terça-feira, março 15, 2011

Entrevista ao Jornal i: Sorte geológica pôs a Lourinhã no mapa

Entrevista ao Jornal i:



Dinossauros. Sorte geológica pôs a Lourinhã no mapa

por Marta F. Reis , Publicado em 25 de Fevereiro de 2011   
Octávio Mateus é uma referência na paleontologia internacional. Até a Fundação Jurássico, do realizador Steven Spielberg, reparou neste caçador de ossos de dinossauro
No laboratório trabalham voluntários e estudantes. Vão todos para o campo ao segundo sábado de cada mês
No laboratório trabalham voluntários e estudantes. Vão todos para o campo ao segundo sábado de cada mês
Não fosse uma espécie de fado geológico - já explicamos - Octávio Mateus não estaria a percorrer connosco os corredores do Museu da Lourinhã. "Estes foram os meus primeiros fósseis, tinha nove anos", diz, e aponta dentes de dinossauro numa das primeiras vitrinas. O espaço guarda pérolas da etnologia como antigas formas de supositórios e fósseis dignos de um grande museu de história natural: a ala dedicada ao jurássico abre com uma réplica gigante do Miragaia longicollum, descoberto em 2009 na aldeia de Miragaia, a cinco quilómetros dali. Hoje Octávio Mateus tem 36 anos e a Lourinhã é uma referência na paleontologia internacional. A última prova não é um fóssil inédito - o paleontólogo já baptizou oito espécies - mas uma bolsa da Fundação Jurássico, criada por Steven Spielberg para devolver à ciência parte dos lucros da famosa saga em que dinossauros ressuscitados conseguem tomar o mundo, pelo menos o do megalómano John Hammond.

Para Octávio Mateus, esta é a segunda bolsa patrocinada pelo "Parque Jurássico". Desta vez, o projecto é assinado também pelo aluno de doutoramento Emanuel Tschopp e passa por ir ao Museu dos Dinossauros de Aathal, perto de Zurique, digitalizar a três dimensões esqueletos de saurópodes, grandes dinossauros de pescoço longo. "É mais o charme", admite o paleontólogo, já que o cheque de 3 mil dólares chega apenas para reconstruir os passos desta espécie. Havia muito mais por fazer, por exemplo um grande museu do jurássico, plano na gaveta há mais de dez anos - e com ele grande parte do património paleontológico descoberto em Portugal.

Estamos sentados nos escritórios depois de espreitar o laboratório onde se limpam os fósseis ou os embriões mais antigos de que há registo - 30 fósseis de projectos de dinossauro (o segundo maior ninho do mundo) com 150 milhões de anos. Começa a aula de jurássico.

Porquê a Lourinhã? "Não quero dizer sorte, porque na ciência não há acasos", responde Octávio Mateus. "Quando se abriu o Atlântico Norte, os sedimentos começaram a afundar. Criaram-se bacias em que os esqueletos são cobertos de detritos, mais tarde tornando-se fósseis. Toda a nossa orla costeira ocidental é o resultado do preenchimento de mares interiores, de lagoas", explica. Entra o fado que trouxe aos anais científicos espécies tão nossas como um Lourinhanosaurus antunesi, a primeira baptizada pelo paleontólogo em 1998. "Por várias vicissitudes da geologia, as rochas estão sempre a ser erguidas e afundadas. Temos a sorte de actualmente termos exactamente o terreno no nível certo para fazer estas descobertas: não subiu o suficiente para ser erodido, nem desceu o suficiente para os dinossauros estarem lá em baixo." A sorte estende-se do cabo Mondego ao cabo Espichel, com reservas mais pequenas no Algarve e na costa alentejana, em Sines. Mas a Lourinhã é o epicentro, pela vegetação que existia na altura e, factor importante, pela equipa de amadores e depois profissionais que desde os anos 70 deitou as mãos ao terreno. "Ou seja, também existiram dinossauros, presumo eu, no Minho, em Trás-os-Montes, no Alentejo interior, mas aí infelizmente não temos terrenos do tempo dos dinossauros. Os que estão à superfície são ainda mais antigos que os dos dinossauros. O que estivesse por cima foi erodido e desapareceu para sempre."

Um parque jurássico português? O projecto existe e já foi proposto à câmara da Lourinhã, à FCT, e a quem quisesse ouvir. A ideia não seria difícil de comprar, havendo dinheiro. Octávio Mateus não é homem de poupar nas palavras. "Por quilómetro quadrado devemos ser o país com mais dinossauros do mundo", resume. "Em Espanha, com património muito menor do que o nosso, fizeram muito mais." Os argumentos para a paleontologia deixar de ser o "primo pobre" da ciência nacional são muitos. "É impossível falar da evolução das plantas com flor em qualquer texto sem falar dos fósseis de Portugal. Para falar da origem dos mamíferos, com 150 milhões de anos, Portugal é espectacular. Temos uma população extraordinária de trilobites gigantes." E ainda há muito por escavar, mesmo por aqui? "Se formos para o campo descubro um", desafia. "Onde?", pergunta a curiosidade. Octávio Mateus muda de tom. "Temos de ter cuidado com a preservação dos locais. Infelizmente temos fósseis que vão parar ao estrangeiro, que desaparecem." Ladrões de fósseis? "Sim. É uma preocupação que temos de ter. A legislação portuguesa ainda é muito parca sobre a protecção do património paleontológico, o que faz com que seja difícil alertar as autoridades. Há pouco enquadramento legal para poderem actuar. Sei de um caso de um colega que descobriu coisas que foram parar à Holanda e ainda não regressaram. Está prometido há dois anos."

A coisa mais estranha Nunca lhe apareceu um hominídeo pela frente? "Já encontrei ossos humanos em Angola." Um cemitério? "Não, numa ravina", ri, e eram "contemporâneos". De resto, para além de levar com tempestades de areia com ventos de 90 km/h no deserto de Gobi, na Mongólia, e de um osso de dromedário em Angola o ter feito puxar pelos "terabytes" de memória anatómica e histológica (as palavras caras da profissão) para perceber de que espécie se tratava - não existem camelos no país - uma das cenas mais caricatas passou-se no Laos. "Tivemos de sacrificar um porco porque o dinossauro que estávamos a escavar era considerado o búfalo sagrado que puxa o sol todos os dias. Quando se cansa e morre, cai. Eram os ossos deles."

No pátio interior do museu, Octávio Mateus mostra as pegadas por tratar ao lado de vasos. Aponta as arestas com aquela certeza incompreensível para um leigo. "Eu próprio sou incrédulo. A natureza pode pregar-nos partida e coisas que possam parecer fósseis não o são. O fóssil tem uma textura própria, uma cor diferente, é mais difícil enganarmo-nos. No caso das pegadas, se tenho dúvidas não lhes mexo."

Já que o motivo da visita é a bolsa de Spielberg, supomos que ressuscitar um dinossauro seja o desejo secreto de um paleontólogo. "Já o fazemos. Nós somos os únicos caçadores que em vez de matar damos vida. Conseguimos estudá-los, perceber como eram, o que faziam."

Virem-lhes roubar os embriões para tirar ADN não é uma preocupação. Concretizar a ficção parece-lhe "praticamente" impossível, porque ninguém se atreve a condenar os avanços científicos. "O ADN está muito fragmentado, o que fazemos com as partes que faltam? E se conseguirmos, quem produz o ovo? Em que ambiente de incubação?" As perguntas não têm resposta, ainda. Seria o fim do homem? "A única coisa que sabemos hoje é que a extinção dos dinossauros permitiu que nós existíssemos. Permitiu a evolução dos mamíferos." A ideia de uma sexta extinção, mesmo que significasse milhares de fósseis para os paleontólogos do futuro, preocupa-o, como defende que deve preocupar toda a gente. "De qualquer forma, a vida continua. Por muito que tentássemos, jamais conseguiríamos matar a vida toda. Mas isso não é prémio de consolação se não estivermos cá." 

terça-feira, março 01, 2011

Plesiossauros de Angola




A mitologia Angolana inclui bestas marinhas como o Kianda, um monstro que comia pessoas. No entanto, há muitos milhões de anos atrás (aproximadamente 69 milhões de anos) inúmeros répteis marinhos gigantescos cruzaram o mar ao largo da costa de Angola.

Entre os quais se contavam os plesiossauros: os Kianda que existiram mesmo. Nesta altura, porém, não existiam humanos e este tipo de animais alimentava-se somente de peixe e cefalópodes. Alguns plesiossauros tinham longos pescoços, outros pescoços curtos mas cabeças extremamente robustas. Os plesiossauros têm uma história evolutiva extremamente interessante pois são os répteis marinhos mais diversos em número de espécies bem como em termos de longevidade. Existem mais de duas centenas de espécies conhecidas de plesiossauros, e duraram enquanto grupo durante quase todo o Mesozóico. Mais de cento e cinquenta milhões de anos de história evolutiva... Existiram plesiossauros com inúmeros pequenos dentes aguçadíssimos que para se alimentarem de pequenos crustáceos e peixes, existiram plesiossauros com um crânio robusto e dentes poderosos capazes de dilacerar grandes presas. A disparidade morfológica é radicalmente diferente de grupo para grupo. Alguns plesiossauros engoliam pedras, chamados gastrólitos, para servir de lastro e para que o seu corpo adquirisse flutuabilidade neutra... outros tinham adaptações especiais nos ossos do corpo tornando os ossos extremamente densos e, portanto, produzindo o mesmo efeito de flutuabilidade neutra.


Angolan mythology includes stories of a beast named Kianda, a sea monster who ate people. In reality, millions of years ago (~69 ma) numerous giant marine reptiles lived in the sea off the coast of Angola. Among them were animals called plesiosaurs: a sea monster that really did exist. At this point, however, there were no humans and plesiosaurs only fed on fish and cephalopods. Some plesiosaurs had long necks and relatively small heads while others had short necks and extremely robust heads. Plesiosaurs have a long and interesting evolutionary history and are are the most diverse marine reptiles in species number and in terms of longevity. There are over two hundred known species of plesiosaurs, and the group lasted for almost the entire Mesozoic; more than one hundred and fifty million years of evolutionary history ... There were plesiosaurs with numerous small teeth that enabled it to feed on small crustaceans and fish, there were plesiosaurs with a robust skull and powerful teeth that can tear apart very large prey. The morphological disparity is radically different from group to group. Some plesiosaurs swallowed stones, called gastroliths to serve as ballast to acquire neutral buoyancy ... others had special adaptations in the bones of the body making the bones very dense and therefore producing the same effect of neutral buoyancy.



Angola é central para compreender a história evolutiva deste grupo de animais. Neste momento temo-nos concentrado nos últimos capítulos da sua história, mas, felizmente, Angola tem rochas que representam várias idades e que, portanto, permitem aceder a vários outros capítulos da história fascinante destes animais. Até agora já foi descoberto por exemplo o Tuarangisaurus que é um táxone extremamente interessante uma vez que, a confirmar-se a sua natureza ontogenética, apresenta traços claramente que corresponderiam a indivíduos de plesiossauros juvenis. Também numa perspectiva biogeográfica este taxóne parece ser interessante, ocorrendo em três continentes distintos: América do Sul (Argentina), Oceânia (Nova Zelândia) e agora África (Angola; ver resumo em Araújo et al. 2010).

Angola is central to understanding the evolutionary history of this group of animals. Currenty we are concentrating on the final chapters of their history, but fortunately, Angola has older rocks too, and therefore allows access to several other chapters in the history of these fascinating animals. We have thus far discovered a number of forms, including one called Tuarangisaurus. This taxon is very interesting because it appears to conserve morphology that corresponds to juvenile plesiosaurs of other taxa. Also, from a biogeographic perspective, this taxon appears to be restricted to the southern hemisphere, but is widespread, occurring in three different continents: South America (Argentina), Oceania (New Zealand) and now Africa (Angola, see summary in Araújo et al. 2010).

Ver:http://www.paleolabs.org/paleoangola/the-fossils/54-the-fossils/129-plesiossauros

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Concurso Ilustração sobre Europasaurus

O dinossauro saurópode Europasaurus holgeri que eu descrevi juntamente com colegas alemães em 2006, tem agora o seu próprio concurso de ilustração científica:


Regulamento


Info Dinopark.de:
We are currently planning a new exhibit on Europasaurus holgeri and as an integral part of the exhibit we would like to show a large number of drawings, reconstructions, and other artwork of Europasaurus holgeri, which preferably depict this taxon in its natural habitat. To reach that goal, we are initiating a paleo-art contest.
Prizes:
1st prize: 500 €
2nd prize: 250 €
3rd prize: 100 €
3 honorable mentions: 50 € each

Submission deadline is March 1, 2011.



sexta-feira, janeiro 07, 2011

Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros 2011

O Museu da Lourinhã vai fazer a 7ª edição do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros. 

Tema: Dinossauros e outros animais extintos. As ilustrações podem representar reconstituição de vida dos animais, eventualmente no seu meio ambiente, ou fósseis encontrados.

Prémios: Os prémios serão monetários e pagos em Euros.
1º Lugar 1000 Euros
2º Lugar 500 Euros
3º Lugar 250 Euros
5 Menções Honrosas 50 Euros cada 


Calendário:
  • Entrega das obras a concurso: até 15 de Abril de 2011
  • Anúncio dos resultados: 24 de Junho de 2011
  • Exposição das obras: Julho e Agosto de 2011
  • Devolução das obras: a partir de Outubro de 2011


Morada para envio das obras:
CIID - 2011 - Museu da Lourinhã
Rua João Luís de Moura, 95 
2530-158 Lourinhã
PORTUGAL


O regulamento completo está disponível aquihttp://www.museulourinha.org/pt/CIID.
Mais informações no FAQ - Perguntas frequentes ou através dos seguintes contactos:

Tel.: [+351] 261 413 995 / [+351] 261 414 003
E-mail: ciid@museulourinha.org
http://www.museulourinha.org

Este concurso tem sido muito bem sucedido de tal forma que a ideia tem sido copiada por outros museus europeus.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Lourinhanosaurus antunesi é um dos novos dinossauros da Procon Collecta 2011

A Collecta lançou a nova colecção de bonecos comercializados a nível mundial. O dinossauro terópode Lourinhanosaurus antunesi, exposto no Museu da Lourinhã, é uma das novidades. Este ano também é o lançamento do Miragaia longicollum, pela Carnegie Collection, baseado num esqueleto também em exposição no museu lourinhanense.


Lourinhanosaurus
© Procon CollectA

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Estágio profissional no Museu da Lourinhã

O Museu da Lourinhã abriu uma vaga para o Programa ”Estágio Profissional para Licenciados”. Replico o comunicado que está no site do Museu da Lourinhã:


GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã 

Museu da Lourinhã 


Ao abrigo da Portaria nº681/2010, de 12 de Agosto, da Portaria nº 127/2010, de 1 de Março, da 
Resolução do Conselho de Ministros nº 5/2010, de 20 de Janeiro e da Portaria nº 127, de 1 de Março de 2010, em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, o GEAL, entidade que tutela o Museu da Lourinhã, pretende realizar uma pré-selecção para uma vaga, a integrar no Programa ”Estágio Profissional para Licenciados”, com a duração de nove meses. 
Descrição da Função: 
- Serviços de recepção, visitas guiadas, vigilância, funcionamento da loja, actividades administrativas e apoio às actividades museológicas. 
Requisitos: 
- Habilitações literárias: Licenciatura nas áreas de actividade do Museu 
- Idade até 35 anos; 
- Desempregado(a) e inscrito(a) num Centro de Emprego (à data da candidatura); 
- Conhecimentos de informática na óptica do utilizador; 
- Conhecimento de línguas estrangeiras (preferencialmente duas, incluindo Inglês); 
- Capacidade de comunicação, de iniciativa e de trabalho em equipa. 
Método de selecção: 
- Análise curricular; 
- Análise de texto manuscrito (máximo 1 folha A4), relativo às motivações da candidatura; 
- Eventual entrevista. 
A candidatura deve ser apresentada através de  Europass curriculum vitae e  acompanhada do texto 
acima referido.
As candidaturas deverão ser entregues na sede do GEAL, ou enviadas por correio, para Rua João Luís de Moura, 95 – 2530-158 Lourinhã, até ao dia 28 de Dezembro de 2010.  
O Presidente da Direcção 
Hernâni Mergulhão 

"Dinossauros da Lourinhã e paleontologia para principiantes" em Livro

O Museu da Lourinhã lançou o livro "Dinossauros da Lourinhã e paleontologia para principiantes" de autoria de Simão Mateus.


A notícia do Jornal Alvorada:


Imprimir NotíciaSimão Mateus lançou livro que responde às interrogações da juventude: “Espero que aprendam um pouco mais sobre dinossauros”
“Dinossauros da Lourinhã e Paleontologia para Principiantes” é o nome do primeiro livro lançado pelo Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL) da autoria do lourinhanense Simão Mateus.


A sessão de lançamento teve lugar no passado dia 25 de Novembro, no Auditório Dr. Afonso Rodrigues Pereira, na Lourinhã, perante a presença de familiares, amigos, professores, crianças e jovens do concelho.

Editado pelo Museu da Lourinhã, os textos foram revistos por vários professores do ensino básico para adaptar os conteúdos aos currículos programáticos e teve revisão científica do irmão do autor, o paleontólogo Octávio Mateus. “É um livro que surgiu de muitas das questões que me são colocadas durante as visitas guiadas ao museu”, referiu na sessão Simão Mateus.

Ao escrever este livro, pensou nos alunos com quem está diariamente e que de vez em quando “precisam de uns auxiliares de memória com a informação condensada, simples e fácil de ler e, de preferência, que seja divertido”.

Além disso, a publicação condensa meio manual do programa escolar do 7º ano. “Tratam-se de histórias giras com desenhos que já tenho feito há algum tempo e decidi fazer uma espécie de caderno de campo”, referiu o jovem escritor. E deixou um apelo: “espero que aprendam um pouco mais sobre os dinossauros e a paleontologia de uma forma leve e simples”.

O presidente da direcção do GEAL expressou na ocasião que se trata de “um assunto que nos interessa e que é importante para todos nós e que se fez livro”. Sendo esta a primeira edição publicada pelo GEAL, “esperemos que venham mais e que pelo menos tenham qualidade tão boa como esta”.

Também presente na sessão de apresentação, a professora de História, Élia Morais referiu que o livro é um conjunto de respostas a muitas questões que foram sendo colocadas por muitas crianças e jovens que, do país inteiro, partem para visitar o museu. “É interessante ver como o Simão Mateus sentiu esta necessidade de colocar por escrito num espaço muito agradável de divulgação respostas a essas perguntas”, referiu a docente. “Isto torna-se particularmente importante para as crianças e jovens do concelho porque todos sabemos que a Lourinhã é conhecida como Capital dos Dinossauros e esta designação suscita uma grande responsabilidade para quem nasceu ou vive aqui”.

A publicação é editada como um caderno de caligrafia e “é uma espécie de alfabetização paleontológica das crianças e dos jovens e conhecer a paleontologia da Lourinhã é deveras importante”, referiu Élia Morais. Este conhecimento proporciona “a construção de uma relação de pertença com o património”.

Por último, usou da palavra o vereador, José António Tomé, que referiu que o lançamento deste livro é, para a Lourinhã, “um motivo de orgulho porque foi feito por alguém que é de cá e que tem dedicado praticamente a sua vida a estas temáticas dos dinossauros”.

Por outro lado, sublinhou que a publicação “é um excelente recurso que permite às escolas do concelho a possibilidade de fazer um trabalho mais profundo com os alunos sobre a paleontologia”, vindo colmatar uma falha cultural.

Porque é que a Lourinhã é considerada a Capital dos Dinossauros ou porque foi dado o nome de “Lourinhanosaurus antunesi” a um dos dinossauros descobertos pelos paleontólogos do museu, são algumas das perguntas a que o livro dá resposta.

As explicações que se encontram nas 32 páginas, numa linguagem acessível, são acompanhadas por ilustrações infantis e científicas, dando aos leitores a imagem de cada um dos dinossauros descobertos no nosso concelho.

“Dinossauros da Lourinhã e Paleontologia para Principiantes” está à venda por cinco euros no Museu da Lourinhã.

sábado, novembro 06, 2010

A importância de uma biblioteca acessível: B-on

Não há domínio da ciência que não precise de uma biblioteca vasta, acessível e actualizada de artigos científicos, seja ela num formato tradicional com os documentos impressos em papel ou em formato digital em PDF. A verdade é que é (quase) impossível fazer ciência sem consultar os artigos científicos mais recentes.
Os investigadores debatem-se todos os dias com essa necessidade, sobretudo aqueles associados a pequenos centros de investigação e sem possibilidade de pagar a desmesuradamente dispendiosa assinatura de muitas revistas científicas.


Há algum tempo o Governo negociou uma das mais importantes medidas científicas em Portugal e agora a  B-on "reúne as principais editoras de revistas científicas internacionais de modo a oferecer um conjunto vasto de artigos científicos disponíveis on-line", acessíveis às instituições universitárias portuguesas.

Diz o site oficial:
Biblioteca do Conhecimento Online (b-on) disponibiliza o acesso ilimitado e permanente às instituições de investigação e do ensino superior aos textos integrais de mais de 22.000 periódicos científicos internacionais e 18.000 ebooks de 19 fornecedores de conteúdos, através de assinaturas negociadas a nível nacional.
Esta biblioteca começou a ser planeada em 1999, altura em que na programação do Quadro Comunitário de Apoio foi referida por "Biblioteca Nacional de C e T em Rede". Em 2000, o OCT – Observatório das Ciências e Tecnologias procedeu a um levantamento exaustivo das assinaturas de revistas científicas de todas as instituições portuguesas para preparar as negociações com as editoras, em 2001 foi disponibilizada a importante ferramenta de bibliografia científica Web of Knowledge , do Instituto de Informação Científica de Filadélfia, que permitiu o acesso a títulos, resumos e informação de citações e impactos de cerca de 8.500 revistas, incluindo registos desde 1945. Também em 2001 foi iniciada pelo OCT a negociação com as principais editoras.

Como reacção, há uma petição pública a favor da manutenção da B-on: http://www.peticaopublica.com/?pi=BibOn. Já assinei e exorto a fazerem o mesmo.

Precisamos de acesso ao conhecimento científico!







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Plesiossauro histórico de Portugal é objecto de estudo

Embora discretos e quase desconhecidos no registo fóssil de Portugal, os plesiossauros foram um dos grupos mais bem sucedidos de répteis marinhos do Mesozóico (e não são dinossauros).

Um dos primeiros registo deste fósseis é-nos apresentado por Henri-Émile Sauvage em 1898, a partir de uma colheita feita em Alhadas, perto de Coimbra. Trata-se de um fóssil do Toarciano (183-175 milhões de anos), logo um dos mais antigos vertebrados fósseis de Portugal.

Este espécime, em exposição no Museu Geológico de Lisboa, não era objecto de estudo desde o século XIX e agora é resultado de uma reavaliação assinada por Adam Smith, Ricardo Araújo e Octávio Mateus e apresentada na Society of Vertebrate Paleontology.



Smith, A., Araújo, R., Mateus, O. (2010) A plesiosauroid skull from the Toarcian (Lower Jurassic) of Alhadas, Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, 30(suppl. to 3) 


terça-feira, novembro 02, 2010

Dinossauros e a paleontologia na música

Os dinossauros e a paleontologia podem ser um bom motivo musical, tal como a música pode ser um excelente meio para cativar os mais novos para a Ciência. Esta mistura dinossauros-música pode ver e ouvir com as divertidas músicas "I am a paleontologist" por Sean McBride, com o video-clip disponível aqui,


ou a "Dinosaur Song"

sábado, outubro 23, 2010

Crocodilo Terminonaris do Cretácico afinal apareceu antes do que se pensava e na América do Norte

O género de crocodilo Terminonaris do Cretácico, que se pensava originário da Europa, afinal apareceu antes do que se pensava na América do Norte.

O crocodilo da família Pholidosauridae, denominado Terminonaris robusta, faz parte de uma linhagem cuja origem é controversa. A maioria dos exemplares são da América do Norte (com 83 a 93 Milhões de anos) e um exemplar descoberto na Alemanha, um pouco mais antigo, sugeria uma origem europeia deste género.

Contudo, uma nova descoberta agora anunciada em resultado de uma investigação realizada em parceria entre a Universidade Nova de Lisboa / Museu da Lourinhã e a Southern Methodist University mostra a ocorrência deste crocodilo aos 96 milhões de anos (Cenomaniano médio) no Texas, pelo que se trata da ocorrência mais antiga e mais meridional deste crocodilo. Isto vem mostrar que a sua origem evolutiva  não é na Europa, mas na América do Norte, pelo menos 3 milhões de anos antes, e que a distribuição do género é mais abrangente do que se pensava.

Esta investigação, liderada por Thomas Adams, foi apresentada na 70th Society of Vertebrate Paleontology Meeting, que ocorreu em Pittsburgh no início de Outubro.

Referência:
Adams, T.L., Polcyn, M.J., Mateus, O., Winkler, D.A. & Jacobs, L.L. 2010. New occurrence of the long-snouted crocodyliform, Terminonaris cf. T. robusta, from Woodine Formation (Cenomanian) ot Texas. Journal of Vertebrate Paleontology, 30, 52A.
PDF



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segunda-feira, outubro 04, 2010

Dinossauro Miragaia em boneco a partir de 2011

Miragaia longicollum, protótipo acabado

O dinossauro estegossauro Miragaia longicollum é uma das vedetas da Carnegie Collection, famosa pela sua colecção de miniatura e bonecos, comercializados por todo o mundo. O modelo a uma escala de 1/30 será ser lançado em 2011, foi feito sob a estampa do prestigiado Carnegie Museum esculpido por Forest Rogers, sob a orientação de Matthew Lammana e de mim.  É a primeira vez, mas não a última, que uma espécie portuguesa é representada e comercializada a nível mundial.
Aqui estão algumas fotografia dos protótipos que deram origem ao modelo final.



Miragaia longicollum, tal como é comercializado
Miragaia longicollum, protótipo em fase final
O holótipo deste dinossauro está exposto no Museu da Lourinhã.

Mateus, O., S Maidment, N Christiansen. 2009.  A new long-necked 'sauropod-mimic' stegosaur and the evolution of the plated dinosaurs.   Proceedings of the Royal Society of London B. 276: 1815-1821 doi:10.1098/rspb.2008.1909    PDF (Main paper + Suppl. data) 

domingo, outubro 03, 2010

Museu da Lourinhã analisado em mestrado

O Museu da Lourinhã, conhecido pelos seus dinossauros, foi alvo de uma tese de mestrado, por Simão Mateus, que visou retratar a situação a actual do museu e lançar sugestões de futuro.

O Museu tem as áreas de Paleontologia, Etnografia e Arqueologia, focando sobretudo o património local. É tutelado por uma associação sem fins lucrativos, o GEAL, a qual todos se podem associar.



E como nem todos os museus incluem a sua estatística de visitantes, deixo aqui a do museu lourinhanense, que em 2009 atingiu um número recorde com quase 25.000 visitantes:


Fonte:
Mateus, Simão (2010). Discurso expositivo do Museu da Lourinhã. Tese de mestrado em Museologia ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa. 88pp.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Fósseis de Angola permitem compreender os mosassauros


Um novo esqueleto de um mosassauro, um réptil marinho aparentado aos lagartos monitores, descoberto em Angola permite compreender melhor a anatomia e evolução de um grupo de mosassauros, os globidensinos, adaptado a uma dieta durófoga (à base de animais de carapaça ou concha dura, como moluscos e crustáceos).
Este tipo de mosassauros têm os dentes arrendondados (justificando o nome Globidens) e muito fortes para poderem esmagar as suas presas.

A espécie em causa, Globidens phosphaticus, era conhecida a partir de dentes isolados do Cretácico superior de Marrocos, mas esta descoberta pela equipa PaleoAngola, que inclui elementos da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, vem dar a conhecer muito melhor a sua anatomia pois trata-se do esqueleto mais completo da espécie. O estudo foi liderado por Michael Polcyn (SMU).




Polcyn, M., Jacobs, L., Schulp, A.S., Mateus, O. 2010. The North African Mosasaur Globidens phosphaticus from the Maastrichtian of Angola. Historical Biology. 22 (1 – 3): 175–185 DOI: 10.1080/08912961003754978 PDF

Abstract: New mosasaur fossils from Maastrichtian beds at Bentiaba, Angola, representing elements of the skull and postcranial axial skeleton from two individuals of the durophagous genus Globidens, are reported. Based on dental morphology, specifically the inflated posterior surface and vertical sulci, the Bentiaba specimens are identified as Globidens phosphaticus, a species defined by characters of a composite dentition from the Maastrichtian of Morocco. Comparisons indicate that G. phosphaticus is most closely related to G. schurmanni, from the late Campanian of South Dakota, the youngest north American Globidens species at about 72.5 Ma. The morphology of the premaxilla and its relationship with the maxillae is unique among mosasaurs, and supports the taxonomic validity of G. phosphaticus. In contrast with earlier species of the genus, G. phosphaticus is currently known from north and west Africa, the Middle East and the central eastern margin of South America, suggesting it may have been restricted to the Maastrichtian tropical zone as previously hypothesised.

Pegadas de pterossauro em Portugal




É conhecido que Portugal é rico em pegadas e ossos de dinossauros. Contudo, de répteis voadores, os pterossauros, apenas se conhecem alguns ossos e dentes isolados em Portugal e até há pouco tempo não se conheciam pegadas.

Um novo artigo científico, assinado por Octávio Mateus e Jesper Milàn, dão a conhecer pegadas de pterossauro do Jurássico Superior de Portugal, nomeadamente da Lourinhã e Zambujal de Baixo, Sesimbra (Cabo Espichel). Esta segunda jazida já era conhecida por ter pegadas de dinossauro.

O artigo está disponível aqui.
Mateus, O & J Milàn (2010) First records of crocodyle and pterosaur tracks in the Upper Jurassic of Portugal. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 51: 83-87.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Universidade Nova de Lisboa considerada a melhor de Portugal



O site http://www.topuniversities.com classificou a 500 melhores universidades do mundo. As melhores são a University of Cambridge (Inglaterra), Harvard University (Estados Unidos), Yale University (Estados Unidos), UCL (Inglaterra), e MIT (Estados Unidos).

Em Portugal, a melhor cotada é a Universidade Nova de Lisboa (384 no lugar mundial) seguida da Universidade de Coimbra (em 396º lugar), Universidade do Porto (451-500) e Universidade Católica (501-550).


segunda-feira, setembro 20, 2010

Pele de estegossauro do Jurássico





Saiu um interessante artigo sobre preservação de pele num estegossauro Hesperasaurus mjosi dos Estados Unidos, assinado por Nicolai Christiansen e Emanuel Tschopp.
O primeiro foi preparador de fósseis no Museu da Lourinhã e mais tarde foi meu orientando de mestrado pela Universidade Marie et Pierre et Marie Currie (Paris VI). O segundo é actual estudante de doutoramento sob minha orientação na Universidade Nova de Lisboa.



Abstract

Dinosaur skin impressions are rare in the Upper Jurassic Morrison Formation, but different sites on the Howe Ranch in Wyoming (USA), comprising specimens from diplodocid, camarasaurid, allosaurid and stegosaurian dinosaurs, have proven to be a treasure-trove for these soft-tissue remains. Here we describe stegosaurian skin impressions from North America for the first time, as well as the first case of preservation of an impression of the integument that covered the dorsal plates of stegosaurian dinosaurs in life. Both have been found closely associated with bones of a specimen of the stegosaurianHesperosaurus mjosi Carpenter, Miles and Cloward 2001. The scales of the skin impression of H. mjosi are very similar in shape and arrangement to those of Gigantspinosaurus sichuanensis Ouyang 1992, the only other stegosaurian dinosaur from which skin impressions have been described. Both taxa show a ground pattern of small polygonal scales, which in some places is interrupted by larger oval tubercles surrounded by the small scales, resulting in rosette-like structures. The respective phylogenetic positions of G.sichuanensis as a basal stegosaurian and H. mjosi as a derived form suggest that most stegosaurians had very similar skin structures, which also match the most common textures known in dinosaurs. The integumentary impression from the dorsal plate brings new data to the long-lasting debate concerning the function of dorsal plates in stegosaurian dinosaurs. Unlike usual dinosaur skin impressions, the integument covering the dorsal plates does not show any scale-like texture. It is smooth with long and parallel, shallow grooves, a structure that is interpreted as representing a keratinous covering of the plates. The presence of such a keratinous covering has affects on all the existing theories concerning the function of stegosaurian plates, including defense, thermoregulation, and display, but does not permit to rule out any of them.

Christiansen, N., & Tschopp, E. (2010). Exceptional stegosaur integument impressions from the Upper Jurassic Morrison Formation of Wyoming Swiss Journal of Geosciences DOI: 10.1007/s00015-010-0026-0

segunda-feira, julho 19, 2010

PaleoArt Teaching in Lourinhã - 2010

The Museum of Lourinhã anounces the workshop PaleoArt Teaching - 2010







Overview


The Italian painter Fabio Pastori, winner of the 6ª CIID - International Contest of Dinosaur Illustration - (amongst 71 artists, of 22 countries) and professor Sante Mazzei, specialized in computer aided drawing techniques, will host, under the sponsorship of GEAL - Museu da Lourinhã, a brand new summer class which they have named as PaleoArt Teaching - The Complete Lost World Journey.



During the course of nine days, students will have the opportunity to know the Museum, do field prospecting for fossils, learn and live with renowned artists, and those who search scientific illustration and painting know-how.



Fabio Pastori: www.fabiopastori.it

Santino Mazzei: http://www.jurassicparkitalia.it/


Posted by: Rui Castanhinha

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Ilustração científica de dinossauros na Lourinhã

Em Agosto próximo decorrerá na Lourinhã um curso de ilustração científica de dinossauros.
A instituição promotora é o Museu da Lourinhã e já estão abertas as inscrições.
Não percam! Inscrevam-se.



Transcrevo o texto de apresentação:

O pintor italiano Fabio Pastori, vencedor da 6ª edição do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (entre 71 artistas, de 22 países) e o professor Sante Mazzei, especializado em técnicas de desenho apoiado por computador, vão proporcionar sob os auspícios do GEAL - Museu da Lourinhã, um inédito curso de verão que designaram por PaleoArt Teaching - The Complete Lost World Journey.

Ao longo de nove dias, haverá tempo para conhecer o Museu, prospectar jazidas próximas, aprender e conviver, com artistas consagrados e com os que buscam os saberes da ilustração científica e da pintura.

Postado por:
Rui Castanhinha


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domingo, junho 27, 2010

Curso de PaleoArte no Museu da Lourinhã


PaleoArt Teaching 2010 - The Complete Lost World Journey

The Museum of Lourinhã

anounces the workshop

PaleoArt Teaching - 2010

The Italian painter Fabio Pastori, winner of the 6ª CIID - International Contest of Dinosaur Illustration - (amongst 71 artists, of 22 countries) and professor Jordan Nenna, illustrator and cartoonist, specialized in computer aided drawing techniques, will host, under the sponsorship of GEAL - Museu da Lourinhã, a brand new summer class which they have named as PaleoArt Teaching - The Complete Lost World Journey.



During the course of nine days, students will have the opportunity to know the Museum, do field prospecting for fossils, learn and live with renowned artists, and those who search scientific illustration and painting know-how.



Fabio Pastori: www.fabiopastori.it

Jordan Nenna: jordannennaart.deviantart.com



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More info at Museu da Lourinhã


http://www.jurassicparkitalia.it/paleoart-teaching/home.html

terça-feira, junho 15, 2010

Following in heroes' footsteps


“The unhappy officer, the revered winner of Chaimite, the celebrated captor of Gungunhana, has just commited suicide” [translated from Portuguese: “O desditoso oficial, o chorado vencedor de Chaimite, o celebrado captor de Gungunhana, tinha acabado de se suicidar”] (Jornal O Século, 1902). It is a condemnation that the history of heroes is tragic: Joaquim Mouzinho de Almeida was an intrepid explorer of Mozambique that captured one of the most redoubtable tribal leaders that fought against Portuguese colonial forces. It will not be like Mouzinho de Almeida that we are going to Mozambique this year, but it is with the exact same spirit of mission and curiosity to understand something else about our own life by capturing a picture of what happened 250 million years ago.



I am Portuguese. My hero is not Livingstone that explored the region of the Great African Lakes; it is Serpa Pinto who honored the Lisbon Administration by going far East away from the Angolan Coast. Without him the Portuguese Overseas African Territory would be small, and, what is nowadays Angola would be only a thin strip of land along the coast. In my language we do not say Lake Malawi; Lake Niassa it is how it is called.

It is interesting that with such legacy the Portuguese people are irredeemably pessimistic and we do not value our national conquests. In the same way Mouzinho de Almeida has fallen into disgrace, what was once called the Portuguese Empire it is now reduced to a 10-million country in the Iberian Peninsula. That is not necessarily bad, it is just not inspiring. To know and value our History it is a good excuse to make good (great!) things as well.

The PaleoAngola project does not have behind the heroes that will write the pages of the History textbooks, but it certainly holds the dream of discovery, the passion of exploration, the fierceness of those who can envision beyond a cloudy sky. Initially a group of four people, that still form the hardcore of the group, acknowledged the great potential for Vertebrate Paleontology along the Angolan coast. They are Louis Jacobs and Mike Polcyn from SMU, Octávio Mateus from Museu da Lourinhã (Portugal) and Anne Schulp from Natuurhistorisch Museum Maastricht (The Netherlands). The omnipresent figure of Paleontology in Portugal, Miguel Telles Antunes, back in the 1960’s had done his PhD on vertebrate material collected from Cabinda (the northernmost Angolan Province) to Cunene (the southernmost river that limits the border with Namibia). Angola at that time was still part of the Portuguese Overseas Territory, whereas most African colonies were already independent. Antunes studies revealed, most importantly, new species of mosasaurs, a type of large marine lizards. However, for nearly half a century, nearly no new work was published. In fact, most of Antunes material was collected during the pioneering geological recognition campaigns in Angola. Thus, excepting in 1961 and 1962 Antunes trips to the coast of Angola, virtually no other vertebrate paleontologists had stepped that country’s soil.

In 2005 what was initially aimed to be a diplomatic trip, Louis Jacobs and Octávio Mateus, travelled to Luanda and decided to visit one of the outcrops just out of curiosity… They just found the first dinosaur from Angola, a new species of turtle and a complete skull of one of Antunes’ species. Not bad for a first try! Evidently giving this success there was subsequent trips in 2006 and 2007. In 2007 more than one ton of fossils were shipped.
Mike, Louis, Octávio, and Anne did not fought against any tenacious tribal leader as Mouzinho de Almeida, but with the same tenacity have just unearthed, pacifically, how life looked like more than 65 million years ago in the South Atlantic... when Africa west coast and South America east coast were much closer, when dinosaurs could not even guess how much a meteorite could harm. Would Caesar ever think that his troops could not hold the Roman Empire together? Would the King D. João V during the construction of the megalomaniac Convento de Mafra in Portugal could ever anticipate the country’s economical collapse? Life oscillates on Earth as did the Great Empires; mosasaurs and dinosaurs are now entombed.

The weight on my shoulders is heavy. The mission that has been appointed to me is to find, excavate and study the remains of marine creatures called plesiosaurs. Plesiosaurs resemble the mythological animal that patrols a lake in Scotland: the Loch Ness Monster.

The intentions of the Portuguese were hampered by the powerful British Empire. Once the Portuguese wished to link coast to coast in Africa (Mozambique to Angola), but those intents were readily frustrated given the British interests in the area. The “Pink Map”, how it was called, was then no more than a mirage. This year on my trip to Africa I will make the Pink Map come true, flying from Luanda to Maputo, linking them by the same paleontological endeavor. In 2009, Rui Castanhinha and I, two just-graduates from Portuguese universities have decided with our own pocket money and savings (and some support from Museu da Lourinhã) revisit a long-lost Mozambican fossil locality in the remote region of Niassa, right along Lake Malawi. After a lot of hand-shaking work and promises of a successful trip we got the administrative support from the Museu Nacional de Geologia de Moçambique and Universidade Eduardo Mondlane. However, that was not enough, the money of our savings together was not even enough to rent a car for one day in Mozambique. On a desperate attempt we decided to call the Ministry of Transports who gave us a contact from an administrative agency from the Niassa Province who could probably support us logistically. We went to Niassa without any prospect that we could actually get to see the geological exposures… But, the Mozambican people demonstrated all their generosity when we came and our trip was a success. We found more than 10 localities with abundant fossil material to be salvaged and a nearly complete skeleton of a minute synapsid (mammal common ancestors). Niassa was shown to us in all its mystery and splendor. Our local guide, Luís Macuango, fought against the colonial Portuguese to conquer the independence and right for self-determination of Mozambique; and our driver, Ângelo Madrugas, has fought on the Mozambican Civil War that opposed the communist party Frelimo and the pro-colonialists Renamo when he was still a child. They formed two generations of warriors, after being themselves heroes, honored us with their help exploring the banks of the Lunho River in Niassa. Luís Macuango is the brother of the highly influential and witch Queen of Muchenga. One night after many frustrated days of slim findings I asked him to pray for us, he just said: “Amanhã vamos andar bem”, which means “Tomorrow we will walk good”. In the next day we hit the jackpot.

Pode tambem ver em Student Adventures.