quarta-feira, outubro 22, 2008

Fósseis de Angola na National Geographic

Quem ver a National Geographic Portugal deste mês (Outubro 2008) poderá ler um artigo "Predadores do Oceano Primitivo" sobre as nossas investigações de paleontologia em Angola, integradas no Projecto PaleoAngola que conta com financiamento da National Geographic Society e Petroleum Research Fund.


  

  

  

  

  

 

Estas fotos são de vários autores, incluíndo Carlos Natário, Octávio Mateus, Anne Schulp, Hillsman Jackson, Louis Jacobs e Kurt Fergunson.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Conferência Internacional


Decorreu nos passados dias 13 e 14 de Outubro a "Conferência Internacional - As Geociências no Desenvolvimento das Comunidades Lusófonas" no qual participámos presencialmente. Esta conferência realizou-se na Universidade de Coimbra.

domingo, outubro 19, 2008

Um pouco da história da publicação Sauvage (1897-1898)


Paul Choffat, geólogo de profissão, suiço de origem e recrutado então pela Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal tinha por missão cartografar o Mesozóico português. No decorrer do seu trabalho de campo, Choffat encontrou ínumeros vestígios de vertebrados, desde peixes a ictiossauros, desde o Cabo Espichel a São Pedro do Sul. Aconteceu que, Choffat não estava minimamente preocupado esses achados, pois as suas atenções incidiam principalmente na cartografia e... o intresse bioestratigráfico dos vertebrados era então considerado limitado, pelo que datações relativas dificilmente se poderiam obter com base nesses vestígios. Foi assim que Choffat decidiu entregar os espécimes recolhidos ao preeminente paleontólogo francês da altura: Henri-Emile Sauvage. Este assim descreveu nas edições da Direcção dos Trabalhos Geológicos o material recolhido até então, e, esta publicação é ainda hoje - sem dúvida - um marco histórico na paleontologia de vertebrados de Portugal.
Para uma melhor contextualização da época dois pontos de vista têm de ser tidos em linha de conta, por um lado o furor ao virar do século XX que existia na Europa sobre a paleontologia no geral, e, por outro, a libertação de fundos pela maioria dos governos europeus para a investigação/cartografia dos recursos geológicos nacionais. O primeiro ponto tem que ver com o desabrochar da paleontologia enquanto ciência e, por motivos que ainda hoje estão para descobrir, o fascínio pelos fósseis que desde sempre moveram as pessoas. O segundo ponto é igualmente crucial, pois aliado ao facto de se perceber melhor o potencial dos recursos geológicos do país, vinham os fósseis; que, sem a mobilização dos recursos monetários suficientes nunca permitiriam que a publicação de Sauvage e de tantas outras na Europa fosse possível.


Este post foi inspirado numa conversa e conhecimentos de Carlos Natário, de modo que partilho a autoria com ele.

segunda-feira, outubro 13, 2008

X Congresso Luso-Espanhol de Herpetologia


A nossa equipa (Octávio Mateus, Carlos Natário, Ricardo Araújo e Rui Castanhinha) vai participar no próximo congresso Luso-Espanhol de Herpetologia. Temos novidades interessantes para a paleontologia de vertebrados de Portugal, por isso é só dar um pulinho até Coimbra nos próximos dias 15 a 18 de Outubro (a nossa comunicação oral será no sábado). Aqui vai o link para mais informações.

sábado, outubro 11, 2008

Imagens (sábado)

E termino com um crânio de crocodilo com os ossos todos separados. Uma pequena maravilha para qualquer anatomista!



















(clicar na foto para aumentar)




Publicado simultaneamente no Conjurado

sexta-feira, outubro 10, 2008

C. Darwin

Façam-me um favor e apareçam. Já fazia falta uma iniciativa assim...






A Fundação Calouste Gulbenkian vai assinalar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e, simultaneamente, a passagem de 150 anos sobre a publicação da obra “A Origem das Espécies” com uma exposição intitulada A Evolução de Darwin, a realizar entre 12 de Fevereiro e 24 de Maio de 2009.

Um ciclo de conferências - No Caminho da Evolução – vai anteceder esta mostra, estando a primeira sessão marcada já para o próximo dia 15 de Outubro, 4ª feira, às 18h, no Auditório 2 da Fundação. Na ocasião será lançado o livro “A Origem das Espécies de Darwin” de Janet Browne, professora de História da Ciência na Universidade de Harvard e biógrafa de referência de Charles Darwin.

Carlos Marques da Silva abrirá este ciclo de conferências com uma comunicação intitulada Entre o Céu e a Terra. Professor no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador no Centro de Geologia da mesma Universidade, Marques da Silva vai focar a importância da formação geológica de Darwin que lhe permitiu desenvolver um trabalho importante no domínio das Ciências da Terra.

A Teoria da Evolução por Selecção Natural pressupõe a existência de um tempo geológico muito extenso que permitiu as mudanças evolutivas que geraram a biodiversidade que actualmente conhecemos. Juntamente com a questão da “origem simiesca” da Humanidade, este tema suscitou reacções arrebatadas por parte da conservadora sociedade vitoriana inglesa da segunda metade do séc. XIX, alimentando variadas e calorosas polémicas.



Publicado simultaneamente no Conjurado

Retirado da Gulbenkian

Carta aberta ao site de anúncios “Ocasião” sobre venda de dinossauros

Há certos momentos na vida em que nos deparamos com dilemas éticos clássicos. A uma venda de ossos originais de uma cauda de dinossauro na edição online do Jornal Ocasião, remete precisamente para um desses dilemas. Será legitimo vendermos o nosso património paleontológico como se de um carro, um par de sapatos ou de um quadro se tratasse? O sistema capitalista será aplicável a tudo, mesmo a património de importância científica nacional? Este património é de todos nós ou do actual detentor?

 

Portugal é rico em dinossauros em comparação com outros países, mas ainda assim estes fósseis são raros e não são tão abundantes para que nos possamos dar ao luxo de os vender como se fosse uma mercadoria vulgar.

Eu tive a oportunidade de observar pessoalmente o espécime em causa, há já alguns anos. Conforme me foi relatado, a cauda e perónio deste dinossauro foram obtidos durante as terraplanagens realizadas pelos actuais detentores destes fósseis. Como paleontólogo, tinha aspiração de estudar aqueles ossos para melhor compreender o tipo de dinossauro e contribuir para o conhecimento da evolução e biologia destes animais. Contudo, o seu detentor sempre procurou o lucro a partir da venda a quem mais pagasse e estudar aquele dinossauro só iria aumentar o valor comercial do mesmo. Optei, deliberadamente, por me afastar.

Os fósseis como estes são raros e são testemunhos do passado do nosso planeta. É de minha opinião que não devem ser tratados de forma comercial e indiscriminada como de um objecto vulgar se tratasse. Devem estar num museu ou numa universidade, de forma a enriquecerem o conhecimento comum e público.

Neste sentido, apelo à empresa Ocasião - Edições Periódicas, Lda. (detentora do site www.ocasiao.pt) que retire imediatamente este item do seu catálogo e instaure a regra de boas práticas de não comercializar material paleontológico, arqueológico e biológico de importância científica e relevância nacional no seu site.

Octávio Mateus

Paleontólogo


Resultado: omoletes com dentes & ovos estufados com mandíbulas

As duas comunicações por poster que a nossa equipa apresentou no último congresso na Argentina consistiram em:

1) Evolution of the mandibles and teeth in ornithopod dinosaurs - Consiste numa aproximação filogenética, com base na anatomia, à evolução dos dentes e mandíbulas de um grupo particular de dinossauros: os ornitópodes. Eles foram, analogamente, os antílopes das nossas savanas actuais e desenvolveram processos de mastigação extremamente especializados à condição de se ser herbívoro. Foi isso que apresentámos! Existe uma série de implicações interessantes, corolários da nossa aproximação a estes resultados, por exemplo: (i) serão os dentes diagnósticos? I.e., consigo indentificar uma dada espécie com base nos seus dentes?; (ii) Existiram alguns padrões - ao nível morfológico - relativos à especialização destes dinossauros à condição de comer plantas? I.e. como é que a forma das mandíbulas e dentes evoluiu ao longo da história deste grupo de dinossauros?; (iii) Existirão características anatómicas nos dentes e mandíbulas que não sejam definidores de uma dada espécie? I.e., será que vale a pena ter em conta aspectos da anatomia que estejam relacionados com o crescimento ou com a posição de um dado dente na boca?



2) Reptile eggs from Lourinhã Formation, Portugal - Esta comunicação foi o primeiro resultado derivado da bolsa da Jurassic Foundation que obtivemos. Neste estudo caracterizámos as diferentes jazidas que contêm ovos e embriões de dinossauros, e descrevemos a morfologia das cascas de ovo. Cada grupo de dinossauros tem, no geral, características específicas nas cascas de ovo que vistas ao microscópio óptico ou electrónico se revelam. Contudo, existem também características externas como a ornamentação das cascas ou até mesmo a forma e orientação dos poros (sim, porque as cascas de ovo têm poros!).

Imagens (sexta)

Casca de ovo de titanossauro, a Argentina tem destas coisas...



















(clicar na foto para aumentar)




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quinta-feira, outubro 09, 2008

Imagens (quinta)

A Alice e o Argentinosaurus huinculensis.

























(clicar na foto para aumentar)



Publicado simultaneamente no Conjurado

imagens (quarta)

Acho que falhei a de quarta... por isso cá ficam duas imagens da Patagónia a compensar...

Cretácico superior de Neuquén, no local onde estas fotos foram tiradas os dinossauros (até agora) escasseiam mas as paisagens são fantásticas!
























(Clicar nas imagens para aumentar)
























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terça-feira, outubro 07, 2008

Imagens (terça)

Vestígios de hidrocarbonetos (petróleo)





















Publicado simultaneamente no Conjurado

segunda-feira, outubro 06, 2008

Imagens (segunda)

Cretácico Superior da Formação de Neuquén.
É perfeitamente visível a estratificação entrecruzada, sinal da presença de rios neste local no final do Cretácico.





















Publicado simultaneamente no Conjurado

domingo, outubro 05, 2008

Imagens

Durante uma semana, publicarei diariamente uma imagem que me tenha marcado nesta última viagem pela Patagónia.




















Ovo de dinossauro saurópode, Cretácico da Argentina.




Publicado simultaneamente no Conjurado

Dinossauros falsos e "Frankenstein"

Sim, é verdade, até os dinossauros e outros fósseis são falsificados!


O crescente aumento do comércio de fósseis (com os leilões a venderem dinossauros a preços astronómicos), a raridade dos fósseis e pobreza económica associada a algumas áreas fossilíferas só podia dar num resultado: a falsificação de fósseis.

Em muitas lojas e feiras do país vemos crânios de mosassauros, ovos de dinossauros, trilobites e tantos outros fósseis de integridade duvidosa. Nalguns locais de venda, a falsificação atinge os 10 a 20% dos crânios expostos. Estas fraudes são muitas vezes compostas de ossos verdadeiros mas agrupados artificialmente para simular um crânio ou um esqueleto completo, a jeito do monstro de Frankenstein, no qual um só indivíduo era composto com partes de vários homens. As falsificações mais problemáticas são montagens artificiais de fósseis verdadeiros o que torna a detecção da fraude mais difícil.

Os artesãos que fazem estas fraudes, muitos deles de Marrocos e da China, são frequentemente de tal forma exímios que a falsificação engana os conhecedores e profissionais. O caso recente mais famoso é o do Microraptor publicado na revista Nature com cobertura e financiamento da National Geographic. Pensava-se que era um estádio evolutivo intermédio entre os dinossauros terópodes e as aves… pudera!… o esqueleto era composto pela junção de várias espécies.

Um meu novo artigo publicado no Journal of Paleontological Techniques (disponível em PDF) sugere várias técnicas na detecção destes embustes: exame visual pormenorizado e crítico, análise química, raios X e tomografia computorizada e observação sob luz ultravioleta.


A, Fotografia (à esquerda) e raios X (à direita) de um falso crânio de dinossauro Psittacosaurus. Os raios X mostram a pedra (a cinzento) que forma o núcleo no qual foram colados ossos de dinossauro para simular um crânio. B, Um fémur e C, um sacro e cintura pélvica, constituídos por partes de diferrentes ossos.


Referência:
Mateus, O., Overbeeke, M., Rita, F., 2008. Dinosaur Frauds, Hoaxes and "Frankensteins": How to distinguish fake and genuine vertebrate fossils, Journal of Paleontological Techniques, 2: 1-5.


sexta-feira, outubro 03, 2008

Preparator position open, UT Austin

Reencaminho o anúncio de um lugar para preparador de fósseis em UT Austin, Texas, Estados Unidos, que é uma excelente universidade em matéria de paleontologia nos EUA.

The Texas Natural Science Center's Vertebrate Paleontology Laboratory at the University of Texas at Austin is seeking a full-time vertebrate fossil preparator. We seek an energetic, skilled, and enthusiastic individual to join our active, field-oriented program in VP research and education.

I plan to attend this year's SVP meetings in Cleveland, and I look forward to talking to any applicants for this position who also plan to attend. Please do not hesitate to contact me via email if you have questions about the position.

A detailed advertisement for this position is available online at the following address:

http://utdirect.utexas.edu/pnjobs/index.WBX

The Job Vacancy Number is: 08-09-25-01-4210

This is a Security Sensitive position; conviction verification will be conducted on selected applicant.

The University of Texas at Austin is an Equal Opportunity/Affirmative Action Employer committed to diversity.
All qualified applicants will receive consideration for employment without regard to race, color, religion, sex, national origin, disability, age, citizenship status, Vietnam era or special disabled veteran's status, or sexual orientation.


Museo Argentino de Ciencias Naturales

A Argentina é um dos cinco países "big five" no que respeita a paleontologia
de dinossauros, em número de espécies e de espécimes. São eles: Estados
Unidos, Canadá, Argentina, Mongólia e China.
Como não podia deixar de ser, o Museo Argentino de Ciencias Naturales
(MACN), em Buenos Aires, tem uma impressionante colecção de dinossauros.

Aqui vão algumas fotos. Nalguns casos, preferi mostrar os ossos reais,
sobretudo os holótipos, em vez das réplicas de esqueletos em exposição. As
fotos deste post, embora menos espectaculares para um público genérico são
geralmente bem apreciadas pelos paleontólogos, pois mostram os ossos originais.

Um grande agradecimento ao paleontólogo Fernando Novas pelo seu acolhimento.

Mussaurus. Esqueleto de um bebé.

Patagosaurus. Réplica do esqueleto. 

Piatnizkysaurus. Ossos dos membros.

 Puertasaurus. Vértebra. 


 Volkemeria (vértebra)


Amargasaurus (vértebra)

Carnotaurus (comigo e com Rui Castanhinha)

Abelisaurus (réplica de crânio)


Achillesaurus. Ossos dos membros.


Amargatitan. Astrágalo.


Antarctosaurus. Basicrânio.

Bonatitan. Basicrânio. 

Chubutisaurus. Fémur e úmero.


Ischisaurus. Parte do crânio.


Kritosaurus. Parte da cauda. 


Lakumasaurus. Esqueleto. Este não é um dinossauro, mas um mosassauro.


Ligabueino. Fémur.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Paisagens da Patagónia 2008

Voltei ontem da Patagónia, mais precisamente na província de Neuquén, Argentina, onde estive num congresso, em visita de campo e visitar a colecções de museus.

Deixo aqui uma pequena selecção das paisagens patagónicas.





Los Barreales, Neuquén, Argentina


Ao contrário de África onde existem eufórbias, nas Américas proliferam verdadeiros cactos.



Um arbustro mais verde não há!



quarta-feira, outubro 01, 2008

Palavras úteis em inglês para a paleontologia

Est lista pode nem sequer "servir para atacadores", mas aqui fica. A maioria delas são de âmbito geral, sem ser especialmente dedicadas à paleontologia. Isto foi a propósito do exame que vou fazer (o GRE), feito por todos aqueles que queiram cruzar o Atlântico para estudar, tive de decorar uma lista de mais de 3000 palavras esquisitas em inglês. Muitas delas têm etimologia latina ou grega, pelo que é possível que tenham o seu equivalente em Português. As palavras são assim um bocado para o eruditas, e sim, tiveram mesmo que me obrigar a decorá-las:


COLLATE – compare (as two texts) carefully and critically
HOMESTRETCH – final stage of a project
STAMMER – hesitate in speaking
SURMISE – put forth opinion without prior substantiation
SUMMON - convoke
STILTED – not easy and natural “stilted language”
STICKLER – one who insists on exactness and completeness
SPECIOUS – plausible but wrong
MERETRICIOUS - specious
sift
TAUTOLOGICAL – true in all words; repeated evidence
UPSHOT – final result
STARN - lineage
SEREPENDITY – inadvertent discovery
PUTATIVE – commonly accepted
PURPORT – implied meaning
PRY – look closely inquisitively
BRAGGART – someone who talks big
BRUIT – make known by report
ACUMEN – mental keenness and penetration
BEHOOVE – to be necessary, proper, advantageous for
COGENT – convincing
PROLIX – wordy
PERIPHRASIC – wordy
CIRCUMLOCUTION – wordy
PROCLIVITY – inclination, bias
PITHY – having substance and point
DIGRESS – depart from main subject
PELLUCID – limpid/transparent
ASSAY – determine/estimate the characteristics of
DESCRY – to discover by observation/investigation
FORTE – strong point
SEMINAL – creative
ADDUCE – cite
DEBUNK – expose falseness of