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segunda-feira, setembro 30, 2013

Vertebrados Terrestres do Triásico de Portugal


O Triásico superior (cerca de 237-201.5 milhões de anos atrás) era um intervalo de transição na evolução dos ecossistemas terrestres, durante o qual os clados "modernos", como arcossauros e mamíferos foram irradiando enquanto os grupos "arcaicos", como os anfíbios temnospôndilos e sinapsídeos basais permaneceram abundantes. Pouco se sabe sobre os vertebrados terrestres (não marinhos) no Triásico da Península Ibérica. A Bacia do Algarve, no sul de Portugal, é uma bacia de rift formadoa durante a separação da Pangeia, que é preenchido com siliciclásticos marinhos, terrestres e lacustres da Formação de Grés de Silves, intercalados com basaltos CAMP que marcam a extinção final do Triásico (datado de ~ 198-201,5 Ma). Desde 2009, nosso projeto de campo no Algarve descobriu numerosos espécimes de vertebrados no Grés de Silves, incluindo uma camada de ossos monodominante contendo centenas de espécimes de metopossauros, um grupo peculiar de temnospôndilos que preencheu os nichos predatórias semelhantes ao dos crocodilos em ambientes lacustres e fluviais. Estas amostras parecem pertencer a uma nova espécie de Metoposaurus, semelhante ao M. diagnosticus e M. krasiejowensis da Europa central, mas possuindo várias autapomorfias no crânio e maxilar inferior.
Preparação laboratorial de Metoposaurus
Nós também descobrimos uma mandíbula de um fitossauro, o primeiro espécime desses arcossauriformes longirostro semi-aquáticos da Península Ibérica. Estes taxa são características de uma idade Carniano Noriano e indicam que aquela parte do Grés de Silves é Triássico Superior. Além disso fornece mais provas de que metoposaurídeos e fitossauros foram simpátricos em baixas palaeolatitudes durante este tempo.

Ref:
Brusatte, S. L., Butler R. J., Mateus O., Steyer J. S., & Whiteside J. H. (2013). Terrestrial vertebrates from the Late Triassic of Portugal: new records of temnospondyls and archosauriforms from a Pangaean rift sequence.61st Symposium on Vertebrate Palaeontology and Comparative Anatomy. 15-16., Edinburgh
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segunda-feira, setembro 09, 2013

Vídeo das escavações na Gronelândia

Em Julho de 2012 participámos numa expedição internacional à Gronelândia onde descobri um fitossauro do Triásico. Aqui vai um excerto to vídeo da escavação, filmado por Dr. O. Wings.

quinta-feira, junho 13, 2013

Fitossauro da Gronelândia em exposicão pela primeira vez


Os fitossauros são répteis semelhantes a crocodilos que viveram durante o Triásico. Durante a expedição à Gronelândia no ano passado eu descobri um esqueleto, que vai ser apresentado amanhã pela primeira vez, no museu dinamarquês Moesnsklint Geocenter, em conjunto com muitos outros achados, daquele território: Plateosaurus, temnospôndilos, pegadas, etc.
O blog Lusodinos apresenta, em primeira mão o fitossauro da Gronelândia.

Fitossauro da Gronelândia - Phytosaur from Greenland

Mais ossos continuam a ser preparados em laboratório.

sábado, dezembro 06, 2008

Triásico do Algarve: O que é isso?

Das entranhas do chão, com rochas vermelhas, se ergueu o Castelo de Silves. Este castelo assenta precisamente em rochas do Triásico (~250 a 200 milhões de anos atrás), cuja formação geológica se estende para Este e Oeste, por quase toda a extensão longitudinal do Algarve. Estas rochas passam por S. Bartolomeu de Messines, Portela de Messines, Bensafrim, Barão de São Miguel, Figueira, Raposeira, Castro Marim, Santa Catarina.

As rochas são essencialmente triásicas mas podem ser jurássicas (Hetangiano) e correspondem ao início do enchimento (essencialmente detrítico) da Bacia do Algarve, assentando em discordância angular sobre os xistos e os grauvaques mais antigos.

Tal como a grande maioria das unidades desta bacia, as rochas têm uma inclinação para Sul.

A formação geológica informal que designa o preenchimento Triásico no Algarve são os "Grès de Silves" e segundo Palain (1975, 1979), se dividem nas seguintes unidades (que são bem conspícuas e relativamente homogéneas ao longo da sua extensão:

Terme AA - compreende cerca de 90m de espessura de intercalações de argilitos vermelhos e azulados, com bancadas de dolomitos. Já foram descritos para esta unidade vestígios de estereospôndilos.

Terme AB1 - são cerca de 140m de sedimentos areníticos muito vermelhos e que serviram para edificar o Castelo de Silves. Estes sedimentos exibem estratificação entrecruzada, bem como outras características indiciadoras de ambientes fluviais.

Terme AB2 - São argilitos com cerca de 180m de espessura que estão subjacentes às argilas vermelhas do Complexo vulcano-sedimentar e da Formação Picavessa. Em determinadas regiões desta unidade existe uma grande quantidade de evaporitos (normalmente gesso) indicativo de ambiente árido. Esta unidade tem sido considerada como a uma ampla planície costeira com vários cursos de água carreando material terrígeno (Palain 1975). Nesta formação já foram encontrados vestígios de répteis, mas também estereospôndilos.



Russell & Russell (1977) reportam preliminarmente algumas jazidas de tetrápodes sem, contudo, determinar a taxonomia dos sedimentos recolhidos. Witzmann & Gassner (2008) descrevem fragmentos de estereospôndilos provenientes desta formação.

A publicação de Russell & Russell (1977) foi motivada pela tese de Palain, em que Prof. Miguel Telles Antunes aproveitando a ocasião convidou os seus colegas franceses D. Russell e D. Russell a prospectarem a região. Já o material publicado por Witzmann & Gassner (2008) foi motivado pelos elementos recolhidos em 1979 e 1980 por Thomas Schroëter fazendo parte da sua tese.

Sugestões de leitura:

Palain, C. (1975). Une série détritique terrigène: les "Grès des Silves": Trias et Lias du Portugal. Thèse d'Etat, Universitè de Nancy.

Palain, C. (1979). Connaissances stratigraphiques sur la base du mésozoïque portugais. Ciências da Terra 5: 11.28.

Russell, D. & Russell, D. (1977). Premiers résultats d'une prospection paléontologique dans le Trias de LÁlgarve (Portugal). Ciências da Terra 3: 167-178.

Witzmann, F. & Gassner, T. (2008). Metoposaurid and mastodonsaurid stereospondyls from the Triassic - Jurassic boundary of Portugal. Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology, 32(1): 37-51.

Fotos por Octávio Mateus e Ricardo Araújo.