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| Mariano Gago (1948-2015). Fonte: Wikipedia |
Na minha opinião, é o melhor ministro que alguma vez tivémos.
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| Mariano Gago e Octávio Mateus, Academia de Ciências de Lisboa-3-2-2011 |
Octávio Mateus
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| Mariano Gago (1948-2015). Fonte: Wikipedia |
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| Mariano Gago e Octávio Mateus, Academia de Ciências de Lisboa-3-2-2011 |
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| Brontosaurus, Credit: Davide Bonadonna, Milan, Italy. Creative commons license CC- BY NC SA. |
| Brontosaurus em mural em Nova York desenhado por Neave Parker (foto por Octávio Mateus) |
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| Infografia do estudo do Brontosaurus (PeerJ).
License: CC BY 4.0. Designers: StudioAM
Full resolution PDFs of these infographics are available at:http://static.peerj.com/press/previews/2015/04/857_infographic_no_text.pdf and:http://static.peerj.com/press/previews/2015/04/857_infographic_with_text.pdf
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| Emanuel Tschopp e Octávio Mateus medindo um fémur de dinossauro saurópode no Museu da Lourinhã. |
| Emanuel Tschopp e Octávio Mateus junto do dinossauro saurópode Supersaurus lourinhanensis no Museu da Lourinhã |
| Mural de Brontosaurus em Nova York (esquina da 13th st. com a 3rd av.). Foto por O Mateus. |
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| Reconstituição histórica de Brontosaurus como um animal semi-aquático (por Charles R Knight, 1897). Esta imagem foi republicada em Portugal por Lapparent e Zbyszewski (1957) |
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| Esqueleto de Brontosaurus excelsus por Othniel C Marsh em 1883 e 1891 |
| "Gertie, the Dinosaur" (1914) inspirado no Brontosaurus foi um dos primeiros desenhos animados. |
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| Marca de chocolates com o esqueleto do Brontosaurus. |
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| Kaatedocus siberi, por Davide Bonadonna |
Parece-me um mito urbano considerar que todos os tópicos que a ciência aborda são igualmente interessantes, ou por outras palavras, despoletam em nós – consumidores de informação científica – o mesmo interesse. A ideia de que diferentes áreas do conhecimento despertam a mesma curiosidade é geralmente justificada pela ignorância: se não estudaste, não sabes quão interessante pode ser. Mas, ao que me posso aperceber, existe uma espécie de intuição que nos leva a preferir um assunto em detrimento de outro. Ou seja, conseguimos antever, quase que supresticiosamente, o quão interessante é uma dada linha de ideias. Posso afirmar que saber mais sobre a origem do universo me desperta um maior interesse do que a metalurgia. E, pelos vistos isto não se passa só comigo: o número de livros de ciência popular sobre cosmologia é esmagadoramente maior do que os livros sobre as propriedades do aço e ligas de carbono. Despoleta em nós inevitavelmente maior atenção! Da mesma forma que, mesmo dentro da minha área, paleontologia dos dinossauros desperta maior interesse que a paleontologia dos artiodáctilos. Ou, a estratigrafia atrai mais investigadores que a mecânica dos solos. Julgo que esta intuição está associada a tantas outras coisas que se passam connosco ao longo da vida: escolher uma pessoa para um dado emprego, escolher que curso tirar. E é nestes instantes cruciais de tomada de decisão que o nosso rumo fica traçado, por exemplo, ao comprar um livro sobre cosmologia em vez de metalurgia.
As razões/constrangimentos sejam eles culturais, históricos ou económicos para que tal discriminação intrínseca aconteça não me debaterei, o que é certo é que é um facto. E esse facto tem repercussões inevitáveis. A quem atribuir um prémio de mérito científico? A quem atribuir os fundos de investigação? À partida diríamos que independentemente das nossas intuições todos os tópicos da ciência têm a mesma legitimidade de serem explorados. Contudo, há áreas que têm um maior impacto directo na população, como a Medicina ou a Tecnologia. E são assim canalizados mais fundos para estas áreas, a Medicina tem mesmo fundos específicos paralelos aos meios tradicionais de financiamento. Mas por que não acontece o mesmo com a investigação
No passado mês estive presente num encontro de biologia evolutiva e, tal como esperávamos, fomos os únicos paleontólogos num encontro dominado por biólogos moleculares. Mas o que há de ‘menos biologia evolutiva’ na paleontologia que exista na biologia molecular? Ambas as áreas deveriam igualmente contribuir para o desenvolvimento desta área maior. A assimetria de interesse numa e noutra área é reflectida pelo número desigual de investigadores. Cabe então às ‘minorias oprimidas’ espalhar a boa nova de quão sexy são as suas ideias, mesmo que estas sejam menos interessantes intrinsecamente. Este é o paradigma actual, e é assim muitas vezes que se consegue uma publicação na Nature. Mesmo que estes resultados pouco tenham de relevante, vamos lá pôr isto em termos sensuais para que os editores da revista apreciem. É a sensualidade não da ciência, mas sim de como as palavras estão escritas que acaba por falar mais alto. Dá ideia que para se fazer ciência tem de se ser um escritor de obras literárias best-sellers. Não desminto que pensar sexy em ciência não arrasta consigo uma postura positiva, nomeadamente o objecto de investigação tende a ser visto a uma escala maior, tende-se a comparar, a analisar implicações. Isso só por si já poderia justificar este tipo de abordagem.
Mas, em suma – e para não divagar mais – intuitivamente, por constrangimentos de variada ordem escolhemos tópicos que são pela sua natureza mais interessantes. Isto gera por si assimetrias na distribuição de oportunidades de investigação, à partida, independentes da intuição. No sentido de os investigadores contrariarem essa tendência ‘vendem o seu peixe’ tornando sexy as suas palavras em vez de insistirem na pertinência real, mesmo que cinzenta ou sem-graça, da investigação. Um vocabulário sexy faz-nos, apesar de tudo, pensar mais amplo.
Reposição da notícia "Empresário inglês equaciona construir um parque de diversões jurássico na Lourinhã: Dinossauros divertidos" do Jornal Alvorada (http://www.alvorada.pt/noticia.php?id=2909 em 2008-01-19).
Empresário inglês equaciona construir um parque de diversões jurássico na Lourinhã: Dinossauros divertidos
Foi há poucos dias que a Câmara Municipal da Lourinhã recebeu a proposta do empresário inglês Shivendra Rajan Sahay: está disposto a construir na Lourinhã, junto ao futuro Parque do Jurássico da vila, o “Mundo dos Dinossauros”, um mega-parque de divertimentos sob a temática dos dinossauros. Excêntrico? Só o futuro o dirá.
Esta mini-Disneylandia, à escala ibérica, como o próprio Shivendra Rajan Sahay explicou ao ALVORADA, está agora a ser estudada por uma equipa de especialistas da matéria, liderada pelo também britânico Simon Odi e que incluiu o arquitecto Keith Gray, que estiveram de visita à Lourinhã no passado dia 11, sexta-feira, aproveitando a escala de uma viagem de regresso da Nova Zelândia.
Acompanhado pela sua equipa, Simon Odi foi recebido nos Paços do Concelho, onde o presidente José Manuel Custódio e os vereadores João Duarte Carvalho e José Tomé explicaram o projecto que o município pretende edificar às portas da vila.
Simon Odi gostou do que viu. Depois da reunião na Câmara Municipal, visitou ainda o Museu da Lourinhã, onde o paleontólogo Octávio Mateus fez uma visita guiada ao espólio do GEAL. Ainda antes do almoço na Praia da Areia Branca e da partida para Londres, houve tempo para visitar os terrenos apontados para o projecto da CML/GEAL, no Lourim.
Em declarações aos jornalistas, o especialista em parque de diversões explicou que para o desenvolvimento de um projecto de divertimento seja lucrativo, tem que ser “um produto único”. Pelo menos na Europa. E agradou-lhe a temática dos dinossauros e do período do Jurássico. À partida, a Lourinhã possui algumas vantagens competitivas, como a proximidade a Lisboa e vias de comunicação terrestres que, futuramente serão ainda melhores, com a construção do IC11 e da sua ligação à A8. “Pode-se chegar aqui, vindo de Lisboa, em apenas 45 minutos, e isso significa que pode abranger um potencial de milhões de pessoas, que poderão vir aqui em apenas um dia, bem como os muitos turistas que visitam esta costa”, sublinhou.
Ou seja, há uma clientela muito grande que pode ser cativada para visitar o futuro parque.
Baseando-se na sua experiência profissional, sublinhou que “as famílias estão sempre à procura de locais para passarem os tempos livres com os seus filhos, quer estejam ou não em férias”.
Daí que o tema dos dinossauros seja muito popular entre nós. “A chave do sucesso de um parque de diversões é criar condições para que o visitante regresse outra vez, porque há algo de novo ou diferente. Pelo que ouvi até agora é uma boa ideia”, disse Simon Odi, que já apoiou a construção de parques temáticos em todo o mundo, através da empresa Grant Leisure, que concebeu, planeou, desenhou, montou e lançou operações de marketing de algumas das maiores atracções mundiais, visitadas anualmente por mais de 120 milhões de pessoas. A última está a nascer no Dubai, no Médio Oriente: trata-se do ‘Dubailand’, um parque-safari que está a ser criado no deserto deste riquíssimo país.
Dentro de mês e meio é esperado umrelatório de Simon Odi para Shivendra Rajan Sahay. Será com base neste documento que o empresário de origem indiana tomará uma decisão final em relação a este mega-investimento, que, se for para a frente, terá um investimento de vários milhões de euros, para captar mais de 250 mil visitantes por ano. Proprietário da sociedade anónima imobiliária Obrana Construções de Imóveis, com sede nas Caldas da Rainha, Shivendra Rajan Sahay está radicado no nosso país há 13 anos e tem desenvolvido vários projectos imobiliários na nossa região, nomeadamente no empreendimento Praia d’Del Rey, no concelho de Óbidos.
O empresário tem também projectada a construção de cerca de 300 moradias em Vale Geões, na Lourinhã, aguardando que o município defira os pedidos de licenciamento.
Para a construção do parque de diversões da Lourinhã, Shivendra Rajan Sahay está disposto a adquirir cerca de 100 hectares na zona contígua ao futuro “Mundo dos Dinossauros”.
Aparentemente, dinheiro não será problema para alcançar o seu objectivo, que passa, ainda, pela construção de um hotel para receber os visitantes do seu parque temático. Naquela que seria uma operação pioneira na Península Ibérica, e talvez única na Europa, o empresário dependerá a sua decisão final no resultado do relatório de Simon Odi, cuja visita-relâmpago terá custado cerca de 40 mil euros.
“Mundo dos Dinossauros”: projecto em fase de conclusão
A construção do “Mundo dos Dinossauros”, o parque e museu temático - com um grande jardim recreando o jurássico - que a Câmara Municipal da Lourinhã pretende construir, numa parceria como GEAL, nada tema ver como possível parque de diversões de Shivendra Rajan Sahay. O presidente José Manuel Custódio, que apoia a ideia do promotor inglês, pretende entregar até Março a candidatura do projecto ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e beneficiar dos fundos comunitários que, sublinhou, estão praticamente garantidos. Orçado em cerca de 20milhões de euros, os apoios deverão chegar aos 17 milhões. Os restantes três milhões serão, se tudo correr bem, financiados por Shivendra Rajan Sahay, que se pretende associar ao projecto.
O modelo de gestão ainda não está totalmente definido, mas será abandonada a ideia lançada pela empresa Audax - e apresentada no último feriado municipal - que defendia a constituição de uma fundação de direito privado. José Manuel Custódio inclina-se mais para a constituição de uma Empresa Municipal.
Como o Plano Estratégico do Oeste, elaborado pelo economista Augusto Mateus para a Associação de Municípios do Oeste, classificou este empreendimento de “estratégico”, José Manuel Custódio conseguiu que o mesmo fosse inscrito na lista de obras “prioritárias” para receberem financiamento do QREN, esperando que até ao Verão receba a aprovação para poder lançar o concurso das obras. Se tudo correr bem, pretende que o “Mundo dos Dinossauros” seja inaugurado em2010 e que tenha o quíntuplo das visitas do Oceanário de Lisboa, 230mil visitantes, de acordo como estudo de viabilidade económica da Audax, que vai ser seguido pelo município como linha orientadora.
in Jornal Alvorada
Reposição de um texto de Vasco Ribeiro no seu blog: http://vascoribeiro.blogspot.com/2008/01/mais-dinossauros.html
Na primeira página da edição nº 1009 de 18 de Janeiro do Jornal Alvorada é apresentada uma foto de senhores que não conheço de lado nenhum, com o título "Dinossauros divertidos".
Vou direito ao assunto. Em Maio vão passar quinze anos sobre a descoberta do famoso ninho de dinossauros em Paimogo. Nunca me poderei esquecer do ar de mistério do Horácio quando me mostrou o que parecia ser um ovo esmagado e depois quando o levei de carro ao local sob a sua orientação. E as peripécias que rodearam a sua descoberta. Nesse mesmo dia encontramos o que pareciam ser ossos minusculos, embora eu tivesse a certeza que seriam. Sonhei, pois percebi de imediato o que tinhamos em mãos.
Realizamos escavações nos verões de 1994, 95 e 96. Em 1997 sai uma comunicação preliminar na Academia de Ciências de Paris. Em Abril de 1998 realizámos uma comunicação mais vasta e completa na Academia de Ciências de Lisboa.
Em Setembro de 1999 obtenho o grau de licenciado em Engenharia Geológica e vou trabalhar para os túneis do IP3 em Castro Daire (Viseu) e sigo a minha vida profissional. Nunca mais colaborei neste ou noutro projecto do GEAL, embora associado nº22, pois entendi que a minha carreira profissional estava primeiro.
Mas porque não continuei no projecto?
Primeiro porque desde 1983 tinha colaborado, embora com intervalos, de forma activa, mas queria ser profissional.
Segundo, nunca entendi que o GEAL como associação tivesse capacidade para partir para investimentos avultados.
Terceiro, depois de licenciado proposeram-me um estágio profissional, como se tivesse que provar alguma coisa, e eu também não estava disposto a ficar sujeito a bolsas de estudo.
Quarto e mais importante, nunca senti que o poder local estivesse verdadeiramente empenhado em pegar nas ideias, por desinteresse, ignorância ou incompetência e eu nunca tive jeito para D. Quixote, o tal que lutava contra moinhos de vento.
Juntando a isto tudo, a evolução do GEAL, que têm sido publicadas neste jornal, com artigos de opinião, só me resta corrigir o título e parafraseando o adágio popular "Santos da casa não fazem milagres".
O que poderia ser um investimento local, passa a ser um investimento externo para onde irão os dividendos e quando não der dinheiro fecha-se. Olhem para a ousadia e visão da autarquia de Mora que montou um Fluviário por 6 milhões de euros e já passou os 100 mil visitantes.
Serão os senhores da foto os heróis da história? Quantos mais quinze anos se passarão?
Como referiu o Sr. Dário de Matos no número anterior, a Isabel Mateus já há muitos anos tinha partilhado essa ideia do parque temático. A diferença é que agora há dinheiro, mas talvez já não haja tempo.
A todos os que colaboraram e colaboram com o GEAL e o Museu um grande obrigado! Mas preparem-se para o pior quando o dinheiro começar a ditar as leis...
O termo Dinossauro é, na minha opinião, o correcto. Ambos os termos têm vindo a ser usados quer no meio académico, quer nos órgãos de comunicação social. Contudo, eu, as instituições a que estou associado (Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa) e a maioria das universidades portuguesas e as comunidades de geólogos (ver http://www.geopor.pt/GPdiv/dinos.html) usam o termo Dinossauro.
Dinossauro vem do latim (deinos + saurus) que significa “lagarto terrível” tendo sido inventada pelo inglês Richard Owen no séc. XIX e introduzida em Portugal através da literatura científica e popular inglesa que usam o termo “dinosaur” e não "dinosaurian". O plural latino é “Dinosauria” e é esse o termo considerado para fins taxonómicos. Dizer “dinossáurios” é usar um plural de um plural, logo, considero incorrecto.
Museu da Lourinhã, Ebulição lourinhanensis
O Museu da Lourinhã nasceu da vontade de um grupo de amigos, curiosos da etnologia e arqueologia, que faziam dos seus tempos livres uma verdadeira estufa incubadora de ideias e projectos. O GEAL (Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã), fundado em 1981, serviu de base estrutural à criação do Museu da Lourinhã, ao qual foi mesmo concedido o estatuto de Associação de Utilidade Pública.
Em entrevista ao jornal «O Primeiro de Janeiro», Simão Mateus, ilustrador e guia de visitas do Museu da Lourinhã, falou-nos acerca da génese desta instituição, sua evolução, áreas de intervenção e principais projectos.
Faça um breve historial do Museu da Lourinhã, bem como das motivações para a sua criação.
O Museu abre a 24 de Junho de 1983 com o espólio do Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã, Associação Sem Fins Lucrativos e Pessoa Colectiva de Utilidade Pública, associação essa que ainda hoje está por trás do Museu da Lourinhã.
A riqueza arqueológica, paleontológica, e etnográfica que esta associação possuía, há 20 anos atrás, já era de tal ordem que acharam justificar-se a existência de um Museu. A partir daí, as diversas descobertas, principalmente de dinossauros, vieram a fazer crescer a popularidade do Museu e o seu número de visitantes.
O Museu começou por ocupar o antigo edifício do tribunal e das finanças da Lourinhã e, lentamente, foi-se expandindo, tendo actualmente mais do dobro da sua área inicial, sendo, mesmo assim, manifestamente insuficiente para a riqueza do seu espólio.
Enquanto local de memória dos lourinhanenses, este Museu acolhe, em paralelo com os achados paleontológicos, uma exposição de etnografia. Qual a sua extensão e quais as vertentes abrangidas?
A exposição de etnografia deve ocupar cerca de 60 por cento da área do Museu, mais a de arqueologia, que deve ocupar 10 por cento, os dinossauros devem ficar com o restante. Muitos dos visitantes que, inicialmente, não mostravam grande vontade de ver os dinossauros, acabam por ficar muito impressionados com a quantidade e qualidade das nossas exposições etnográficas. Estas abrangem desde o mundo rural e piscícola, a artes e ofícios desaparecidos ou tão alterados que dificilmente lhes notamos paralelismos nos seus instrumentos de trabalho. Temos também a recriação de uma casa rural e exposições sobre associações tão antigas e importantes para a Lourinhã como os Bombeiros Voluntários ou a banda de música.
Descreva-nos a organização espacial do Museu da Lourinhã.
O Museu tem, no seu piso de entrada, a exposição de Arqueologia e Etnografia Agrícola, depois, no primeiro andar, situa-se a sala das profissões, sala das colectividades e tempos livres e arte sacra. Descendo ao pátio, encontramos a casa tradicional saloia e, por fim, temos o pavilhão da paleontologia, onde estão os dinossauros.
Quais os eventos culturais e outros realizados ou a realizar durante este ano pelo Museu?
Em termos de paleontologia, o Museu costuma promover exposições externas, como, por exemplo, em centros comerciais, no ano passado na Assembleia da República ou há dois anos no Palácio de Cristal, no Porto, por ocasião dos “Gobissauros”, em que aliás fomos o único Museu com peças lá expostas. Promovemos também, anualmente, o Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, com a exposição dos trabalhos. Na etnografia, realizamos também exposições externas, mas, infelizmente, em menor número e com menos impacto.
Como se desenvolvem as relações com as diversas instituições com as quais o Museu interage?
O Museu tem muito boas relações com as diversas instituições com que trabalha, sejam elas estatais, ONG’s ou internacionais. A Câmara Municipal da Lourinhã mostra sempre a sua disponibilidade para nos ajudar, temos exposições promovidas por associações de outras localidades e temos também uma estreita colaboração com o Museu de História Natural de Paris, por exemplo.
Como se processam as visitas ao Museu? Existe uma vertente pedagógica nesta instituição?
As visitas ao Museu podem ser livres ou guiadas. No ano passado começámos a promover um pacote especial para as escolas, que são as visitas ao campo. Nestas visitas tentamos dirigir o discurso de encontro ao programa que se dá nas aulas, nomeadamente de Biologia e Ciências da Terra, de forma a que todos consigam entender.
Qual a média anual de visitas?
Recebemos 18 mil visitantes por ano, sendo 80 por cento de escolas!
O Museu dispõe de abertura para receber a colaboração de simples curiosos? É necessário algum requisito mínimo?
O Museu vive muito do trabalho de simples curiosos, foi assim que começou e é assim que continua a fazer muito do seu trabalho, nomeadamente, dentro da paleontologia. Trabalhamos com voluntários de todo o mundo, já cá tivemos australianos, alemães, luso-descendentes do Canadá e EUA e dinamarqueses, além de outros países. No entanto, não é requisito virem de outros países, a maioria dos nossos voluntários são portugueses, muitos das escolas do concelho da Lourinhã. Requisito mínimo é mesmo vontade de trabalhar e terem mais de 14 anos.
Faz parte dos quadros do Museu um dos especialistas de renome mundial na área da paleontologia, pode-nos falar um pouco acerca do trabalho realizado por Octávio Mateus?
O paleontólogo Octávio Mateus é um dos poucos especialistas europeus em dinossauros e tem desenvolvido toda a sua formação académica ligada ao Museu da Lourinhã, fazendo aí o seu doutoramento intitulado «Dinossauros do Jurássico Superior de Portugal». Desde menino esteve ligado ao Museu da Lourinhã, participando em todas as escavações de dinossauros.
Octávio Mateus é responsável pela paleontologia do Museu da Lourinhã, o que inclui a recolha de fósseis, escavações, estudo e publicação. Um paleontólogo tem de estudar a evolução, anatomia e toda a paleobiologia das espécies em estudo, neste caso, os dinossauros. Portugal é muito rico em dinossauros, sendo o país europeu mais produtivo nesse domínio. O trabalho do Museu da Lourinhã, orientado pelo seu paleontólogo, tem sido essencial para o epíteto «Lourinhã, Capital dos Dinossauros».
Este paleontólogo descreveu várias espécies de dinossauros novas para a Ciência, tais como o Lourinhanosaurus antunesi, Draconyx loureiroi, Tangvayosaurus hoffeti, Dinheirosaurus lourinhanensis ou Lusotitan atalaiensis.
No currículo de Octávio Mateus contam-se duas dezenas de publicações em revistas científicas internacionais. A sua ligação com a Universidade Nova de Lisboa e com outras instituições académicas nacionais e internacionais têm-lhe permitido granjear uma reputação internacional, o que o tem levado a escavar fósseis em locais como Brasil, Laos, Angola e Estados Unidos. Além das suas ligações ao Museu da Lourinhã e à Universidade Nova de Lisboa, é ainda o responsável científico de um museu de dinossauros na Alemanha.
Quais os principais projectos para o futuro?
O nosso principal projecto é a construção de um novo edifício para albergar tanto espólio que ainda temos!