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segunda-feira, outubro 13, 2008

X Congresso Luso-Espanhol de Herpetologia


A nossa equipa (Octávio Mateus, Carlos Natário, Ricardo Araújo e Rui Castanhinha) vai participar no próximo congresso Luso-Espanhol de Herpetologia. Temos novidades interessantes para a paleontologia de vertebrados de Portugal, por isso é só dar um pulinho até Coimbra nos próximos dias 15 a 18 de Outubro (a nossa comunicação oral será no sábado). Aqui vai o link para mais informações.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Pegadas na Praia dos Olhos de Água

Deixo uma sugestão de Verão: a jazida de pegadas, na praia de Olhos de Água,
a sul da Praia do Cortiço, no concelho de Óbidos é sempre uma boa visita,
aproveitando os últimos dias de Agosto, numa das mais bonitas praias da
região. Veja a localização no Google Maps aqui.




Foi descoberta inicialmente pelo Sr. António Miranda e publicada em 2003 por
mim e Prof. Miguel Telles Antunes. A referência é:

Mateus, O. & Antunes, M.T. (2003). A new dinosaur tracksite in the Lower
Cretaceous of Portugal. Ciências da Terra (UNL), 15: 253-262. (em PDF)

O resumo da publicação de 2003:

É descrita uma nova jazida de pistas de dinossauros no Cretácico inferior (Aptiano-Albiano) na praia de Olhos de Água, a primeira ocorrência de fósseis de vertebrados na Unidade estratigráfica em causa. Foram observadas 128 pegadas e 17 pistas numa superfície de ca. de 80 m2, permitindo reconhecer três morfotipos de pegadas tridáctilas: - Tipo 1 ("Iguanodontipus") – pistas D, F, K, J e P; - Tipo 2 (Terópode de grande porte), pegadas típicas de terópode, semelhantes a Grallator, i.e. pistas A, B, H e O; Tipo 3 (Terópode de porte médio), representadas só na pista M.
Além destas há algumas pistas mal conservadas, não identificadas. A pista B, de terópode, é sinuosa e foi produzida por um animal que coxeava. Outro caso interessante é o da pista M, dirigida de início para Este mas que muda drasticamente de direcção, para Oeste, ao mesmo tempo que o movimento se acelerou; o dinossauro decidiu virar-se e correr em sentido oposto.
Esta jazida evidencia pistas segundo três direcções principais: para Sul, para Este e para Oeste. Com a excepção da pista O, os grandes terópodes dirigiam-se para Sul (pistas A, B, G e H).
Perpendicularmente a estas, há pistas de ornitópodes, pequenos terópodes e dinossauros não identificados dirigidas para Este (5) e para Oeste (7). A repartição segregada em grupos de pistas e de direcções (com pistas de grandes terópodes dirigidas para Sul e de outros dinossauros para Oeste ou para Este pode significar que grandes terópodes vigiavam áreas de acesso a um recurso importante, muito provavelmente água, frequentemente procurada por ornitópodes e terópodes de menor porte. Não há indícios de comportamento social ou de gregarismo; a sobreposição de
pegadas mostra que os grandes terópodes que se dirigiam para Sul passaram em várias ocasiões. Foi possível caracterizar três sequências de pistas por ordem cronológica.

quinta-feira, julho 31, 2008

Apresentação do maior dinossauro carnívoro do Jurássico em Portugal


O Museu da Lourinhã, convida todos os associados e população em geral a comparecer à apresentação do maior dinossauro carnívoro do Jurássico em Portugal que decorrerá na sequência do acto público abaixo, no próximo sábado, dia 2 de Agosto, pelas 15h,no Auditório Municipal da Lourinhã.

Com a participação de:
Prof. Doutor Miguel Telles Antunes da Academia das Ciências de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, o Doutor Octávio Mateus do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa.

Dentre os dinossauros, Torvosaurus – "lagarto selvagem", 150 milhões de anos, aproximadamente – é o maior carnívoro do Jurássico. Com efeito, os maiores carnívoros são mais recentes. São exemplos o Spinosaurus – "lagarto com espinhos" que data de há cerca de 95 milhões de anos – e o famoso Tyrannosaurus – "lagarto tirano" de há cerca de 66 Ma; ambos datam do Período Cretácico.


Torvosaurus, descoberto em 1972 no Colorado, Estados Unidos, e descrito por Peter Galton e James Jensen, em 1979, era o maior dinossauro carnívoro do Jurássico até então conhecido.

Em Portugal, o primeiro Torvosaurus foi identificado a partir de um osso da perna pelos paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus e M. Telles Antunes. Estes anunciaram em 2006 a descoberta de parte de um crânio, incluindo o maxilar, que serviu de base para reconstituir o crânio – reconstituição que passa, agora, a integrar a exposição do Museu da Lourinhã.

O espécime foi encontrado em 27 de Julho de 2003 por um rapaz holandês, então com 10 anos, Jacob Walen, quando passeava com o pai, experiente colector de fósseis. Este, entregou o exemplar ao Museu da Lourinhã.

O espécime português tem dimensões que excedem ligeiramente as do norte-americano; é, por isso, o maior predador terrestre do Período Jurássico actualmente conhecido.

O crânio, com um metro e quarenta de comprimento, está munido de dentes cortantes, achatados lateralmente em forma de lâmina, com 13 cm. Estará exposto ao público a partir de sábado, 2 de Agosto.


In Museu da Lourinhã www.museulourinha.org


sábado, junho 21, 2008

5 dinossauros... 5 fotografias

O post de hoje é composto por 5 fotografia originais de dinossauros: Othnielia, Archaeornithomimus, Afrovenator, Bambiraptor e Byronosaurus.








Réplica do pé de Othnielia rex, um ornitópode.




Crânio original de Byronosaurus, um dinossauro terópode (carnívoro).








Réplica do esqueleto de um Archaeornithomimus, um dinossauro terópode ornitomimossauro.

Bambiraptor (réplica de esqueleto), dinossauro terópode.


Afrovenator, réplica do membro posterior (perna). Dinossauro terópode.

sexta-feira, maio 09, 2008

Foto do dia: Oviraptor

Durante os passados 7 dias, coloquei uma selecção de fotografias que fiz de dinossauros.

Hoje, a última, é de um Oviraptor, um terópode ovirraptorídeo:

Voltarei a fazer esta sessão de "fotos do dia" caso tenha pedidos dos leitores deste blog.

sábado, maio 03, 2008

Foto do dinossauro do dia: Albertosaurus

Durante uma semana, tentarei fazer o post de uma fotografia de um dinossauro por dia. Hoje começamos pelo Albertosaurus:




terça-feira, janeiro 11, 2005

INTERNATIONAL CONTEST OF DINOSAUR ILLUSTRATION 2005

REGULATIONS of the 5th Annual
INTERNATIONAL CONTEST OF DINOSAUR ILLUSTRATION
ICDI 2005

1. Theme: Dinosaurs and other Mesozoic reptiles. Drawings of bones or life-like representation of dinosaurs are accepted.

2. Identification: The illustrations must be accompanied by the identification of the author (name, age, Email, phone number, address and other contacts). Each illustration should be titled (the name of the dinosaur is preferred).

3. Participants: Any participant, national or foreign, over the age of 15 is accepted.

4. Size and techniques: no smaller than 148 x 210 mm. The frame is optional although encouraged. All illustration techniques and materials are accepted.

5. Illustration selection: The drawings will be selected by their scientific precision and technique quality. Drawings of Portuguese species are preferred as well as species in their natural environment in the case of life reconstitution.

6. Calendar: Participation deadline: 31st of July 2005;
Exposition and prize announcement: October 2005
Devolution of the art-works to authors: From November 2005

7. The prizes will be paid in Euro.
1st prize 1000 Euros
2nd prize 500 Euros
3rd prize 250 Euros
5 honourable mentions 50 Euros each
Two prizes will be for fossils illustrations.


8. Shipping and submissions: The illustrations can be sent by post mail or delivery to the Museum of Lourinhã.

Address: Museu da Lourinhã,
Rua João Luis de Moura,
2530-157 Lourinhã, PORTUGAL.

The Museum is not responsible for any damages or loss of the material in competition. The Museum of Lourinhã will not pay any customs fees or taxes. In order to avoid high fees and customs taxes, we advise US participants to declare the package as “no commercial value” and as a “gift” to the Museum. Participants are advised to provide good packing. In last ICDI editions some illustrations were damaged during posting. Email submissions are not valid.

9. Digital images should be printed in paper but a copy in CD-Rom must be also submitted with a minimum definition of 300 dpi, natural size, not compressed. Those will not be returned.

10. Artwork devolution costs above 50 Euros will be supported by the participant. Digital artwork will not be returned.

11. The Jury is composed by Miguel Telles Antunes (paleontologist), Fernando Correia (biologist e scientific illustrator), Nuno Farinha (biologist e scientific illustrator), Octávio Mateus (paleontologist, organization) e José Projecto (painter). The jury’s final decisions are incontestable and the jury has the right to not attribute any prize, if the lack of the quality justifies it. The competition will only take place if there are, at least, ten competitors.

12. Reproduction rights: The Museum of Lourinhã has all reproduction and divulgations rights of the illustrations, including for books, Internet, merchandizing, editions, publications and scientific studies. The name of the author will be always quoted.

13. Illustrations submitted to previous ICDI editions are not valid.


Museu da Lourinhã
Rua João Luis de Moura,
2530-157 Lourinhã, PORTUGAL
Any questions should be addressed to Octávio Mateus (omateus@dinocasts.com).
www.museulourinha.org
http://www.dinodata.net/lusodinos/contest/index.htm

quarta-feira, setembro 29, 2004

Concurso de Ilustração de Dinossauros 2004: 1º prémio vai para o Brasil

O primeiro prémio do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, que o Museu da Lourinhã organiza pelo quarto ano consecutivo, foi atribuído a um brasileiro pela sua obra. O Concurso consolida a sua importância internacional e vencedor, Maurílo de Oliveira, recebe 1000 Euros.


A edição deste ano do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, organizado pelo Museu da Lourinhã desde 2001, teve a participação de 32 artistas com 51 trabalhos de 14 países.

Obras provenientes de Austrália, Brasil, Bulgária, Canadá, Chile, Colômbia, França, Alemanha, Japão, Polónia, Portugal, Inglaterra, Uruguai e Estados Unidos foram apreciadas pelo júri que avaliou a qualidade técnica e rigor científico. Este júri é composto por cinco membros: 2 paleontólogos (Miguel Telles Antunes e Octávio Mateus) e 3 artistas (Fernando Correia, Nuno Farinha e José Projecto), todos com prática em desenhar dinossauros. Este ano só houve dois portugueses a participarem e nenhum destes foi galardoado.

O brasileiro Maurílio Oliveira, que agora arrebatou o primeiro prémio, tinha participado em todas as edições anteriores do certame mas só agora atingiu o primeiro lugar, levando 1000 euros para casa, devido à sua obra a cores de uma cena do Cretácico do Brasil, que ilustra o dinossauro carnívoro Santanaraptor a roubar os ovos dos exuberantes pterossauros Tapejara.

O segundo prémio, recebido pelo canadiano Dino Pulerà, mostra um crânio de Albertosaurus, um carnívoro "primo" do famoso Tyrannosaurus rex. Esta ilustração científica valeu-lhe 500 euros, nesta que foi a primeira vez que concorreu.

O terceiro prémio foi dedicado a uma espécie portuguesa já emblemática, o Lourinhanosaurus. A ilustração de Juan Cristóbal Calle, da Colômbia, que mostra a reconstituição do aspecto deste dinossauro descoberto na Lourinhã, foi premiada com 250 euros.

O objectivo deste concurso é promover a ilustração de dinossauros, em particular de dinossauros portugueses, e criar um banco de imagens de apoio à paleontologia. Nas quatro edições do certame, o Museu da Lourinhã já recebeu 192 ilustrações de 30 países e já começa a fidelizar alguns artistas internacionais. Este concurso já é visto por muito como o mais importante e conceituado nesta temática.

As obras estarão expostas de 2 a 15 de Outubro no "Espaço Univa", nos antigos Paços do Concelho, na Lourinhã. A entrada é livre.

Os vencedores foram:

1º PRÉMIO (1000 €)
Maurílio Oliveira (Brasil) com a obra a cores de "Santanaraptor & Tapejara"
2º PRÉMIO (500 €)
Dino Pulerà (Canadá) com a obra "Albertosaurus libratus"
3º PRÉMIO (250 €)
Juan Cristóbal Calle (Colômbia) com a obra "Lourinhanosaurus"

MENÇÕES HONROSAS (50 € cada)
Brian Choo (Australia) com a obra "Platypterygius longman"
Chiara Spotorno (Itália) com a obra "Spinosaurus marrocanus"
Maurílio Oliveira (Brasil) com a obra "Lourinhanosaurus + Dacentrurus"
Orlando Grillo (Brasil) com a obra "Staurikosaurus pricei"
Willem Pretorius (Canadá) com a obra "Torvosaurus & Lourinhanosaurus"

NOTAS DE LOUVOR
Alain Bénéteau (França)
Diana Fucci (França)
Karol Sabath (Polónia)

O Museu da Lourinhã já está a preparar a quinta edição do Concurso Internacional de Ilustração Científica, cujo o prazo de entrega dos prémios é 31 de Julho de 2005. O regulamento de 2005 e as ilustrações deste ano estarão disponíveis em breve em http://www.museulourinha.org/ e www.dinodata.net/lusodinos.


Octávio Mateus

quinta-feira, junho 03, 2004

Qual a relação Dinossauros/Aves?

Qual a relação Dinossauros/Aves?
Carlos Marques (Madeira)

RESPOSTA:
As Aves descendem directamente de dinossauros terópodes (bípedes carnívoros) de grupos semelhantes aos Dromaeosauridae, popularmente denominados de “raptors”. Na verdade, alguns destes dinossauros têm muitas características de aves: ossos ocos, furcula, carpos especializados, membros anteriores longos, penas, etc. Também algumas aves primitivas – algumas vivas, outras fósseis – exibem características dinossáuricas como:
1) dentes (em Archaeopteryx),
2) escamas, tal como as aves actuais ainda exibem nos pés.
3) Garras nas mãos (tanto o extinto Archaeopteryx como o actual Hoatzin, ou Cigana, têm garras a meio das asas.

Assim, se as aves descendem dos dinossauros, podemos dizer que as aves são dinossauros! Os dinossauros são répteis, as aves são dinossauros e, por isso, também são répteis! Do ponto de vista filogenético e da taxonomia moderna, as aves são répteis!

As aves são os únicos descendentes dos dinossauros.

Aos dinossauros “tradicionais”, chamamos dinossauros não-avianos.

(C) Octávio Mateus

quinta-feira, abril 29, 2004

NINHO DE PAIMOGO

Os dinossáurios eram os vertebrados de crescimento mais rápido?

Os dinossauros são os vertebrados com o crescimento mais rápido. Os dinossauros da Lourinhã corroboram com esses dados, conforme demonstrado nos estudos feitos por Ricqlés et al (2001).
RICQLÈS, A. DE; MATEUS, O.; ANTUNES, M. TELLES ; & TAQUET, P. (2001). Histomorphogenesis of embryos of Upper Jurassic Theropods from Lourinhã (Portugal). Comptes rendus de l'Académie des sciences - Série IIa - Sciences de la Terre et des planètes. 332(10): 647-656.


Os ovos depositados na Lourinhã seriam de crocodilo?

Na Lourinhã conhecem-se várias jazidas com ovos de dinossauros, entre as quais se destaca a jazida de Paimogo, como um enorme ninho de dinossauros terópodes. Entre mais de uma centena de ovos de dinossauros descobriram-se três ovos de crocodilo, os mais antigos do mundo. Essa ocorrência permite-nos pensar numa relação de comensalismo entre dinossauros e crocodilos durante o Jurássico.

O ninho de Paimogo é o maior e um dos + antigos ou o + antigo e um dos maiores?
O ninho de Paimogo tem cerca de 120 ovos o que o faz o maior ninho do mundo. Existem ovos ou cascas de ovos mais antigos, mas o ninho de Paimogo é a mais antiga estrutura de nidificação. É o único com embriões na Europa e possui os mais antigos ossos embriões do mundo (150 milhões de anos).

Octávio Mateus

quinta-feira, abril 22, 2004

DINOSSAUROS DE PORTUGAL

Dinossauros em Portugal
Os vestígios de dinossauros só se podem encontrar nos terrenos sedimentares do Mesozóico (248 a 65 Milhões de anos; conhecida como a Era dos Répteis). Em Portugal esses sedimentos encontram-se numa mancha oeste desde o Cabo Mondego ao Cabo Espichel, e no Algarve. A área mais rica é a Região Oeste, com o epicentro na Lourinhã.

Os terópodes (carnívoros bípedes)
Ceratosaurus, dinossauro carnívoro primitivo
Lourinhanosaurus antunesi, dinossauro português descoberto na Lourinhã e de que também se conhecem ovos e embriões
Torvosaurus, com quase 2 toneladas foi o maior dinossauro carnívoro em Portugal
Allosaurus, este dinossauro é o carnívoro mais comum na América do Norte
Aviatyrannis jurassica, um antepassado da família do Tyrannosaurus rex
Euronychodon portucalensis, do Cretácico superior, é um dos dinossauros mais recentes de Portugal


Os saurópodes (os gigantes de pescoço comprido)
Apatosaurus, é o dinossauro mais comprido de Portugal
Lusotitan atalaiensis, espécie da família do famoso Brachiosaurus.
Dinheirosaurus lourinhanensis, descoberto em Porto Dinheiro, Lourinhã
Lourinhasaurus alenquerensis, descoberto perto de Alenquer


Os ornitópodes (herbívoros bípedes)
Draconyx loureiroi, dinossauro único, descoberto na Lourinhã
Iguanodon, Alocodon, Phyllodon e Trimucrodon, são conhecidos unicamente a partir de dentes.
Taveirosaurus costai, do Cretácico superior de Taveiro


Os tireóforos (os couraçados)
Dacentrurus armatus, com espinhos e placas, este foi um dos dinossauros mais comuns em Portugal
Dracopelta zbyszewskii, dinossauro couraçado com placas no dorso
Lusitanosaurus liasicus, dinossauro mais antigo de Portugal

por Octávio MATEUS

terça-feira, março 23, 2004

PEGADAS DE DINOSSAUROS EM ÓBIDOS

Uma nova jazida com cerca de 130 pegadas de dinossauros do Cretácico foi descoberta na Praia de Olhos de Água, no litoral do concelho de Óbidos.

Os trabalhos de campo, conduzidos pelo paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, começaram imediatamente, deixando à vista cerca de 130 pegadas do Cretácico Inferior com cerca de 100 milhões de anos. O estudo preliminar já foi realizado por Octávio Mateus e Miguel Telles Antunes, da Universidade Nova de Lisboa, no que é uma das mais interessantes jazidas de pegadas de dinossauros em Portugal, com 17 trilhos e um total de 130 pegadas feitas por diferentes dinossauros. Há, pelo menos, três espécies distintas, todas bípedes, entre dinossauros terópodes (carnívoros) e ornitópodes (herbívoros) de médio e grande porte.

Os trilhos mais longos medem apenas 19 metros mas muito mais está ainda por descobrir assim que forem removidas as toneladas de terra e rocha que cobrem as pegadas. Estima-se a existência de mais de 200 pegadas de dinossauro.

Entre outras particularidades a jazida mostra um trilho de um dinossauro carnívoro que fez uma curva acentuada, e outro que têm os passos direitos mais compridos que os esquerdos, sugerindo que coxeava.

quinta-feira, março 11, 2004

Allosaurus em Portugal

> Soube, recentemente, através duma
> conceituada revista científica, da descoberta de um
> alosauro (ou espécie semelhante) na região de Torres
> Vedras. Existe algum plano de continuidade nos
> trabalhos de campo, ou foi apenas uma situação
> pontual, apenas para recuperar aquele achado?
> Pedro (outkast_2004@megamail.pt)

RESPOSTA:
O trabalho de estudo do Allosaurus de Torres Vedras persiste mas
desconheço se há planos para a continuidade no trabalho de campo.
(Octávio Mateus)

sábado, fevereiro 28, 2004

Paimogo, um ninho de dinossauros

Octávio Mateus
Museu da Lourinhã
omateus@dinocasts.com
www.dinodata.net/lusodinos & www.dinocasts.com

texto publicado em: MATEUS, O. (2003). Paimogo, um ninho de dinossauros. Revista Cais, 79, Set, 2003.

ERA UMA VEZ…
Alguns dinossauros carnívoros fêmeas reuniam-se todos os anos para nidificarem nas areias perto de uma lagoa de águas calmas. Nesse ano, juntaram-se sete fêmeas. A mais jovem tinha seis metros de comprimento, enquanto a mais velha rondava uns possantes oito metros. Após escolherem um sítio perto do que já tinha sido utilizado no ano anterior, a primeira fêmea pôs uma vintena de ovos, muito juntos, cada um com cerca de 12 cm. Os outros dinossauros fêmeas imitaram-na durante o resto do dia, até o ninho ser uma gigantesca concentração de 180 ovos de dinossauro carnívoro.
Estes dinossauros protegiam o ninho contra os comedores de ovos como crocodilos, lagartos e mesmo outros dinossauros. Ainda assim, um crocodilo de médio porte aproxima-se sorrateiramente daquela preciosa pilha de ovos com o cuidado de não ser detectado pelos dinossauros. O seu intuito não era predar o ninho e, rapidamente, deposita os seus próprios ovos no meio dos de dinossauro. Este crocodilo fêmea retira-se assim que termina a sua tarefa, deixando a sua prole bem protegida por um grupo de dinossauros carnívoros.
O tempo passa e, além de um ou outro ovo roubado e comido, os pequenos dinossauros desenvolvem-se depressa no seu líquido amniótico protector. Naquela região eram frequentes fortes aguaceiros mas, naquela altura, chovia mais do que o habitual. A chuva não parava, o lago começou a encher e a transbordar, até que chegou ao precioso ninho dos dinossauros, cobrindo-o com aquela água lamacenta que acabou por asfixiar e matar os pequenos embriões prestes a eclodir.

150 MILHÕES DE ANOS DEPOIS…
Cerca de 150 milhões de anos depois, aquele local, agora conhecido como Paimogo (perto da Lourinhã), é muito diferente. Em 1993, era palco de actividades de prospecção paleontológica por Isabel Mateus, que já conhecia o aspecto das cascas de ovos de dinossauros. Isabel acabava de fazer a maior descoberta da sua vida: um ninho de ovos de dinossauro com ossos de embrião!

O cenário acima descrito é uma interpretação que a equipa de paleontólogos nacionais e estrangeiros sugere para o que aconteceu há cerca de 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Superior, com base nos dados científicos obtidos pelo Museu da Lourinhã em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa, Museu de História Natural de Paris, Universidade de Coimbra, Colégio de França e Instituto Geológico e Mineiro.

A IMPORTÂNCIA DA JAZIDA
A jazida de Paimogo é a mais importante jazida paleontológica do Jurássico português. Trata-se do maior ninho de dinossauro do mundo, o único com embriões na Europa e um dos mais antigos que se conhecem. A revista americana Discover considerou-a uma das 100 descobertas científicas mais importantes de 1997, ano em que foi divulgada. A revista Expresso elegeu o casal Isabel e Horácio Mateus como Figuras do Ano 1997.

A presença de embriões neste ninho, raríssima a nível mundial, permitiu identificar a espécie de dinossauro: um Lourinhanosaurus. Este era conhecido anteriormente a partir de parte de um esqueleto de um indivíduo sub-adulto que, caso estivesse completo, tinha cerca de 4,5 metros de comprimento.
Com mais de 200 ossos de embrião identificados, era possível, pela primeira vez, classificar a espécie de dinossauro a que pertenciam aqueles ovos jurássicos, além de responder a muitas perguntas que os cientistas colocavam sobre o crescimento, reprodução e comportamento de dinossauros.
Os pequenos Lourinhanosaurus atingiriam uma dimensão adulta (talvez com 8 metros) em menos de 10 anos, o que faz dos dinossauros os animais de crescimento mais rápido entre os vertebrados. Pode conhecer-se a idade dos dinossauros contando-se os anéis de crescimento lento dos ossos, num processo análogo àquele utilizado nos troncos de árvores.

Os três ovos de crocodilo depositados neste ninho são os mais antigos que se conhecem e os paleontólogos acreditam que foram aí colocados para beneficiarem da protecção dos dinossauros.

Quanto a esta jazida, há ainda muitas questões sem resposta e a investigação está longe de terminar. Ainda assim, a jazida de Paimogo já é uma referência mundial no que concerne à reprodução de dinossauros.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Aviatyrannis jurassica

Foi descrito em 2003 um novo género e espécie de tiranossaurídeo sob o nome
Aviatyrannis jurassica.

MATERIAL:
O holótipo é um ílio direito incompleto com 90 mm (IPFUB Gui Th 1; Fig. 63)
da Guimarota (Rauhut, 2000: 79). Outros elementos foram atribuídos a esta
espécie por Rauhut (2003: 905 e 906): ílio incompleto (IPFUB Gui Th 2),
ísquio direito incompleto (IPFUB Gui Th 3) e dentes pré-maxilares de
Guimarota; ílio incompleto da Dakota do Sul.


Proveniência: Mina da Guimarota (Leiria).
Idade: Kimeridgiano/Titoniano: Camadas de Alcobaça.
Referências: Madsen (1974), Chure e Madsen (1998), Foster e Chure (2000),
Rauhut (2000), Rauhut (2003).

Etimologia: Do latim, Avia = avó; tyrannis forma do genitivo tyrannus,
tirano; jurassica refere a idade.


DISCUSSÃO
Visto inicialmente como Stokesosaurus o ílio (IPFUB Gui Th 1) é material
tipo de Aviatyrannis jurassica Rauhut (2003).

Concordamos com a atribuição deste espécime a um tiranossauróide mas a
utilização de um osso incompleto e isolado parece insuficiente para a
atribuição de um novo género. Seria mais prudente a combinação Stokesosaurus
jurassica.

A diagnose do género Stokesosaurus é: "Relatively small theropod, with
maximum adult length of no more than 4 meters; ilium with distinct median
vertical ridge that bridges hood of acetabulum with dorsal margin of the
blade; blade extremely thin on either side" Madsen (1974)".

Aviatyrannis, de Portugal, e Stokesosaurus, da Formação de Morrison
nos EUA, representam os mais antigos tiranossauróides conhecidos.

Rauhut (2003) sugere que a origem dos tiranossauróides poderá
provir do Jurássico médio e superior da Europa/América do Norte.



A possível atribuição de um ílio recolhido na Dakota do Sul (de
paradeiro actualmente desconhecido) a este táxone eleva o primeiro género de
um dinossauro do Jurássico superior português a ser identificado fora do
país. Por outro lado o holótipo de Stokesosaurus, o espécime de Dakota do
Sul e o material português poderão ser congenéricos em que a variação
morfológica representa variedade intragenérica associada à mudança
ontogenética. O espécime da Guimarota é o mais pequeno de todos (ílio com
cerca de 90 mm) e é possível que as suas diferenças sejam sobretudo
ontogenéticas.

Esta questão só será devidamente esclarecida com a recolha de novo material.


quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Megalosaurus pannoniensis

>
> Na sua publicação "Dinosaurs of Portugal" (Antunes & Mateus 2003) voçê faz
> referência a três fragmentos dentários e três garras, encontrados em Viso, e
> que o género deve ser considerado como nomina dubia.
>
> Como também me interesso por paleontologia portuguesa, isto suscitou a minha
> curiosidade, e gostaria de lhe perguntar se tem mais alguma informação
> disponível sobre esta espécies.
>
> Pedro Andrade

Resposta por Octávio Mateus:

Eu não reconheço a validade do género Megalosaurus, mas a maioria dos paleontólogos fá-lo. Este assunto ainda é muito debatido entre paleontólogos.

Megalosaurus pannoniensis foi descrito por Seeley (1881) com base em dois dentes do Daniano de França sem caracteres diagnósticos suficientes, pelo que deverá ser considerada nomen dubium. Lapparent e Zbyszewski (1957: 27) identificaram três fragmentos de dentes e três falanges ungueais do Maastrichtiano de Viso como de Megalosaurus cf. pannoniensis. Antunes e Pais (1978: 116) também citam um Megalosauridae, “Megalosaurus pannoniensis”, em Taveiro.

domingo, dezembro 28, 2003

TERÓPODES, Os Carnívoros

Os terópodes (Theropoda) eram dinossauros carnívoros bípedes, dos quais o Tyrannosaurus rex é o mais famoso.
A maioria dos terópodes eram predadores ou necrófagos. Tinham dentes afiados e serrilhados, adaptados a matar e a cortar carne.
Um grupo muito especial de terópodes com penas, os dromeossauros, deram origem às aves.
Conhecem-se várias espécies de terópodes no Jurássico Superior de Portugal, entre os quais:
Ceratosaurus
Lourinhanosaurus antunesi
Torvosaurus
Allosaurus
Aviatyrannis jurassica
Dromaeosauridae

O Torvosaurus era o maior terópode de Portugal.

OS DINOSSAUROS

Os dinossauros (dinos= terrível + sauros= lagarto) são répteis que viveram durante 160 milhões de anos. Foram dos grupos de vertebrados mais bem sucedidos na Terra. Distiguem-se dos outros répteis por terem os membros posteriores parassagitais (abaixo do corpo).

Diversidade: Conhecem-se cerca de 1000 espécies de dinossauros e acredita-se que estas representam apenas 2 a 5% dos dinossauros que existiram. Os dinossauros dividem-se em saurísquios (Saurischia) e ornitísquios (Ornithischia).

Alimentação: Tal como entre os mamíferos actuais, havia dinossauros carnívoros, hervívoros, omnívoros, necrófagos, etc.

Dinossauros actuais: As aves derivam (descendem) directamente do dinossauros terópodes (carnívoros) sendo, por isso, consideradas dinossauros modernos. As vês são, portanto, os únicos dinossauros que não se extinguiram.

Tamanho: O dinossauro mais pequeno que se conhece é o colibri, ave com 2 cm. Entre os dinossauros não-avianos, os mais quepenos eram do tamanho de uma galinha, enquanto que os maiores tinham 40 metros de comprimento e 49 toneladas.