2005). Timing of Early Cretaceous angiosperm diversification and possible links to major paleoenvironmental change. Geology, 33(2), 141-144.

    • Dinis, J. L., Rey, J., Cunha, P. P., Callapez, P., & Pena dos Reis, R. (2008). Stratigraphy and allogenic controls of the western Portugal Cretaceous: an updated synthesis. Cretaceous Research, 29(5), 772-780.

    • Reis, R. P., Cunha, P. P., Dinis, J., & Trincao, P. R. (2000). Geological evolution of the Lusitanian Basin (Portugal) during the Late Jurassic.

    • Dinis, J. L., & Trincão, P. (1995). Recognition and stratigraphical significance of the Aptian unconformity in the Lusitanian Basin, Portugal. Cretaceous Research, 16(2-3), 171-186.

    • Rey, J., & Dinis, J. L. (2004). Shallow marine to fluvial interplay in the Lower Cretaceous of central Portugal: sedimentology, cycles and controls. In Cretaceous and Cenozoic events in West Iberia margins, 23rd IAS Meeting of Sedimentology Field Trip Guidebook (Vol. 2, pp. 5-35).

    • Salminen, J., Dinis, J., Mateus, O. 2013 Preliminary magnetostratigraphy for Jurassic/Cretaceous transition in Porto da Calada, Portugal.

    • Dinis, J. L., Henriques, V., Freitas, M. C., Andrade, C., Costa, P. (2006). Natural to anthropogenic forcing in the Holocene evolution of three coastal lagoons (Caldas da Rainha valley, western Portugal). Quaternary international,150(1), 41-51.

    • Pena dos Reis, R., Dinis, J. L., Proenca Cunha, P., & Trincão, P. (1996). Upper Jurassic sedimentary infill and tectonics of the Lusitanian Basin (Western Portugal). In GeoResearch Forum (Vol. 1, No. 2, pp. 377-386).



    Informação e partes dos textos deste post são proveniente das seguintes fontes:
    pt.linkedin.com/pub/jorge-dinis/24/4b2/805
    http://coimbra.academia.edu/JorgeDinis
    http://www1.ci.uc.pt/imar/unit/people/cvs/cv/j_m_l_dinis.php
    https://woc.uc.pt/dct/person/ppgeral.do?idpessoa=18



sexta-feira, outubro 11, 2013

O estranho mundo da Welwitschia mirabilis, a planta do tempo do dinossauros

Welwitschia mirabilis de dimensões enormes, em Angola
Uma das principais curiosidades do Deserto do Namibe, no sul de Angola e norte da Namíbia, é a ocorrência de uma estranha planta chamada Welwitschia mirabilis. Trata-se de uma espécie relíquia do tempo dos dinossauros, e é única do teu tipo. É uma planta gnetófita sem verdadeiras flores, mas com um sistema vascular semelhante ao das angiospérmicas.

As welwitschias são conhecidas no registo fóssil do Cretácico Inferior do Brasil, ou seja antes da separação entre a América do Sul e África (que se deu completamente apenas no Cretácico superior). A Welwitschia é por isso um excelente exemplo de uma espécie-relíquia e argumento a favor tectónica de placas. Isto também mostra quão antigo é o deserto do Namibe, pelo menos desde o Cretácico superior, qual como tem vindo a ser demostrado pela nossa investigação em Angola.

Welwitschia mirabilis em estádio de crescimento inicial, em Angola
Na mitologia de Angola estas plantas são por vezes retratadas como carnívoras, o que obviamente não é verdade. Isso não impediu que marca de água tónica e de sapatos que usem o nome comercial Welwitschia.

Cada Welwitschia tem apenas duas única folhas e podem atingir vários metros de diâmetro. São dioicas (indivíduos do sexo feminino ou masculino, separadamente) .

O nome da planta foi dado em honra do botânico austríaco Friedrich Welwitsch que trabalhava para Portugal.



 

Fotos: O. Mateus

quinta-feira, outubro 10, 2013

Filme Discovery sobre dinossauros da Lourinhã


Vídeo do filme Discovery sobre dinossauros da Lourinhã: Dinotasia: Rivals.
Disponível em YouTube.




quinta-feira, outubro 03, 2013

João Pais, paleobotânico

O paleontólogo do mês é o Prof. João Pais, que se aposentou recentemente e que publicou agora um artigo sobre a paleo-flora do Cretácico Inferior.

Lígia Castro, João Pais e Octávio Mateus. 2008.


Paleontólogo catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT UNL, o Prof. João José Cardoso Pais nasceu no em Cabeção, Mora a 14 de Outubro de 1949. Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.
1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degois:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro. Foto por O.M. 2007
Publicou 96 artigos em revistas especializadas e 53 trabalhos em actas de eventos, possui 12 capítulos de livros e 9 livros publicados. Possui 478 itens de produção técnica. Participou em 45 eventos no estrangeiro e 46 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 352 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Engenharia Geológica, Paleobotânica, Cartografia geológica, Paleoecologia, Paleontologia, Arqueobotânica, Arqueozoologia e Educação.

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)


E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo 
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha 

Selecção de obras:

2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003

Vieira, M., Poças, E., Pais, J.,  Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5

2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.

2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.

Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X

2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.



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