Sento-me, a horas improvaveis, numa cadeira desconfortavel do Shuler Museum e reparo no que tenho em volta. Para alem dos fosseis empilhados em armarios de metal, para alem dos cranios impressionantes de fitossauros, para alem dos esqueletos articulados de criaturas bizarras... vejo discussoes inflamadas sobre os detalhes da Evolucao, vejo ideias e resolucoes interessantes baseadas nos mesmos fosseis bizarros, vejo horas que escoam num domimgo lamacento no topo de uma arriba, vejo os olhos que brilham quando alguem diz no campo "Vejam so o que encontrei!", oico o martelo percurssor do laborioso preparador... e, penso... Caracas, por mais que quisesse nunca conseguiria encontrar uma profissao como esta porra...
Todas as horas que dispendi a tirar fotocopias de artigos obscuros e que nao serviam para nada, que dispendi a encharcar as botas de lama e voltar a casa com meia duzia de pedras no bolso, que dispendi a fritar os olhos a frente do computador aguardando que ele me desse resultados desoladores... todas essas horas, nao as dou a ninguem.
'As vezes ate me custa mesmo perceber como e' que alguem pode gostar de outra coisa senao paleontologia... quem e' que gosta de metalurgia, bolas? De contabilidade? Tenho de me contorcer para compreender isso, sim, eu sei, gostos nao se discutem...
Descobertas em Abril, em Plagne, por dois naturalistas amadores, as pegadas "são de um tamanho muito grande, podendo chegar a 1,20, 1,50 m de diâmetro", segundo o CNRS. As marcas foram conservadas numa camada calcária, com 150 milhões de anos, "período durante o qual a zona estava coberta por um mar quente e pouco profundo", segundo Jean-Pierre Mazin e Pierre Hantzpergue, do laboratório Paléoenvironnements e Paléobiosphères da Universidade de Lyon 1, que avaliaram o site.
“A descoberta destas pegadas mostra que os saurópodes (grandes dinossauros quadrúpedes e herbívoros) habitaram esta região durante uma fase de descida do nível do mar”, afirmam os especialistas. “Segundo a primeira avaliação dos investigadores, estes vestígios de dinossauro são os maiores conhecidos até hoje”, diz o CNRS. “Além disso, os trilhos formados por estas pegadas estendem-se sobre dezenas ou centenas de metros. As escavações mais importantes serão conduzidas nos próximos anos e poderão revelar o sítio de Plagne como um dos mais vastos e conhecidos do mundo", refere ainda o CNRS.
















