quinta-feira, novembro 20, 2008

Descoberta primeira tartaruga marinha

Cientistas britânicos descobriram numa ilha escocesa os restos de uma espécie até agora desconhecida de tartaruga que acreditam ter sido a primeira a deixar a terra e a nadar.
Diversas escavações levadas a cabo na ilha de Skye descobriram os fósseis de pelo menos seis tartarugas que aprenderam a nadar na era dos dinossauros, segundo um relatório publicado na revista Proceedings of the Royal Society.


Esqueleto de Archelon, uma tartaruga marinha gigante.


A espécie, baptizada de Eileanchelys Waldmani, representa o elo perdido na evolução das tartarugas, que paleontólogos há muito tempo procuravam.

Segundo os especialistas, a espécie recém-descoberta era um animal aquático porque os fósseis foram encontrados numa rocha que na pré-história fez parte de um lago ou uma lagoa.

Ao contrário dos de outros animais terrestres da mesma época, que estão fragmentados, os restos das tartarugas apareceram quase completos, com as suas correspondentes articulações.

Os seus membros eram mais parecidos aos das modernas tartarugas de água doce do que aos das espécies marinhas, mas acredita-se que tinham membranas entre as garras.
«A Eileanchelys Waldmani pode ser considerada com bastante certeza a primeira tartaruga aquática», assinalam os investigadores no relatório.

Segundo Jeremy Anquetin, do Museu de História Natural de Londres e um dos invetsigadores, «embora a maioria das modernas tartarugas seja de espécies aquáticas, ficou demonstrado que as mais primitivas, do Triásico (há 210 milhões de anos), eram exclusivamente terrestres».

«Agora sabemos com segurança, assinala o cientista, que já havia tartarugas aquáticas há 164 milhões de anos», acrescenta.

Texto retirado integralmente desta fonte: Diário Digital 
Foto por O. Mateus.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Homenagem a Paul Choffat


Paul Léon Choffat é um vulto incontornável na Geologia de Portugal.
Completam-se 89 anos sobre a sua morte e 100 sobre a publicação de uma das
obras mais significativas, "Essai sur la tectonique de la chaîne de
l'Arrabida" (cf. Biografia de Paul Choffat em:
http://e-geo.ineti.pt/edicoes_online/biografias/paul_choffat.htm).

O Departamento de Ciências da Terra e o Centro de Investigação em Ciência
e Engenharia Geológica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Nova de Lisboa, decidiram, em parceria com o INETI,
homenagear o Geólogo Paul Choffat através da edição fac-simile daquela
obra, há muito esgotada, ainda essencial para quem trabalhe em
estratigrafia e tectónica alpina em Portugal, nomeadamente na região da
serra da Arrábida.

A sessão de homenagem realiza-se na Reitoria da Universidade Nova de
Lisboa, no dia 28 de Novembro, às 17.30h. Poderá acompanhar o evento, em
directo, através da transmissão online, num dos seguintes endereços:

Departamento de Ciências da Terra da FTC/UNL
(  http://www.dct.fct.unl.pt/index.asp?item=destaques&Id_destaque=50 )

Geopor ( http://metododirecto.pt/geopor )

GeoporTV ( http://mogulus.com/geopor )


PROGRAMA

28.Nov.2008
17.30h - Homenagem a Paul Choffat (Reitoria da Universidade Nova de
Lisboa, Campus de Campolide)

Intervenções:
 - Presidente do Departamento de Ciências da Terra (J.Pais) – Justificação
da comemoração, agradecimentos.
- Comissão Organizadora (R. B. Rocha) – Paul Choffat, uma vida dedicada à
Ciência.
- Ana Carneiro – Paul Choffat e as Comissões Geológicas.
- Testemunho do Mr. Paul André Choffat, neto do homenageado.
- Apresentação do livro (J. C. Kullberg).
- Presidente do INETI (instituição onde P. Choffat trabalhou em Portugal).
- Embaixador da Suiça.
- Reitor da Universidade Nova de Lisboa.
- Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (ou seu
representante).


Este Post foi adaptado de uma mensagem de Paulo Legoinha para a GEOPOR

segunda-feira, novembro 17, 2008

Paleontólogos históricos II: Gideon Mantell


Mantell ficou famoso por ter sido ele a estudar um dos mais antigos registos de dinossauros: o Iguanodon, do Cretácico inferior de Inglaterra. Este dinossauro foi assim chamado pela forma característica dos seus dentes fazendo lembrar os das iguanas aos olhos do paleontólogo. Na verdade, Mantell era médico, mas dedicava-se à história natural por prazer simplesmente. Curiosamente, o Iguanodon foi entretanto descoberto em muitas outras localidade da Europa, nomeadamente na Bélgica nas minas de carvão de Bernissart (que deu origem ao nome espécie Iguanodon bernissartensis)de onde foram recolhidos inúmeros indivíduos; mas também em Portugal (descritos na monografia de Sauvage 1897-98) e na Ásia (Iguanodon orientalis).

Foi na sua publicação "Notice on the Iguanodon, a newly discovered fossil reptile, from the sandstone of Tilgate Forest, in Sussex".

sábado, novembro 15, 2008

Dinossauros com penas e origem das aves

A origem das aves dá-se a partir dos dinossauros terópodes (grupo de bípedes e carnívoros ao qual pertence o Tyrannosaurus rex). Não se pode afirmar que ocorre a transição dos dinossauros para as aves, nem sequer dos répteis para as aves, pois do ponto de vista filogenético, as aves são dinossauros e répteis. Da mesma forma que nós humanos, sob o ponto de vista filogenético, somos osteícteos (animais ósseos) e sinapsídeos (répteis mamalianos). Ou, dito de forma mais elegante, partilhamos com os peixes ósseos e répteis mamalianos um ancestral comum.Legenda: os dinossauros, são testemunhos da origem teropodiana das aves, e uma excelente evidência da evolução: A,Sinosauropteryx (espécime NIGP 127586; GMV 2123 - Holótipo); B, Caudipteryx; C, Archaeopteryx lithographica (espécime de Berlim); D, Sinornithosaurus (espécime NGMC91); E, Sinosauropteryx prima(espécime NIGP 127587); F, Protoarchaeopteryx robusta, ilium, par de pubis e fémures (NGMC 2125, espécime holótipo); G, Yixianosaurus longimanus (V12638). Destas dinossauros, só o Archaeopteryx (C) é uma ave. Fotografias A, D, E e F por Carlos Natário e as restantes (B, C e G) pelo autor. Publicado em Mateus (2008).



Como comparação, procurar a transição entre os répteis e as aves é como procurar a transição entre os mamíferos e os primatas: não existe. Isto sob o ponto de vista taxonómico lineano, é claro. Uma “caixa” não cabe noutra “caixa” do mesmo tamanho. Desembrulhando esta metáfora, a caixa “répteis” é do mesmo tamanho que a caixa “aves”, ou seja, tem o mesmo nível hierárquico na classificação lineana. Mas o que acontece é que as aves são répteis. No caso das aves, conhecem-se, pelo menos, 142 géneros de dinossauros celurossauros não-neornites, ou seja, os dinossauros terópodes precursores das aves actuais. Estes valores só contabilizam os géneros, mas o número aumenta drasticamente (para a ordem de milhares) se contarmos todos os achados e ocorrências e incluirmos todas as espécies de cada género. Alguns exemplos de dinossauros com penas (ou com características partilhadas) são o Sinosauropteryx, Beipiaosaurus, Caudipteryx, Pelicanimimus, Protoarchaeopteryx, Alvarezsaurus, Sinornothosaurus, Archaeopteryx, Microraptor, Rahoniavis, Confuciusornis, Iberomesornis, e Liaoningornis.

Mas claro que os criacionistas continuam a dizer que não é suficiente. Podíamos apresentar milhares de "fósseis de transição" que eles continuariam a dizer que não era suficiente. 

Referência: 
MATEUS, O. 2008. Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis, pp. 77-96, in Levy et al. (eds.), Evolução: História e Argumentos. ISBN: 978-989-8025-55-5.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Miguel Telles Antunes




Este post é dedicado a um importante paleontólogo português: Miguel Telles Antunes, sem dúvida um marco na paleontologia de vertebrados.

Miguel Carlos Ferreira Telles Antunes, nasceu em 11 de Janeiro de 1937 em Lisboa e cedo na sua carreira se notabilizou na paleontologia de vertebrados. 

Licenciou-se Ciências Geológicas, Universidade de Lisboa (em 1959). Doutorou-se em Geologia (Univ. de Lisboa, Abril de 1965) com um trabalho sobre a Paleontologia e a Geologia do Mesozóico e Cenozóico de Angola, que continua a ser uma referência no tema. Fez a Agregação na Universidade de Lisboa em 1968 mas integra a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde passou a Professor Catedrático. Foi Presidente do Departamento de Ciências da Terra entre 1984 e 2000. É membro da Academia de Ciências de Lisboa desde 1989. Actualmente está Jubilado, é membro do Conselho Científico do Museu da Lourinhã e é Director do Museu da Academia das Ciências de Lisboa. 

Orientou dezenas de estudantes (dos quais eu me incluo), três dos quais chegaram a Professores Catedráticos: Prof. João Luís Cardoso, Prof. João Pais e Profª. Ausenda Balbino.

M. Telles Antunes sempre foi abrangente nos interesses, rigoroso nas abordagens e profundo nas análises. Entre outros assuntos de interesse, os seus principais domínios de investigação contam-se a paleontologia dos vertebrados (desde peixes a humanos), arqueozoologia, história da Ciência, principalmente em Paleontologia e Geologia e numismática islâmica relacionada com Portugal. 
Tendo o português como sua língua materna, exprime-se em francês como um francófono e domina o inglês com mestria. Além disso conhece árabe que desenvolveu através do seu interesse pela numismática.

A ele foram-lhe dedicadas diversas espécies, entre as quais o Paragaleus antunesi (tubarão), Lourinhanosaurus antunesi (dinossauro), Diacodexi antunesi (artiodáctilo), Fluviatilavis antunesi (ave), Echinolampus antunesi (equinoderme), Gyraulus antunesi (Molusco), e a subespécie Equus caballus antunesi (cavalo).

Uma das mais notáveis qualidades é a sua capacidade de trabalho, demonstrada pelo facto de ser autor ou co-autor mais de 355 livros e artigos em revistas nacionais e internacionais.

De seguida destaco alguns trabalhos, sobretudo em dinossauros, mas não só. É apenas uma pequena selecção.

Antunes, M.T. 1961. Sur la faune de Vertébrés du Crétacé de Iembe (Angola). C. R. Acad. Sci. Paris, t. 253, p. 513 - 514. Scéance du 17 Juillet 1961.

Antunes, M.T. 1961. TOMISTOMA LUSITANICA, crocodilien du Miocène du Portugal. Rev. Fac. Ciênc. Lisboa, 2ª sér., C, IX (1), p.5 - 88, 12 pl. 

Antunes, M.T. 1964. O Neocretácico e o Cenozóico do litoral de Angola / Estratigrafia e faunas de vertebrados.  Junta de Investigações do Ultramar, Lisboa, 257 p., 27 pl.

Antunes, M.T. 1976. Dinossáurios eocretácicos de Lagosteiros. Ciências da Terra (Universidade Nova de Lisboa), 1, 35 p.

Antunes, M.T. 1975 Iberosuchus, crocodile Sebecosuchien nouveau, l'Eocène ibérique au Nord de la Chaîne Centrale, et l´origine du canyon de Nazaré. Comunic. Serv. Geol. Port., t. LIX, p. 285-330, 9 pl.

Antunes, M.T. 1975. Miocene catfishes (Ariidae, Bagridae) from Lisbon: a Nilotic (or Sudanian) type fauna. Ciências da Terra (UNL), Lisboa,10, p. 9-22, 1 pl.

Antunes, M.T. 1984. Novas pistas de Dinossáurios no Cretácico inferior- Discussão. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 70(1): 123-4.

M.T. Antunes, 1986. Sobre a história da Paleontologia em Portugal, Mem. Acad. Ciênc. Lisb. II (1986) 773–814.

M.T. Antunes 1990 Dinossauros de Sesimbra e Zambujal - Episódios de há cerca de 140 milhões de anos, (January), Sesimbra Cultural 0 (1990).

M. T. Antunes & D. Sigogneau - Russell 1991 Nouvelles données sur les Dinosaures du Crétacé supérieur du Portugal. C. R. Acad. Sc., Paris, t. 313, Série II, p. 113-119, 1991, 1 pl. 

M. T. Antunes & C. Mourer-Chauviré 1991 Présence du Grand Pingouin, Pinguinus impennis (Aves, Charadriiformes) dans le Pléistocène du Portugal. Géobios, 1991, Note brève nº 24, fasc. 2, p. 201-205. Lyon. 

Antunes, M.T. 1992. Sobre a História da Paleontologia em Portugal (ca.1919-1980). História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal no séc. XX. Publicações do II Centenário da Academia das Ciências de Lisboa, p.1003-1026, 18 fig. 

M.T. Antunes, D. Sigogneau-Russell, 1992. La faune de petits dinosaures du Crétacé terminal portugais, Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal 78 (1) (1992) 49–62.

Antunes, M.T. 1993. Lower Miocene continental-marine correlation in the Tagus basin, Portugal - mammals, planktonic foraminifera and other evidence. Annales Géologiques des Pays Helléniques, Première série, Tome trent-sixième, p.531-538, 1 fig. Atenas. (Volume datado de 1993-1995).

M.T. Antunes, D. Sigogneau-Russell, 1995. O Cretácico terminal português e o seu contributo para o esclarecimento da extinção dos dinossauros, Mem.Acad. Ciênc. Lisb. 35 (1995) 131–144.

M.T. ANTUNES & D. Sigogneau-Russell 1996 Le Crétacé terminal portugais et son apport au problème de l'extinction des Dinosaures. Bull. Mus. nat. Hist. nat., Paris, 4e série, 18, 1996, Section C, no 4, p.595-606. 

I. Mateus, H. Mateus, M. T. Antunes, O. Mateus, Ph. Taquet, V. Ribeiro & G. Manuppella 1997. Couvée, oeufs et embryons d'un Dinosaure Théropode du Jurassique supérieur de Lourinhã (Portugal). C.R.Acad.Sci.Paris, Sciences de la Terre et des Planètes, 1997, 325, p.71-78, 7 fig.

Telles Antunes & João Pais 1997 Debasement of gold coinage in the al-Andalus under the Muluk al-Tawa’if (Taifas Kings – 5th Century H. / XI Century AD). Memórias da Academia das Ciências de Lisboa/ Classe de Ciências, Tomo XXXVI (1996-1997), pp. 257-278, 3 est.

M.T. Antunes 2000, Paleontologia e Portugal, Colóquio Ciência, Revista de Cultura Científica 25 (2000) 54–75.

Antunes, M. T.; Cunha, A. Santinho; Schwartz, J. H. & Tattersall, I. 2000. The latest Neanderthals: evidence from Portugal. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa/ Classe de Ciências, t. XXXVIII, p.283-317, 1 fig., 4 tab., 7 pl. 

M.T. Antunes, 2001. The earliest illustration of dinosaur footprints, Abstr. INHIGEO Meeting, Lisboa, 2001.

Mateus, O. & Antunes, M. Telles 2001 Draconyx loureiroi, a new Camptosauridae (Dinosauria, Ornithopoda) from the late Jurassic of Lourinhã, Portugal. Annales de Paléontologie (2001) 87, 1: 61-73. Elsevier. Paris. 

Ricqlès, A. de; Mateus, O.; Antunes, M. Telles & Taquet, Ph. 2001 Histomorphogenesis of embryos of Upper Jurassic Theropods from Lourinhã (Portugal). C. R. Acad. Sci. Paris, Sciences de la Terre et des planètes/ Earth and Planetary Sciences 332 (2001) 647-656, 2 fig. 

Antunes, M. T. & Cappetta, H.-C. 2002. Sélaciens du Crétacé (Albien-Maastrichtien) d’Angola. PALAEONTOGRAPHICA/ BEITRÄGE ZUR NATURGESCHICHTE DER VORZEIT Abteilung A: Paläozoologie – Stratigraphie, Band 264, Lfg. 5 – 6, p. 85-146, 3 fig., 12 pl. E. Schweizerbart’sche Verlagsbuchhandlung (Nägele u. Obermiller), Stuttgart 2002.

Antunes, M. Telles & Taquet, P. 2002. Le Roi Dom Pedro V et le paléontologue Alcide d’Orbigny: un episode des relations scientifiques entre le Portugal et la France. C.R. Palevol 1 (2002), p. 639-647, 4 fig.

Antunes, M. T. 2003. The earliest illustration of Dinosaur footprints. INHIGEO MEETING portugal 2001/ Geological resources and History june 24th-july 1st/ 2001/ Universidade de Aveiro/ PROCEEDINGS: 115-123, 8 fig. 

Antunes, M. Telles & Mateus, O. 2003 Dinosaurs of Portugal. C.R. Palevol 2 (2003), p. 77-95, 17 fig 

Antunes, M.T. 2003. Alexandre Rodrigues Ferreira, D. Vandelli & E. Geoffroy Saint-Hilaire/ Aspectos da História, Novos dados e Interpretação. Viagem ao Brasil de Alexandre Rodrigues Ferreira II, pp.11-21. Kapa Editorial/ Academia Brasileira de Ciências, FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos/ Ministério da Ciência e Tecnologia.

Antunes, Miguel Telles, Balbino, Ausenda C. & Ginsburg, L. (2006) – Miocene Mammalian footprints in coprolites from Lisbon, Portugal. Annales de Paléontologie, (Janvier-Mars 2006), Vol. 92, pp.13-30. 

Antunes, Miguel Telles, Balbino, Ausenda C. & Ginsburg, L. (2006) – Ichnological evidence of a Miocene rhinoceros bitten by a bear-dog (Amphicyon giganteus). Annales de Paléontologie (Janvier-Mars 2006), Vol. 92, pp. 31-39. 

Jacobs, Louis L.; Mateus, Octávio; Polcyn, Michael J.; Schulp, Anne S.; Antunes, Miguel Telles; Morais, Maria Luísa & Tavares, Tatiana da Silva 2006. The occurrence and geological setting of cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. J. Paleont. Soc. Korea, vol. 22, No.1, (2006): 91-110, 12 figs. 

Mateus, Octávio; Walen, Aart & Antunes, Miguel Telles 2006 The large Theropod fauna of the Lourinhã Formation (Portugal) and its similarity to the Morrison Formation, with a description of a new species of Allosaurus. Foster, J.R. and Lucas, S.G.R.M., eds., 2006, Paleontology and Geology of the Upper Jurassic Morrison Formation. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 36, pp. 1-7, 7 fig.


Miguel Telles Antunes foi meu orientador de trabalho de fim de curso e doutoramento. Costumo dizer, carinhosamente, que ele é o meu pai na paleontologia. É uma pessoa que eu admiro muito. Obrigado!






Paleontólogos históricos I: Barnum Brown


Não sei bem porquê mas o que dantes me parecia uma grande seca - história da ciência - cada vez aprecio saber mais sobre sobre este domínio. Talvez por tomar consciência do legado histórico que recai sobre os ombros dos novos cientistas... mas essa parece uma explicação demasiado racional: o que é certo é que gosto!

Barnum Brown (1863-1963) epitomiza o sonho de qualquer paleontólogo. Ele foi contemporâneo de Marsh e Cope (que serão abordados a seu tempo) no início da sua carreira e foi um exímio descobridor de fósseis. Aliás, foi esta característica de excepção que o levou a arranjar emprego no American Museum of Natural History e a que tomasse a alcunha de Mister Bone. Apesar de não ser tão prolífico como Marsh e Cope - relembro que Marsh erigiu 80 géneros e espécies de dinossauros, hoje muitos deles sinónimos contudo - as suas valências para descobrir fósseis contrabalançavam de longe essa lacuna. Entre os vários dinossauros que nomeou destacam-se o Ankylosaurus, Corythosaurus, Pachycephalosaurus. Barnum Brown viveu num período ao qual hoje em dia se chama a "primeira dinossauromania", a segunda viveu-se nos anos 1980 e julgo decorrer até hoje. Na altura os dinossauros eram o motivo de deslumbramento de todos porque eram novidade.


Não tenho nenhuma referência para atestar estes factos, são coisas que a minha memória foi involuntariamente guardando.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Stegosaurus no Museu da Lourinhã


Durante uns anos, uma réplica de um esqueleto completo do dinossauro Stegosaurus era a peça central na sala da paleontologia do Museu da Lourinhã, o que fazia as delícias dos visitantes, tendo sido substituído o ano passado por outro dinossauros semelhante, o Dacentrurus armatus

Aqui ficam algumas fotografias do testemunho da passagem deste esqueleto pela Lourinhã. 



quarta-feira, novembro 12, 2008

O dinossauro Dinheirosaurus lourinhanensis

Espécie: Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte & Mateus 1999 

Taxonomia: Sauropoda: Diplodocidae 
Idade: Jurássico superior, 150 milhões de anos 
Elementos conhecidos: vértebras cervicais e dorsais 
Distribuição: Portugal 

Etimologia: Lagarto (=saurus) de [Porto] Dinheiro e Lourinhã 

Tamanho: 25 metros de comprimento. 
Regime alimentar: herbívoro 
Código: ML414

  Comentário: O Dinheirosaurus é um grande dinossauro saurópode da mesma família que o Diplodocus. Este animal só é conhecido a partir de vértebras cervicais e dorsais além de várias costelas, mas ainda sim os paleontólogos ainda pode determinar que o seu comprimento corporal que atingiria os 25 metros de comprimento. Dentro da caixa torácica foram encontrados mais de cem gastrólitos alguns deles tão grandes como um punho. Os gastrólitos são seixos que eles engoliam para moerem os alimentos. Os dinossauros e outros répteis não tinham quaisquer molares, logo não podiam mastigar o material vegetal, pelo que engoliam estas pedras como as aves fazem, hoje em dia. 

Dinheirosaurus, Diplodocus e outros diplodocídeos tinham longos pescoços e caudas. Eles usaram o pescoço para cobrir uma área maior sem mover todo o corpo e a cauda como um chicote para se defenderem. 
Os d
iplodocídeos e os outros saurópodes estão entre os animais com menor cérebro em relação ao tamanho do corpo, mas esse pequeno cérebro foi uma grande vantagem evolutiva, pois permitiu uma adequada oxigenação cerebral, enquanto o saurópode levantava a cabeça, apoiando-se sobre as patas traseiras para comer mais alto, na copa das árvores

Tal como todos os outros dinossauros de Portugal, não se conhece o esqueleto completo, mas uma série de vértebras e costelas do pescoço e dorso. Também este é uma espécie única no mundo e o holótipo está exposto no Museu da Lourinhã.

Ref:

BONAPARTE, J.F., & MATEUS, O. (1999). A new diplodocid, Dinheirosaurus lourinhanensis gen. et sp. nov., from the Late Jurassic beds of Portugal. Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales. 5(2): 13-29. PDF

terça-feira, novembro 11, 2008

Dinossauros e outros vertebrados mesozóicos de Portugal

Dinossauros e outros vertebrados mesozóicos de Portugal

Integrada na comunicação “O Museu da Lourinhã, os dinossauros e o novo Museu do Jurássico” por Octávio Mateus e Hernâni Mergulhão, proferida no V Seminário do Património do Oeste a 25 de Outubro de 2008

Por Octávio MATEUS
Museu da Lourinhã e Univ. Nova de Lisboa
omateus@museulourinha.org

 

 A riqueza de dinossauros em Portugal

Tendo em consideração a sua dimensão, Portugal é um dos países mais ricos em vertebrados fósseis mesozóicos.

 Se olharmos para o número de géneros de dinossauros, com 25 dinossauros, Portugal aparece em sétimo lugar no ranking mundial, apenas precedido dos Estados Unidos (com 140 géneros), China (131), Argentina (64), Mongólia (62), Canadá (44) e Reino Unido (40) e seguido por França (23), Brasil (18) e África do Sul (16). Contudo, para a área do país, Portugal é destacadamente o mais rico destes países no que respeita a dinossauros.
Os dinossauros e outros vertebrados ocorrem na chamada Bacia Lusitânica e na Bacia Algarvia, sendo a maioria do Jurássico superior da região Oeste, sobretudo do Concelho da Lourinhã e Mina da Guimarota. Na Lourinhã, as recolhas têm sido feitas, essencialmente ao longo da costa devido à disponibilidade de afloramentos.

Os dinossauros viveram durante a era Mesozóica (de há 65 até 220 milhões de anos), que se divide em Triásico, Jurássico e Cretácico. Alguns dos dinossauros mais famosos são do Cretácico, mas em Portugal o Jurássico superior (de há 159 a 144 milhões de anos) é, de longe, o período mais rico. Deste período são 21 das 25 espécies de dinossauros do nosso país, que representam os principais grupos de dinossauros: os terópodes (que significa pés de besta) são carnívoros bípedes, os saurópodes (pés de réptil) são gigantes de pescoço comprido, os ornitópodes (pés de ave) são herbívoros bípedes e os tireóforos (portadores de placas) são quadrúpedes couraçados.

Por serem do Jurássico Superior (com aproximadamente 150 milhões de anos) os dinossauros como o Lourinhanosaurus, Draconyx ou Lusotitan são 85 milhões de anos mais antigos que alguns dos famosos dinossauros do Cretácico terminal (65 M.a.) como o Tyrannosaurus rex. Ou seja, quando o T. rex apareceu já estes dinossauros eram fósseis há cerca de 85 milhões de anos.

O mundo do Jurássico Superior

Mas nem só dinossauros povoaram a Bacia Lusitânica durante o Jurássico superior e ocorrem vestígios de outro vertebrados como os anfíbios, tartarugas, lagartos, plesiossauros, coristodiras, crocodilomorfos e pterossauros.

O mundo jurássico também era muito diferente do que conhecemos hoje: a Índia, Austrália e Antártica estavam juntas num único continente no pólo sul. Os continentes de África e América do Sul estava junto e não havia Atlântico Sul. A Europa era um arquipélago, do qual fazia parte uma ilha, o “bloco Ibérico”, que hoje corresponde a Portugal e Espanha. Como o Atlântico Norte tinha sido formado há pouco tempo, a América do Norte não estava muito afastada da Ibéria, o que explica a presença dos mesmos géneros de dinossauros nas duas áreas. Além disso a linha de costa de Portugal era igualmente distinta da de hoje pois um mar interior entrava no que é hoje a área de Setúbal a Lisboa e percorria até Aveiro, bordeado por uma cordilheira a oeste, do qual as Berlengas são o último vestígio visível. Ou seja, na Região Oeste, a área da Lourinhã tinha o plano de costa invertido relativamente ao actual: mar a leste e montanhas a oeste.


Os dinossauros de Portugal

Não cabe aqui abordar exaustivamente todas as espécies de dinossauros de Portugal, pelo que se chama a atenção a algumas mais emblemáticas e com maior importância regional.

Dacentrurus armatus é um dinossauro herbívoro quadrúpede semelhante ao Stegosaurus. Embora esta espécie ocorra também em Inglaterra, França e Espanha, em Miragaia, perto da Lourinhã, foi recolhido o mais completo exemplar que compreende a metade anterior do animal, incluindo parte do crânio, o primeiro na Europa para este grupo de animais. Os crânios são muito raros e difíceis de encontrar pois desagregam-se com facilidade e não fossilizam tão facilmente. A reconstituição do esqueleto completo está em exposição no Museu da Lourinhã.

Draconyx loureiroi é um dinossauro herbívoro bípede apenas conhecido em Portugal. Quando foi descrito, em 2003, reconheceu-se que era uma nova espécie para a Ciência, pelo que pode receber um novo nome: Draco significa dragão, e onyx significa garra, porque as garras deste dinossauro foram dos primeiros ossos a serem recolhidos; loureiroi honra o primeiro paleontólogo, João de Loureiro. Como o fóssil do Museu da Lourinhã foi o primeiro a ser reconhecido desta espécie ele é um exemplar de referência, a que os paleontólogos apelidam de holótipo. Os holótipos são de grande importância entre os cientistas pois são os exemplares de referência mundial para esta espécie.

Dinheirosaurus lourinhanensis é um saurópode descoberto na Praia de Porto Dinheiro, na Lourinhã, o que lhe deu o nome. Trata-se do dinossauro português mais comprido e estima-se que teria 25 metros. Tal como todos os outros dinossauros de Portugal, não se conhece o esqueleto completo, mas uma série de vértebras e costelas do pescoço e dorso. Também este é uma espécie única no mundo e o holótipo está exposto no museu lourinhanense.

Lusotitan atalaiensis deve o seu nome por ser o titã lusitano, vindo de Atalaia, uma aldeia costeira do concelho da Lourinhã. Foi descoberto na década de 1940 e julgava-se ser um dinossauro muito semelhante chamado Brachiosaurus, mas estudos ulteriores confirmaram tratar-se de um novo género. Apesar de não ser o mais longo, este devia ser o mais alto e mais pesado dinossauro de Portugal. Tinha, possivelmente, 12 metros de altura e cerca de 20 de comprimento.

Torvosaurus tanneri foi o maior predador terrestre do Jurássico tendo sido descoberto nos Estados Unidos e Portugal. O exemplar português inclui parte do crânio, com quase um metro e meio de comprimento, e dentes de 15 cm semelhantes a facas. O crânio deste carnívoro é a mais recente incorporação na exposição permanente do Museu da Lourinhã.

Lourinhanosaurus antunesi é, possivelmente, o dinossauro mais emblemático da Lourinhã. É um dinossauro carnívoro de médio porte, isto é, cerca de 4,5 metros de comprimento, que recebeu o nome em dedicação à vila da Lourinhã e ao paleontólogo português [Miguel Telles] Antunes, colaborador do Museu da Lourinhã, onde se encontra o exemplar de referência, o holótipo. Além do esqueleto ser o mais completo dinossauro carnívoro de Portugal, também se encontraram ovos e embriões o que é uma descoberta de importância global. São os segundos mais antigos embriões de dinossauro conhecidos e permitiram aos paleontólogos conhecer mais sobre a reprodução, crescimento e nidificação dos dinossauros carnívoros.

 

Pegadas

Além dos ossos fósseis, Portugal é muito rico em pegadas de dinossauros, com mais de de uma trintena de jazidas, o que permite conhecer outras vertentes destes animais, tal como partes do seu comportamento e velocidade de deslocação. Além disso as pegadas dão a ocorrência da presença de dinossauros em áreas e idades geológicas nas quais não se conhecem ossos.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Sistemática lineana vs. cladística

Diferença na classificação taxonómica linneana (A) e filogenética (B) (retirado de Mateus, 2008)
Os métodos de classificação dos animais mudaram radicalmente ao longo dos tempos. Devemos ao sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) a sistematização das classificações taxonómicas e ao que ainda hoje denominado o método lineano, mas Willi Hennig (1913-1976) revolucionou a sistemática com a apresentação de uma ideia genialmente simples: a evolução e organização das espécies deverá obedecer a regras de parcimónia. 
Na figura vemos a classificação dos vertebrados numa perspectiva (A) lineana, desactualizada, e (B) filogenética, mais moderna. Antes da compreensão da evolução e da classificação filogenética, os paleontólogos tinham dificuldades em classificar animais como o Acanthostega, Cyclotosaurus, Dimetrodon e Archaeopteryx, que partilhavam características entre dois grupos de animais, sendo encarados como “fósseis de transição”. Actualmente estes têm o seu lugar bem definido na árvore filogenética e o atributo de “fóssil de transição” já não faz sentido. Repare-se que o grupo dos “peixes” já não é empregue por ser parafilético. A primeira metodologia de classificação foi proposta por Carolus Linnaeus e a segunda por Willi Hennig , nas imagens respectivamente.

A imagem acima foi publicada em:
MATEUS, O. 2008. Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis, pp. 77-96, in Levy et al. (eds.), Evolução: História e Argumentos. ISBN: 978-989-8025-55-5.  

domingo, novembro 09, 2008

Quatro grandes livros sobre evolução

No que respeita grandes livros sobre evolução, apresento aqui uma selecção de importantes e geniais obras que dão uma perspectiva que julgo abrangente da evolução. Essenciais para qualquer investigador ou estudante que estude a selecção natural.


 

1) Origem das Espécies, de Charles Darwin. Publicações Europa-América
 Além de ser um clássico e um marco histórico, está genialmente bem escrito e é seguramente um dos livros que mais influenciou a humanidade.



2) The Diversity of Life, de E.O. Wilson. (desconheço se há edição em português)
  Dá uma perspectiva da evolução e mostra que a diversidade é um subproduto da mesma. É o melhor livro para compreender a maravilha da biodiversidade.
Link Google Books


   
3) O Gene Egoísta, de Richard Dawkins. Gradiva.
Introduz a noção de que os genes são a unidade principal da evolução e mostra-a como uma luta constante que os genes têm para sobreviver.
Link Google Books




4) The Mating Mind, de Geoffrey Miller. (desconheço se há edição em português)
  Explica a evolução humana de forma quase desconcertante: o nosso cérebro evoluiu essencialmente como um carácter sexual secundário, ou seja, somos inteligentes para impressionar o(a) parceiro(a).
Link Google Books


Votos de boa leitura!

Berbicachos taxonómicos


Muitas vezes nomear novas espécies e géneros é mais uma arte que uma ciência, isto especiamente antes do advento da filogenia que facilita em larga escala o trabalho dos taxonomistas. No século XIX (e até mesmo uma durante parte do século XX) novas espécies e géneros eram erigidos em notas de rodapé ou em legendas de figuras e, claro, sem uma diagnose adequada. Geralmente só muito tempo depois é que este material era novamente revisto e estudado convenientemente de modo a aferir a validade destes novos taxa, muitos deles continham problemas... já num post anterior me referi ao "disparate" que era o género Steneosaurus (um crocodiliforme do clado Thalattosuchia), com mais de cinquenta espécies atribuídas a esse género. Mas especialmente no clado Dinosauria - que tem sido alvo de extensa análise nos últimos tempos - os berbicachos taxonómicos acumulam-se como nos seguintes géneros: Hadrosaurus, Titanosaurus, Triceratops... Pode ser realmente muito confuso rever a validade destes taxa, principalmente na paleontologia, com espécimes incompletos ou dispersos por vários museus e, com a agravante de que as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica não são nada fáceis. Na verdade, não é só a questão da sinonímia (espécies/géneros erigidos que afinal eram iguais a outras entretanto já erigidas também)... são também os nomen oblitum, os nomen dubium, os nomen vadum, nomen nudum, ou os nomes previamente ocupados. E ora porque nos devemos preocupar em saber se este ou aquele género baseado em determinado material está bem ou mal nomeado? É que as espécies e os géneros servem de base para estudos mais abrangentes... Como é que então se poderia fazer uma lista de todas as espécies de dinossauros, por exemplo, se na verdade uma boa percentagem de nomes dessa lista não são válidos? Como extrapolar sobre a biodiversidade de um dado grupo ou sobre as origens de um outro se não sabemos que espécies existiram realmente? Foi por isso que Mike Benton, um prestigiado paleontólogo da Universidade de Bristol, Inglaterra decidiu aferir... Em suma ele pretendia responder à seguinte pergunta: se eu quiser fazer uma lista de todos os dinossauros qual é o risco que corro de que essa lista esteja mal construída? Ele realmente chegou a conclusões interessantes, entre as quais: cerca de 50% dos nomes de dinossauros são sinónimos, uma boa porção dos taxa são baseados em material muito fragmentário (o que faz com que se possam nomear dois géneros diferentes com base em material diferente, um dente e um fémur, por exemplo... que pode na realidade pertencer a um mesmo género), a descoberta de novos taxa está geralmente associada à exploração de novas bacias. E uma série de outras cnclusões de elevada importância. O melhor mesmo é consultar o artigo, aqui fica a referência:

Benton, M. J. 2008 How to find a dinosaur, and the role of synonymy in biodiversity studies. Paleobiology 34(4): 516-533.

Se não tiverem acesso ao artigo eu posso, como é claro, disponibilizá-lo.

sábado, novembro 08, 2008

Brilhante

No céu brilhou mais uma estrela a 7 de Novembro de 1913.
E, se me tivesse lembrado de escrever isto ontem, teriam feito 95 anos desde então.

Sempre que falamos em Teoria da Evolução recordamos sempre um só nome e nem nos apercebemos que a publicação que fundou essa mesma teoria foi assinada a quatro mãos.

Sobre a Tendência das Espécies formarem Variedades; e sobre a Perpetuação de Variedades e Espécies por Meios de Selecção.

Foi apresentada à Linnean Society a 1 de Julho de 1858 e deu o pontapé de saída para uma mudança na forma de pensar o mundo natural. A biologia nunca mais foi a mesma.

Obrigado Wallace por tudo.




Aqui a página Alfred Russel Wallace.





Publicado simultâneamente no Conjurado

Os plesiossauros, os senhores dos mares mesozóicos

Os plesiossauros são um grupo de répteis marinhos que viveram no era Mesozóica, entre os 220 milhões de anos e os 65 milhões de anos atrás, tendo-se extinto ao mesmo tempo que os dinossauros. 
Plesiosaurus, por Xavier MacPherson (Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros do Museu da Lourinhã)

Apesar do nome também terminar em “ssauros” e de serem contemporâneos dos dinossauros, são apenas primos muitíssimo afastados destes últimos. Além disso, os plesiossauros dominaram os mares, enquanto que os dinossauros dominavam a terra durante o Mesozóico.
Com cauda curta, corpo largo e barbatanas poderosas, os plesiossauros manobravam as barbatanas de forma a nadarem com uma técnica algo semelhante à dos pinguins de hoje,
que parecem voar dentro de água.

Existiram dois grandes grupos de plesiossauros: os pliossauros, com o pescoço curto e cabeça
grande, e os plesiossauróides de pescoço comprido e uma cabeça pequena. A forma que a maioria
das pessoas mais facilmente associa a um plesiossauro é o mitológico monstro de Loch Ness.
É curioso que muitas vezes tenhamos de recorrer a uma figura mitológica de um animal que não existe e nunca existiu, como o deste lago escocês, para explicarmos o que é um plesiossauro, um animal que existiu, de facto, há milhões de anos. 

Os plesiossauróides eram piscívoros, isto é, o seu regime alimentar era essencialmente constituído por peixe. Para caçar o peixe percorriam os oceanos e perseguiam os peixes com o seu enorme pescoço flexível, capturando-os com a boca. Esta estava munida de dentes finos e
recurvados para trás, com fiadas de estrias verticais, de modo a segurar bem os fugidios peixes.

No Cretácico superior (no fim da era Mesozóica) os plesiossauros começaram a ter a companhia de outros gigantes dos oceanos mesozóicos, os mosassauros. Estes répteis eram aparentados aos lagartos monitores, dos quais o actual Dragão de Komodo é um magnífico exemplo.
Locomoviam-se de forma distinta pois usavam o ondular da sua enorme cauda achatada lateralmente para propulsar o corpo estreito, enquanto que as barbatanas eram pequenas e eram utilizadas essencialmente para mudar de direcção. 
Em Portugal há muito poucos vestígios de plesiossauros. 

Para saber mais sobre estes animais pode consultar o resumo sobre os répteis Mesozóicos marinhos (ictiossauros, plesiossauros e mosassauros) de Portugal: 
Short review on the marine reptiles of Portugal: ichthyosaurs, plesiosaurs and mosasaurs. Journal of Vertebrate Paleontology. Journal of Vertebrate Paleontology, 27(suppl. to 3): 57A. 
Também disponível em http://omateus.googlepages.com/JVP07_supplement_to_3.pdf

Homenagem a Choffat



Paul Choffat foi o verdadeiro pioneiro da Geologia de Portugal. Foi ele que esboçou os primeiros cortes geológicos, foi ele que interpretou as primeiras formações, foi ele que recolheu os primeiros fósseis e o seu legado é ainda hoje uma preciosa fonte de informação. É certo que outros antes dele também fizeram um trabalho meritório na Geologia de Portugal, mas é - sem margem para dúvidas - o seu trabalho o mais influente entre os pioneiros.

A FCT/UNL decidiu também homenagear o seu trabalho, clicar aqui.

Para saber mais sobre a sua biografia, clicar aqui.

Charles Darwin na Universidade de Coimbra


Isto não é propriamente um post sobre uma visita de Charles Darwin a Coimbra (que nunca ocorreu) nem sobre uma exposição sobre ele naquela bela cidade. É para aqueles que gostam da bela cidade de Coimbra e apreciam o espírito histórico e universitário daquelas ruas, praças e becos (como eu) e que são fãs de Charles Darwin (como eu).

Em plena praça de D. Dinis, no centro da Universidade de Coimbra, existe um painel escultórico de Darwin, em que se vê o mesmo segurando um crânio de hominídeo. No painel também se observa uma reconstituição e ossos de um cavado primitivo e repare-se que tem três dedos bem desenvolvidos e mais um atrofiado o que leva a pensar que se trata de um Euhippus
Gostei e não resisti em fazer um post com esta fotografia. A escultura está assinada por "Angélico 1960".


quinta-feira, novembro 06, 2008

Mosassauros, ictiossauros e plesiossauros

Dinossauros marinhos? Não! Na verdade estes répteis marinhos do mesozóico nem sequer são próximos dos dinossauros.

Plesiosaurus por Xavier MacPherson

Os plesiossauros (acima) são membros dos Sauropterygia viveram durante quase todo o Mesozóico. Usavam sobretudo as barbatana para locomoção.

Os mosassauros (abaixo) são aparentados com os lagartos monitores, dos quais o Varano de Komodo é o mais famoso. Viveram durante o Cretácico Superior. Oscilavam todo o corpo, com auxílio da comprida cauda para propulsão.

 Mosasaurus por Brian Choo

Mosasaur por Hans-Dieter Zeschke


Os ictiossauros (abaixo) viveram durante quase todo o Mesozóico, mas tiveram o seu máximo durante o Jurássico. Usavam a cauda em forma de barbatana para nadarem.

Platypterygius por Brian Choo

As imagens fazem parte do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros organizado pelo Museu da Lourinhã.

Ver também este post: http://lusodinos.blogspot.com/search/label/Ictiossauros


Morreu Michael Crichton, o criador de "Parque Jurássico"

Hoje é um dia triste para todos nós, pois morreu o homem que escreveu o "Parque Jurássico". A ele devemos a criação de uma obra que influênciou muitos de nós a gostar e perseguir carreiras na área da paleontologia. Aqui fica a homenagem e um muito obrigado a este criador de fantásticas histórias!

Notícia (em inglês): http://ap.google.com/article/ALeqM5hwqg5YsJqDBamy8X_c4f2AdN1FkgD94904FG0



quarta-feira, novembro 05, 2008

Yes, we can!

Este post nada tem a haver com dinossauros, nem com paleontologia... mas não resisto:

Parabéns Obama! Parabéns povo americano! Hoje cumpriu-se o verdadeiro sonho americano.
Esperamos ver um novo fôlego na aposta na Ciência.

Foto daqui.

YES, WE CAN!

domingo, novembro 02, 2008

Fósseis da Lourinhã integram estudo sobre os ossos de defesa dos dinossauros couraçados

Dinossauros da Lourinhã integram estudo sobre os ossos de defesa dos estegossauros e anquilossauros

O estudo realizado por investigadores de instituições de quatro países, entre as quais o Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa, analisou a microestrutura dos ossos de anquilossauros e estegossauros, que são do grupo dos dinossauros couraçados, os tireóforos. Estes animais tinham o corpo com placas e espinhos que serviam para sua protecção. Este estudo, liderado pelo japonês Shoji Hayashi da Universidade de Hokkaido, foi apresentado no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados no final de Outubro e vem precisamente abordar a histologia (estudo dos tecidos) e estrutura destas placas e espinhos.

Esqueleto do dinossauro estegossauro que foi usado nas investigações.

 

Para tal, ossos do dinossauro Dacentrurus, em exposição no Museu da Lourinhã, foram analisados numa tomografia computorizada e feitos pequenos cortes nos ossos, para se estudar a estrutura interna através de lâminas delgadas dos ossos observadas a microscópio.

Os resultados indicam ainda que os anquilossauros e os estegossauros usaram diferentes estratégias evolutivas para desenvolver armas defensivas.

Os espinhos dérmicos dos anquilossauros e estegossauros são semelhantes na forma geral, mas as suas características estruturais e histológicos são diferentes por possuírem estruturas peculiares de fibras de colagénio nos anquilossauros e fortes espinhos compactos nos estegossauros, o que lhes fornecia suficiente resistência para usá-los como armas defensivas. O colagénio é uma proteína de importância fundamental na constituição dos tecidos, sendo responsável por grande parte de suas propriedades físicas.

 

Além das instituições portuguesas, contou com a participação da Universidade de Hokkaido, no Japão, Museu de História Natural de Denver, nos EUA, Laboratórios Hayashibara, no Japão, e Academia de Ciências da Mongólia.



Microestrutura dos ossos de anquilossauro. 

 

Referência:

Hayashi, S., K. Carpenter, M. Watabe, O. Mateus, and R. Barsbold. 2008. Defensive weapons of thyreophoran dinosaurs:    histological comparisons and structural differences in spikes and clubs of ankylosaurs and stegosaurs. Journal of Vertebrate Paleontology 28 (3, Supplement): 89A-09A. 

Resumo em PDF 

sexta-feira, outubro 31, 2008

Tectónica de placas... nos anos 30


De vez em quando quando procuro por artigos aparecem umas pérolas engraçadas. É interessante vermos que quando as coisas não batem certo na ciência, os factos têm que ser "forjados" a adaptar-se ao paradigma actual... Realmente o podia fazer Moodie na sua tese de doutoramento, quando a teoria tectónica de placas ainda não tinha sido postulada, quando ainda não se tinha sequer vasculhado o fundo dos oceanos e detectado a crista médio-Atlântica. Reparem que no mapa está hipotetizada uma grande mancha de terra ligando a América do Sul e África... pudera! Não havia explicação possível para a semelhança de faunas entre estes dois continentes senão...ligar os dois continentes, assumindo que os continentes não se "moviam" relativamente uns aos outros. O mesmo para a posição da Índia!