quinta-feira, julho 28, 2011

PalNiassa 2011 - RDP África

Posted by:Ricardo Araújo





sexta-feira, julho 22, 2011

Projecto PalNiassa: artigo na Newsletter da GSAf (Geollogical Society of Africa)


Saíu na nova Newsletter da Geological Society of Africa um pequeno artigo sobre o Projecto PalNiassa. A interacção com a academia moçambicana, nomeadamente o geólogo Lopo Vasconcelos (mas também Mussa Achimo, João Mugabe, entre outros) tem sido crucial para o desenrolar do Projecto PalNiassa, do qual resultou este pequeno artigo sobre o Projecto. Estamos juntos!



Texto: Ricardo Araújo

sexta-feira, julho 08, 2011

Discovery Channel a filmar os dinossauros da Lourinhã

Discovery Channel a filmar os dinossauros da Lourinhã

Réplica da notícia no Ciência Hoje:



Terópode português é referência na paleontologia internacional

Dinossauros da Lourinhã atraem atenções do Discovery Channel

2011-07-07
Exemplar no Museu da Lourinhã.
Exemplar no Museu da Lourinhã.
Uma equipa do canal televisivo norte-americanoDiscovery Channel está hoje a filmar vários achados e jazidas de dinossauros na Lourinhã para um documentário temático de seis episódios, que estreia em Setembro nos Estados Unidos.

Durante as filmagens do programa, repartidas entre o Museu da Lourinhã e locais onde foram descobertas jazidas de dinossauros, o director de animação do programa, John Tindall, disse que a Lourinhã vai retratar os dinossauros portugueses num dos seis episódios.
O responsável explicou que a Lourinhã “é uma referência” na paleontologia internacional, por ser “um dos locais do mundo com maior concentração de achados de dinossauro e de espécies”. A produção do programa está a recolher imagens dos dinossauros mais característicos descobertos no concelho e das respectivas jazidas aí existentes.

Intitulada «A revolução dos dinossauros», a série vai conjugar a ciência com o entretenimento, aliando as explicações científicas a uma história animada, contada com imagens tridimensionais, sobre aspectos como as migrações de dinossauros e as diferenças de tamanhos entre eles. “Neste documentário, estes animais ganham vida através de personagens que estamos a criar”, explicou John Tindall.

“A vinda do Discovery Channel a Portugal e à Lourinhã representa mais um passo no trabalho que temos vindo a fazer na afirmação do Museu da Lourinhã a nível internacional e no reconhecimento dos nossos achados pela ciência”, afirmou o paleontólogo Octávio Mateus.

Museu da Lourinhã contribuiu com novas espécies.
Museu da Lourinhã contribuiu com novas espécies.
Com filmagens repartidas entre Portugal, Estados Unidos e Canadá, o documentário vai estrear em Setembro para os espectadores norte-americanos, desconhecendo-se a data para ser visto em Portugal. Os fósseis de dinossauros descobertos na Lourinhã têm 150 milhões de anos e estão expostos no museu local, que por ano recebe cerca de 25 mil visitantes. Os primeiros achados, vértebras e costelas de um dinossauro saurópode herbívoro, foram descobertos há 27 anos nas arribas da praia de Porto Dinheiro.

Espécie de referência na ciência

A raridade do achado levou os paleontólogos a classificá-lo como uma nova espécie de referência para a ciência, ganhando o nome de“Dinheirosaurus lourinhanensis”.

Em 1993, o casal Isabel Mateus e Horácio Mateus viria a descobrir nas arribas da praia de Paimogo um ninho de dinossauro carnívoro terópode, com uma centena de ovos com embriões, o único em toda a Europa e o segundo mais antigo em todo o mundo. Os cientistas vieram a concluir que estavam perante uma nova espécie até então desconhecida, apelidando-o de “Lourinhanosaurus antunesi”.

O Museu da Lourinhã contribuiu com a descoberta de outras quatro novas espécies de dinossauros, sendo de destacar parte do esqueleto e crânio de um estegossauro herbívoro (“Miragaia longicolum), dentes, vértebras e partes dos membros inferiores e posteriores de um ornitópode camptosaurídeo (“Draconyx loureiroi”) e de parte do crânio do terópode carnívoro “torvosaurus taneri”, que se encontram em exposição.

Lourinhã: Discovery filma achados de dinossauros

sexta-feira, junho 24, 2011

PalNiassa 2011: Diário de expedição

Podem seguir aqui todos (ou quase todos) os dias da nossa expedição a Moçambique: PalNiassa 2011



Texto de: Ricardo Araújo

quarta-feira, maio 18, 2011

Prognathodon kianda, o mosassauro de Angola

Até 2005, eram conhecidos três géneros de répteis mesozóicos em Angola, todos mosassaros: Globidens, Angolasaurus e Tylosaurus.
Desde esse ano que tenho feito trabalho de campo regular naquele país como colegas Portugueses, Angolanos, Norte-Americanos e Holandeses. Os resultados falam por si: desde então, a contagem de géneros de tetrápodes subiu para cerca de vinte.
Alguns são novos, como o dinossauro Angolatitan adamastor, e a tartaruga Angolachelys mbaxi e o mosassauro Prognathodon kianda.
Maxila de Prognathodon kianda de Angola
O Prognathodon, classificado como um Globidensini (grupo dentro da família dos Mosasauridae, foi um mosassauro que viveu nos mares de quase todo o mundo. Conhecem-se exemplares na Nova Zelândia, Israel, Marrocos, Rússia, e Estados Unidos durante o final do Cretácico e seis espécies (embora seja possível que nem todas sejam válidas): Prognathodon compressidens, P. currii, P. kianda, P. mosasauroides, P. sectorius, e P. waiparaensis.

Este género é um dos assuntos de pesquisa e paixão do meu colega holandês Anne S. Schulp [e sim, é um homem apesar de ter o nome “Anne”, pois este pode ser nome masculino na sua região da Holanda].

Referências:

  1. A. S. Schulp, M. J. Polcyn, O. Mateus, L. L. Jacobs, and M. L. Morais. 2008. A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. Proceedings of the Second Mosasaur Meeting 1-12. PDF
  2. A. S. Schulp, M. J. Polcyn, O. Mateus, L. L. Jacobs, and M. L. Morais, &; Tavares, T.S. 2006. New mosasaur material from the Maastrichtian of Angola, with notes on the phylogeny, distribution and palaeoecology of the genus Prognathodon. Publicaties van het Natuurhistorisch Genootschap in Limburg Reeks XLV aflevering 1. Stichting Natuurpublicaties Limburg, Maastricht: 57-67. PDF
  3. Schulp, A.S., Mateus, O., Polcyn, M.J., Jacobs, L.L. (2006). A New Prognathodon (Squamata: Mosasauridae) from the Cretaceous of Angola. Journal of Vertebrate Paleontology, 26 (Suppl. To 3): 122A.PDF

Posted by Picasa

sábado, maio 14, 2011

Site do Projecto PalNiassa




É com prazer que anunciamos o lançamento do site do Projecto PalNiassa, elaborado pelos líderes do projecto Luís Costa Júnior, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo. Este é o site que servirá de interacção entre o público geral e as pessoas envolvidas no projecto.



Aqui vai: https://sites.google.com/site/palniassa/

Texto de: Ricardo Araújo e Rui Castanhinha

terça-feira, maio 10, 2011

Um novo espécime de Baryonyx walkeri é o dinossauro mais completo no Cretácico de Portugal

Foi publicado recentemente o mais completo dinossauro do Cretácico de Portugal: o Baryonyx walkeri. É uma espécie também conhecida em Inglaterra e Espanha, e alguns fragmentos foram inicialmente interpretados como sendo de um crocodilo (Suchosaurus) e recentemente re-identificados como de Baryonyx.

Dentes de Suchosaurus cultridens (espécime BMNH-Londres) e S. girardi (espécime Museu Geológico- Lisboa), agora considerados nomina dubia (Mateus et al., 2011)
O artigo, publicado na revista Zootaxa, foi liderado por Octávio Mateus após a descoberta e recolha do espécime por Carlos Natário no Cabo Espichel. A investigação foi realizada pela Universidade Nova de Lisboa (CICEGe-FCT) e Museu da Lourinhã.



Dente de Baryonyx walkeri ML1190 (Mateus et al., 2011)






Tradução do resumo:
Embora o Jurássico Superior de Portugal seja rico em fósseis de dinossauros, o material do Cretáceo Inferior é escasso. Este artigo  descreve novo material craniano e pós-cranianos do dinossauro terópode  Baryonyx walkeri encontrado no Barremiano (Fm. Papo Seco) de Portugal. Este espécime, encontrado na Praia das Aguncheiras, Cabo Espichel, consiste num dental, dentes isolados, garras, calcanea, vértebras pré-sacras e caudais, púbis, escápula, e fragmentos de ossos. Ele representa o Spinosauridae mais completo já descoberto na Península Ibérica, o dinossauro mais completo do Cretáceo de Portugal. Este espécime é identificado como um membro dos Baryonychinae devido à presença de dentes cónicos, canelados, com dentículos, e dentes dispostos em roseta. O espécime ML1190 partilha com as seguintes características com o holótipo de Baryonyx walkeri: superfície do esmalte com pequenas estrias (quase verticais), o tamanho dos dentículos é variável ao longo da carina, 6-7 dentículos por mm, estrias formam um ângulo de 45 graus, perto da carina, e raiz do dente é superior à coroa. 
Além disso, a taxa duvidosos com base na morfologia dos dentes, como cultridens Suchosaurus cultridens (Owen, 1840-1845), e  Suchosaurus girardi Sauvage 1897-98 são discutidos, com base em comparações com Baryonyx walkeri Charig & Milner, 1986. Suchosaurus cultridens e S. girardi são considerados como nomina dubia, devido à falta de apomorfias diagnósticas, mas ambos são possivelmente Baryonychinae incertae sedis. 


Dental (mandíbula inferior) de Baryonyx walkeri ML1190 (Mateus et al., 2011) 
Resumo original:

Although the Late Jurassic of Portugal has provided abundant dinosaur fossils, material from the Early Cretaceous is scarce. This paper reports new cranial and postcranial material of the theropod dinosaur Baryonyx walkeri found in the Barremian (Papo Seco Formation) of Portugal. This specimen, found at Praia das Aguncheiras, Cabo Espichel, consists of a partial dentary, isolated teeth, pedal ungual, two calcanea, presacral and caudal vertebrae, fragmentary pubis, scapula, and rib fragments. It represents the most complete spinosaurid yet discovered in the Iberian Peninsula and the most complete dinosaur from the Early Cretaceous of Portugal. This specimen is confidently identified as a member of Baryonychinae due to the presence of conical teeth with flutes and denticles in a dentary rosette. The specimen ML1190 shares the
following characteristics with Baryonyx walkeri: enamel surface with small (nearly vertical) wrinkles, variable denticle size along the carinae, 6–7 denticles per mm, wrinkles forming a 45 degree angle near the carinae, and tooth root longer than crown. In addition, dubious taxa based on teeth morphology such as Suchosaurus cultridens (Owen, 1840–1845), and Suchosaurus girardi (Sauvage 1897–98; Antunes & Mateus 2003) are discussed, based on comparisons with well-known material such as Baryonyx walkeri Charig & Milner, 1986. Suchosaurus cultridens and S. girardi are considered as nomina dubia due to the lack of diagnostic apomorphies, but both specimens are referred to Baryonychinae incertae sedis.


Referência:
Mateus, O., Araújo, R., Natário, C. & Castanhinha, R. 2011. A new specimen of the theropod dinosaur Baryonyx from the early Cretaceous of Portugal and taxonomic validity of Suchosaurus. Zootaxa 2827: 54–68.  PDF




Garra do pé de Baryonyx walkeri ML1190 (Mateus et al., 2011)




Deixamos um agradecimento aos museus The Natural History Museum (Angela Milner) e Museu Geológico (Miguel Ramalho) pelas visitas às colecções.



sábado, abril 30, 2011

O segundo nascimento de um dinossauro

Os dinossauros nascem, pela primeira vez, quando eclodem do seu ovo. Vivem, morrem e eventualmente podem tornar-se fósseis. Passados milhões de anos pode dar-se o seu segundo nascimento, em que aparecem para o público, pela mão dos paleontólogos, divulgadores, e comunicação social.

O caso do novo dinossauro Angolatitan adamastor anunciado por nós no passado dia 16 de Março de 2011 é um exemplo desse segundo nascimento. Fui acompanhando o número de páginas no Google para a palavra “Angolatitan”. Obviamente que antes de ser anunciado esse nome ainda não existia para o grande público, logo não havia nenhuma página com esse nome. No próprio dia apareceram cerca de 300 páginas, que cresceram para umas 1500 no dia seguinte. O crescimento foi exponencial até às 43.000 páginas!

Para isso contribuíram as notícias no New York Times, BBC, Washington Post, e claro nos jornais portugueses Público, Jornal de Notícias, etc.

Hoje aparece em 27.000 páginas e a redução explica-se pelo facto de ser retirado de alguns sites de notícias.
Aqui vão alguns dos links:

Em Português
http://www.publico.pt/Ciências/primeiro-dinossauro-de-angola-recebe-o-apelido-adamastor_1485151

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1808280

http://www.voanews.com/portuguese/news/descoberto-primeiro-dinossauro-angolano-118177349.html

http://www.ionline.pt/conteudo/110721--nova-especie-dinossauro-em-angola-reconhecida-pela-ciencia

http://diario.iol.pt/tecnologia/angola-fosseis--dinossauros-angolatitan-adamastor-octavio-mateus-tvi24/1239834-4069.html

http://www.alvorada.pt/noticia.php?id=4135

http://aeiou.expresso.pt/paleontologia-portugues-descobre-fosseis-de-primeiro-dinossauro-em-angola=f637907

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=60&id_news=500166

http://www.angonoticias.com/full_headlines_.php?id=30935

http://jornaldeangola.sapo.ao/18/0/descoberto_primeiro_fossil_de_um_dinossauro_angolano

http://jpn.icicom.up.pt/2011/03/23/paleontologo_portugues_partiu_a_descoberta_de_um_fossil_de_dinossauro_em_angola_.html

IN ENGLISH
http://www.nytimes.com/2011/03/17/world/africa/17briefs-ART-Dinosaur.html?_r=1

http://www.zmescience.com/science/archaeology/new-giant-dinosaur-found-in-angola-2145424/

http://www.signonsandiego.com/news/2011/mar/16/first-dinosaur-fossil-discovered-in-angola/

http://www.dailyamerican.com/news/sns-bc-af--angola-dinosaur,0,448602.story

http://www.newstimes.com/news/article/First-dinosaur-fossil-discovered-in-Angola-1156040.php

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1367072/Scientists-discover-Angolan-Giant-dinosaur-largest-ever.html

http://www.freep.com/article/20110320/NEWS07/103200483/Ticks-blamed-deadly-virus

http://current.com/news/93078917_angolatitan-adamastor-new-dinosaur-angolan-giant-discovered.htm?xid=RSSfeed

http://www.bostonherald.com/news/international/africa/view/20110316first_dinosaur_fossil_discovered_in_angola/srvc=news&position=recent_bullet

http://www.newser.com/article/d9m0engo0/1st-dinosaur-fossil-discovered-in-angola-where-decades-of-war-interrupted-research.html

http://www.thestar.com/news/world/article/954883--new-dinosaur-species-discovered-in-angola

http://economictimes.indiatimes.com/environment/wild-wacky/scientists-unearth-largest-ever-plant-eating-dinosaur/articleshow/7728227.cms

http://www.iol.co.za/scitech/science/discovery/dinosaur-fossil-found-in-angola-1.1042902

http://abcnews.go.com/Technology/wireStory?id=13148120

http://www.huffingtonpost.com/2011/03/16/angolatitan-adamastor-dinosaur-discovered_n_836647.html

http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=134596765

http://www.newsday.com/news/first-dinosaur-fossil-discovered-in-angola-1.2762894

http://www.google.com/hostednews/canadianpress/article/ALeqM5ghvsEXZffVX9Dfg4StvA2Fhf10cw?docId=6265706

http://www.cbc.ca/news/technology/story/2011/03/17/tech-dinosaur-angola.html

http://abcnews.go.com/meta/search/imageDetail?format=plain&source=http%3A%2F%2Fabcnews.go.com%2Fimages%2FTechnology%2F7c757126e85542628af9587c242cf215

http://www.washingtontimes.com/topics/octavio-mateus/

http://www.themonitor.com/sections/article/gallery/?pic=1&id=48093

http://www.msnbc.msn.com/id/42119690?GT1=43001

http://blogs.voanews.com/breaking-news/2011/03/17/fossil-of-giant-dinosaur-found-in-angola-2/
http://www.inclusiveplanet.com/en/channelpost/2448151


Em espanhol
http://www.rtve.es/noticias/20110316/dinosaurio-angoleno-ultimo-superviviente-sauropodos-primitivos/417324.shtml

Em holandês
http://www.kennislink.nl/publicaties/de-eerste-dinosaurus-uit-angola

Traços de invertebrados


O estudo de pegadas e rastos fósseis pode ser bem inesperado. No Jurássico superior de Portugal, por vezes encontramos rastos em forma de ferradura mas obviamente não podem ser feitas por um cavalo pois estes não existiam no Jurássico nem tão pouco são de dinossauros. Tratam-se de traços Rhizocorallium criados por invertebrados. 
Estas fotos, feitas em Paúla, no Concelho de Alenquer, mostram esse mesmo Rhizocorallium. Estes traços, interpretados como pegadas de cavalo, dão por vezes origem a toponímias ou lendas como a Pegadas da Mula, ou Mão de Cavalo. 





Lockley et al. 1994. “Pegadas de mula”: An explanation for the occurrence of Mesozoic traces that resemble mule tracks. Icnhos LINK

terça-feira, abril 12, 2011

Movendo monólitos com raros plesiossauros de Angola





Ontem, um bloco recolhido em 2010 em Angola com mais de uma tonelada foi transportado para os laboratórios da Southern Methodist University (Texas) para ser preparado. Este bloco contem um esqueleto praticamente completo incluindo o crânio de um plesiossauro. Em breve mais novidades sobre o avanço deste incrível achado serão dadas. Todos os fósseis recolhidos no âmbito do Projecto PaleoAngola serão devolvidos a Angola.

Ricardo Araujo

quinta-feira, abril 07, 2011

Projecto PalNiassa: primeiro preparador de fósseis de Moçambique recebe formação no Museu da Lourinhã



Com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio logístico e técnico do Museu da Lourinhã o Salimo Mário, natural de Moçambique tem estado desde Fevereiro a trabalhar nos fósseis de vertebrados encontrados no âmbito do projecto PalNiassa. Ricardo Araújo e Rui Castanhinha são os responsáveis pela sua formação. Neste momento o Salimo tem-se concentrado nos vestígios encontrados em 2009, nomeadamente num crânio completo praticamente de um ancestral comum aos mamíferos. Bom trabalho Salimo!

quarta-feira, março 16, 2011

Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro de Angola

Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro angolano, mostra que em África perduraram formas relíquias de saurópodes

Angolatitan adamastor (por Karen carr)

Uma nova espécie de dinossauro saurópode, designada por Angolatitan adamastor, representa a descoberta do primeiro dinossauro em Angola sendo, na África subsaariana, uma das poucas ocorrências de dinossauros saurópodes desta idade geológica. Este animal herbívoro de cerca de 13 metros de comprimento viveu há aproximadamente 90 milhões de anos atrás, numa idade geológica chamada Cretácico Superior, quando Angola era bastante diferente do que é hoje.

"Para nós esta descoberta é surpreendente pois pensávamos que este tipo de dinossauro já estava extinto naquela época" diz Octávio Mateus, descobridor do exemplar e autor do respectivo estudo. "Além disso mostra que ainda há muito por descobrir em África", sublinha este paleontólogo da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã.
Saurópode Angolatitan a ser comido por mosassauros (por Fabio Pastori)


Embora herbívoro, o Angolatitan evoluiu adaptado-se às condições áridas ou semi-desérticas. Os sedimentos marinhos de onde provém o espécime estão datados do Cretácico Superior (quando predominavam titanossauros) e, portanto, trata-se de um saurópode não-titanossauro na África subsaariana. Por outras palavras, o Angolatitan é uma forma relíquia, só sobrevivendo em Angola naquela altura.
O nome científico Angolatitan significa Titã de Angola e adamastor é uma referência à mitologia portuguesa durante as expedições navais na costa africana.

A descoberta inclui um membro anterior descoberto em 2005 a cerca de 70 km a norte de Luanda, pelo paleontólogo Octávio Mateus, mas as escavações incluíram paleontólogos de Angola (Universidade Agostinho Neto), Estados Unidos (SMU) e Holanda (Natural History Museum Maastricht).
Scapula and Humerus of Angolatitan adamastor Mateus et al 2011


O Projecto PaleoAngola é um projecto científico com a missão de descobrir, colher, preparar, estudar, preservar e exibir os fósseis de vertebrados encontrados em Angola, envolvendo cientistas de Portugal, Angola, Estados Unidos, Holanda e Suécia.

Os resultados de missões nos terrenos do Cretácico foram surpreendentes, com a descoberta do primeiro dinossauro de Angola, com cerca de 90 milhões de anos, além de vestígios de mosassauros, plesiossauros, amonites e tartarugas fósseis.

Em média, tem sido descoberta uma nova espécie por expedição, aumentando o conhecimento geral sobre a fauna fóssil.

Parte da preparação dos fósseis decorre no laboratório do Museu da Lourinhã, ao abrigo do protocolo entre o GEAL -– Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, entidade que tutela o Museu da Lourinhã, e a Universidade Agostinho Neto.
Filogenia dos dinossauros saurópodes e posição de Angolatitan adamastor



Site do Projecto PaleoAngola: www.paleoangola.org

Mais imagens aqui.

Publicação:
“Angolatitan adamastor, a new sauropod dinosaur and the first record from Angola”
por Octávio Mateus, Louis L. Jacobs, Anne S. Schulp, Michael J. Polcyn, Tatiana S. Tavares, Antré Buta Neto, Maria Luísa Morais and Miguel T. Antunes. Anais da Academia Brasileira de Ciências.
PDF disponível aqui

terça-feira, março 15, 2011

Entrevista ao Jornal i: Sorte geológica pôs a Lourinhã no mapa

Entrevista ao Jornal i:



Dinossauros. Sorte geológica pôs a Lourinhã no mapa

por Marta F. Reis , Publicado em 25 de Fevereiro de 2011   
Octávio Mateus é uma referência na paleontologia internacional. Até a Fundação Jurássico, do realizador Steven Spielberg, reparou neste caçador de ossos de dinossauro
No laboratório trabalham voluntários e estudantes. Vão todos para o campo ao segundo sábado de cada mês
No laboratório trabalham voluntários e estudantes. Vão todos para o campo ao segundo sábado de cada mês
Não fosse uma espécie de fado geológico - já explicamos - Octávio Mateus não estaria a percorrer connosco os corredores do Museu da Lourinhã. "Estes foram os meus primeiros fósseis, tinha nove anos", diz, e aponta dentes de dinossauro numa das primeiras vitrinas. O espaço guarda pérolas da etnologia como antigas formas de supositórios e fósseis dignos de um grande museu de história natural: a ala dedicada ao jurássico abre com uma réplica gigante do Miragaia longicollum, descoberto em 2009 na aldeia de Miragaia, a cinco quilómetros dali. Hoje Octávio Mateus tem 36 anos e a Lourinhã é uma referência na paleontologia internacional. A última prova não é um fóssil inédito - o paleontólogo já baptizou oito espécies - mas uma bolsa da Fundação Jurássico, criada por Steven Spielberg para devolver à ciência parte dos lucros da famosa saga em que dinossauros ressuscitados conseguem tomar o mundo, pelo menos o do megalómano John Hammond.

Para Octávio Mateus, esta é a segunda bolsa patrocinada pelo "Parque Jurássico". Desta vez, o projecto é assinado também pelo aluno de doutoramento Emanuel Tschopp e passa por ir ao Museu dos Dinossauros de Aathal, perto de Zurique, digitalizar a três dimensões esqueletos de saurópodes, grandes dinossauros de pescoço longo. "É mais o charme", admite o paleontólogo, já que o cheque de 3 mil dólares chega apenas para reconstruir os passos desta espécie. Havia muito mais por fazer, por exemplo um grande museu do jurássico, plano na gaveta há mais de dez anos - e com ele grande parte do património paleontológico descoberto em Portugal.

Estamos sentados nos escritórios depois de espreitar o laboratório onde se limpam os fósseis ou os embriões mais antigos de que há registo - 30 fósseis de projectos de dinossauro (o segundo maior ninho do mundo) com 150 milhões de anos. Começa a aula de jurássico.

Porquê a Lourinhã? "Não quero dizer sorte, porque na ciência não há acasos", responde Octávio Mateus. "Quando se abriu o Atlântico Norte, os sedimentos começaram a afundar. Criaram-se bacias em que os esqueletos são cobertos de detritos, mais tarde tornando-se fósseis. Toda a nossa orla costeira ocidental é o resultado do preenchimento de mares interiores, de lagoas", explica. Entra o fado que trouxe aos anais científicos espécies tão nossas como um Lourinhanosaurus antunesi, a primeira baptizada pelo paleontólogo em 1998. "Por várias vicissitudes da geologia, as rochas estão sempre a ser erguidas e afundadas. Temos a sorte de actualmente termos exactamente o terreno no nível certo para fazer estas descobertas: não subiu o suficiente para ser erodido, nem desceu o suficiente para os dinossauros estarem lá em baixo." A sorte estende-se do cabo Mondego ao cabo Espichel, com reservas mais pequenas no Algarve e na costa alentejana, em Sines. Mas a Lourinhã é o epicentro, pela vegetação que existia na altura e, factor importante, pela equipa de amadores e depois profissionais que desde os anos 70 deitou as mãos ao terreno. "Ou seja, também existiram dinossauros, presumo eu, no Minho, em Trás-os-Montes, no Alentejo interior, mas aí infelizmente não temos terrenos do tempo dos dinossauros. Os que estão à superfície são ainda mais antigos que os dos dinossauros. O que estivesse por cima foi erodido e desapareceu para sempre."

Um parque jurássico português? O projecto existe e já foi proposto à câmara da Lourinhã, à FCT, e a quem quisesse ouvir. A ideia não seria difícil de comprar, havendo dinheiro. Octávio Mateus não é homem de poupar nas palavras. "Por quilómetro quadrado devemos ser o país com mais dinossauros do mundo", resume. "Em Espanha, com património muito menor do que o nosso, fizeram muito mais." Os argumentos para a paleontologia deixar de ser o "primo pobre" da ciência nacional são muitos. "É impossível falar da evolução das plantas com flor em qualquer texto sem falar dos fósseis de Portugal. Para falar da origem dos mamíferos, com 150 milhões de anos, Portugal é espectacular. Temos uma população extraordinária de trilobites gigantes." E ainda há muito por escavar, mesmo por aqui? "Se formos para o campo descubro um", desafia. "Onde?", pergunta a curiosidade. Octávio Mateus muda de tom. "Temos de ter cuidado com a preservação dos locais. Infelizmente temos fósseis que vão parar ao estrangeiro, que desaparecem." Ladrões de fósseis? "Sim. É uma preocupação que temos de ter. A legislação portuguesa ainda é muito parca sobre a protecção do património paleontológico, o que faz com que seja difícil alertar as autoridades. Há pouco enquadramento legal para poderem actuar. Sei de um caso de um colega que descobriu coisas que foram parar à Holanda e ainda não regressaram. Está prometido há dois anos."

A coisa mais estranha Nunca lhe apareceu um hominídeo pela frente? "Já encontrei ossos humanos em Angola." Um cemitério? "Não, numa ravina", ri, e eram "contemporâneos". De resto, para além de levar com tempestades de areia com ventos de 90 km/h no deserto de Gobi, na Mongólia, e de um osso de dromedário em Angola o ter feito puxar pelos "terabytes" de memória anatómica e histológica (as palavras caras da profissão) para perceber de que espécie se tratava - não existem camelos no país - uma das cenas mais caricatas passou-se no Laos. "Tivemos de sacrificar um porco porque o dinossauro que estávamos a escavar era considerado o búfalo sagrado que puxa o sol todos os dias. Quando se cansa e morre, cai. Eram os ossos deles."

No pátio interior do museu, Octávio Mateus mostra as pegadas por tratar ao lado de vasos. Aponta as arestas com aquela certeza incompreensível para um leigo. "Eu próprio sou incrédulo. A natureza pode pregar-nos partida e coisas que possam parecer fósseis não o são. O fóssil tem uma textura própria, uma cor diferente, é mais difícil enganarmo-nos. No caso das pegadas, se tenho dúvidas não lhes mexo."

Já que o motivo da visita é a bolsa de Spielberg, supomos que ressuscitar um dinossauro seja o desejo secreto de um paleontólogo. "Já o fazemos. Nós somos os únicos caçadores que em vez de matar damos vida. Conseguimos estudá-los, perceber como eram, o que faziam."

Virem-lhes roubar os embriões para tirar ADN não é uma preocupação. Concretizar a ficção parece-lhe "praticamente" impossível, porque ninguém se atreve a condenar os avanços científicos. "O ADN está muito fragmentado, o que fazemos com as partes que faltam? E se conseguirmos, quem produz o ovo? Em que ambiente de incubação?" As perguntas não têm resposta, ainda. Seria o fim do homem? "A única coisa que sabemos hoje é que a extinção dos dinossauros permitiu que nós existíssemos. Permitiu a evolução dos mamíferos." A ideia de uma sexta extinção, mesmo que significasse milhares de fósseis para os paleontólogos do futuro, preocupa-o, como defende que deve preocupar toda a gente. "De qualquer forma, a vida continua. Por muito que tentássemos, jamais conseguiríamos matar a vida toda. Mas isso não é prémio de consolação se não estivermos cá." 

terça-feira, março 01, 2011

Plesiossauros de Angola




A mitologia Angolana inclui bestas marinhas como o Kianda, um monstro que comia pessoas. No entanto, há muitos milhões de anos atrás (aproximadamente 69 milhões de anos) inúmeros répteis marinhos gigantescos cruzaram o mar ao largo da costa de Angola.

Entre os quais se contavam os plesiossauros: os Kianda que existiram mesmo. Nesta altura, porém, não existiam humanos e este tipo de animais alimentava-se somente de peixe e cefalópodes. Alguns plesiossauros tinham longos pescoços, outros pescoços curtos mas cabeças extremamente robustas. Os plesiossauros têm uma história evolutiva extremamente interessante pois são os répteis marinhos mais diversos em número de espécies bem como em termos de longevidade. Existem mais de duas centenas de espécies conhecidas de plesiossauros, e duraram enquanto grupo durante quase todo o Mesozóico. Mais de cento e cinquenta milhões de anos de história evolutiva... Existiram plesiossauros com inúmeros pequenos dentes aguçadíssimos que para se alimentarem de pequenos crustáceos e peixes, existiram plesiossauros com um crânio robusto e dentes poderosos capazes de dilacerar grandes presas. A disparidade morfológica é radicalmente diferente de grupo para grupo. Alguns plesiossauros engoliam pedras, chamados gastrólitos, para servir de lastro e para que o seu corpo adquirisse flutuabilidade neutra... outros tinham adaptações especiais nos ossos do corpo tornando os ossos extremamente densos e, portanto, produzindo o mesmo efeito de flutuabilidade neutra.


Angolan mythology includes stories of a beast named Kianda, a sea monster who ate people. In reality, millions of years ago (~69 ma) numerous giant marine reptiles lived in the sea off the coast of Angola. Among them were animals called plesiosaurs: a sea monster that really did exist. At this point, however, there were no humans and plesiosaurs only fed on fish and cephalopods. Some plesiosaurs had long necks and relatively small heads while others had short necks and extremely robust heads. Plesiosaurs have a long and interesting evolutionary history and are are the most diverse marine reptiles in species number and in terms of longevity. There are over two hundred known species of plesiosaurs, and the group lasted for almost the entire Mesozoic; more than one hundred and fifty million years of evolutionary history ... There were plesiosaurs with numerous small teeth that enabled it to feed on small crustaceans and fish, there were plesiosaurs with a robust skull and powerful teeth that can tear apart very large prey. The morphological disparity is radically different from group to group. Some plesiosaurs swallowed stones, called gastroliths to serve as ballast to acquire neutral buoyancy ... others had special adaptations in the bones of the body making the bones very dense and therefore producing the same effect of neutral buoyancy.



Angola é central para compreender a história evolutiva deste grupo de animais. Neste momento temo-nos concentrado nos últimos capítulos da sua história, mas, felizmente, Angola tem rochas que representam várias idades e que, portanto, permitem aceder a vários outros capítulos da história fascinante destes animais. Até agora já foi descoberto por exemplo o Tuarangisaurus que é um táxone extremamente interessante uma vez que, a confirmar-se a sua natureza ontogenética, apresenta traços claramente que corresponderiam a indivíduos de plesiossauros juvenis. Também numa perspectiva biogeográfica este taxóne parece ser interessante, ocorrendo em três continentes distintos: América do Sul (Argentina), Oceânia (Nova Zelândia) e agora África (Angola; ver resumo em Araújo et al. 2010).

Angola is central to understanding the evolutionary history of this group of animals. Currenty we are concentrating on the final chapters of their history, but fortunately, Angola has older rocks too, and therefore allows access to several other chapters in the history of these fascinating animals. We have thus far discovered a number of forms, including one called Tuarangisaurus. This taxon is very interesting because it appears to conserve morphology that corresponds to juvenile plesiosaurs of other taxa. Also, from a biogeographic perspective, this taxon appears to be restricted to the southern hemisphere, but is widespread, occurring in three different continents: South America (Argentina), Oceania (New Zealand) and now Africa (Angola, see summary in Araújo et al. 2010).

Ver:http://www.paleolabs.org/paleoangola/the-fossils/54-the-fossils/129-plesiossauros