quinta-feira, outubro 02, 2008

Paisagens da Patagónia 2008

Voltei ontem da Patagónia, mais precisamente na província de Neuquén, Argentina, onde estive num congresso, em visita de campo e visitar a colecções de museus.

Deixo aqui uma pequena selecção das paisagens patagónicas.





Los Barreales, Neuquén, Argentina


Ao contrário de África onde existem eufórbias, nas Américas proliferam verdadeiros cactos.



Um arbustro mais verde não há!



quarta-feira, outubro 01, 2008

Palavras úteis em inglês para a paleontologia

Est lista pode nem sequer "servir para atacadores", mas aqui fica. A maioria delas são de âmbito geral, sem ser especialmente dedicadas à paleontologia. Isto foi a propósito do exame que vou fazer (o GRE), feito por todos aqueles que queiram cruzar o Atlântico para estudar, tive de decorar uma lista de mais de 3000 palavras esquisitas em inglês. Muitas delas têm etimologia latina ou grega, pelo que é possível que tenham o seu equivalente em Português. As palavras são assim um bocado para o eruditas, e sim, tiveram mesmo que me obrigar a decorá-las:


COLLATE – compare (as two texts) carefully and critically
HOMESTRETCH – final stage of a project
STAMMER – hesitate in speaking
SURMISE – put forth opinion without prior substantiation
SUMMON - convoke
STILTED – not easy and natural “stilted language”
STICKLER – one who insists on exactness and completeness
SPECIOUS – plausible but wrong
MERETRICIOUS - specious
sift
TAUTOLOGICAL – true in all words; repeated evidence
UPSHOT – final result
STARN - lineage
SEREPENDITY – inadvertent discovery
PUTATIVE – commonly accepted
PURPORT – implied meaning
PRY – look closely inquisitively
BRAGGART – someone who talks big
BRUIT – make known by report
ACUMEN – mental keenness and penetration
BEHOOVE – to be necessary, proper, advantageous for
COGENT – convincing
PROLIX – wordy
PERIPHRASIC – wordy
CIRCUMLOCUTION – wordy
PROCLIVITY – inclination, bias
PITHY – having substance and point
DIGRESS – depart from main subject
PELLUCID – limpid/transparent
ASSAY – determine/estimate the characteristics of
DESCRY – to discover by observation/investigation
FORTE – strong point
SEMINAL – creative
ADDUCE – cite
DEBUNK – expose falseness of

sexta-feira, setembro 19, 2008

Berberes, tuaregues e fósseis

Sempre que se relaciona as duas palavras ‘Marrocos’ e ‘Paleontologia’ há sempre uma sensação de desconforto nos paleontólogos. São por demais sabidas as grosserias que se cometem naquele país, desde a pilhagem de jazidas à forja de fósseis. Já todos ouvimos histórias mirabulantes em que os aldeões marroquinos destroem crânios completos para retirar os seus dentes, já todos ouvimos falar das trilobites mal amanhadas que eles decidem esculpir e pôr à venda. Contudo, Marrocos continua a estar na rota mundial da investigação em paleontologia e é, sem sombra de dúvidas, um local fértil para a investigação. Talvez a par da África do Sul e as suas intermináveis jazidas de répteis-mamalianos (ou, para ser mais correcto: os Synapsida, predecessores Permo-Triássicos, de nós próprios e de todos os mamíferos), Marrocos seja um dos locais em África que produza maior quantidade de material cientificamente importante naquele continente. Por ocasião de lá ter passado férias decidi fazer – à semelhança do Octávio – uma resenha dos achados de paleontologia de vertebrados que lá se têm feito (é bem provável que me tenha esquecido de algum):

Jurássico inferior do Alto Atlas: Tudo o que venha destas idades é quase de certeza novo, e foi isso mesmo que se passou… foram descobertos vestígios incluindo material craniano de saurópodes (herbívoros quadrúpedes de pescoço comprido), correspondendo – a par de outro material do Zimbabwe e China – os mais antigos vestígios deste grupo. O Tazoudasaurus – assim foi chamado – tem características primitivas, nada surpreendentes, como dentes com dentículos, facto que não se passa com dinossauros do mesmo grupo mais ‘avançados’ (ou como se costuma dizer: mais ‘derivados’).

Kem Kem Beds (Cretácico inferior): Esta formação cujas rochas são do início do Cretácico inferior têm sido extremamente productivas em dinossauros terópodes (bípedes carnívoros). Revelaram, até agora entre outros, os emblemáticos dinossauros espinossaurídeos que foram recentemente também reportados para Portugal por um paleontólogo francês com material muito fragmentário (há quase meio século encafuado nas gavetas do Museu Geológico em Lisboa). Actualmente existe uma equipa do University College Dublin que tem ido com regularidade com o propósito de recolher vestígios destes animais. Já agora, sem conseguir desviar-me do objectivo principal deste texto, os dinossauros espinossaurídeos têm sido considerados piscívoros… e existem provas bastantes para que assim sejam considerados, como conteúdos estomacais num dos géneros – o Baryonyx – com restos de peixes. O seu crânio faz verdadeiramente lembrar o de um crocodilo dada a sua forma alongada e o alinhamento sigmoidal da fileira de dentes; na verdade estes dinossauros mimetizavam a estrutura do seu crânio à dos seus cognatas distantes.

Cretácico inferior de Anoual: Esta região é essencialmente conhecida pela existência de jazidas de mamíferos primitivos, tendo também pterossauros, outros arcossauros, anfíbios, etc. Para mamíferos, tudo o que venha à rede para o Cretácico inferior, é peixe (passe-se a infelicidade desta expressão). De facto, existem muito poucas jazidas com material de micromamíferos desta idade, pelo que, todas as jazidas que contenham material, são de importância singular. Ao contrário do que geralmente se pensa, os mamíferos no Mesozóico era um grupo bastante diverso… não eram é muito grandes… Não obstante, a diversidade de famílias era, por exemplo, para o Jurássico superior da Formação de Morisson nos EUA, largamente superior ao número de famílias de dinossauros.

Cretácico superior de Goulmima: Marrocos também é terreno fértil para os mosassauros, os répteis marinhos que partilham um ancestral comum com as serpentes… muitos (se não todos) aqueles dentes de Globidens (com a forma característica de… um falo) vêm de Marrocos. E o que é verdade é que o material de lá recolhido é de importância irrefutável (aliás, como a grande maioria do material de mosassauros, dado que este grupo evoluiu muito rapidamente – em cerca de 30 milhões de anos – para uma condição adaptada à vida marinha, sendo os seus antepassados próximos terrestres). As camadas desta região para além de vestígios deste grupo produziram peixes, plesiossauros e tartarugas.


Sugestões de Leitura:

Allain et al. 2004. A basal sauropod dinosaur from the Early Jurassic of Morocco Comptes Rendus Palevol 3: 199-208.

Sigogneau-Russell et al. 1998. The Early Cretaceous microvertebrate locality of Anoual, Morocco : a glimpse at the small vertebrate assemblages of Africa.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Intimidade

Existem coisas que realmente me deixam perplexo na natureza humana... Tenho estado a ler um livro sobre a conjectura de Poincaré. Poincaré foi um matemático francês bastante influente em vários campos incluindo a topologia e foi o predecessor da teoria do Caos. Ele criou um interessante problema que, desde essa altura os matemáticos se têm esforçado por resolver. Recentemente, um matemático meio obscuro Russo, vivendo com a sua mãe e perto do limiar da pobreza, conseguiu resolver a conjectura... após cerca de cem anos a esta ter sido formulada... Esta proeza seria bastante para Perelman - o seu nome - arranjar um emprego em qualquer grande universidade ou flutuar para onde quisesse na sociedade... na verdade ele foi galardoado com um dos mais desejados prémios da matemática, a Medalha Fields... mas ele recusou, ele recusou tudo... e isto fez-me pensar verdadeiramente... como conseguirá alguém, nos dias que correm, em que a meritocaracia é o rei e a ambição a rainha, recusar tal reconhecimento de um esforço? Provavelmente significa que o prazer que obteve ao resolver uma determinada questão matemática, não era mais do que a resolução ela própria... não os prémios, não o dinheiro, nem os aplausos públicos... apenas o problema per se! Isto fez-me pensar se eu próprio ou alguém que eu conheço reagiria da mesma maneira... e a resposta é um redondo: NÃO! O que talvez implique o quão dependentes estamos dos outros e quão desonestos seríamos ao dizer coisas como: "Eu estou em Medicina somente pelos outros". Talvez Perelman foi/é só um idealista ou um ser desaptado às regras do "jogo", mas não aceito um julgamento tão fácil... Talvez ele realmente viva apaixonadamente a matemática, porque o verdadeiro prémio ele afinal já o teve...

"Intimidade" originalmente escrita em inglês numa conversa com uma amiga:

"...there is stuff that astonishes me in human nature... I've been reading a book about Poincaré conjecture. Poincaré was a very influential French mathematician in various fields of maths including topology and the predecessor of chaos theory. And he created an interesting problem that many mathematicians have tried to resolve... Recently, an obscure Russian mathematician, living with his mum and almost in total misery, resolved the conjecture... after more than 100 years it was formulated... This achievement would be enough for Perelman - his name - to get a job at any great university and to get anywhere he wanted in society... indeed he was awarded with the most coveted prize in maths, the Fields prize... but he refused, he refused everything... This really made me wonder... how can someone, in our days, where meritocracy is the king and ambition the queen, refuse such great recognition of an effort? It probably meant that the pleasure he got by demonstrating a certain mathematical issue was no more than the problem itself... not the prizes, not the money, not public applause, no nothing... only the problem itself! This made me think unavoidably if I would react the same way, or even if anyone I know would react the same way... and the answer is definitely: NO! Which perhaps implies how dependent we all are of others and how dishonest it would be to claim stuff like: "I am in Medicine only for the passion about the subject." Maybe Perelman was/is just an idealist or someone inadapted to the rules of the "game", but I don't accept such an easy judgement... Maybe he truly loves maths, maybe he loves it so much that he can even reject the most important prizes, because the best prize he already got..."

quarta-feira, setembro 17, 2008

III Congresso Latinoamericano de Paleontologia de Vertebrados


Decorre, de 22 a 25 de Setembro, o III Congresso Latinoamericano de Paleontologia de Vertebrados.

Estas são algumas das conferências e simpósios:
Las faunas de reptiles marinos de los fosfatos del Cretácico tardío-Paleógeno de Marruecos. Disertante: Dra. Nathalie Bardet (Francia).


Terópodos celurosaurios del Cretácico de Gondwana. Disertante: Dr. Fernando Novas (Argentina).

Radiación post-mesozoica del crown-group de los cocodrilos en la región Gondwánica
Disertante: Dr. Christopher Brochu (USA)

La sorprendente abundancia y diversidad de los crocodiliformes shartegosúquidos.
Disertante: Dr. James Clark (USA)

Un modelo de desarrollo regional fundamentado en recursos paleontológicos
(Dinópolis-Teruel, España).
Disertante: Dr. Luis Alcalá (España)


Mamíferos mesozóicos de Sudamérica: evolución y biogeografía.
Disertante: Dr. Guillermo Rougier (USA)

Los peces fósiles del Cretácico Sudamericano y su importancia sistemática y paleobiogeográfica. Disertante: Dr. Paulo Brito (Brasil)

El origen de las serpientes y como ellas perdieron sus miembros. Disertante: Dr. Michael Caldwell (Canadá)

La punta del iceberg: fragmentos de la historia evolutiva de los lepidosaurios sudamericanos. Disertante: Dr. Sebastián Apesteguía (Argentina).

Simposios Se realizarán una serie de simposios que revisten especial interés dentro de la Paleontología de vertebrados de Latinoamérica, los cuales están listados a continuación. Para mas información remitimos a los interesados a la página web del congreso, en la sección Simposios.

Vertebrados marinos mesozoicos de América Latina. Coordinadoras: Marta Fernández y Zulma Gasparini

Dinosaurios terópodos no avianos cretácicos de los continentes australes: anatomía, filogenia y evolución. Coordinadores: Fernando Novas y Oliver Rauhut


Avances en el estudio de los saurópods titanosauriformes de Gondwana. Coordinadores: Jorge Calvo y Bernardo González Riga

Evolución de Crocodyliformes: diversidad y relaciones filogenéticas. Coordinadores: Diego Pol y Lucas Fiorelli

Serpientes, tortugas y batracios: estudios claves para resolver problemas sobre filogenia y origen. Coordinador: Michael Caldwell

Morfología y adaptación en aves: nuevas herramientas y conceptos. Coordinadoras: Claudia Tambussi y Karen Moreno

Evolución de los Metaterios sudamericanos cenozoicos. Coordinador: Francisco Goin

Gran Intercambio Biótico Americano: aspectos sistemáticos, evolutivos, paleobiogeográficos y paleobiogeográficos.Coordinadores: Alfredo Carlini y Eduardo Tonni

As minhas comunicações orais serão:
A NEW SPECIMEN OF DACENTRURUS ARMATUS (DINOSAURIA, STEGOSAURIDAE) FROM THE LATE JURASSIC OF PORTUGAL
e
DINOSAUR AND TURTLES FROM THE TURONIAN OF IEMBE, ANGOLA

Argentina, aí vamos!

E contudo ela evolui!

Parece que temos evolução dentro da Igreja Católica! A Santa Sé vai discutir evolucionismo Darwiniano em Março de 2009.


Ver fonte aqui aqui. Este segundo link é um documento emitido, em italiano, pelo Vaticano, para a imprensa.

Diz a notícia na Rádio Renascença:
"150 anos após a publicação de "A Origem das Espécies", o Vaticano anunciou um congresso internacional sobre a evolução do homem.

O evento, que terá lugar em Roma no próximo mês de Março, reunirá especialistas em ciência, filosofia e teologia a nível mundial, católicos e não católicos.

Várias universidades associam-se a ao congresso, que conta ainda com o apoio do Conselho Pontifício da Cultura cujo presidente, Monsenhor Ravasi, recordou hoje que Darwin nunca foi condenado pela Igreja Católica, e que fé e evolucionismo não são incompatíveis.

Pretende aprofundar o tema de um modo interdisciplinar, que inclui paleontologia, biologia molecular, antropologia cultural, filosofia e teologia."

E CONTUDO ELA EVOLUI!!

segunda-feira, setembro 15, 2008

Escavações de Verão 2008, na Lourinhã

Museu da Lourinhã faz novas descobertas de dinossauros.

O Museu da Lourinhã anunciou o resultado de mais uma campanha de escavações de Verão nas arribas da Lourinhã. Os paleontólogos do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa encontraram novos ossos de embriões de dinossauros, ninhos com ovos e ossos de dinossauros. As descobertas de embriões de dinossauro carnívoro da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos, são as mais antigas de que há registo até hoje, pertencendo ao Jurássico Superior. Embora ovos e embriões do dinossauro Lourinhanosaurus já tivessem sido descobertos na Lourinhã, os investigadores querem determinar se os ovos agora descobertos são da mesma espécie e se partilham as mesmas características, nomeadamente a
forma de nidificação, incubação e ecologia. Os paleontólogos esperam que estes achados, raros em Portugal, permitam perceber melhor como os dinossauros cresciam, em que ambientes, e como eram incubados os seus ovos.

A campanha de escavações decorreu ao longo dos meses de Julho e Agosto e o material recolhido é de extrema importância para se compreender o passado dos animais que pisaram, há 150 milhões de anos, aquilo que é hoje o nosso país.
As actividades contaram com a participação de mais de três dezenas de voluntários oriundos de vários países, e foram coordenadas pelos paleontólogos Octávio Mateus, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo. Os trabalhos incluiram escavações, crivagens, preparação e limpeza do material em laboratório e ilustração científica. Para além de ossos de dinossauros adultos foram recolhidos, através de crivagens, partes de crânios de pequenos animais jurássicos tais como crocodilos, anfíbios e pequenos dinossauros.
A foto mostra a fotografia de grupo "insano" deste ano.

Parte dos trabalhos agora realizados enquadram-se no prémio atribuído em Junho deste ano pela instituição norte-americana Jurassic Foundation ao projecto de estudo das jazidas de ovos de dinossauros em Portugal, proposto pelos investigadores atrás mencionados. Um dos objectivos dos estudos do material recolhido é a publicação dos resultados em revistas internacionais da especialidade.

Algum do material recolhido já pode ser visto no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Dinossauros nos balcãs

As sempre-curtas férias de verão deste ano foram passadas nos Balcãs, onde percorri a Croácia, Eslovénia, um bocadinho da Itália, Bósnia e Herzegovina e Montenegro. Toda a região é belíssima e vale a pena ser visitada. Como não poderia deixar de ser aproveitei para visitar os locais paleontológicos e museus com paleontologia que estavam a caminho, pelo que este post é dedicado à paleontologia dos Balcãs.


Pegadas no Parque de Campismo de Solaris, em Istria, Croácia.

No que concerne dinossauros a região [mapa], não é especialmente produtiva mas há óptimas excepções, nomeadamente a costa ocidental da península de Istria, na Croácia, sobretudo rica em pegadas.

 

Pegadas

Uma pequena área mas com trilhos bem visíveis encontra-se nos terrenos doParque de Campismo Naturista de Solaris (UTM 33 389 200 E; 5 015 800 N; 25 mASL), perto de Porec. Tem, pelo menos, dois trilhos de saurópodes e umas quantas pegadas de terópodes. A parte divertida desta jazida é que está numparque de campismo de naturismo/nudismo; portanto, ao visitar as pegadas deparamo-nos com simpáticos transeuntes totalmente desnudos.

 

O pequeno, quase minúsculo, ilhéu de Fenoliga é um dos que tem pegadas de dinossauros carnívoros e saurópodes. Vários trilhos cruzam-se. A poucos quilómetros, em Grakalovac, podemos ver umas quantas pegadas tridáctilas de dinossauros bípedes, possivelmente de terópodes. Há ainda pegadas no Cabo de Pogledalo, Ploce, Kamnik, Costa de Karigator, perto de do campismo de Ladin Gaj entre Novgrad e Umag, e na Lovrecica, a norte de Karigator

Pegada em Grakalovac, Istria, Croácia.





Vistas a Museus

O Museu de História Natural de Zagreb (Croácia) está em remodelação, mas ainda assim o visitante pode ver alguns vertebrados fósseis, nomeadamente o holótipo da tartaruga Tryonyx stadleri var.croatica, sirénios, cetáceous (entro os quais uma espécie dePhyseter) e alguns modelos de seláceos em particular o famoso tubarão gigante Carcharocles megalodon, que infelizmente estava mal construído porque tinha todos os dentes ao contrário, ou seja com a face lingual virada para fora.

O Museu de História Natural da Eslovénia, em Liubliana, é mais rico do e composto do que o croata. Nele podemos ver esqueletos de urso-das-cavernasUrsus spelaeus, leão-das-cavernas Felis spelaea, carapaça de tartaruga Testudosp., e um fabuloso esqueleto plistocénico de mamute Mammuthus primigenius de Nevlje, perto de Kamink. A exposição de osteologia e do anfíbio trogloditaProteus também valem a pena serem vistas. Os únicos vestígios de dinossauros em exposição eram dois fragmentos de ossos etiquetados como de dinossauro, possivelmente anquilossauro do Cretácico Superior de Stranice e uma pegada tridáctila de dinossauro do Cretácico de Fenoliga (Croácia).

 

Sugestão de bibliografia:

Dalla Vecchia, F.M., Tarlao A. & Tunis G. (1993) Theropod (Reptilia, Dinosauria) footprints in the Albian (Lower Cretaceous) of the Quieto/Mirna river mouth (NW Istria, Croatia) and dinosaur population of the Istrian region during the Cretaceous. Mem. Sci. Geol. Padova, 45:139-148, Padua.

Dalla Vecchia, F.M. (1994) , I dinosauri dell' Istria. In: Ligabue G. (Ed.), Il tempo dei Dinosauri, Quaderni de "Le Scienze", 76:82-86, Milan.

Dalla Vecchia, F. M., Tunis, G., Venturini, S., and Tarlao, A. (2001) Dinosaur track sites in the Upper Cenomanian (Late Cretaceous) of Istria Peninsula (Croatia): Bollettino della Societa Paleontologica Italiana, v. 40, n. 1, p. 25-53.

Dalla Vecchia, F. M. (2001) A vertebra of a large sauropod dinosaur from the Lower Cretaceous of Istria (Croatia): Natura Nascosta, n. 22, p. 14-33.

Dalla Vecchia, F. M. (2001) An odd dinosaur bone from the Lower Cretaceous of Istria (Croatia): Natura Nascosta, n. 22, p. 34-35.

Mezga et al (2006), The first record of dinosaurs in the Dalmatian part (Croatia) of the Adriatic-Dinaric carbonate. Cretaceous Research, 2006

Mamute no Museu de História Natural da Eslovénia, em Liubliana.


 

sexta-feira, setembro 05, 2008

Crivagens no Museu da Lourinhã


Crivar é garimpar mas, neste caso, à procura de fósseis. Não seria exagero considerar a Lourinhã e localidades contíguas como o El Dourado dos fósseis, não só de
dinossauros mas também de tudo o resto que se mexia no
Jurássico superior.
Para se ter uma percepção mais realista do elenco faunístico da época há que não só procurar o que é grande, mas também o que é pequeno. Assim, este ano e pela primeira vez na história do GEAL - Museu da Lourinhã, procedeu-se a uma campanha de crivagens com os objectivos de aumentar o espólio do museu em micro-vertebrados e efectuar posteriormente o seu estudo.
As crivagens de sedimento colhido no Zimbral revelaram dentes de crocodilos, peixes, e dinossauros bem como mandíbulas de crocodilos, anfíbios e lagartos. Para mim é incrivelmente arrebatador o simples facto de saber que estou diante de um pequeno sapo de há 150 milhões de anos … de conseguir ver uma pequena mandíbula com pouco mais de meio milímetro e de saber que aquele sapo também coaxou como o fazem actualmente os do Rio Grande! É este, também, um pouco, o encanto da paleontologia: o reportar para o passado, de forma bizarra e com intervenientes bizarros - numa espécie de sonho – o que se passa actualmente… como o coaxar dos sapos.
Já noutras ocasiões se haviam feito crivagens mas não com este propósito. Durante as escavações do ninho de ovos de Paimogo (de 1994 a 1996) montou-se um laboratório de campo fazendo uso do charco que por lá existe e da boa vontade de vários voluntários, entre os quais Isabel Mateus e José Filipe. Na altura procuravam-se embriões que foram entretanto considerados de dinossauros carnívoros bípedes – os terópodes. Hoje, passada já mais de uma década sobre a escavação de Paimogo, procura-se com o mesmo entusiasmo descobrir como era o nosso mundo há uns quantos milhões de anos atrás.

Publicado também no Boletim nº 7 do Museu da Lourinhã.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Pegadas na Praia dos Olhos de Água

Deixo uma sugestão de Verão: a jazida de pegadas, na praia de Olhos de Água,
a sul da Praia do Cortiço, no concelho de Óbidos é sempre uma boa visita,
aproveitando os últimos dias de Agosto, numa das mais bonitas praias da
região. Veja a localização no Google Maps aqui.




Foi descoberta inicialmente pelo Sr. António Miranda e publicada em 2003 por
mim e Prof. Miguel Telles Antunes. A referência é:

Mateus, O. & Antunes, M.T. (2003). A new dinosaur tracksite in the Lower
Cretaceous of Portugal. Ciências da Terra (UNL), 15: 253-262. (em PDF)

O resumo da publicação de 2003:

É descrita uma nova jazida de pistas de dinossauros no Cretácico inferior (Aptiano-Albiano) na praia de Olhos de Água, a primeira ocorrência de fósseis de vertebrados na Unidade estratigráfica em causa. Foram observadas 128 pegadas e 17 pistas numa superfície de ca. de 80 m2, permitindo reconhecer três morfotipos de pegadas tridáctilas: - Tipo 1 ("Iguanodontipus") – pistas D, F, K, J e P; - Tipo 2 (Terópode de grande porte), pegadas típicas de terópode, semelhantes a Grallator, i.e. pistas A, B, H e O; Tipo 3 (Terópode de porte médio), representadas só na pista M.
Além destas há algumas pistas mal conservadas, não identificadas. A pista B, de terópode, é sinuosa e foi produzida por um animal que coxeava. Outro caso interessante é o da pista M, dirigida de início para Este mas que muda drasticamente de direcção, para Oeste, ao mesmo tempo que o movimento se acelerou; o dinossauro decidiu virar-se e correr em sentido oposto.
Esta jazida evidencia pistas segundo três direcções principais: para Sul, para Este e para Oeste. Com a excepção da pista O, os grandes terópodes dirigiam-se para Sul (pistas A, B, G e H).
Perpendicularmente a estas, há pistas de ornitópodes, pequenos terópodes e dinossauros não identificados dirigidas para Este (5) e para Oeste (7). A repartição segregada em grupos de pistas e de direcções (com pistas de grandes terópodes dirigidas para Sul e de outros dinossauros para Oeste ou para Este pode significar que grandes terópodes vigiavam áreas de acesso a um recurso importante, muito provavelmente água, frequentemente procurada por ornitópodes e terópodes de menor porte. Não há indícios de comportamento social ou de gregarismo; a sobreposição de
pegadas mostra que os grandes terópodes que se dirigiam para Sul passaram em várias ocasiões. Foi possível caracterizar três sequências de pistas por ordem cronológica.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Gruta do Frade

Fantástica! Maravilhosa!.. não há palavras para descrever a Gruta do Frade, em Sesimbra. Este fim de semana fomos visitar a Gruta do Frade, que é seguramente a mais bela de Portugal e uma das melhores da Europa. O grupo era constituído por mim, o Ricardo Araújo e o pessoal do NECA, Núcleo de Espeleologia da Costa Azul: o Francisco Rasteiro, o Carzé, o Chico e a cadela Maggie.

Está tanto por compreender relativamente às estruturas e formações desta gruta que estamos a precisar de geólogos, sobretudo a estudarem mineralogia, que nos ajudem a explicar alguns dos fenómenos observados (os tipos de estalagites, as excêntricas, os "cotonetes", etc).

A postura do NECA em prol da preservação daquela gruta é absolutamente impecável. O acesso é muito restrito e a limpeza é crucial, por exemplo, todos nós tinhamos esponjas para ir limpando os pés para não sujar a calcite de gruta. As regras de etiqueta espeleológica são estritamente mantidas o que permite conservar aquela gruta.

Aqui vai uma pequena selecção fotográfica:

O acampamento à estrada da gruta.

A entrada da Gruta do Frade.

A "Torre de Pisa" e a chuva de estalagtites tubulares.

Um dos lagos.

Magnífico!

Sala das bolas.

Bandeiras

Os "cotonetes"

Mas como é que isto se forma???

O descobridor da Gruta do Frade e o principal animador do NECA, Francisco Rasteiro.

quarta-feira, agosto 06, 2008

O Google Earth dos mapas geológicos!

Já pensou em ter um Google Earth com camadas enquadrando mapas geológicos de Portugal?



Finalmente temos possibilidade de ter o mapa geológico mundial à distância de uns cliques e de o exportar para o Google Earth.

Essa possibilidade está disponível no Portal One Geology (http://portal.onegeology.org/) no qual pode visualizar muitos mapas geológicos, inclusive o mundial e europeu, e descarregar para diversos formatos digitais, inclusive o do Google Earth. O mapa geológico de Portugal só pode ser visto no enquadramento europeu (aqui vai um link do ficheiro) ou mundial e ainda temos de esperar para termos o nosso país em geologia digital gratuita neste formato com maior detalhe. E quando é que o LNEG disponibilizará gratuitamente os mapas geológicos de Portugal em formato digital e vectorial, tal como fazem nuestros hermanos espanhóis?