quarta-feira, abril 22, 2009

A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados

"A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é o tema da minha palestra amanhã (23 de Maio de 2009), no Museu da Ciência em Coimbra, e também depoletou a seguinte entrevista para a Ciência Hoje, que aqui incluo na íntegra: 


Revelação sobre a evolução dos «lagartos terríveis»

Paleontólogo Octávio Mateus no Museu da Ciência da UC

:: 2009-04-20

Octávio Mateus desdobra-se para dar nome aos dinossauros

Do Lourinhanosaurus ao Miragaia, passando pelo Dinheirosauros, o paleontólogo Octávio Mateus tem-se desdobrado para dar nome aos dinossauros que descobre. Mas que segredos guarda a evolução dos "lagartos terríveis"? 

Na quinta-feira, às 15h, o cientista português vai estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para revelar algumas das suas descobertas sobre a evolução dos dinossauros e explicar por que se considera um "grande fã" de Darwin.


A conferência "A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é a segunda do ciclo de conferências «Darwin e a Evoluçã»", que até ao fim do ano vai trazer a Coimbra alguns dos mais reputados cientistas evolutivos da actualidade em Portugal. O evento está integrado nas comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da sua obra mais famosa, «A Origem das Espécies». A entrada é gratuita. 

"Como paleontólogo, sou obviamente um grande adepto e fã de Darwin. Os dinossauros são um óptimo testemunho da evolução. Por exemplo, tenho descoberto novas espécies de dinossauros que permitem compreender, um pouco mais além, a evolução destes animais", avança o paleontólogo Octávio Mateus. 

Portugal tem, de resto, um papel de grande importância a desempenhar no conhecimento da evolução das espécies, defende o investigador da Universidade Nova de Lisboa. "Portugal tem um registo fóssil riquíssimo, um dos melhores do mundo", garante. 

Até porque, para o investigador, a Paleontologia (a ciência que estuda os fósseis) é, das várias disciplinas científicas, uma das que melhor ilustra a teoria de Charles Darwin. "A vida actual, ou seja, não-extinta, estudada pelos 'neo-biológos' é uma minúscula fracção da perspectiva da evolução da vida. A Paleontologia tem oferecido exemplos de inúmeros estádios intermédios da evolução dos animais e plantas que são dos mais evidentes testemunhos da evolução darwiniana", sublinha. 

Perguntas sem resposta 

No Museu da Ciência da UC, Octávio Mateus vai mostrar como este ramo tem confirmado as ideias de Darwin. Em análise vão estar sete exemplos da evolução: a origem das aves a partir de dinossauros terópodes e ainda a origem dos peixes assimétricos, dos cetáceos, dos mamíferos, dos cavalos, dos tetrápodes (animais que apoiam os quatro membros no solo) e do próprio Homem. 

Ainda que para a maioria dos cientistas a existência da evolução darwiniana seja indiscutível, certo é que são muitas as perguntas que permanecem ainda sem resposta, reconhece Octávio Mateus. 

O paleontólogo elenca algumas delas: "Qual é a unidade sobre a qual a evolução actua: o gene, o organismo, a espécie ou o grupo? Como e porquê os humanos evoluíram um cérebro tão desenvolvido? Qual o papel da selecção sexual na evolução? Como apareceu a Vida? A evolução ocorre essencialmente por saltos (equilíbrio pontuado) ou de forma gradual? Qual é o ancestral de cada grupo de animais e plantas? Qual o papel dos vírus na evolução dos animais e humanos? Qual o papel da transferência de ADN entre grupos distintos? Como é a árvore da Vida?" 

Primeiro dinossauro em Angola 

Licenciado em Biologia pela Universidade de Évora e doutorado em Paleontologia pela Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus é investigador no Museu da Lourinhã, instituição que possui uma importante colecção de dinossauros. 

Especialista no estudo destes animais, tem publicado vários artigos científicos em Portugal e no estrangeiro, incluindo na prestigiada revista Nature. O seu interesse por dinossauros já o levou a países tão longínquos como os Estados Unidos e a Mongólia. Foi, de resto, o responsável pela descoberta do primeiro dinossauro em Angola. 

Depois da conferência com Octávio Mateus, o colóquio «Darwin e a Evolução» prossegue a 14 de Maio com a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade, do Instituto Gulbenkian de Ciência, que explicará o que é a «Evo-devo», uma nova disciplina científica que pode revelar-se fulcral para a compreensão da evolução.


terça-feira, abril 21, 2009

Base de dados colecção Museu Geológico

Parabéns ao Museu Geológico por ter colocado online uma boa parte das suas colecções online! Bem-vindos à era do conhecimento livre e acessível a todos!

Ver o link aqui.

segunda-feira, abril 20, 2009

Voz e talento

Este post não é sobre dinossauros, nem sequer sobre ciência, mas não resisto em fazê-lo.

Normalmente, eu não ligo nada àqueles programa dos "ídolos" que procuram novos talentos, mas este chamou a atenção e dá-nos uma lição. Mostra-nos uma senhora, Susan Boyle de 47 anos que, digamos, não é propriamente bonita, mas que canta mil vezes melhor que tantas cantoras extremamente bem sucedidas, que escondem a sua péssima voz com o seu corpo escultural. 





domingo, abril 19, 2009

Regras Básicas do pensamento crítico

Como o pensamento crítico nunca é demais, aqui vão os princípios essenciais:


Regras Básicas do pensamento crítico  

Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos 'factos' 

Promova uma discussão abrangente sobre as evidências com defensores (bem informados) de todos os pontos de vista 

Argumentos oriundos de “autoridades” têm pouca importância - 'Autoridades' cometeram erros no passado e o farão de novo no futuro. Em outras palavras, na ciência não existem autoridades, existem, no máximo, especialistas. 

Crie mais de uma teoria. Pense em todas as formas pelas quais o facto em questão pode ser explicado. Então pense em formas de derrubar sistematicamente cada uma das alternativas. A teoria que sobreviver a esta 'selecção natural' tem maiores possibilidades de ser a correcta. 

Não se apegue demais à sua própria teoria. Busque razões para rejeitá-la. Se você não fizer isto, outros o farão. 

Quantifique sempre que possível. Aquilo que é vago e qualitativo é aberto a muitas explicações.

Se existe uma cadeia de argumentos, cada elo da cadeia deve ser válido - não apenas alguns deles. 

A lâmina de Ockham - Se duas teorias explicam um fato igualmente bem, escolha a mais simples.

Sempre verifique se a teoria pode ser testada. Teorias que não podem ser testadas têm pouco valor. 

Texto não é de minha autoria, vem daqui e a foto daqui.

sábado, abril 18, 2009

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

Artigo no Expresso

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

100 especialistas discutem a 23 e 24 de Abril o tema "Evolução hoje e amanhã" na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Virgílio Azevedo
12:56 Sexta-feira, 17 de Abr de 2009





Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

A actualidade do naturalista britânico Charles Darwin vai estar em foco na conferência internacional que o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa organiza nos dias 23 e 24 de Abril na Faculdade de Ciências desta universidade.

"Evolução hoje e amanhã, Darwin avaliado pelas ideias evolucionistas e filosóficas contemporâneas" é o tema do evento, que reúne especialistas nacionais e estrangeiros das áreas da biologia e da filosofia.

Os oradores estrangeiros serão Anthony Dean, James Steele, Jan Sapp, John Wilkins, Nathalie Gontier e Sven Steinmo, e os oradores nacionais Teresa Avelar, Eugénia Cunha, António Bracinha Vieira, Olga Pombo, António Frias Martins, Margarida Matos, Élio Sucena, Francisco Carrapiço, Luísa Pereira, Luís Correia, Filipe Costa, André Levy, Hélder Coelho, Augusta Gaspar e Maria Manuel Jorge.

Olga Pombo, coordenadora do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa , afirmou ao Expresso que os conferencistas "irão analisar a Teoria da Selecção Natural à luz das modernas teorias da Simbiogénese e do Equilíbrio Pontuado". Será também debatida "a aplicação actual do pensamento neodarwinista às ciências sociais e humanas, bem como as suas implicações filosóficas".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


Em 2009 celebram-se não só os 200 anos do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação do seu livro "A Origem das Espécies através da Selecção Natural", como também os 100 anos da publicação do primeiro artigo sobre a Simbiogénese do biólogo russo Constatin Mereschkowsky.

A Simbiogénese é uma teoria evolucionista onde indivíduos de diferentes espécies se unem para formar um novo indivíduo. Esta teoria dá mais importância às inter-relações entre indivíduos do que à sobrevivência e reprodução dos mais aptos.

O Equilíbrio Pontuado é uma teoria evolutiva proposta pelos paleontólogos americanos Niles Eldredge e Stephen Jay Gould em 1972, que defende que a maior parte das populações de organismos de reprodução sexuada experimentam poucas mudanças ao longo do tempo geológico. Eldredge, director do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque, deu a 13 de Fevereiro uma conferência na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, sobre o tema " Darwin : À Descoberta da Árvore da Vida".

Darwin e a ilustração científica no Pavilhão do Conhecimento

O Centro de Filosofia das Ciências organiza também nos dias 21 e 22 de Abril em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações), o workshop e colóquio internacional sobre " Darwin e a Ilustração Científica", no âmbito do projecto "A Imagem na Ciência e na Arte", da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. E a 29 de Abril será a vez de uma conferência de Hernâni Maia na mesma faculdade sobre "A Vida na Terra. Origem Endógena vs Origem Exógena".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


As iniciativas destinadas a assinalar o ano de Darwin desdobram-se, entretanto, em várias frentes. Assim, o Teatro A Barraca está a exibir na Fundação Gulbenkian a peça "O Professor de Darwin ", encenada por Hélder Costa. As próximas sessões terão lugar nos dias 18 de Abril e 9 de Maio. "O Professor de Darwin " apresenta ao público, com poesia, música e humor, o professor John Henslow, que teve uma importância decisiva na formação do naturalista britânico.

Entretanto, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra , está também a realizar um ciclo de conferências sobre "Darwin e a Evolução" no Laboratorio Chimico. Esta semana (16 de Abril) foi a vez da antropóloga Eugénia Cunha falar sobre o tema "Como nos tornámos humanos?". A 23 de Abril será Octávio Mateus, paleontólogo, a abordar "A evolução e a paleontologia: o caso dos dinossáurios e outros vertebrados".

Seguem-se a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade a 14 de Maio, com o tema "Evo-devo, uma nova disciplina que explica a diversificação evolutiva", e a bióloga Helena Freitas a 4 de Junho, que dissertará sobre "A evolução humana e o ambiente".

A Universidade do Minho, por sua vez, no âmbito das Jornadas de Biologia Aplicada, realiza de 22 a 25 de Abril a exposição de cartoons "Darwin 2009: Odisseia da Evolução" no Campus de Gualtar (Braga). Marcada por uma perspectiva humorística, a iniciativa é feita em colaboração com a FecoPortugal - Associação de Cartoonistas, e envolve cartoonistas de todo o mundo.

quarta-feira, abril 01, 2009

Revista "Ciências da Terra"


A revista científica Ciências da Terra tem agora um domínio próprio em www.cienciasdaterra.com com dezenas de artigos científicos em PDF gratuitos que se debruçam sobre geologia estrutural, estratigrafia, paleontologia, etc.

Esta revista é mantida pelo mantida pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Novos manuscritos são bem-vindos. Veja instruções aqui.




domingo, março 29, 2009

"O ateísmo é o flagelo do género humano"

Decorreu, de forma muito interessante, o debate “ Darwin: o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza, as relações entre Ciência, Ética e Religião” que teve lugar na Sertã no passado dia 26 de Março de 2009. O balanço foi muito positivo e saúdo a organização (Instituto Vaz Serra).

Teve como participantes/oradores o Professor Daniel Serrão, o Professor Paulo Gama da Mota, Padre Manuel da Costa Freitas e eu próprio (Octávio Mateus).

As intervenções foram muito interessantes, mas houve uma que me chamou a atenção pela falta de sintonia com as restantes.

O Padre Manuel da Costa Freitas,  membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa e o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” (Ed. Verbo) proferiu frases que eu não podia discordar mais.

Entre elas: “O ateísmo é irracional, prejudicial ao homem, prejudicial à sociedade, o flagelo do género humano”, “faz das pessoas animais ferozes”, até “canibais” e ainda “Duvidar é uma demência”. 

Apesar destas provocações carregadas de ódio pelos ateus, ninguém no debate (excepto eu) pediu explicações. Isto mostra a postura da nossa sociedade relativamente ao meio clerical em que podemos criticar todos excepto os clérigos.

Todos criticariam se fosse um político a dizer isto da oposição, um cientista a dizer de um colega, ou qualquer outra pessoa que proferisse tais palavras. Mas não se critica por ser um padre a tratar de religião. Porquê? Ninguém está acima da crítica, seja ele cientista, político, ou claro, clérigo. Mostra quão real é o cartoon que foi motivo de post no dia anterior.

No debate comentou ainda que Voltaire (1694 –1778) criticava Charles Darwin (1809—1882) e que havia estudos científicos que punham em causa a evolução darwiniana.

Acabei por fazer-lhe 4 perguntas: 1) Como é que Voltaire tinha criticado Darwin se viveu um século antes?; 2) Que enunciasse um estudo científico que  punha em causa a evolução darwiniana; 3) que justificasse a frase “duvidar é uma demência”; e 4) que enunciasse as provas de existência de deus (referidas na entrevista no Jornal Voz da Verdade). A sua resposta cingiu-se a um mero “É preciso termos mais tolerância”. Ainda bem que é o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” ...

quarta-feira, março 25, 2009

Cartoon ateu


Cartoon por Don Addis sobre a assimetria tão frequente na (des)conversa entre crentes e ateus. 

Pervertosaurus

Uma sátira sobre a descoberta de um novo dinossauro na Argentina, o Pervertosaurus:




Paleontologists Discover Skeleton Of Nature’s First Sexual Predator

Obrigado ao André Levy por ter enviado o link.

terça-feira, março 24, 2009

Podcast da palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução"

Palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução" por Octávio Mateus  (DCT, FCT-UNL; Museu da Lourinhã) tem transmissão em Podcast a partir da página Darwin 2009 do site da Faculdades de Ciências e Tecnologia da UNL

Transmissão em podcast:  
(http://elearning.fct.unl.pt/eventos.html)

segunda-feira, março 23, 2009

Ciclo de Conferências na Lusófona



Nos dias 27 de Abril, 5 e 19 de Maio irá comemorar-se os 200 anos de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de "A origem das espécies" com um ciclo de conferências na Universidade Lusófona (Auditórios Agostinho da Silva e Victor de Sá).

No dia 27 de Abril o painel vai contar com os seguintes conferencistas cada um a falar acerca da sua experiência como investigadores:
Teresa Avelar
Octávio Mateus
Carlos Bettencourt

RESUMOS:
Octávio Mateus

Museu da Lourinhã/Universidade Nova de Lisboa

http://www.museulourinha.org/ 


RESUMO: "A Evolução na perspectiva da paleontologia"

     Os fósseis são um dos melhores testemunhos da evolução pois frequentemente mostram exemplos de organismos já extintos que foram uma etapa no processo de transformação lenta e gradual, cumulativa e adaptativa, não aleatória, a que chamamos evolução.

     Excelentes exemplos são dados pelos vertebrados fósseis e pelos dinossauros. A evolução gradual destes animais de corpo reptiliano e sangue frio até às aves de sangue quente que hoje dominam tantos habitats terrestres é exemplificada por milhares de fósseis. É hoje claro que os dinossauros carnívoros terópodes deram origem às aves o que é patenteado por vários fósseis de dinossauros com penas. A origem de outros grupos de vertebrados como os cetáceos, os anfíbios e até os humanos está hoje bem suportada pelo registo fóssil.

 

Carlos Manuel Varela Bettencourt

 Licenciado em Medicina Veterinária pela Escola Superior de Medicina Veterinária de Lisboa, Mestre em Fisiologia da Reprodução pela Universidade do Utah, Logan, EUA e Doutor em Fisiologia da Reprodução pela Universidade do Missouri, Columbia, Mo., EUA. É, entre outros, Responsável pela Gestão do Centro de Experimentação do Baixo Alentejo, Técnico Superior da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, Professor convidado de Fisiologia Animal e de Reprodução, Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina Veterinária da ULHT e Professor Auxiliar (30%) do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Medicina Veterinária (Teriogenologia). Está envolvido em diversos projectos de melhoramento e conservação genética (ex situ e in situ) de raças autóctones das espécies bovinas, ovinas, suínos e caprinos e autor de numerosas publicações na área da produção e fisiologia da reprodução de raças autóctones de espécies pecuárias. 

RESUMO: O que Darwin não sabia sobre as espécies pecuárias portuguesas

     "One species does change into another"- Darwin, 1837

“It is a truly wonderful fact... that all animals and all plants throughout all time and space should be related to each other.... I can see no explanation of this great fact in the classification of all organic beings; but to the best of my judgment, it is explained through inheritance and the complex action of natural selection." - Darwin, 1859

     “I soon perceived that selection was the keystone of man's success in making useful races of animals and plants. But how selection could be applied to organisms living in a state of nature remained for some time a mystery to me.”- Darwin, 1887

     Quando Charles Darwin em 1859 publicou pela primeira vez “On the Origin of Species”, assumiu que este trabalho era só o início: "In the distant future I see open fields for far more important researches,". O tempo veio a provar que estava certo e que, embora passados 150 anos, o conteúdo científico da sua obra se mantém relevante. Se atendermos ao facto que o termo “genética” só surge em 1905, 23 anos depois da sua morte, compreendemos a importância do “evolucionismo” na interpretação da biodiversidade fenotípica que caracterizava, à data, as populações animais existentes. Portugal, em termos de animais domésticos, mantém uma diversidade genética considerável, representada por 15 raças de ovinos, 5 de caprinos, 15 de bovinos, 3 de suínos, 4 de equinos, e 3 de galináceos. Estas raças constituem um património único desenvolvido ao longo de séculos. No entanto, e segundo os critérios da FAO, mais de metade das raças nacionais encontra-se actualmente em risco de extinção. À luz do “Darwinismo” a evolução destas espécies seria previsível se não houvesse intervenção do homem: “Man thus closely imitates Natural Selection”. A selecção “humana”, em muitos casos, sobrepõe-se á natural conduzindo ao “abismo” muitos recursos naturais. Inúmeros exemplos se aplicam à realidade portuguesa. Exemplos da responsabilidade do homem na quase extinção de raças bovinas autóctones tais como a Cachena, a Algarvia ou a Garvoneza, ou ovinas como a Campaniça e Merina Preta, ou a da suína Bísara e Malhado de Alcobaça ou das caprinas Algarvia e Serpentina são ilustrativos da teoria preconizada há 150 anos por Charles Darwin.

      “Analogy would lead me one step further, namely, to the belief that all animals and plants have descended from someone prototype. But analogy may be a deceitful guide. Nevertheless all living things have much in common” Darwin, 1839. 

     “That methodical selection has done wonders within a recent period in modifying our cattle, no one doubts”. Darwin, 1868.

     As semelhanças fenotípicas que se verificam entre algumas espécies pecuárias da América Latina e da Península Ibérica têm levado a comunidade científica a questionar-se sobre a sua origem. Curiosamente, raças sul americanas tais como a cabra Moxotó, o bovino Caracu, e o porco Nilo, embora apresentem características morfológicas comuns a congéneres ibéricas, esta proximidade, quando medida por com marcadores genéticos, até nem é muito grande. As diferenças poderão ser enquadradas numa teoria “evolucionista”? Terão resultado de um processo de selecção natural e/ou artificial durante 500 anos? Será que a selecção natural/artificial as foi afastando do material de origem? Terá sido um processo de deriva genética, em que uma pequena amostra levada originalmente já não estará representada hoje em dia? As novas biotecnologias actuais permitem responder a algumas das questões deixadas em aberto por Darwin em 1839 na “Voyage of the Beagle”. Muitas no entanto ficam ainda por responder! 

 

Teresa Avelar

     Teresa Avelar (n. 1957) obteve em 1979 a Licenciatura em Biologia na Universidade de Norwich, Reino Unido, mas, por não lhe ter sido concedida equivalência em Portugal, tornou a licenciar-se em 1983 na Universidade de Lisboa. Em 1991 obteve o Doutoramento em Biologia na Universidade de Lisboa. Desde então leccionou no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (Lisboa) e na Universidade Lusófona. As suas publicações incluem os livros Ecologia das populações e comunidades (1996, Edições Gulbenkian, em colaboração com M.T. Rocha Pité), Quem tem medo de Charles Darwin (2004, Relógio d’Água, em colaboração com M. Matos e C. Rego) e Evolução e Criacionismo – uma relação impossível (2007, Quasi Edições, em colaboração com A. Gaspar, O. Mateus e F. Almada), eEvolução a duas vozes: Darwin e a Evolução, (2009,  Bertrand Editora). Ao nível de investigação, colaborou com Margarida Matos em aspectos teóricos relacionados com a adaptação ao laboratório emDrosophila. Os seus interesses são principalmente na área da Evolução e História da Biologia Evolutiva.  

RESUMO: Selecção natural e microevolução

     Quando Darwin publicou A Origem das Espécies e propôs a selecção natural como principal mecanismo evolutivo, não havia dados empíricos demonstrando directamente a acção da selecção na Natureza. Hoje os exemplos são inúmeros – não só nos casos microorganismos que nós seleccionámos inadvertidamente para maior resistência a antibióticos, como em animais e plantas na Natureza. Iremos detalhar apenas alguns exemplos, escolhidos de modo a ilustrar a importância das contingências na selecção e a diversidade de espécies em que podemos demonstrar a sua acção. 
 


 



Outras actividades:

Ciclo de Conferências na Lusófona sobre Charles Darwin

via Bio Conselho de Estudantes da Lusófona by BioCEL - Bio Conselho de alunos da Lusófona 


Nos dias 27 de Abril, 5 e 19 de Maio irá comemorar-se os 200 anos de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de "A origem das espécies" com um ciclo de conferências.

No dia 27 de Abril o painel vai contar com os seguintes conferencistas cada um a falar acerca da sua experiência como investigadores:
Teresa Avelar

Octávio Mateus

Carlos Bettencourt

Augusta Gaspar


As conferências serão nos Auditórios Agostinho da Silva e Victor de Sá, sendo a entrada livre.

Debate na Sertã: Herança de Darwin na Ciência e na Sociedade

No próximo dia 26 de Março, na Casa da Cultura da Sertã, pelas 17h45, vai haver um debate sobre a herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza e as relações entre Ciência, Ética e Religião.

São os participantes:
Daniel Serrão, Professor Catedrático jubilado na área das Ciências Médicas
Paulo Gama Mota, Professor Associado da Universidade de Coimbra
Octávio Mateus, Paleontólogo do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa (CICEGe)
Padre Manuel Costa Freitas, membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa


Reproduzo as notícias da Rádio Contestável e Pinhal Digital sobre este assunto:

CERNACHE DO BONJARDIM - “O mundo depois de Darwin – uma reflexão sobre Ciência, Ética e Religião” PDF Imprimir e-mail
22-Mar-2009

É este o tema de uma mesa redonda que o Instituto Vaz Serra vai levar a efeito, no próximo dia 26 de Março, na Casa da Cultura da Sertã, pelas 17h45.
Esta iniciativa visa assinalar o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pretendendo-se discutir algumas das questões e controvérsias associadas à obra do cientista, como sendo o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza e as relações entre Ciência, Ética e Religião.
Esta mesa redonda insere-se na Semana Cultural do Instituto Vaz Serra e terá como participantes Daniel Serrão, Professor Catedrático jubilado na área das Ciências Médicas, membro de organismos nacionais e internacionais ligados à Bioética, Paulo Gama Mota, Professor Associado da Universidade de Coimbra, nas áreas da Evolução e da Etologia, e director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Octávio Mateus, responsável pela Paleontologia do Museu da Lourinhã e especialista em Dinossauros e Padre Manuel Costa Freitas, membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa, colaborador, desde a sua fundação, da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura e da Enciclopédia Verbo Século XXI.
Numa região afastada dos centros académicos e dos grandes fóruns de discussão, a Direcção do Instituto Vaz Serra considera assim “fundamental a organização de encontros deste tipo, como forma de aproximar a comunidade, e os jovens, em particular, da cultura científica e da reflexão sobre os grandes temas da actualidade”.
A sessão será aberta toda a população interessada.

sexta-feira, março 20, 2009

Ode ao Morphbank



Há coisas transversais em toda a ciência, não é só o empirismo, a reproducibilidade, a universalidade e essas coisas... o cientista é também um ser territorial. Quem já não ouviu falar das disputas de autoria de certos teoremas matemáticos? Quem já não ouviu falar do espanto que Darwin sentiu quando recebeu a carta de Wallace, alegando que tinha tido uma ideia semelhante? Na paleontologia passa-se o mesmo... quem descreveu primeiro o espécime, quem teve primeiro uma dada ideia, tudo isso conta; e até certo ponto com uma certa razão de ser. No entanto, há alturas em que isto se torna absolutamente ridículo. Por exemplo, se formos às reservas do Natural History Museum em Londres e se fotografarmos os espécimes temos de previamente assinar uma declaração de forma e não usamos as fotografias para mais nada a não ser uso próprio para fins científicos... Ora, isto tem algum cabimento? Teria se os fósseis ainda não tivessem sido publicados, mas acontece que muitos deles não foram tocados desde quase do tempo de Darwin, ainda nem a Teoria da Relatividade tinha sido inventada, nem a bomba atómica, nem existia Internet, nem computadores sequer. O que acontece actualmente é que o acesso aos espécimes é actualmente extremamente difícil. E depois há outra questão, é que muitas vezes quando os paleontólogos não publicam (ou demoram a publicar - dizem eles) ficam como que detentores dos espécimes e não deixam que ninguém lhes toque... Existe um episódio
engraçado que nos foi contado pelo nosso colega Jesper Milàn: havia um qualquer paleontólogo na Dinamarca que tinha a seu cargo o estudo de uma colecção de peixes. Mas a colecção tardava a ser estudada e o tal senhor mantinha religiosamente guardados os seus peixinhos trancados num armário... ai de alguém que ousasse só pensar em olhar para o armário!! E bom, o tempo foi passando... e passando... até que o homem morreu e os peixinhos nunca viram a luz da ciência porque se mantiveram bem arrumadinhos e empacotadinhos no armário. Como é que isto é possível? Não sei até que ponto o direito ao estudo pode substituir o direito ao conhecimento universal!

Há solução para este problema? Claro que sim. Basta pensarmos um pouquinho para podermos encontrar várias soluções. E parece por demais óbvio, que não devia ser necessário fazer uma longa viagem à China com uma pessada máquina fotográfica e tripé às costas, para podermos ter acesso, a fotografias de qualidade de fósseis que estejam nos museus do Império do Meio. No século das novas tecnologias e da Internet todos nós partinhamos informação e imagens apenas através de um clique. São milhões e milhões os jovens que partilham imagens e textos sobre si mesmos descrevendo os mais ínfimos detalhes pessoais. Quem não conhece os Hi5, os Orkut e os Facebooks por aí fora...?
Naturalmente, surge uma questão, não podemos fazer a mesma coisa com espécimes de animais importantes? E a resposta é um rotundo sim! Não é preciso ser um génio para o fazer, mas a ideia é de facto genial e ao construirmos bancos de dados online com informação morfológica vamos poder trocar dados muito rapidamente e todos os especialistas terão a vida extremamente facilitada. Lembrem-se que quem faz anatomia comparada necessita de, como é óbvio... comparar! A ideia deve ter começado com o bancos de genes online. Ou seja quem mapeava uma parte do genoma de um organismo colocava essa informação (depois de devidamente publicada numa revista da especialidade) online, para todos saberem o que tinha sido descoberto e não perderem tempo a mapear as mesmas partes do genoma dos mesmos organismos... há outras vantagens como permitir que se estudem centenas de genes de centenas de organismos simultâneamente. Já pensaram no poder de análise que conseguimos se todos partinharem os seus resultados? É um pequeno passo para o homem... mas um enorme salto para a Ciência. Nasceu assim o genebank! Nunca, em toda a história do planeta, tivemos tantas mentes brilhantes a fazer ciência e simultâneamente! E ainda por cima com as melhores ferramentas informáticas e tecnológicas de sempre. O meios nunca foram tão poderosos e nunca tivemos tantos humanos a utilizar esses recursos para conhecermos o mundo.

Por isso, apoiamos com total firmeza iniciativas como o Morphbank ou o Morphobank (sic!). Explorem-nos, usem e abusem deles!
E que o conhecimento científico não permaneça arrumadinho em armários, mas sim livre a todos os que o queiram conhecer e estudar. Cresça floresça e caminhe esta nova ferramenta ao dispor dos sábios do nosso tão precioso mundo.

http://www.morphbank.net/

Autoria partilhada do post com: Rui Castanhinha

quinta-feira, março 19, 2009

Pseudofósseis: Dendrites


A fotografia acima mostra cristais de dendrites em calcário. Embora tenham o aspecto e sejam vulgarmente confundidas com plantas ou fungos, as dendrites não têm qualquer origem biológica e tratam-se de impregnação lenta de cristais de óxidos de manganêse ferro nos interstícios do calcário.
Há dendrites famosas e comuns em calcários litográficos como os de Solnhofen que preservaram famosos fósseis de Archaeopteryx, a primeira ave fóssil. Em Portugal ocorre vulgarmente em pedras de calcário do Jurássico médio.

quarta-feira, março 18, 2009

Freeware: Safe Taxonomic Reduction



Não sei até que ponto este post poderá ser útil aos leitores deste blog, mas gostava de partilhar um software que costumo usar para análises filogenéticas: é o TAXEQ3. Este pequeno programa permite retirar com segurança táxones de uma matriz caracteres versus taxa sem que a informação que estes encerram comprometam a resolução da árvore e, ao mesmo tempo, se possa estar a eliminar informação filogenética relevante. O programa pode ser descarregado daqui.

Imagem daqui.

sábado, março 14, 2009

Darwin na FCT/UNL: 2ª Conferência-debate 11 Março


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Ciclo de Conferências-Debate

Sessões às quartas-feiras, às 14h, no Auditório da Biblioteca, incluindo intervenções de 2 a 3 oradores convidados, com um moderador por tema. Cada sessão será seguida de debate com a audiência dirigido pelo moderador.




18 de Março: “A evolução de facto” (mais info)

Moderador: José Moura (DQ, FCT-UNL)

Conferências:

"Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução"

Octávio Mateus (DCT, FCT-UNL; Museu da Lourinhã)

"O sonho de Darwin: a árvore da vida"

Álvaro Fonseca (DCV, FCT-UNL)

"Evolução agora"

André Levy (Unidade de Investigação Eco-Etologia, ISPA)


Transmissão em directo:



(http://elearning.fct.unl.pt/eventos.html)

segunda-feira, março 09, 2009

À conversa com...

Vale a pena ver as declarações de um padre católico sobre a Evolução.
Num ano em que se discute tanto a teoria proposta por Darwin e Wallace em 1958, não poderia estar mais de acordo com todas as frase proferidas por este Jesuíta.
Uma lição de humildade e sabedoria comum à ciência e ao cristianismo.



Enormes são as críticas que se podem fazer, mas neste aspecto, somos usualmente muito ignorantes sobre a posição da Igreja. O resultado é, normalmente, colocar todos os religiosos no mesmo saco. Infelizmente somos assim...
Por favor, não percam o resto da entrevista que está disponível no youtube!





Publicado simultaneamente no Conjurado

domingo, março 08, 2009

Conferência Geocolecções

Conferência Internacional Colecções e museus de Geociências: missão e gestão  
Coimbra, 5 e 6 de Junho de 2009   

CALL FOR PAPERS

 

Auditório do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra

 

Data limite para entrega de resumos – 30 de Março

 

Destinatários:

Gestores de colecções de museus na esfera das Universidades e Administração Central, Regional e Local

Técnicos dos Centros de Ciência / Centros de Interpretação

Profissionais e estudantes de Geociências, Museologia e Comunicação de Ciência

 

Desafios:

Documentação e conservação de materiais geológicos

Novas formas de comunicar em Geociências

História das colecções e dos museus

 

Mais informações: http://sites.google.com/site/geocoleccoes

 

geocoleccoes@gmail.com

Fotografias do dia

Duas fotografias "geoartísticas" da geologia do Jurássico Superior da região Oeste:
Acima está o marmoreado criado pelo arenito (a cinzento), por presença de enxofre (a amarelo) e carvão (a negro).

Abaixo são nódulos de pirite.

Posted by Picasa

sexta-feira, março 06, 2009

Vamos à Acção: não à venda de fósseis!


Se há coisa que não gosto particularmente de fazer é andar a ler leis, decretos e despachos... mas são estes os moldes em que a nossa sociedade foi erguida e como tal há que usá-los para nosso benifício.
A minha ideia foi averiguar o que se tinha legislado na arqueologia sobre a questão de venda e alienação de património arqueológico e verificar de que maneira a ponte se pode estabelecer com a paleontologia. Isto porque o lobby da arqueologia é claramente superior ao punhado de paleontólogos desgostosos que existe.
Devo desde já dizer que fiquei surpreendido pelo número de coisas que consegui apanhar e com a facilidade com que as obtive: daqui a legislação sobre a defesa do património geológico e daqui a legislação sobre a defesa do património arqueológico.
Daquilo que fui lendo, há claramente uma conclusão que me deixou estupefacto: a lei é omissa em relação à venda de património quer arqueológico quer paleontológico. Por outro lado, o património paleontológico está abrangido pela mesma esfera que o património arqueológico, se bem que se vê claramente que as leis foram escritas por influência de arqueólogos e não de paleontólogos uma vez que a adequação e a profundidade das matérias aboradadas reclinam claramente sobre a arqueologia.


Fotografia: Octávio Mateus, dente dental de Tenontosaurus dossi.

quinta-feira, março 05, 2009

XIII ENEB (Encontro Nacional de Estudantes de Biologia)

XIII ENEB
Depois de treze anos de ENEB, este volta a Évora com a temática
"De Volta às Origens". 
O XIII ENEB (13º Encontro Nacional de Estudantes de Biologia) decorrerá na "Cidade Museu" entre os dias 4 e 7 de Abril 2009, nas instalações da Universidade de Évora. Este encontro visa promover a troca de ideias e experiências entre estudantes de ciências biológicas provenientes de todo o país, além de complementar a formação dos estudantes, pelo acesso a várias
palestras e workshops no âmbito da Biologia. 

A inscrição inclui a entrada em todas as palestras, debate e festas do ENEB, direito a participação num workshop, alimentação durante o evento, Certificado de Participação e kit ENEB. Já se encontra disponível o site oficial do XIII ENEB (www.xiiieneb.org). 

Esperamos-vos na "Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Évora".

Nós estaremos presentes no domingo, dia 5 de Abril com a palestra "Explorando a paleontologia de dinossauros em Portugal e no mundo" por O. Mateus.


Top 10 (+1) da Paleontologia de Vertebrados


Existem alguns centros de investigação à volta do mundo que são determinantes e extremamente influentes. Muitos deles estão nos Estados Unidos, se bem que também em Inglaterra e Alemanha se produz muita e boa informação científica. Nas economias emergentes, ao ritmo de crescimento económico, também existe um forte potencial de desenvolvimento científico. Nomeadamente a China, o Brasil e a África do Sul (um de cada continente) têm dado provas de qualidade com os seus investigadores publicando nas melhores revistas. Escolhi 10 universidades ou instituições que me parece que tenham desenvolvido trabalho influente nos anos recentes para as próximas décadas. Corro o risco, contudo, de omitir grandes instituições que também elas têm contribuído para o progresso da paleontologia de vertebrados.

University of Bristol (http://palaeo.gly.bris.ac.uk/). O seu departamento encabeçado por Mike Benton tem desenvolvido trabalho nas mais diversas áreas da paleontologia de vertebrados desde morfologia funcional e biomecânica, até grandes questões como eventos de extinção em massa e diversidade. Também têm um grupo que lidera a construção das chamadas 'supertrees', que estabelecem as relações de 'parentesco' entre grupos de animais requerendo vastos recursos informáticos dada a quantidade de informação processada.

The Natural History Museum (http://www.nhm.ac.uk/). As suas magníficas e lendárias instalações fazem jus à qualidade da ciência que lá se produz. São fomentores da revista Paleontologica Electronica que disponibiliza artigos científicos grátis na internet (http://palaeo-electronica.org/).  Têm um projecto colossal de inventariação de todos os Tetrápodes fósseis usando tecnologia SIG (sistemas de informação geográfica).

Ohio State University (http://www.oucom.ohiou.edu/dbms-witmer/lab.htm). Em particular o Witmer's Lab tem desenvolvido um trabalho muito amplo de aplicações e de importância extrema, nomeadamente: a morfologia e anatomia dos cérebros dos arcossauros (que incluem crocodilos, dinossauros e pterossauros). Isto tem requerido tecnologia de ponta como tomografias de alta resolução. Isto permite ver nos fósseis coisas como as estruturas timpânicas, que tem sido o principal motivo de estudo deste grupo. Também têm promovido expedições a África principalmente em Madagáscar.

University of Chicago (http://geosci.uchicago.edu/research/paleo_evo.shtml). Para além do lendário David Jablonski que deu contributos fundamentais para a compreensão da macroevolução fazendo uso da paleontologia; no mesmo departamento Paul Sereno percorre o Níger, Marrocos e outros países para recolher dinossauros. Mas também é promovida investigação em tetrápodes primitivos tentando-se concomitantemente compreender a aquisição de caracteres morfológicos no decurso da evolução.

University of Alberta (http://www.biology.ualberta.ca/wilson.hp/UALVP.html). O trabalho de investigação desta instituição tem sido potenciada pelas inúmeras  descobertas de vertebrados fósseis que se têm feito na região. Phil Currie é um dos nomes sonantes que já passou pelo Laboratory of Vertebrate Paleontology, que tem trabalhado principalmente com dinossauros terópodes (carnívoros bípedes). Michael Caldwell também tem desenvolvido um trabalho fundamental na compreensão da origem de certos grupos dos Squamata (tudo o que seja lagartos e serpentes), nomeadamente no surgimento e evolução das serpentes e dos mosassauros (répteis marinhos que existirão durante o período Cretácico). Os seus recursos são impressionantes com vários aparelhos de tomografia de alta resolução e microscópios electrónicos de ponta.

American Museum of Natural History (http://paleo.amnh.org/). O AMNH, como é geralmente comnhecido, é uma instituição com uma longa e vasta influência nos meandros da paleontologia de vertebrados, tendo sido a casa de um dos mais míticos caçadores de dinossauros Barnum Brown. O seu legado é hoje carregado aos ombros de também eles grandes paleontólogos como Mark Norrell, John Flynn e Michael Novaceck. Eles têm desenvolvido expedições em Madagáscar e Mongólia, por exemplo.

University of California, Berkeley (http://www.ucmp.berkeley.edu/people/padian/home.php). É aqui que Kevin Padian e o seu laboratório tem desvendado os segredos sobre a origem dos dinossauros, incidindo sobretudo numa época que se pensa ter sido fulcral: a fronteira entre o Triásico e o Jurássico. Mas Padian e os seus estudantes também estão preocupados com grandes problemas da evolução, como a origem do voo nas aves. Só sobre este tópico muita tinta tem corrido nas principais revistas científicas nos últimos tempos e o conhecimento produzido nesta área marcará, sem dúvida, as próximas gerações de paleontólogos.

Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (http://www.ivpp.ac.cn/cn/). Esta instituição científica deve, ao todo, ter mais paleontológos do que os que existem em toda a Ibéria multiplicada duas vezes. Só entre 1999 e 2005 foram publicados cerca de 45 artigos na Nature e Science, que são duas revistas científicas de elevadíssimo grau de exigência. A quantidade de material fossilífero de relevo produzido na China é proporcional à dimensão do estatuto do IVPP.

Montana State University e Museum of the Rockies (http://www.museumoftherockies.org/). No estado de Montana têm sido feitas inúmeras descobertas principalmente no Jurássico superior (e.g. Formação de Hell Creek) e Cretácico superior (e.g. Formação de Cloverly). E nestas formações geológicas não só veveram dinossauros mas também – à sua sombra – pequenos mamíferos, lagartos, anfíbios, etc.. Jack Horner, o mais preeminente paleontólogo daquele estado, dedica-se essencialmente à evolução e ecologia dos dinossauros. Mas os seus estudantes dedicam-se também a aspectos mais vastos como microvertebrados e histologia.

Universität  Bonn (http://www.sauropod-dinosaurs.uni-bonn.de/). Este grupo de investigação interdisciplinar tem o propósito pouco ambicioso de: "saber tudo sobre saurópodes". Neste grupo se inclui por exemplo Martin Sander, especialista em histologia (estudo dos tecidos, que na paleontologia se resumem geralmente aos ossos).

Museu da Lourinhã (http://www.museulourinha.org/). É óbvio que ainda estamos longe de ter a excelência dos centros de investigação acima citados, mas, à nossa escala temos tido um impacto extremamente positivo no mundo da paleontologia… O nosso lugar feito por avaliadores independentes não estaria com certeza nos dez lugares mais cimeiros. Por enquanto não temos aparelhos de tomografia sofisticados nem laboratórios com equipas de dez preparadores, mas temos, isso sim, a ambição de um dia lá poder chegar!



Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

O que é, realmente, um fóssil?


Começo por dizer que assumo desde já a minha "douta ignorância" e, talvez, em de esta ser uma “pergunta a quem sabe” seja, isso sim, a quem sabe mais um bocadinho ou a quem pensou um bocadito mais sobre um determinado assunto. Estas questões de definições são muitas vezes meros exercícios académicos mas, sem dúvida que pensar sobre eles pode gerar conclusões engraçadas. As definições são, como é claro, importantes mas restringem a um número finito de palavras aquilo que é inefável: uma determinada realidade. Mas, por outro lado, criam limites mais objectivos a um conceito abstracto. Neste caso o conceito que queremos definir é: fóssil. É um conceito e não uma realidade. Passo a explicar: geralmente quando se pensa em fósseis
imaginam-se calhaus com a forma de osso, ou dentes muito preservados, duros que nem pedra. Mas, não é nestes casos que incide o problema da definição. Sabemos que não é nos vestígios de organismos mineralizados (i.e. transformados em pedra) que incide o nosso problema, mas sim nos casos limite: será um mamute siberiano congelado um fóssil? Será uma múmia egípcia um fóssil? Serão fósseis os vestígios ósseos de cadáveres de elefantes no Serengueti? Não deixa de ser difícil estabelecer uma fronteira clara.Para contornar esta questão alguns paleontólogos erigiram uma
barreira arbitrária aos 10.000 anos, que é a fronteira do Holocénico e, além disso, coincide com o aparecimento do Homo sapiens e uma glaciação. Ou seja, a partir do momento em que o Homem começou a ter impacto substancial na alteração do meio ambiente (sim! porque não foi só a partir da Revolução Industrial, já há 10.000 anos
eventos de extinção tem sido atribuídos à caça feita pelos homens; por exemplo, a extinção das megafaunas Norte-Americana e Australiana). Mas repare-se que esta definição não é inerente ao fóssil em si, mas sim a uma realidade que lhe é paralela e, de certo modo, independente: é uma definição antropocêntrica, em vez de ser
relativa ao fóssil em si. Isto é, que raio tem o aparecimento do Homem a ver com o estado de fossilização de um mamute, suponhamos? Não me parece correcto! Repare-se ainda que podemos encontrar vestígios com 8.000 anos muito mais diageneticamente alterados que vestígios com 14.000 anos (chama-se diagénese ao conjunto de processos de transformação dos sedimentos em rochas, nos quais se podem incluir os sedimentos orgânicos que darão origem aos fósseis). Portanto, a questão do Homem e dos 10.000 anos parece passar um pouco ao lado deste assunto. Isto leva-nos a crer que a nossa
definição tem de ser intrínseca aos próprios vestígios e tem de abranger estas situações limite. Parece-me então que uma boa definição seria: "todos os vestígios
somáticos de organismos afectados por um qualquer processo diagenético". Somático, porque exclui os chamados trace fossils, mas também pegadas e afins. De organismos e não orgânicos, porque a evidência tem de ser directa, e isto exclui os coprólitos
(defecações fossilizadas), ou sinais orgânicos peculiares tais como alterações dos níveis de isótopos estáveis de oxigénio – ao contrário dos isótopos radioactivos, que se desintegram, há alguns isótopos que não variam as suas concentrações ao longo do tempo. Contudo, esta definição exclui, por exemplo os mamutes siberianos...
porque eles estão simplesmente dessecados e congelados, e não diageneticamente alterados. Pelo que, ao abrigo desta definição, mamutes congelados não são fósseis.
Mas poderíamos tentar incluir também os mamutes, e poderíamos alterar a nossa definição para algo do género: "todos os vestígios somáticos de organismos cujo decaimento biológico esteja inibido". Ou seja, não são permitidas alterações por
bactérias aos vestígios dos organismos. Mas isto é um bocado estranho, porque então qual é a legitimidade que teríamos para dizer que o mamute é fóssil mas o frango que temos no congelador não é? Apesar de ser mais exclusiva, a primeira definição parece ser a mais adequada.

Fotografia: Ricardo Araújo

Publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

quarta-feira, março 04, 2009

Miragaia longicollum: ilustração



Esta é a imagem do holótipo (espécime de referência) do dinossauro estegossauro Miragaia longicollum da aldeia de Miragaia, perto da Lourinhã. A branco estão os ossos que foram descobertos no local. A figura humana segura uma escala com 2 metros.

Ilustração por O. Mateus.

Gertie, the dinosaur



"Gertie, the dinosaur" foi o primeiro cartoon e animação sobre dinossauros a ser feito. Era um saurópode simpático em que o seu autor, Winsor McCay, parodiava com o seu tamanho gigantesco. Girtie era um dinossauro amestrado que obedecia respeitosamente às ordens de um senhor vestido de maestro.

segunda-feira, março 02, 2009

Calendário de eventos paleontológicos

Aqui vai um calendário de eventos paleontológicos: congressos, palestras e afins.




Colegas interessado em participar e contribuir para este calendário são bem vindos.

Palestras na Academia de Ciências de Lisboa sobre Darwin

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ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA 

      Por ocasião do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o Presidente da Academia das Ciências de Lisboa tem a honra de convidar V.Exª para o ciclo de sessões “O Darwinismo duzentos anos depois” que prossegue com “A Evolução Biológica e as Ciências Naturais”, no dia 5 de Março de 2009, quinta-feira, na Sala das Sessões desta Academia, a partir das 14:30 horas. 

      Apresentam comunicações os Académicos Senhores João Pais (Darwin e a Evolução das plantas), Miguel Telles Antunes (Darwin e a Paleontologia – alguns aspectos) e Artur Torres Pereira (Evolução: Grandeza de uma teoria científica, e o desafio da Educação).

 
 
05 Março

14:30

O DARWINISMO DUZENTOS ANOS DEPOIS III: A Evolução Biológica e as Ciências Naturais (M. Telles Antunes, coord.)
1.João PaisDarwin e a Evolução das plantas
2.Miguel Telles AntunesDarwin e a Paleontologia – alguns aspectos
3.Artur Torres PereiraEvolução: Grandeza de uma teoria científica, e o desafio da Educação

Via Academia de Ciências de Lisboa.

Ilustração: Miragaia longicollum


O novo estegossauro Miragaia longicollum tem dado que falar, quer na comunicação social, quer na comunidade científica, tanto que ontem dei comigo a “rabiscar” uma possível reconstituição deste animal. Aqui vai o resultado final! ©Carlos Marques