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domingo, agosto 16, 2020

Lusovenator santosi, um novo terópode da Lourinhã

 Temos um novo terópode em Portugal, o Lusovenator santosi

Lusovenator (que significa "caçador português") é um género de dinossauro terópode carcarodontossauro , do Jurássico Superior ( Kimmeridgiano) do Valmitão, concelho da Lourinhã e da Formação Lourinhã. Inclui uma espécie, Lusovenator santosi . Os vestígios conhecidos consistem no holótipo SHN.036 um esqueleto pós-craniano parcial preservando odontóide, intercentro atlantal, uma vértebra cervical, espinhas neurais cervicais isoladas, vértebras dorsais, fragmentos de vértebras sacrais, vértebras caudais, divisas, fragmentos de costelas cervicais e dorsais, ílio direito, ambos púbis e ísquios, que se pensa representar um indivíduo jovem, e o paratipo SHN.019," um esqueleto parcial representado por uma série de vértebras caudais articuladas e pés direitos quase completos.

O holótipo foi descoberto na década de 1980 por José Joaquim dos Santos na Lourinhã que doou a sua coleção de fósseis à Sociedade de História Natural cerca de trinta anos depois. O holótipo sem nome foi descrito e colocado no Allosauroidea em 2017. O neótipo foi descrito em 2019 e ambos os espécimes foram colocados dentro de Carcharodontosauria . 


Lusovenator (imagem de https://ciencias.ulisboa.pt/pt/noticia/11-07-2020/lusovenator-santosi)
Lusovenator (imagem de https://ciencias.ulisboa.pt/pt/noticia/11-07-2020/lusovenator-santosi)Adicionar legenda


O nome Lusovenator é excelente. Como curiosidade, nós também tinhamos pensado nesse nome, mas que agora fica sob esta prioridade.

Parabéns aos autores!

Elisabete Malafaia; Pedro Mocho; Fernando Escaso; Francisco Ortega (2020). "A new carcharodontosaurian theropod from the Lusitanian Basin: evidence of allosauroid sympatry in the European Late Jurassic". Journal of Vertebrate Paleontology. Online edition: e1768106. doi:10.1080/02724634.2020.1768106.

sexta-feira, janeiro 17, 2020

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor


Investigador da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Miguel Moreno-Azanza, fez novas novas descobertas de ovos de dinossauros.

Referência:
Choi, S., Moreno‐Azanza, M., Csiki‐Sava, Z., Prondvai, E. and Lee, Y.‐N. (2020), Comparative crystallography suggests maniraptoran theropod affinities for latest Cretaceous European ‘geckoid’ eggshell. Pap Palaeontol. doi:10.1002/spp2.1294 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/spp2.1294

Replicamos aqui a notícia de 16 de Janeiro de 2020, no Observador.

Casca de ovo misteriosa pertence a dinossauro da família do "vilão" Velociraptor

Mais um quebra-cabeças resolvido na paleontologia. Casca de ovo com pelo menos 66 milhões de anos é de dinossauro da família do Velociraptor, vilão em Parque Jurássico. Português ajudou na descoberta.


Nos anos 90, uma equipa de paleontólogos explorou na Europa um estranho fóssil da casca de ovo que pertencia a algum animal que tinha vivido na Terra há entre 66 milhões e 85 milhões de anos. Chamaram-lhe Pseudogeckoolithus, mas ninguém sabia que animal era esse. Algumas características pareciam ser de um antepassado das osgas modernas, mas outras eram mais próximas dos dinossauros predadores. Trinta anos depois, o mistério foi deslindado com a ajuda de um português.

Através de uma nova técnica que permite saber como é que as moléculas e os átomos se organizam dentro de um fóssil, os cientistas descobriram que aquela casca de ovo era de um dinossauro da família do Velociraptor, que talvez conheça por ser o principal vilão do filme Parque Jurássico. Por fora, o ovo até podia parecer de uma osga. Mas era completamente diferente a nível microscópico e estava muito mais próximo das características químicas dos ovos de dinossauro.

A casca destes ovos era muito fina — não ultrapassava os 0,3 milímetros de espessura — tinha canais respiratórios e pequenos botões e nós à superfície. Os ovos de Pseudogeckoolithus eram do mesmo tamanho que os ovos de um corvo, com três a quatro centímetro de diâmetro, mas a mãe devia ter o tamanho de uma galinha.

Tal como o faisão, por exemplo, um tipo de megapode que constrói montes de terra e vegetação para receber as novas crias, também este dinossauro enterrava os ovos nesse tipo de ninhos para os aquecer com a energia libertada durante a fermentação da matéria orgânica. Apesar do aspeto dos ovos ser semelhante ao das osgas atuais, a estrutura cristalina deles prova que eram postos por dinossauros.

Isso mesmo é explicado por Miguel Morena-Azanza, cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e paleontólogo do Museu da Lourinhã que esteve envolvido nesta descoberta. “A identidade enganosa de Pseudogeckoolithus já foi abordada por Nieves López-Martínez e Monique Vianey, que a nomearam nos anos 90. Eles classificaram essa casca de ovo como dinossauro, mas chamaram-na de ‘casca de ovo de pedra parecido com uma osga’, que é o que Pseudogeckoolithus representa. Agora essas novas técnicas permitiram-nos confirmar firmamente a sua observação inicial”, conta.

Isto é importante porque permite saber mais sobre o passado da vida da Terra e sobre como ela evoluiu até aos dias de hoje. Como foram encontrados muitos fósseis de Pseudogeckoolithus no sul da Europa e no norte de África, se estes ovos fossem de osgas isso significaria que, no final do tempo dos dinossauros, já havia nestas regiões lagartos semelhantes às osgas modernas.

Com esta descoberta, essa teoria cai por terra. E outra emerge: afinal, no final do Cretácio, havia muitos pequenos dinossauros predadores e semelhantes a pássaros em toda a Europa. Essa já era uma desconfiança dos paleontólogos, mas não havia certas porque os fósseis desses animais são muito raros. Estas cascas de ovo, no entanto, lançam luz sobre o passado da vida que se desenvolvia no solo que agora pisamos.

quarta-feira, novembro 27, 2019

Identificação de dentes de dinossauros carnívoros

Um novo estudo analisou em detalhe os dentes dos dinossauros carnívoros e permite identificar dentes isolados, algo considerados muito difícil até agora. Este é o resultado da tese de doutoramento de Christophe Hendrickx na Universidade Nova de Lisboa.

Os dentes terópodes isolados são alguns dos fósseis de vertebrados mais comuns no registro fóssil do mesozóico e são continuamente relatados na literatura científica. Métodos quantitativos recentemente desenvolvidos melhoraram nossa capacidade de testar as afinidades de dentes isolados, mas na maioria dos estudos, os dentes são diagnosticados em caracteres qualitativos. Isso pode ser problemático porque a distribuição dos caracteres dentais dos terópodes ainda é pouco documentada e frequentemente restrita a uma linhagem. Para ajudar na identificação de dentes terópodes isolados e para avaliar com mais rigor seu potencial taxonómico e filogenético, Hendrickx et al. (2019) avaliaram as características dentárias de duas maneiras. Analisamos primeiro a distribuição de 34 caracteres dentários qualitativos em uma ampla amostra de taxa. Propriedades funcionais para cada característica dental foram incluídas para avaliar como a similaridade funcional gera homoplasias. Em seguida, compilaram uma matriz quantitativa de dados de 145 caracteres dentários para uma taxa de 97 saurísquios. Este último foi utilizado para avaliar o grau de homoplasia dos caracteres dentários qualitativos, abordar questões de sobre o valor taxonómico e bioestratigráfico dos dentes dos terópodes e explorar as principais tendências evolutivas na dentição dos terópodes.





Em conjuntos reduzidos de dados filogenéticos de Theropoda, os caracteres dentários exibem níveis mais altos de homoplasia do que os caracteres não dentários, mas ainda fornecem informações úteis de agrupamento e otimizam sinapomorfias locais de clados inferiores. Em conjuntos de dados filogenéticos mais amplos, o grau de homoplasia exibido por caracteres dentais e não dentários não é significativamente diferente. Características dentárias nas ornamentações das coroas, textura do esmalte e microestrutura dentária têm significativamente menos homoplasia do que outras características dentárias e podem ser usadas para identificar muitos taxas de terópodes no nível de 'família' ou 'subfamília', e algumas de género ou espécie. Essas características devem, portanto, ser uma prioridade para investigações que procuram classificar dentes isolados.

Estas observações melhoram a utilidade taxonômica dos dentes dos terópodes e, em alguns casos, podem ajudar a tornar os dentes isolados úteis como marcadores bioestratigráficos. Essa lista proposta de características dentárias em terópodes deve, portanto, facilitar futuros estudos sobre a paleontologia sistemática de dentes isolados.

Hendrickx, C., Mateus O., Araújo R., & Choiniere J. (2019).  The distribution of dental features in non-avian theropod dinosaurs: Taxonomic potential, degree of homoplasy, and major evolutionary trends. Palaeontologia Electronica. 22(3), 1-110.
https://palaeo-electronica.org/content/2019/2806-dental-features-in-theropods



sábado, julho 27, 2019

Pegadas de dinossauros carnívoros gigantes e dispersão entre África e Europa

As pegadas de dinossauros carnívoros mostra que existiam dois gigantes e dispersão entre África e Europa durante o Jurássico Superior


Trilhos e pegadas de dinossauro terópodes do jurássico superior são muito comuns no Norte da África e na Europa. Dois icnotaxa recentemente descritos, Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, do Kimmeridgiano da Suíça mostram a coexistência de dois predadores no mesmo paleoambiente e pegadas semelhantes podem ser encontradas na Península Ibérica e do Marrocos.

No artigo Late Jurassic globetrotters compared: A closer look at large and giant theropod tracks of North Africa and Europe publicado no Journal of African Earth Sciences foram exploradas ainda mais as semelhanças entre os ichnotaxa suíços e as outros trilhos da Alemanha (Kimmeridgiano), Espanha (Titoniano-Berriasiano), Marrocos (Kimmeridgiano) e Portugal (Oxfordiano-Titoniano) através de novas comparações de dados tridimensionais. Este artigo liderado por Matteo Belvedere e que contou com a participação de paleontólogos da Suíça, Espanha e Portugal: Diego Castanera, Christian A.Meyer, Daniel Marty, Octávio Mateus, Bruno Camilo Silva, Vanda F. Santos, e Alberto Cobos. A icnologia digital permitiu a comparação 3D de trilhos de diferentes caminhos e paleoambientes e as revisões icnotaxonómicas beneficiam com a icnologia digital. Os espécimes foram agrupados em dois morfotipos: 1) grande e grácil (30 <Comprimento do Pé <50cm) e 2) gigante e robusto (FL> 50cm).

As análises mostram uma grande sobreposição morfológica entre estes dois morfotipos e os icnotaxa suíços (Megalosauripus transjuranicus e Jurabrontes curtedulensis, respectivamente), mesmo com diferenças no ambiente sedimentar e na idade. Ou seja, as análises mostram que havia dois tipos de predadores de topo nesses paleoambientes. Isto sugere uma ocorrência generalizada de icnotaxa semelhante ao longo da margem ocidental de Tétis durante o Jurássico Superior. Os novos dados suportam a hipótese de uma troca de fauna Gondwana-Laurásia durante o Jurássico Médio ou início do Jurássico, e a presença de rotas migratórias ao redor do Tétis. A dispersão de fauna entre o Gondwana e a Laurásia são prováveis, mas as rotas não são evidentes.

As pegadas Jurabrontes curtedulensis são possivelmente feitas pelo terópode Torvosaurus gurneyi.


segunda-feira, junho 17, 2019

Lista de dinossauros de Portugal

Lista de dinossauros de Portugal


Ornithischia
Trimucrodon cuneatus Thulborn, 1973
Taveirosaurus costai Antunes & Sigogneau-Russell, 1991
Miragaia longicollum Mateus et al., 2009
?Dacentrurus armatus Owen, 1875
Stegosaurus sp.
Dracopelta zbyszewskii Galton, 1980
Lusitanosaurus liasicus Lapparent & Zbyszewski, 1957
Alocodon kuehnei Thulborn, 1973
Phyllodon henkeli Thulborn, 1973
Eousdryosaurus nanohallucis Escaso et al., 2014
Draconyx loureiroi Mateus & Antunes, 2001
cf. Iguanodon sp.

Sauropoda
Zby atlanticus Mateus et al., 2014
Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte & Mateus, 1999
Lourinhasaurus alenquerensis (Lapparent & Zbyszewski, 1957)
Lusotitan atalaiensis (Lapparent & Zbyszewski, 1957)
Oceanotitan dantasi Mocho et al. 2019

Theropoda
Abelisauridae ind.
Ceratosaurus nasicornis Marsh, 1884
Torvosaurus gurneyi Hendrickx and Mateus, 2014
Baryonyx walkeri Charig & Milner, 1986
Carcharodontosauria indet.
Allosaurus europaeus Mateus et al., 2006
?Allosaurus fragilis Marsh, 1877
Lourinhanosaurus antunesi Mateus, 1997
Aviatyrannis jurassica Rauhut, 2003
cf. Compsognathus sp.
cf. Paronychodon sp.
cf. Dromaeosaurus sp.
Richardostesia cf. gilmorei Currie, 1990
Euronychodon portucalensis Antunes & Sigogneau-Russell, 1991

Parada dos dinossauros terópodes (por Pedro Andrade).

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segunda-feira, março 05, 2018

Tyrannosaurus rex 'Trix' nas aulas abertas de Paleontologia de Vertebrados

Começa esta semana um novo semestre de aulas. Na FCT Nova, recomeça o Mestrado em Paleontologia com aulas de Paleontologia de Vertebrados, entre outras.

Nesse enquadramento, o paleontólogo Anne Schulp (Naturalis, NL) especialista em mosassauros e líder do projecto de estudo do Tyrannosaurus rex 'Trix', vai dar uma aula / palestra na próxima quinta-feira (8 de Março), 14:30, no DCT-FCT NOVA (sala 3.34), Caparica.

A palestra será aberta ao público.

As aulas de Paleontologia de Vertebrados são normalmente restritas mas este ano decidimos abrir ao público geral, gratuitamente. As aulas são habitualmente às quintas e sextas-feiras. Para participar nestas Aulas Abertas de Paleontologia de Vertebrados, terá de se inscrever, enviando um email para omateus+pv@fct.unl.pt demonstrando o seu interesse e informar sobre as suas qualificações.

As aulas serão em inglês e há limites de vagas.
Esperemos vê-lo em breve.

Tyrannosaurus rex Trix, na exposição da CosmoCaixa, Barcelona (OM2018)



quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Dinossauros mudavam entre corrida e andar de forma mais sauve que os humanos

Sabemos que a locomoção dos primeiros dinossauros era bípede, caminhando e correndo sobre as patas traseiras. Actualmente há três grupos principais de vertebrados que caminham regularmente sobre as duas patas: humanos, aves e cangurus. Estes últimos saltam e as pegadas indicam que essa não era a forma de locomoção dos dinossauros. Seria a locomoção dos primeiros dinossauros mais parecida a dos humanos ou das aves?
Aprender como os dinossauros de terópodes extintos e não avianos se mexiam é importante porque esta é a linhagem de deu origem às aves. As pegadas fósseis fornecem a evidência mais direta para responder a essas perguntas. No estudo por Phillip J Bishop e colegas (2017) mediram a largura do passo em relação à velocidade nos trilhos de terópodes não avianos do Triásico. Os dados foram comparados com humanos e 11 espécies de aves corredoras.
Os testes de permutação da inclinação mostraram que a largura do passo diminuiu continuamente com o aumento da velocidade nos terópodes extintos e em cinco espécies de aves. Os seres humanos, em contrapartida, diminuem a largura do passo na transição de andamento. Nos bípedes modernos, esses padrões refletem o uso de um repertório locomotor descontínuo, caracterizado por marchas distintas (nos humanos), ou por um repertório locomotor contínuo, com uma transição suave entre correr e andar (nas aves).


Transição entre o andar e a corrida (Bishop et al, 2017) 
Os terópodes não-avianos tinham uma transição contínua e suave entre o andar e o correr. Assim, características que caracterizam a locomoção terrestre aviana começaram a evoluir no início da história dos terópodes.

Este estudo inclui o autor Luis Pardon Lamas, da Faculdade de Medicina Veterinária, em Lisboa.


Bishop, P.J., Clemente, C.J., Weems, R.E., Graham, D.F., Lamas, L.P., Hutchinson, J.R., Rubenson, J., Wilson, R.S., Hocknull, S.A., Barrett, R.S. and Lloyd, D.G., 2017. Using step width to compare locomotor biomechanics between extinct, non-avian theropod dinosaurs and modern obligate bipeds. Journal of The Royal Society Interface, 14(132), p.20170276.
http://rsif.royalsocietypublishing.org/content/14/132/20170276

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Espinossauros de Marrocos: estudo confirma a existência de duas espécies


O dinossauro predador Spinosaurus engolia peixes como os actuais pelicanos fazem. Esta é uma das conclusões de um estudo pela Universidade Nova de Lisboa. Ossos da mandíbula destes grandes dinossauros se alimentam de peixes conhecidos como espinossauros mostram que mandíbula destes animais abria lateralmente para melhor abranger a presa, de acordo com um artigo publicado na revista PLOS ONE, por Christophe Hendrickx e Octávio Mateus da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, e Eric Buffetaut, de CNRS de Paris.
Two spinosaur species feeding of fish in the Kem Kem environment of Southeastern Morocco around 100 million years ago. Artwork by Sergey Krasovskiy (http://atrox1.deviantart.com/gallery/), advised by Christophe Hendrickx, Serjoscha Evers, Andrea Cau and Scott Hartman.
O estudo revela que o alargamento lateral da mandíbula inferior foi possível em Spinosaurus graças a uma articulação solta e móvel entre as partes esquerda e direita da mandíbula. "Os Spinosaurus eram animais piscívoros muito estranhos com um crânio semelhante ao de um crocodilo com um focinho longo e estreito e dentes cónicos", explicou Octávio Mateus. "Evidências diretas indicam que estes dinossauros eram comedores de peixe, e nosso estudo mostra, pela primeira vez, que eles eram capazes de engolir grandes presas, de uma forma semelhante como nossos pelicanos que vivem", acrescentou Hendrickx.
Os cientistas dizem que os ossos de vários crânios também mostram a presença de duas espécies de espinossauros no Cretácico de Marrocos, há cerca de cem milhões de anos atrás. A primeira espécie foi identificada pelos paleontólogos como Spinosaurus aegyptiacus, um dinossauro semi-aquático e um dos maiores predadores terrestres. "Esta linhagem de dinossauros predadores que levou ao Spinosaurus pode ser rastreada até ao período Jurássico, tendo, gradualmente, adaptado-se a um novo estilo de vida semi-aquático", disse Eric Buffetaut, um co-autor da publicação do CNRS em França.

Spinosaurus foi recentemente considerado como um animal quadrúpede com ossos densos e pernas curtas adaptadas à natação, com base em novos materiais fósseis da mesma região de Marrocos. Hendrickx e colegas, no entanto, mostram a presença de mais de uma espécie de espinossauros nesses depósitos e lançam dúvidas sobre a precisão da reconstrução de um Spinosaurus quadrúpede de pernas curtas, o que pode ter sido baseada em elementos de vários animais distintos. "Só a descoberta de fósseis adicionais de Marrocos poderá confirmar a nossa hipótese de a presença de mais de uma espécie de espinossauros no Cretácico Superior do Norte de África", concluiu Hendrickx.


Morphology of the upper jaw bone belonging to two species of spinosaurs. Reconstruction by Christophe Hendrickx.


Publication reference: Hendrickx, C., Mateus, O. and Buffetaut, E. 2016. Morphofunctional analysis of the quadrate of Spinosauridae (Dinosauria: Theropoda) and the presence of Spinosaurus and a second spinosaurine taxon in the Cenomanian of North Africa. PLOS ONE.
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0144695


Supplementary information, including illustrations, are available at https://drive.google.com/open?id=0B2-1jKWHZywJeVZ5RjR2MVBFMXM

The Belgian paleontologist Dr. Christophe Hendrickx, leading author of the study. Photo taken by Octávio Mateus.



terça-feira, setembro 22, 2015

Anatomia ao Quadrado

Em anatomia, o quadrado é um osso craniano existente em todos os tetrápodes e que nos mamíferos deu origem ao estribo, um dos ossículos do ouvido. Curiosamente o osso quadrado não é de forma quadrada... antes pelo contrário! A geometria tridimensional complexa, a sua posição pivotal no crânio, a importância na classificação e sistemática, a função na audição e na mecânica mandibular dão importância a este osso para a compreensão da evolução. 
Christophe Hendrickx, da FCT Universidade Nova de Lisboa, empenhou-se para esclarecer uma série de aspectos evolutivos nos terópodes usando, dentes, ossos bucais e, precisamente. o osso quadrado. O primeiro desses estudos foi publicado na PeerJ e trata da terminologia padronizada, função e anatomia em dinossauros terópodes não-avianos.









Abstract
The quadrate of reptiles and most other tetrapods plays an important morphofunctional role by allowing the articulation of the mandible with the cranium. In Theropoda, the morphology of the quadrate is particularly complex and varies importantly among different clades of non-avian theropods, therefore conferring a strong taxonomic potential. Inconsistencies in the notation and terminology used in discussions of the theropod quadrate anatomy have been noticed, including at least one instance when no less than eight different terms were given to the same structure. A standardized list of terms and notations for each quadrate anatomical entity is proposed here, with the goal of facilitating future descriptions of this important cranial bone. In addition, an overview of the literature on quadrate function and pneumaticity in non-avian theropods is presented, along with a discussion of the inferences that could be made from this research. Specifically, the quadrate of the large majority of non-avian theropods is akinetic but the diagonally oriented intercondylar sulcus of the mandibular articulation allowed both rami of the mandible to move laterally when opening the mouth in many of theropods. Pneumaticity of the quadrate is also present in most averostran clades and the pneumatic chamber—invaded by the quadrate diverticulum of the mandibular arch pneumatic system—was connected to one or several pneumatic foramina on the medial, lateral, posterior, anterior or ventral sides of the quadrate.


Hendrickx C, Araújo R, Mateus O. (2015) The non-avian theropod quadrate I: standardized terminology with an overview of the anatomy and function. PeerJ3:e1245 https://dx.doi.org/10.7717/peerj.1245

segunda-feira, setembro 14, 2015

Dentes de terópodes megalossauros

Foi publicado mais um artigo (em versão final), o terceiro neste verão de 2015, sobre dentes de dinossauros carnívoros como resultado do doutoramento de Christophe Hendrickx pela Universidade NOVA de Lisboa, desta vez sobre a dentição de dinossauros terópodes megalossauros.






É um estudo baseado em dezenas de dentes da Europa, África, América do Norte, América do Sul e Ásia. O estudo inclui dentes de Torvosaurus gurneyi do Jurássico Superoor de Portugal, em exposição no Museu da Lourinhã.

Resumo no original:
Theropod teeth are particularly abundant in the fossil record and frequently reported in the literature. Yet, the dentition of many theropods has not been described comprehensively, omitting details on the denticle shape, crown ornamentations and enamel texture. This paucity of information has been particularly striking in basal clades, thus making identification of isolated teeth difficult, and taxonomic assignments uncertain. We here provide a detailed description of the dentition of Megalosauridae, and a comparison to and distinction from superficially similar teeth of all major theropod clades. Megalosaurid dinosaurs are characterized by a mesial carina facing mesiolabially in mesial teeth, centrally positioned carinae on both mesial and lateral crowns, a mesial carina terminating above the cervix, and short to well-developed interdenticular sulci between distal denticles. A discriminant analysis performed on a dataset of numerical data collected on the teeth of 62 theropod taxa reveals that megalosaurid teeth are hardly distinguishable from other theropod clades with ziphodont dentition. This study highlights the importance of detailing anatomical descriptions and providing additional morphometric data on teeth with the purpose of helping to identify isolated theropod teeth in the future.

Hendrickx, C., Mateus, O., Araújo, R. 2015. The dentition of megalosaurid theropods. Acta Palaeontologica Polonica 60 (3): 627–642.  www  PDF

Este artigo já tinha sido divulgado pela APP mas sai agora em versão final.

Após o doutoramento na FCT-UNL, o Christophe está agora a fazer o pós-doutoramento na Universidade de Witwatersrand, em África do Sul.


domingo, setembro 06, 2015

Terminologia dentária de dinossauros terópodes

A maioria dos dinossauros carnívoros tinham dentes em forma de faca, serrilhados nas margens, com dentículos em larga medida semelhantes aos de uma faca de cozinha. Os dentes são dos elementos anatómicos mais comuns no registo fóssil porque: são fáceis de identificar, são a estrutura mais dura do corpo, eram numerosos (os répteis, peixes e anfíbios mudam de dentes continuamente ao longo da vida) e resistem facilmente à fossilização. Além disso, os dentes dão-nos pistas sobre a dieta dos animais.
Tudo isto faz com que o dentes sejam muito importantes para o estudo dos dinossauros carnívoros. Contudo, nem sempre a terminologia usada por cada autor e em cada artigo científico é consistente, e por vezes leva a alguma confusão. De forma a mitigar essa questão, Christophe Hendrickx (FCT-Univ. Nova de Lisboa) e colegas apresentam um novo estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, propondo uma norma e padrão para a terminologia dentária em dinossauros carnívoros.

 





Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R. (2015).  A proposed terminology of theropod teeth (Dinosauria, Saurischia). Journal of Vertebrate Paleontology. e982797.  LINK PDF

Resumo original:
Theropod teeth are typically not described in detail, yet these abundant vertebrate fossils are not only frequently reported in the literature, but also preserve extensive anatomical information. Often in descriptions, important characters of the crown and ornamentations are omitted, and in many instances, authors do not include a description of theropod dentition at all. The paucity of information makes identification of isolated teeth difficult and taxonomic assignments uncertain. Therefore, we here propose a standardization of the anatomical and morphometric terms for tooth anatomical subunits, as well as a methodology to describe isolated teeth comprehensively. As a corollary, this study exposes the importance of detailed anatomical descriptions with the utilitarian purpose of clarifying taxonomy and identifying isolated theropod teeth.

Resenha dos estudos de dinossauros terópodes

Foi publicado um apanhado das descobertas e sistemática de dinossauros carnívoros não-avianos, publicado no PalArch’s Journal of Vertebrate Palaeontology sendo um dos estudos que resultam da tese de Christophe Hendrickx (FCT- Univ. Nova de Liboa) sobre terópodes. O artigo profusamente ilustrado (sobretudo por Scott Hartman), dá uma perspectiva histórica, taxonómica e evolutiva dos dinossauros terópodes não-avianos.





 

 

  
Primeiros achados históricde dinossauros carnívoros.



Hendrickx, C., Hartman S. A., & Mateus O. (2015).  An overview of non-avian theropod discoveries and classification. PalArch’s Journal of Vertebrate Palaeontology. 12(1), 1-73. LINK  PDF

Resumo original:
Theropods form a taxonomically and morphologically diverse group of dinosaurs that include extant birds. Inferred relationships between theropod clades are complex and have changed dramatically over the past thirty years with the emergence of cladistic techniques. Here, we present a brief historical perspective of theropod discoveries and classification, as well as an overview on the current systematics of non-avian theropods. The first scientifically recorded theropod remains dating back to the 17th and 18th centuries come from the Middle Jurassic of Oxfordshire and most likely belong to the megalosaurid Megalosaurus. The latter was the first theropod genus to be named in 1824, and subsequent theropod material found before 1850 can all be referred to megalosauroids. In the fifty years from 1856 to 1906, theropod remains were reported from all continents but Antarctica. The clade Theropoda was erected by Othniel Charles Marsh in 1881, and in its current usage corresponds to an intricate ladder-like organization of ‘family’ to ‘superfamily’ level clades. The earliest definitive theropods come from the Carnian of Argentina, and coelophysoids form the first significant theropod radiation from the Late Triassic to their extinction in the Early Jurassic. Most subsequent theropod clades such as ceratosaurs, allosauroids, tyrannosauroids, ornithomimosaurs, therizinosaurs, oviraptorosaurs, dromaeosaurids, and troodontids persisted until the end of the Cretaceous, though the megalosauroid clade did not extend into the Maastrichtian. Current debates are focused on the monophyly of deinonychosaurs, the position of dilophosaurids within coelophysoids, and megaraptorans among neovenatorids. Some recent analyses have suggested a placement of dilophosaurids outside Coelophysoidea, Megaraptora within Tyrannosauroidea, and a paraphyletic Deinonychosauria with troodontids placed more closely to avialans than dromaeosaurids.



quarta-feira, maio 13, 2015

Dinossauros terópodes de Portugal em selos


Três dinossauros terópodes jurássicos de Portugal (Torvosaurus gurneyi, Ceratosaurus Allosaurus europaeus) são agora representados numa emissão filatélica dos CTT, com ilustrações das etiquetas, do biólogo e ilustrador científico Fernando Correia.
Ceratosaurus em selo e postal máximo

Esta emissão, em etiquetas autocolantes, pretende destacar os achados fósseis portugueses do Jurássico, visto serem de uma enorme importância científica, revelando uma grande riqueza e uma grande diversidade de espécies, em comparação com a maioria dos países europeus. Todos os achados podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Torvosaurus gurneyi é o maior predador terrestre que viveu em Portugal e em toda a Europa.  Apesar do seu tamanho colossal, entre 4 a 5 toneladas, conhecem-se também os seus embriões, raríssimos achados que podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Ceratosaurus, por sua vez, existiu há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico Superior, em Portugal e nos Estados Unidos. Era um dinossauro que teria cerca de 5 a 7 metros, no entanto, no nosso país, não se conhece nenhum elemento do seu crânio. Ainda assim, sabe-se que a anatomia de vários elementos dos membros são muito semelhantes aos conhecidos na América do Norte.
Por último, um dos grandes predadores mais conhecidos em Portugal: o Allosaurus europaeus. Conhece-se o crânio, dentes, vértebras e muitos outros elementos do seu esqueleto. 
Torvosaurus gurneyi em selo e postal máximo
Esta emissão filatélica é então uma excelente forma de divulgação internacional da ciência e arte científica lusas, projetando com qualidade o nome dos CTT, bem como o da paleontologia e da ilustração paleontológica que se fazem em Portugal.


Allosaurus europaeus em selo e postal máximo


Texto alterado e baseado no Jornal Público (13.5.2015) e CTT

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Evolução de dentes de dinossauros carnívoros em doutoramento de Christophe Hendrickx (FCT-UNL)

Realizaram-se as provas de doutoramento do Christophe Hendrickx, dia 25 de Fevereiro de 2015, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de LisboaA tese intitulade “Evolution of teeth and quadrate in non-avian Theropoda (Dinosauria: Saurischia), with the description of Torvosaurus remains from Portugal” é integrada no Doutoramento em Geologia, especialidade em Paleontologia.
O Christophe defendeu a sua tese de forma brilhante e deixou-nos orgulhosos. O trabalho será uma referência sobre a evolução de dentes de dinossauros carnívoros.


Christophe Hendrick no centro, com os membros do júri: Profs Mª Paula Diogo, Miguel Telles Antunes , Octávio Mateus, e Steve Brustte. Prof. Martin Sander em video-conferência atrás.

Provas de Doutoramento do Mestre Christophe Marie Fabian HendrickxDissertação: "Evolution of teeth and quadrate in non-avian Theropoda (Dinosauria: Saurischia), with the description of Torvosaurus remains from Portugal"Constituição do Júri:
Presidente•  Doutora Maria Paula Pires dos Santos Diogo, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais•  Doutor Miguel Carlos Ferreira Telles Antunes, Professor Catedrático Aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;•  Doutora Ausenda Cascalheira Assunção de Cáceres Balbino, Professora Catedrática da Universidade de Évora;•  Doutor Paul Martin Sander, Professor da Universidade de Bona (Rheinische Friedrich-Wilhelms-Universität Bonn) - Germany;•  Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; (Orientador)•  Doutor Stephen Louis Brusatte, Reader in Palaeobioligy “School of GeoSciences”, University of Edinburgh – UK.Hora: 14H30
Local: Sala de Actos - Edifício IV

Publicações que resultaram directamente da dissertação de Christophe Hendrickx:
Agora Doutor Christophe Hendrickx

Hendrickx, C. and Mateus, O. 2014. Abelisauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Portugal and dentition-based phylogeny as a contribution for the identification of isolated theropod teeth. Zootaxa 3759:1–74.
http://dx.doi.org/10.11646/zootaxa.3759.1.1Figures and data

Hendrickx, C. & Mateus, O. 2014. Torvosaurus gurneyi n. sp., the largest terrestrial predator from Europe, and a proposed terminology of the maxilla anatomy in nonavian theropods. PLoS ONE 9 (3): e88905. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0088905Figures

Hendrickx, C., Mateus, O. and Araújo, R. in press. A proposed terminology of theropod teeth (Saurischia: Dinosauria). Journal of Vertebrate Paleontology.

Hendrickx, C., Araújo, R. & Mateus, O. in review (accepted). The nonavian theropod quadrate I: standardized terminology and overview of the anatomy, function and ontogeny. PeerJ. PeerJ PrePrints 2:e379v1. http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.379v1

Hendrickx, C., Araújo, R. & Mateus, O. in review (accepted). The nonavian theropod quadrate II: systematic usefulness, major trends and cladistic and phylogenetic morphometrics analyses. PeerJ. PeerJ Preprints 2:e380v1.
http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.380v1

Hendrickx, C., Mateus, O. and Araújo, R. in press. The dentition of Megalosauridae (Theropoda: Dinosauria). Acta Palaeontologica Polonica. DOI: 10.4202/app.00056.2013 http://www.app.pan.pl/article/item/app000562013.html

Araújo, R., Castanhinha, R., Martins, R. M. S., Mateus, O., Hendrickx, C., Beckmann, F., Schell, N. and Alves, L. C. 2013. Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports 3 (1924): 1–8.
http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.htmlFigures

Mais informação online sobre o Christophe Hendrickx: Personal website,  FCT Website