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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

A vida agitada e perigosa de Allosaurus fragilis


O novo artigo publicado no PeerJ reforça a vida agitada e perigosa do dinossauro carnívoro Allosaurus fragilis.

Esqueleto original de Allosaurus fragilis

Escápula de Allosaurus fragilis




Novas perspectivas sobre o estilo de vida de Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) com base noutro espécime com múltiplas patologias

Os terópodes (dinossauros carnívoros) adultos de grande porte são frequentemente encontrados com numerosas patologias. Um grande e quase completo, espécime provavelmente adulto de Allosaurus do Howe Stephens Quarry, Formação Morrison, Wyoming, mostra várias patologias. Ossos patológicos incluem o dentário esquerdo, duas vértebras cervicais, uma cervical e várias costelas dorsais, a escápula esquerda, o úmero esquerdo, ísquio direito, e duas falanges do pé. Estas patologias podem ser classificadas da seguinte forma: a quinta vértebra cervical, escápula, várias costelas e ísquio estão traumátizadas, e um calo na falange II-2 é traumático-infecciosa. Traumaticamente elementos fraturados expostos ao movimento frequente (por exemplo, a escápula e as costelas) mostram uma tendência a desenvolver pseudartroses em vez de calo. As patologias na quarta cervical são mais susceptíveis de serem idiopática, e no úmero esquerdo é infecciosa ou idiopática, enquanto pedal esquerdo falange IV-1 é classificada como idiopática. Com excepção do ísquio, todos os elementos patológicos traumáticas / traumáticas infecciosa mostrar evidências inequívocas de cura, o que indica que as respectivas patologias não causou a morte desse indivíduo. Alinhamento das patologias na escápula e de costelas do lado esquerdo sugere que tudo pode ter sido causado por um único evento traumático. A fratura isquiática pode ter sido fatal. A ocorrência de múltiplas patologias traumáticas novamente sublinha que terópodes de grande porte experimentou lesões frequentes durante a vida, o que indica um estilo de vida predatório activo. Sinais de infecções são escassas e restringidas localmente, indicando o sucesso na prevenção da disseminação de agentes patogénicos, como é o caso nos répteis existentes (incluindo as aves).


New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies
Abstract:
Adult large-bodied theropods are often found with numerous pathologies. A large, almost complete, probably adult Allosaurus specimen from the Howe Stephens Quarry, Morrison Formation (Late Kimmeridgian–Early Tithonian), Wyoming, shows multiple pathologies. Pathologic bones include the left dentary, two cervical vertebrae, one cervical and several dorsal ribs, the left scapula, the left humerus, right ischium, and two left pedal phalanges. These pathologies can be classified as follows: the fifth cervical vertebra, the scapula, several ribs and the ischium are traumatic, and a callus on the shaft of the left pedal phalanx II-2 is traumatic-infectious. Traumatically fractured elements exposed to frequent movement (e.g. the scapula and the ribs) show a tendency to develop pseudarthroses instead of callus healing. The pathologies in the lower jaw and a reduced flexor tubercle of the left pedal phalanx II-2 are most likely traumatic or developmental in origin. The pathologies on the fourth cervical are most likely developmental in origin or idiopathic, that on the left humerus is infectious or idiopathic, whereas left pedal phalanx IV-1 is classified as idiopathic. With exception of the ischium, all traumatic / traumatic-infectious pathologic elements show unambiguous evidences of healing, indicating that the respective pathologies did not cause the death of this individual. Alignment of the scapula and rib pathologies from the left side suggests that all may have been caused by a single traumatic event. The ischial fracture may have been fatal. The occurrence of multiple traumatic pathologies again underlines that large-bodied theropods experienced frequent injuries during life, indicating an active predatory lifestyle, and their survival perhaps supports a gregarious behavior for Allosaurus. Signs of infections are scarce and locally restricted, indicating a successful prevention of the spread of pathogens, as it is the case in extant reptiles (including birds).




Foth C, Evers S, Pabst B, Mateus O, Flisch A, Patthey M, Rauhut OWM.(2015) New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies. PeerJ PrePrints3:e824v1 http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.824v1

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Jornal norte-americano escolhe dinossauro da Lourinhã entre as "15 descobertas mais magníficas de dinossauros de 2014"

O dinossauro carnívoro Torvosaurus gurneyi do Jurássico Superior da Formação da Lourinhã, foi considerada uma das "15 descobertas mais magníficas de dinossauros de 2014", sendo a única da Europa. A escolha foi feita pelo jornal de notícia online norte-americano Huffington Post, e incluiu ainda novas espécies ou novos achados. A lista total é:
  1. Aquilops americanus
  2. Tachiraptor admirabilis
  3. Rhinorex condrupus
  4. Rukwatitan bisepultus
  5. Dreadnoughtus schrani,
  6. Laquintasaura venezuelae
  7. Changyuraptor yangi
  8. Anzu wyliei
  9. Mercuriceratops gemini
  10. Qianzhousaurus sinensis
  11. Torvosaurus gurneyi
  12. Novo espécime de Microraptor
  13. Novo espécime de Spinosaurus aegyptiacus
  14. Novo espécime de Argentinosaurus 
  15. Novo espécime de Deinocheirus mirificus
O Torvosaurus gurneyi foi baptizado no início de 2014 pelos paleontólogos Christophe Hendrickx e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e do Museu da Lourinhã.

sábado, novembro 01, 2014

Dentes de dinossauros mostram a existência de terópodes abelissaurídeos no Jurássico de Portugal


Um estudo recente que se focou em quatro dentes de dinossauros terópodes do Jurássico Superior de Portugal mostra, pela primeira vez, a existência de terópodes abelissaurídeos em Portugal. Este grupo de dinossauros tornou-se abundante no Cretácico de Gonduana, pelo que a ocorrência no Jurássico de Portugal é, no mínimo, inesperada. Outro dos dentes, o maior, é atribuído a Torvosaurus gurneyi. Além disso, o estudo faz uma abordagem cladística aos dentes de dinossauros terópodes e mostra que podem ser úteis para uma identificação até a nível da família e por vezes até ao género.
O estudo publicado na revista Zootaxa é assinado por Christophe Hendrickx e Octávio Mateus e é um dos resultados do doutoramento do primeiro pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Alguns destes dentes estão em exposição no Museu da Lourinhã.

Dente de dinossauro abelissaurídeo do Jurássico de Portugal (Hendrickx e Mateus, 2014)

Resumo:
Os dinossauros terópodes formam um clado altamente diversificado, e seus dentes são alguns dos elementos mais comuns do registo fóssil de dinossauros do Mesozóico. Este é o caso da Formação Lourinhã (Jurássico Superior, Kimmeridgian-Tithonian) de Portugal, onde os dentes de terópodes são particularmente abundantes e diversificadas. Quatro dentes de terópodes isolados são descritos e identificados com base em dados morfométricos e anatómicos. Eles são incluídos numa análise filogenética com base numa matriz de 141 caracteres de dentes e 60 taxa, bem como numa combinação deste conjunto de dados com seis de supermatrizes baseadas em todo o esqueleto de terópodes. A árvore de consenso resultante da matriz de dados com base na dentição revela que os dentes de terópodes fornecem dados confiáveis ​​para a identificação a nível familiar. Portanto, métodos filogenéticos ajudam a identificar os dentes de terópodes com mais confiança. Embora os caracteres dentários não indicam de forma confiável as relações entre os clados mais elevados de terópodes, eles demonstram padrões interessantes de homoplasia sugerindo convergência na dieta em (1), alvarezssauróides, terrizinossauros e troodontídeos; (2) celofisóides e espinossaurídeos; (3) compsognatídeos e dromeossaurídeos; e (4), ceratosaurídeos, alossaurídeos e megalossaurídeos.

Classificação dos dinossauros terópodes (Hendrickx e Mateus, 2014)
         Com base em análises morfométricas e cladísticas, o maior dente da Lourinhã é uma coroa mesial do megalossaurídeo Torvosaurus. O dente é menor identificado como Richardoestesia, e como um parente próximo do R. gilmorei com base na constrição entre a coroa e raiz, o contorno da base de coroa e, por carina distal "em forma de oito", a média de dez dentículos. Finalmente, os dois dentes de tamanho médio pertencem ao mesmo táxon e exibem pronunciada goteira interdenticular entre dentículos distais, dentículos distais em forma de gancho, uma textura de esmalte irregular, e uma margem distal recta, uma combinação de características observadas apenas em terópodes abelissaurídeos. Estes dentes fornecem o primeiro registo de Abelisauridae no Jurássico da Laurásia e um dos registros mais antigos deste clado no mundo, sugerindo uma possível radiação de Abelisauridae na Europa bem antes do Cretácico Superior.

Dentículos de dinossauros carnívoros (Hendrickx & Mateus, 2014)
Referências:
Hendrickx, C., & Mateus O. (2014). Abelisauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Portugal and dentition-based phylogeny as a contribution for the identification of isolated theropod teeth. Zootaxa. 3759, 1-74. PDF
http://biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.3759.1.1

Abstract:


Theropod dinosaurs form a highly diversified clade, and their teeth are some of the most common components of the Mesozoic dinosaur fossil record. This is the case in the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Kimmeridgian-Tithonian) of Portugal, where theropod teeth are particularly abundant and diverse. Four isolated theropod teeth are here described and identified based on morphometric and anatomical data. They are included in a cladistic analysis performed on a data matrix of 141 dentition-based characters coded in 60 taxa, as well as a supermatrix combining our dataset with six recent datamatrices based on the whole theropod skeleton. The consensus tree resulting from the dentition-based data matrix reveals that theropod teeth provide reliable data for identification at approximately family level. Therefore, phylogenetic methods will help identifying theropod teeth with more confidence in the future. Although dental characters do not reliably indicate relationships among higher clades of theropods, they demonstrate interesting patterns of homoplasy suggesting dietary convergence in (1) alvarezsauroids, therizinosaurs and troodontids; (2) coelophysoids and spinosaurids; (3) compsognathids and dromaeosaurids; and (4) ceratosaurids, allosauroids and megalosaurids.

Based on morphometric and cladistic analyses, the biggest tooth from Lourinhã is referred to a mesial crown of the megalosaurid Torvosaurus, due to the elliptical cross section of the crown base, the large size and elongation of the crown, medially positioned mesial and distal carinae, and the coarse denticles. The smallest tooth is identified as Richardoestesia, and as a close relative of R. gilmorei based on the weak constriction between crown and root, the “eight-shaped” outline of the base crown and, on the distal carina, the average of ten symmetrically rounded denticles per mm, as well as a subequal number of denticles basally and at mid-crown. Finally, the two medium-sized teeth belong to the same taxon and exhibit pronounced interdenticular sulci between distal denticles, hooked distal denticles for one of them, an irregular enamel texture, and a straight distal margin, a combination of features only observed in abelisaurids. They provide the first record of Abelisauridae in the Jurassic of Laurasia and one of the oldest records of this clade in the world, suggesting a possible radiation of Abelisauridae in Europe well before the Upper Cretaceous.

quinta-feira, maio 29, 2014

Osteologia de Lourinhasaurus e Ceratosaurus


Foram recentemente publicados dois novos artigos sobre dinossauros em Portugal, sobre o saurópode Lourinhasaurus alenquerensis com a redescrição anatómica e sobre o terópode Ceratosaurus.


Phylogenetic reassessment of Lourinhasaurus alenquerensis, a basal Macronaria (Sauropoda) from the Upper Jurassic of Portugal
P Mocho, R Royo‐Torres, F Ortega - Zoological Journal of the Linnean Society, 2014

Abstract:
Lourinhasaurus alenquerensis is a Portuguese Upper Jurassic dinosaur whose lectotype is one of the most complete sauropod specimens from the Portuguese fossil record and from the Upper Jurassic of Europe. It was recovered from sediments of the Sobral Formation (upper Kimmeridgian to lower Tithonian) at Moinho do Carmo (Alenquer, Portugal). The lectotype of Lourinhasaurus was first related to Apatosaurus and then tentatively related to Camarasaurus. Finally, it was established as a new taxon, Lourinhasaurus, including the Moinho do Carmo specimen. At the time of writing, Lourinhasaurus had a poor diagnosis and an unstable phylogenetic position. Revision of the Moinho do Carmo specimen has led to a detailed description and a new and more complete codification for several morphological characters. The phylogenetic analyses proposed herein considered Lourinhasaurus as a Camarasauromorpha Macronaria. This study also recovered a Camarasauridae clade incorporating LourinhasaurusCamarasaurusand, putatively, Tehuelchesaurus and that implies the presence of Camarasauridae in the European Upper Jurassic. Besides the strong similarity to CamarasaurusLourinhasaurus alenquerensis is here considered a valid taxon with 13 putative autapomorphies such as a sagittal keel on the dorsal margin of sacral neural spines, circular and deep spinoprezygapophyseal fossa on proximal caudal vertebrae, marked crest and groove bordering the lateral margin of the acetabulum in the ischium, and a marked deflection of the entire femoral shaft without lateral bulge. The apparently high number of taxa among the sauropod fauna from the Iberian Peninsula during the Late Jurassic is similar to the palaeobiodiversity recorded in formations of the same age, i.e. Morrison and Tendaguru, and does not support the hypothesis of a connection between the North America and Iberian Peninsula faunas during the later part of the Late Jurassic reflected by other faunal and floral groups.

New evidence of Ceratosaurus (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal
E Malafaia, F Ortega, F Escaso, B Silva - Historical Biology, 2014

Abstract:
A theropod assigned to Ceratosaurus was previously reported from the Portuguese Lusitanian Basin based on a limited number of elements of a single individual. Here, we describe newly discovered elements that likely pertain to same, earlier described, specimen. The new elements provide additional evidence that the range of Ceratosaurus spanned from what is now North America into Europe. Previously, some differences were noted between the Portuguese specimens and the North American Ceratosaurus. We consider these differences to be trivial and attribute them to individual variation and/or ontogeny. The following set of features (lesser trochanter positioned low on the femur; crista tibiofibularis obliquely oriented with respect to the axis of the femoral shaft; infrapopliteal ridge present posteriorly on the femur; large cnemial crest; and medial condyle of the tibia continuous with proximal end) indicate that the Portuguese specimen is assignable to Ceratosaurus. This record constitutes one of the scarce evidence of basal ceratosaurian theropods in the Late Jurassic of Europe. Despite the abundance, diversity and wide geographical distribution of ceratosaurs during the Late Cretaceous, its early evolutionary history remains poorly understood. The Portuguese specimens constitute an important evidence for the knowledge of the paleobiogeographic evolution of the clade during the Late Jurassic.

Ceratosaurus fémur e tíbia (Mateus et al., 2006)

terça-feira, abril 29, 2014

Os dentes dos dinossauros carnívoros megalossauros

Hendrickx, C., Mateus O. & Araújo R. (2014). The dentition of megalosaurid theropods. Acta Palaeontologica Polonica. in press,
Dente de dinossauro terópode e dentículos (Hendrickx et al., 2014)

Resumo:
Dentes de terópodes são particularmente abundantes no registro fóssil e frequentemente mencionados na literatura. No entanto, a dentição de muitos terópodes não foi descrita de forma abrangente, sendo frequentemente omitindos os detalhes sobre a forma dos dentículos, ornamentação da coroa e textura do esmalte, etc. Esta escassez de informações tem sido particularmente notável em clados basais dos dinossauros terópodes, tornando a identificação dos dentes isolados difícil, e as atribuições taxonómicas incertas. Aqui fornecemos uma descrição detalhada da dentição dos Megalosauridae e uma comparação de dentes superficialmente semelhantes de todos os principais clados de terópodes .
Os dentes de dinossauros megalossaurídeos são caracterizados por uma carina mesial projectada mesiolabialmente em dentes mais mesiais nos dentes laterais, carina mesial terminando acima do cervix, e sulcos interdenticular curtos a bem desenvolvidos entre dentículos distais. A análise discriminada realizada numa base de dados numéricos de dentes de 62 taxa de terópode revela que os dentes de megalosaurídeos são dificilmente distinguíveis de outros clados de terópodes com dentição zifodonte. Este estudo destaca a importância de detalhar descrições anatómicas e fornecendo dados morfométricos adicionais sobre os dentes, com a finalidade de ajudar a identificar os dentes terópodes isolados.

Abstract:
Theropod teeth are particularly abundant in the fossil record and frequently reported in the literature. Yet, the dentition of many theropods has not been described comprehensively, omitting details on the denticle shape, crown ornamentation and enamel texture. This paucity of information has been particularly striking in basal clades, thus making identification of isolated teeth difficult, and taxonomic assignments uncertain. We here provide a detailed description of the dentition of Megalosauridae, and a comparison to and distinction from superficially similar teeth of all major theropod clades.

Megalosaurid dinosaurs are characterized by a mesial carina facing mesiolabially in most mesial teeth, centrally positioned carinae on both most mesial and lateral crowns, a mesial carina terminating above the cervix, and short to well-developed interdenticular sulci between distal denticles. A discriminant analysis performed on a dataset of numerical data collected on the teeth of 62 theropod taxa reveals that megalosaurid teeth are hardly distinguishable from other theropod clades with ziphodont dentition. This study highlights the importance of detailing anatomical descriptions and providing additional morphometric data on teeth with the purpose of helping to identify isolated theropod teeth in the future.

quarta-feira, março 05, 2014

Nova espécie de dinossauro encontrado em Portugal é o maior predador terrestre da Europa



Uma nova espécie de dinossauro descoberta em Portugal é o maior dinossauro carnívoro do Jurássico e o maior predador terrestre descoberto na Europa. O estudo foi anunciado por paleontólogos da FCT-Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã. Torvosaurus gurneyi, um primo distante do Tyrannosaurus rex, estava no auge da cadeia alimentar na Península Ibérica 150 milhões de anos.


Material pertencente a este dinossauro foi descoberto 70 km ao norte de Lisboa e pensado para ser Torvosaurus tanneri, uma espécie da América do Norte. Primeiro foi encontrado um osso da perna, posteriormente, noutro local, um maxilar superior, dentes, e uma vértebra da cauda por um amador e doado ao Museu da Lourinhã. O dinossauro foi estimado atingir 10 metros de comprimento e peso de 4 a 5 toneladas. "Este não é o maior dinossauro predador pois o Tyrannosaurus , Carcharodontosaurus e Giganotosaurus do Cretácico eram maiore" disse Christophe Hendrickx da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã e primeiro autor do estudo. "Com um crânio de 115 cm, Torvosaurus gurneyi foi, porém, o maior carnívoro terrestre nesta época, o Jurássico, e um predador ativo que caçavam outros grandes dinossauros como evidenciado pelos dentes forma de lâmina até 10 cm".
O novo dinossauro é a segunda espécie de Torvosaurus a ser conhecida e é o equivalente europeu de Torvosaurus tanneri da América do Norte. Ambas as espécies foram descobertos em rochas da mesma idade geológica e viviam em ambientes semelhantes dominados por dinossauros. "A fauna do que é hoje Portugal foi extremamente diversificada no final do Jurássico", disse Octávio Mateus , da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã , e co -autor do estudo . "Esta nova espécie de dinossauro carnívoro vem aumentar um pouco mais a diversidade de dinossauros de Portugal. E mostra que estava em prática um mecanismo de especiação que ocorreu durante o Jurássico, quando o Atlântico já estava bem formado e a Europa era um arquipélago" adianta Mateus.
O nome gurneyi homenageia os ilustradores de dinossauro, nomeadamente o artista James Gurney, criador e ilustrador da série de livros Dinotopia que fascinou Hendrickx : "Sempre admirei a reconstrução deste mundo utópico , onde dinossauros e humanos vivem juntos, ele também é um excelente artista e pedagogo".
Torvosaurus by Scott Hartman

Torvosaurus gurneyi pertence aos terópodes, um grupo de dinossauros bípedes que deram origem às aves. Embriões de dinossauros descritos recentemente de Portugal também são atribuídas às novas espécies de Torvosaurus.
A descrição detalhada, em que a espécie recebe o seu nome científico, foi publicada na revista PLoS ONE.

Torvosaurus gurneyi (arte por Sergey Krasovskiy http://atrox1.deviantart.com/gallery)



Hendrickx, C., Mateus, O. 2014 Torvosaurus gurneyi n. sp., the largest terrestrial predator from Europe, and a proposed terminology of the maxilla anatomy in nonavian theropods. PLOS One.
http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0088905

terça-feira, outubro 29, 2013

Nascimento e morte do Allosaurus

Há novos estudos sobre o nascimento e morte do dinossauro carnívoro Allosaurus, com resultados que nós participamos e apresentamos no importante congresso Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology que está a decorrer Los Angeles de 30 de Outubro a 2 de Novembro de 2013


Allosaurus no SaurierMuseum Aathal (fonte)
Embriões e nascimento
Os embriões de dinossauros carnívoros são bem conhecidos no Jurássico de Portugal, mas até agora não havia embriões inequívocos no Jurássico dos Estados Unidos, apesar de alguns relatos admitirem a ocorrência. O estudo é liderado por Mattew Carrano e com a participação de Octávio Mateus, enquadrado no projecto Dinoeggs.

Resumo:
Apesar de mais de um século de recolhas, resultando num dos mais estudados registos fósseis de vertebrados em qualquer lugar do mundo, a Formação de Morrison do Jurássico Superior produziu surpreendentemente poucos exemplos de ovos de dinossauro associados com restos embrionários . Ainda mais intrigante, nenhum deles parece pertencer ao terópode Allosaurus, um dos táxones mais comum e melhor compreendido de dinossauro daquela formação. Apresentamos um ninho de dinossauro de Fox Mesa, Wyoming, que produziu abundantes cascas Prismatoolithidae e ossos embrionários (ou perinatos) de Allosaurus. Isto representa a primeira descoberta deste tipo para terópodes no Jurássico da América do Norte. O ninho contém alguns conjuntos de casca de ovo elipsóide que sugerem um tamanho de ovo de cerca de 8 x 6,5 cm. Estudo da morfologia da casca do ovo e da microestrutura confirma que um único tipo de ovo que é indistinguível da Prismatoolithus coloradensis.
Todos os materiais embrionários identificáveis ​​pertencem a terópodes, e dois espécimes de premaxila mostram a cinco alvéolos, diagnóstico para Allosaurus entre os terópodes de Morrison. Isto confirma a origem teropodiana de ovos Prismatoolithus e implica Allosaurus como o táxon que produziu estes ovos. Como resultado, agora é possível atribuir várias descobertas anteriores de ovos de dinossauro e potenciais ninhos para Allosaurus , incluindo o ovo isolado de Cleveland -Lloyd . Esta descoberta
põe também em causa as atribuições anteriores de ovos Prismatoolithus para ornitópodes. Ovos de  Prismatoolithus também estão associados ao terópode Lourinhanosaurus do Jurássico Superior de Portugal, juntamente com embriões maiores e que exibem quatro alvéolos pré-maxilar .

Referência:
Carrano, M., Mateus O., & Mitchell J. (2013). First definitive association between embryonic Allosaurus bones and prismatoolithus eggs in the Morrison Formation (Upper Jurassic, Wyoming, Usa). Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2013. 101. ISSN: 1937-2809   PDF



Patologias e morte

Trabalho liderado por Serjoscha Evers com a participação de Octávio Mateus.

Adultos terópodes de grande porte são frequentemente encontrados com inúmeras patologias. Um grande, quase completo, adulto de Allosaurus (Sauriermuseum Aathal [ SMA ] 0005 ) de Howe Quary, Wyoming, da Formação Morrison (Kimmeridgian inferior-Tithoniano superior) mostra uma série de patologias. Ossos patológicos incluem a escápula esquerda , várias costelas dorsais esquerdas, o ísquio direito , e uma falange pedal esquerda.

Uma fractura completa, transversal , ocorre na parte proximal da escápula esquerda. O fragmento distal é deslocado e distorcidas em relação ao fragmento proximal . A


O ísquio direito sofreu uma fratura completa, oblíqua . Tecido ósseo áspero abrange a fratura de um lado completamente , enquanto o outro não mostra nenhum sinal de crescimento reativa.

A falange pedal tem uma hiperostose nos lados dorsal e lateral da sua extremidade proximal , formando um calo ovóide , ao contrário dos grandes exostoses irregulares em falanges de outros espécimes de Allosaurus, incluindo o espécime MOR 693 (Museum of the Rockies). A superfície óssea é áspera e não tem lesões indicativas de infecções. Isto indica a reabsorção óssea num estádio avançado da cicatrização de ferimentos.

Todas as patologias mostram sinais de cicatrização, o que sugere que nenhum deles causados ​​directamente a morte do indivíduo. Este espécime volta a mostrar que os terópodes de grande porte têm lesões traumáticas frequentes durante a vida, o que é uma indicação de um estilo de vida ativo como um predador.

Evers, S., Foth C., Rauhut O., Pabst B., & Mateus O. (2013). Traumatic pathologies in the postcranium of an adult Allosaurus specimen from the Morrison Formation of the Howe Quarry, Wyoming, U.S.A. . Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2013. 124. ISSN: 1937-2809    PDF


terça-feira, setembro 03, 2013

Novo fóssil de dinossauro carnívoro descoberto na Lourinhã


Museu da Lourinhã descobre novo fóssil de dinossauro carnívoro e termina agosto com uma mão cheia de novos achados de dinossauros.

Terminou na semana passada mais uma campanha de verão do GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã – que tradicionalmente concentra as suas escavações nesta altura do ano, nos afloramentos do Jurássico Superior da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos.
Este ano, os resultados incluíram pegadas e ossos, com destaque para um dinossauro carnívoro de pequeno porte, com menos de dois metros de comprimento. Este esqueleto de dinossauro não está completo, mas está muito bem conservado e articulado (com os ossos na posição anatómica, tal como em vida), o que é muito raro. A análise preliminar indica que poderá tratar-se de um representante de um grupo de dinossauros carnívoros raros em Portugal, os celurossauros.
A campanha, que contou com escavação, prospeção, e trabalho de laboratório, foi coordenada pelo paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e reuniu cerca de uma dezena de voluntários que colaboram regularmente com o GEAL – Museu da Lourinhã.
Foram recolhidas pegadas de dinossauros saurópodes, ornitópodes e de pterossauros. Uma das pegadas de saurópode, com 120 cm de comprimento, é uma das maiores que se conhecem. Também se descobriram pequenos fósseis, dos quais se destaca a mandíbula de um mamífero, o que é igualmente raro.
O material recolhido está agora no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã e vai necessitar de preparação e estudo até se compreender exatamente as espécies a que pertencem os fósseis agora recolhidos e a importância dos mesmos. O GEAL recebe voluntários que queiram ajudar na preparação laboratorial de fósseis.







sexta-feira, maio 31, 2013

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Ovos de embriões de Torvosaurus na Lourinhã

Maxila de embrião de Torvosaurus (desenho de Simão Mateus)
Na Formação da Lourinhã foram descobertos ossos de embriões numa postura de ovos esmagados, numa primeira ocorrência de ovos e embriões de um grupo de dinossauros conhecido como megalossaurídeos, provenientes do Jurássico Superior.
Uma equipa de paleontólogos, como o artigo liderado por Ricardo Araújo, descreveu um elevado número de  cascas de ovos, ossos e dentes de embrião, atribuíveis ao grande terópode Torvosaurus, que poderão agora ser observados (em laboratório) no Museu da Lourinhã, fundado e mantido pelo GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, que possuía já outros fósseis de Torvossauro.
A publicação deste artigo científico na revista Scientific Reports, da prestigiada editora Nature, vem dar reconhecimento à mais importante descoberta, na área da Paleontologia de vertebrados, feita em Portugal na última década (pelo menos desde a publicação do ninho de Paimogo, igualmente originária de investigadores que colaboram com o GEAL – Museu da Lourinhã).
Simultaneamente o Museu da Lourinhã torna-se pioneiro na utilização de tecnologias de ponta no estudo dos seus dinossauros. Foram utilizadas pela primeira vez diversas técnicas inovadoras para o estudo das cascas de ovos de dinossauro (nomeadamente: PIXE – proton-induced X-ray emission; microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão; e XRD – difração de raios-X).
(Texto adaptado do site do Museu da Lourinhã)


Embrião de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Cascas de ovo de Torvosaurus (Araújo et al., 2013)

Ovos e embriões de Torvosaurus e outros dinossauros(Araújo et al., 2013)

Terópode megalossaurídeo cuidando do seu ninho (c) Vladimir Bondar e Museu da Lourinhã


http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.html

Araújo, R., Castanhinha R., Martins R. M. S., Mateus O., Hendrickx C., Beckmann F., Schell N., & Alves L. C. (2013).  Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic Theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports. 3(1924)

quarta-feira, novembro 07, 2012

Um osso quadrado... uma problemática bicuda!

É um osso curioso, o quadrado! Apesar do nome... não é quadrado! Nos répteis é o osso do crânio que faz a articulação com a mandíbula e por isso tem uma série de funcionalidades motoras às quais acumula funções na audição. Nos mamíferos, o quadrado transformou-se num dos ossículos de ouvido.

O estudante de doutoramento Christophe Hendrickx está a estudar a evolução do aparelho bocal do dinossauros carnívoros e dedicou muito tempo a observar o osso quadrado.
Divulga-se aqui dois resumos apresentados em congressos internacionais:
Referências
Hendrickx, C., Araújo, R. & Mateus O. (2012). The nonavian theropod quadrate: systematics usefulness, major trends and phylogenetic morphometrics analysis. : Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2012, p.110. ISSN 1937-2809 PDF

Hendrickx, C., & Mateus O. (2012). Ontogenetical changes in the quadrate of basal tetanurans.. 10 th Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Paleontologist ¡Fundamental! . 20, 101-104. PDF


Abstract:
The quadrate in nonavian theropods is incredibly diverse morphologically; however this morphological disparity has been underestimated for taxonomic purposes. The quadrate topological homologies and anatomy, as well as the terminology, among nonavian theropod clades are reviewed. In order to evaluate the phylogenetic potential and investigate the evolutionary transformations of the quadrate, we conducted a Catalano-Goloboff phylogenetic morphometric analysis using 3 morphometric characters, a total
of 28 landmarks coded for 23 taxa, as well as a cladistic analysis using 115 discrete quadrate-related characters coded for 43 taxa. The cladistic analysis provides a fully resolved tree mirroring the current classification of nonavian theropods. The quadrate morphology by its own provides a wealth of data with strong phylogenetic signal. Several unambiguous synapomorphies support nonavian theropod relationships and the resulting consensus tree allows inference of major trends in the evolution of this bone. Important
synapomorphies include: for Abelisauridae, a lateral ramus extending to the ectocondyle; for Tetanurae, the absence of the lateral process; for Spinosauridae, a medial curvature of the ventral part of the pterygoid ramus occurring just above the mandibular articulation; for Neotetanurae, an anterior margin of the pterygoid flange formed by a roughly parabolic margin; and for Tyrannosauroidea, a semi-oval pterygoid flange shape in medial view. The Catalano-Goloboff phylogenetic morphometric analysis reveals two main morphotypes of the mandibular articulation of the quadrate linked to function. The first morphotype, characterized by an anteroposteriorly broad mandibular articulation with two ovoid/ subcircular condyles roughly subequal in size, is found in Ceratosauria, Tyrannosauroidea and Oviraptorosauria. This morphotype allows a very weak displacement of the mandible laterally. The second morphotype is characterized by an elongate and anteroposteriorly narrow mandibular articulation and a long and parabolic/sigmoid ectocondyle. Present in Megalosauroidea, Carcharodontosauridae and Dromaeosauridae, this morphotype permits the lower jaw rami to be displaced laterally when the mouth opened.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Embriões de dinossauro, de Paimogo, Lourinhã


O Mesozóico de Portugal tem mostrado uma diversidade de abundância de fósseis de dinossauros e outros vertebrados. Ossos, ovos, embriões, pegadas, pele, coprólitos, e gastrólitos são algumas das descobertas que enriquecem lista de achados na Bacia Lusitânica, sobretudo do Jurássico Superior da Formação da Lourinhã.
Várias espécies únicas sublinham a importância, que acompanhadas com a ocorrência de ovos, ninhos e embriões, como no caso do terópode Lourinhanosaurus antunesi, permitem compreender mais sobre a reprodução, comportamento, crescimento, metabolismo e evolução dos dinossauros.

Parte deste trabalho foi apresentado no congresso Society of Vertebrate Paleontology Meeting, e o resumo é o seguinte:



Referência:
Mateus, O., Carrano, M.T., Taquet P. (2012). Osteology of the embryonic theropods from the Late Jurassic of Paimogo, Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2012, p.137. ISSN 1937-2809. 137.

Resumo / Abstract:
Osso de embrião
Among the more than one dozen dinosaur egg- and eggshell-bearing localities in the Upper Jurassic Lourinhã Formation of Portugal (upper Kimmeridgian–Tithonian), the nest from Paimogo was the first to be found and remains the largest and most significant. Located within the Amoreira-Porto Novo Member (uppermost Kimmeridgian), this nest has yielded about 300 embryonic bones and bone fragments identified as belonging to a theropod dinosaur.

The Paimogo nest comprised about 100 eggs (or eggshell concentrations that represented individual eggs), but much of the nest had been eroded, indicating that an even greater number of eggs would have been present originally. There is no clear nest structure, but eggs are more highly concentrated in the center, along with the majority of embryonic bones (suggesting a more advanced ontogenetic stage). All the eggs were crushed, but despite this compression, some eggs are complete and retain embryonic bones inside.
The embryonic anatomy is has been favorable compared to the holotype of Lourinhanosaurus antunesi Mateus 1998 from the same stratum and region. However, most Lourinhanosaurus autapomorphies are in the pelvis and vertebral laminae, rarely preserved in the embryos, making their positive identification more difficult. A single autapomorphy is present in both subadult and embryo: a medial condyle of the tibia that is half the transverse width of the fibular condyle. Other contemporary theropods differ from the embryos in specific details: the embryonic maxilla lacks an antorbital fenestra (present in Allosaurus), the ilium lacks a vertical ridge (present in Aviatyrannis), and the tibial cnemial crest is short (unlike Ceratosaurus). One other nest with embryo from Lourinhã area, in Porto das Barcas has been provisionally ascribed to Torvosaurus. This embryos specimen are much larger in size, and the eggshell structure is entirely different. If such ascription of Porto das Barcas embryos is correct, then Paimogo embryos cannot be Torvosaurus.
In general, the embryos are morphological miniatures of the adults, fully equipped for predation of small prey, and thus may have been precocial (i.e. relatively mature and mobile from the moment of birth or hatching). The teeth have large denticles on the distal carina only and bear some resemblance to those of more derived theropods, suggesting a role for pedomorphosis in theropod evolution.



terça-feira, outubro 30, 2012

Pavilhão Cretácico: os dinossauros chegaram ao Pavilhão do Conhecimento!




Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva 


Pavilhão Cretácico: os dinossauros chegaram ao Pavilhão do Conhecimento!





O T. rex foi um dos maiores carnívoros terrestres de todos os tempos. Mas o que sabemos realmente sobre ele? Terá vivido em Portugal? Era caçador ou necrófago? Teria escamas ou penas? Como era o mundo na altura em que viveram os dinossauros e o que causou a sua extinção? Será que desapareceram todos, ou ainda haverá dinossauros por aí?

Recue até ao final do Cretácico, qualquer coisa como 66 milhões de anos, com a nova exposição temporária do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva. T.rex: quando as galinhas tinham dentes é uma exposição concebida pelo Museu de História Natural de Londres, cuja adaptação para o Pavilhão do Conhecimento contou com o apoio científico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, do Museu Geológico e do Museu da Lourinhã.

Tal como os verdadeiros paleontólogos, os visitantes observam fósseis, analisam dados e comparam modelos de várias espécies de dinossauros. Prepare-se para olhar nos olhos de um Tyrannosaurus rex em tamanho real, com mais de cinco metros de comprimento, e assista a cenas de enorme realismo com animais robotizados, tais como um T. rex a alimentar-se de um Triceratops ou um Ankylosaurus a defender-se com a sua impressionante cauda.

Toque num fóssil de pegada de saurópode, sinta como era a sua pele e conheça um dos maiores e mais antigos ninhos de dinossauro do mundo, que pertenceu à espécie portuguesa Lourinhanosaurus. Acredite que vai sentir-se pequenino ao lado destes gigantes!

Embarque nesta aventura e visite a exposição até Agosto de 2013. Esteja atento à programação em torno de T.rex: quando as galinhas tinham dentes, que nos próximos meses transformará o Pavilhão do Conhecimento num verdadeiro Parque Cretácico. Depois desta exposição, provavelmente não irá olhar para os dinossauros da mesma maneira.
E já agora, quando foi a última vez que comeu um dinossauro ao almoço?

Mais informações em www.pavconhecimento.pt


sábado, junho 05, 2010

Lourinhanosaurus antunesi, visto por Sergey Krasovskiy

Nova ilustração do dinossauro terópode da Lourinhã, o Lourinhanosaurus antunesi, desenhado pelo artista Russo Sergey Krasovskiy.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Manada de ornitomimossauros apanhados numa armadilha de lama

A revista Acta Palaeontologica Polonica dá-nos conta de uma manada de cerca de 20 ornitomimossauros apanhados numa armadilha de lama na China.





Abstract: A unique dinosaur assemblage from the Cretaceous beds of western Inner Mongolia preserves geologic and paleontologic data that clearly delineate both the timing and mechanism of death. Over twenty individuals of the ornithomimid Sinornithomimus dongi perished while trapped in the mud of a drying lake or pond, the proximity and alignment of the mired skeletons indicating a catastrophic mass mortality of a social group. Histologic examination reveals the group to consist entirely of immature individuals between one and seven years of age, with no hatchlings or mature individuals.
The Sinornithomimus locality supports the interpretation of other, more taphonomically ambiguous assemblages of immature dinosaurs as reflective of juvenile sociality. Adults of various nonavian dinosaurs are known to have engaged in prolonged nesting and post hatching parental care, a life history strategy that implies juveniles spent considerable time away from reproductively active adults. Herding of juveniles, here documented in a Cretaceous ornithomimid, may have been a common life history strategy among nonavian dinosaurs reflecting their oviparity, extensive parental care, and multi−year maturation.


Parabéns aos autores. A descoberta,  sem dúvida espectacular, foi inicialmente identificada por Yoshitsugu Kobayashi e Jun-Chang Lü em 2003.  Neste novo artigo obviamente não foi publicada a curiosa história de bastidores que explica como é que os descobridores iniciais foram "ultrapassados" e não fazem parte deste artigo.

D. J. Varricchio, et al.  2008. Mud-trapped herd captures evidence of distinctive dinosaur sociality. 2008. Acta Palaeontologica Polonica 53 (4), 2008: 567-578. PDF
Yoshitsugu Kobayashi and Jun-Chang Lü 2003 A new ornithomimid dinosaur with gregarious habits from the Late Cretaceous of China. Acta Palaeontologica Polonica 48 (2), 2003: 235-259. 

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sábado, novembro 15, 2008

Dinossauros com penas e origem das aves

A origem das aves dá-se a partir dos dinossauros terópodes (grupo de bípedes e carnívoros ao qual pertence o Tyrannosaurus rex). Não se pode afirmar que ocorre a transição dos dinossauros para as aves, nem sequer dos répteis para as aves, pois do ponto de vista filogenético, as aves são dinossauros e répteis. Da mesma forma que nós humanos, sob o ponto de vista filogenético, somos osteícteos (animais ósseos) e sinapsídeos (répteis mamalianos). Ou, dito de forma mais elegante, partilhamos com os peixes ósseos e répteis mamalianos um ancestral comum.Legenda: os dinossauros, são testemunhos da origem teropodiana das aves, e uma excelente evidência da evolução: A,Sinosauropteryx (espécime NIGP 127586; GMV 2123 - Holótipo); B, Caudipteryx; C, Archaeopteryx lithographica (espécime de Berlim); D, Sinornithosaurus (espécime NGMC91); E, Sinosauropteryx prima(espécime NIGP 127587); F, Protoarchaeopteryx robusta, ilium, par de pubis e fémures (NGMC 2125, espécime holótipo); G, Yixianosaurus longimanus (V12638). Destas dinossauros, só o Archaeopteryx (C) é uma ave. Fotografias A, D, E e F por Carlos Natário e as restantes (B, C e G) pelo autor. Publicado em Mateus (2008).



Como comparação, procurar a transição entre os répteis e as aves é como procurar a transição entre os mamíferos e os primatas: não existe. Isto sob o ponto de vista taxonómico lineano, é claro. Uma “caixa” não cabe noutra “caixa” do mesmo tamanho. Desembrulhando esta metáfora, a caixa “répteis” é do mesmo tamanho que a caixa “aves”, ou seja, tem o mesmo nível hierárquico na classificação lineana. Mas o que acontece é que as aves são répteis. No caso das aves, conhecem-se, pelo menos, 142 géneros de dinossauros celurossauros não-neornites, ou seja, os dinossauros terópodes precursores das aves actuais. Estes valores só contabilizam os géneros, mas o número aumenta drasticamente (para a ordem de milhares) se contarmos todos os achados e ocorrências e incluirmos todas as espécies de cada género. Alguns exemplos de dinossauros com penas (ou com características partilhadas) são o Sinosauropteryx, Beipiaosaurus, Caudipteryx, Pelicanimimus, Protoarchaeopteryx, Alvarezsaurus, Sinornothosaurus, Archaeopteryx, Microraptor, Rahoniavis, Confuciusornis, Iberomesornis, e Liaoningornis.

Mas claro que os criacionistas continuam a dizer que não é suficiente. Podíamos apresentar milhares de "fósseis de transição" que eles continuariam a dizer que não era suficiente. 

Referência: 
MATEUS, O. 2008. Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis, pp. 77-96, in Levy et al. (eds.), Evolução: História e Argumentos. ISBN: 978-989-8025-55-5.