segunda-feira, junho 15, 2009

Darwin, Sexo e Dinossauros


Sendo 2009 o ano Darwin muito já se tem dito sobre o que o próprio escreveu acerca de imensa coisa, mas sobre dinossauros é muito escaço o material existente.
Aqui vos deixamos uma passagem do livro The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex publicado em 1971. Esta obra teve felizmente uma novissima edição em Português que foi traduzida pela nossa colega Susana Varela. É um excelente livro histórico que vale a pena conhecer. Foi precisamente em 1971 que Darwin apresentou uma outra ideia absolutamente revolucionária: a Selecção Sexual. Pensar-se que as escolhas sexuais dos seres vivos poderiam desempenhar um papel fulcral na evolução de estruturas complexas ou extremamente bizarras era, sem sombra de dúvidas, algum de novo e mais uma vez foi um um choque tremendo. Lembem-se que o sexo foi (quase) sempre um tema tabu nas nossas sociedades ocidentais. A Inglaterra victoriana não era excepção, e vir dizer que quem tem o papel mais importante na escolha sexual é a fêmea... era, no mínimo, complicado. Charles Darwin sempre foi um homem do seu tempo nos costumes, mas quanto às suas ideias ciêntíficas esteve quase sempre à frente de todos os outros, é o melhor exemplo que conhecemos para provar que não é necessário ser-se excêntrico para se ser genial. E como qualquer cientista do seu tempo tambem se interessou por dinossauros, reparem então no que ele escreveu:

« Sabe-se que existiram, ou que ainda existem, grupos de animais que servem para ligar, com maior ou menor intensidade, várias das grandes classes de vertebrados. Vimos, por exemplo, que o ornitorrinco passa gradualmente para o lado dos répteis; e o Professor Huxley descobriu que os dinossauros estão, em muitas características importantes, numa posição intermédia entre certos répteis e certas aves – facto que foi confirmado pelo Sr. Cope e outros –, as quais pertencem à tribo das avestruzes (que evidentemente também são o último vestígio amplamente difundido de um grupo outrora mais vasto) e ao arqueoptérix, estranha ave secundária, com uma longa cauda semelhante à de um lagarto. Além disso, e de acordo com o Professor Owen, os ictiossauros – grandes répteis marinhos providos de barbatanas – apresentavam várias afinidades com os peixes, ou melhor, segundo Huxley, com os anfíbios; que são uma classe que, por incluir na sua divisão mais avançada as rãs e os sapos, é manifestamente aparentada com os peixes ganóides. Estes últimos abundavam durante os primeiros períodos geológicos, e eram formados segundo aquilo a que chamamos modelo generalizado, isto é, apresentavam diversas afinidades com outros grupos de organismos. O Lepidosiren, por exemplo, está tão intimamente ligado aos anfíbios e aos peixes que os naturalistas debateram longamente para decidir em qual destas classes o colocar; tanto ele como alguns peixes ganóides foram preservados de uma completa extinção por habitarem em rios que funcionam como pequenos portos de refúgio, visto que estão ligados às grandes águas dos oceanos da mesma maneira que as ilhas estão ligadas aos continentes. » Citação do livro "A Origem do Homem e a Selecção Sexual" de Charles Darwin, cap. 6, página 182.



É reconhecido todo o mérito aos paleontólogos Richard Owen e Edward D. Cope o facto de já se considerar a hipótese de que as aves e os dinossauros estavam mais realicionados do que à primeira vista se poderia pensar. A ideia não era de Darwin, mas é de facto muito engraçado pensarmos que tamanha beleza e complexidade nas formas possa ser tão semelhante na sua origem.

Charles Darwin aborda pouco a temática dos dinossauros, mas certamente estava consciente das descobertas feitas na paleontologia, sobretudo porque algumas eram realizadas por amigos, como Thomas Huxley, ou por colegas contemporâneos como Richard Owen, Othniel Marsh ou Edward Cope.

Em 1809, ano de nascimento de Charles Darwin, não havia sido descrita nenhuma espécie de dinossauro, mas esse cenário mudou bastante durante a sua vida. No ano da publicação da Origem das Espécies, 1859, já se conheciam 91 espécies, e em 1882, ano da morte de Darwin, já se tinham dado nome a 360 dinossauros!

Apesar de Darwin nunca ter lidado directamente com dinossauros, ele estava no local e ambiente certo para o fazer e certamente que tinha acesso às últimas notícias sobre o assunto



Obrigado à Susana Varela por nos ter alertado para esta passagem.

Rui Castanhinha e Octávio Mateus

segunda-feira, junho 08, 2009

Cadernos do subterrâneo


Não, este artigo não é sobre um dos livros obscuros do Dostoiévski, é sobre uma das mais fantásticas grutas de Portugal. A Gruta do Frade encerra em si uma das mais fantásticas associações de espeleotemas – uma estalactite é um espeleotema, por exemplo. No entanto, uma estalactite é em geral um espeleotema banal. No que a Gruta do Frade é especialista é em surpreender-nos em cada canto recôndito, com formas que lembram vagamente cogumelos, fósforos, cotonetes... mas em calcite. A calcite (carbonato de cálcio) é o principal componente dos calcários que, quando cristalizado secundariamente tende a tomar formas diversas, quando as condições assim o proporcionam. O contexto geológico/estrutural da Gruta do Frade, inserido na cadeia da Arrábida, permitiu que ao longo de 340m se estendesse uma gruta em ambiente controlado – as temperaturas no interior da gruta não oscilam muito além dos 19ºC e a humidade ronda os 97%. Um dos factores que certamente permitiu uma diversidade e concentração de espeleotemas foi a influência da água do mar e das marés, carreando iões usualmente raros em grutas típicas. O processo mais comum de formação das grutas consiste na dissolução dos calcários por águas meteóricas acídicas (i.e. águas da chuva que se combinam com o dióxido de carbono atmosférico), contudo, aliado a este processo, a influência marinha e das marés definem a singularidade da gruta, materializado pelos seus espeleotemas únicos.
Estas grutas têm vindo a ser estudadas, topografadas e inventariadas por vários elementos do NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul), que a descobriram em 1996 ao longo da costa de Sesimbra. Agora, pretendemos sumarizar o conhecimento actual e publicá-lo sob o formato de artigo científico, de modo a dar a conhecer este património espeleológico à comunidade científica. Já anteriormente os aracnídeos haviam sido estudados e também foi publicado um livro que a deu pela primeira vez a conhecer.
Na região da Lourinhã também existem grutas importantes na qual o GEAL participou na sua exploração e recolha de espólio espeleológico. Quer as rochas que compõem a Gruta da Feteira quer as da Gruta do Frade são, geologicamente falando, síncronas (i.e. formaram-se ao mesmo tempo)
Explorar a gruta do Frade é entrar numa paisagem surreal, não tanto ao jeito de Dostoiévski talvez, que era demasiado realista…

Ricardo Araújo & Francisco Rasteiro

Fotos de: Francisco Rasteiro

domingo, junho 07, 2009

Conferência Geocolecções: o desfecho de um sucesso!


Sem dúvida que sim, foi um sucesso! Mais de cem participantes, muitas comunicações, houve até quem atravessasse o Atlântico para vir até cá, foram estreitadas colaborações científicas, conferências históricas (nomeadamente a de Miguel Telles Antunes e de Ferreira Soares), o Museu da Lourinhã em peso, um livro de resumos (online e impresso), um apoio e diligência incondicionais dos anfitriões... enfim, não serão precisas mais palavras para substanciar a conclusão! A organização está de parabéns e que venham mais assim. Sem dúvida que ficar-me-ao para sempre na memória as pungentes palavras de Ferreira Soares sobre a história da geologia portuguesa em jeito de inaltecimento dos seus grandes protagonistas; mas também o olhar profundo (e com conhecimento de causa) sobre a pesquisa de paleontologia de vertebrados do Cenozóico português pelo Professor Telles Antunes, um dos muitos resultados de uma vida dedicada à Paleontologia. Mas também não me esquecerei tão cedo de muitas outras boas palestras proferidas num ambiente tão honorífico, que contém o peso de um legado tão importante onde, por exemplo, António Domingos Vandelli deu as suas aulas no século XVIII.

sábado, maio 30, 2009

Nova Publicação: Técnicas de preparação de fósseis de vertebrados



Uma nova publicação no Journal of Preparation Techniques acabou de sair neste mês. Esta publicação revela os bastidores que estão por detrás de um artigo descritivo de uma nova espécie, por exemplo. Desde a recolha e escavação dos fósseis até à sua descrição anatómica existe um grande número de passos que têm de ser dados, e, infelizmente essas metodologias são raramente alvo do escrutínio nos artigos. Não obstante, a importância que estas técnicas têm é de tal modo grande que sem elas os próprios fósseis não podem ser estudados convenientemente. Demoram imenso tempo! São horas e horas de trabalho intenso com pequenos instrumentos pneumáticos ou com rebarbadores. A rocha tem de ser desgastada progressivamente sem que haja o mínimo de risco para os ossos que vêm finalmente a luz do dia ao fim de mais de 150 milhões de anos. Já tudo passou por eles: a Segunda Guerra Mundial, o Homo neanderthalensis, as Glaciações, a Megafauna de Mamíferos Cenozóica, a abertura dos continentes por força da tectónica de placas, a grande extinção no final do Mesozóico provocada por um meteorito...

Neste artigo exploramos novas aproximações e técnicas usadas pela primeira vez no Museu da Lourinhã. Fizémos recurso das mais desenvolvidas tecnologias de ponta: scanning 3D, por exemplo. Com essa tecnologia conseguimos visualizar a três dimensões ossos que, numa ilustração estariam inevitavelmente a duas dimensões. É uma maneira de se poder trocar informação anatómica entre especialistas sem se ter de estar fisicamente diante dos espécimes.

Descarreguem o artigo daqui!

Imagem da esquerda - vértebra cervical do Miragaia digitalizada usando tecnologia 3D scanning. Imagem por Blizzard.

Fotografia da direita - Montagem do esqueleto do Miragaia em posição de vida. As réplicas e modelos compreendem também uma série de técnicas e materiais específicos. Foto Octávio Mateus.

domingo, maio 17, 2009

Entrevista a Phil Mannion, PhD Student

RA: How can we assess diversity from 65M.y old creatures?

PM: We can do simple things like counting the number of genera or species through time. This gives us a rough idea of fluctuations in diversity. However, this can be affected by various processes in the geological record, so, we need to consider where the amount of terrestrial rock varies through time, for instance. Maybe if we have an increase of rock exposure and an increase in diversity, so that increase cannot be genuine. So we can plot diversity against rock record and various proxies like that. We can also correct phylogenies. We know phylogenies are hypothesis of relationships, so we can use those lineages against time and we get another view and explore taxic diversity.

RA: OK, but that has an underlying assumption which is valid. How can this affect your work?

PM: Yes, a phylogeny is only a hypothesis and there is space for mistake in there. We hope that most of the space is small, so it won’t make much difference. Perhaps if a group is in a completely wrong place we will get very long ghost-lineages and the reason why we haven’t look at any taxon there is not because there is a ghost-lineage, but that we just got things wrong. However if you do things like phylogenetic diversity estimate and you do it to various proxies, such as the rock record, than hopefully you can compare them all and you start seeing certain points where you get the same results again and again.

RA: What are the next steps on your research?

PM: The real next step is to finish my thesis! [laughs] I should finish it in the next four to five months.

RA: No… but I mean in scientific terms?...

PM: Well, yeah… Carry on the diversity work. Trying to resolve where the taxic diversity is genuine or logically predicted from the fluctuations of the rock record. And that is sort of near an end. But I also want to go on broader macroevolutionary questions, look at what happened at the K-T boundary. And also use the methodologies I have used for my PhD to other groups like lissamphibians and sharks.

RA: This is a broad question that I have also made to Paul. What is lacking in the Vertebrate Paleontology community?

PM: mmmhh.. We need sauropods to be feathered! [laughs] I think it is getting better, people are applying better methodologies and using things like statistics… more and more people are getting more rigorous with their analysis. Nevertheless, I think people shoud be more rigorous in terms of ages of formations, there are lots of problems in places in China for example. But I think there is still a lot of scope for many avenues in paleontology…

RA: What is a typical day for you as a paleontologist?

PM: A typical day will, at the moment, largely involves me processing large amounts of data through my database of sauropod occurrences and testing it from various criteria to do things like environmental associations, and gradually – somewhat groovenly – writing up my thesis. When I am not doing something directly related with my thesis I am writing descriptive papers, or sometimes coming to Museums like Lourinhã to study specimens.

sexta-feira, maio 15, 2009

Entrevistas aos bochechos: 10ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: A random question now, but I think it is interesting to think about this sort of things, can vertebrate paleontology be a profitable science?

PU: I think you can argue it already is in some ways. It is quite clear that the general public are interested in dinosaurs in particular, but paleontology in general. So I think there are a number of roots through which paleontology can be economically viable. There is obviously museum work, educational work, work with the media, or, manufacturing casts for museums. In the States, for example, people actually pay in order to dig dinosaurs. There are a number of ways in which the subject canearn money… and I’ve just mentioned a few of them, there are things like writing books and so on. But I think it is absolutely crucial that governments continue to fund paleontology because it is a fragile science. It is one that we do out of interest, rather than something that is going to cure cancer. It has two important contributions that mean the government should want to fund it: the first one is educational, particularly if we can attract children to science… they don’t have to become paleontologist, they can become doctors or engineers. But, if we can inspire them to be interested in science in first place, I think that paleontology and particularly dinosaurs are good ambassadors.

Entrevistas aos bochechos: 8ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Now, just a general broad question: what would you change in the Vertebrate Paleontology community? What do we need? What is still lacking in our community?

PU: Across the community as a whole we’re pursuing very interesting lines of research, but my personal view is that there are two or three things that we could change a little bit. One is there is still a tendency to think that the final goal of a publication is to produce a cladogram, and I think that is a good starting point… but you have to use it to investigate macroevolutionary issues. The second thing is that we need to become more quantitative in our approaches, we still tend to be viewed by non-paleontologists – perhaps quite unfairly – as a hand-waiving area…one that has a lot of speculation and not does not rely very much on facts or analysis. We actually have the ability to analyze data in a quantitive/statistical fashion, we need more of that… and some of our invertebrate paleontology colleagues are leading the way. The final thing that I think we need to change, which is much closer to my particular interests, is that nearly all the papers that discuss biogeography are essentially speculative. They look at the fossil record, they see the various organisms at various places and various points in time, and they build a story around them. This is not adequate testing of the hypothesis. My view is that we need move from, what is called in philosophical terms, the narrative/story-telling phase. What we need to move into is a more analytical phase, where we actually reject hypothesis or verify them by getting large amounts of data and analyze it quantitatively. The same reasoning holds true for all aspects of paleobiology: we need to become more quantitative in diversity, evolution and things like that.

quarta-feira, maio 13, 2009

Entrevistas aos bochechos: 7ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Going back a little bit on the sequence of questions, I think that your work on area cladograms and biogeography gives very interesting support where to look for dinosaurs and pursue new taxa. First of all, do you agree with this? And second, if you would have to use this data, where would you work for new taxa?

PU: The biogeographic approach I use, they provide some explanation why some types of dinosaur appear or do not appear in certain places and certain points in time. But of course, that can always be falsified by new discoveries. What I think that is more relevant to directly finding or targeting new localities is the work that my student and in conjunction with me is doing, we’ve built an almost comprehensive database of sauropod occurrences. So what that allows is an analysis like: do sauropod appears in certain types of sediments more often than others; are there areas of the earth that have produced poor quality sauropod material or good quality sauropod material? So I think large scale database are probably the future to a scientific approach to know where to go to collect new material.

terça-feira, maio 12, 2009

Conferência sobre Evolução (Hoje, 14h, na Univ. Lusófona)


Vai decorrer hoje, quarta-feira, dia 13 de Maio, pelas 14 horas no Auditório Pessoa Vaz da Universidade Lusófona de Humanidades e Técnologias, a conferência:

Evolução em Debate: De Darwin à actualidade

Vamos contar com presença de 3 oradores, Doutor Frederico Almada, Doutor Octávio Mateus e Doutor André Levy, no que será um debate entre os 3 e o público, sobre a Evolução na perspectiva de 3 mentes diferentes, desde Richard Owen e Charles Darwin, até aos dias de hoje e aos Evolucionistas modernos.

A conferência terá uma duração de apróximadamente 2 horas, com um ligeiro coffee brake pelo meio.




domingo, maio 10, 2009

Curso de verão de paleontologia em La Rioja (Espanha



Informação sobre curso de verão de paleontologia em La Rioja (Espanha):

Huellas de dinosaurios en los cursos de verano de la Universidad de la Rioja


En julio y agosto de 2009 tendrán lugar los cursos de verano de la Universidad de la Rioja. Bajo el nombre Huellas de Dinosaurio se celebrarán campos de trabajo, cursos y conferencias relacionadas con los yacimientos de huellas de dinosaurio y su conservación y restauración.

Los campos de trabajo se celebrarán en Igea, Enciso y Hornillos de Cameros (La Rioja) y Tabant (Marruecos), en julio y la primera quincena de agosto, mientras que el 30 de julio tendrá lugar en Enciso un ciclo de conferencias a cargo de un grupo de expertos.

Más información en:

http://fundacion.unirioja.es/cursosdeverano/campos_trabajo.shtml
http://www.icog.es/_portal/noticias/noticias.asp?bid=1101&ini=1

sábado, maio 09, 2009

Entrevistas aos bochechos: 6ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: So, the other area of your research is to look specifically at the evolution of sauropods. Could you outline in broad terms the evolution of the group?

PU: Essentially, they appeared in the Late Triassic; at that stage we call them sauropodomorphs. They are generally small animals, 1-2meters long, they are bipedal… but they still show one or two key features of the sauropodomorphs: relatively long neck, a small head on that neck and some changes to the jaws and teeth, which is suggesting that they are changing from carnivores to omnivores or omnivores to herbivores. Then in the Jurassic, those small forms disappear and we see a trend towards a larger and larger body size, quadrupedality, elongation of the neck and further modifications of the skull. So we get a radiation of the true sauropods, which by the Jurassic have achieved gigantic body size (20-25m). We also see a radiation of many types of sauropods: diplodocoids, early titanosaurs, brachiosaurs, and so on… Then, at the Jurassic/Cretaceous boundary there seems to be a crisis, about 80% of the sauropods go extinct, mainly the ones with the very large spoon-shape teeth. In the Late Cretaceous, sauropod faunas are dominated by the titanosaurs. There are other types like the rebbachisaurs – that were unusual types of diplodocoids – but they radiate again, the also become very diverse. By the end of the Cretaceous there were about 50 or 60 titanosaur genera, which is about one third of sauropod diversity. At the K-T boundary all of those disappear.

sexta-feira, maio 08, 2009

Encontrada proteína em fóssil de dinossauro pela segunda vez

Replicação de uma notícia do Jornal Público: 

Encontrada proteína em fóssil de dinossauro pela segunda vez
2009-04-30 22:40:00 PÚBLICO

Confirma-se, é possível recolher proteínas conservadas de fósseis tão antigos como os dos dinossauros. Os resultados são publicados hoje na revista Science.

A primeira vez que isto aconteceu foi em 2007 a partir de um fóssil de T-rex com 68 milhões de anos. A comunidade científica na altura ficou desconfiada sobre estes resultados, por isso a equipa da investigadora Mary Schweitzer da Universidade Estatadual da Carolina do Norte, EUA, foi à procura de fósseis que estivessem em locais onde o ambiente daria as condições perfeitas para manter as proteínas conservadas.

A equipa procurou numa formação geológica em Montana e encontrou o fóssil de um fémur de uma espécie de hadrossauro com 80 milhões de anos, que tinha preservado colagénio - uma proteína importante para a coesão dos tecidos. Ao analisarem a molécula, viram ainda que estava mais próxima do colagénio das aves do que dos crocodilos.


Entrevistas aos bochechos: 5ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: In which sense are dinosaurs the best clade to test this sort of tools?

PU: I don’t think they are the best clade, but they are one of the best clades. They are a good place to start because they have a relatively rich fossil record, they have a long fossil record – that spans several geographical events –, they have a virtually global distribution; so they can pick up episodes like the break-up of the continents, changes in sea level. And, of course, relative to other groups they are intensively studied; there are far more people working with dinosaurs in the Mesozoic than there are, say, on crocodiles or lizards. But, I think, the best way to analyze biogeographic history is to take multiple groups, ideally groups that have different groups that have different body sizes and different physiologies. If we show that flowering plants, insects, small mammals and dinosaurs are all showing the same patterns, that reinforces the evidence that, despite differences, in the way they live these groups are all affected to the same geographic events. So, I started with dinosaurs because that is my strength, that is my area of interest… but I am interested expanding the work to other groups as well, or, encourage my colleagues to apply the same methods.

quinta-feira, maio 07, 2009

Entrevistas aos bochechos: 4ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Yeah, one of the methodological tools that came out from this sort of ideas were area cladograms, wasn’t it?

PU: Area cladograms are an older idea, they go back to the original work done in the 1970’s. But, there is a fundamental problem with an area cladogram which is that by definition a cladogram shows branching structure. And that is fine when you are dealing with organisms that have a nice branching structure phylogeny. The problem is that an area cladogram isn’t describing the evolution of organisms, it is describing the relationships between geographic areas. And geographic areas do not have to obey a branching pattern. They can break up from each other, but they can also collide…they can reconnect. That means that the history of geographic areas is a complext network and not a simple branching pattern. So, the area cladogram by itself is a good idea, but not sufficient to describe biogeographic history. Where the time slicing idea comes in is that you continue to produce area cladograms, but each area cladogram is different for each point in time. By looking how each area cladograms change from each point in time, to the next, to the next, to the next…those changes tell you about the network-like history
Between the areas. So, to give you an example, in the Early Cretaceous we find that South America and Africa cluster together in the area cladogram, we’d say Australia would be more distant – as it was – and then in the Late Cretaceous we find actually that South America and Australia are clustering together with Africa being further away. What we see is a change in the area cladogram structure and, what that means is that between the Early Creataceous and Late Cretaceous that has been some change in biogeography, that cannot be expressed by one area cladogram but by two in sequence. And so, what we are really doing is trying to express this really complex network of area relationships as a series of area cladograms, rather than one area cladogram

terça-feira, maio 05, 2009

Entrevistas aos bochechos: 3ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: But isn’t it somehow stratocladistics… isn’t it the same?

PU: No, because in stratocladistics what you do is, when you are building your evolutionary tree you add information on the stratigraphic positions of the organisms and that has an influence on the tree. What I propose is that you keep building evolutionary trees in a conventional manner – using morphological characters or molecular characters if you are working with living organisms. Now, once you have that evolutionary tree you should is analyze biogeography within a certain defined time window. So if I’ve built an evolutionary tree of all dinosaurs in the Early Cretaceous, what I should do is then remove any dinosaurs that are not from the Early Cretaceous. And although that sounds like a bad idea – it sounds like you are throwing away data – the good thing about it is that it helps us focusing on the patterns that happen in the Early Cretaceous. If I can give you an analogy: if I listen to a music and ask you to describe that piece of music in mathematical terms; for one piece of music that might be relatively easy… if I play two pieces of music at the same time it starts to get a little bit confusing, if I play a thousand pieces of music it is almost impossible to understand anything… the problem is if you take a very large dataset. Let’s say all vertebrates from the Triassic up to the present, there are so many different patterns that are so different from each other, they conflict. The idea is to slice in narrow chunks of time, and analyze each of those for biogeographic patterns.

domingo, maio 03, 2009

Cientistas negam a teoria de extinção por queda de meteoro


Replicação do post via Dinossauros ! O Blog do Ikesaurus ! by Ikessauro on 4/27/09


No fim do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos houve uma enorme extinção em massa, que dizimou diversos grupos de animais e plantas. A teoria mais aceita para explicar isto é a queda de um asteróide na península de Yucatán no México, que formou uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, nomeada de Cratera de Chicxulub, correto? Não a partir de hoje! Pesquisadores começam a duvidar que o meteoro tenha causado isto.

Para contrariar a teoria que há anos é a mais aceita, os pesquisadores publicaram um artigo no Journal of the Geological Society, afirmando que o asteróide caiu pelo menos 300 mil anos antes da extinção.
Gerta Keller, da Universidade Princeton - Estados Unidos, é uma das principais opositoras da teoria do meteoro, então usando análises das rochas, mais precisamente das camadas sedimentares, ela e seus colegas reuniram informações sobre as camadas do local em questão, para tentar provar que a extinção não coincide com o meteoro. Os dois eventos podem não ter qualquer relação", disse Richard Lane, diretor da Divisão de Ciências da Terra da National Science Foundation (NSF), que apoiou o estudo.

"Verificamos que entre 4 e 9 metros de sedimentos foram depositados a cerca de 2 ou 3 centímetros a cada mil anos após o impacto. O nível da extinção em massa pode ser observado em sedimentos bem acima desse intervalo", disse Gerta.

Os estudiosos que defendem a teoria do impacto de Chicxulub dizem que o evento de extinção, conhecido como Evento K-T (Cretáceo - Terciário), e a queda do corpo celeste no golfo do México não estão próximos no registro sedimentar porque os terremotos e tsunamis causados no impacto alteraram a posição das camadas sedimentares do local, deixando um "espaço" de tempo entre os eventos.

No entanto, Keller diz que se isto realmente houvesse ocorrido, existiriam indícios, pois o arenito das camadas não foi depositado como está hoje em apenas algumas horas, mas sim durante milhões de anos. O estudo verificou que os sedimentos que separam os dois eventos são característicos de sedimentação normal, sem evidência de distúrbios estruturais.

Outro indício de que o meteoro não causou tanto estrago, foi a diversidade de espécies existentes antes e depois do impacto. Fósseis encontrados que datam de antes da queda do meteoro somam pelo menos 52 espécies diferentes. Análises nas camadas que se formaram depois da queda, demonstraram que elas também contém as mesmas 52 espécies de animais, ou seja, o meteoro não extinguiu quase nada.

Segundo a pesquisadora Gerta, não há indícios de que o impacto causou extinção de uma espécie e que a extinção pode ser resultado de erupções vulcânicas contínuas onde hoje é a Índia, o que teria liberado muitos gases e poeira que impediam a luz solar de penetrar na crosta terrestre, causando um efeito estufa devastador.



Entrevistas aos bochechos: 2ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Another thing I would like to know a little more about is that in 2005 you’ve published a paper proposing a new paradigm. What does that paper entail?

PU: You are talking about the new biogeographic paradigm… Well, the initial idea was published in 2001, but I’ve published a series of papers since then. Essentially the idea is that amongst biologist working in animals, over the last 30 years or so, there was a growing tendency to analyze biogeography in a more statistical fashion. The information that is required to understand that are evolutionary relationships and the geographic localities of the organisms. Essentially it is cladistics plus biogeography. The problem that I and my colleague Craig Hunt proposed originally in 2001, is that it doesn’t take time into account… I think the reason why we haven’t taken the temporal or stratigraphic distribution of organisms into consideration previously is precisely because these methods used previously were only used by people working on living animals, and therefore they only have one time to worry about, which is: now! But as soon as you look at paleontology, you should ask the question: Should I take data from all the Mesozoic? Or just from the Jurassic, or Cretaceous and so on… What we realized was that the geographic distribution of organisms change through time. The patters we get in the Jurassic are not necessarily the patterns we get on the Cretaceous and so on…We realized that paleontology actually played a key role in historic biogeography, whether you are working on living animals or extinct animals. You need to take into account the time of the events, because otherwise you end up with serious problems…

sexta-feira, maio 01, 2009

Entrevistas aos bochechos: 1ª pergunta ao Paul Upchurch

Lamento estar em Inglês, assim que fôr possível traduzirei para Português.

RA: As a first question I would like you to describe a little bit your work… Ongoing projects… and so on…
PU: My two main interests are essentially: the evolution of sauropods and the biogeography of particular dinosaurs, but also of other terrestrial animals in the Mesozoic. Of course, the two go together very nicely because by working in dinosaurs I gain data for other animals. The kinds of things I’ve been working on lately include coming to Portugal to collect data and that is part of a wide project. I’ve received some funds either from Banco Santander and also from the British Paleontological Association, and that money will allow myself and my students to go to Portugal, Spain, Germany and North America to collect data on sauropods, partially for taxonomic work but for my particular case to draw a very large phylogeny on sauropods, probably about 120 to 130 species, which is about two thirds of the current known diversity. That is the bigger picture, and once I have that evolutionary tree I will be using it to biogeography, diversity, issues to do with body size evolution…

quarta-feira, abril 29, 2009

Evolução dos Saurópodes: algumas ideias


Algumas ideias que derivaram da apresentação do Paul Upchurch no Museu da Lourinhã. A maior parte destas ideias já estão publicadas, pelo que não estou a dizer nada de novo, é simplesmente um resumo de ideias interessantes:

- Os saurópodes são animais mais diversos do que geralmente se tem pensado, principalmente quando se olha para características craniana (ex: comparar Shunosaurus com Nigerasaurus);
- A anatomia complexa da vértebras dos saurópodes pode significar que a evolução foi seleccionando indivíduos que tornassem as vértebras em entidades anatómicas progressivamente mais leves, mas mais resistentes sob o ponto de vista mecânico;
- Uma das maneiras para distinguir pegadas de titanossaurídeos e não-titanossaurídeos é pela postura dos seus membros em andamento. Os titanossauros têm uma postura mais ampla (que está associada a modificações importantes em determinadas características dos ossos como a expansão do processo olécrone no úmero), ao passo que a maioria de todos os outros saurópodes tendem a ter uma postura mais fechada (e logo a deixar pistas também menos amplas);
- Os saurópodes são essencialmente "bulk processors", enquanto que os ornitísquios por exemplo são essencialmente "mouth processors". O aparato mastigatório dos saurópodes é essencialmente construído de maneira a extrair folhas que são processadas depois no estômago.
- Um dos major trends existentes no aparato mastigatório dos saurópodes é a perda ou redução da preponderância dos músculos bucinadores, geralmente utilizados para a mastigação; isto tem evidência osteológica clara desde os prossaurópodes;
- Uma metodologia usada para aferir a congruência paleobiogeográfica e hipóteses filogenéticas é consistente com os modelos de tectónica de placas e pelo conhecimento geológico actual; a metodologia chama-se "area cladograms";
- Um evento maior de extinção nos saurópodes ocorreu efectivamente na transição do Jurássico superior para o Cretácico inferior. A par de uma diminuição abrupta do número de taxa do JS para o EK, a área de formações expostas aumenta do JS para o EK. O que elimina o possível enviesamento dos dados por motivos de erros metodológicos de preservação.

sábado, abril 25, 2009

Palestra "Origem e Evolução de Dinossauros Saurópodes"


Divulgação de Palestra sobre Dinossauros saurópodes

Palestra "Origem e Evolução de Dinossauros Saurópodes", por Paul Upchurch (Univ. College of London, Inglaterra), no Museu da Lourinhã, 28 de Abril de 2009, terça-feira, às 18:30.
Precedida de uma curta (15 min.) palestra por Phil Mannion sobre "Diversidade de Dinossauros saurópodes ao longo do tempo"


Próximos eventos (ver Calendário Google):
27 Abril Palestra “Evolução na perspectiva da Paleontologia” por O. Mateus, na Universidade Lusófona (link)
28 Abril (18:30) Palestra “Evolution of Sauropods” Paul Upchurch, no Museu da Lourinhã
30 Abril Colóquio "Darwin, Animals and God", na Universidade do Porto com palestra “Evolution and Creationism: - a Portuguese perspective” por O. Mateus (link)
5-6 Junho Conferência sobre Geocolecções "Colecções e museus de Geociências", Coimbra (link)
8-9 Junho Simpósio sobre Estegossauros, Aathal, Suíça (link)
30 Julho Jornadas que sobre Patrimonio Paleontológico, Enciso, La Rioja, Spain,
com palestra “Pegadas de Dinossauros em Portugal”, O. Mateus, La Rioja, Espanha (link)

Resumo os interesses científicos de Paul Upchurch de acordo com o seu site:
Research Interests
Dinosaur Systematics, Evolution and Biogeography. Research aims Investigation of the palaeobiology and evolution of dinosaurs, with an emphasis on the gigantic long-necked sauropods (Upchurch, 1995, 1998, 1999). Development and application of new phylogenetic techniques (Wilkinson et al., 1998). The use of palaeontological data in studies of macroevolutionary patterns and processes.



Transmissão directa online ainda está por confirmar. Esteja atento a www.museulourinha.org.





Bibliografia de seláceos (tubarões e raias) fósseis de Angola


Contribuição para a bibliografia sobre seláceos (tubarões e raias) fósseis de Angola:

Antunes, M., 1970. Paleontologia de Angola. In Curso de Geologia do Ultramar. Junta de Investigações do Ultramar, 2.

Antunes, M.T. & Cappetta, H., 2002 Sélaciens du Crétacé (Albién-Maastrichtien) d’Angola: Palaeontographica. Abtheilung A, 264, 85-146.

Antunes, M.T. & Sornay, J., 1969. Contributions a la connaissance du Crétacé Supérieur de Barra do Dande, Angola. Revista da Facudade de Ciências, Universidade de Lisboa. Ciências Naturais, 16, 65-103.

Antunes, M.T. 1970. Paleontologia de Angola. In Curso de Geologia do Ultramar.. Junta de Investigações do Ultramar. 2.

Antunes, M.T., 1961. Sur la faune de vertébrés du Crétacé de Iembe (Angola). Comptes rendus hebdomadaires des séances de l’Académie des sciences, 253(3), 513-514.

Antunes, M.T., 1964. Sur quelques requins de la faune Néogène de Farol das Lagostas (Luanda, Angola). Leurs relations avec les formes récentes. Memoire Institut Français dAfrique Noir, Melanges Ichthyology, 47-64.

Antunes, M.T., 1966. Contribuição para o conhecimento dos nautilóides fóssies de Angola. Conclusões estratigráficas sobre o Cretácico terminal da Bacia de Moçâmede, a propósito dos cefalópodes de S. Nicolau. Garcia de Orta (Lisboa), 14, 109-138.

Antunes, M.T., 1966. Sur la faune de vertèbres du Pleistocène de Leba, Humpata (Angola). Proc. 5th Pan Afr. Congr, 5, 127-128.

Antunes, M.T., 1967. Sur Lamna cattica ssp. totuserrata. Un cas de distribution antiéquatoriale. Revista da Faculdade de Ciências, 2. ser. A. 16 (1): 37-62.

Antunes, M.T., 2008. Faunes ichthyologiques du Néogène supérieur d’Angola, leur âge, remarques sur le Pliocène marin en Afrique australe.

Antunes, M.T., 1964 O Neocretácico eo Cenozóico do litoral de Angola; I-Estratigrafia. Repteis., Junta de Investigacôes do Ultramar, Lisboa (1964, 257 p).

Antunes, T.M., 1978. Faunes ichthyologiques du Neogene superieur d’Angola, leur age, remarques sur le Pliocene marin en Afrique australe. Cienc. Terra, Univ. Lisboa, 4, 59-90.

Antunes, M. & Cappetta, H., 2006. Angolabatis nom. nov., a replacement name for the Cretaceous genus Angolaia Antunes & Cappetta, 2002(Chondrichthyes: Rajiformes), a preoccupied name. Palaeovertebrata, 34(1-2), 27-28.

Antunes, M. T.; Maisey, J.G.; Marques, M.M.; Schaeffer, B. & Thomson, K.S 1990. Triassic Fishes from the Cassange depression (R.P. de Angola).. Ciências da Terra. , :1-64.

Balbino, A.C. & Antunes, M.T., 2007. Pathologic tooth deformities in fossil and modern sharks related to jaw injuries. Comptes rendus-Palevol, 6(3), 197-209.

Jacobs, L.L., O Mateus, M J Polcyn, A S Schulp, M T Antunes, M L Morais, T S Tavares, 2006. The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Journal-Paleontological Society Of Korea, 22(1), 91.

sexta-feira, abril 24, 2009

Ginkgo biloba, uma árvore jurássica?

O Ginkgo biloba é uma árvore que ornamenta tantas alamedas e jardins em todo o mundo e também em Portugal, e originária do Norte da China. É uma árvore de grande porte de folhas caducas com dois lóbulos que lhe conferem o epíteto específico.

É considerada um fóssil vivo por ser uma espécie relíquia que representa um grupo de plantas já extintas e outrora foram abundantes. Podemos dizer que o Ginkgo biloba é uma árvore jurássica? Bem… a espécie G. biloba é mais recente e ainda não tinha surgido no jurássico, mas o género Ginkgo é o mesmo, sob a forma de uma espécie distinta no Jurássico, o Ginkgo yimaensis, com folha multi-lobadas, e com cachos com mais, mas menores, frutos. Portanto podemos dizer que o Ginkgo é uma árvore jurássica, mas já não o podemos dizer da espécie actual G. biloba. O Ginkgo é tão único que tem o seu grupo próprio, as Ginkgophyta. O representante deste grupo do Jurássico superior de Portugal é Baiera viannae (ver Pais, 1998, sobre a vegetação do deste período em Portugal).

O facto de ser dióica faz com que exista separação sexual por indivíduos, ou seja, há árvores masculinas e árvores femininas. À porta do Departamento de Paleontologia do Museu Nacional de História Natural de Paris existe um esplendoroso Ginkgo que possui os dois sexos no mesmo indivíduo através de enxertos artificiais. Foi uma semente dessa mesma árvore que coloquei num vaso, brotou, que plantei à porta de minha casa e agora é uma bela árvore com uma altura considerável.

Foi também um Ginkgo biloba que os paleontólogos Miguel Telles Antunes e Philip Currie plantaram nas ruas da Lourinhã.

  

Pais, J. 1998. Jurassic plant macroremains from Portugal. Memórias da Academia de Ciências de Lisboa. 37: 25-47

Mateus, O. 2008  Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis   In: Evolução: História e Argumentos Edited by:Levy et al.. 77-96 Lisboa: Esfera do Caos, ISBN: 978-989-8025-55-5. 

Zheng and Z. Zhou, 2004. A new Mesozoic Ginkgo from western Liaoning, China and its evolutionary significance. Review of Palaeobotany and Palynology,  131(1-2): 91-103.

 


Evolução do “fóssil vivo” Ginkgo: embora apenas a nível específico ocorre evolução do género Ginkgo desde o Jurássico (de Mateus, 2008, modificado, com permissão, a partir de Zhou & Zheng, 2004).

 


As folhas de Ginkgo biloba no Outono adquirem uma cor amarela antes de caírem.



quinta-feira, abril 23, 2009

Book Review em Palaeontologia Electronica


Uma book review é um instrumento ao dispor da Ciência que visa criticar a literatura recente. A palavra crítica encerra em si não só o apontar dos defeitos, mas também o enaltecimento das qualidades. Em Ciência, felizmente, tudo é discutido no vácuo e nada pode ser encarado pessoalmente, já desde o Iluminismo se reconhecia esta propriedade da retórica. Isto faz com que o debate científico se torne mais rico e da dialética nascem visões cada vez mais esclarecidas. Lembro-me, por exemplo que agora em Março um artigo publicado por Emily Rayfield e co-autores criticava abertamente os Faunachrons de Lucas e co-autores. A bem da ciência que haja debate!

Uma book review aqui.

quarta-feira, abril 22, 2009

Onde estão os fósseis de Alfred Leeds?


Findava o século XIX e, certamente, um dos mais acesos tópicos de discussão no meio científico era a Paleontologia, essa nova ciência. Nesta altura ainda estava muita coisa por descobrir na paleontologia dos vertebrados: já se conheciam vários espécimes de Archaeopteryx (o ‘elo perdido’ entre as aves e os répteis). Já então se conhecia o Megalosaurus (o primeiro dinossauro, que foi assim chamado antes de o termo Dinosauria ter sido cunhado por Owen). Foi precisamente em Novembro de 1892, que Alfred Leeds, um reputado coleccionador privado de fósseis vende uma parte da sua colecção ao National Museum of Ireland – Natural History. Esta compra compreendia plesiossauros, ictiossauros e crocodilomorfos da 'Oxford Clay’ Jurássico Médio), que custaram ao Museu setenta libras. Relembro que uns anos antes se dera a venda do ‘London specimen’ (o primeiro Archaeopteryx a ser descoberto em Solhofen, Alemanha) que foi vendido por setecentas libras ao, então, British Museum of Natural History, batendo valores recordes para a venda de um pedaço de rocha ... ou, se calhar, um pouco mais do que isso. Alfred Leeds explorava, à altura, um barreiro em Peterborough, Inglaterra, mas acontece que nesse barreiro também abundavam os fósseis. Durante os vinte anos em que o barreiro foi explorado, foram concomitantemente retirados imensos fósseis, que vão desde o Leedsichthys aos tais plesiossauros da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha … e crocodilomorfos de que falei. Infelizmente esta venda ao National Museum of Ireland foi o derradeiro evento que levaria à completa dispersão da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha …

Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã.

A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados

"A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é o tema da minha palestra amanhã (23 de Maio de 2009), no Museu da Ciência em Coimbra, e também depoletou a seguinte entrevista para a Ciência Hoje, que aqui incluo na íntegra: 


Revelação sobre a evolução dos «lagartos terríveis»

Paleontólogo Octávio Mateus no Museu da Ciência da UC

:: 2009-04-20

Octávio Mateus desdobra-se para dar nome aos dinossauros

Do Lourinhanosaurus ao Miragaia, passando pelo Dinheirosauros, o paleontólogo Octávio Mateus tem-se desdobrado para dar nome aos dinossauros que descobre. Mas que segredos guarda a evolução dos "lagartos terríveis"? 

Na quinta-feira, às 15h, o cientista português vai estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para revelar algumas das suas descobertas sobre a evolução dos dinossauros e explicar por que se considera um "grande fã" de Darwin.


A conferência "A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é a segunda do ciclo de conferências «Darwin e a Evoluçã»", que até ao fim do ano vai trazer a Coimbra alguns dos mais reputados cientistas evolutivos da actualidade em Portugal. O evento está integrado nas comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da sua obra mais famosa, «A Origem das Espécies». A entrada é gratuita. 

"Como paleontólogo, sou obviamente um grande adepto e fã de Darwin. Os dinossauros são um óptimo testemunho da evolução. Por exemplo, tenho descoberto novas espécies de dinossauros que permitem compreender, um pouco mais além, a evolução destes animais", avança o paleontólogo Octávio Mateus. 

Portugal tem, de resto, um papel de grande importância a desempenhar no conhecimento da evolução das espécies, defende o investigador da Universidade Nova de Lisboa. "Portugal tem um registo fóssil riquíssimo, um dos melhores do mundo", garante. 

Até porque, para o investigador, a Paleontologia (a ciência que estuda os fósseis) é, das várias disciplinas científicas, uma das que melhor ilustra a teoria de Charles Darwin. "A vida actual, ou seja, não-extinta, estudada pelos 'neo-biológos' é uma minúscula fracção da perspectiva da evolução da vida. A Paleontologia tem oferecido exemplos de inúmeros estádios intermédios da evolução dos animais e plantas que são dos mais evidentes testemunhos da evolução darwiniana", sublinha. 

Perguntas sem resposta 

No Museu da Ciência da UC, Octávio Mateus vai mostrar como este ramo tem confirmado as ideias de Darwin. Em análise vão estar sete exemplos da evolução: a origem das aves a partir de dinossauros terópodes e ainda a origem dos peixes assimétricos, dos cetáceos, dos mamíferos, dos cavalos, dos tetrápodes (animais que apoiam os quatro membros no solo) e do próprio Homem. 

Ainda que para a maioria dos cientistas a existência da evolução darwiniana seja indiscutível, certo é que são muitas as perguntas que permanecem ainda sem resposta, reconhece Octávio Mateus. 

O paleontólogo elenca algumas delas: "Qual é a unidade sobre a qual a evolução actua: o gene, o organismo, a espécie ou o grupo? Como e porquê os humanos evoluíram um cérebro tão desenvolvido? Qual o papel da selecção sexual na evolução? Como apareceu a Vida? A evolução ocorre essencialmente por saltos (equilíbrio pontuado) ou de forma gradual? Qual é o ancestral de cada grupo de animais e plantas? Qual o papel dos vírus na evolução dos animais e humanos? Qual o papel da transferência de ADN entre grupos distintos? Como é a árvore da Vida?" 

Primeiro dinossauro em Angola 

Licenciado em Biologia pela Universidade de Évora e doutorado em Paleontologia pela Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus é investigador no Museu da Lourinhã, instituição que possui uma importante colecção de dinossauros. 

Especialista no estudo destes animais, tem publicado vários artigos científicos em Portugal e no estrangeiro, incluindo na prestigiada revista Nature. O seu interesse por dinossauros já o levou a países tão longínquos como os Estados Unidos e a Mongólia. Foi, de resto, o responsável pela descoberta do primeiro dinossauro em Angola. 

Depois da conferência com Octávio Mateus, o colóquio «Darwin e a Evolução» prossegue a 14 de Maio com a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade, do Instituto Gulbenkian de Ciência, que explicará o que é a «Evo-devo», uma nova disciplina científica que pode revelar-se fulcral para a compreensão da evolução.


terça-feira, abril 21, 2009

Base de dados colecção Museu Geológico

Parabéns ao Museu Geológico por ter colocado online uma boa parte das suas colecções online! Bem-vindos à era do conhecimento livre e acessível a todos!

Ver o link aqui.

segunda-feira, abril 20, 2009

Voz e talento

Este post não é sobre dinossauros, nem sequer sobre ciência, mas não resisto em fazê-lo.

Normalmente, eu não ligo nada àqueles programa dos "ídolos" que procuram novos talentos, mas este chamou a atenção e dá-nos uma lição. Mostra-nos uma senhora, Susan Boyle de 47 anos que, digamos, não é propriamente bonita, mas que canta mil vezes melhor que tantas cantoras extremamente bem sucedidas, que escondem a sua péssima voz com o seu corpo escultural. 





domingo, abril 19, 2009

Regras Básicas do pensamento crítico

Como o pensamento crítico nunca é demais, aqui vão os princípios essenciais:


Regras Básicas do pensamento crítico  

Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos 'factos' 

Promova uma discussão abrangente sobre as evidências com defensores (bem informados) de todos os pontos de vista 

Argumentos oriundos de “autoridades” têm pouca importância - 'Autoridades' cometeram erros no passado e o farão de novo no futuro. Em outras palavras, na ciência não existem autoridades, existem, no máximo, especialistas. 

Crie mais de uma teoria. Pense em todas as formas pelas quais o facto em questão pode ser explicado. Então pense em formas de derrubar sistematicamente cada uma das alternativas. A teoria que sobreviver a esta 'selecção natural' tem maiores possibilidades de ser a correcta. 

Não se apegue demais à sua própria teoria. Busque razões para rejeitá-la. Se você não fizer isto, outros o farão. 

Quantifique sempre que possível. Aquilo que é vago e qualitativo é aberto a muitas explicações.

Se existe uma cadeia de argumentos, cada elo da cadeia deve ser válido - não apenas alguns deles. 

A lâmina de Ockham - Se duas teorias explicam um fato igualmente bem, escolha a mais simples.

Sempre verifique se a teoria pode ser testada. Teorias que não podem ser testadas têm pouco valor. 

Texto não é de minha autoria, vem daqui e a foto daqui.

sábado, abril 18, 2009

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

Artigo no Expresso

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

100 especialistas discutem a 23 e 24 de Abril o tema "Evolução hoje e amanhã" na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Virgílio Azevedo
12:56 Sexta-feira, 17 de Abr de 2009





Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

A actualidade do naturalista britânico Charles Darwin vai estar em foco na conferência internacional que o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa organiza nos dias 23 e 24 de Abril na Faculdade de Ciências desta universidade.

"Evolução hoje e amanhã, Darwin avaliado pelas ideias evolucionistas e filosóficas contemporâneas" é o tema do evento, que reúne especialistas nacionais e estrangeiros das áreas da biologia e da filosofia.

Os oradores estrangeiros serão Anthony Dean, James Steele, Jan Sapp, John Wilkins, Nathalie Gontier e Sven Steinmo, e os oradores nacionais Teresa Avelar, Eugénia Cunha, António Bracinha Vieira, Olga Pombo, António Frias Martins, Margarida Matos, Élio Sucena, Francisco Carrapiço, Luísa Pereira, Luís Correia, Filipe Costa, André Levy, Hélder Coelho, Augusta Gaspar e Maria Manuel Jorge.

Olga Pombo, coordenadora do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa , afirmou ao Expresso que os conferencistas "irão analisar a Teoria da Selecção Natural à luz das modernas teorias da Simbiogénese e do Equilíbrio Pontuado". Será também debatida "a aplicação actual do pensamento neodarwinista às ciências sociais e humanas, bem como as suas implicações filosóficas".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


Em 2009 celebram-se não só os 200 anos do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação do seu livro "A Origem das Espécies através da Selecção Natural", como também os 100 anos da publicação do primeiro artigo sobre a Simbiogénese do biólogo russo Constatin Mereschkowsky.

A Simbiogénese é uma teoria evolucionista onde indivíduos de diferentes espécies se unem para formar um novo indivíduo. Esta teoria dá mais importância às inter-relações entre indivíduos do que à sobrevivência e reprodução dos mais aptos.

O Equilíbrio Pontuado é uma teoria evolutiva proposta pelos paleontólogos americanos Niles Eldredge e Stephen Jay Gould em 1972, que defende que a maior parte das populações de organismos de reprodução sexuada experimentam poucas mudanças ao longo do tempo geológico. Eldredge, director do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque, deu a 13 de Fevereiro uma conferência na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, sobre o tema " Darwin : À Descoberta da Árvore da Vida".

Darwin e a ilustração científica no Pavilhão do Conhecimento

O Centro de Filosofia das Ciências organiza também nos dias 21 e 22 de Abril em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações), o workshop e colóquio internacional sobre " Darwin e a Ilustração Científica", no âmbito do projecto "A Imagem na Ciência e na Arte", da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. E a 29 de Abril será a vez de uma conferência de Hernâni Maia na mesma faculdade sobre "A Vida na Terra. Origem Endógena vs Origem Exógena".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


As iniciativas destinadas a assinalar o ano de Darwin desdobram-se, entretanto, em várias frentes. Assim, o Teatro A Barraca está a exibir na Fundação Gulbenkian a peça "O Professor de Darwin ", encenada por Hélder Costa. As próximas sessões terão lugar nos dias 18 de Abril e 9 de Maio. "O Professor de Darwin " apresenta ao público, com poesia, música e humor, o professor John Henslow, que teve uma importância decisiva na formação do naturalista britânico.

Entretanto, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra , está também a realizar um ciclo de conferências sobre "Darwin e a Evolução" no Laboratorio Chimico. Esta semana (16 de Abril) foi a vez da antropóloga Eugénia Cunha falar sobre o tema "Como nos tornámos humanos?". A 23 de Abril será Octávio Mateus, paleontólogo, a abordar "A evolução e a paleontologia: o caso dos dinossáurios e outros vertebrados".

Seguem-se a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade a 14 de Maio, com o tema "Evo-devo, uma nova disciplina que explica a diversificação evolutiva", e a bióloga Helena Freitas a 4 de Junho, que dissertará sobre "A evolução humana e o ambiente".

A Universidade do Minho, por sua vez, no âmbito das Jornadas de Biologia Aplicada, realiza de 22 a 25 de Abril a exposição de cartoons "Darwin 2009: Odisseia da Evolução" no Campus de Gualtar (Braga). Marcada por uma perspectiva humorística, a iniciativa é feita em colaboração com a FecoPortugal - Associação de Cartoonistas, e envolve cartoonistas de todo o mundo.

quarta-feira, abril 01, 2009

Revista "Ciências da Terra"


A revista científica Ciências da Terra tem agora um domínio próprio em www.cienciasdaterra.com com dezenas de artigos científicos em PDF gratuitos que se debruçam sobre geologia estrutural, estratigrafia, paleontologia, etc.

Esta revista é mantida pelo mantida pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Novos manuscritos são bem-vindos. Veja instruções aqui.




domingo, março 29, 2009

"O ateísmo é o flagelo do género humano"

Decorreu, de forma muito interessante, o debate “ Darwin: o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza, as relações entre Ciência, Ética e Religião” que teve lugar na Sertã no passado dia 26 de Março de 2009. O balanço foi muito positivo e saúdo a organização (Instituto Vaz Serra).

Teve como participantes/oradores o Professor Daniel Serrão, o Professor Paulo Gama da Mota, Padre Manuel da Costa Freitas e eu próprio (Octávio Mateus).

As intervenções foram muito interessantes, mas houve uma que me chamou a atenção pela falta de sintonia com as restantes.

O Padre Manuel da Costa Freitas,  membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa e o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” (Ed. Verbo) proferiu frases que eu não podia discordar mais.

Entre elas: “O ateísmo é irracional, prejudicial ao homem, prejudicial à sociedade, o flagelo do género humano”, “faz das pessoas animais ferozes”, até “canibais” e ainda “Duvidar é uma demência”. 

Apesar destas provocações carregadas de ódio pelos ateus, ninguém no debate (excepto eu) pediu explicações. Isto mostra a postura da nossa sociedade relativamente ao meio clerical em que podemos criticar todos excepto os clérigos.

Todos criticariam se fosse um político a dizer isto da oposição, um cientista a dizer de um colega, ou qualquer outra pessoa que proferisse tais palavras. Mas não se critica por ser um padre a tratar de religião. Porquê? Ninguém está acima da crítica, seja ele cientista, político, ou claro, clérigo. Mostra quão real é o cartoon que foi motivo de post no dia anterior.

No debate comentou ainda que Voltaire (1694 –1778) criticava Charles Darwin (1809—1882) e que havia estudos científicos que punham em causa a evolução darwiniana.

Acabei por fazer-lhe 4 perguntas: 1) Como é que Voltaire tinha criticado Darwin se viveu um século antes?; 2) Que enunciasse um estudo científico que  punha em causa a evolução darwiniana; 3) que justificasse a frase “duvidar é uma demência”; e 4) que enunciasse as provas de existência de deus (referidas na entrevista no Jornal Voz da Verdade). A sua resposta cingiu-se a um mero “É preciso termos mais tolerância”. Ainda bem que é o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” ...

quarta-feira, março 25, 2009

Cartoon ateu


Cartoon por Don Addis sobre a assimetria tão frequente na (des)conversa entre crentes e ateus. 

Pervertosaurus

Uma sátira sobre a descoberta de um novo dinossauro na Argentina, o Pervertosaurus:




Paleontologists Discover Skeleton Of Nature’s First Sexual Predator

Obrigado ao André Levy por ter enviado o link.

terça-feira, março 24, 2009

Podcast da palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução"

Palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução" por Octávio Mateus  (DCT, FCT-UNL; Museu da Lourinhã) tem transmissão em Podcast a partir da página Darwin 2009 do site da Faculdades de Ciências e Tecnologia da UNL

Transmissão em podcast:  
(http://elearning.fct.unl.pt/eventos.html)