


Ontem, um bloco recolhido em 2010 em Angola com mais de uma tonelada foi transportado para os laboratórios da Southern Methodist University (Texas) para ser preparado. Este bloco contem um esqueleto praticamente completo incluindo o crânio de um plesiossauro. Em breve mais novidades sobre o avanço deste incrível achado serão dadas. Todos os fósseis recolhidos no âmbito do Projecto PaleoAngola serão devolvidos a Angola.
Ricardo Araujo

Com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio logístico e técnico do Museu da Lourinhã o Salimo Mário, natural de Moçambique tem estado desde Fevereiro a trabalhar nos fósseis de vertebrados encontrados no âmbito do projecto PalNiassa. Ricardo Araújo e Rui Castanhinha são os responsáveis pela sua formação. Neste momento o Salimo tem-se concentrado nos vestígios encontrados em 2009, nomeadamente num crânio completo praticamente de um ancestral comum aos mamíferos. Bom trabalho Salimo!
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| Angolatitan adamastor (por Karen carr) |
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| Saurópode Angolatitan a ser comido por mosassauros (por Fabio Pastori) |
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| Scapula and Humerus of Angolatitan adamastor Mateus et al 2011 |
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| Filogenia dos dinossauros saurópodes e posição de Angolatitan adamastor |
Entrevista ao Jornal i:


A mitologia Angolana inclui bestas marinhas como o Kianda, um monstro que comia pessoas. No entanto, há muitos milhões de anos atrás (aproximadamente 69 milhões de anos) inúmeros répteis marinhos gigantescos cruzaram o mar ao largo da costa de Angola.
Entre os quais se contavam os plesiossauros: os Kianda que existiram mesmo. Nesta altura, porém, não existiam humanos e este tipo de animais alimentava-se somente de peixe e cefalópodes. Alguns plesiossauros tinham longos pescoços, outros pescoços curtos mas cabeças extremamente robustas. Os plesiossauros têm uma história evolutiva extremamente interessante pois são os répteis marinhos mais diversos em número de espécies bem como em termos de longevidade. Existem mais de duas centenas de espécies conhecidas de plesiossauros, e duraram enquanto grupo durante quase todo o Mesozóico. Mais de cento e cinquenta milhões de anos de história evolutiva... Existiram plesiossauros com inúmeros pequenos dentes aguçadíssimos que para se alimentarem de pequenos crustáceos e peixes, existiram plesiossauros com um crânio robusto e dentes poderosos capazes de dilacerar grandes presas. A disparidade morfológica é radicalmente diferente de grupo para grupo. Alguns plesiossauros engoliam pedras, chamados gastrólitos, para servir de lastro e para que o seu corpo adquirisse flutuabilidade neutra... outros tinham adaptações especiais nos ossos do corpo tornando os ossos extremamente densos e, portanto, produzindo o mesmo efeito de flutuabilidade neutra.
Angolan mythology includes stories of a beast named Kianda, a sea monster who ate people. In reality, millions of years ago (~69 ma) numerous giant marine reptiles lived in the sea off the coast of Angola. Among them were animals called plesiosaurs: a sea monster that really did exist. At this point, however, there were no humans and plesiosaurs only fed on fish and cephalopods. Some plesiosaurs had long necks and relatively small heads while others had short necks and extremely robust heads. Plesiosaurs have a long and interesting evolutionary history and are are the most diverse marine reptiles in species number and in terms of longevity. There are over two hundred known species of plesiosaurs, and the group lasted for almost the entire Mesozoic; more than one hundred and fifty million years of evolutionary history ... There were plesiosaurs with numerous small teeth that enabled it to feed on small crustaceans and fish, there were plesiosaurs with a robust skull and powerful teeth that can tear apart very large prey. The morphological disparity is radically different from group to group. Some plesiosaurs swallowed stones, called gastroliths to serve as ballast to acquire neutral buoyancy ... others had special adaptations in the bones of the body making the bones very dense and therefore producing the same effect of neutral buoyancy.
Angola é central para compreender a história evolutiva deste grupo de animais. Neste momento temo-nos concentrado nos últimos capítulos da sua história, mas, felizmente, Angola tem rochas que representam várias idades e que, portanto, permitem aceder a vários outros capítulos da história fascinante destes animais. Até agora já foi descoberto por exemplo o Tuarangisaurus que é um táxone extremamente interessante uma vez que, a confirmar-se a sua natureza ontogenética, apresenta traços claramente que corresponderiam a indivíduos de plesiossauros juvenis. Também numa perspectiva biogeográfica este taxóne parece ser interessante, ocorrendo em três continentes distintos: América do Sul (Argentina), Oceânia (Nova Zelândia) e agora África (Angola; ver resumo em Araújo et al. 2010).
Angola is central to understanding the evolutionary history of this group of animals. Currenty we are concentrating on the final chapters of their history, but fortunately, Angola has older rocks too, and therefore allows access to several other chapters in the history of these fascinating animals. We have thus far discovered a number of forms, including one called Tuarangisaurus. This taxon is very interesting because it appears to conserve morphology that corresponds to juvenile plesiosaurs of other taxa. Also, from a biogeographic perspective, this taxon appears to be restricted to the southern hemisphere, but is widespread, occurring in three different continents: South America (Argentina), Oceania (New Zealand) and now Africa (Angola, see summary in Araújo et al. 2010).
Ver:http://www.paleolabs.org/paleoangola/the-fossils/54-the-fossils/129-plesiossauros
O dinossauro saurópode Europasaurus holgeri que eu descrevi juntamente com colegas alemães em 2006, tem agora o seu próprio concurso de ilustração científica:
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A Collecta lançou a nova colecção de bonecos comercializados a nível mundial. O dinossauro terópode Lourinhanosaurus antunesi, exposto no Museu da Lourinhã, é uma das novidades. Este ano também é o lançamento do Miragaia longicollum, pela Carnegie Collection, baseado num esqueleto também em exposição no museu lourinhanense.
O Museu da Lourinhã lançou o livro "Dinossauros da Lourinhã e paleontologia para principiantes" de autoria de Simão Mateus.


Não há domínio da ciência que não precise de uma biblioteca vasta, acessível e actualizada de artigos científicos, seja ela num formato tradicional com os documentos impressos em papel ou em formato digital em PDF. A verdade é que é (quase) impossível fazer ciência sem consultar os artigos científicos mais recentes.
Os investigadores debatem-se todos os dias com essa necessidade, sobretudo aqueles associados a pequenos centros de investigação e sem possibilidade de pagar a desmesuradamente dispendiosa assinatura de muitas revistas científicas.
Embora discretos e quase desconhecidos no registo fóssil de Portugal, os plesiossauros foram um dos grupos mais bem sucedidos de répteis marinhos do Mesozóico (e não são dinossauros).
Um dos primeiros registo deste fósseis é-nos apresentado por Henri-Émile Sauvage em 1898, a partir de uma colheita feita em Alhadas, perto de Coimbra. Trata-se de um fóssil do Toarciano (183-175 milhões de anos), logo um dos mais antigos vertebrados fósseis de Portugal.
Este espécime, em exposição no Museu Geológico de Lisboa, não era objecto de estudo desde o século XIX e agora é resultado de uma reavaliação assinada por Adam Smith, Ricardo Araújo e Octávio Mateus e apresentada na Society of Vertebrate Paleontology.
Os dinossauros e a paleontologia podem ser um bom motivo musical, tal como a música pode ser um excelente meio para cativar os mais novos para a Ciência. Esta mistura dinossauros-música pode ver e ouvir com as divertidas músicas "I am a paleontologist" por Sean McBride, com o video-clip disponível aqui,
ou a "Dinosaur Song"
O género de crocodilo Terminonaris do Cretácico, que se pensava originário da Europa, afinal apareceu antes do que se pensava na América do Norte.
O crocodilo da família Pholidosauridae, denominado Terminonaris robusta, faz parte de uma linhagem cuja origem é controversa. A maioria dos exemplares são da América do Norte (com 83 a 93 Milhões de anos) e um exemplar descoberto na Alemanha, um pouco mais antigo, sugeria uma origem europeia deste género.
Contudo, uma nova descoberta agora anunciada em resultado de uma investigação realizada em parceria entre a Universidade Nova de Lisboa / Museu da Lourinhã e a Southern Methodist University mostra a ocorrência deste crocodilo aos 96 milhões de anos (Cenomaniano médio) no Texas, pelo que se trata da ocorrência mais antiga e mais meridional deste crocodilo. Isto vem mostrar que a sua origem evolutiva não é na Europa, mas na América do Norte, pelo menos 3 milhões de anos antes, e que a distribuição do género é mais abrangente do que se pensava.
Esta investigação, liderada por Thomas Adams, foi apresentada na 70th Society of Vertebrate Paleontology Meeting, que ocorreu em Pittsburgh no início de Outubro.
Referência:
Adams, T.L., Polcyn, M.J., Mateus, O., Winkler, D.A. & Jacobs, L.L. 2010. New occurrence of the long-snouted crocodyliform, Terminonaris cf. T. robusta, from Woodine Formation (Cenomanian) ot Texas. Journal of Vertebrate Paleontology, 30, 52A.
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| Miragaia longicollum, protótipo acabado |
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| Miragaia longicollum, tal como é comercializado |
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| Miragaia longicollum, protótipo em fase final |
O Museu da Lourinhã, conhecido pelos seus dinossauros, foi alvo de uma tese de mestrado, por Simão Mateus, que visou retratar a situação a actual do museu e lançar sugestões de futuro.
O Museu tem as áreas de Paleontologia, Etnografia e Arqueologia, focando sobretudo o património local. É tutelado por uma associação sem fins lucrativos, o GEAL, a qual todos se podem associar.

E como nem todos os museus incluem a sua estatística de visitantes, deixo aqui a do museu lourinhanense, que em 2009 atingiu um número recorde com quase 25.000 visitantes:
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