quinta-feira, março 26, 2020
Introduction to modern amphibians
segunda-feira, março 09, 2020
Apenas mudaram 2ºC durante a extinção dos dinossauros (e já subiu 0.6ºC nos últimos 140 anos)
Durante a extinção dos dinossauros a temperatura da Terra mudou apenas 2ºC e nos últimos 140 já mudou cerca de 0.6ºC. Num recente artigo publicado na Science sobre alteração do ecossistema e paleoclimas que resultaram extinção dos dinossauros são discutidas as hipótese do impacto de meteoro e vulcanismo no final do Cretácico e início do Paleogénico, a fronteira K-Pg. Nesse trabalho, assinado por 36 autores (Hull et al. 2020), executaram várias simulações de temperatura com base em diferentes cenários de emissão de gases vulcânicos e comparam com registros de temperatura no evento de extinção. Quando combinados com outras linhas de evidência, esses modelos apoiam uma extinção causada por impacto. No entanto, os gases vulcânicos podem ter desempenhado um papel na formação do surgimento de diferentes espécies após o evento de extinção.
Mas o que é interessante é que a variação de temperatura (delta) no Cretácico/Paleogénico de apenas 2ºC durante 200.000 anos. Pode parecer pouco mas é uma variação que está associada a uma extinção em massa e que arrasou com os dinossauros não avianos.
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| Temperatura no final do Cretácico e início do Paleogénico. Apenas 2ºC estão associados à extinção dos dinossauros. (Hull et al., 2020) |
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| Variações da temperatura durante Holocénico na Terra em comparação com a média histórica (1961-1990), mostrando um pico moderno que rompeu as linhas de tendência. Fonte: S. Marcott, Science, 2013. |
No Cretácico/Paleogénico a variação foi de 2ºC durante 200.000 anos e foi quando os dinossauros se extinguiram, ou seja. muito menos abrupta que a alteração actual.
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| Anomalia de temperatura (ºC) (fonte: NASA) |
Hull, P. M., Bornemann, A., Penman, D. E., Henehan, M. J., Norris, R. D., Wilson, P. A., ... & Bralower, T. J. (2020). On impact and volcanism across the Cretaceous-Paleogene boundary. Science, 367(6475), 266-272.
Marcott, S. A., Shakun, J. D., Clark, P. U., & Mix, A. C. (2013). A reconstruction of regional and global temperature for the past 11,300 years. science, 339(6124), 1198-1201.
sexta-feira, fevereiro 28, 2020
Anquilossauro português é o mais completo do Jurássico
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| Representação aproximada do esqueleto (FCT-UNL 702) com os ossos conhecidos até agora a vermelho. Adaptado de Scott Hartman, 2011. |
Abaixo transcreve-se o resumo apresentado no congresso:
Here we present a new specimen recovered in the coastal cliffs near the beach of Porto da Calada, about 40 km North of Lisbon, in a light gray, fine to medium grained sandstone, close to the top of the Lourinhã formation, Upper Tithonian. It consists of a nearly complete skull, with maxillary teeth, at least eleven articulated dorsal vertebrae with proximal half of ribs, ten articulated anterior caudals, mostly complete and articulated synsacrum, several fragments of disarticulated and broken ribs, both femora articulated in the acetabulum, partial ilia with attached pelvic shield, right humerus missing the proximal end, partial right scapulocoracoid, over 180 osteoderms (lateral, caudal and dorsal, most in situ) of various size (0.5-18 cm), at least 40 ossified tendons mostly attached to the vertebrae, and partial pelvic shield. This specimen (FCT-UNL 702), still under preparation, is one of the most complete Jurassic ankylosaurs.
Many of the ankylosaurian traits are present: medially inset maxillary tooth row; dorsal expanded proximal T-shaped ribs; posteriormost dorsal vertebrae fused to form a rod; horizontal hypertrophied preacetabular process, showing attachment scar of a posterior dorsal rib; robust humerus with deltopectoral crest extending mid shaft; distally positioned ridge-shaped fourth trochanter; extensive dermal armor (scutes, lateral plates and pelvic shield); and large hollow-based lateral plates.
The femoral head is separated from greater trochanter by a distinct slope which is diagnostic of Nodosauridae, but contrary to these, the posterior width of the skull is twice the width across the orbits. The phylogenetic position of the Portuguese specimen is not yet fully understood, but likely close to the split between the two major clades: Nodosauridae and Ankylosauridae. Also, it is still unclear if this is a second specimen of the sympatric and coeval D. zbyszewskii."
terça-feira, fevereiro 18, 2020
José Fernando Bonaparte (1928-2020), o Mestre do Mesozóico
Faleceu hoje o paleontólogo José Bonaparte.
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| José Fernando Bonaparte (1928-2020) Fonte |
Bonaparte era filho de um marinheiro italiano, sem nenhuma ligação próxima com a família de Napoleão Bonaparte. Apesar da falta de treino formal em paleontologia , ele começou a recolher fósseis com muitos amigos desde cedo e criou um museu na sua cidade natal. Mais tarde, ele tornou-se o curador da Universidade Nacional de Tucumán , onde foi nomeado Doutor Honoris causa em 1976 e, no final dos anos 70, tornou-se o paleontólogo no Museu Argentino de Ciências Naturais em Buenos Aires.
https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Bonaparte
https://species.wikimedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Fernando_Bonaparte
| José Bonaparte na Lourinhã em 1998, em conjunto com outros paleontólogos |
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| Vértebras desenhadas pelo próprio José Bonaparte do dinossauro saurópode de Porto Dinheiro, o Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus 1999. |
quinta-feira, fevereiro 13, 2020
Moedas com dinossauros
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| Moeda de 3€ emitida pela Áustria em 2019 com o Spinosaurus. |
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| Moeda de 25 Rand, em prata, com Euparkeria. |
Nova espécie de cavalinha fóssil com 303 milhões de anos e nome dedicado a João Pais
Fóssil português de uma nova espécie de planta, semelhante às cavalinhas actuais, e respectiva galha revelam novidades sobre a relação entre plantas e insectos há cerca de 300 milhões de anos.
As cavalinhas são plantas com uma linhagem histórica muito antiga, com registo fóssil desde o Devónico Superior até à actualidade, existindo em abundância em Portugal nos dias de hoje. Num novo artigo liderado por Pedro Correia, é descrita uma nova espécie de cavalinha de São Pedro da Cova do Pensilvânico superior de Portugal que recebeu o nome Annularia paisii dedicada ao paleontólogo João Pais, especialista em plantas fósseis da Universidade Nova de Lisboa.
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| Annularia paisii Correia et al. (2020) e sua galha induzida por insecto (reconstrução de Andrey Atuchin) |
Uma das curiosidades desta espécie é que tinha uma galha, ou seja, uma reacção da planta induzida por insectos, fungos, bactérias, ou outros indutores. As cavalinhas (sensu Equisetopsida ou Sphenopsida) tal como a maioria das plantas reagem a ataques de insectos formando galhas. Os grandes bugalhos das azinheiras são porventura as galhas mais conhecidas em Portugal.
A Annularia paisii tinha uma galha, induzida por insetos, até agora desconhecida que também recebe um nome de icnoespécie (Paleogallus carpannularites). Isto mostra a existência de complexas relações insecto-plantas há 303 milhões de anos e reitera a importância do registo fóssil do carbonífero português. Os padrões de herbivoria de insectos e outros artrópodes nas cavalinhas são pouco conhecidas mas foram agora abordados neste novo artigo publicado no International Journal of Plant Sciences em que documentam 315 milhões de anos de relações de herbivoria de cavalinhas por artrópode.
Artigo
Pedro Correia, Arden R. Bashforth, Zbynĕk Šimůnek, Christopher J. Cleal & Artur A. Sá, and Conrad C. Labandeira (2020). The history of herbivory on sphenophytes: a new calamitalean with an insect gall from the Upper Pennsylvanian of Portugal and a review of arthropod herbivory on an ancient lineage. International Journal of Plant Sciences. https://www.journals.uchicago.
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| Annularia paisii Correia et al. (2020) |
Premise of research. Sphenophytes are a modestly diverse lineage of vascular plants with a persistent record extending from the late Paleozoic to present. However, patterns of arthropod herbivory on sphenophytes are poorly known, attributable to a scattered literature, which we address in this report. Methodology. We document the 315 million-year-long record of sphenophyte– arthropod herbivory by focusing on the bookends, namely the Pennsylvanian and present day. We add to this milieu a gall association on a newly described sphenophyte from the Upper Pennsylvanian of Portugal. Pivotal results. Earliest known sphenophyte herbivory is Early Pennsylvanian, when virtually all interactions involved piercing-and-sucking damage by stylate insect mouthparts and lesions from cutting-and-slicing ovipositors. An exception is a new calamitalean (Annularia paisii sp. nov.) that harbored a new insect-induced gall (Paleogallus carpannularites ichnosp. nov.), similar to a modern fern gall. This discovery suggests that Late Pennsylvanian interactions were more diverse than previously suspected. By the end of the Pennsylvanian, the component community of one whole-plant calamitalean species had 12 damage types (DTs), only one of which was non-puncturing damage. Shifts to external foliage feeding, mining, and galling are evident during the Late Triassic. A Middle Jurassic renewal of interactions was followed by a decrease in documented DTs present in the Cretaceous and Cenozoic. Fifteen modern species of the genus Equisetum, the sole surviving lineage, exhibit four herbivory patterns. First, almost all documented herbivory is confined to the seven species of Equisetum (horsetails), not subgenus Hippochaete (scouring rushes). Second, there are diversification events of four genera of herbivores – a beetle, two sawflies and a fly – on subgenus Equisetum. Third, this arthropod herbivory is approximately evenly split among monophagy, oligophagy, and polyphagy. Fourth, the herbivore component community of Equisetum arvense L. (field horsetail) is diverse, representing ten major feeding modes, comparable to a modern angiosperm species, considerably more than that of Pennsylvanian calamitaleans. Conclusions. Pennsylvanian sphenophytes supported few folivores, followed by a major shift in the modes of sphenophyte herbivory after the Paleozoic. Considerable modern herbivory is localized on E. arvense.
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| Annularia paisii Correia et al. (2020) |
Em 2017, o Professor João Pais já tinha sido honrado com o género Paisia, uma eudicotiledónea do Cretácico Inferior, publicado por Else Marie Friis e colegas.
Ref:
Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen (2018)
Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal,
Grana, 57:1-2, 1-15, DOI: 10.1080/00173134.2017.1310292
sexta-feira, janeiro 31, 2020
Turquia e a paleontologia de vertebrados
Mesozoic
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Paleogene
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Neogene
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Quaternary
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Reptilia
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Psephosaurus, Mosasaurus hoffmanni, Turcosuchus okani
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Bavarioboa, Ophisaurus, Trionyx
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Blanus strauchi, Clemmydopsis turnauensis, Eoanilius oligocenicus, Mauremys caspica, Phalacrocorax anatolicus, Testudo graeca, Titanochelon bolivari, Trionyx triunguis, Varanus marathonensis
|
Struthio
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Mammalia
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Labes
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22 genera
43 species
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116 genera
122 species
|
43 genera
31 species
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O Museu MTA (Mineral Research and Exploration) em Ankara tem uma maravilhosa colecção de fósseis de invertebrados a humanos, do Triásico ao quaternário. Merece destaque a coleção de mamíferos do Oligocénico, nomeadamente o enorme Paraceratherium, um dos maiores mamíferos terrestres do mundo, familiar dos rinocerontes.
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Paraceratherium, um dos maiores mamíferos terrestres do mundo, familiar dos rinocerontes. Fonte das imagens: Images: Esquerda: ABelov2014; Superior Direita: Octávio Mateus. Inferior Direita: Steveoc 86
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| Mapa geológico da Turquia (fonte: mta.gov.tr) |
Agradeço muito a Tolgahan Suat Sezen, Alperen Yüksel, Erkan Selim Koç, Ali Koç, Özgül Koç, Muhammed Sami Us e Volkan Sarıgül
segunda-feira, janeiro 20, 2020
Portugal é o 16º país com mais artigos científicos por habitante
No ano de 2018 os cientistas portugueses foram autores de 22.105 artigos científicos, colocando Portugal no 16º país com mais publicações per capita. Os dados correspondem aos artigos científicos indexados pela Scopus segundo os dados analisados pela National Science Foundation, dos Estados Unidos. Portugal ocupa também a 16ª posição como o país com mais cientistas por habitantes.
Um aumento de 500%
Em 2000, os investigadores portugueses publicaram 4371 artigos científicos pelo que o valor de 2018 representa um aumento de mais de 500% relativamente ao ano 2000.
16ª posição na contagem fraccionada por país
Como a maioria dos artigos têm múltiplos autores, a comparação por país requer uma contagem fraccionada, ou seja, para artigos de vários países, cada país recebe crédito fraccionário com base na proporção de seus autores participantes. Considerando as co-autorias de vários países, a contagem fraccionada de Portugal equivale a 14.295 artigos, a 27ª posição a nível mundial, sendo que os países que lideram a tabela sejam obviamente maiores: a China, Estados Unidos, Índia e Alemanha. Talvez seja mais útil ver a produção científica por habitante e nesse caso, Portugal ocupa a 16ª posição quando se compara publicações científicas per capita, bem à frente dos China (53º), Estados Unidos (21º), e Alemanha (22º). Contudo, esta análise apresenta outra faceta assustadora: Portugal tem estado a praticamente estagnado desde 2014 nas suas publicações científicas, embora continue a publicar mais em termos de contagem total.
| Países com mais publicações científicas por população (em 2018) |
| Produção de artigos científicos entre 2000 e 2018. Valores totais (linha vermelha) e fraccionados (para artigos de vários países, cada país recebe crédito fraccionário com base na proporção de seus autores participantes; linha azul) |
Países com mais publicações de artigos científicos per capita. Valor por cada 100.000 habitantes e contagem total fraccionada por co-autores.
| Country | Articles by Population *100.000 | Fractional count | |
| 1 | Switzerland | 247 | 21379 |
| 2 | Denmark | 241 | 13979 |
| 3 | Norway | 218 | 11803 |
| 4 | Australia | 210 | 53610 |
| 5 | Sweden | 202 | 20421 |
| 6 | Iceland | 200 | 681 |
| 7 | Singapore | 196 | 11459 |
| 8 | Finland | 191 | 10599 |
| 9 | Netherlands | 178 | 30457 |
| 10 | New Zealand | 164 | 7889 |
| 11 | Canada | 159 | 59968 |
| 12 | Slovenia | 154 | 3206 |
| 13 | Ireland | 145 | 7174 |
| 14 | United Kingdom | 144 | 97681 |
| 15 | Israel | 141 | 12235 |
| 16 | Portugal | 140 | 14295 |
| 17 | Luxembourg | 139 | 869 |
| 18 | Austria | 137 | 12362 |
| 19 | Belgium | 135 | 15688 |
| 20 | South Korea | 129 | 66376 |
| 21 | United States | 128 | 422808 |
| 22 | Germany | 125 | 104396 |
| 23 | Italy | 118 | 71240 |
| 24 | Spain | 117 | 54537 |
| 25 | Monaco | 115 | 45 |
| Country | Fractional count | |
| 1 | China | 528,263 |
| 2 | United States | 422,808 |
| 3 | India | 135,788 |
| 4 | Germany | 104,396 |
| 5 | Japan | 98,793 |
| 6 | United Kingdom | 97,681 |
| 7 | Russia | 81,579 |
| 8 | Italy | 71,240 |
| 9 | South Korea | 66,376 |
| 10 | France | 66,352 |
| 11 | Brazil | 60,148 |
| 12 | Canada | 59,968 |
| 13 | Spain | 54,537 |
| 14 | Australia | 53,610 |
| 15 | Iran | 48,306 |
| 16 | Poland | 35,663 |
| 17 | Turkey | 33,536 |
| 18 | Netherlands | 30,457 |
| 19 | Indonesia | 26,948 |
| 20 | Taiwan | 26,093 |
| 21 | Malaysia | 23,661 |
| 22 | Switzerland | 21,379 |
| 23 | Sweden | 20,421 |
| 24 | Mexico | 16,346 |
| 25 | Belgium | 15,688 |
| 26 | Czechia | 15,577 |
| 27 | Portugal | 14,295 |
| 28 | Denmark | 13,979 |
| 29 | Egypt | 13,327 |
| 30 | South Africa | 13,009 |
Fonte: https://ncses.nsf.gov/pubs/nsb20206/publication-output-by-region-country-or-economy
Número de habitantes: https://www.worldometers.info/world-population/population-by-country/


















