
terça-feira, novembro 25, 2008
As cabeças cheia de ar
A expressão não podia vir mais a calhar já que dois professores de anatomia da Universidade do Ohio (EUA) publicaram este mês mais um trabalho sobre a os seios paranasais de dinossauros. O estudo "The paranasal air of predatory and armored dinosaurs (Archosauria: Theropoda and Ankylosauria) and their contribution to cephalic architecture." foi publicado na revista Anatomical Record por Larry Witmer e Ryan Ridgely e devo confessar que é do melhor que a paleontologia de dinossauros tem feito nos últimos anos. [Para um europeu como é estranho que os americanos ponham paleontólogos a ensinar anatomia humana aos seus futuros médicos.] E se há uma coisa que estes senhores não têm na cabeça é: ar.
Bom, para dizer a verdade até têm, todos temos! Reparem na figura abaixo e vejam quantidade de ar que a nossa cabeça contem. O azul escuro representa o nosso cérebro, todas as outras cores são preenchidas por ar.
No que diz respeito aos dinossauros, esses, tinham necessidades realmente ciclópicas e para poderem perder algum do peso da cabeça (cerca de 8% para ser mais específico) acabaram por desenvolver (como eu detesto este verbo aqui) cavidades pneumáticas muito maiores que as nossas. Esses espaços preenchidos por ar são uma solução económica que certos animais, no decurso da sua história evolutiva, acabaram por explorar. A razão é simples, conseguimos aumentar o tamanho atenuando o aumento proporcional do peso sem comprometer a resistência. Experimentem abrir uma placa de cartão e vêm o que quero dizer, já que, o cartão canelado não é mais do que papel e ar! Se o ar existente no interior dessas mesmas placas fosse preenchido por papel teríamos algo mais parecido a madeira que a cartão, claro que seria resistente mas o peso seria muito superior. Muitas vezes é preferível perder 5% da resistência para podermos livrar-nos de 80% do peso.
Claro que para quem tinha uma cabeça que pesava 515 kg qualquer emagrecimento é bem vindo, não dá jeito nenhum ser tão cabeçudo.
No caso dos dinossauros, era extremamente "inteligente" ter a cabeça cheia de ar.

A Evolução é um processo fascinante e muitas outras utilidades poderiam ser extraídas destas cavidades: ressonância para vocalizações e consequente comunicação entre os animais, ou mesmo a amplificação de sons mais difíceis de ouvir, ou até mesmo a termorregulação através do ar respirado... Tudo isto pode ser estudado com o recurso a técnicas de Tomografia Computorizada e de processamento dos dados em software de manipulação 3D. O resultado final são crânios virtuais mais parecidos a esculturas pré-colombianas do que a fósseis do Mesozóico.
Um mundo está ainda por explorar para quem pensava que ter a cabeça cheia de ar não tinha interesse nenhum.
Publicado simultaneamente no Conjurado
Venda de cauda de dinossauro vista pela France Press
A 10 de Outubro eu fiz uma carta aberta, aqui no Lusodinos (ver post), após ter sido alertado pelo Rui Castanhinha sobre a venda de uma cauda de dinossauro. Esta história que acabou por receber uma notícia no Correio da Manhã (ver replicação aqui) tem agora repercussão internacional pois apareceu numa série de jornais internacionais (incluindo The Windsor Star e Telegraph) e blogs (como o Everything Dinosaur) após a France Press ter feito uma cobertura da história. Por cá, o blog Ciência ao Natural fez um post sobre o assunto.

| Dinosaur tail sale sparks controversy |
| November 23 2008 at 10:01AM | |
Lisbon - A Portuguese bulldozer driver has sparked controversy in his country by putting up a dinosaur fossil he found 10 years ago for sale on the Internet. |
domingo, novembro 23, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
Boo! à venda de fósseis

Insólito: Venda publicitada em anúncio de jornal
Vende-se cauda de dinossauro
O anúncio – colocado na secção de ‘Antiguidades’ do site do jornal de classificados ‘Ocasião’ – explica que se trata de um "dinossauro, espinha dorsal 90% completa."
Feita a chamada para o telemóvel mencionado no anúncio, Gonçalo Ribeiro, o dono do achado confirma que não é brincadeira: "Tenho um esqueleto de um dinossauro herbívoro que encontrei há cerca de dez anos, quando fazia umas terraplanagens." Garante "já ter recebido várias ofertas ", mas só não vendeu "por ainda não ter encontrado alguém disposto a pagar um preço justo e que dê garantias de dar um uso correcto ao achado". Não quer dizer onde foram encontrados os ossos, mas o CM sabe que estavam no concelho do Cadaval.
Sem querer adiantar qual o valor que considera justo para vender, Gonçalo Ribeiro confirma que "já recusou uma proposta de cem mil euros de uma autarquia da Região Oeste, por achar que era pouco".
O paleontólogo Octávio Mateus, perito da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, já analisou o esqueleto. "É uma cauda e um perónio de um sauropode, mas não quero fazer considerações sobre o seu valor porque não acho correcto que esteja a ser vendido", disse ao CM.
O cientista escreveu mesmo uma carta ao ‘Ocasião’ a pedir que o anúncio fosse retirado, mas não teve resposta. E lamenta que "a lei não proteja os achados paleontológicos como acontece com os vestígios arqueológicos".
Texto de José Carlos Marques, notícia publicada a 21 Novembro 2008 no Correio da Manhã.
Comentário: Temos todos nós enquanto defensores do património paleontológico denunciar estas situações. É um crime escabroso fazer-se em Portugal a venda de fósseis com uma veleidade tal que ainda por cima é permitida pela lei!
quinta-feira, novembro 20, 2008
Descoberta primeira tartaruga marinha
Cientistas britânicos descobriram numa ilha escocesa os restos de uma espécie até agora desconhecida de tartaruga que acreditam ter sido a primeira a deixar a terra e a nadar.
Diversas escavações levadas a cabo na ilha de Skye descobriram os fósseis de pelo menos seis tartarugas que aprenderam a nadar na era dos dinossauros, segundo um relatório publicado na revista Proceedings of the Royal Society.

Segundo os especialistas, a espécie recém-descoberta era um animal aquático porque os fósseis foram encontrados numa rocha que na pré-história fez parte de um lago ou uma lagoa.
Ao contrário dos de outros animais terrestres da mesma época, que estão fragmentados, os restos das tartarugas apareceram quase completos, com as suas correspondentes articulações.
Os seus membros eram mais parecidos aos das modernas tartarugas de água doce do que aos das espécies marinhas, mas acredita-se que tinham membranas entre as garras.
«A Eileanchelys Waldmani pode ser considerada com bastante certeza a primeira tartaruga aquática», assinalam os investigadores no relatório.
Segundo Jeremy Anquetin, do Museu de História Natural de Londres e um dos invetsigadores, «embora a maioria das modernas tartarugas seja de espécies aquáticas, ficou demonstrado que as mais primitivas, do Triásico (há 210 milhões de anos), eram exclusivamente terrestres».
«Agora sabemos com segurança, assinala o cientista, que já havia tartarugas aquáticas há 164 milhões de anos», acrescenta.
Texto retirado integralmente desta fonte: Diário Digital
quarta-feira, novembro 19, 2008
Homenagem a Paul Choffat
Completam-se 89 anos sobre a sua morte e 100 sobre a publicação de uma das
obras mais significativas, "Essai sur la tectonique de la chaîne de
l'Arrabida" (cf. Biografia de Paul Choffat em:
http://e-geo.ineti.pt/edicoes_online/biografias/paul_choffat.htm).
O Departamento de Ciências da Terra e o Centro de Investigação em Ciência
e Engenharia Geológica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Nova de Lisboa, decidiram, em parceria com o INETI,
homenagear o Geólogo Paul Choffat através da edição fac-simile daquela
obra, há muito esgotada, ainda essencial para quem trabalhe em
estratigrafia e tectónica alpina em Portugal, nomeadamente na região da
serra da Arrábida.
A sessão de homenagem realiza-se na Reitoria da Universidade Nova de
Lisboa, no dia 28 de Novembro, às 17.30h. Poderá acompanhar o evento, em
directo, através da transmissão online, num dos seguintes endereços:
Departamento de Ciências da Terra da FTC/UNL
( http://www.dct.fct.unl.pt/index.asp?item=destaques&Id_destaque=50 )
Geopor ( http://metododirecto.pt/geopor )
GeoporTV ( http://mogulus.com/geopor )
PROGRAMA
28.Nov.2008
17.30h - Homenagem a Paul Choffat (Reitoria da Universidade Nova de
Lisboa, Campus de Campolide)
Intervenções:
- Presidente do Departamento de Ciências da Terra (J.Pais) – Justificação
da comemoração, agradecimentos.
- Comissão Organizadora (R. B. Rocha) – Paul Choffat, uma vida dedicada à
Ciência.
- Ana Carneiro – Paul Choffat e as Comissões Geológicas.
- Testemunho do Mr. Paul André Choffat, neto do homenageado.
- Apresentação do livro (J. C. Kullberg).
- Presidente do INETI (instituição onde P. Choffat trabalhou em Portugal).
- Embaixador da Suiça.
- Reitor da Universidade Nova de Lisboa.
- Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (ou seu
representante).
segunda-feira, novembro 17, 2008
Paleontólogos históricos II: Gideon Mantell
Mantell ficou famoso por ter sido ele a estudar um dos mais antigos registos de dinossauros: o Iguanodon, do Cretácico inferior de Inglaterra. Este dinossauro foi assim chamado pela forma característica dos seus dentes fazendo lembrar os das iguanas aos olhos do paleontólogo. Na verdade, Mantell era médico, mas dedicava-se à história natural por prazer simplesmente. Curiosamente, o Iguanodon foi entretanto descoberto em muitas outras localidade da Europa, nomeadamente na Bélgica nas minas de carvão de Bernissart (que deu origem ao nome espécie Iguanodon bernissartensis)de onde foram recolhidos inúmeros indivíduos; mas também em Portugal (descritos na monografia de Sauvage 1897-98) e na Ásia (Iguanodon orientalis).
Foi na sua publicação "Notice on the Iguanodon, a newly discovered fossil reptile, from the sandstone of Tilgate Forest, in Sussex".
sábado, novembro 15, 2008
Dinossauros com penas e origem das aves
A origem das aves dá-se a partir dos dinossauros terópodes (grupo de bípedes e carnívoros ao qual pertence o Tyrannosaurus rex). Não se pode afirmar que ocorre a transição dos dinossauros para as aves, nem sequer dos répteis para as aves, pois do ponto de vista filogenético, as aves são dinossauros e répteis. Da mesma forma que nós humanos, sob o ponto de vista filogenético, somos osteícteos (animais ósseos) e sinapsídeos (répteis mamalianos). Ou, dito de forma mais elegante, partilhamos com os peixes ósseos e répteis mamalianos um ancestral comum.
Legenda: os dinossauros, são testemunhos da origem teropodiana das aves, e uma excelente evidência da evolução: A,Sinosauropteryx (espécime NIGP 127586; GMV 2123 - Holótipo); B, Caudipteryx; C, Archaeopteryx lithographica (espécime de Berlim); D, Sinornithosaurus (espécime NGMC91); E, Sinosauropteryx prima(espécime NIGP 127587); F, Protoarchaeopteryx robusta, ilium, par de pubis e fémures (NGMC 2125, espécime holótipo); G, Yixianosaurus longimanus (V12638). Destas dinossauros, só o Archaeopteryx (C) é uma ave. Fotografias A, D, E e F por
sexta-feira, novembro 14, 2008
Miguel Telles Antunes

Miguel Carlos Ferreira Telles Antunes, nasceu em 11 de Janeiro de 1937 em Lisboa e cedo na sua carreira se notabilizou na paleontologia de vertebrados.
Licenciou-se Ciências Geológicas, Universidade de Lisboa (em 1959). Doutorou-se em Geologia (Univ. de Lisboa, Abril de 1965) com um trabalho sobre a Paleontologia e a Geologia do Mesozóico e Cenozóico de Angola, que continua a ser uma referência no tema. Fez a Agregação na Universidade de Lisboa em 1968 mas integra a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde passou a Professor Catedrático. Foi Presidente do Departamento de Ciências da Terra entre 1984 e 2000. É membro da Academia de Ciências de Lisboa desde 1989. Actualmente está Jubilado, é membro do Conselho Científico do Museu da Lourinhã e é Director do Museu da Academia das Ciências de Lisboa.
Antunes, M.T. 1961. Sur la faune de Vertébrés du Crétacé de Iembe (Angola). C. R. Acad. Sci. Paris, t. 253, p. 513 - 514. Scéance du 17 Juillet 1961.
Antunes, M.T. 1975 Iberosuchus, crocodile Sebecosuchien nouveau, l'Eocène ibérique au Nord de la Chaîne Centrale, et l´origine du canyon de Nazaré. Comunic. Serv. Geol. Port., t. LIX, p. 285-330, 9 pl.
M. T. Antunes & C. Mourer-Chauviré 1991 Présence du Grand Pingouin, Pinguinus impennis (Aves, Charadriiformes) dans le Pléistocène du Portugal. Géobios, 1991, Note brève nº 24, fasc. 2, p. 201-205. Lyon.
Antunes, M.T. 1992. Sobre a História da Paleontologia em Portugal (ca.1919-1980). História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal no séc. XX. Publicações do II Centenário da Academia das Ciências de Lisboa, p.1003-1026, 18 fig.
Antunes, M.T. 1993. Lower Miocene continental-marine correlation in the Tagus basin, Portugal - mammals, planktonic foraminifera and other evidence. Annales Géologiques des Pays Helléniques, Première série, Tome trent-sixième, p.531-538, 1 fig. Atenas. (Volume datado de 1993-1995).
M.T. ANTUNES & D. Sigogneau-Russell 1996 Le Crétacé terminal portugais et son apport au problème de l'extinction des Dinosaures. Bull. Mus. nat. Hist. nat., Paris, 4e série, 18, 1996, Section C, no 4, p.595-606.
I. Mateus, H. Mateus, M. T. Antunes, O. Mateus, Ph. Taquet, V. Ribeiro & G. Manuppella 1997. Couvée, oeufs et embryons d'un Dinosaure Théropode du Jurassique supérieur de Lourinhã (Portugal). C.R.Acad.Sci.Paris, Sciences de la Terre et des Planètes, 1997, 325, p.71-78, 7 fig.
Telles Antunes & João Pais 1997 Debasement of gold coinage in the al-Andalus under the Muluk al-Tawa’if (Taifas Kings – 5th Century H. / XI Century AD). Memórias da Academia das Ciências de Lisboa/ Classe de Ciências, Tomo XXXVI (1996-1997), pp. 257-278, 3 est.
Antunes, M. T.; Cunha, A. Santinho; Schwartz, J. H. & Tattersall, I. 2000. The latest Neanderthals: evidence from Portugal. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa/ Classe de Ciências, t. XXXVIII, p.283-317, 1 fig., 4 tab., 7 pl.
Mateus, O. & Antunes, M. Telles 2001 Draconyx loureiroi, a new Camptosauridae (Dinosauria, Ornithopoda) from the late Jurassic of Lourinhã, Portugal. Annales de Paléontologie (2001) 87, 1: 61-73. Elsevier. Paris.
Ricqlès, A. de; Mateus, O.; Antunes, M. Telles & Taquet, Ph. 2001 Histomorphogenesis of embryos of Upper Jurassic Theropods from Lourinhã (Portugal). C. R. Acad. Sci. Paris, Sciences de la Terre et des planètes/ Earth and Planetary Sciences 332 (2001) 647-656, 2 fig.
Antunes, M. T. & Cappetta, H.-C. 2002. Sélaciens du Crétacé (Albien-Maastrichtien) d’Angola. PALAEONTOGRAPHICA/ BEITRÄGE ZUR NATURGESCHICHTE DER VORZEIT Abteilung A: Paläozoologie – Stratigraphie, Band 264, Lfg. 5 – 6, p. 85-146, 3 fig., 12 pl. E. Schweizerbart’sche Verlagsbuchhandlung (Nägele u. Obermiller), Stuttgart 2002.
Antunes, M. Telles & Taquet, P. 2002. Le Roi Dom Pedro V et le paléontologue Alcide d’Orbigny: un episode des relations scientifiques entre le Portugal et la France. C.R. Palevol 1 (2002), p. 639-647, 4 fig.
Antunes, M. T. 2003. The earliest illustration of Dinosaur footprints. INHIGEO MEETING portugal 2001/ Geological resources and History june 24th-july 1st/ 2001/ Universidade de Aveiro/ PROCEEDINGS: 115-123, 8 fig.
Antunes, M. Telles & Mateus, O. 2003 Dinosaurs of Portugal. C.R. Palevol 2 (2003), p. 77-95, 17 fig
Antunes, M.T. 2003. Alexandre Rodrigues Ferreira, D. Vandelli & E. Geoffroy Saint-Hilaire/ Aspectos da História, Novos dados e Interpretação. Viagem ao Brasil de Alexandre Rodrigues Ferreira II, pp.11-21. Kapa Editorial/ Academia Brasileira de Ciências, FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos/ Ministério da Ciência e Tecnologia.
Antunes, Miguel Telles, Balbino, Ausenda C. & Ginsburg, L. (2006) – Miocene Mammalian footprints in coprolites from Lisbon, Portugal. Annales de Paléontologie, (Janvier-Mars 2006), Vol. 92, pp.13-30.
Antunes, Miguel Telles, Balbino, Ausenda C. & Ginsburg, L. (2006) – Ichnological evidence of a Miocene rhinoceros bitten by a bear-dog (Amphicyon giganteus). Annales de Paléontologie (Janvier-Mars 2006), Vol. 92, pp. 31-39.
Jacobs, Louis L.; Mateus, Octávio; Polcyn, Michael J.; Schulp, Anne S.; Antunes, Miguel Telles; Morais, Maria Luísa & Tavares, Tatiana da Silva 2006. The occurrence and geological setting of cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. J. Paleont. Soc. Korea, vol. 22, No.1, (2006): 91-110, 12 figs.
Mateus, Octávio; Walen, Aart & Antunes, Miguel Telles 2006 The large Theropod fauna of the Lourinhã Formation (Portugal) and its similarity to the Morrison Formation, with a description of a new species of Allosaurus. Foster, J.R. and Lucas, S.G.R.M., eds., 2006, Paleontology and Geology of the Upper Jurassic Morrison Formation. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 36, pp. 1-7, 7 fig.
Paleontólogos históricos I: Barnum Brown

Não sei bem porquê mas o que dantes me parecia uma grande seca - história da ciência - cada vez aprecio saber mais sobre sobre este domínio. Talvez por tomar consciência do legado histórico que recai sobre os ombros dos novos cientistas... mas essa parece uma explicação demasiado racional: o que é certo é que gosto!
Barnum Brown (1863-1963) epitomiza o sonho de qualquer paleontólogo. Ele foi contemporâneo de Marsh e Cope (que serão abordados a seu tempo) no início da sua carreira e foi um exímio descobridor de fósseis. Aliás, foi esta característica de excepção que o levou a arranjar emprego no American Museum of Natural History e a que tomasse a alcunha de Mister Bone. Apesar de não ser tão prolífico como Marsh e Cope - relembro que Marsh erigiu 80 géneros e espécies de dinossauros, hoje muitos deles sinónimos contudo - as suas valências para descobrir fósseis contrabalançavam de longe essa lacuna. Entre os vários dinossauros que nomeou destacam-se o Ankylosaurus, Corythosaurus, Pachycephalosaurus. Barnum Brown viveu num período ao qual hoje em dia se chama a "primeira dinossauromania", a segunda viveu-se nos anos 1980 e julgo decorrer até hoje. Na altura os dinossauros eram o motivo de deslumbramento de todos porque eram novidade.
Não tenho nenhuma referência para atestar estes factos, são coisas que a minha memória foi involuntariamente guardando.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Stegosaurus no Museu da Lourinhã
Durante uns anos, uma réplica de um esqueleto completo do dinossauro Stegosaurus era a peça central na sala da paleontologia do Museu da Lourinhã, o que fazia as delícias dos visitantes, tendo sido substituído o ano passado por outro dinossauros semelhante, o Dacentrurus armatus.
Aqui ficam algumas fotografias do testemunho da passagem deste esqueleto pela Lourinhã.

quarta-feira, novembro 12, 2008
O dinossauro Dinheirosaurus lourinhanensis
Espécie: Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte & Mateus 1999
Taxonomia: Sauropoda: Diplodocidae
Idade: Jurássico superior, 150 milhões de anos
Elementos conhecidos: vértebras cervicais e dorsais
Distribuição: Portugal
Etimologia: Lagarto (=saurus) de [Porto] Dinheiro e Lourinhã
Tamanho:
Regime alimentar: herbívoro
Código: ML414
Comentário: O Dinheirosaurus é um grande dinossauro saurópode da mesma família que o Diplodocus. Este animal só é conhecido a partir de vértebras cervicais e dorsais além de várias costelas, mas ainda sim os paleontólogos ainda pode determinar que o seu comprimento corporal que atingiria os
Dinheirosaurus, Diplodocus e outros diplodocídeos tinham longos pescoços e caudas. Eles usaram o pescoço para cobrir uma
Os diplodocídeos e os outros saurópodes estão entre os animais com menor cérebro em relação ao tamanho do corpo, mas esse pequeno cérebro foi uma grande vantagem evolutiva, pois permitiu uma adequada oxigenação cerebral, enquanto o saurópode levantava a cabeça, apoiando-se sobre as patas traseiras para comer mais alto, na copa das árvores
Tal como todos os outros dinossauros de Portugal, não se conhece o esqueleto completo, mas uma série de vértebras e costelas do pescoço e dorso. Também este é uma espécie única no mundo e o holótipo está exposto no Museu da Lourinhã.
Ref:
BONAPARTE, J.F., & MATEUS, O. (1999). A new diplodocid, Dinheirosaurus lourinhanensis gen. et sp. nov., from the Late Jurassic beds of Portugal. Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales. 5(2): 13-29. PDF
terça-feira, novembro 11, 2008
Dinossauros e outros vertebrados mesozóicos de Portugal
Dinossauros e outros vertebrados mesozóicos de Portugal
Integrada na comunicação “
Por Octávio MATEUS
omateus@museulourinha.org
Tendo em consideração a sua dimensão, Portugal é um dos países mais ricos em vertebrados fósseis mesozóicos.
Se olharmos para o número de géneros de dinossauros, com 25 dinossauros, Portugal aparece em sétimo lugar no ranking mundial, apenas precedido dos Estados Unidos (com 140 géneros), China (131), Argentina (64), Mongólia (62), Canadá (44) e Reino Unido (40) e seguido por França (23), Brasil (18) e África do Sul (16). Contudo, para a área do país, Portugal é destacadamente o mais rico destes países no que respeita a dinossauros.
Os dinossauros e outros vertebrados ocorrem na chamada Bacia Lusitânica e na Bacia Algarvia, sendo a maioria do Jurássico superior da região Oeste, sobretudo do Concelho da Lourinhã e Mina da Guimarota. Na Lourinhã, as recolhas têm sido feitas, essencialmente ao longo da costa devido à disponibilidade de afloramentos.
Os dinossauros viveram durante a era Mesozóica (de há 65 até 220 milhões de anos), que se divide
Por serem do Jurássico Superior (com aproximadamente 150 milhões de anos) os dinossauros como o Lourinhanosaurus, Draconyx ou Lusotitan são 85 milhões de anos mais antigos que alguns dos famosos dinossauros do Cretácico terminal (
O mundo do Jurássico Superior
Mas nem só dinossauros povoaram a Bacia Lusitânica durante o Jurássico superior e ocorrem vestígios de outro vertebrados como os anfíbios, tartarugas, lagartos, plesiossauros, coristodiras, crocodilomorfos e pterossauros.
O mundo jurássico também era muito diferente do que conhecemos hoje: a Índia, Austrália e Antártica estavam juntas num único continente no pólo sul. Os continentes de África e América do Sul estava junto e não havia Atlântico Sul. A Europa era um arquipélago, do qual fazia parte uma ilha, o “bloco Ibérico”, que hoje corresponde a Portugal e Espanha. Como o Atlântico Norte tinha sido formado há pouco tempo, a América do Norte não estava muito afastada da Ibéria, o que explica a presença dos mesmos géneros de dinossauros nas duas áreas. Além disso a linha de costa de Portugal era igualmente distinta da de hoje pois um mar interior entrava no que é
Os dinossauros de Portugal
Não cabe aqui abordar exaustivamente todas as espécies de dinossauros de Portugal, pelo que se chama a atenção a algumas mais emblemáticas e com maior importância regional.
Dacentrurus armatus é um dinossauro herbívoro quadrúpede semelhante ao Stegosaurus. Embora esta espécie ocorra também
Draconyx loureiroi é um dinossauro herbívoro bípede apenas conhecido em Portugal. Quando foi descrito, em 2003, reconheceu-se que era uma nova espécie para a Ciência, pelo que pode receber um novo nome: Draco significa dragão, e onyx significa garra, porque as garras deste dinossauro foram dos primeiros ossos a serem recolhidos; loureiroi honra o primeiro paleontólogo, João de Loureiro. Como o fóssil do
Dinheirosaurus lourinhanensis é um saurópode descoberto na Praia de Porto Dinheiro, na Lourinhã, o que lhe deu o nome. Trata-se do dinossauro português mais comprido e estima-se que teria
Lusotitan atalaiensis deve o seu nome por ser o titã lusitano, vindo de Atalaia, uma aldeia costeira do concelho da Lourinhã. Foi descoberto na década de 1940 e julgava-se ser um dinossauro muito semelhante chamado Brachiosaurus, mas estudos ulteriores confirmaram tratar-se de um novo género. Apesar de não ser o mais longo, este devia ser o mais alto e mais pesado dinossauro de Portugal. Tinha, possivelmente,
Torvosaurus tanneri foi
Lourinhanosaurus antunesi é, possivelmente, o dinossauro mais emblemático da Lourinhã. É um dinossauro carnívoro de médio porte, isto é, cerca de
Pegadas
Além dos ossos fósseis, Portugal é muito rico em pegadas de dinossauros, com mais de de uma trintena de jazidas, o que permite conhecer outras vertentes destes animais, tal como partes do seu comportamento e velocidade de deslocação. Além disso as pegadas dão a ocorrência da presença de dinossauros em áreas e idades geológicas nas quais não se conhecem ossos.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Sistemática lineana vs. cladística
| Diferença na classificação taxonómica linneana (A) e filogenética (B) (retirado de Mateus, 2008) |
domingo, novembro 09, 2008
Quatro grandes livros sobre evolução
No que respeita grandes livros sobre evolução, apresento aqui uma selecção de importantes e geniais obras que dão uma perspectiva que julgo abrangente da evolução. Essenciais para qualquer investigador ou estudante que estude a selecção natural.
Além de ser um clássico e um marco histórico, está genialmente bem escrito e é seguramente um dos livros que mais influenciou a humanidade.

Dá uma perspectiva da evolução e mostra que a diversidade é um subproduto da mesma. É o melhor livro para compreender a maravilha da biodiversidade.
Link Google Books
Introduz a noção de que os genes são a unidade principal da evolução e mostra-a como uma luta constante que os genes têm para sobreviver.
Link Google Books
Explica a evolução humana de forma quase desconcertante: o nosso cérebro evoluiu essencialmente como um carácter sexual secundário, ou seja, somos inteligentes para impressionar o(a) parceiro(a).
Link Google Books
Votos de boa leitura!
Berbicachos taxonómicos

Muitas vezes nomear novas espécies e géneros é mais uma arte que uma ciência, isto especiamente antes do advento da filogenia que facilita em larga escala o trabalho dos taxonomistas. No século XIX (e até mesmo uma durante parte do século XX) novas espécies e géneros eram erigidos em notas de rodapé ou em legendas de figuras e, claro, sem uma diagnose adequada. Geralmente só muito tempo depois é que este material era novamente revisto e estudado convenientemente de modo a aferir a validade destes novos taxa, muitos deles continham problemas... já num post anterior me referi ao "disparate" que era o género Steneosaurus (um crocodiliforme do clado Thalattosuchia), com mais de cinquenta espécies atribuídas a esse género. Mas especialmente no clado Dinosauria - que tem sido alvo de extensa análise nos últimos tempos - os berbicachos taxonómicos acumulam-se como nos seguintes géneros: Hadrosaurus, Titanosaurus, Triceratops... Pode ser realmente muito confuso rever a validade destes taxa, principalmente na paleontologia, com espécimes incompletos ou dispersos por vários museus e, com a agravante de que as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica não são nada fáceis. Na verdade, não é só a questão da sinonímia (espécies/géneros erigidos que afinal eram iguais a outras entretanto já erigidas também)... são também os nomen oblitum, os nomen dubium, os nomen vadum, nomen nudum, ou os nomes previamente ocupados. E ora porque nos devemos preocupar em saber se este ou aquele género baseado em determinado material está bem ou mal nomeado? É que as espécies e os géneros servem de base para estudos mais abrangentes... Como é que então se poderia fazer uma lista de todas as espécies de dinossauros, por exemplo, se na verdade uma boa percentagem de nomes dessa lista não são válidos? Como extrapolar sobre a biodiversidade de um dado grupo ou sobre as origens de um outro se não sabemos que espécies existiram realmente? Foi por isso que Mike Benton, um prestigiado paleontólogo da Universidade de Bristol, Inglaterra decidiu aferir... Em suma ele pretendia responder à seguinte pergunta: se eu quiser fazer uma lista de todos os dinossauros qual é o risco que corro de que essa lista esteja mal construída? Ele realmente chegou a conclusões interessantes, entre as quais: cerca de 50% dos nomes de dinossauros são sinónimos, uma boa porção dos taxa são baseados em material muito fragmentário (o que faz com que se possam nomear dois géneros diferentes com base em material diferente, um dente e um fémur, por exemplo... que pode na realidade pertencer a um mesmo género), a descoberta de novos taxa está geralmente associada à exploração de novas bacias. E uma série de outras cnclusões de elevada importância. O melhor mesmo é consultar o artigo, aqui fica a referência:
Benton, M. J. 2008 How to find a dinosaur, and the role of synonymy in biodiversity studies. Paleobiology 34(4): 516-533.
Se não tiverem acesso ao artigo eu posso, como é claro, disponibilizá-lo.
sábado, novembro 08, 2008
Brilhante
No céu brilhou mais uma estrela a 7 de Novembro de 1913.
E, se me tivesse lembrado de escrever isto ontem, teriam feito 95 anos desde então.
Sempre que falamos em Teoria da Evolução recordamos sempre um só nome e nem nos apercebemos que a publicação que fundou essa mesma teoria foi assinada a quatro mãos.
Sobre a Tendência das Espécies formarem Variedades; e sobre a Perpetuação de Variedades e Espécies por Meios de Selecção.
Foi apresentada à Linnean Society a 1 de Julho de 1858 e deu o pontapé de saída para uma mudança na forma de pensar o mundo natural. A biologia nunca mais foi a mesma.
Obrigado Wallace por tudo.
Aqui a página Alfred Russel Wallace.
Publicado simultâneamente no Conjurado



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